Perfil do aluno em cursos de educação a distância

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/cursos-de-educacao
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ARTIGO ORIGINAL

MOREIRA, Isabel Cristina Alves [1]

MOREIRA, Isabel Cristina Alves. Perfil do aluno em cursos de educação a distância. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 02, Vol. 10, pp. 119-131. Fevereiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/cursos-de-educacao, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao/cursos-de-educacao

RESUMO

A Educação a Distância atualmente é uma inovação pedagógica e democratizada de ensino e vem tomando força gradativamente por tratar-se de uma nova concepção de educação. Partindo dessa premissa, o presente artigo tem como principal objetivo fazer uma reflexão sobre a educação de jovens e adultos por meio da educação a distância (EaD), especificamente o perfil do aluno como determinante para a motivação e aprendizagem em cursos de EaD. Trata-se de um estudo de campo, realizado por meio de questionário sob a forma de entrevista, com abordagem qualitativa e exploratória baseada em Gil, que visa responder a seguinte problemática: o perfil do aluno é determinante para a motivação e aprendizagem em cursos de educação à distância? A base teórica e a fundamentação foram realizadas por meio de busca literária em artigos, revistas e sites que abordam a temática em estudo. Foram selecionadas 13 referências que atendem os critérios de inclusão, tendo como justificativa sua relevância e a necessidade de que estudos e pesquisas sobre essa temática sejam realizados, pois as novas tecnologias e novas necessidades da sociedade atual desenvolvem novas rotinas, novos hábitos de pensamentos e atitudes e, assim, possibilitam novas perspectivas no campo da educação.

Palavras-chave: Ensino, aluno, educação a distância.

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como principal objetivo fazer uma reflexão sobre a educação de jovens e adultos por meio da educação a distância (EaD), uma vez que essa modalidade de ensino tem se tornado cada vez mais comum no mundo educacional, visto que a dinâmica da tecnologia, cada vez mais inserida na sociedade contemporânea, alavanca ainda mais tal possibilidade e permite o que é fundamental para a otimização do processo EaD, pessoas estarem conectadas, mesmo estando em diferentes espaços físicos.

Em virtude do atual cenário da educação contemporânea, o tema de escolha para o desenvolvimento desse estudo foi Perfil do Aluno em Cursos de educação a distância (EaD). A modalidade de educação a distância está adequada à sociedade contemporânea, num cenário de rotina agitada, possibilita estudar sem a necessidade de preocupar-se com tempo e custo de deslocamento.

Este estudo tem como principal objetivo fazer uma reflexão sobre o aluno  que procura por curso de educação a distância, buscando compreender o que é determinante para a motivação e para a elaboração de estratégias de aprendizagem. E especificamente, objetiva conhecer o perfil do aluno, pois esse conhecimento favorece a implementação de estratégias para aprendizagem, garante maior eficiência no processo que vai do planejamento ao desenvolvimento e direcionamento do curso.

A escolha do presente tema justifica-se dada sua relevância e da necessidade de que estudos e pesquisas sobre essa temática sejam realizados, pois as novas tecnologias e novas necessidades da sociedade atual desenvolvem a necessidade de novas rotinas, novos hábitos de pensamentos e atitudes, e assim possibilitam novas perspectivas no campo da educação.

A divulgação do saber abrange campos de pesquisa e ensino superior. No Brasil é crescente a importância da educação à distância, colocando em discussão a possibilidade de estudos de inúmeras faixas etárias, desenvolvendo nas pessoas, principalmente em idade adulta, o desejo de retomar os estudos e o sonho, especialmente do curso superior.

2. EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Transformações no campo da tecnologia são os fatores que impulsionam as novas formas de organizar o trabalho educativo, assim a expressão ‘Tecnologia da Informação’ compreende toda a forma de gerar, armazenar, processar e reproduzir a informação, enquanto a Tecnologia de Comunicação diz respeito à forma de veicular as informações, assim temos o crescimento de computadores e internet, otimizando as novas formas e modalidades de estudo.

Um dos fatores mais relevantes da EaD é a flexibilização dos horários de estudo, onde a organização do tempo é estipulada pelo estudante, utilizando um aparelho e o recurso da internet, também livros impressos com acompanhamento online das atividades solicitadas.

De acordo com Moran (2007), a educação a distância continua diversificando a oferta dos cursos, com novas propostas de material didático e de interação com novas mídias. Os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) viabilizaram a disponibilização de conteúdo e a interação entre os envolvidos nessa modalidade de ensino.

O AVA atua, neste contexto, como ferramenta para troca de informações, comunicação, interação e também para disponibilização de materiais de estudo, no apoio a essa aprendizagem. Portanto, o planejamento do uso dessas ferramentas deve estar relacionado aos objetivos de aprendizagem e de ensino, às características individuais de cada um dos alunos e também às necessidades coletivas.

2.1 PERFIL DO ALUNO COMO DETERMINANTE PARA A MOTIVAÇÃO E APRENDIZAGEM EM CURSOS DE EAD

Além das competências acadêmicas, nessa modalidade de ensino os alunos também fundamentalmente desenvolvem e/ou aprimoram a questão da autonomia. Partindo desse pressuposto, os alunos EaD tem também a oportunidade de desenvolver maior conhecimento de suas características individuais de aprendizagem, pois desenvolvem a auto-observação e assim descobrem a melhor forma de produzir, qual é o potencial e a maneira de seu rendimento pessoal, habilidades, concepções e atitudes que fazem parte de seu processo de estudo.

“Buscar a informação, aprender como usá-la, convertendo-a em algo pessoal, tornando-se um aprendiz permanente e desenvolvendo as habilidades de ‘caçador-ativo’” (VALENTE, 2000). Assim, as palavras de Valente (2000) enfatizam o fato de que ser estudante EaD desenvolve e se torna indispensável que o próprio aluno faça uso apropriado de estratégias de ensino e isso só será possível ao aluno se o mesmo compreender seu próprio processo de aprendizagem e assim buscar as melhorias necessárias para seu desempenho satisfatório como aprendiz.

Em relação à socialização e interação, também difere da modalidade convencional, visto que a mesma acontece no ambiente virtual, fator esse de extrema significância, pois a interação e troca de experiências faz parte do processo de aprendizagem e não pode ser vista com pouco valor pedagógico.

Entender como estes fatores nos afetam, conhecer nossos próprios processos de aprendizagem e aprendermos como aprender devem ser nossas principais armas para conseguirmos a flexibilidade necessária a essa nova realidade, porém o caminho para atingirmos este objetivo é tão individual quanto o processo de aprendizagem em si (CAVELLUCCI, 2003, p. 12).

Compreendendo as palavras de Cavellucci (2003, p,12), o êxito da aprendizagem está diretamente associado a tomada de consciência do aluno dos muitos aspectos apresentados nessa modalidade de ensino, os resultados positivos dependem muito da forma como serão utilizadas as estratégias das várias informações, por isso é imperativo ter a capacidade para buscar tal integração no processo EaD.

Com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais através da democratização do conhecimento, a Unesco (Organização das nações Unidas para a Cultura e Educação), em 1993 fez parte da Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI assim, a partir dessa iniciativa elaborou-se o documento conhecido como Relatório Delors, sendo esse com as considerações e conclusões da comissão.

O texto do evento foi apresentado em 1996 e nele consta o reconhecimento do ensino como direito fundamental de homens e mulheres, pois o conhecimento é fundamental para minimizar as angustias sociais crescentes na sociedade no campo profissional e tecnológico.

Jaccques Delors, um dos responsáveis pela elaboração do relatório acima citado, diz: “O conceito de educação ao longo da vida aparece como uma das chaves de acesso ao século XXI”, assim, fica evidente a importância de através da modalidade de educação a distância, possibilitar o acesso profissional para muitos que não tiveram acesso à educação escolar na idade certa e ainda os muitos cidadãos que por situações diversas e já  citadas, tem dificuldades de fisicamente frequentar uma sala de aula.

Diante dessas necessidades da sociedade contemporânea e com a universalização das tecnologias, cada vez mais está sendo aceita a proposta de ensino a distância atualmente, porém já no século XX na década de 60, Marshall McLuhan, escreveu em seu artigo “Aula sem paredes” (1968) “A escola –clausura está a ponto de tornar-se escola abertura, ou melhor ainda, escola planeta”. Assim dizendo, podemos compreender que somente a escola convencional não atende mais a sociedade em suas atuais necessidades.

Uma das principais e desafiadoras características que difere a educação presencial da educação a distância, a falta de aproximação do professor e aluno, no entanto esta última permite através do professor/tutor a organização de grupos de estudo em diversas atividades sugeridas pelas disciplinas do curso.

Durante os encontros presencias o papel do tutor e mediar é incentivar esses momentos, pensando no perfil daqueles alunos que necessitam de momentos de interação para aprendizagem, o professor da disciplina e/ou tutor necessita proporcionar situações onde possibilite conhecer o perfil dos alunos e através dessa observação, buscar atender e apoiar seus alunos inclusive pensando naqueles alunos que poderão desistir do curso por insegurança da metodologia e desafios apresentados na sistemática da modalidade.

A aula não é um espaço determinado, fixo, mas tempo e espaço contínuos de aprendizagem, que podem ser definidos pelos diferentes estilos de professores e alunos, tecnologias e conteúdo. O importante é aprender e não impor um padrão único sobre onde e como ensinar (MORAN, 2001, p. 56).

Diante dessas situações e cenário da EaD, podemos compreender que também essa modalidade de educação depende das muitas estratégias educacionais, que tanto professor/tutor como aluno precisam desenvolver e fazer uso de certas competências para validar a utilização do ambiente virtual de ensino-aprendizagem, e se necessário elaborar e redefinir os planejamentos, pois nem sempre seguimos o mesmo movimento inicial do que foi pensado e isso ocorre em muitas situações cotidianas independente da modalidade de ensino, o que realmente importa é ter segurança na metodologia de estudos que garanta sua aprendizagem e supere aos poucos as dificuldades que vierem a atrapalhar o resultado almejado.

Segundo Knowles (1980), é vantajoso conhecer as características dos alunos de EaD, pois seu comportamento é influenciado pela combinação de suas necessidades com a sua situação e características pessoais. Esse conhecimento é importante para planejar programas e cursos de EaD, bem como para iniciar as estratégias necessárias para levá-los a uma aprendizagem satisfatória.

O perfil do aluno e suas habilidades com a tecnologia também irão influenciar o resultado de seu aprendizado na EAD uma vez os alunos que possuem menos habilidade em informática, por exemplo, tendem a ter maior dificuldade no manuseio das ferramentas e interfaces de um  AVA em um curso a distância. Consequentemente, seu aprendizado será prejudicado em relação àqueles que apresentam maior familiaridade com essa ferramenta.

Ainda em relação ao perfil do aluno de cursos de educação à distância, é fundamental compreender qual o perfil necessário para um curso nessa modalidade. O aluno que opta pela EaD deve possuir algumas características básicas necessárias para estimular a seu aprendizado, de forma a favorecer a construção do conhecimento.

Segundo Rurato (2005), alguns fatores são significativos para que o aluno de curso a distância seja beneficiado, dentre eles destaca-se:

1. Ter acesso às ferramentas apropriadas; 2. Ter experiência anterior com a tecnologia para que consiga utilizar corretamente todas as potencialidades da EaD; 3. Ter hábitos e capacidades de estudo, ou seja, ser autodidata; 4. Ter objetivos e propósitos; 5. Conseguir cumprir os prazos, é fundamental para conseguir terminar um curso ou programa de EaD; 6. Ter disciplina e auto-organização, representam um dos fatores mais importantes e decisivos no sucesso ou não do aluno em curso a distância.

3. METODOLOGIA

O presente artigo foi desenvolvido utilizando-se o procedimento metodológico do tipo estudo de campo com abordagem qualitativa, uma vez que os métodos qualitativos envolvem menos quantidade e maior aprofundamento das questões desenvolvidas no estudo. Já o estudo de campo permite um contato direto com a realidade (GIL, 2008).

A Instituição de ensino escolhida para o desenvolvimento desse estudo foi uma Faculdade de ensino superior privada, por ter sido uma das primeiras faculdades a iniciarem cursos na modalidade à distância no município de Balsas-MA. Nesta faculdade o ensino começou a ser idealizado por meio de solicitação ao MEC para o credenciamento da faculdade para ministrar cursos de graduação à distância com Formação Continuada, tendo iniciado com o Curso Normal Superior a Distância, iniciou seus trabalhos tendo início ao público do Estado do Maranhão, em 10 de fevereiro de 2006.

Em relação aos objetivos, trata-se de um estudo do tipo exploratório, por meio de pesquisa bibliográfica, a qual, seguindo Gil (2008, p.50), é a “pesquisa desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído de livros e artigos científicos”. O critério de inclusão para a escolha das referências foi literaturas que abordam a temática do presente estudo, onde foram selecionadas 13 referências. O critério de exclusão foi literaturas que não tratam da temática em estudo.

O instrumento utilizado para a coleta de dados foi o questionário, sob forma de entrevista, contendo sete questões subjetivas previamente estruturadas, tratadas neste estudo como variáveis da pesquisa e realizada com a coordenação da instituição.

O questionário, segundo Gil (2008), pode ser definido como a técnica de investigação composta por um determinado número de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas etc. O questionário com perguntas abertas ou subjetivas por meio de entrevista permite liberdade ilimitada de respostas ao informante. Nele poderá ser utilizada linguagem própria do respondente e traz a vantagem de não haver influência das respostas pré-estabelecidas pelo pesquisador, pois o informante escreverá aquilo que lhe vier à mente (CHAER; DINIZ; RIBEIRO, 2011).

A análise dos dados foi feita por meio de leitura exploratória e analítica com o objetivo de ordenar as informações contidas nestas fontes de modo a obter as respostas ao problema desta pesquisa. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Avaliar as diferenças individuais de cada aluno e como essas particularidades podem afetar o desempenho acadêmico é uma maneira de entender os fatores que promovem o sucesso dos cursos EaD. Partindo dessa premissa, os questionamentos especificados e analisados a seguir (variáveis da pesquisa) referem-se aos dados coletados por meio do questionário semiestruturado aplicado à coordenação da Faculdade onde foi realizada esta pesquisa.

A primeira variável da pesquisa, ou seja, o primeiro questionamento feito à coordenação da instituição foi em que ano a Faculdade chegou a Balsas- MA.

De acordo com o histórico da Faculdade, a mesma iniciou seus trabalhos acadêmicos no ano de 2006 no Maranhão, porém em Balsas, município localizado ao Sul do Maranhão, segundo dados obtidos na pesquisa de campo, as atividades acadêmicas tiveram início no ano de 2010.

O segundo questionamento teve o intuito de responder aos objetivos da pesquisa, onde foi inquerido qual o perfil dos alunos que a Faculdade atende com o ensino EaD.

Foi relatado na entrevista que “os alunos em sua maioria são adultos, além dos 20 anos, que já trabalham, parte de Balsas- MA, parte de outras cidades e fazendas da região”, o que vai de encontro ao relatado por  Morini (2006),  segundo o qual os alunos de cursos à distância são adultos, ativos profissionalmente e automotivados.

A terceira variável do estudo foi quais os cursos que mais são procurados pelos alunos e por quê? Foi obtido como resposta, os cursos de “Pedagogia, Administração e Serviço Social. Procurados por causa da empregabilidade e também da vocação dos alunos”. O que vai de encontro aos dados publicados pelo Censo EAD.BR-2018/2019 da ABED (Associação Brasileira de Educação à Distância), segundo o qual os cursos EaD mais procurados são: Pedagogia, Administração, Ciências Contábeis, Gestão de Pessoal/Recursos Humanos, Serviço social, Educação Física (Licenciatura), Gestão de Negócios, Educação Física (Bacharelado), Sistemas de Informação.

O Censo EAD.BR  é um relatório, publicado anualmente, que analisa a aprendizagem a distância no Brasil e tem por objetivo mensurar a abrangência da EAD no Brasil, tanto no que se refere a distribuição geográfica quanto em relação ao número de alunos, tipos de cursos e de instituições, avalia as práticas docentes, a gestão, o uso de tecnologia, a quantidade de docentes, os tipos de conteúdos e o apoio que é ofertado aos alunos, entre outras questões.

A quarta variável analisada foi relacionada à permanência dos alunos na Instituição. Qual o maior desafio para que estes alunos permaneçam ativos?

De acordo com os dados obtidos durante a entrevista, o maior desafio é a adaptação ao formato de estudos no modo EaD, pelo fato de muitos chegarem com bom tempo fora da sala de aula e também por questões financeiras. Conforme dados obtidos durante a entrevista, “quase todos de classe baixa e trabalhando”. O que corrobora com a definição proposta por Wood (2005), segundo o qual, os alunos que estão acostumados aos modelos tradicionais de estudo, ou seja, aulas presenciais, podem não conseguir realizar satisfatoriamente cursos EaD, devido à ausência de motivação necessária, de tempo, autodisciplina, desmotivação entre outras características. Torna-se imperativo avaliar o perfil dos alunos e como eles podem afetar o desempenho acadêmico é uma maneira de entender os fatores que promovem o sucesso dos cursos EaD.

Definição semelhante é relatada por Kenski (2010), segundo a qual a maior dificuldade dos alunos seria o desconforto em relação ao que em outros tempos foi chamado de “tecnologia educacional”, se referindo às dificuldades enfrentadas por alguns alunos ao tentarem se adaptar a essas novas ferramentas de aprendizagem.

A quinta variável desse estudo foi quais as regiões que a Faculdade atende do entorno de Balsas- MA?

Os dados obtidos com a entrevista revelam que a Faculdade atende regiões como Tasso Fragoso, São Raimundo das Mangabeiras, Nova Colinas, Riachão, Feira Nova, Sambaíba e Loreto, além de povoados e fazendas da região.

A procura por cursos de graduação na referida Faculdade ocorre em virtude, principalmente, da procura por cursos que não são ofertados nas faculdades presentes nos municípios onde os alunos residem, o que poderia justificar o deslocamento à Balsas- MA para realização de cursos EaD semipresenciais.

Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES, 2017) revelou que cerca 23% dos estudantes procuram cursos em instituições particulares porque não conseguiram passar em uma instituição pública. Esses dados também podem justificar a procura por cursos na Faculdade.

A sexta variável deste estudo foi sobre a estimativa de alunos que a Faculdade já atendeu até o presente momento.

Segundo dados obtidos na entrevista, desde sua implantação no município de Balsas- MA em 2010, a estimativa de alunos já graduados é de cerca de 360 e 180 alunos matriculados no presente momento.

Observa-se que esse quantitativo é bastante relevante, uma vez que atualmente já existem diversas outras faculdades, tanto particulares quanto públicas no referido município em estudo, ofertando diversos cursos de graduação.

A sétima e última variável é uma complementação da variável anterior, onde foi questionado na entrevista qual o maior número de matriculas: homens ou mulheres e qual a razão que justifica tal dado.

Os dados obtidos na entrevista revelam que as mulheres são a grande maioria, o que corresponde a um total de cerca de 70% de alunos do sexo feminino. Conforme dados da pesquisa, “percebo que há um maior interesse delas pelos estudos no geral. E aqui constatamos grande maioria nos cursos de Serviço Social e Pedagogia”.

Esses dados corroboram com o levantamento realizado pelo MEC (2012), segundo o qual a maioria do corpo discente das graduações é do sexo feminino. O levantamento mostra que, em todo o Brasil, são 3.286.415 matrículas femininas, contra 2.637.423 masculinas no referido ano.

Dado semelhante é relatado por Barreto (2014) segundo a qual, atualmente no Brasil uma gama de indicadores aponta para o fato de as mulheres estarem em maior número nos diversos níveis educacionais. A presença de mulheres é preponderante.

Descrição semelhante foi encontrada na publicação Estatística de Gênero (IBGE, 2014), segundo a qual em 2011, as estudantes eram maioria entre as/os universitárias/os na faixa etária de 18 a 24 anos. Elas representavam 57,1% do total de matriculadas/os no ensino superior brasileiro nesta faixa etária, e o número maior de mulheres tende a se manter em todas as regiões do país.

A mesma ABMES publicou em 06 março de 2020 que “as mulheres com ensino superior completo são a maioria no mercado de trabalho brasileiro (55,1% do total)…”(ABMES, 2020).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho objetivou pesquisar o perfil dos alunos da Educação a Distância da cidade de Balsas em uma instituição de ensino superior privada e de estilo de aprendizagem mais adequado para esse público. Os dados coletados de forma sucinta foram satisfatórios sobre os objetivos que se queria atingir referente aos alunos da educação à distância.

Constatou-se que o perfil do aluno é basicamente formado por pessoas adultas, que trabalham e têm compromissos familiares. O público é constituído predominantemente por mulheres. Essas características mostram a especificidade do público da Educação a Distância, uma vez que as pessoas buscam estudar nessa modalidade em devido a flexibilidade e facilidade de conciliação com outras atividade que realizam no dia a dia, como é o caso de pessoas mais velhas e casadas, as quais, muitas vezes, têm mais compromissos familiares e de trabalho do que os jovens.

A EaD é um estilo de aprendizagem que veio para fazer parte da vida das pessoas na era dos nativos digitais e, de todos que queiram estar em sintonia com o século das mudanças rápidas, pois esta nova modalidade será predominante tanto em número de instituição quanto de cursos e alunos.

O avanço das tecnologias, da globalização e a universalização das redes sociais, e as mudanças de culturas e mentalidade no campo educacional vêm criando uma perspectiva para a consolidação da educação a distância no âmbito educacional, desta forma é preciso que alunos e profissionais da educação se moldem a nova tendência em educação.

REFERÊNCIAS

ABED – Associação Brasileira de Educação à Distância. Censo EAD.BR-2018/2019. Disponível em: http://www.abed.org.br/site/pt/midiateca/censo_ead/ Acesso em: 25 março de 2020.

ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (2017). Disponível em: https://abmes.org.br/. Acesso em: 25 março de 2020.

ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (2020). Disponível em: https://abmes.org.br/. Acesso em: 25 março de 2020.

BARRETO, Andreia. A MULHER NO ENSINO SUPERIOR: Distribuição e Representatividade. Revista semestral – Cadernos do GEA. Ed. n.6  –. Rio de Janeiro: 2014. FLACSO, GEA; UERJ.

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CAVELLUCCI, Lia. Estilos de aprendizagem: em busca das diferenças individuais (2002). Disponível em: www.iar.unicampbr/disciplinas/am540_2003/lia/estilos_de_aprendizagem.pdf. Acesso em: 14/03/2020.

GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos De Pesquisa. 4. Ed. São Paulo: Atlas, 2008.

IBGE. Estatísticas de Gênero (2014). Uma análise do Censo Demográfico, 2010. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/vizualizacao/livros/liv88941.pdf.  Acesso em: 25 março de 2020.

KENSK,  Vani Moreira. O Desafio Da Educação A Distância No Brasil, USP: São Paulo, 2010.

KNOWLES, M. The modern practice of adult education: from pedagogy to Andragogy. EnglewoodCliffs: Cambridge, 1980.

MORAN, José Manoel; MASETTO, Marcos T. & BEHRENS, Marilda Aparecida. Novas tecnologias e mediação pedagógica. Campinas, SP: Papirus, 2001.

MORINI, A. M. Um estudo sobre o perfil do aluno do ensino à distância. Monografia (Graduação). Universidade Sul de Santa Catarina- UnisulVirtual. 2006. 43 f. Disponível em: http://busca.unisul.br/pdf/88702_Ana.pdf. Acesso em: 18 março 2020.

RURATO, P; GOUVEIA, L. B. Uma reflexão sobre o perfil dos aprendentes adultos no Ensino a Distância (EAD). CEREM- UFP, Portugal. 2005.

VALENTE, José Armando. Criando oportunidades de aprendizagem continuada ao longo da vida. In: Pátio: Revista Pedagógica. Porto Alegre: Artmed, 2000.

WOOD, C. Highschool.com. Edutopia Magazine, Abri. Mai, p.32-37.2005.

[1] Especialista em Microbiologia; Especialista em Docência no Ensino Superior; Especialista em Enfermagem do Trabalho; Especialista em Educação Especial/Educação Inclusiva. Mestranda em Educação. Cursando: Especialização em Enfermagem em Nefrologia; Especialização em Enfermagem em Estética. Enfermagem Bacharelado e Biologia Licenciatura.

Enviado: Outubro, 2020.

Aprovado: Fevereiro, 2021.

Especialista em Microbiologia; Especialista em Docência no Ensino Superior; Especialista em Enfermagem do Trabalho; Especialização em Educação Especial/Educação Inclusiva. Mestranda em Educação. Cursando: Especialização em Enfermagem em Nefrologia; Especialização em Enfermagem em Estética; Graduações: Enfermagem Bacharelado e Biologia Licenciatura.

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