Reflexões sobre avaliação somativa e formativa no processo de ensino-aprendizagem

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ARTIGO DE REVISÃO

MATOS, Simone Vieira de [1]

MATOS, Simone Vieira de. Reflexões sobre avaliação somativa e formativa no processo de ensino-aprendizagem. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 10, Vol. 02, pp. 99-106. Outubro 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/reflexoes

RESUMO

O presente artigo tem como objetivo analisar as consequências que a avaliação somativa, baseada nos princípios do modelo tradicional de ensino, acarreta o desenvolvimento dos alunos, e destacar que há outras formas de avaliar de maneira eficiente e global, que é o caso da avaliação formativa. A avaliação somativa consiste em classificar os alunos, através dos rendimentos alcançados por meio de provas bimestrais ou semestrais. Tendo em vista este contexto, o presente artigo tem como questão norteadora: essa prática avaliativa é eficiente para diagnosticar as habilidades adquiridas pelos alunos? É possível perceber que o ensino anseia por inovações, a questão de avaliar é um aspecto que deve ter prioridade, para que isto ocorra, o professor, deverá avaliar os seus alunos através da investigação, observação, conhecimentos prévios e habilidades adquiridas. Por meio da revisão bibliográfica, será feito uma análise da avaliação somativa, suas características, percepções e de que maneira essa forma de avaliar ainda é uma prática fluente em sala de aula, em contrapartida, como uma sugestão inovadora, é proposto a avaliação formativa, que consiste em avaliar a partir da investigação da qualidade de aprendizagem do estudante, de forma que professor e aluno participem como sujeitos do processo avaliativo. Dessa maneira, o docente deverá usar em sua prática pedagógica recursos que estimulem o aluno a revelar o que aprendeu articulado com a habilidade correspondente, acompanhar o desenvolvimento e evolução das aprendizagens do educando através da observação e intervenção, que posteriormente servirão de base para direcionar de forma significativa sua ação pedagógica.

Palavras-chaves: avaliação somativa, avaliação formativa, inovação e investigação.

1. INTRODUÇÃO

O processo avaliativo é uma questão polêmica nas escolas. Professores são resistentes na forma de avaliar, muitos persistem na avaliação somativa que se resume a provas bimestrais, ou semestrais, onde se atribui uma nota para diagnosticar como o aluno sobressaiu, perante testes, provas, exercícios e até mesmo pelo seu comportamento em sala de aula. Tendo em vista este contexto, o presente artigo, tem como questão norteadora: essa prática avaliativa é eficiente para diagnosticar o aprendizado dos alunos?

O presente artigo pretende contribuir para que os professores reflitam sobre suas práticas avaliativas, e, assim, passem a construírem avaliações mais coerentes, objetivando acompanhar a aquisição de conhecimento do aluno, fornecendo, ao mesmo tempo, parâmetros para que seja possível refletir se esta está sendo eficiente e se está alcançando os objetivos propostos no processo de ensino e aprendizagem.

Para Hoffmann (2015) a avaliação mediadora é uma concepção que tem como objetivo: observar, acompanhar e promover melhorias de aprendizagem. Sendo assim, o processo avaliativo deve ocorrer em favor do aprendizado do educando. O professor, deve verificar o estágio de desenvolvimento do seu aluno, valorizar os seus conhecimentos prévios, e, assim, auxiliá-los em sua trajetória, proporcionando aprendizado e fortalecendo o seu vínculo com a escola.

Dessa forma, a metodologia utilizada será a revisão bibliográfica em livros, artigos e internet, que servirão de apoio para analisar como as avaliações somativa e formativa influenciam no processo de ensino- aprendizagem.

2. PERSPECTIVAS AVALIATIVAS

Segundo Haydt (2000), a avaliação somativa classifica o aluno, em detrimento das notas que lhes são atribuídas determinam se ele será aprovado ou reprovado.

É comum, nesse tipo de avaliação, perceber que o comportamento dos estudantes é o que define, de fato, a nota a ser atribuída. Em muitas das vezes isso acontece sem que haja um registro e até mesmo sem que os educandos tenham consciência da situação. Trata-se de uma prática abusiva, onde o professor usa de sua autoridade para distorcer o uso da nota, se tornando, ao invés de um registro que indica a qualidade das aprendizagens e um parâmetro para traçar objetivos e metas, um método punitivo.

A avaliação somativa, é uma avaliação tradicional que classifica os alunos por meio de notas, e não está articulada com uma metodologia que visa sanar as dúvidas daqueles que apresentam dificuldades. Dessa maneira, depois de ser atribuída uma determinada nota, os alunos são classificados de acordo com a pontuação que alcançaram, pois, são avaliados somente os conhecimentos revelados quando o teste foi aplicado. Se o aluno se confundiu ou possui outras habilidades, não são contabilizadas neste tipo de avaliação.

Nesse sentido Freitas (2005), discorre que a finalidade do processo de avaliação sempre foi estabelecer um controle no comportamento dos estudantes interferindo em suas atitudes e valores, e não apenas de verificar as aprendizagens.

Kager e Leite (2009) descrevem que são vários os efeitos aversivos da avaliação somativa, muitos alunos desenvolvem sentimentos de incapacidade, ansiedade, perda de motivação para estudar, frustração e exclusão. Os educandos, com experiência negativa com a avaliação, acabam desenvolvendo aversão pela disciplina. Alguns alunos vivenciam, também, situações de recuperação punitiva, onde se deparam com uma prova bem mais difícil que a anterior, com exercícios mais complexos. Ou seja, uma avaliação que teria como objetivo principal ajudar os alunos a se recuperarem, passa a ser mais uma armadilha. Essas práticas de avaliação, não são utilizadas a favor do aluno, ao contrário, são práticas que os prejudicam.

Em contraposição a avaliação classificatória somativa, está a proposta da avaliação formativa, que se objetiva ser mais significativa, constante, inclusiva e construtiva, visando uma avaliação mais justa e democrática, na qual todos os alunos são considerados iguais por direito, além de compreender que cada pessoa tem sua forma e ritmo de aprendizado, o que deve ser respeitado e levado em consideração nos processos de ensino e, consequentemente nos processos de avaliação.

Para construirmos a avaliação formativa o nosso trabalho não pode se reduzir a uma verificação como produto final da aprendizagem, ela precisa acontecer durante todo o processo de ensino-aprendizagem e não somente em dias previamente estabelecidos. Não podemos acreditar que só avaliamos quando acontece a verificação formal somativa, ou seja, quando escolhemos os instrumentos (na maioria das vezes provas), os aplicamos e lhes atribuímos pontos. Geralmente esses momentos estanques causam uma ruptura com o processo de ensino e de aprendizagem e dificilmente favorecem o desenvolvimento da avaliação formativa. (MENDES, 2017, p. 2)

3. AVALIAÇÃO E INVESTIGAÇÃO

Hoffmann (2013), tem a concepção que a avaliação mediadora, precisa promover melhorias na aprendizagem, para isso, o professor, precisa observar e acompanhar o desenvolvimento dos alunos, baseando em princípios éticos e respeitando à diversidade. Esta, de um modo geral, poderia ser classificada como uma educação inclusiva, pois, garantiria a todos o acesso à aprendizagem.

É fundamental, na avaliação formativa, valorizar a perspectiva daquele que aprende, ou seja, do educando. O professor deve observar e analisar permanentemente as manifestações dos alunos. Professor e aluno devem participar do processo de ensino e aprendizagem como sujeitos, para que ambos tenham consciência de seus acertos e erros, e assim, possam propor ações para superar e repensar na forma de adquirir conhecimento. Isso será possível, se for registrado as observações e problemas desde o início do processo de ensino e aprendizagem, no sentido de ajustar ou propor habilidades a fim de superar as dificuldades encontradas.

Luckesi (2008) corrobora que o ideal seria, de fato, a inexistência do sistema de notas, mas, para isso, seria necessário que o professor estabelecesse um mínimo para que os estudantes atingissem, porém, consequentemente, o professor, deverá planejar e trabalhar no intuito para que todos atinjam esse mínimo. Dessa maneira, a avaliação seria um subsídio para o docente detectar o nível de aprendizagem dos educandos, e, somente, posterior a isto, começaria um novo conteúdo, se os estudantes alcançarem o patamar mínimo de conhecimento. Deste modo, Luckesi (2000), determina que, aprovar ou reprovar o aluno, será pelas efetivas aprendizagens dos conhecimentos mínimos, consequentemente, avaliando o desenvolvimento de habilidades, hábitos e convicções.

De acordo com Luckesi (2008), os instrumentos de avaliação da aprendizagem, devem ser adequados para coletar os dados necessários para descrever o estado de aprendizagem dos alunos. Ou seja, ser adequados ao tipo de conduta e de habilidade que deseja avaliar (análise, compreensão, aplicação, síntese), desta maneira, os conteúdos essenciais, devem ser planejados e realizados durante o processo de ensino e adequados na linguagem, na comunicação e na clareza, para que o aluno, entenda exatamente o que se espera que ele aprenda. Vale ressaltar, que um instrumento não é para dificultar a aprendizagem do aluno, mas sim, uma habilidade para somar aos seus conhecimentos prévios. Portanto, é necessário responder as questões significativas e aprofundar as aprendizagens já realizadas.

De acordo com Mendes e Silva (2016, p. 275) “as práticas avaliativas tanto podem ser utilizadas a favor da efetiva democratização quanto para uma exclusão mascarada, daí a importância de se discutir a teoria e a prática da avaliação das aprendizagens nesse contexto”.

A respeito da avaliação na educação, é preciso olhar sobre outra perspectiva, pois, tudo que é social tem necessariamente um sentido político, e este é o caso da educação. Portanto, a avaliação, nesta área do conhecimento, deve ser vista como uma questão pública, não apenas técnica. A avaliação não pode ser um instrumento de controle ou de promoção desenvolvimento do ser humano e da escola, nem como uma operação para equacionar tecnicamente as divergências, abafar os conflitos, homogeneizar os interesses, camuflar as desigualdades. A qualidade da avaliação, ao contrário, se dá pela sua contribuição ao debate crítico, melhorando-o, informando-o.

Nesta mesma visão Mendes e Silva (2016, p. 280), corrobora:

A avaliação formativa só é coerente com a luta por uma sociedade democrática, justa, participativa e com igualdade de oportunidades, em que todos possam ter garantidas dignas condições materiais de vida e de acesso ao conhecimento socialmente construído. Só será coerente se considerar que o ser humano está em processo constante de constituição e desenvolvimento. Segundo essa visão, mesmo que em ritmos diferentes, todos são capazes de aprender, desde que assegurados os meios e os recursos necessários.

A avaliação, vai muito além do que uma forma de aprovar ou reprovar, não pode ser uma tirania da prática educativa, ameaçando e submetendo a todos, é um recurso que deve ser utilizado para estimular os alunos a se dedicarem aos estudos, a aprendizagem e a atingirem a maestria na aprendizagem dos conteúdos. Mas, para isso, é importante tomar novos caminhos, vinculando o conceito epistemológico do ato de avaliar, que é subsidiar a busca do melhor resultado decorrente da ação do professor. Para ter ciência da realidade de aprendizagem do aluno é importante lembrar que a aprendizagem se dá no interior da pessoa, seja ela criança ou adulta, é preciso observar, instigar para que ela revele, seja por sua postura, condutas, gestos ou relatos, a partir de indagações ou solicitações de desempenhos.

A investigação avaliativa é parceira do professor. Ela mostra a qualidade de aprendizagem, fator que possibilita considerar se já foi atingida a qualidade desejada ou de considerar que ainda não há a qualidade necessária e para isso é preciso investir mais no processo de ensino-aprendizagem e, assim, ir alcançando resultados mais positivos. Luckesi (2000), afirma que a teoria pedagógica indica o caminho para a prática educativa e, assim, o planejamento do ensino acontece quando há mediação entre a teoria pedagógica e a prática de ensino na aula. Sem eles não há como ter sustentação na prática da avaliação escolar.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As instituições de ensino precisam constituir em seu planejamento, um espaço para formação continuada de seus docentes. É preciso repensar as práticas de ensino para que se possa alcançar proposição de ações formativas para os educandos. As avaliações anseiam por inovação e aprimoramento, para que isso ocorra é necessário propiciar discussões e problematizações ancoradas nos dilemas vividos no cotidiano das salas de aula. É fundamental que o professor tenha a oportunidade de desvelar as concepções que embasam suas práticas, é preciso refletir sobre sua metodologia de ensino, e não apenas repetir as experiências que teve como discente, sem ter consciência dos constrangimentos que avaliação somativa acarreta. O ato de avaliar não pode ser resumido a exames e provas a fim de classificar os alunos, mesmo que essa prática seja mecanismo de reprodução do modelo social vigente, é dever do professor inovar, estudar e buscar o melhor para o seu aluno.

Desta maneira, o professor deve buscar novas formas de avaliar, no presente artigo é destacada a avaliação formativa, que possibilita transformar os alunos em agentes ativos e comprometidos com o próprio processo de ensino e aprendizagem. É preciso refletir sobre essa prática, e consequentemente captar seus avanços, dificuldades e resistências, e assim possibilitar decisões para superar os desafios existentes, e aqueles porventura venham acontecer. O professor deverá avaliar continuamente o aluno, investir no uso diagnóstico da qualidade da aprendizagem do seu educando, observando-o em diferentes situações, estimulando-o a desenvolver as estratégias necessárias para que ocorra a aprendizagem, o resultado desse acompanhamento são informações importantes que irão direcionar de forma significativa sua ação pedagógica, aproximando de forma relevante professor e aluno.

REFERÊNCIAS

FREITAS, Luiz Carlos de. Eliminação adiada: novas formas de exclusão introduzida pelas reformas. Campinas: Proposições, dez. 2005

HAYDT, Regina Cazaux. Avaliação do processo ensino-aprendizagem. São Paulo: Ática, 2000.

HOFFMANN, Jussara. Avaliando redações: metodologias e instrumentos de avaliação. 2. ed. Porto Alegre: Mediação, 2013.

HOFFMANN, Jussara.  Avanços nas concepções e práticas de avaliação. Disponível em: Texto1JussaraHofman.pdf (senac.br),  acesso em; 07/09/2021.

KAGER, Samantha e LEITE, Sérgio Antonio da Silva. Efeitos aversivos das práticas de avaliação da aprendizagem escolar, Scielo, São Paulo 22/06/2009

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação das aprendizagens escolar. 19. ed. São Paulo: Cortez, 2008.

LUCKESI, Cipriano Carlos. O que é mesmo o ato de avaliar a aprendizagem? Pátio. Porto alegre: Artmed, abr. 2000.

MENDES, Olenir Maria e SILVA, Natália Luiza. Avaliação formativa no ensino superior: avanços e contradições, Campinas, SP, mar. 2001.

MENDES, Olenir Maria. Avaliação formativa no ensino superior: Reflexões e alternativas possíveis, Avaliação (Campinas) Aprovado em; 22,/01/2017, disponível em: https://www.scielo.br/j/aval/a/RSD39DpzXPZNFJ3PnrkPmkN/abstract/?lang=pt acesso em; 09/09/2021.

[1] Pós-graduanda em pedagogia universitária Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Graduação em Português e Inglês (LETRAS) Faculdades Integradas de Jales (FAI- Jales). Graduação em Pedagogia pela Faculdades Integradas de Urubupungá. ORCID: 0000-0001-6393-1812

Enviado: Abril, 2021.

Aprovado: Outubro, 2021.

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