A temática “meio ambiente” na prática pedagógica de ensino de professores de educação física

0
464
DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/tematica-meio-ambiente
A temática “meio ambiente” na prática pedagógica de ensino de professores de educação física
5 (100%) 1 vote[s]
ARTIGO EM PDF

ARTIGO ORIGINAL

JUNIOR ,Luiz Wanderley Farias Nunes [1], DENDASCK, Carla Viana [2], OLIVEIRA, Euzébio de [3], FERNANDES, Roseane da Silva Matos [4], BAHIA, Mirleide Chaar  [5]

JUNIOR ,Luiz Wanderley Farias Nunes. Et. al. A temática “meio ambiente” na prática pedagógica de ensino de professores de educação física. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 03, Vol. 01, pp. 45-69. Março de 2019. ISSN: 2448-0959.

RESUMO

A sustentabilidade e a consciência ambiental tornam-se cada vez mais relevantes para serem abordadas de maneira mais aprofundada, pelo fato que estamos atualmente vivendo numa era de facilidades em meio ao consumo. Deve-se pensar em aspectos sociais relacionando o ser humano e a natureza, viabilizando seu equilíbrio, entre atividade econômica, bem-estar da sociedade. O objetivo desta pesquisa foi de compreender como os professores de Educação Física abordam a temática Meio Ambiente em suas aulas. A pesquisa teve um caráter qualitativo, com a realização de estudo bibliográfico, documental e pesquisa de campo com realização de observação não participante e entrevista semi-estruturada, para coleta dos dados, junto com pesquisa bibliográfica e documental. Os resultados demonstraram que os professores que tiveram essa vivência durante sua formação tentam dialogar com a temática no ambiente escolar, todavia os que não obtiveram essa vivência evidenciaram que possuem mais dificuldade de trabalhar com a referida temática.

Palavras-Chave: Meio Ambiente, Educação Física, Educação Ambiental.

1. INTRODUÇÃO

O estilo de vida cotidiano do ser humano sofre reflexos de manifestações vividas, haja vista que as suas necessidades mudam no decorrer dos tempos. Antigamente, o homem era integrado à natureza, interligado às suas necessidades e sentimentos culturais. Atualmente, essa realidade segue outras dimensões, influenciada pelo modelo capitalista, que constrói outro espaço de trabalho e tecnologias, outras formas de relações do ser humano com o meio ambiente.

Nesse sentido, torna-se importante refletir sobre essas novas relações estabelecidas entre ser humano e natureza.Essa relação cultura-homem- natureza pode ser refletida na escola, e também fora dela, por meio de diversas formas de articulação de saberes.

A temática meio ambiente possibilita desenvolver a interdisciplinaridade envolvendo a Educação Física, a Educação Ambiental e outras áreas de conhecimento por meio de diversas vivências, tendo a natureza como parceira nesse diálogo.

A disciplina Educação Física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindas das diversas manifestações culturais e se enxergue como essas variadas combinações de influências estão presentes na vida cotidiana.

As possibilidades de trabalhar os conteúdos relacionados ao meio ambiente em convívio social podem fomentar a reflexão sobre o equilíbrio entre ser humano e natureza, trazendo sua importância e suas potencialidades para a preservação e para a reflexão crítica sobre o consumismo e expansão do urbano, pois a urbanização das cidades, no seu processo de transformação da sociedade, acaba resultando numa forte consequência ambiental.

A Educação Física é uma disciplina que em sua matriz de conhecimentos deve dialogar com questões ambientais e com práticas corporais na natureza.

Desta forma, entende-se ser relevante analisar como os conteúdos relativos à temática meio ambiente são organizados pelos professores nas aulas de Educação Física, trazendo a discussão sobre a importância da inserção da temática do meio ambiente nas aulas de educação física.

Portanto, esse estudo se justifica por considerar ser o meio ambiente uma temática essencial, a qual deve ser investigada no sentido de evidenciar como vem sendo abordada nas aulas de Educação Física e qual a visão dos professores acerca desta temática.

O meu interesse pela temática se deu pelo fato de que quando eu era criança sempre foram atraentes as brincadeiras vividas nos quintais, na casa da minha avó, no município de São Miguel Guamá, com meus primos e nas casas dos amigos.

Nesses locais escalávamos árvores e disputávamos quem conseguia ir mais alto, e por lá ficávamos horas e horas. Nas sombras das árvores corríamos e descansávamos e ainda recuperávamos as energias comendo uma fruta e matando a sede com água de coco. Tínhamos o suficiente para nossas tardes de diversão. Sendo assim, veio o incentivo à reflexão de como atualmente as brincadeiras não são as mesmas, principalmente as relacionadas ao espaço natural.

O meio natural muitas vezes acaba sendo um assunto de pouca importância diante de tantas novidades eletrônicas.Além disso, a configuração da cidade e do urbano tem mudado essa relação com a natureza.

Por isso, os estudos sobre aproximações às questões ambientais nas aulas de Educação Física escolar podem trazer reflexões acerca dessa temática, para que o professor tenha como utilizar seus espaços durante as aulas, a fim de conscientizar e discutir esse conteúdo significativo que constituirá uma formação por meio da Educação Ambiental. Além de tentar dialogar sobre tal assunto de maneira que possa salientar um caráter pessoal, tendo o valor educativo para o aluno dentro ou fora da escola.

Este estudo tem como objetivo geral compreender como os professores abordam a temática do meio ambiente nas aulas de Educação Física. Para tanto, é preciso traçar os objetivos específicos que são: a) analisar o projeto politico pedagógico da escola, a fim de verificar se a temática meio ambiente faz parte dos conteúdos das aulas de Educação Física, b) observar se os professores incluem essa temática em suas aulas e seus planos de aula e como eles desenvolvem tal conteúdo; c) refletir sobre a importância da inserção da temática nas aulas de Educação Física, d) investigar, por meio de entrevistas, como os professores abordam a temática do meio ambiente no planejamento da disciplina educação física; e) evidenciar possíveis dificuldades ou facilidades enfrentadas pelos professores para a inserção de tais conteúdos nas aulas.

2. METODOLOGIA

A pesquisa teve caráter qualitativo e foi desenvolvida por meio da realização de pesquisas biográficas, análise de documentos, observações em campo e a realização de entrevistas semiestruturadas aplicadas aos professores de Educação Física.

Esse trabalho é desmembrado em três capítulos, sendo que o primeiro capitulo trata da relação do ser humano e meio ambiente, com discussões ambientais no decorrer das últimas décadas viabilizando o desenvolvimento sustentável para melhoria da qualidade de vida.

O segundo capitulo vem falar da Educação Ambiental como forma de proporcionar aos alunos dentro ou fora da escola uma percepção de conscientização e preservação da natureza, tendo as leis da Constituição Federal garantindo que essa temática seja trabalhada na escola, além dos Parâmetros Curriculares Nacionais apoiando essa temática que deve ser refletida à prática educativa nas aulas de Educação Física.

O terceiro capítulo descreve a trajetória metodológica da pesquisa e descreve a pesquisa de campo, a coleta de dados e as análises dos projetos políticos pedagógicos, bem como das entrevistas.

3. SOCIEDADE E MEIO AMBIENTE

Para iniciar a reflexão sobre a temática em estudo “poderíamos pensar o meio ambiente como o modo pelo qual os organismos vivos interagem com o conjunto de condições naturais, através de influências mútuas estabelecidas entre os mesmos, envolvendo um campo complexo das relações entre a natureza e sociedade” (BRUHNS, 2004, p. 237).

Com o decorrer do tempo, tem-se agravado o desequilíbrio sobre o meio ambiente e o pertencimento não sustentável, que distanciou o ser humano do seu meio natural e de si próprio. Foi a partir da Revolução Industrial que a sociedade aumentou o consumo de bens, atingindo diretamente os recursos naturais (SOUSA e OLIVEIRA, 2016). Houve a necessidade de se pensar o progresso do presente e no futuro das gerações, e assim, surge a teoria do desenvolvimento sustentável, que:

[…] vem sendo comumente definido como desenvolvimento que leva em consideração a finitude dos recursos naturais, a sustentabilidade ou durabilidade no uso dos recursos com vista às gerações futuras. Além da sustentabilidade social, econômica e ecológica, neste conceito de desenvolvimento é também ressaltada, com propriedade, a sustentabilidade cultural (COELHO apud BAHIA, 2005, p. 25).

Cascino (1999) explana sobre as questões ambientais e diz que na atualidade este é um movimento que está aberto nas comunidades, buscando a consciência da fragilidade do meio ambiente, além de colocar o ser humano com o pensamento direcionado à sua sobrevivência futura. Com isso, o movimento ambientalista amadureceu e teve seu crescimento nessa temática ambiental no decorrer das últimas décadas.

Diante disso, a sustentabilidade e a consciência ambiental tornam-se cada vez mais relevantes para serem abordadas de maneira mais aprofundada, pelo fato que estamos atualmente vivendo numa era de facilidades em meio ao consumo. Deve-se pensar em aspectos sociais relacionando o ser humano e a natureza, viabilizando seu equilíbrio entre atividade econômica, bem-estar da sociedade, menos poluição, que se recicle cada vez mais e que a modernização entenda a necessidade do desenvolvimento, mas que objetive uma consciência coerente em diversas áreas (GUIMARÃES, 208).

A humanidade chegou a um momento critico de sua historia: ou muda seus padrões éticos e comportamentais, ou continuará destruindo o meio que acerca de si mesma. As atitudes consumista e predatória são a face mais visível do traço destrutivo do homem, especialmente em relação ao meio ambiente. Mas não só! As atitudes competitiva e individualista da civilização moderna também contribuem, em muito, para a crise ambiental. O individualismo isola os indivíduos entre si, bem como da natureza que os cerca (GUIMARÃES, 2018). Somado à falta de cooperação, impede que os indivíduos se unam para a solução de problemas comuns (FARIA, 1994, p. 79).

É possível perceber como o consumismo vem promovendo nos indivíduos a possibilidade de acumulação de produtos, ocasionando um vício arbitrário, em que não se pensa como esse produto antigo será destacado, para que não seja um resíduo indesejável no futuro devido às suas aglomerações.

Não existe a necessidade de um movimento contra as evoluções tecnológicas, pois o que se norteia é como o modo de produção venha atingir também a melhoria de qualidade de vida com o meio ambiente. Nesse sentido, é válido refletir sobre os processos evolutivos industriais, políticos e na educação, para ser possível integrá-los num pensamento de preservação para agora e para o futuro, ampliando uma melhor consciência para o tema (SOUSA e OLIVEIRA, 2016).

Umas das transcendências que o ser humano possui é o poder dispor da consciência de que faz parte de um universo de eventos relacionados, de uma cadeia de causas e efeitos, em cada elo tem importância fundamental para todo, em que cada componente é dependente e complementar aos outros, em que cada um depende do outro para sobreviver, viver e/ou viver bem (FARIA, 1994, p. 86).

Por isso, é necessário pensar em alguns critérios e possibilidades:

A sustentabilidade como novo critério básico e integrador precisa estimular permanentemente as responsabilidades éticas, na medida em que a ênfase nos aspectos extra- econômicos serve para reconsiderar os aspectos relacionados com a equidade, a justiça e a ética dos seres vivos (JACOBI, 2005, p.10).

Diante dos fatos relacionados ao meio ambiente que vêm acontecendo, a sociedade vem percebendo a necessidade de se trabalhar essa temática, para uma melhor conscientização do ser humano relacionado ao meio ambiente. Com isso, dentro da escola a educação ambiental vem sendo inserido, pela gravidade dos problemas ambientais provindos de uma prática desorganizada de produção de bens de consumo, ocasionado um impacto ambiental totalmente desequilibrado.

Desta forma, é importante entender como o meio ambiente tem suas possibilidades de abordagem, na tentativa de aproximar o se humano à natureza, tendo uma transformação no modo de se pensar sociedade-natureza.

4. EDUCAÇÃO AMBIENTAL (EA)

O termo Educação Ambiental, segundo Mergulhão e Vasaki (2002) é relativamente contemporâneo e muitas vezes confundido com a ecologia, a EA refere-se particularmente, à busca de qualidade de vida, que implica a convivência harmoniosa do homem com meio ambiente, lidando com o potencial que as pessoas têm para entender e transformar o meio ao seu redor.

O marco da“Educação Ambiental” (EA) surge na Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento, que aconteceu em 1972, em Estocolmo, a fim de discutir a crise ambiental vivida pelo mundo.

A partir disso, a ela “foi definida como uma dimensão dada ao conteúdo e à prática da educação, orientada para resolução dos problemas concretos do meio ambiente através de enfoques interdisciplinares, e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo e da coletividade” (DIAS apud MENDONÇA, 2005, p.114).

É possível, perceber que a discussão da temática EA chegou às escolas e passou a ser trabalhada como um elemento importante.

A educação ambiental ganhou notoriedade com a promulgação da Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, que instituiu uma Política Nacional de Educação Ambiental e, por meio dela, foi estabelecida a obrigatoriedade da Educação Ambiental em todos os níveis do ensino formal da educação brasileira. A lei 9.765/99 precisa ser mencionada como um marco importante da história da educação ambiental no Brasil, porque ela resultou de um longo processo de interlocução entre ambientalistas, educadores e governos (BRASIL apud CUBA,2010,p.24).

Assim, indaga-se: Como o professor de Educação Física pode desenvolver estudos relacionados à educação ambiental na escola?

Uma das formas de levar a Educação Ambiental para a ação na sala de aula é por meio da prática pedagógica do professor e por meio de pesquisas. Isso possibilitará que o problema seja entendido pela comunidade onde vivem e, posteriormente, refletir e criticar as ações que desrespeitam e, muitas vezes, destroem um patrimônio que é de todos.

A aula de Educação Física é um privilegiado espaço em que podem acontecer diferentes vivências relacionadas ao meio ambiente, fora ou dentro da escola, proporcionando o entendimento da teoria relativa à natureza e às necessidades do ser humano em relacionar o agir, o pensar e o refletir sobre as relações socioambientais.

Se as relações com a natureza de cada povo são instituídas em sua cultura ao mesmo tempo em que são estruturadas as relações sociais e as individuais, faz sentido pensar que o inverso obedece a mesma lógica. Não conseguimos retomar o equilíbrio em nossas relações ambientais se não reformulamos nossa relações internas, de cada indivíduo consigo mesmo, com seus concidadãos (MENDONÇA, 2005, p.115).

A dinâmica da EA em buscar no indivíduo uma capacidade crítica e responsável em suas ações socioeducativas pode direcioná-lo à função de transformação no seu meio social.

Assim, a educação ambiental deve ser acima de tudo um ato político voltado para a transformação social, capaz de transformar valores e atitudes, construindo novos hábitos e conhecimentos, defendendo uma nova ética, que sensibiliza e conscientiza na formação da relação integrada do ser humano, da sociedade e da natureza, aspirando ao equilíbrio local e global, como forma de melhorar a qualidade de todos os níveis de vida (CARVALHO apud CUBA, 2010, p. 26).

A Constituição Federal e a Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, salienta que a EA no ensino formal, deve ser desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições da Educação básico (Educação Infantil, Educação Fundamental e Ensino Médio), Educação Superior; Educação Especial; Educação Profissional;

Educação de Jovens e Adultos, sendo que esta deva ser ampliada como uma prática agregada e inserida em todos esses níveis de ensino.

Na educação ambiental desenvolvida no espaço não formal, pode-se ter interlocução por meio dos setores públicos e privados, que podem desenvolver programas com parceria de escolas, de universidades e de organizações, buscando a sensibilização da sociedade acerca do meio ambiente e sua conservação.

É por meio da educação ambiental em todos os níveis sociais, intelectuais, técnicos e científicos que podemos atingir a meta do desenvolvimento sustentável, criando condições para uma sobrevivência futura, pois a atuação individual do ser humano se somará á coletiva, após assimilar conscientemente as consequências da degradação ambiental (BRASIL, 2004, p. 26).

Loureiro (2009) defende que, a EA tem como definição processos individuais e coletivos que vão contribuir na redefinição das relações do ser humano com a natureza, sem a perda do senso de identidade e de pertencimento; com a vinculação de reorganização da estrutura escolar; com suas ações educativas formais e não formais; no seu processo de aprendizagem; com uma atuação de construções adequadas, numa práxis educativa, informativa e emancipatória.

Reigota (2001) enfatiza que é a escola um dos locais privilegiados para a realização da educação ambiental, desde que seja aplicada por meio de diferentes metodologias, trabalhadas em diversas faixas etárias e em várias disciplinas, que possa estar presente, colocando em foco as relações sociais, o ser humano e o meio ambiente com um caráter educativo.

A Educação Física escolar deve adequar a temática meio ambiente em seu conteúdo se utilizando de inúmeras perspectivas, como ilustra Rodrigues e Galvão (2011) que defendem que o meio ambiente dever se estudado e desenvolvido na escola e as aulas de Educação Física se mostram como grandes possibilidades para fazer intervenções relacionados a essa temática.

Utilizar a aula com eventos temáticos, norteados para ações ambientais demonstram caminhos de administrar esse assunto, levar os alunos a conhecer e vivenciar espaços (clubes, lagos, parque ambientais, sítios), possibilitando comparações com seu dia a dia, oportunizando vivências e o aumento da visão do aluno, induzir pesquisas a partir de atividades da escola e da aula de Educação Física, ressaltando o valor social e a conscientização referente ao meio ambiente.

Diante disso, é importante que os conhecimentos sejam aproximados, juntando teoria e prática de acordo com as informações mencionadas nos Parâmetros Curriculares Nacionais.

4.1 PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS (PCN)

Os Parâmetros Curriculares Nacionais são documentos que vão orientar na educação, como objetivo de auxiliar o professor, de forma que ajude o aluno a ter a capacidade de entender os acontecimentos sociais e suas responsabilidades. Diante disso, o aluno tem que “perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente,identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente” (BRASIL, 1997, s/p).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais buscam auxiliar o professor, a conduzir com qualidade o ensino. Os PCN específicos do meio ambiente trazem uma preocupação cotidiana relacionada ao meio ambiente, justificando que o mundo dever ser vistode uma forma que as inter-relações aconteçam com seus ecossistemas na manutenção da vida, com a finalidade do ser humano ter dignidade, solidariedade e participação no meio ambiente.

Segundo (BRASIL, 1997) a técnica de ensino e aprendizagem na questão ambiental é uma noção de conhecimento que deve estar sendo desenvolvida na escola, não somente pelo professor, como único detentor do conhecimento, mas também pelos alunos, que devem ter a participação nesse processo de construção, a fim de que no decorrer do assunto possam melhorar a consciência nas ações ambientais, ajudando a criar as relações do aluno com a natureza, prontamente aproximando da sua realidade, com a atuação dentro da escola, para que depois passem a perceber os problemas vigentes em sua comunidade.

Quando esse trabalho acontece, a aproximação com a realidade traz qualidade no ensino, pelo fato de abranger a sua região e também entender como é a relação vivida em outras realidades, quando se trata dos fatores sociais e culturais ligados ao meio ambiente.

A Educação Física fomentada na escola é absorvida durante as aulas, relacionada à cultura corporal do aluno,onde a:

[…] materialidade corpórea foi historicamente construída e, portando, existe uma cultura corporal, resultado de conhecimentos socialmente produzidos e historicamente acumulados pela humanidade, que necessitam ser retraçados e transmitidos para os alunos na escola (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p.39).

Segundo Bruhns (2004 apudMARINHO p. 224), “a experimentação de novas emoções e sensibilidade dentro e fora da escola poderá conduzir os seres humanos a diferentes formas de percepção e de comunicação com o meio em que vivem”.

Desse modo, a Educação Física deve buscar instrumentos para uma prática transformadora em sua totalidade, para assegurar fatos, com intervenções sobre a temática que vai ser exposta, na perceptiva da questão ambiental, para que o aluno tenha noções sobre a realidade e, mediante isso, surjam inquietações sobre a conservação do meio ambiente, em que este tenha experiências como:

[…] excursionismo/acampamento, que oferece aos alunos possibilidades de praticar: caminhas recreativas, natação em rios, lagos ou mar, montanhismo e outros. Todas essas atividades fazem o aluno confrontar-se com a devastação ou preservação do meio ambiente e om a contradição de ser o homem – ao mesmo tempo – construtor e predador. Ao mesmo tempo ele produz um bem social – por exemplo, energia pelo álcool –, provoca a morte dos rios e exclui da população a possibilidade de beber suas águas ou nadar nelas (COLETIVO DE AUTORES, 1992, p. 63).

A Educação Física se estabelece com vários leques de ferramentas educacionais, para provocar reflexões acerca do assunto “meio ambiente” e suas realidades, com seus apontamentos, por meio de experiências, por meio de pesquisas e de projetos educacionais.

A interdisciplinaridade é uma possibilidade pedagógica interessante, pouco realizada pelos professores em suas competências dentro da escola.

Esta poderia existir com frequência nos diálogos entre os professores que fazem parte da comunidade escolar.

[…] a interdisciplinaridade é essencial para que a educação ambiental não passe de uma simples “moda” e seja um instrumento de mudança, dos alunos da realidade por meio da Educação Física Escolar. Assim, o trabalho pedagógico surge como um recurso social disponível para o homem modificar a natureza e a sua própria condição social (DIAS et al, 2012, p. 8).

Esta relação de integração pode favorecer a educação ambiental a fomentar uma melhor compreensão, pelos seus métodos de ensino envolvendo mais o aluno e a comunidade escolar em que está inserido.

Os PCN da Educação Física aconselham o professor a buscar conhecimentos e ser um canal de mediação para o aluno, para que se torne agente transformador do ambiente, harmonizando-se com as interações entre ser humano e meio ambiente e interrogando a realidade, se tornando assim um ser humano conhecedor dos problemas sociais ao seu redor.

5. EPISÓDIOS DA PESQUISA

5.1 PASSAGENS METODOLÓGICAS

Este estudo está embasado numa concepção filosófica dialética, que segundo Pádua (2009), consiste na visão de mundo que cada um possui, sendo o entendimento do homem, com pressupostos ético-filosóficos que motivam as diretrizes para suas atividades de pesquisa, articulados à produção do conhecimento, de forma a articular conceitos e categorias para análise da realidade.

A pesquisa se caracteriza por ter uma abordagem qualitativa, que segundo Richardson (2014) não emprega um instrumental estatístico, além de ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social. Possibilita, em maior nível de profundidade, o entendimento das particularidades do comportamento dos indivíduos.

O estudo consiste em pesquisa bibliográfica, documental e de campo, esta última por meio de entrevista semiestruturada e utilizada,particularmente, para descobrir que os aspectos de determinada experiência produzem mudanças nas pessoas expostas a ela (RICHARDSON, 2014).

O tipo de estudo utilizado foi explicativo, “onde o pesquisador tem como objetivo básico a descrição, outras pretendem explicar aspectos referentes à população” (RICHARDSON, 2014, p.146).

O primeiro contato com as instituições foi feito por meio da entrega de ofícios no período de 30 de setembro e 01 de outubro, solicitando a autorização para realizar uma pesquisa acadêmica com o objetivo de elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).

Na maioria das instituições o documento foi protocolado e recebido de volta, mas alguns destes necessitaram que se esperasse a resposta para dar andamento na pesquisa. Depois que os procedimentos foram aceitos, foi-se a campo,tendo sido utilizado primeiro a técnica de observação não participante, no qual não se interage com os observados, usando-se somente o diário de campo, que teve duração de uma semana.

No período da observação realizou a pesquisa documental, que é realizada a partir de documentos contemporâneos e retrospectivos (PÁDUA, 2009), que teve como proposta a análise do documento “Projeto Político Pedagógico” (PPP). A quantidade de documentos analisados foram no total de cinco, sendo que somente uma instituição não foi possível o acesso.As dificuldades foram do tempo de espera entre a solicitação, impressão, o aval da Direção e a presença da Coordenação Pedagógica.

Em seguida às observações e análises do PPP foi solicitado que os professores que iriam participar da pesquisa assinassem um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), para que logo após pudessem ser realizadas as entrevistas semiestruturadas.

A pesquisa foi realizada em seis escolas de Ensino Básico (cinco do município de Castanhal e uma do município de São Miguel do Guamá), com participação de 08 professores, 07 do município de Castanhal e 01 do município de São Miguel do Guamá. O critério para a participação na pesquisa foi: a) ter formação no curso de Educação Física, b) estar atuando na escola.

Na tabela 1 estão descritos os perfis dos professores entrevistados:

TABELA 1: Perfis dos professores entrevistados.

Entrevistados (as) Dados
Entrevistado 1 Idade: 48 anos Sexo:Feminino

Tempo de formação: 14 anos Instituição de conclusão de curso: UFPA

Entrevistado 2 Idade: 26 anos Sexo: Masculino

Tempo de formação:3 anos Instituição de conclusão de curso: UFPA

Entrevistado 3 Idade:30 anos Sexo:Masculino

Tempo de formação: 7,6 anos e 6 meses Instituição de conclusão de curso: UEPA

Entrevistado 4 Idade: 39 anos Sexo: Masculino

Tempo de formação: 11 anos Instituição de conclusão de curso: UEPA

Entrevistado 5 Idade: 21 anos Sexo:Feminino

Tempo de formação:1 ano Instituição de conclusão de curso: UFPA

Entrevistado 6 Idade: 26 anos Sexo:Masculino

Tempo de formação:3 anos Instituição de conclusão de curso: UFPA

Entrevistado 7 Idade: 30 anos Sexo: Feminino

Tempo de formação:8 anos Instituição de conclusão de curso: UEPA

Entrevistado 8 Idade: 47 anos Sexo: Feminino

Tempo de formação:1 ano Instituição de conclusão de curso: UFPA

 

5.2 ANÁLISE DO PROJETO POLÍTICO PEDAGOGICO (PPP)

A necessidade de analisar o Projeto Politico Pedagógico,e pelo fato de ser, segundo Veiga (2009) uma proposta, deve constituir-se em tarefa comum do corpo diretivo e da equipe escolar e, mais especificamente, dos serviços pedagógicos. A esses cabe o papel de liderar o processo de construção, execução e avaliação desse documento constantemente.

Com isso, para compreender como a temática “Meio Ambiente”se encontra inserida nos cinco PPP, foi possível verificar elementos que demostraram a discussão e as propostas sobre esse tema.

Proporcionar á criança estratégia para que possa observar e explorar ambiente com atitude de curiosidade, percebendo-se cada vez mais como ser integrante, depende e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que venham contribuir para a conservação do mesmo (PPP 1).

Natureza e sociedade: A organização dos grupos e seu modo de ser, deve trabalhar: Os lugares e suas paisagens; Objetos e processos de viver e trabalhar; Os lugares e suas paisagens; Objetos e processos de transformação; Os seres vivos e os fenômenos da natureza. Compreendendo a importância de uma ação pedagógica competente e eficaz, capaz de auxiliar os educandos no processo de aquisição de competência e habilidades, bem como de convivência cidadã, A instituição buscar desenvolver com o alunado uma boa interação, onde se prioriza o respeito ao próximo e ao meio ambiente, afim de formar cidadãos cada vez mais conscientes e comprometidos, não só com a vida profissional, mas com o desenvolvimento humano de cada um (PPP2).

Existe a realização da Conferência Ambiental em biênio, realizado pelo projeto do Meio Ambiente convida da escola. Desdá primeira conferencia do meio ambiente na escola, nesse momento deu-se a implantação oficial do convida na escola. Envolvendo a comunidade infantil juvenil nas atividades voltadas para sensibilização, preservação e conservação do meio ambiente e qualidade de vida na escola e na comunidade. Projeto: Educação Ambiental e saúde Preventiva, uma politica necessária a todos os herdeiros pro futuro(PPP5).

Observou-se que a temática “Meio Ambiente” está presente em diferentes composições. Para uma das instituições esta temática é aplicada como conteúdo, porém e somente utilizado na Educação Infantil. Em outra instituição a temática é citada em um dos objetivos específicos, como a ação de proporcionar à criança possibilidade de observar e explorar o ambiente para que tenha uma atitude de curiosidade, para se perceber como integrante e agente transformador do meio ambiente, possibilitando suas atitudes para conservação. Outra ação é referente às práticas como organização para o trabalho pedagógico, na perspectiva da “ecosustentabilidade” e também da reflexão e compreensão do ambiente natural.

Com isso, existe a necessidade que os PPP tenham em sua estruturação esse movimento pedagógico para os problemas sociais por meio de temas transversais.

Desse modo, a proposição curricular apresentada nos PCN orienta para que todas as áreas ou disciplinas convencionais incorporem conteúdos e objetivos dos temas transversais, deferindo, a nosso ver, da proposta da reforma espanhola que coloca os temas transversais no centro do processo educativo de forma que as áreas de ensino tradicionais sirvam como instrumentos de compreensão das questões da realidade social. Ou melhor, os temas transversais, oriundos das problemáticas sociais atuais, para serem mais bem compreendidos, necessitam da abordagem dos diferentes campos do conhecimento; portanto, não devem ser tratados por uma única área ou disciplina, a fim de não se descaracterizar sua complexidade. Sua inclusão nos debates da sala de aula, na medida em fazem parte do projeto pedagógico da escola, pode promover transformações nos conteúdos e nos modos de tratamentos das áreas curriculares tradicionais, transformando-as, desse modo, em atividade-meio para a compreensão os processos sociais, culturais, científicos, tecnológicos e econômicos vivenciados por nossa sociedade (CASTRO; SPAZZIANI; SANTOS, 2008, p.170).

5.3 COLETAS DE DADOS

Para a coleta de dados foi elaborado um roteiro de entrevista semiestruturado que, conforme Pádua (2009) é quando o pesquisador forma um conjunto de questões sobre o tema que está sendo estudado e incentiva o entrevistado a falar livremente sobre ele. As entrevistas aconteceram nos horários definidos pelos entrevistados. O recurso utilizado para a gravação foi o aparelho celular, por meio da sua ferramenta de gravação das entrevistas de áudio e depois as respostas foram salvas na memória. Em seguida, ocorreram as transcrições.

5.4 ANÁLISES DAS ENTREVISTAS

A partir das entrevistas realizadas com oito professores foi possível verificar a importância de trabalhar a temática meio ambiente nas aulas de Educação Física. Assim, os entrevistados consideram que:

É uma importância muito grande por que acho que todos os alunos independente de disciplina, eles tem quer ter a consciência […] (Entrevistado 1) (grifo nosso) […] é de extrema importância pro professor trabalhar essa temática que é o meio ambiente, porque ajuda ao ser humano perceber o quanto o meio ambiente é importante […] (Entrevistado 2)

Eu acho importante por que é dentro da escola nas aulas não só de educação física nas outras também […] tu começar a educar o aluno […] (Entrevistado5) (grifo nosso) Olha a importância ela e tão importante quanto nas outras disciplinas também na educação física por que eu acredito na disciplina de uma maneira geral uma parte da interdisciplinaridade […] (Entrevistado7) (grifo nosso)

Ao averiguar o discurso dos professores estes relataram que essa questão referente ao conteúdo deve ser trabalhada não só em suas aulas, mas também em outras disciplinas.

Foi vinculada também a importância da preservação, conforme pode ser vista por Reigota (2001), que relata que necessitamos preservar determinados locais tanto de interesse ecológico, histórico e artístico para que possamos admirá-los e conhecê-los. Como também a interdisciplinaridade tem seu valor.

A ação interdisciplinar estabelecerá, junto das praticas docentes e do desenvolvimento do trabalho didático- pedagógico na transmissão e reconstrução dos conteúdos disciplinares, a relação do “ser-no-outro”, ou a experiência de transformar-se no diferente/outro, transformando, ao mesmo tempo, esse mesmo diferente /outro. Essa logica revela o ponto de partida para o processo interdisciplinar. Assim, não se trata de simples cruzamento de “coisas” parecidas; trata-se, bem o contrario, de constituir diálogos fundados na diferença, abraçando concretamente a riqueza derivada da diversidade (CASCINO, 2003, p. 68).

Outro aspecto citado pelo entrevistado 2, “A Educação Física trabalha de uma forma completa com o ser humano e um dos espaços que o ser humano necessita para poder trabalhar é o meio ambiente, que é fora da sala de aula poder trabalhar em espaços não só concretos, mas também espaço que possibilitem a ele ter esse contato com a natureza”. Assim podemos perceber que essa abordagem ambiental aliada com a Educação Física possui essa vertente de possibilidade de saída da escola para aulas, passeios, dentre outras.

Segundo Marinho (2004), a educação física, particularmente, pode realizar experiências fora do espaço habitual como sala de aula ou o ginásio poliesportivo, podendo realizar experimentos na natureza, a fim de potencializar suas estratégias de ação para desenvolver uma variedade de objetivos educacionais.

Com isso, conforme Oliveira (2006), a Educação Física no sentido social apesar de ser conhecida como atividade prática pode proporcionar a formação do ser humano consciente, crítico, sensível á realidade ao seu redor.

Portanto, não é válido somente entender a importância e ter a consciência de trabalhar com a temática meio ambiente nas aulas de Educação Física se o professor não abordar durante na sua aula.

Nas entrevistas foi feita a indagação sobre como o professor desenvolve os conteúdos em suas aulas, percebeu-se os seguintes entornos:

Bom, nós trabalhamos o conteúdo tanto escrito como na prática né a gente tem as aulas práticas e teóricas agora mesmo esse final de semana nos estamos indo em Ajuruteua fazer um trabalho de limpeza de organização e esses materiais que a gente ver que ficar denegrindo o meio ambiente […](Entrevistado 1) (grifo nosso)

Trabalho, só que eu trabalho com a faixa-etária dos maiores, no caso eu trabalho com Ensino Fundamental, e o ano passado eu trabalhei essa temática com o nono ano […](Entrevistado 2) É trabalhar conteúdo sobre o meio ambiente nas aulas de Educação Física é uma situação um tanto quanto complicada a gente trabalha o meio ambiente de forma como tema transversal, nunca como tema principal das aulas é […] (Entrevistado 3) (grifo nosso)

“É trabalhamos o meio ambiente em duas turmas 4a e 5a ano especificamente o não das outras turmas da educação física em si é que o ensino infantil e ate o 3a ano do fundamental […](Entrevistado 6)

Conteúdo sobre meio ambiente a gente trabalha muito mais o uso do material reciclado a partir de construção de brinquedos a conscientização que aquilo pode ser reutilizado de forma lúdica […](Entrevistado.7) (grifo nosso)

Os relatos dos oitos entrevistados apresentaram que trabalham com a temática em determinados níveis de ensino. Alguns desenvolvem esse tema por meio de jogos ecológicos com a realização de tarefas como coleta de garrafas pet, para que depois possam ser transformadas em enfeites ou em bancos para a escola.

Segundo a Constituição Federal e a Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, a Educação Ambiental no ensino formal deve ser desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de Educação Básico (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio), Educação Superior; Educação Especial; Educação profissional; Educação de jovens e adultos, sendo que esta deve ser ampliada como uma prática agregada e inserida em todos esses níveis.

Um entrevistado expôs que na instituição em que trabalha existe a presença de um projeto sobre meio ambiente, desenvolvido por uma pedagoga, sendo que essa ação acaba tirando papel do professor dessa função.Entretanto, o professor não compreende que há possibilidade de desenvolver o conteúdo independente da existência do projeto e que pode ser um forte agente atuando nele.

Outro recurso importante, citado pelo entrevistado 1, se refere ao fato de que“a gente pega, faz coletas de materiais que podem ser reutilizados, a gente confecciona roupas para esses alunos e a gente faz um desfile na comunidade, seja aonde for a gente seja convidado a participar […]

Esse entrevistado, inclusive, cedeu algumas fotos que revelam essa proposta, conforme pode ser visto nas figuras de 1 a 6.

Figura 1- Roupa produzida a partir de restos de sobrinhas
Figura 2- Roupas confeccionadas a partir de sacolas de lixo com tiras de jornais.
Figura 3-Vestido feito com balões.
Figura 4- Trajes com uso de diversos materiais.
Figura 5- Roupa (parte inferior) feito de sacolas e acessórios
Figura 6- Desfile para a comunidade/ detalhes da parte superior feita com papel laminado

Essas fotos demonstram que o lixo pode ser utilizado de diversas maneiras, o que não serve para uns pode ser reutilizado, trocado e vendido por outros, com outras finalidades, inclusive como materiais que vão auxiliar no processo ensino-aprendizagem.

Outro entrevistado relatou a seguinte experiência com a temática meio ambiente. […] a gente fez por três anos aqui na escola um torneio chamado “TECO” que significava: Torneio Ecologicamente Correto, em que dentro da educação física trabalhava a questão da inclusão das meninas junto dos meninos e a valorização da participação delas dentro do torneio, uma forma a colocar um peso maior na sua pontuação, na sua participação, e voltado pra parte do meio ambiente, esse torneio trazia a premiação que não eram medalhas e sim objetos desenvolvidos artesanalmente com material que poderia ser reciclado e o passeio ecológico em trilhas aqui de Castanhal […] ( Entrevistado 3).

Sendo assim, percebeu-se que mesmo que essa ação tenha sido relacionada com o meio ambiente foi pouco abrangida essa questão, o que se pode observar é que havia somente uma tarefa que se relacionava ao tema a reciclagem.

Mediante a observação os materiais citados como bancos e enfeites para a escola realmente eram visto no ambiente, também os materiais reutilizados para os jogos com a garrafa pet que o professor utiliza em suas atividades. As entrevistas contemplaram a questão da importância da inserção desse tema na Educação Física, porém quando foi questionado como trabalham esse tema poucos entrevistados mostraram firmeza e vivencia com sua resposta acerca do desenvolvimento dessa temática nas suas aulas.

Para buscar o entendimento acerca da temática “Meio Ambiente” durante as aulas e se há alguma dificuldade ou não em desenvolver, o conteúdo, vejamos o que os entrevistados relatam sobre isso.

Bom,dificuldade eu não encontro nenhuma, muito pelo contrário eu encontro muita facilidade portanto há um interesse muito grande dos alunos uma participação muito grande com a também da comunidade (Entrevistado 1) (grifo nosso).

A facilidade é que é um tema do dia a dia, a gente trás pro cotidiano do aluno e sempre que a gente faz qualquer discussão sobre meio ambiente o aluno tem uma boa participação em cima disso. As dificuldades são que, na formação da Educação Física, pelo menos na minha, não houve nenhuma disciplina voltada pra fazer esse vínculo entre meio ambiente e educação física […] (Entrevistado 3) (grifo nosso).

A dificuldade e o tempo que eu vejo […] no município tem muito conteúdo e pouco tempo para se trabalhar tudo, […] tem coisa que a gente não trabalha de uma forma bem especifica de uma forma mais trabalhar com aluno porque às vezes a gente tem vinte turmas e difícil trabalhar com muito material pela falta de espaço de guarda esse material […](Entrevistado 7).

Os entrevistados relataram a facilidade de desenvolver temática em suas aulas, pelo apoio da comunidade, 1 e 2 já o entrevistado 3 demonstram dificuldades, pelo fato da carga horária do município ser pouca para desenvolver as atividades e locais para guardar os materiais.

Outro aspecto que nos chama atenção é a falta de contato com esse assunto na formação inicial dos professores e ainda situações como é citado pelo (Entrevistado 2). “[…] é uma das maiores dificuldades encontrar espaços apropriados como na forma do meio ambiente pra gente poder praticar nesse próprio espaço”. Este entrevistado assume como importante a aproximação do aluno como ambiente natural. O entrevistado 4, apronta dificuldades pelo fato de:

Há sempre um problema, por incrível que pareça os menores é, são os mais acessíveis e mais tranquilos de se trabalhar então, quando a gente chega já pro fundamental do quinto ao nono ano é, fica um pouco mais complicado […] já o pessoal do ensino médio, por ter uma consciência melhor eles já evitam essa situação e dificilmente quando a gente propõe o tema em aula eles rejeitam, então a gente ver um problema maior no fundamental do sexto ao nono ano. ( Entrevistado 4)

Analisando esse relato pode-se dizer que, talvez a didática do professor dever abranger metodologias diversas para diferentes públicos, porque os interessem variam de acordo com o tempo de vida dos sujeitos.

Conforme Reigota (2001), a escola pode ser um dos locais de aplicação da educação ambiental por meio de diferentes metodologias,considerando as relações socioambientais, com caráter educativo.

Esta última investigação foi realizado, no intuito de entender possíveis contatos durante a graduação dos entrevistados com essa temática, para analisar se houve acesso em algum momento aos ensinamentos ou vivências sobre o meio ambiente, conforme podemos conferir a seguir:

[…] hoje e a temática que está no momento né todo mundo aborda todo mundo comenta [..](Entrevistado 1).

Sim, sim. Foi exatamente com a professora que tá fazendo esse mesmo trabalho,[…] (Entrevistado 2).

Não, como já falei não houve nenhuma disciplina voltada pra fazer esse vínculo entre meio ambiente e Educação Física (Entrevistado 3).

Tive, a gente teve conteúdos, e sobre o meio ambiente participei de alguns congressos e encontros referentes a esse tema (Entrevistado 6). Sim, tivemos, numa disciplina que a gente pode trabalhar com educação fundamental. Não me recordo o nome dessa disciplina […] (Entrevistado 7).

Não, não vou mentir, não mesmo, não sei se você tá tendo, né? Mas como trabalhar na sala de aula, não […] (Entrevistado 8).

Diante dos relatos que obtiveram uma relação com essa temática, os entrevistados mencionaram as metodologias feitas pelos seus professores como trilha ecológica, acampamento, pesquisa de campo, utilização de materiais recicláveis para a construção de brinquedos, palestras e congressos.

Com isso alguns professores citaram que quando é inserida essa temática em suas aulas estas se tornam diferenciadas diante das atividades esportivas e pelo fato da utilização de outros espaços para a aula de educação física com outros materiais e pela ludicidade da atividade.

O entrevistado 2 manifestou-se em sua fala, com suas experiências, que as atividades de campo, lhe proporcionaram o entendimento de outra vertente da Educação Física, através da temática “meio ambiente”, podendo assim se apropriar e depois transmitir paraseus alunos as possibilidades de usufruir dos espaços e tendo zelo pelos mesmos.Por isso, defende-se a necessidade de se mostrar para o graduando tal temática durante a sua formação para que se aproprie de tal conhecimento sobre o tema.

É preciso ambientalizar os currículos de EF, não apenas praticar atividades de saídas de campo: trilhas ecológicas, práticas de ginastica ao ar livre, excursionar, etc. Mais do que isto é preciso educar em valores. A ambientalização das aulas de EF passa pela ética como proposição fundamental da EA, no intuito de educar em valores. Valores que suplantam os méritos das vitorias esportivas, mas do “verdadeiro espirito desportivo”, que pressupõe respeito, oportunidade, acesso ao conhecimento relativo às práticas corporais como fator indispensável às relação entre os seres humanos e deste com a natureza, propiciando uma melhor qualidade de vida de para a população (TAVARES, 2003, p.6).

Castro, Spazziani e Santos (2008) afirmam que é valido destacar que o professor deve adquirir o conhecimento enquanto um processo dialético que é resultado da interação entre o sujeito e o objeto do conhecimento com a dimensão afetiva, a visão da complexidade, a contextualização dos problemas ambientais, tendo assim a universidade também o dever de redimensionar seu PPP, promovendo melhor qualidade de vida e repensando a relação entre sociedade e a natureza.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do objetivo da pesquisa que foi de compreender como os professores abordam a temática “Meio Ambiente” nas aulas de Educação Física, constatou-se vários aspectos, tanto no que se refere ao Projeto Político Pedagógico (PPP) quanto ao que se refere à prática pedagógica dos professores.

Um desses aspectos diz respeito ao que se verificou nos relatos dos profissionais entrevistados, no que se refere aos encaminhamentos previstos nos Projetos Políticos Pedagógicos de cada instituição relacionados à temática “Meio Ambiente”, no que foi possível verificar que estes não apareceram com muita ênfase em suas práticas pedagógicas.

Também é válido ressaltar que nem todos os professores tinham conhecimento sobre os conteúdos sugeridos no PPP, sendo este um documento criado pela comunidade escolar, no que o professor deve participar de sua construção para que possa ter melhor conhecimento do que é proposto e assim desenvolvê-lo no campo pedagógico e prático.

A partir dos resultados encontrados nas entrevistas dos professores percebeu-se que dentre aqueles que mais mostraram ter dificuldades para trabalhar em suas aulas, foram os que não tiveram contato algum com a temática em sua formação.

Nesse sentido se faz necessário que durante o processo de formação do professor de educação física seja inserida a referida temática em estudo, como forma de subsidiar as práticas futuras dentro das escolas onde estes poderão atuar.

Diante da importância da temática “meio ambiente” é necessário que esta seja trabalhada principalmente na escola e nas aulas de Educação Física, com a finalidade de formar agentes transformadores da sociedade, tendo o professor como mediador do conhecimento para que se comece a compreender desde cedo as questões acerca das relações socioambientais e todas as implicações relativas a estas.

REFERÊNCIAS

BAHIA, Mirleide C. Lazer-Meio Ambiente: em busca das atitudes vivenciadas nos esportes de aventuras. 2005. Dissertação (Mestrado em Educação Física)- Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), 2005.

BRASIL, Anna Maria; SANTOS, Fátima. Equilíbrio ambiental e Resíduos na sociedade moderna. São Paulo: Faarte , Editora 2004, p.26.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Educação Física. Brasília: MEC/SEF, 1997. 96 p.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: meio ambiente, saúde. Brasília: 1997.128 p.

BRASIL. Lei nº 9.795,de 27 de abril de 1999. Mensagem de Veto nº 539 Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências.. Brasília: 27 de abril de 1999; 178o da Independência e 111o da República

BRUHNS, Heloísa T. Meio Ambiente. Meio ambiente, esporte, lazer e turismo: Estudos e Pesquisas no Brasil 1967 – 2007. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, v. 2, p. 237-245, 2007.

CASCINO, Fabio. Educação ambiental: princípios, história, formação de professores. São Paulo: Editora Senac, 1999, p. 54.

CASTRO, Ronaldo S. de; SPAZZIANI, Maria de L.; SANTOS, Eviraldo P. dos. Universidade, Meio Ambiente e Parâmetros Curriculares Nacionais. In: LOUREIRO, Carlos F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. de. (Orgs.).

Sociedade e Meio Ambiente: a educação ambiental em debate. 5.ed. São Paulo: Cortez, 2008. p. 157-179.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992.

CUBA, Marcos A. Educação Ambiental nas Escolas. ECCOM, v. 1, n. 2, p. 23- 31, jul./dez., 2010.

DIAS, Ana Carla P.; AZEVEDO, Mayara G. S. Educação Ambiental por meio da Educação Física Escolar: a percepção de professores. EFDeportes – Revista Digital. Buenos Aires. n. 168, maio/ 2012.

FARIA, Dóris S.; GARCIA, Lenise A. M. Ensino de Ciência através da educação ambiental e científico-tecnológico. v.1, Brasília: UnB, Faculdade de educação; UnB, Instituto de Ciências Biológicas, 1994.

GUIMARÃES, Ueudison Alves. Conscientização dos Ribeirinhos sobre a Importância da Preservação Ambiental do Rio Manso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 11, pp. 39-48, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959. Disponível em: << https://www.nucleodoconhecimento.com.br/meio-ambiente/ribeirinhos>>.

JACOBI, Pedro. Educar para a Sustentabilidade: complexidade, reflexividade, desafios. In: Revista Educação e Pesquisa, v. 31/2, maio-agosto 2005, FEUSP.

LOUREIRO, Carlos Frederico B. Trajetórias e fundamentos da educação ambiental. 3. ed. – São Paulo: Cortez, 2009.

MARINHO, Alcyane. Atividades da natureza, lazer e educação ambiental: refletindo sobre algumas possibilidades.Meio ambiente, esporte, lazer e turismo: Estudos e Pesquisas no Brasil 1967 – 2007. Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, v. 2, p. 219-236, 2007.

.

MENDOÇA, Rita. Educação e Ecoturismo. Meio ambiente, esporte, lazer e turismo: Estudos e Pesquisas no Brasil 1967 – 2007.Rio de Janeiro: Editora Gama Filho, v. 3, p. 111-124, 2007.

MERGULHAO, Maria Cornélia; VASAKI, Beatriz N. G. Educando para conservação da natureza: sugestões de atividades em educação ambiental. 2.ed. São Paulo: EDUC, 2002.144 p.

OLIVEIRA, Vitor M. de. O que é Educação Física. 11ª.ed. – 5ª reimp. –São Paulo: Brasiliense, 2006. 111 p.

REIGOTA, Marcos. O que é educação ambiental. 1ª.ed. – 3ª reimpr. – São Paulo: Brasiliense, 2001.

RICHARDSON, Roberto J. (Org.). Pesquisa Social: métodos e técnicas. 3ª.ed. –15ªreimpr. – São Paulo: Atlas, 2014. 334 p.

RODRIGUES, Luiz Henrique; GALVÃO, Zenaide. Novas formas de organização dos conteúdos. In: DARIDO, Suraya C.; RANGEL, Irene C. A. (Orgs.). Educação Física na escola: Implicações para a prática pedagógica.2ª.ed. Rio de Janeiro: Guanbara Koogan, 2011. p. 80-101.

SOUZA, Endeson; OLIVEIRA, Euzébio de. A educação ambiental e o uso de recursos hídricos dentro de uma indústria de cervejaria no estado do Pará / PA – Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Vol. 02, Ano. 01, pp. 59-82, Maio de 2016. ISSN: 2448-0959. Disponível em: << https://www.nucleodoconhecimento.com.br/meio-ambiente/educacao-ambiental-recursos-hidricos>>.

PÁDUA, Elisabete Matallo M. Metodologia de pesquisa:Abordagem teórico- prática. 10ª.ed. Campinas, SP: Papirus, 2004.

TAVARES, Francisco José P. A Educação Ambiental na formação de professores de Educação Física: uma emergente conexão. Revista Digital, Buenos Aires, v. 9, n. 61, Junho. 2003.

VEIGA, Ilma P. A. Projeto Político-Pedagógico e gestão democrática: Novos marcos para a educação de qualidade. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 3, n. 4, p. 163-171, jan./jun. 2009.

[1] Graduado em Educação Física pela Universidade Federal do Pará, Campus Castanhal UFPA.

[2] PhD em Psicanálise. Pesquisadora do Centro de Pesquisa e Estudos Avançados. CEPA

[3] PhD em Doenças Tropicais. Docente e Pesquisador do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará – ICB/UFPA.

[4] PhD em Educação. Docente e Pesquisadora do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Pará – ICS/UFPA.

[5] PhD em Ciência: Desenvolvimento Socioambiental. Docente e Pesquisadora do Núcleo de Autos Estudos Amazônicos da Universidade Federal do Pará – NAEA/UFPA.

Enviado: Fevereiro, 2019.

Aprovado: Fevereiro, 2019.

Teóloga, Doutora em Psicanálise Clínica. Atua há 15 anos com Metodologia Científica ( Método de Pesquisa) na Orientação de Produção Científica de Mestrandos e Doutorandos. Especialista em Pesquisas de Mercado e Pesquisas voltadas a área da Saúde.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here