Utilização da borracha no pavimento asfáltico como melhoria nas pistas de rolamento

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ARTIGO DE REVISÃO 

PINTO, Deborah Ewely Batista [1], MATUTI, Bruna Barbosa [2]

PINTO, Deborah Ewely Batista. MATUTI, Bruna Barbosa. Utilização da borracha no pavimento asfáltico como melhoria nas pistas de rolamento. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 03, pp. 72-81 Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O presente trabalho busca realizar uma reflexão a partir de pesquisas bibliográficas e tem como finalidade enfatizar a importância da pavimentação segura e de qualidade, pois esta é de grande importância para a população, porque, todos os dias, temos que nos locomover para cumprirmos os nossos afazeres, seja no trabalho, na escola ou para se divertir. É nesse momento que a pavimentação entra em nossas vidas. Um pavimento de boa qualidade influencia, diretamente, na vida cotidiana de uma cidade e estes deslocamentos precisam ser os mais rápidos e confortáveis possíveis. Infelizmente nem toda a população tem acesso a um serviço de pavimentação de qualidade ou até mesmo nem o tem. Dessa forma acabamos criando a consciência da importância de um bom projeto de pavimentação, projeto esse que necessita ser o mais adequado possível pra cada local em que será executado, pois devemos garantir não somente a execução do projeto, mas também a qualidade e durabilidade da via pavimentada. Com o reaproveitamento dos pneus inservíveis foi descoberta uma forma não só ecologicamente correta, mas de grande durabilidade e qualidade para que esses pavimentos se tornem ainda melhores, contribuindo, assim ,para com a sociedade, pois a falta de pavimentação ou a má qualidade desta pode acarretar em sérios problemas como os acidentes de transito, causados pelas falhas da via, falhas essas que, em muitas das vezes, estão em toda a via fazendo com que os motoristas não consigam desviar a tempo de causar um dano material ou um acidente na pista de rolamento, isso não seria um problema impossível de se resolver, basta ter um bom projeto de pavimentação eficiente.

Palavras chave: Pavimentação, Pneus, População, Qualidade.

1. INTRODUÇÃO

A construção civil é definida pela modificação da paisagem e pelo consumo de recursos naturais renováveis e não renováveis. Esses processos acabam desencadeando a geração de resíduos sólidos e emissões de gases à atmosfera, causando, assim, impactos sobre o meio ambiente, à qualidade de vida da população e à infraestrutura existente. A pavimentação asfáltica, ao longo do tempo, vem buscando melhorias por meio dos materiais utilizados para suprir as necessidades, tais como: maior durabilidade, resistência, qualidade e redução de custos (SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE, 1998). As avenidas se encontram em estados precários por conta dessa má pavimentação junto com a falta de uma manutenção adequada.

As chuvas, em determinadas regiões, colaboram, ainda mais, para a sua deterioração, junto com a falta de um plano de manutenção adequado que atenda a necessidade local dependo do clima, pois uma cidade que frequentemente está em clima de inverno, tem a probabilidade maior do desgaste do pavimento. Outro motivo desse desgaste é por conta do crescimento acelerado da população. Esse fenômeno, consequentemente, aumentou a necessidade dos meios de transportes sobre os pavimentos de pouca qualidade. A pavimentação asfáltica precisa ser reforçada, pois a utilização convencional não está suprindo as necessidades das estradas e rodovias, então uma das formas de reforçá-la seria a utilização do asfalto-borracha, por meio da reciclagem dos pneus descartados para adicioná-los no processo de pavimentação (SOUZA, 2018).

O uso do pneu no cotidiano nos ajuda na locomoção e nos traz benefícios quando estamos aguardando a tão esperada mercadoria que atravessa quilômetros de distância nas rodovias até chegar em nossa residência. A relevante importância diária dele pode se transformar em caos quando o seu descarte não é feito de modo adequando, contribuindo, assim, para com o surgimento dos problemas ambientais. Pensando nisso, a ideia de transformá-lo em algo útil após seu descarte nasce a partir da necessidade de contribuir ecologicamente para o meio ambiente. Dessa forma buscou-se aplicá-lo na composição dos pavimentos asfálticos e descobriu-se que essa aplicação trouxe 40% a mais de vida e resistência do que a pavimentação comum feita com petróleo, além do mais, trouxe conforto e segurança nas rodovias aos que nela trafegam diariamente (ROSA, 2011).

O objetivo de se asfaltar uma via é proporcionar segurança e conforto a quem nela trafega, pois, o solo natural não consegue sustentar as pressões de cargas sem deformar o solo e danificar os automóveis. Para isso torna-se fundamental a execução de um pavimento de qualidade sobre o solo, transferindo as tensões para resistir as deformações por um certo período (ROSSI, 2017).

Quem vive atualmente ou já viveu em regiões em que as ruas são de terra sabe, perfeitamente, como é difícil de se locomover. O transporte público praticamente é inexistente, existem muitos buracos e, por conta da chuva, cria-se lama em toda a terra. Por conta disso é notável o quanto o asfalto é importante e cobrado pela população (DO G1 BAURU E MARÍLIA, 2012).

2. A MELHORIA DA PAVIMENTAÇÃO A PARTIR DA BORRACHA

O benefício da pavimentação asfáltica com a borracha retirada dos pneus é superior quando comparado à pavimentação convencional retirada do petróleo e isso têm motivado empresas nacionais e concessionárias de rodovias privadas a utilizar os asfaltos a partir da reciclagem dos pneus descartados. A manutenção do pavimento asfáltico feita com a borracha dos pneus é menor, pois a sua durabilidade e qualidade é superior ao convencional (FACCIO, 2017).

Os pneus descartados precisam ser coletados de forma correta, pois a falta de informação e de conscientização influencia no descarte impróprio de um material que possui um tempo indefinido para se decompor na natureza (SILVA, 2013).

Existem milhares de pneus descartados a cada dia e o destino desses pode ser a reutilização para reciclagem, aterro e estocagem, entretanto, a falta de informação leva ao descarte inadequado, conforme pode ser visualizado na Imagem 1. Após a sua coleta, o pneu é transformado em Chips, onde é selecionado o material nobre do pneu e descartado, de forma correta o que sobra do mesmo. Esses chips, por sua vez, são transformados em pó e adicionados ao ligante asfáltico (ALMEIDA, 2018).

Figura 1: Destino final dos pneus inservíveis.

Fonte: Autor, 2019.

A pavimentação feita com a borracha inicia-se a partir da junção de borracha triturada de pneus descartados e seus agregados, areia e óleo ao cimento asfáltico convencional sendo sujeita a aquecimento ou não, podendo, também, ser utilizada como aditivo após o processo de extrusão (SILVA, 2018).

O processo de pavimentação convencional se inicia com a terraplenagem da área do terreno onde será recebido o asfalto, para tanto, é necessário que ele seja compactado e adaptado para suportar as camadas que virão. A primeira camada é o subleito, um solo natural que é endurecido e misturado com outros solos até que se crie estabilidade. A segunda camada é chamada de sub-base. Possui cerca de 20 cm e é composta por pedregulhos e cascalhos. Logo após, há a terceira camada que também composta de cascalho e pedregulhos, mas de forma compactada, pois apenas depois é implementada a capa de asfalto que transmitirá maciez na finalização e também impermeabilizará o asfalto, impossibilitando que a água das chuvas provoque erosão na pavimentação (CONTESINI, 2017).

3. PROCESSO DE REUTILIZAÇÃO DOS PNEUS INSERVÍVEIS

No processo de reutilização dos pneus, são, primeiramente, coletados em algum ponto seletivo ou a partir de lojistas para atuar no ligante asfáltico. Os pneus são cortados e colocados em sacos de borrachas soltas e trituradas que devem ser adicionadas ao asfalto enquanto os agregados/silos são aquecidos no tambor a cerca de 400 graus. Após isso, os dois serão misturados (asfalto modificado com a borracha e os agregados), a mistura asfáltica, por sua vez, é colocada em silos e carregadas em caminhões até a obra que será executada conforme Imagem 2 (LEÃO, 2013).

Figura 2- Processo de reutilização de Asfalto-Borracha.

Fonte: http://www.sinicesp.org.br/materias/2013/bt08a.htm

Testes científicos foram executados e indicaram que o pavimento realizado por meio da reciclagem de pneus inservíveis tem duração de três a cinco anos. É retirado da natureza uma média de 21 mil pneus por ano, contribuindo, ainda mais, para com o meio ambiente, pois diminui o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado desses objetos. Traz, também, saúde para a população, pois pneu acaba acumulando água de chuva, podendo, assim, causar doenças, conforme mostra a Imagem 3 (MEIO AMBIENTE, CULTURA MIX, 2013).

Figura 3- Pneus Descartados Incorretamente.

Fonte: http://www.pelotas.rs.gov.br/noticia/pneus-sao-descartados-proximo-ao-canal-santa-barbara

São muitas as vantagens da aplicação da borracha de pneus inservíveis a um pavimento asfáltico. Uma delas é a redução do envelhecimento, pois existem antioxidantes que aumentam a flexibilidade, devido ao fato de que a mistura asfáltica com o ligante asfáltico é mais moldável do que a mistura asfáltica convencional, pois aumenta o ponto de amolecimento. A borracha adicionada, por sua vez, influencia no ponto de amolecimento do asfalto-borracha em relação ao asfalto convencional e, assim, reduz a susceptibilidade, pois as variações de temperaturas são melhores comparadas ao asfalto convencional (ODA, 2001).

4. CUSTOS DO ASFALTO MODIFICADO PELA BORRACHA

Apontado como o “futuro” das rodovias, o asfalto borracha deve tardar a ser utilizado no Brasil. A causa é o custo, pois essa combinação de pneus usados na pavimentação carrega de 15% a 0% de borracha, tornando-se, assim, 30% mais caro do que o asfalto convencional. Ainda que a sua fabricação seja mais cara, o asfalto feito com a mistura da borracha é mais durável do que o tradicional, fazendo, assim, com que o custo da sua manutenção e recuperação seja mais demorado, dessa forma, precisa ser compensado com o custo da sua produção. O asfalto-borracha custa R$ 1,4 mil por tonelada, enquanto o asfalto tradicional custa aos R$ 1,1 mil (REZENDE, 2011).

Um estudo comparativo de custo de execução e manutenção foi realizado pela Prefeitura de Curitiba no Brasil em 2012. Esse estudo avaliou que o custo da manutenção do asfalto convencional e do asfalto-borracha eram os mesmos, pois a manutenção era necessária para as duas formas de pavimentação. Os custos analisados de execução e manutenção estão a seguir:

1) Execução de pavimento com asfalto comum R$46,66/m².

2) Execução de pavimento com asfalto-borracha R$77,22/m².

3) Manutenção com asfalto convencional R$ 67,30/m². (15).

Figura 4- Custo de Execução do Asfalto Convencional e do Asfalto-Borracha.

Fonte: SANCHES;GRANDINI;JUNIOR, 2012.

Após 7 anos de sua execução, notou-se diferentes níveis de corrosão nas vias pavimentadas. Desta forma, utilizando gradativamente a quantidade da manutenção imposta em cada intervalo, adquiriu-se novos custos de manutenção a serem executados:

1) Manutenção do asfalto-borracha: R$ 67,30/m2 x 0,10= R$ 6,73/m2

2) Manutenção do asfalto convencional: R$ 67,30/m2 x 0,70= R$ 47,11/m2 (ZATARIN, 2017)

Figura 5-Custo de Manutenção.

Fonte: SANCHES; GRANDINI; JUNIOR, 2012.

Além do asfalto borracha ser ecologicamente correto para o meio ambiente, possui maior resistência a deformação, afundamentos e trincamentos, tem a maior aderência, o maior tempo da vida, a melhor drenagem, e, ainda, possui o menor custo final de manutenção, diferente do asfalto convencional que possui problemas referentes à trincamentos, afundamentos, deformações, assim como possui um valor muito alto de manutenção. Avaliando isso, nota-se que a melhor alternativa seria a adesão ao asfalto-borracha (VELOSO, 2015).

5. CONCLUSÃO

O asfalto-borracha garante o melhor desempenho nas vias de rolamento, ocasionando, assim, em melhorias para a população, aos motoristas e aos órgãos competentes das pavimentações asfálticas por se ter um custo de manutenção bem inferior do que o asfalto convencional, pois além de ser ecologicamente correto os pneus descartados passam a ter um reaproveitamento adequado, evitando, dessa forma, um caos ao meio ambiente, pois seu tempo de decomposição é indeterminado. Assim, por meio da borracha retirada dos pneus descartados, obtém-se qualidade, durabilidade, segurança e um avanço sustentável nas rodovias. É necessário investir em pavimentos asfáltico mais eficientes, pois existe uma demanda muito grande nas pistas de rolamento. Com o aumento da população, há, também, junto a ela, o aumento no trafego de veículos. Destarte, é preciso que se busque, frequentemente, alternativas mais seguras, duráveis e eficientes para que essa demanda seja suprida. Nesse sentido, o asfalto-borracha pode funcionar como um poderoso aliado.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, V. S. D; GOMES, A. C. C. O ASFALTO CONVENCIONAL E O ASFALTO DE BORRACHA: Um Estudo Comparativo. Episteme Transversalis, v. 9, n. 1, p.102-116, jan./jun.2018.

CONTESINI, L. Cinco fatores que tornam o asfalto brasileiro tão ruim. Disponível em: https://www.flatout.com.br/cinco-fatores-que-tornam-o-asfalto-brasileiro-tao-ruim/. Acesso em: 30/04/2019.

DO G1 BAURU E MARÍLIA. Série Eleições aborda importância do asfalto no desenvolvimento da cidade. Disponível em: http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2012/08/serie-eleicoes-aborda-importancia-do-asfalto-no-desenvolvimento-da-cidade.html. Acesso em: 30/04/2019.

FACCIO, César. Reciclagem de pneus é a saída para uma pavimentação sustentável. Disponível em: https://www.temsustentavel.com.br/reciclagem-de-pneus-pavimentacao/. Acesso em: 30/04/2019.

LEÃO, L. F. C. Do Pneu à Estrada: Benefícios da utilização de borracha granulada em obras públicas. Disponível em: http://www.sinicesp.org.br/materias/2013/bt08a.htm. Acesso em: 30/04/2019.

MEIO AMBIENTE, CULTURA MIX. Benefícios Sustentáveis do Reaproveitamento de pneus. Disponível em: http://meioambiente.culturamix.com/lixo/beneficios-sustentaveis-do-reaproveitamento-de-pneus. Acesso em; 30/04/2019.

ODA, S; JÚNIOR, J. L. F. Borracha de pneus como modificador de cimentos asfálticos para uso em obras de pavimentação. Acta Scientiarum, v. 23, n. 6, p. 1589-1599, 2001.

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ROSA, Paulo. Engenheiro-assessor de Projetos Especiais – 2011.

ROSSI, A. C. Etapas de uma obra de pavimentação e Dimensionamento de pavimentação para uma via na Ilha do Fundão. Trabalho de Graduação – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2017.

Secretaria do Meio Ambiente/ São Paulo. 1998

SILVA, M. A. R. D. S; CASAGRANDE, A. A CONTROVÉRSIA DOS PNEUS, O PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO E PRECAUÇAO E O DEVER DE SUSTENTABILIDADE. Revista Eletrônica do Curso de Direito, v. 8, p. 758-768, 2013.

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VELOSO, Z. M. Ciclo de vida dos Pneus. Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental. Disponível em: http://www.inmetro.gov.br/painelsetorial/palestras/Zilda-Maria-Faria-Veloso-Ciclo-Vida-Pneus.pdf. Acesso em: 30/04/2019.

ZATARIN, A. P. M. Et al. VIABILIDADE DA PAVIMENTAÇÃO COM ASFALTO-BORRACHA. Revista Gestão & Sustentabilidade Ambiental, v. 5, n. 2, p. 649-674, 2016.

[1] Graduanda em Engenharia Civil.

[2] Especialista em Segurança do Trabalho.

Enviado: Março, 2019

Aprovado: Maio, 2019

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