A importância da cultura africana na formação da sociedade brasileira e suas reflexões sobre o ensino de história no ensino fundamental I: Estudo de caso nas escolas públicas do Estado de São Paulo

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ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Ediliz Aparecida Ferreira da [1]

SILVA, Ediliz Aparecida Ferreira da. A importância da cultura africana na formação da sociedade brasileira e suas reflexões sobre o ensino de história no ensino fundamental I: Estudo de caso nas escolas públicas do Estado de São Paulo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 07, Vol. 04, pp. 28-53. Julho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Este artigo tem por objetivo compreender a importância da cultura africana, descrevendo sua trajetória e processos valorosos na formação da sociedade brasileira. Pretende-se abordar elementos necessários para fortalecer e promover seus feitos, utilizando de instrumentos informativos que envolvam e contemplem a diversidade cultural, reconhecendo por meio das experiências adquiridas o desenvolvimento da cidadania e formação crítica, e especificamente, como o ensino de história pode contribuir para essas reflexões obtendo êxito na realização dos desígnios propostos. O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender a cultura africana como elemento construtivo da sociedade brasileira. Verifica-se a necessidade do educador auto avaliar e descobrir formas de proporcionar aos colegiais fatos históricos que colaborem para apropriação da identidade cultural, utilizando-se estratégias que visem à superação do racismo e preconceito nas escolas e na sociedade. O objetivo específico apresenta o processo de formação cultural da sociedade brasileira, a importância da cultura africana para este feito, e como a reflexão no ensino histórico pode evidenciar formas e estimas que ampliem o conhecimento proposto, na identificação de outras etnias, costumes e vivências, proporcionando a revalorização cultural. A metodologia utilizada é de natureza qualitativa, organizada mediante pesquisas bibliográficas exploratórias. Analisa-se por meio do contexto relatado, a vivência histórica dos negros, a formação da sociedade brasileira, focando na reflexão educacional e social, de forma que os resultados possam reconstruir novas observações, rompendo barreiras construídas na sociedade, propondo novas descobertas e importâncias da matriz africana na formação étnica brasileira. Por fim, pode-se constatar que as ações e projetos são importantes para refletirmos sobre a história e suas abordagens em sala da aula, que colaborem para a conscientização e responsabilidade social.

Palavras Chave: Cultura Africana, formação social, multiculturalismo, sociedade brasileira.

INTRODUÇÃO

As informações que aprofundam a importância da Cultura Africana na formação da sociedade brasileira apresentam o intercâmbio cultural como fruto das diversas interações sociais, tecem novos sentidos compreensíveis, moldando características e resignificando à história.

Esta avaliação deve-se a descobertas de sensações, estruturando as expressões que facilitem as análises informativas. O espaço na qual as formam, devem ser portas de conhecimento fornecendo estruturas e valorizações da liberdade e cultura integrando a responsabilidade escolar, familiar e social, meio de reflexão das práticas pedagógicas como instrumento de desconstrução de paradigmas e valorização da cultura africana.

Por meio da pesquisa foi possível ampliar olhares que englobam vínculos entre a cultura brasileira e a cultura africana, mediante aos atributos históricos, compondo a história por meio das interações formativas, firmando na construção e reflexão social. Objetivando desconstruir o preconceito e estereótipo enraizado em nossa sociedade, este artigo apresenta a proposta de discutir e possibilitar a compreensão da pluralidade, multiculturalismo, contribuindo para o crescimento pessoal e social.

Espera-se que nas pesquisas realizadas sobre a contribuição da cultura africana para a construção da sociedade brasileira torne-se incentivo no processo de apreensão e formação da identidade cultural e social, apresentando condições para este feito, despertando a curiosidade, sendo assim, elemento de combate ao racismo ao reconhecer as diversas contribuições do negro em nossa sociedade.

É possível que por meio do desempenho social, juntamente com a contribuição dos responsáveis e do professor, o estudante possa desenvolver e afeiçoar seu conhecimento. Esta percepção pode contribuir para a formação de sua identidade, onde as diversas culturas e reflexões sobre o valor de suas experiências tornam-se amplas ao reconhecimento de sua origem.

A IMPORTÂNCIA DA CULTURA AFRICANA NA FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA E SUA INSERÇÃO NO CURRÍCULO ESCOLAR

A construção da sociedade brasileira baseou-se na diversidade cultural, precisamente entre povos nativos e colonizadores. Fortemente a presença da cultura africana faz-se necessária para compreender a diversidade étnica do povo brasileiro, suas lutas, crenças, especificidades, remetem-nos a observar as diversas situações que procederam a constituição do nosso povo. “Somos uma cultura sincrética, um povo novo, que apesar de fruto da fusão de matrizes diferenciadas, se comporta como uma só gente, sem se apegar a nenhum passado.” (O Povo Brasileiro. Baseado na Obra de Darcy Ribeiro, 2000 Cap.1).

Esta formação social, particularmente derivada da miscigenação, intensificada nas relações que marcaram os encontros e desencontros dos povos, resultou nas diversas formas de percepção, ou seja, nas ações conjuntas que originou novas culturas e ritos. A complexidade de definir “O que é Cultura?” Remete-nos a questionar sobre os diversos impactos sociais que surgem ao longo do tempo, formando singularidades, traçando as concepções de mundo e conhecimento histórico.

Segundo Macedo (2008, p.91), “cultura não é só arte, cultura são valores, posturas, hábitos, lugares, conhecimentos, técnicas, identidades comuns e diversas, conceitos, saberes e fazeres múltiplos.”.

Por meio desta citação o autor enfatiza que a cultura é algo complexo, de diversas definições, que possuímos ao socializar-se com o outro. Por tanto, é pela diversidade cultural que compõe nosso país, a sociedade brasileira, tendo como observação a peculiaridade manifestada no componente histórico, reconhecendo a atuação social como forma de ressignificar esta existência.

Percorrendo sobre o significado de nossa essência, Ribeiro relata que: “Toda a cultura brasileira está impregnada da herança africana. Sua presença fez quase tudo o que aqui se fez”. (O Povo Brasileiro. Baseado na Obra de Darcy Ribeiro, 2000, Cap.3).

Percebe-se que a importância do legado africano na formação da sociedade brasileira é além do que lhe é conferido. Os hábitos que tornam esta apreensão efetiva, favorecem a expressão do seu modo de ser, ligando possibilidades para integrar-se ao espaço, fato que a convivência entre portugueses, indígenas e negros proporcionou uma nova concepção racial e étnica. Toda a organização, firmou-se de seu conhecimento, fato que colaborou para propagar e difundir sua cultura. Dessa forma, Moura (1992) salienta que:

Vindos de várias partes de África, os negros escravos trouxeram as suas diversas matrizes culturais que aqui sobreviveram e serviram como patamares de resistência social ao regime que os oprima e queria transformá-los apenas em máquinas de trabalho. (MOURA, 1992, P.33).

A opressão dos colonizadores na tentativa de diminuir suas crenças, tornou-se a principal ferramenta para deixar o negro submisso e inferior as circunstâncias naquela época. Portanto esta resistência, fruto de lutas e persistências, não apagaram o legado africano, nem as dimensões que foram atingidas ao longo da história com suas lições. Ainda assim, Oriá salienta:

Quando se trata de abordar a cultura dessas minorias, ela é vista de forma folclorizada e pitoresca, como mero legado deixado por índios e negros, mas dando-se ao europeu a condição de portador de uma “cultura superior e civilizada. (ORIÁ, 2005, P. 380).

O fato de compreender a importância da cultura africana na constituição da sociedade brasileira, não permitiu a evolução dos pensamentos atuais, visto que, a repercussão nas escolas e espaços sociais não procuram enfatizar o legado deixado por esses povos. Ainda é tratada de forma inferior às demais etnias, deixando a impressão de desfavorecidos, indefesos, inúteis, descartáveis.

A Cultura Africana inserida no currículo escolar deve-se a um processo construtivo e reflexivo, decorrentes de reflexões e constantes aprendizados que firmem na transformação social, contemplando um avanço significativo ao nortear práticas educativas que promovem a importância de reconhecer-se nos conteúdos apresentados.

O estudo sobre a África no sistema escolar busca “revalorizar a história e culturas africanas e afro-brasileiras como forma de construção de uma identidade positiva” (NUNES, Pereira, 2008, p.254).

Por meio da Citação de Nunes, é aceitável compreender a importância da revalorização cultural, vivência e o contato com a história, e as habilidades instrutivas no decorrer das ações desenvolvidas. Para a realização desses desenvolvimentos são necessários desafios, suporte para interações e experiências, novas expressões que contribuirão para a formação, equilíbrio e edificação das informações, bem como a valorização da diversidade cultural, rompendo padrões existentes, trazendo novo olhar e temática para abordar acontecimentos e conhecimentos prévios, promovendo assim transformação no olhar educacional e estudantil.

PROMOVENDO O OLHAR DIFERENCIADO DA CULTURA AFRICANA NO ENSINO DE HISTÓRIA COM OS ESTUDANTES DO ENSINO FUNDAMENTAL I

A proposta de se trabalhar as especificidades da cultura africana e seus conteúdos no ensino fundamental, fundamenta-se em elencar as importâncias de se conhecer as origens do povo brasileiro e exemplificar aos estudantes um olhar diferenciado aos trabalhos exercidos nas atividades escolares e seus impactos sociais, capazes de transformar a vida estudantil.

Conforme o PCN orienta-nos, perceber os conhecimentos históricos:

[…]Significa resgatar a história mais ampla, na qual os processos de mercantilização da escravidão foram um momento, que não pode ser amplificado a ponto que se perca a rica construção histórica da África. (…) Esses conhecimentos são subsídios para que se possa compreender o processo de surgimento de tendências, ideias, crenças, sistemas de pensamento, seu percurso por diversos territórios nacionais e continentais, e a ampliação da influência cultural; perceber a criação e recriação constante de tradições, a complexidade da convivência da diversidade em um mesmo território, nem sempre harmonizada, assim como processos internacionais de pressão, e desenvolvimento de processos regionais de construção da paz. (BRASIL, 1998, p. 33).

Esta nova definição histórica visa abordar os acontecimentos de forma crítica, fazendo com que as compreensões dos conteúdos disciplinares se tornem objetos de transformação social. Estas percepções e questionamentos recriam de forma absoluta a progressão do conhecimento, por meio das diversidades e intercâmbio cultural.

A educação autêntica, repitamos, não se faz de “A” para “B” ou de “A” sobre “B”, mas de “A” com “B”, mediatizados pelo mundo. Mundo que impressiona e desafia a uns e a outros, originando visões ou pontos de vista sobre ele. Visões impregnadas de anseios, de dúvidas, de esperanças ou desesperanças que implicitam temas significativos, à base dos quais se constituirá o conteúdo programático da educação. (FREIRE, 2005, p. 97-98).

Relacionando os conteúdos apresentados a educação autêntica, abordada em sua totalidade, reflete no conhecimento que o estudante possui sobre a sua realidade e os impactos que a mesma proporciona em sua vida. Portanto, a percepção desses instrumentos faz-se necessária para abordar criticamente suas visões de mundo, sendo geradas por meio de suas opiniões, conflitos, etc.

Esta circunstância não é gerada por meio do “depósito de informações”, onde o professor pensa e define os caminhos a serem percorridos sobre tal entendimento. Sendo de forma livre e contínua, permite que haja respeito a liberdade de aprender, tornando o ambiente escolar um espaço de reflexão e debate, propondo desafios por meio dos compromissos firmados em seu próprio reconhecimento. “O professor passa a ter o papel fundamental de mediador na construção das relações interculturais, promovendo processos de interação entre os alunos e o conhecimento” (CAVALCANTE, 2010, p. 40).

O Ensino Fundamental num modo geral, objetiva valorizar e reconhecer as vivências étnicas, seus patrimônios e culturas. A medida que os estudantes alcançam autonomia e maturidade, a introdução de elementos que compreendem a cultura africana, sejam eles no vocabulário, objetos, costumes e vivências, agregam conhecimento e construção de valores baseados na diversidade e respeito. Dessa forma, tem como um dos pontos principais que o ensino de história africana nas escolas estabeleça relações entre identidades individuais, sociais e coletivas (SANTOS; TONIOSSO, 2015).

Há de se ampliar um olhar pedagógico e sensível as causas humanas, buscando a verdade e as reais situações, não enfatizando a inferioridade do negro, e sim relatando as diversas formas de luta e resistência. Assim os estudantes podem estabelecer relações que valorizem as manifestações artísticas e vivências da cultura africana.

METODOLOGIA

O procedimento técnico utilizado para compreender os fenômenos científicos e suas transformações, foi o Estudo de Caso, que visa analisar de maneira aprofundada os objetos oferecidos, permitindo o amplo conhecimento das questões abordadas.

Um estudo de caso pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Visa conhecer em profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico. O pesquisador não pretende intervir sobre o objeto a ser estudado, mas revelá-lo tal como ele o percebe. O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objeto de estudo do ponto de vista do investigador (FONSECA, 2002, p. 33).

Quanto aos objetivos (GIL, 2008) define: Pesquisa Exploratória: proporcionar maior familiaridade com o problema (explicitá-lo). Pode envolver levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado. Geralmente assumem a forma de pesquisa bibliográfica e estudo de caso.

Este tipo de pesquisa visa proporcionar maior familiaridade com o problema, tornando-o explícito, conduzindo a uma estrutura hipotética. Conforme (GIL, 2008): A grande maioria dessas pesquisas envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b) entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado; e (c) análise de exemplos que estimulem a compreensão (SELLTIZ ET AI., 1967, P. 63).

O instrumento utilizado para a Coleta de Dados, foi um questionário, com questões abertas e fechadas, respondidas por Professores das Escolas Estaduais de São Paulo, situadas na região de Guarulhos Sul e Norte, e São Paulo. Segundo Cervo & Bervian (2002, p. 48), o questionário:

[…] refere-se a um meio de obter respostas às questões por uma fórmula que o próprio informante preenche. Ele pode conter perguntas abertas e/ou fechadas. As abertas possibilitam respostas mais ricas e variadas e as fechadas maior facilidade na tabulação e análise dos dados.

A abordagem do estudo utilizado para a construção desse artigo é o qualitativo, tendo por objetivo a concepção compreensiva dos fatos, focando nas descobertas e fenômenos das diversas perspectivas. Segundo Flick (2013):

A coleta de dados é concebida de maneira muito mais aberta e tem como objetivo um quadro abrangente possibilitado pela reconstrução do caso que está sendo estudado. Por isso, menos questões e respostas são definidas antecipadamente; havendo um uso maior de questões abertas. (FLICK, 2013, p.23).

A pesquisa qualitativa é utilizada para responder situações particulares sobre um determinado assunto. Nas ciências sociais, a preocupação com a essência, ponto de vista informativo, torna-se um processo de transformação fundamentada nas interações e experiências gerando diversos significados ao estudo, ou seja, não se resume a uma resposta, a um dado específico, e sim o esclarecimento contextual do objeto.

CONTEXTO INICIAL

A pesquisa foi aplicada para os professores que atuam em escolas estaduais e municipais do Estado de São Paulo, envolvendo também escolas da Cidade de Guarulhos.

Para compreender o perfil dos profissionais que participaram da pesquisa, foram realizadas buscas em relação à faixa etária, sexo e tempo de serviço na área educacional. Foram constatados que a faixa etária é diversificada dos professores de história, variando de 20 à 55 anos de idade, porém, em sua maioria, os participantes encontram-se na faixa de 30 à 55 anos.

No tempo de atuação, percebemos que a maioria trabalha há mais de 6 anos na área educacional, constatando outras informações, onde alguns professores contam com 15 e 20 anos de experiência. Dos professores que participaram da pesquisa, 17 são do sexo feminino, enquanto 03 são do sexo masculino. Em suas formações não só constam História como currículo principal, alguns professores procuraram formação acadêmica em Pedagogia. Suas especializações em seus currículos contam com: Cultura Africana, Neuropsicopedagogia e Psicopedagogia. Somente uma educadora mencionou a formação de Mestrado em Educação.

Após o prazo estipulado, compreendendo os meses de dezembro, janeiro e fevereiro (3 meses), os participantes responderam as questões propostas por meio dos questionários. Considerando suas particularidades e opiniões, objetivou compreender as relações temáticas a respeito da Cultura Africana e os impactos sociais abordados em sala de aula, mediante as práticas pedagógicas e os desafios diante do tema.

ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS.

As perguntas do questionário foram respondidas, e obtiveram os seguintes resultados:

Tabela 1 – Como utilizar orientações que abordam as diretrizes e PCN’s a respeito da importância da Cultura Africana no ensino de história?

Fatores de Escolha P %
Atividades extra aula 2 10
Pesquisas 2 10
Aula expositiva/ Textos 11 55
Redações 0 0
Dinâmicas 4 20
Projetos 1 5
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

De acordo com as respostas do questionário, a tabela 1, indica que 55% dos professores consideram a as aulas expositivas e os textos como melhor abordagem do Ensino da Cultura Africana, 20% consideram as dinâmicas, 10% Pesquisas, 10% Atividades extras e 5% Projetos.

Tabela 2- Quais situações podem mais influenciar na construção da identidade dos estudantes do ensino fundamental? Assinale o que considera mais importante.

Fatores de Escolha P %
Amigos 4 20
Escola 3 15
Família 9 45
Influência da Mídia: Internet, TV, etc. 4 20
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

De acordo com os resultados, 45% considera a família como maior influenciadora na construção da identidade estudantil, seguida de 20 % das mídias no geral, 20 % dos amigos e 15% das escolas. Identifica-se que a família como fonte principal de construção da identidade estudantil, conforme Alarcão & Gaspar (2007), a relação familiar é responsável pelo bom desenvolvimento físico, cognitivo e emocional dos filhos, e o ambiente familiar é o lugar ideal para a prática e o amadurecimento do amor, dos contatos corporais, da comunicação e das relações interpessoais (ALARCÃO e GASPAR, 2007).

Tabela 3 – Quais problemas o educador pode enfrentar ao abordar o tema: Cultura Africana?

Fatores de Escolha P %
Falta de material didático específico 2 10
Falta de participação do grupo docente 3 15
Falta de interesse e/ou apoio da direção/coordenação 7 35
Falta de interesse dos alunos 5 25
Outros fatores: Polêmica / Falta de Valorização / Preconceito. 3 15
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

De acordo com a pesquisa, 35% considera a falta de interesse ou apoio da direção/ coordenação, 25% falta de interesse dos estudantes, 15% falta de participação do corpo docente, 15% tema polêmico / preconceito e 10% falta de material adequado.

Embora considerem um tema necessário e urgente, pautado na lei que determina novas aberturas para discussão, muitos professores se veem com dificuldades para debater este tema na escola e em sala de aula. Conforme Santos & Martins (2012): “[…] o Gestor deve adequar os currículos, favorecendo a aprendizagem, tendo em vista, principalmente, a formação de cidadãos conscientes e aptos a enfrentar os desafios e obstáculos da sociedade. Isso deve ocorrer para todos os alunos, para que ocorra ensino-aprendizagem”. (SANTOS & MARTINS, 2012, P.41).

Consideramos que a gestão democrática é um elemento de ressignificação para as diferenças, firmes na necessidade de diminuir os preconceitos e discriminações.

Tabela 4 – Quais abordagens são mais eficazes na formação crítica dos alunos? Atribua um valor de 1 a 5 (Sendo 5 o melhor Método). Análises de Diversos Textos:

Fatores de Escolha F P F. p
Concordo 5 5 25
Concordo Parcialmente 4 4 16
Indiferente 3 3 9
Discordo Parcialmente 7 2 14
Discordo 1 1 1
Total de Respostas 20 65

Atribuído a média de: 3,25 sob tabulação em escala de Likert. Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Tabela 5 – Quais abordagens são mais eficazes na formação crítica dos alunos? Atribua um valor de 1 a 5 (Sendo 5 o melhor Método). Projetos que enfatizem a importância da cultura africana:

Fatores de Escolha F P F. p
Concordo 9 5 45
Concordo Parcialmente 3 4 12
Indiferente 6 3 18
Discordo Parcialmente 2 2 4
Discordo 1 0
Total de Respostas 20 79

Atribuído a média de: 3,95 sob tabulação em escala de Likert. Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Tabela 6- Quais abordagens são mais eficazes na formação crítica dos alunos? Atribua um valor de 1 a 5 (Sendo 5 o melhor Método). Debates a partir de aula expositiva:

Fatores de Escolha F P F. p
Concordo 7 5 35
Concordo Parcialmente 4 4 16
Indiferente 6 3 18
Discordo Parcialmente 3 2 6
Discordo 1 0
Total de Respostas 20 75

Atribuído a média de: 3,75 sob tabulação em escala de Likert. Elaborado pela autora (2018).

Tabela 7 – Quais abordagens são mais eficazes na formação crítica dos alunos? Atribua um valor de 1 a 5 (Sendo 5 o melhor Método). Debates a partir de jornais e revistas:

Fatores de Escolha F P F. p
Concordo 7 5 35
Concordo Parcialmente 6 4 24
Indiferente 2 3 6
Discordo Parcialmente 3 2 6
Discordo 2 1 2
Total de Respostas 20 73

Atribuído a média de: 3,65 sob tabulação em escala de Likert. Elaborado pela autora (2018).

Tabela 8 – Quais abordagens são mais eficazes na formação crítica dos alunos? Atribua um valor de 1 a 5 (Sendo 5 o melhor Método). Utilização de vídeos e filmes:

Fatores de Escolha F P F. p
Concordo 9 5 45
Concordo Parcialmente 4 4 16
Indiferente 3 3 9
Discordo Parcialmente 2 2 4
Discordo 2 1 2
Total de Respostas 20 76

Atribuído a média de: 3,80 sob tabulação em escala de Likert. Elaborado pela autora (2018).

De acordo com a pesquisa, sob o resultado de 3,95, atribuiu-se a utilização de Projetos como melhor método para formar a criticidade do aluno e como menos importante, com a atribuição de 3,25 a utilização de textos em sala de aula. Segundo Leite, (1996):

Os projetos são processos contínuos que não podem ser reduzidos a uma lista de objetivos e etapas. Reflete uma concepção de conhecimento como produção coletiva, onde a experiência vivida e a produção cultural sistematizada se entrelaçam, dando significado às aprendizagens construídas. (LEITE, 1996, p. 33).

Por tanto a reflexão constante sobre o estudo histórico, permitem a construção do conhecimento, decompondo as informações recebidas em ações efetivas de transformação social.

Analisar diversos textos, além da proposta acadêmica, permite verificar diversas fontes para tal realização e compreender suas funções nas transformações sociais ao longo do tempo. Segundo Bacellar (2008):

Tal demanda [a pesquisa em arquivos] nem sempre é bem correspondida pelo o que as grades curriculares dos cursos de história oferecem. (…) Faltam, talvez, esforços para introduzir, em algum momento do curso, noções básicas sobre organização arquivística. (BECELLAR,2008, p.23-4).

A dificuldade de muitos educadores em trabalhar textos sobre a cultura africana, além da abordagem do tema, há também a ausência notória sobre a disciplina que envolve manuseio e análises das questões arquivistas o que diminui ou anula a possibilidade de envolvê-los em planejamentos escolares.

Tabela 9- A equipe gestora incentiva e apoia projetos e ações sobre o tema Cultura Africana?

Fatores de Escolha P %
Sempre, em todas as oportunidades 6 30
Quase sempre 1 5
Algumas vezes 7 35
Raramente 6 30
Nunca 0 0
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

De acordo com a pesquisa, 35% afirmam que algumas vezes os gestores apoiam e incentivam estes projetos. 30%, sempre e 30%, raramente apoiam e incentivam. Repensar o papel de gestor é sair da zona de conforto, é promover condições e alimentar ideias para organizar o espaço educativo e suas melhorias. Ir além de seus princípios, vem como, oportunizar os espaços que conduzem a meditação coletiva da aprendizagem e da cidadania.

No que diz respeito a gestão, (Lima 2011) salienta que:

É preciso que o diretor entenda que é o representante maior da atividade meio (a gestão), ou seja, aquela que deve oferecer sustentação à atividade fim (ensino e aprendizagem), sem a qual não seria possível garantir o acesso de todos às aprendizagens na escola (LIMA, 2011, p. 3).

Portanto a gestão é a porta de entrada para discussão e efetivação da aprendizagem, incentivando e construindo por meio de experiencias, formas sociais que contemplem significância ao saber na unidade escolar.

Tabela 10 – O tema Cultura Africana desperta interesse e participação nos alunos?

Fatores de Escolha P %
Sempre, em todas as vezes 3 15
Quase sempre 8 40
Algumas vezes 8 40
Raramente 1 5
Nunca 0 0
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Tabela 11- Considerando a abordagem da Cultura Africana no espaço escolar em que atua, o tema pode ser na maioria das vezes:

Fatores de Escolha P %
Um tema complexo a ser discutido e que recebe apoio e orientação por parte da equipe gestora 3 15
Apenas mais um tema que faz parte dos PCN’s, abordado de maneira tradicional 5 25
Um tema relevante, porém, não desperta atenção junto aos alunos 6 30
Um tema relevante que desperta interesse, participação dos alunos e equipe docente. 6 30
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Tabela 12 – Sendo história e Cultura Africana um tema interdisciplinar e transdisciplinar, podemos observar a abordagem do tema efetivamente em quais eixos disciplinares?

Fatores de Escolha P %
Todas as Disciplinas 3 15
Humanas 15 75
Exatas 0 0
Biológicas 2 10
Total de Respostas 20 100%

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

De acordo com a pesquisa, 40% afirma que quase sempre o tema “Cultura Africana”, desperta interesse estudantil e 40% afirma que algumas vezes isso ocorre.

Para propor interesse, inspirar os estudantes para assim sentirem-se motivados, Ribeiro (1991) afirma que: […] Os professores devem evitar o distanciamento, a “neutralidade afectiva” e o autoritarismo, devendo, ao contrário, fomentar uma “relação de agrado” (RIBEIRO, 1991 apud JESUS, 2008), caracterizada pelo diálogo, pela negociação e pelo respeito mútuo.

Como consequência, a abordagem do tema também apresenta resultados relacionados a ausência do interesse do aluno, em contra partida, os resultados relevantes são alcançados quando há envolvimento da equipe docente e estudantil.

Quadro 01- Em sua opinião, a Lei 10,639/03 colabora em desconstruir estereótipos e preconceitos relacionados ao negro e sua cultura?

(Continua)

Excerto de depoimentos (ED)
P1 Sim, desde que haja intercâmbio de conhecimentos.
P2 Sim, desde que sejam pautadas em mais questões que apenas falar do continente africano ou racismo, o educando precisa vivenciar e ver coisas que aconteciam e acontecem, o simples fato da abordagem do tema pode de terminado ponto evidenciar o caso, entretanto não irá haver transformações, as transformações de fato ocorrem quando o povo compreende o seu papel histórico na sociedade a qual está inserido.
P3 Sim, meninas e meninos são discriminadas/os por não apresentarem comportamentos condizentes com as feminilidades e masculinidades privilegiadas em nossa sociedade e as crianças negras não encontram socialmente um ambiente propício para o desenvolvimento saudável da autoestima no que tange ao pertencimento racial entre outros.
P4 Sim se desenvolvidas por pessoas engajadas e com conhecimento de causa, sem revanchismo, sem vitimização dos negros. Temos que despertar nos negros e suas (…)
 Quadro 01- Em sua opinião, a Lei 10,639/03 colabora em desconstruir estereótipos e preconceitos relacionados ao negro e sua cultura?

(Conclusão)

(denominações, mulatos, pardos, roxinhos, café com leite entre outras a assumirem a etnia negra. Sem chamá-los de afrodescendentes, apenas negros.
P5 Sim, no entanto penso que ainda não temos recursos apropriados o suficiente para uma abordagem mais eficaz e significativa.
P6 Sim, sendo o ambiente escolar um lugar de construção do pensamento crítico de formação do cidadão, práticas pedagógicas influenciam no combate ao preconceito.
P7 Sim. Quanto mais for trabalhado a cultura afro-brasileira e africana, quanto mais for discutido o período de escravidão, mais conscientização teremos, de combate ao racismo.
P8 Sim! O conhecimento quebra barreiras, quanto mais se conhece o outro, a cultura, quanto mais se experencia, há trocas, e é possível romper preconceitos.
P9 Sim, pois o diálogo e informação ajudam a combater preconceito e intolerância.
P10 Sim, podem e muito, no dia a dia sempre nos educadores presenciamos com situações de bullying, onde a oportunidade de debatermos o assunto em sala, para que o aluno enxergue e perceba que todos merecem respeito, independentemente da cor, religião e como de vida, estaremos formando para o futuro cidadãos melhores.
P11 Sim, desde que aplicado constantemente até se tornar natural
P12 Acredito que se toda a escola se unir e pôr em prática, sim.
P13 Sim, contribui para que o aluno valorize sua cultura e suas origens. O aluno passa a entender que seus antepassados ajudaram a construir o nosso país e que hoje ele pode e deve valorizar se como um cidadão com direitos de igualdade.
P14 Com certeza, se ensinados os prejuízos que causam umas nas outras, esse tipo de costume preconceituoso, provavelmente o índice de danos psicológicos reduzirá.
P15 Com toda certeza. A escola é formadora de opinião, e o professor deve procurar incentivar os alunos a se interessar por esses temas. O preconceito ainda é enorme no Brasil, mesmo que mascarado, algumas vezes a pessoa nem percebe que está sendo preconceituosa, daí vem a importância de discutir isso em sala de aula.
P16 Com certeza, o professor como mediador do conhecimento e de conflitos em sala de aula, tem meios de conscientizar, intervir e aplicar dinâmicas que produzam a interação respeitosa entre os alunos.
P17 Sim, quando conscientizando e agimos conforme falamos. Quando construímos a aprendizagem de forma Clara, verdadeira e participativa.
P18 Sim. Desde que seja trabalhado de modo interdisciplinar.
P19 Sim. Pois, se a família é o berço a escola faz papel fundamental na desconstrução e construção daquilo que já sabe e do que se vai aprender.
P20 Sim, quanto mais informação sobre o contexto histórico, cultura e tradição de um povo os alunos tiverem, poderão enxergar que diferentes culturas existem no mundo e, nem por isso, uma é melhor ou pior que a outra.

Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Quadro 02- As práticas pedagógicas podem contribuir para o combate ao preconceito no cotidiano escolar? Justifique.

Excerto de depoimentos (ED)
P1 Sim. (6¹) *
P2 Esta lei, é apenas uma lei inócua e que só serve para inglês ver. Não há material disponível nos livros didáticos por imposição do mercado. Vemos apenas pinceladas do ponto de vista da sociedade branca dominante.
P3 Teoricamente sim, mas por vezes a sua verdadeira intenção não se efetiva por falta de aderência dos docentes, da equipe gestora ou pela falta de estrutura, preparação e planejamento.
P4 Sim, porque ela propõe ressaltar e valorizar a presença da cultura africana na sociedade e na luta contra o racismo.
P5 Sim. Pois quando se conhece se quebra os preconceitos.
P6 Muito, pois empodera outras culturas e dissemina informação.
P7 Na minha opinião sim, pois foram um povo muito sofrido e fazem parte de toda a construção do país, nada mais justo que os descendentes tenham reconhecimento e possam utilizar desta lei para que seus caminhos sejam menos sofridos.
P8 Não. (*)
P9 Nem sempre as pessoas respeitam e seguem a lei.
P10 Sim. Infelizmente no Brasil para abordar um tema como esse, precisa de uma lei obrigando. Mesmo assim esse tema é exposto de forma velada.
P11 Sim, pois sendo obrigatório a inclusão desse tema no planejamento é garantia que esse conhecimento chegue ao aluno, pois uma vez não sendo obrigatório esse tema quase nunca será abordado e o preconceito nunca será desconstruído.
P12 Acredito que sim. Esse tema infelizmente não desperta a atenção de todos os docentes, a obrigatoriedade pode abrir um pouco a mente dos mesmos, ao pesquisar para expor aos alunos.
P13 Sim, porém não acontece.
P14 Sim. Quando a valorização e o respeito a cultura Negra, em como a sua participação e contribuição na formação do povo brasileiro forem trabalhados por toda a sociedade e no ambiente escolar.
P15 Desconheço a lei.

(¹) Número de pessoas que responderam “Sim”. (*) Sem considerações. Fonte: Elaborado pela autora (2018).

Considerando as justificativas a respeito da Lei 10639/03, e suas colaborações ao descontruir preconceitos e estereótipos, o multiculturalismo presente na sociedade, reflete nas ações apresentadas e nas posturas adquiridas ao longo das experiências.

(…) todos sabem (…) que o multiculturalismo não é a terra prometida… [Entretanto] mesmo em sua forma mais cínica e pragmática, há algo no multiculturalismo que vale a pena continuar buscando (…) precisamos encontrar formas de manifestar publicamente a importância da diversidade cultural, [e] de integrar as contribuições das pessoas de cor ao tecido da sociedade (WALLACE, 1994, apud HALL, 2003, p. 54).

O multiculturalismo não é o que promete resolver os problemas existentes, mas sim, almeja aperfeiçoar o aprendizado coletivo e individual por meio das manifestações e reconhecimento da diversidade, indo de encontro ao que propõe a Lei referida.

Fernandes (2005), por sua vez, afirma que a inovação dessa nova proposta é a existência de temas transversais que deverão perpassar as diferentes disciplinas curriculares (Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências e Artes) e permitir, com isso, a interdisciplinaridade. Portanto, há de se refletir a respeito das práticas pedagógicas e promoções reflexivas que disseminem conhecimento e mudança de postura.

CONCLUSÃO

De acordo com as informações apresentadas, ao concluir esta pesquisa, enfatiza-se a necessidade de fazer história, sendo acolhedores e sensíveis diante das situações que promovam a compreensão e aprendizado. Esta transformação é necessária para que fundamente as importâncias sociais, tornando a diversidade cultural elemento impulsionador dos conhecimentos

Trabalhar a pluralidade ainda é difícil em muitas unidades escolares, há resistência em abordar este tema, fator registrado por meio dos resultados obtidos nesta pesquisa. Há muito o que fazer e acercar-se, almejando de forma responsável a formação estudantil.

Conforme Moreira & Candau (2003, p.161):

A escola sempre teve dificuldade em lidar com a pluralidade e a diferença. Tende a silenciá-las e neutralizá-las. Sente-se mais confortável com a homogeneização e padronização. No entanto, abrir espaços para a diversidade, a diferença para o cruzamento de culturas constitui o grande desafio que está chamado a enfrentar.

O diálogo, fundamental para a concretização dos ideais, é o que impulsiona o ser humano a praticar sua criticidade, refletindo o fator existencial e suas relações reais com o outro. Compreende-se que apresentar ao estudante a realidade, permite analisar de forma simples e suave, os conhecimentos propostos.

O diálogo é uma exigência existencial. E, se ele é o encontro que se solidariza o refletir e o agir de seus sujeitos endereçados ao mundo a ser transformado e humanizado, não pode reduzir-se a um ato de depositar ideias de um sujeito no outro, nem tampouco tornar-se simples troca de ideias a serem consumidas pelos permutantes. (FREIRE, 1987, p. 45).

O intercâmbio cultural permite o conhecimento e a reflexão, a ponto de sentir-se pertencente ao espaço no qual se insere, não se tornando depósito de informações, nem tampouco comparar-se as demais circunstâncias com superioridade ou inferioridade e sim estabelecendo construções efetivas da identidade social pautada na transformação.

Refletir sobre a trajetória histórica da cultura africana, é constante desconstrução dos “pré-conceitos”, onde a compreensão dos conteúdos possa reafirmar a necessidade de pertencer, como também representar a cultura africana, garantindo assim a promoção educacional, diminuindo as violências e o “apartheid” resistente em nossa sociedade.

Conforme as diretrizes curriculares propõem:

O ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, evitando-se distorções, envolverá articulação entre passado, presente e futuro no âmbito de experiências, construções e pensamentos produzidos em diferentes circunstâncias e realidades do povo negro. É um meio privilegiado para a educação das relações étnico-raciais e tem por objetivos o reconhecimento e valorização da identidade, história e cultura dos afro-brasileiros, garantia de seus direitos de cidadãos, reconhecimento e igual valorização das raízes africanas da nação brasileira, ao lado das indígenas, europeias, asiáticas. (BRASIL, 2013, p. 485).

Apropriar-se dos conhecimentos que a Cultura Afro Brasileira transmite, contribui para o respeito e valorização dos direitos da população negra. A garantia de ampliar novas discussões que levem a mudança social, que alcancem uma postura fortalecida por meio das reflexões e resistências.

Mesmo com o conhecimento da equipe escolar a respeito da Lei 10639/03 e as suas particularidades como a diversidade étnica, fator relevante para a composição cultural e social, tais ações encontram-se em processo de construção, visto que, o diálogo entre comunidade e unidade escolar para elaboração de projetos articulados que possam refletir sobre as transformações culturais, caminham de forma relutante, diante das relações e importâncias já apresentadas.

Há a possibilidade de construir projetos interdisciplinares, visto que a Lei 10639/03 fornece amplamente estes diálogos e expansões informativas. Porém, diante dos resultados apresentados, muitos educadores sentem dificuldades em aplicar estes projetos, pois não conseguem relacionar a inclusão desta temática com outras disciplinas. A escola ainda enfrenta dificuldades para acessar e dialogar com este tema, além da ausência de materiais didáticos que promovam um debate reflexivo, sem a visão eurocêntrica e estereotipada.

A necessidade de enfrentar as dificuldades e inovar diante da realidade, mostra-se urgente, visto que o respeito e a igualdade devem ser promovidos e refletindo sobre o espaço escolar, local que integra diversas culturas, pode oportunizar o conhecimento e incluir elementos que contribuam para uma política social, universal, que supere toda e qualquer forma de discriminação, preconceito e racismo.

Uma educação de qualidade deve renovar o compromisso de crer em novas perspectivas, esperançar ideais e conectar-se a formação individual e social almejando “[…] contribuir para conquistar um mundo mais seguro, mais sadio, mais próspero e ambientalmente mais puro, e que, ao mesmo tempo, favoreça o progresso social, econômico e cultural, a tolerância e a cooperação internacional” (UNESCO, 1990, p. 2).

De forma representativa, a Lei além de ser uma realização das lutas do Movimento Negro, não deve ser compreendida como responsabilidade unicamente étnica deste grupo, e sim, social, onde aconteça a construção de um ensino social democrático. Aplicar os conteúdos históricos, relacionar a Cultura Africana com a importância na formação social brasileira, é apresentar novos caminhos, compreender e valorizar nossa trajetória, e fornecer espaços para ampliar a conquista dos que querem ter voz e vez, e que por muitas vezes foram silenciados diante das exclusões e desigualdades sociais e raciais em nosso país.

Em tempos de ódio, motivados pela falta de conhecimento ou repulsa aos “diferentes costumes”, a educação deve enfatizar em suas formações e em seus espaços a importância da diversidade. Jamais deve-se omitir as práticas racistas e discriminatórias. Intercambiar nossos conhecimentos, dialogar com outros profissionais, apropriar-se de espaços públicos e conscientizando sobre as diferenças e os impactos que causam em nossas vidas, são passagens que podem idealizar uma historicidade apreciativa, afável, plena e justa.

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[1] Pós Graduada em Arte e Educação e Cultura Africana pela Faculdade Campos Elíseos. Licenciada em Pedagogia pela Faculdade Anhanguera de Guarulhos e Licenciada em História pela Universidade de Jales (Unijales).

Enviado: Julho, 2018.

Aprovado: Julho, 2019.

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