Contenção de parede diafragma – revisão bibliográfica

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ARTIGO DE REVISÃO

NUNES, Carolaine Gonçalves [1], AMARAL, Maria Eduarda Antunes [2], SOUSA, Karoline Dantas Santana [3]

NUNES, Carolaine Gonçalves. AMARAL, Maria Eduarda Antunes. SOUSA, Karoline Dantas Santana. Contenção de parede diafragma – revisão bibliográfica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 07, Vol. 09, pp. 109-129. Julho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/parede-diafragma

RESUMO

Contexto: Este trabalho reúne a definição de alguns tipos de contenção, mas a principal estrutura a ser apresentada é a Parede Diafragma Atirantada moldada “in loco”. Essa solução se torna vantajosa à medida que pode ser empregada em qualquer tipo de solo e atingir grandes profundidades. Além disso, podem trabalhar como parte da estrutura da edificação.  Problema: Quais são as características, requisitos construtivos, dos materiais necessários para execução da parede do diafragma e quais etapas de construção e as condições às quais essa contenção está submetida, como cargas acidentais, permanentes, empuxo de solo e pressão da água? Desta forma, este estudo teve como objetivo fazer um levantamento teórica de tais questionamentos. A metodologia usada foi o estudo bibliográfico, e a partir dela pode-se encontrar os vários tipos de contenções usadas na construção civil, tendo cada uma delas sua determinada aplicação e seus fatores a serem analisados, e depois avaliar o melhor tipo adequado para cada situação da obra. Resultados e Considerações:  As contenções têm suas vantagens e desvantagens, por isso a importância de estudá-las e saber onde encaixam melhor, com a parede diafragma não é diferente, os pontos positivos se destaca em relação às outras, tem fácil aplicabilidade e pode ser implantada na maioria dos terrenos, mas além disso deve-se observar suas desvantagens, para que tenha sucesso na realização da obra.

Palavras-chave: parede diafragma, contenção, concreto, estrutura.

1. INTRODUÇÃO

Em diversos empreendimentos da construção civil, a alteração da topografia do terreno para a construção da edificação se mostra necessária. Essas alterações, sendo por meio de cortes ou escavações causam instabilidade no solo e essa instabilidade pode provocar desmoronamentos e deslizamentos de terra. Então, visando a reestabilização do solo, muitos métodos como solução para contenções foram desenvolvidos.

Contenção no meio da construção civil pode ser definida como uma estrutura que tem a função de conter maciços de solos ou rochas, ou seja, trazer estabilidade a um montante de solo que teve seu formato alterado, evitando assim que esse maciço de solo procure novos formatos de estabilidade. Dentre os diversos métodos consolidados de contenções, este artigo abordará a fundo a solução em paredes diafragma.

As paredes diafragma são estruturas de contenções que possuem formato de painéis retangulares e podem ser constituídas de concreto simples, armado, pré-moldado ou coulis. Dentre suas especificidades, a significativa resistência a empuxos de solo, empuxos hidrostáticos e velocidade e facilidade executiva, faz com que essa tecnologia de contenção praticamente não apresente restrições para sua aplicação. (BRASFOND, 2013-2019)

No Brasil, o uso das paredes diafragma como solução de contenção é bastante comum e bem consolidado, existem várias empresas no mercado que executam esse tipo de contenção com bastante experiência e equipamentos de grande tecnologia, assim evitando e mitigando qualquer tipo de imperfeição.

O uso das paredes diafragma é indicado em obras onde o nível da escavação ultrapassará o nível do lençol freático, pois além de necessitar de um grande maquinário para sua execução, que não é alocado em qualquer terreno, o custo pode ser relativamente alto, tornando sua aplicação inviável em diversos empreendimentos. (NEVES, 1999-2021)

O objetivo macro deste trabalho é apresentar conceitos e metodologias de projeto e execução do sistema de contenção com uso de parede diafragma moldada “in loco”, estudar a aplicabilidade e especificações de uma contenção com parede diafragma, assim como suas vantagens e desvantagens, métodos e materiais necessários para sua execução.

2.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Estruturas de contenção são obras que têm como objetivo reduzir rejeitos ou maciços de solos. Quando essas estruturas são localizadas em locais habitacionais e em locais de lazer, elas precisam se agregar ao máximo a esses locais, seja como ambiental ou paisagístico. Além disso, é necessário ter soluções de dimensionamento para garantir vida útil longa da obra executada. (BARROS, 2015)

As paredes diafragma, podem ser executadas de três diferentes maneiras, aplicadas em consequência das necessidades de cada projeto: pré-moldada, moldadas in loco e de coulis.

A parede diafragma moldada in loco ou pré-moldada, é um tipo de contenção que consiste na execução de painéis de concreto armado ou não, de uma mistura de cimento, bentonita e água (coulis), formando uma cortina. Ela pode atingir grandes profundidades e sua espessura varia de 0,30m a 1,20m. Ela é executada para o fim de estabilizar as paredes da escavação e não causam vibrações. Por ser uma contenção de paramento estanque, ela evita o fluxo da água para o interior da escavação e não importando o nível d’água. Além disso, pode ser utilizada com qualquer tipo de escoramento. (STUCCHI; MIUTTISKY, 1998; MARZIONNA et al., 1998)

A parede diafragma realiza no subsolo um muro vertical, constituído de painéis elementares alternados ou sucessivos, que são aptos a captar as cargas axiais, os empuxos horizontais, momentos fletores e forças cortantes. (BRASFOND, 2013-2019)

A parede diafragma é uma barreira vertical com função estática ou hidráulica, ela pode ser pré-moldada ou de coulis, de concreto armado ou simples, dependendo a qual escopo vai ser utilizado. Ela foi inicialmente utilizada na construção de cut-off de barragens, que interceptava o fluxo de infiltração, assim, ela começou a ser utilizada em várias soluções de engenharia, como a parede de contenção para escavar os subsolos, inclusive perto de edifícios já construídos; aplicação de garagens subterrâneas; construção de passagens subterrâneas e galerias de metrô; construção de estruturas de contenção para prevenir deslizamentos; entre outros. (BRASFOND, 2013-2019)

3.TIPOS DE CONTENÇÃO

Atualmente existem inúmeros tipos de contenções que são utilizadas na construção civil. A aplicação de um determinado tipo de contenção depende de muitos fatores que devem ser analisados e estudados a fim de se determinar qual tipo de contenção melhor se aplica a determinada obra. A contenção é uma estrutura que apresenta rigidez diferente da que contém no terreno que será aplicada. Em outras palavras, contenção é o nome dado a toda estrutura que se contrapõe ao empuxo gerado por um maciço que teve sua condição de equilíbrio alterada.

As estruturas de contenção são classificadas como contenção em talude, escavações contidas ou não contidas, provisórias ou definitivas, flexíveis ou rígidas, escoradas ou não escoradas. Cada estrutura dessa possui um diferente processo para execução e cada um a um projeto específico.

Uma das estruturas de contenção mais usadas na construção civil é as estacas justapostas, essas estacas são colocadas de maneira justapostas, tendo a presença do solo entre o final de uma estaca e o início de outra. Os espaçamentos variam de 0 a 3 diâmetros.

As contenções em perfis metálicos é um tipo de contenção que faz uso de perfis metálicos cravados a uma certa distância um do outro, sendo o trecho entre eles preenchidos por pranchões de madeira, placas de concreto pré-moldadas armadas ou chapas metálicas soldadas que visam otimizar o desempenho do sistema. Os pranchões de madeira são muito utilizados quando se trata de obras de contenção provisórias, uma contenção que faz uso de perfis metálicos cravados e pranchões de madeira apresentam um menor custo quando comparada a outros sistemas de contenção. Em obras definitivas, não se usa madeira por se tratar de um material com baixa durabilidade, e os perfis metálicos devem ser protegidos contra a corrosão. Os muros de arrimo são estruturas de contenção de parede vertical ou quase vertical, apoiadas em uma fundação rasa ou profunda.

Os muros podem ser levantados em seção plena, sendo classificados como muros de peso ou de gravidade, e os muros classificados como muros a flexão são de seção mais esbelta. Eles requerem a inclusão de armadura que resistam aos momentos impostos por empuxos do solo que podem ser projetados sem ou com tirantes. O muro de arrimos pode ser feito com: concreto, alvenaria, gabiões, pneus etc. (GERSCOVICH, 2016)

3.1 PAREDE DIAFRAGMA

A parede diafragma é um tipo de sistema de contenção que pode ser moldada ou pré-moldada. Trata-se de um muro vertical de concreto armado cuja espessura pode variar de 30cm a 120cm, essa espessura é definida na fase de elaboração do projeto estrutural, em função dos esforços solicitados no painel. Além da parede de concreto armado, esse tipo de contenção pode conter estroncas, longarinas e/ou tirantes que são ancorados no terreno a uma profundidade que lhe permite estabilidade sem a possibilidade de ruptura ou movimentações indesejadas.

A parede armada pode absorver empuxos, cargas axiais e momentos fletores, bem como ser utilizada como elemento de fundação absorvendo cargas normais, podendo ser executada com a presença ou não do lençol freático. (RATTICHIERI, 2015).

As paredes diafragma apresentam a capacidade de se moldar à geometria do terreno e sua execução não causa grandes descompressões no terreno e nem vibrações, assim, podem ser construídas próximas às estruturas vizinhas sem causar danos às mesmas.

As paredes diafragma são aplicadas atualmente nas contenções de subsolo para construir obras como as estações de metrô, túneis, garagens subterrâneas, construções de poços, cortinas impermeáveis, entre tantas outras.

Figura 1 – Parede Diafragma.

Fonte: Página MJG Construmix, 2019 Engenharia, (2019).

Figura 2 – Parede Diafragma Profunda.

Fonte: Página Lemos de Moraes.

3.2 PAREDE DIAFRAGMA MOLDADA IN LOCO

Nos anos 50, quando surgiu a parede diafragma moldada in loco, esta revolucionou o mercado da construção civil e até hoje é muito utilizada, pois permite sua execução sem provocar vibrações ou desconfinamento dos terrenos vizinhos, podendo ser aplicada acima ou abaixo do nível de água e em praticamente qualquer tipo de solo. (SAEZ et al., 1998).

Podemos definir paredes diafragma moldada in loco como painéis de concreto armado conectados através de ranhuras, e com a finalidade de contenção do solo. As lamelas (nome comumente utilizado para painéis) possuem dimensões comerciais de 30 a 120 centímetros de espessura e largura variando de 2,50 a 3,20 metros. O comprimento da parede diafragma moldada in loco é variado, dependendo unicamente da capacidade do guindaste. (SEADI; LEDUR, 2011)

Para a sua execução, se faz necessário presente em obra o relatório de sondagem, o projeto contendo todas as diretrizes e parâmetros necessários para a sua aplicação, equipamentos, acessórios e ferramentas, além de ser recomendado uma equipe mínima devidamente preparada composta por um engenheiro supervisor, um encarregado, um operador da diafragmadora, um operador para o guindaste auxiliar, dois especialistas em paredes diafragma e dois ajudantes gerais.

3.3 VANTAGENS E DESVANTAGENS

Em comparação aos outros tipos de sistemas de contenções popularizados no mercado da construção civil, a parede diafragma se destaca devido a sua aplicabilidade, pois pode ser implantada em quase qualquer tipo de terreno, mesmo em terrenos que apresentam o nível do lençol freático alto e não provoca vibrações mesmo em solos bastante resistentes, evitando assim possíveis danificações às edificações vizinhas. Forma um painel estanque possibilitando somente um esgotamento superficial, sua grande variação de espessura permite que seja executada tanto em contenções de pequeno quanto de grande porte, além de se conformar melhor ao perímetro da contenção. (SAEZ et al., 1998)

Como desvantagens, a parede diafragma possui algumas restrições, devido a utilização de grandes equipamentos para sua confecção, assim a acessibilidade do terreno e o tamanho do mesmo pode limitar o uso desse sistema de contenção, além do custo, que é bastante competitivo em contenção abaixo do nível de água, mas que pode ser mais caro quando foge dessa situação. Em terrenos com presença de matacões (blocos de rocha imersos no solo, muito presente em solos residuais) e necessidade de embutimento na rocha, é necessária a utilização de hidrofresa para execução das escavações com custo mais elevado.

4. COMPONENTES DA PAREDE DIAFRAGMA

4.1. ESCORAMENTOS

Em grandes escavações, a presença de escoramentos se torna essencial para a execução da parede diafragma, os mais comuns e utilizados no mercado brasileiro são os tirantes, as estroncas, bermas e as estruturas definitivas.

A escolha dos tipos de escoramentos a serem empregados na execução da obra quase independem da técnica, tipo de solo ou nível do lençol freático, às vezes a escolha do tipo de escoramento está mais ligada a questões legais, como por exemplo, vizinhos que não permitem a execução de tirantes definitivos em seus terrenos, mesmo esta solução sendo a mais adequada e mais econômica para o tipo de empreendimento.

4.1.1 TIRANTES

Os tirantes são os escoramentos mais utilizados em obras de contenções, devido a sua aplicabilidade em praticamente todos os tipos de obras, e por não ocuparem tanto espaço, facilitando assim as escavações e a execução da estrutura definitiva. São classificados como tirantes provisórios ou definitivos, cada um possuindo suas especificidades conforme a ABNT NBR 5629, (2018). Em projeto, se faz necessário levar em conta as interferências com as fundações vizinhas, como também prever possíveis recalques devido às perfurações, levantamento de solo devido às injeções da calda para a fixação do tirante no terreno e esforços horizontais causados pela protensão dos tirantes. (SAEZ et al., 1998)

Os tirantes podem ser divididos basicamente em três partes, sendo elas a cabeça do tirante, o comprimento livre do tirante e o comprimento ancorado. (GERSCOVICH, 2016)

O comprimento ancorado do tirante tem a função de contrapor o empuxo solicitante, é executado através de injeção de calda de cimento sob alta pressão formando assim um bulbo que após a protensão com macaco hidráulico como especificado em projeto, será capaz de resistir os esforços atuantes. O comprimento livre do tirante fica localizado entre a cabeça e o trecho ancorado do tirante e não contribui com a ancoragem do tirante. A cabeça do tirante é a parte que possui a função de transmitir a carga do bulbo de ancoragem para a parede por meio de cordoalhas de aço protendidas, é composta por diversas peças tendo mais relevância a placa de apoio, a cunha de grau e as porcas, fica para fora da parede e após a finalização é protegida com uma estrutura de concreto, evitando assim a corrosão.

Observa-se na figura 3 o tirante finalizado após a protensão.

Figura 3 – Tirante finalizado.

Fonte: Página Solonet, (2019).

4.1.2 ESTRONCAS

As estroncas são estruturas geralmente metálicas, podendo ser também de concreto armado ou de madeira. Ocupam espaço dentro da escavação, prejudicando assim o andamento da obra e a execução da estrutura definitiva. Podem ser utilizadas quando não há possibilidade de executar tirantes nos terrenos vizinhos e geralmente são reutilizadas de uma obra para outra ou até mesmo na mesma obra. Tem o custo unitário muito menor que o dos tirantes.

O escoramento de estronca se dá através do equilíbrio simples, quando o empuxo de um lado da escavação se equilibra com o do outro lado, assim trazendo estabilidade.

Figura 4 – Estronca metálica, estação da linha 5 Lilás.

Fonte: Página Jodi Metálica, (2019).

4.1.3 BERMAS

A utilização das bermas como único escoramento é mais presente em contenções de pequena altura e em solos com bons parâmetros de resistência, podem ser provisórias ou definitivas, se diferenciando apenas pelo ângulo de inclinação e devem ser protegidas apropriadamente para evitar erosões. Por ocuparem muito espaço, as bermas causam bastante interferência com a execução da estrutura definitiva, por isso muitas vezes sua utilização é provisória. Além disso, a berma permite deslocamento da contenção, podendo causar recalques em edificações vizinhas. Em obras de grande porte, devido a sua proporcionalidade para a altura a ser contida, o uso das bermas se torna inviável, se tornando um escoramento auxiliar aos outros tipos de escoramentos comumente usados.

Figura 5 – Bermas como escoramento.

Fonte: Produzido pelo autor, (2019).

4.1.4 ESTRUTURA DEFINITIVA

A estrutura definitiva pode ser utilizada como escoramento, muitas vezes evitável devido a sua dificuldade de execução e ao seu valor que pode parecer mais barato por não utilizar escoramentos provisórios, mas o aumento dos custos das escavações, como também o aumento dos custos relacionado à estrutura, podem ser maiores que o valor que seria utilizado com os escoramentos provisórios. Em alguns casos, esse tipo de escoramento é a única solução possível, devido a não autorização de execução de tirantes nos terrenos vizinhos em obras com uma grande quantidade de subsolos. (SAEZ et al., 1998).

A execução desse tipo de escoramento se dá de cima para baixo, criando apoios intermediários que preferencialmente devem coincidir com os apoios da estrutura definitiva. Como a execução desse tipo de escoramento é de grande complexidade, necessitando de um prazo muito maior do que seria normalmente preciso, visando não comprometer o andamento da obra, muitas vezes são dimensionados apoios intermediários que possuem a função de dar suporte não unicamente para os subsolos como também para os pavimentos superiores, dando início a duas frentes de trabalho, construindo os subsolos e os pavimentos superiores simultaneamente.

5. MÉTODOS DE CONSTRUÇÃO

5.1 EQUIPAMENTOS, MAQUINÁRIOS E MATERIAIS

5.1.1 DIAFRAGMADORA

A diafragmadora é composta por um clam-shell e um guindaste principal. Estes devem ser dimensionados para atender as especificidades do projeto, tanto quanto a espessura e a largura da lamela que é definida pelo tamanho do clam-shell, como também o comprimento da parede que tem a capacidade de carga do guindaste principal como limitante. Quando o solo apresenta componentes que dificultam o prosseguimento da escavação ou se faz necessário embutimento em rocha como previsto em projeto, é indicado a utilização da hidrofresa. (ABEF, 2012)

Figura 6 – Diafragmadora.

Fonte: Roca fundações, (2019).

5.1.2 GUINDASTE AUXILIAR

O guindaste auxiliar deve ser sobre esteiras e ter a capacidade de erguer a “gaiola” (armação) inteira do painel.

Figura 7 – Guindaste auxiliar e Diafragmadora.

Fonte: Página Geofix, (2019).

5.1.3 CENTRAL DE LAMA

A central de lama deve ser composta por um misturador capaz de misturar no mínimo 800 l de lama por seção e deve possuir capacidade de no mínimo igual ao volume da maior lamela a ser escavada.

Figura 8 – Central de Lama.

Fonte: Página da Solonet, (2019).

5.1.4 BOMBAS

As bombas que terão a função de bombear a lama-bentonítica para o painel, devem ter a capacidade mínima de bombear o volume do maior painel a ser executado em menos de duas horas.

Figura 9 – Central de Lama.

Fonte: Página da Universidade Trisul, (2019).

5.1.5 CONJUNTO DE TUBOS OU CHAPAS JUNTAS

Utilizados para criar o vinco de ligação entre os painéis, deverão estar dispostos dois conjuntos de tubos ou chapas juntas, de comprimento no mínimo igual ao comprimento do maior painel a ser executado.

Figura 10 – Tubos Junta.

Fonte: Página Solonet, (2019).

5.1.6 FUNIL DE CONCRETAGEM E TUBO TREMONHA

O diâmetro mínimo do tubo tremonha deve ser de 250mm e o comprimento no mínimo igual ao tamanho do maior painel a ser executado. Em casos de paredes com espessura de 40 cm, o diâmetro do tubo tremonha pode ser reduzido para 200mm, mas o concreto deve ser mais fluído, atendendo a um slump superior a 21cm. Em paredes de grandes larguras, com dimensões superiores a 4,0m, se faz necessário a presença de mais de um tubo tremonha e de um funil.

Figura 11- Funil de Concretagem e tubo tremonha.

Fonte: Página Solonet, (2019).

5.1.7 LABORATÓRIO DE CAMPO

O laboratório de campo deve possuir todos os equipamentos necessários para fazer os testes solicitados da lama-bentonítica, no mínimo o laboratório deve conter uma balança de lama, um funil de marsh e proveta graduada até 1000cc, uma proveta baroid e um medidor de pH.

5.2 ETAPAS CONSTRUTIVAS

5.2.1 PREPARO E INSTALAÇÃO DO CANTEIRO

Nessa primeira etapa o engenheiro encarregado deve planejar e implantar a obra, analisando as condições da vizinhança e verificando as interferências e obstáculos no canteiro da obra. Estabelecer a sequência executiva e analisar a sondagem, prevendo possíveis dificuldades de execução, além de definir o layout do canteiro para a locação dos equipamentos, também são medidas a serem tomadas no início dos serviços.

5.2.2 EXECUÇÃO DA MURETA GUIA

A mureta guia é o primeiro passo para construir a parede diafragma, ela tem a finalidade de guiar o maquinário (Clam-shell ou Hidrofresa) no processo de escavação, evitar desmoronamentos superficiais na cava e dar suporte a armação do painel. Com abertura de aproximadamente três a cinco centímetros maior que a espessura da parede diafragma, a mureta guia deve ser locada longitudinalmente ao eixo da parede diafragma e confeccionada para atingir aproximadamente um metro de profundidade.

Após a sua confecção, um engenheiro especialista deve conferir as muretas guias de concreto armado ao longo de toda a sua extensão, verificando os critérios de espessura, alinhamento e verticalidade.

5.2.3. ESCAVAÇÃO DO PAINEL COM A DIAFRAGMADORA

A próxima etapa executiva da parede diafragma é a escavação. Atualmente no Brasil existem duas máquinas que são utilizadas nesse processo, o clam-shell que é o maquinário mais comum em obras e a hidrofresa que é apenas utilizada em obras que apresentam grandes dificuldades para escavação. A figura 12 apresenta uma sequência executiva de escavação. Em escavações com grandes variações de solos, é comum utilizar o clam-shell para a escavação inicial e a hidrofresa quando se chega em um material impenetrável.

Após o posicionamento da diafragmadora, a etapa se inicia com o clam-shell escavando de 1,0m a 1,5m de profundidade. Após a escavação inicial, começa-se o bombeamento da lama bentonítica previamente preparada. A lama bentonítica é fabricada em locais apropriados chamados de centrais de lama. Devido ao seu alto teor de inchamento após o contato com água, o fluido passa por um processo de maturação antes de sua aplicação com duração mínima de doze horas. O processo de maturação tem como objetivo deixar o fluido em contato com a água para que ele atinja todo seu potencial de inchamento. Após o preparo, são realizados alguns ensaios para verificar sua densidade, viscosidade, pH, cake e o teor de areia. Devido a sua tixotropia a lama quando agitada apresenta um comportamento fluido e quando em repouso se mostra como um “gel” e esse “gel” impede que haja desmoronamentos na cava, evitando assim possíveis imperfeições na parede. (ABEF, 2012)

Figura 12 – Sequência executiva da escavação dos painéis.

Fonte: Página Geofix, (2019).

Com a escavação em andamento, o encarregado especialista deve observar o alinhamento da ferramenta de escavação, como também o nível da lama bentonítica, a fim de evitar possíveis desconformidades. Após atingir a profundidade definida em projeto, é feita a limpeza do fundo do painel.

5.2.4 COLOCAÇÃO DA ARMADURA

Com a escavação finalizada, coloca-se a placa espelho, previamente untada com graxa, com a finalidade de melhorar o acabamento da parede da face voltada para o terreno, é colocada também untada com graxa a junta que busca conectar e travar as lamelas da parede, evitando infiltrações e problemas de concretagem. Com a armação previamente preparada e dimensionada conforme a prever a passagem para o tubo ou tubos tremonha como também a do concreto, a armadura é içada e colocada suavemente dentro das paredes com o auxílio de espaçadores a fim de garantir o cobrimento e alinhamento. Antes da concretagem, a armadura é fixada junto a mureta guia evitando possíveis movimentações.

5.2.5 CONCRETAGEM DO PAINEL

Tendo o tubo ou os tubos de concretagem montados e posicionados apropriadamente, a concretagem é feita de baixo para cima com o auxílio dos caminhões betoneiras, evitando interrupções de concretagem por mais de uma hora.

Com a aferição do nível de concreto no painel, visando a uniformidade e mantendo o tubo tremonha no mínimo 1,5 m imerso no concreto, a concretagem segue até o preenchimento do painel. Simultaneamente, a lama deve ser bombeada para local apropriado quando estiver sendo expulsa durante a concretagem.

Figura 13 – Sequência executiva de concretagem.

Fonte: Página Geofix, (2019).

Após o início da pega do concreto, a chapa espelho e as juntas devem ser retiradas e limpas para serem usadas novamente.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Visto que o estudo de uma contenção envolve áreas diversas da engenharia civil e o domínio sobre seus respectivos assuntos, ela se torna um objeto de complexa solvência. Como foi visto no estudo bibliográfico acima, foi falado sobre a execução do sistema de contenção com uso de parede diafragma in loco, que é uma barreira vertical que poderá ter função estática ou de interceptação hidráulica, que pode ser feita de concreto armado e simples, de acordo com que a obra precisar.

REFERÊNCIAS

ABEF. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE ENGENHARIA DE FUNDAÇÕES E GEOTECNIA. Manual de execução de fundações e geotecnia: Práticas Recomendadas. ed. 1, São Paulo: Pini, 2012.

ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR-5629/2018. Rio de Janeiro, 2018.

BARROS, P. Manual de Técnico de Obras de Contenção. Maccaferri do Brasil, 2015.

BRASFOND, Paredes Diafragma. São Paulo, 2013-2019. Disponível em: <http://www.brasfond.com.br/site/pdiafragma.html>. Acesso em: 11 de março de 2021.

GERSCOVICH, D. Contenções teoria e aplicações em obras. São Paulo: Oficina de Textos, 2016.

MARZIONNA, J. D.; et al. Análise, projeto e execução de escavações e contenções. In: vários autores. Fundações: teoria e prática. ed. 2, São Paulo: Pini, Cap. 15, p. 537 – 578, 1998.

NEVES, L. F. de S. Parede diafragma é alternativa para obras de contenções profundas. AECweb, São Paulo, 1999-2021. Disponível em: <https://www.aecweb.com.br/revista/materias/parede-diafragma-e-alternativa-para-obras-de-contencoes-profundas/10803>. Acesso em: 07 de março de 2021.

RATTICHIERI, M. M. Metodologia construtiva de paredes diafragma. Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá, 2015. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/139082>.

SAEZ, J. L.; et al. Concepção de obras de contenção. In: vários autores. Fundações: teoria e prática. ed. 2, São Paulo: Pini, Cap. 14, p. 517 – 536, 1998.

SEADI, M. L. B. de; LEDUR, A. Paredes Diafragma Moldadas in loco: Etapas de Execução. 2011.

[1] Graduanda em Engenharia Civil.

[2] Graduanda em Engenharia Civil.

[3] Orientadora. Especialista em Estruturas. Graduação em Engenharia Civil.

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Julho, 2021.

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