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A Relação entre a Identidade Cultural e o Preconceito Racial no Âmbito Brasileiro: Uma análise bibliográfica

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

VIEIRA, Maria da Paixão Barbosa [1], LIRA, Lysne Nôzenir de Lima [2]

VIEIRA, Maria da Paixão Barbosa. LIRA, Lysne Nôzenir de Lima. A Relação entre a Identidade Cultural e o Preconceito Racial no Âmbito Brasileiro: Uma análise bibliográfica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 12, Vol. 07, pp. 17-28. Dezembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/uma-analise-bibliografica

RESUMO

Este trabalho tem como tema “A Relação entre a Identidade Cultural e o Preconceito Racial no Âmbito Brasileiro: uma Análise Bibliográfica”. Seu objetivo geral é identificar as relações existentes entre identidade cultural e a discriminação racial, e os objetivos específicos: analisar através de estudo bibliográfico a importância do respeito aos diversos povos brasileiros, discutir as relações existentes entre identidade cultural e preconceito racial e refletir sobre a importância da valorização identitária do povo. Foi necessária a formulação da seguinte problemática: Quais as relações entre identidade cultural e preconceito racial no âmbito brasileiro? Esse problema será analisado através de uma pesquisa bibliográfica. Como resultado pode-se enfatizar que no território brasileiro há inúmeras manifestações culturais, e consequentemente variadas identidades culturais.

Palavras-Chave: Identidade cultural, preconceito racial, âmbito brasileiro.

INTRODUÇÃO

Ao longo dos anos os assuntos identidade cultural e o preconceito racial têm sido foco de debates e análises, principalmente estudos relacionados à sua importância no contexto educacional e sua repercussão no contexto social brasileiro.

Atualmente os estudos e análises direcionadas à educação, mas especificamente ao relacionamento entre os povos estão sendo abordados e discutidos criticamente e com mais ênfase, já que não se pode negar que o contexto racial brasileiro é formado por diversas raças e consequentemente por inúmeras culturas.

Esta pesquisa aborda como tema de estudo a relação entre a identidade cultural e o preconceito racial no âmbito brasileiro, constituindo uma discussão crítica em relação às diversas identidades culturais presentes no território brasileiro, e consequentemente compreendendo sua relação com o chamado preconceito racial.

Nos dias atuais é notória a relevância dos estudos e análises acerca desses dois assuntos, sendo que ao longo da então pesquisa serão apresentados concepções, autores, conceitos e estudos que trazem o modo como ocorre a relação entre a identidade cultural e o preconceito racial no âmbito brasileiro.

De início esse estudo traz o contexto histórico que marcou e continua a marcar a identidade cultural dos povos brasileiros, explicando bibliograficamente qual ou quais as relações existentes entre esse tema e o preconceito racial.

Com a finalidade de investigar a relação existente entre a identidade cultural e o preconceito racial no âmbito brasileiro, e de compreender a importância do respeito aos povos e a diversidade cultural, formulou-se o seguinte problema de estudo: Quais as relações existentes entre identidade cultural e preconceito racial no âmbito brasileiro? Esse problema será analisado de modo crítico e planejado através de uma pesquisa bibliográfica.

Ao longo deste artigo será abordada a pesquisa literária, que segundo Manzo (1971, p. 32), “oferece meios para definir e resolver não somente problemas já conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram suficientemente”. Deste modo, esse estudo foi desenvolvido através de pesquisas e análises de materiais teóricos que servirão de embasamento científico para o desenvolvimento deste artigo. Abordando o seguinte tema: A Relação Entre a Identidade Cultural e o Preconceito Racial no Âmbito Brasileiro: uma Análise Bibliográfica.

Diante dessa problemática e com o intuito de investigar a relação que há entre a identidade cultural e o preconceito racial no contexto brasileiro foi proposto como objetivo geral: identificar as relações existentes entre identidade cultural e preconceito racial no âmbito brasileiro, e os objetivos específicos são: analisar através de estudo bibliográfico a importância do respeito aos diversos povos brasileiros, discutir quais as relações existentes entre identidade cultural e preconceito racial e refletir criticamente sobre a importância da valorização identitária de cada povo e sobre a minimização do preconceito racial.

Este estudo constitui-se conhecimento de grande relevância, pois promove aquisição e reconstrução de novos conhecimentos científicos na área educacional e social. Teoria e prática podem ser articuladas de forma mais concreta, ampliando assim a compreensão sobre a relação existente entre identidade cultural e preconceito racial. Além de contribuir com a sociedade de modo geral, pois este estudo é pautado em referencial teórico, sendo que a temática abordada na pesquisa se faz presente na atualidade e é um tema indispensável nos dias atuais.

METODOLOGIA

Os procedimentos de pesquisa utilizados neste estudo são os mesmos defendidos por Marconi e Lakatos (2006, p.20): “é aquela que procura o progresso científico, a ampliação de conhecimento teórico, sem a preocupação de utilizá-los na prática. É a pesquisa formal tendo em vista generalizações, princípios, leis”. Assim, não tem como meta simplesmente resolver uma problemática, mas também compreender e analisar as contribuições da temática à vida em sociedade, além de destacar a relevância do respeito entre os povos, havendo uma interação de forma não preconceituosa.

Para isso foi necessário realizar uma pesquisa voltada ao estudo bibliográfico, que segundo Gonçalves (2003), é muito próxima da pesquisa documental. Caracteriza-se pela identificação e análise dos dados escritos em livros, artigos de revistas, dentre outros, tendo como finalidade colocar o investigador em contato com o que já se produziu a respeito dos seus temas de pesquisa.

E sobre a pesquisa bibliográfica Furasté (2006), destaca que ela se baseia fundamentalmente no manuseio de obras literárias, quer impressa, quer capturada via internet, ou encontrada por meio de outras formas de estudo, e que são essenciais à qualidade da pesquisa, que teve como base sites, livros, dentre outras.

Desta maneira, essa pesquisa pode ser compreendida como uma pesquisa de cunho bibliográfica, sendo elaborada a partir de materiais bibliográficos que serviram de base e sustentação às ideias defendidas.

ANÁLISE BIBLIOGRÁFICA DA RELAÇÃO EXISTENTE ENTRE IDENTIDADE CULTURAL E PRECONCEITO RACIAL

Esta etapa do trabalho denomina-se referencial teórico, e nela se realiza a contextualização e análise bibliográfica em relação aos seguintes assuntos: preconceito racial, identidade cultural, dentre outros termos que proporcionaram compreender a relação existente entre a identidade cultural e o preconceito racial.

Nesse momento, faz-se indispensável destacar algumas concepções sobre os seguintes termos: identidade, cultura, preconceito, raça e outros termos, sendo que eles serão bibliograficamente relacionados com o tema deste trabalho que é: “A Relação Entre a Identidade Cultural e o Preconceito Racial no Âmbito Brasileiro: uma Análise Bibliográfica”.

O primeiro termo que será analisado neste momento é a identidade. O que seria a identidade? Pode-se enfatizar que a identidade é algo característico, incomum. Existe a chamada identidade cultural. Ela é o modo como o povo é reconhecido entre os demais, ou seja, cada povo, cada nação, por exemplo, tem suas particularidades e características que o marcam. Podendo ser a linguagem, a comida, os traços artísticos, religiosos, dentre outros. Sobre esse assunto Kobena Mercer, enfatiza em seus estudos que “a identidade somente se torna uma questão quando está em crise, quando algo que se supõe como fixo, coerente e estável é deslocado pela experiência da dúvida e da incerteza” (MERCER, 1990, p. 43).

Esse pensamento exemplifica o que seria a identidade. Ela, a identidade, ao mesmo tempo que é composta de aspectos e fatores que são fixos, ao longo do tempo vai ganhando novas características e mudando aquilo que todos acreditavam ser imutável. Sendo que cada identidade marca a chamada cultura, mas o que seria essa palavra? Ao longo do próximo parágrafo essa palavra será analisada, dando ênfase a sua relação com a identidade cultural no âmbito brasileiro.

Atualmente muito se tem falado em relação à cultura. Que deve haver o respeito às diversas culturas, que cada cultura tem sua particularidade e que esse fator é que enriquece a identidade cultural brasileira. Mas o que seria a cultura e como compreendê-la fazendo a relação com as variadas e diversificadas identidades culturais?

Há uma curiosidade em relação a palavra: cultura. Nem sempre ele foi concebido ou compreendido como refinamento relacionado às pessoas. Segundo Santos (1994), cultura tem origem latina e seu real significado relacionava-se ao cultivo da terra, a agricultura. Significando, ainda, colere, que é o mesmo sentido de cultivar. Quem aperfeiçoou o significado dessa palavra foram os romanos antigos, direcionando seu sentido ao aspecto social/pessoal. E até os dias atuais esse é o significado empregado a essa palavra (SANTOS, 1994).

Santos exemplificou mais ainda o sentido dessa palavra e destaca em seus estudos duas concepções sobre cultura.  Sendo que o primeiro significado desse termo coincide com a realidade social. Marcando a vida em sociedade.

Já o segundo significado corresponde ao conhecimento, às ideias e crenças de determinado povo ou nação. Podendo ser as maneiras de se relacionar uns com os outros e o modo como a pessoa se relaciona no meio social ao qual faz parte e estar inserida.

Santos ainda evidencia que tanto uma como a outra concepção de cultura, relaciona-se ao modo como se compreende a realidade de cada povo, ele destaca ainda que “se a cultura não mudasse, não haveria o que fazer senão aceitar como naturais as suas características e estariam justificadas, assim, as suas relações de poder” (SANTOS, 1994, p. 83), sendo que ambas concepções são influenciadas pela sociedade e a todo instante vão recebendo novos aspectos que as caracterizam.

Outra concepção sobre cultura que está condizente com a atual situação social pela qual o Brasil é apresentado por Ulmann, a cultura é “a superação daquilo que é dado pela natureza. Logo, é aquilo que o homem transforma” (ULMANN, 1991, p. 84). Assim como a cultura apresenta diversas concepções a identidade cultural também representa a diversidade existente em todo território brasileiro:

A identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é uma fantasia. Ao invés disso, à medida em que os sistemas de significação e representação cultural se multiplicam, somos confrontados por uma multiplicidade desconcertante e cambiante de identidades possíveis, com cada uma das quais poderíamos nos identificar (HALL, 1999, p. 13)

Desta maneira, pode-se compreender de modo claro a relação existente entre identidade cultural e preconceito racial, já que a partir do momento em que não há específico que existem inúmeras culturas, cria-se um falso pensamento que todos devem ser iguais, seja na cor da pele, no peso, na classe econômica, dentre outros fatores.

Cultura que é o outro termo que será analisado nesta pesquisa refere-se a aspectos de cada povo, sendo que:

…a cultura é agora o meio partilhado necessário, o sangue vital, ou talvez, antes, a atmosfera partilhada mínima, apenas no interior da qual os membros de uma sociedade podem respirar e sobreviver e produzir. Para tuna dada sociedade, ela tem que ser uma atmosfera na qual podem todos respirar, falar e produzir; ela tem que ser, assim, a mesma cultura (GELLNER, 1983, p. 37-8).

A cultura aproxima de certa maneira os sujeitos e os coloca na mesma atmosfera, como mencionado na citação acima. Lembrando que essa aproximação só enriquece cada vez mais cada particularidade de cada povo. Sendo valorizada a identidade de cada um deles.

Pode-se defender que havendo o respeito às diversas culturas, haverá consequentemente respeito e valorização das inúmeras e variadas identidades. Há o preconceito ou o desrespeito para com a identidade cultural de determinado povo ou nação quando se tem o pensamento que não devem ser iguais no falar, no vestir, no pensar, dentre outras características.

Sobre essa situação Gilroy deixa claro que:

Enfrentamos, de forma crescente, um racismo que evita ser reconhecido como tal, porque é capaz de alinhar “raça” com nacionalidade, patriotismo e nacionalismo. Um racismo que tomou uma distância necessária das grosseiras ideias de inferioridade e superioridade biológica busca, agora, apresentar uma definição imaginária da nação como uma comunidade cultural unificada. Ele constrói e defende uma imagem de cultura nacional — homogênea na sua branquidade, embora precária e eternamente vulnerável ao ataque dos inimigos internos e externos… Este racismo que responde à turbulência social e política da crise e à administração da crise através da restauração da grandeza nacional na imaginação. Sua construção onírica de nossa ilha coroada como etnicamente purificada propicia um especial conforto contra as devastações do declínio (nacional) (GILROY, 1992, p.87).

O posicionamento de Gilroy sobre o racismo ou preconceito racial evidência que a atual sociedade tem um homem ideal a ser seguido por todos e que esse homem ideal passa a ser superior aos demais que não se encaixam ou não condizem com o que a sociedade prega. Porém, é de conhecimento de todos que essa história não é recente, ou seja, que desde o descobrimento do Brasil que há em todo o território nacional diversos povos e raças, sendo impossível haver uma única cultura e consequentemente uma única identidade cultural.  Vale ressaltar que o preconceito racial é um termo atual, pois a cada instante extinga-se a novas discussões e análises, mas ao mesmo tempo não é tão recente na história brasileira.

Sobre esse assunto, ou seja, sobre racismo ou preconceito, Lopes (2005), enfatiza em seus estudos que ele acontece ou existe desde muitos e muitos anos, ou ainda desde os tempos antigos, ou seja, não é um tema que acontece somente nos dias atuais. Assim, o preconceito racial pode ser compreendido ainda como a própria rejeição, ou exclusão do que seja diferente do comum, ou seja, diferente do que seja normal ou aceito perante a sociedade.

Perante as informações acima surgi a seguinte indagação: o que característica o preconceito racial? E como compreender sua relação com a identidade cultural brasileira? Essas questões aparentemente parecem ser complicadas de serem entendidas, porém, ao longo desta pesquisa será possível por meio de estudo literário compreender que o preconceito racial apresenta semelhança em relação à identidade cultural, principalmente quando há relação com os variados povos brasileiros.

Assim, pode-se compreender que, infelizmente, o preconceito está presente no âmbito brasileiro, e que cabe aos próprios sujeitos sociais buscar estratégias e ações que mudem essa triste realidade. E uma das formas de se reverter essa situação de preconceito e de até mesmo desrespeito para com o próximo, faz-se necessário que haja a valorização das diversas identidades culturais brasileiras.

Todos independente de raça, classe econômica, religião ou cultura devem se preocupar em minimizar ou até mesmo acabar com o preconceito latente existente no âmbito brasileiro e que de certa maneira prejudicam de modo direto e indireto a relação em sociedade. E uma das áreas que é mais afetada com o preconceito racial é o contexto escolar ou educacional, podendo até mesmo prejudicar a relação do processo de ensino e aprendizagem.

O que seria preconceito racial (racismo)? Moura (1994. p. 160), em seus estudos enfatiza que o racismo pode ser analisado da seguinte maneira:

O racismo brasileiro […] na sua estratégia e nas suas táticas agem sem demonstrar a sua rigidez, não aparece à luz, ambíguo, meloso, pegajoso, mas altamente eficiente nos seus objetivos. […] não podemos ter democracia racial em um país onde não se tem plena e completa democracia social, política, econômica, social e cultural. Um país que tem na sua estrutura social vestígios do sistema escravista, com concentração fundiária e de rendas maiores do mundo […], um país no qual a concentração de rendas exclui total ou parcialmente 80% da sua população da possibilidade de usufruir um padrão de vida decente; que tem trinta milhões de menores abandonados, carentes ou criminalizados não pode ser uma democracia racial.

Assim, o preconceito racial é um assunto sério e que envolve muitos outros aspectos, ou seja, ele vem disfarçado, de modo sutil e tranquilo, porém, infelizmente, ele ocorre na vida das pessoas e principalmente no cotidiano brasileiro. E como mencionado acima, até mesmo na escola acaba ocorrendo alguma forma de preconceito racial. Pois na escola ou na instituição de ensino existem pessoas de diferentes raças, identidade cultural, costumes, e claro, todos são diferentes uns dos outros, mas deve-se ter em mente que por esse motivo é que não se deve agir de maneira racista ou preconceituosa.

Essa maneira preconceituosa e racista pode chegar a causar até mesmo situações que envolvem agressão física. Partindo desta linha de pensamento pode-se afirmar que o preconceito racial requer maior atenção, pois envolve aspectos físicos (tais como agressão física) e aspectos psicológicos e que esses fatores fazem do preconceito um assunto mais grave e que deve ser visto de maneira diferenciada.

O que muitos não sabem é que há diversas formas de minimizar ações preconceituosas e que por meio até mesmo da psicologia essas formas de preconceito racial podem se reverter em ações sociais agradáveis.

Mas o que a psicológica tem em comum com o preconceito racial e consequentemente com o tema proposto nesta pesquisa? A resposta a essa questão é muito simples. No momento em que se compreende o modo de desenvolvimento de uma pessoa, torna-se mais fácil buscar estratégias que mudem as ações que levam ao preconceito racial. Assim, a psicologia passa a ser uma grande aliada na busca de não haver no âmbito brasileiro essa situação no mínimo constrangedora que é o preconceito racial, e consequentemente o desrespeito às diversas identidades culturais.

Em pleno século XXI o preconceito é uma das ações mais praticadas independente de qual seja o ambiente, na escola, no trabalho, na faculdade, e por incrível que pareça, até mesmo no âmbito familiar há certas ações preconceituosas em relação à raça. O preconceito pode ser melhor compreendido nos pensamentos de Giddens apud Schaefer,

Preconceito é a manifestação de uma atitude negativa contra toda uma categoria de pessoas, geralmente minorias étnicas ou raciais. Se você se ressente porque seu colega é bagunceiro, você não é necessariamente preconceituoso. Mas, se você estereotipa (marca social) seu colega imediatamente com base em características, como raça, etnia ou religião, isso será uma forma de preconceito.  O preconceito tende a estabelecer definições falsas de indivíduos e grupos (GIDDENS, p. 245, 2006).

Como foi citado acima o preconceito é uma atitude negativa, e ocorre em situações e lugares inesperados, como é o caso do ambiente escolar e familiar, já que muitos acreditam não haver preconceito racial nesses ambientes já que geralmente são ocasiões de encontro de amigos e pessoas especiais, porém até mesmo no contexto escolar, por exemplo, infelizmente, ainda é possível encontrar alunos que agem de forma preconceituosa, racista, sendo agressivo com seu próximo (verbalmente e até mesmo fisicamente). Qual seria o motivo de tal comportamento preconceituoso? Os motivos são diversos, mas pode-se destacar nesse momento a falta de valorização entre as raças e claro o desrespeito com o outro.

Pode-se enfatizar que o aspecto da discriminação ou do preconceito racial se associa diretamente com o período colonial, mas especificadamente ao processo de escravidão, pelo qual o Brasil foi marcado e ao mesmo tempo pelo pensamento de que todos deveriam ser brancos ou caso contrário deveriam ser inferiores aos homens ditos brancos (COSTA, 1999).

Ainda sobre o preconceito racial em relação ao homem negro pode-se destacar os pensamentos de Costa (1999, p. 373), “Qualquer europeu ou americano que postulasse a superioridade branca seria necessariamente bem sucedido. Ele traria a autoridade e o prestígio de uma cultura superior para ideias já existentes no Brasil”. Mediante essa afirmação entende-se que o preconceito racial não é tão recente e que o homem sempre buscou meios e aspectos que justificassem o grau de superioridade em relação ao outro, seja por raça, classe econômica, grau de estudo, dentre muitos outros aspectos.

Outro fator que leva ao preconceito racial é o fato de que um povo quer, em muitos casos, ser melhor ou mostrar superioridade em relação aos demais povos. Esquecendo que se tratando de Brasil há uma mistura em relação às raças: branco, negro e índio. E que nem um desses povos se torna melhor do que o outro, sendo que eles não estão livres do jogo de poder, de divisões e contradições internas presentes na sociedade brasileira, ou seja, cada cultura e cada identidade cultural pode ser influenciada e ao mesmo tempo influenciar umas às outras.

Algo que merece ser evidenciado nesta pesquisa é o posicionamento de Telles (2003), sobre a relação do preconceito e a discriminação racial. Ele enfatiza que a questão social e política de uma sociedade é independente da raça.

Essa questão torna-se importante, pois ao contrário do pensamento de alguns, o homem independente de qual sua identidade cultural e consequentemente racial é capaz de competir de igual a igual. E não é a cor de sua pele que define essa competição ou que diz quem é o melhor ou mais importante.

Nesse sentido, até mesmo a atual Constituição brasileira defende ações não preconceituosas, contribuindo para a realização e implementação de políticas de promoção da igualdade para indivíduos e/ou grupos, sendo que esta função de realizar políticas púbicas que sejam contra o preconceito racial fica a cargo do Estado. Vale destacar ainda, que desde sua promulgação, passos importantes têm sido dados neste sentido. Fatores como a proteção às mulheres no mercado de trabalho (art. 7o, XX) e aos portadores de deficiência física no serviço público (art. 37o, VIII), e também ações que visem minimizar ou erradicar por vez toda e qualquer forma de discriminação racial, além claro da chamada discriminação positiva, sendo que a Constituição Federal reconhece outro fator indispensável nos dias atuais, a pluralidade étnica e cultural do Brasil (arts. 215; 216).

Se a própria Constituição ambara legalmente ações contra o preconceito racial o que dever agir em contrapartida são planos e direcionamentos que possam coibir a discriminação cultural e racial do povo brasileiro.

O art. 3o. deixa evidente, também, que são objetivos primordiais da República Federativa do Brasil,

I – Construir uma sociedade livre, justa e solidária;

II – Garantir o desenvolvimento nacional;

III – Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;

IV – Promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (BRASIL, 1999).

Dentre as mais importantes políticas públicas do Brasil há uma que se direciona a promover o bem comum, sem preconceito, independente de qual seja ele. E que compreende que no território brasileiro existem inúmeras identidades culturais e consequentemente diversos povos, sendo que cada um deve ter suas particularidades respeitadas e ao menos serem valorizadas enquanto povo brasileiro.

Pode-se enfatizar que conforme os estudos de Hall a identidade cultural é influenciada por inúmeros fatores, sendo até mesmo influenciado pela globalização, já que “A medida em que as culturas nacionais se tornam mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural” (HALL, 1999, p. 74).

Desta maneira, o fato é que a identidade cultural do povo brasileiro também, como nos demais povos, recebe essas influências, sendo que não deve existir espaço para possíveis discriminações.

Assim, evidencia-se que a ideia de se ter uma nação com uma identidade cultural unificada não pode existir, principalmente porque o Brasil é um país totalmente diversificado em relação à cultura e identidade cultural, não havendo espaço para nenhuma manifestação de preconceito racial, independentemente do local ou e qual seja a circunstância em que as pessoas estão ou se encontram, incluindo classe social, escolaridade, nível econômico, cor da pele, dentre outros fatores sociais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A então pesquisa que trouxe como tema: A Relação entre a Identidade Cultural e o Preconceito Racial no Âmbito Brasileiro: uma Análise Bibliográfica, proporcionando um novo olhar no que diz respeito a valorização racial e ao não preconceito em relação às diversas identidades culturais brasileiras.

Ao longo desse estudo foi analisado literariamente que há no âmbito brasileiro diversas identidades culturais e que por esse e outros motivos o preconceito racial deve ser esquecido, havendo um convívio entre todos os povos da melhor maneira possível, e que a relação entre identidade cultural e preconceito racial deve ser mantida de forma respeitosa e sem discriminação.

O estudo apresentado proporcionou identificar as relações existentes entre identidade cultural e preconceito racial no âmbito brasileiro, analisar através de estudo bibliográfico a importância do respeito aos diversos povos brasileiros, discutir quais as relações existentes entre identidade cultural e preconceito racial e refletir criticamente sobre a importância da valorização identitária de cada povo e sobre a minimização do preconceito racial.

Ainda, ao longo da pesquisa foi possível haver uma melhor compreensão da relação que envolve identidade cultural e preconceito racial, além de demonstrar estratégias ou ações que podem ser realizadas com o intuito de minimizar o preconceito racial, em especial na área educacional. Realizando uma pequena análise sobre a atuação da psicologia em relação ao tema proposto.

Assim, com a realização da então pesquisa foi possível compreender que as identidades culturais nacionais não se subordinam umas às outras e que todas as outras formas de diferença devem ser respeitadas, deixando de lado o preconceito racial, havendo, mais valorização da identidade cultural de cada povo brasileiro.

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ULMANN, R. A. Antropologia: o homem e a cultura. Petrópolis: Vozes, 1991.

[1] Mestrado em educação, pós-graduação em Gestão dos Sistemas Educacionais e História Afro Brasileira e graduação em Pedagogia, e História.

[2] Orientadora. Mestrado em Educação. Especialização em Planejamento, Inovação Gestão Práticas Educativas. Especialização em Especialización en Educación Internacional. Especialização em MBA em Gestão de Pessoas. Especialização em Licenciatura Plena em História. Especialização em Licenciatura Plena em Filosofia Geral. Especialização em Lato Sensu Filosofia da Educação. Graduação em Licenciatura em Pedagogia.

Enviado: Novembro, 2020.

Aprovado: Dezembro, 2020.

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