Orientação de aquecimento e resfriamento na academia de ginástica

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CONTEÚDO

RELATO DE EXPERIÊNCIA

FLORES, Fábio Fernandes [1], BRITO, Jussimar Teixeira [2], SANTOS, Marcela Rodrigues dos [3]

FLORES, Fábio Fernandes. BRITO, Jussimar Teixeira. SANTOS, Marcela Rodrigues dos.  Orientação de aquecimento e resfriamento na academia de ginástica. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 11, Vol. 13, pp. 182-194. Novembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao-fisica/aquecimento-e-resfriamento

RESUMO

Na execução do exercício são necessárias as fases do aquecimento e resfriamento, no entanto clientes de academia tratam isso como algo de pouco interesse e nem sempre fazem. Diante disso, questiona-se: quais as implicações da orientação do aquecimento e resfriamento com a clientela da academia de ginástica? O objetivo do manuscrito é descrever a vivência no Estágio VI. Trata-se de um relato de experiência com abordagem qualitativa e caráter descritivo. O estágio foi dividido em duas etapas: observação e intervenção. As informações foram colhidas através da observação qualitativa e do diário de bordo. A intervenção com o aquecimento consistiu em ações diferentes a cada quinzena: bicicleta ergométrica mais step, suicídio mais agachamentos, corda naval mais a simples e a esteira ergométrica mais escada de agilidade; já com o resfriamento concentrou-se no alongamento estático passivo. De forma geral, os participantes avaliaram positivamente. Em relação ao aquecimento, relataram que sentiam preparados para o treino, mas tiveram dificuldades quando envolvia a coordenação motora. Já no resfriamento, teve comentários da continuidade da prática. O processo foi contemplado por três aspectos: favorável – apoio dos professores (regente e de estágio) e comprometimento dos participantes; restritivo – quantidade de participantes; desgastante – encontrar a instituição coparticipante. Enfim, por meio das percepções fisiológicas somadas com as explicações discentes, a orientação do aquecimento e resfriamento com a clientela da academia de ginástica auxiliou na apropriação de conhecimento para que possam ter/manter tais fases, seja na academia ou fora dela. De maneira aditiva, destaca-se que a experiência com o estágio curricular contribuiu para a formação acadêmica profissional.

Palavras-chaves: Academia de ginástica, Educação Física, Estágio, Exercício de aquecimento, Exercício de alongamento muscular.

1. INTRODUÇÃO

O estágio curricular é o período no qual o corpo discente pode executar ações de acordo com o aprendizado acadêmico científico, sanar dúvidas, buscar novos conhecimentos, além de lidar e trabalhar com praticantes de perfis distintos (COSTA, 2017).

Na Educação Física o estágio pode ocorrer de várias formas, uma delas é na orientação do exercício na academia de ginástica, sendo importante o desenvolvimento crítico frente aos conhecimentos na adoção de hábitos saudáveis (MUSSI et al., 2019a). No planejamento deste é necessária a fase do aquecimento e resfriamento, sendo recomendado que ambas ocorram de maneira gradual, devendo a primeira conter atividades de ativação metabólica (NAHAS, 2017).

O aquecimento consiste na ativação da circulação (do coração para os músculos esqueléticos), fazendo com que ocorra o aumento da temperatura corporal, no sentido de preparar o corpo para a atividade com maior de nível de esforço (SIMÃO, 2014); podendo ser passivo (ACHOUR JR., 2009), ou ativo, que é classificado em geral ou específico (KRAEMER; FLECK; DESCHENES, 2016).

O aquecimento ativo geral incide em ações não relacionadas com os movimentos do exercício, como por exemplo, uma atividade aeróbica de baixa intensidade (KRAEMER; FLECK; DESCHENES, 2016). Já o específico relaciona-se diretamente com o exercício a ser executado, tipo a realização dos mesmos movimentos do exercício da musculação com cargas menores do que a utilizada no treino (SIMÃO, 2014).

Na literatura, a parte final do exercício é chamada de resfriamento, relaxamento ou volta à calma. Nesta etapa o indivíduo continua se exercitando com um nível de esforço menor, tal ação previne o acúmulo de sangue nas extremidades, reduz a possibilidade de vertigens, fadiga e acelera o processo de recuperação (SIMÃO, 2014; KRAEMER; FLECK; DESCHENES, 2016). Para tanto, pode-se usar o trote, caminhada leve e o alongamento estático (NAHAS, 2017).

O alongamento estático é uma técnica bem aceita em razão do fácil controle da tensão músculo articular e por proporcionar saúde e bem-estar; podendo ser ativo, quando realizado sozinho, ou passivo por ter auxílio de alguém (ACHOUR JR., 2009).

Face ao exposto, o presente trabalho tem o seguinte questionamento: quais as implicações da orientação do aquecimento e resfriamento com a clientela da academia de ginástica?

A realização deste trabalho decorre da identificação de duas lacunas encontradas na academia no período de observação do estágio: o aquecimento concentrava-se no uso de aparelhos ergométricos e havia ausência do resfriamento. Desta forma, a intervenção justifica-se por duas razões: auxiliar na formação acadêmica profissional discente e contribuir com a instituição colaboradora; sendo relevante ainda por agregar informações em temas com pouca investigação.

Diante disso, o estudo objetiva descrever a experiência do Estágio VI, cuja proposta foi orientar o aquecimento geral ativo (quatro formas diferentes) e resfriamento (alongamento estático passivo) de clientes de uma academia de ginástica; além disso, apresenta outros elementos importantes, como o aspecto favorável e crítica do estágio.

2. METODOLOGIA

Trata-se de um relato de experiência (MUSSI; FLORES; ALMEIDA, 2021) com abordagem qualitativa (MUSSI et al., 2019b) e caráter descritivo (LAKATOS; MARCONI, 2011). A intervenção adveio do componente “Estágio VI” do curso de Educação Física da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).

O referido estágio aconteceu no segundo semestre de 2017, numa academia privada do município de Guanambi (BA), nas segundas e terças-feiras, das 8h às 11h da manhã, perfazendo a carga horária de 6h semanais e 54h no total. O estágio dividiu-se em duas etapas: observação (uma semana) e intervenção (quatro quinzenas).

A primeira teve como propósito investigar o ambiente da instituição e definir qual a proposta de ação, para tanto, foram utilizadas às informações do roteiro de observação (LAKATOS; MARCONI, 2011) e, em seguida, edificar um projeto de intervenção pertinente a lacuna identificada. Quanto à segunda, refere-se ao cumprimento do que fora estabelecido neste projeto: orientação quanto ao aquecimento e resfriamento na academia de ginástica. No decorrer de ambas etapas, o diário de bordo (BOSZKO; GÜLLICH, 2016) foi usado para registrar as informações.

As principais referências adotadas nas orientações durante o estágio foram: D’Elia (2013), Kraemer; Fleck e Deschenes (2016) e Achour Jr. (2009); tendo como participantes: jovens, adultos e idosos.

As atividades foram fundamentadas segundo a proposta de Nahas (2017, p. 130): “parte preparatória (aquecimento) – 5 a 10 minutos: exercícios gerais, moderados, para ativação metabólica […] Parte final (resfriamento ou volta à calma) – 5 minutos: volta gradual da frequência cardíaca aos níveis de repouso, alongamento muscular suave (relaxamento)”. A respeito do alongamento, o American College of Sports Medicine – ACSM (2018) preconiza que deve ser realizado por um período de 15 a 60 segundos, com quatro ou mais repetições para cada grupo muscular alvo de alongamento.

No tocante ao cronograma de aquecimento, em cada uma das quatro quinzenas houve o uso de atividades/objeto/aparelho diversificados: na primeira – bicicleta ergométrica e step[4], na segunda – suicídio[5] e agachamentos, na terceira – corda naval[6] e a simples[7] (pula corda), e na quarta – a esteira ergométrica e escada de agilidade[8]; tendo duração total de 10 minutos (cinco minutos para etapa 1 e 2). Em relação ao resfriamento, concentrou-se na utilização do alongamento estático passivo na musculatura: da coxa (anterior e posterior), lombar, peitoral, dorsal, e tríceps sural. No que se refere à avaliação da intensidade nas intervenções, houve o uso do Talk test (LUCCA et al., 2012) e da Percepção Subjetiva de Esforço (ACSM, 2018).

Cabe destacar que durante o desenvolvimento do estágio houve o cuidado ético entre as partes envolvidas (Instituição de Ensino Superior, Academia de Ginástica, professor de Estágio, professor regente e participantes do estágio) para seguir todo o protocolo utilizado pelos comitês de ética em pesquisa envolvendo seres humanos, seja de campo ou observação, por isso o uso das falas das pessoas foi devidamente autorizado, mas resguardando o anonimato.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

As informações apresentadas nesse tópico ocorreram de acordo com as etapas do estágio. Inicialmente, por meio da observação qualitativa, apresentou-se a caracterização do local e suas peculiaridades. Logo após, houve a descrição de como foi à intervenção. No final, de forma complementar, teve a exposição de três aspectos contemplados no processo intervenção: o favorável, o restritivo e o desgastante.

A academia de ginástica é localizada no centro da cidade, considerada de pequeno porte, possui dois banheiros (um para cada sexo), sala de avaliação física, recepção, entrada com acessibilidade, na frente tem suporte bicicletário, muitos recursos, materiais novos (aparelhos e acessórios) e com o ambiente higienizado e climatizado.

No horário do estágio, frequentava em média oito pessoas, sendo que antes de iniciar o treino os (as) clientes usavam os aparelhos ergométricos e a maioria não fazia nenhuma atividade como resfriamento. O Professor Regente (PR) fazia acompanhamento ao lado e distante de quem se exercitava, que independentemente da distância sempre estava atento quanto à execução, era comunicativo (tratava de assuntos relacionados com os exercícios e outros) e atendia sempre de maneira solícita.

O fato do PR ser egresso da UNEB foi muito importante, pois conhecia a realidade estrutural, curricular, possibilidades de envolvimento na instituição (extensão e pesquisa) e interesse na participação de eventos. Estas informações fizeram com que houvesse uma relação proximal com o conteúdo e a empresa.

O início da etapa de intervenção do estágio foi marcado pela preocupação de insucesso com o que fora planejado e a recusa dos participantes com a proposta. Deste modo, o desafio era convencê-los a participar das atividades, uma vez que não tinham como hábito a realização de aquecimento diferente (sem ser com aparelhos ergométricos) e o resfriamento (alongamento).

Por isso, a princípio houve o sentimento de receio e incertezas. Este panorama foi consoante ao descrito por Cambuhi et al. (2014), pois nas primeiras intervenções houve o sentimento de insegurança, por causa do público da academia e da experiência reduzida com o campo. Além disso, foi desafiador para uma das autoras, devido à insegurança em lidar com o público e também por ser colocado em xeque o conhecimento já adquirido na graduação, em razão disso, durante o processo quase houve a desistência.

Perante o prisma, o PR e o Professor de Estágio deram apoio (segurança, tranquilidade e acolhida), tal fato contribuiu para a mudança de postura, sendo proativa, e isso implicou positivamente no desenvolvimento do estágio. Acerca do cenário, Milistetd et al. (2018) salientam a importância da orientação efetiva por parte do professor orientador (universidade) e do profissional supervisor de campo; complementam ainda da necessidade de uma relação mais próxima entre a universidade e as entidades de realização do estágio.

É importante destacar que quando o estágio curricular é concretizado de forma coerente (organizado e executado) com acompanhamento dos profissionais da Instituição de Ensino Superior e das instituições públicas ou privadas (local do estágio) a experiência torna-se edificante para a formação acadêmica profissional, bem como qualificação para o mundo do trabalho (BOLHÃO, 2013)

No que se refere à participação da clientela, após o convite, a maioria respondeu sim, no entanto, é necessário apontar que houve poucas pessoas no aquecimento e o inverso com o resfriamento. O número reduzido de participantes ocorreu por causa de dois fatores: modo de deslocamento para a academia (caminhando e pedalando) e a preferência pelos aparelhos ergométricos (manutenção do hábito).

De forma a possibilitar uma compreensão ampliada do que ocorreu na intervenção, inicialmente foi descrito as informações acerca do que fora executado, fatos relevantes dos e sobre os participantes, tanto do aquecimento (tendo referência a cada quinzena) quanto do resfriamento (alongamento estático passivo); por fim, os aspectos complementares: favorável, restritivo e desgastante.

Em relação ao aquecimento, na primeira quinzena, as ações musculares tiveram concentração nos membros inferiores, mas uma sem impacto do corpo com o solo: bicicleta ergométrica e step. A orientação para o uso do aparelho foi iniciar com uma pedalada lenta e aumentar a velocidade progressivamente; logo após o participante era direcionado para o step para realizar movimentos distintos (subida, descida e saltitos com deslocamento em direções diferentes).

Diante deste mecanismo, percebeu-se sinais corporais que indicavam esforço próximo da intensidade do treino a ser executado: sudorese, respiração ofegante e pele avermelhada. Tais características ocorrem em função da elevação da taxa metabólica de repouso (1 MET – Metabolic Equivalent of Task), uma das principais finalidades do aquecimento para suprir as demandas do treino, que possui como efeitos fisiológicos: a elevação do consumo de oxigênio basal, a potenciação pós-ativação e o aumento da prontidão dos efeitos psicológicos (ACSM, 2018).

Cabe apontar que ao término do aquecimento os participantes relataram que se sentiam preparados para a sequência do treino. No entanto, é preciso indicar que apresentaram dificuldades nos movimentos de subir e descer lateralmente, bem como na sequência subir, descer e agachar.

Na segunda quinzena, houve ênfase novamente nos membros inferiores ao usar o suicídio diversificado (frontal, lateral e reversiva) com variações de velocidade e, em seguida, agachamentos (afundo, avanço, sumô e passada). Tal estratégia teve boa avaliação, sendo exemplificado na seguinte fala: “achei essa atividade fantástica, cansei bem mais rápido que se tivesse apenas fazendo 10 minutos na esteira e parece que já fiz toda atividade que teria que fazer hoje, mas me deu força para dar continuidade nos exercícios” (participante 1).

Os participantes gostaram desta possibilidade, pois saíram da rotina do que é comumente feito na academia. Contrapondo a monotonia que ocorre em consequência de a atividade ser contínua e inalterada, Fleck e Kraemer (2017) afirmam que no exercício são necessárias variações de estímulos planejados no treinamento.

Na terceira quinzena, a atenção esteve voltada para os membros superiores e inferiores, tendo em vista a execução de atividades com a corda naval e a simples. A utilização da corda naval torna viável uma variedade de possibilidades, deste modo os participantes poderiam realizar as ondulações: com os braços alternados, simultâneos (afastados e unidos), um braço com movimento vertical e o outro na horizontal, corda sem contato no solo, corda com contato no solo, sendo executado com o corpo parado e em deslocamento (frente/traz e direito/esquerdo). Já com a simples, as alterações restringem aos tipos de saltos: distância dos pés (juntos e separados), contato com o solo (unipodal e bipodal), altura do salto (baixo e alto) e ainda, parado ou em deslocamento (frente/traz e direito/esquerdo).

No que se refere à realização, os participantes sentiram dificuldades na corda naval, sobretudo com os movimentos complexos e multiarticulares, a exemplo das ondulações com deslocamentos dos membros inferiores, já com a simples não apresentaram. Quanto a opinião dos participantes, a frase a seguir resume as falas ouvidas: “essa atividade é muito boa, senti que foi um pouco difícil, cansei com muita facilidade em pouco tempo, mas foi ótimo” (participante 2).

Houve a tentativa de usar o que fora elencado, todavia, os participantes não conseguiram executar todos, tendo êxito com movimentos mais simples, sobretudo aqueles em apenas um plano de movimento (sagital, coronal ou transversal). Sobre a importância dos exercícios multiarticulares, o ACSM (2018) aponta que os mesmos, além de trabalhar o músculo alvo, estimulam os músculos sinergistas e antagonistas, valorizando o desempenho motor dos mesmos, que contribui para a maturação muscular do praticante, implicando num arcabouço músculo-articular bastante desenvolvido, sendo positivo, no que diz respeito à aptidão física.

Na quarta quinzena, o foco foi os membros inferiores: esteira ergométrica e a escada de agilidade. No aparelho, a instrução foi similar a bicicleta, devendo aumentar paulatinamente a velocidade (caminhada e depois corrida). Em relação à escada, a atividade consistia em saltitos e/ou deslocamentos associados com a coordenação motora.

Como já tinham o hábito de usar a esteira, não houve dificuldades na realização da etapa inicial do aquecimento. Em contrapartida, na parte final sim, pois não conseguiram executar alguns movimentos: deslocamento lateral, anfersen[9], skinpping[10] e saltos unipodais. Ao concluírem o aquecimento, notou-se que estavam ofegantes e cansados.

Em decorrência desta dificuldade, optou-se pela segurança e assim houve adaptações, pois “se o movimento é bem executado, respeitando as técnicas do exercício e as variáveis do treinamento, os benefícios tendem a ser potencializados e com isso o praticante poderá evoluir na modalidade” (MARIN; FERREIRA, 2019, p. 53).

De forma geral, os participantes avaliaram positivamente, no entanto tiveram dificuldades para seguir o cronograma do aquecimento quando tinha o envolvimento da coordenação motora, sendo mais evidenciado na execução da corda naval e escada de agilidade. Isto pode ter relação com as atividades realizadas dentro da academia, tanto do aquecimento, com o fato do uso contínuo dos aparelhos ergométricos (esteira, bicicleta e elíptico); quanto do treino, pois tal fase pode não estar contemplando aprendizagens motoras também.

No tocante ao resfriamento, por considerar importante conhecer os motivos da ausência desta fase, os participantes foram questionados sobre a não realização do alongamento, suas respostas direcionaram para o tempo reduzido para fazer o treinamento na academia e do desconhecimento do que/como fazer.

Diante da regularidade no alongamento, no decorrer da intervenção disseram que “sentia o corpo mais leve e que parecia que não havia feito nenhuma atividade de musculação” (participante 3) e “realizar o alongamento com ajuda de vocês é muito bom, parece que não fiz musculação” (participante 4). Tais comentários têm consonância com o apontado por Nahas (2017) ao justificar o uso do alongamento no final do treino, pela importância de poder colaborar na diminuição das dores musculares (ocorridas após atividades intensas). Sendo também necessária para que haja maior segurança e desenvolvimento na musculação (SILVA; BRANDÃO, 2013).

Por causa da percepção dos benefícios, os participantes sempre nos procuravam para a realização do alongamento, em consequência disso houve várias proposições: a participante 5 sugeriu a contratação de professor apenas para a realização do alongamento e que poderia ser a semana toda para estas atividades, por se sentir bem com o resultado.

Gostaria que o proprietário da academia contratasse professores apenas para realizar os alongamentos, em vista que apenas um professor sozinho não dá conta e que este tipo de atividade com outra pessoa realizando é diferente, pois quando faz só os resultados não é o mesmo (participante 6).

Essas atividades deveriam ser de maneira contínua, pois chegamos aqui para fazer os exercícios logo e ir embora, e a gente fazendo não é a mesma coisa quando outra pessoa faz, vocês deveriam dar prosseguimento, pois estou me sentindo melhor depois que comecei fazer essa atividade (participante 7).

No final do estágio os participantes comentaram que continuariam a utilizar o alongamento após o exercício. Isto também foi apontado no estudo de Cambuhi et al. (2014), que trata de estágio de Educação Física na academia de ginástica, uma vez que os participantes perceberam a importância da contribuição do alongamento no alívio de tensões, diminuição do estresse e uma maior disposição para a realização dos exercícios físicos.

De forma complementar, o processo intervenção foi contemplado por três aspectos: favorável, restritivo e desgastante. O primeiro trata-se ao apoio dos professores (Regente e de Estágio) mais o comprometimento dos participantes do estágio, pois isso contribuiu na melhoria de ações. Cenário similar foi indicado no estudo de Flores et al. (2019a), pois no estágio os fatores motivacionais foram o corpo profissional e participantes. Deste modo, entende-se que a acolhida dos envolvidos no processo é fundamental no processo formativo.

O segundo refere-se à quantidade pequena de pessoas que participaram do estágio, mas isso se deve, principalmente, a disponibilidade discente para fazer a intervenção, pois em tal período é comum ter poucas pessoas fazendo exercício nas academias. Neste sentido, entende-se que a ação com mais pessoas teria condições de potencializar o conhecimento e aumentar a experiência no trato com o aquecimento e resfriamento.

E o terceiro diz respeito a definição da instituição/empresa coparticipante, pois o corpo discente teve que ir pessoalmente aos diversos locais da cidade em busca de oportunidade para cumprir o componente. Um cenário também desafiador no cumprimento do componente Estágio foi encontrado no estudo de Milistetd et al. (2018), pois além da dificuldade de inserção nos locais de realização do estágio, citaram: a pouca contribuição das disciplinas oferecidas no curso para o desenvolvimento das atividades no estágio, o tempo de duração do estágio e sua disposição no currículo do curso.

Quanto a isso, destaca-se a importância da Instituição de Ensino Superior ter convênios ou parcerias com instituições/empresas, além disso, a UNEB poderia avaliar a possibilidade de ter dias e horários fixos para o cumprimento do estágio, pois ao realizar a matrícula o corpo discente já organizaria seu tempo com as demais atribuições a serem cumpridas.

Enfim, a vivência foi edificante por ter agregado na formação profissional, pois tal experiência foi valorosa por vislumbrar a oportunidade de trabalhar em academia de musculação. No mesmo sentido, Flores et al. (2019b) indicam que o estágio teve grande importância no desenvolvimento profissional, isto por causa da oportunidade em ter uma experiência valiosa no campo de trabalho.

Após a conclusão do componente, as palavras de Costa (2017) fazem sentido por terem sido presentes no estágio, tal autor menciona que através dele sanou muitas dúvidas (relacionadas com conteúdo acadêmico) e percebeu a necessidade de estudar continuamente, pois as pessoas podem e devem questionar sobre o seu trabalho.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente trabalho primou em destacar as fases que antecedem e sucedem a parte específica do exercício realizado na academia de ginástica (a musculação). Embora tenham sido tratadas como algo de pouco interesse pela clientela, os participantes do estágio entenderam a importância de cada uma, conheceram outras formas de aquecimento ativo geral e que o resfriamento (alongamento) colabora no processo do exercício.

Por meio das percepções fisiológicas somadas com as explicações discentes, a orientação do aquecimento e resfriamento contribuiu na apropriação de conhecimento para que possam ter/manter tais ações, seja na academia ou fora dela. Isto porque ambas são preponderantes, não somente nas etapas anterior e posterior do treinamento de força.

A limitação do estudo centrou-se na execução de um tipo de aquecimento (ativo geral) e uma maneira de resfriamento (alongamento estático passivo). Deste modo, sugere-se a realização de mais pesquisas, sobretudo com o aquecimento ativo específico, aquecimento passivo e outras formas de resfriamento.

Diante da relevância recomenda-se a prescrição de tipos de aquecimentos diferentes, devido a possibilidade de a clientela compreender que tal fase não se restringe aos aparelhos ergométricos, oportunizar novas aprendizagens motoras (atividades de coordenação motora), otimizar o uso dos equipamentos/acessórios e colaborar para o uso ampliado do espaço da academia. Do mesmo modo com o resfriamento, pois é necessário também que sejam idealizadas ações para que possam cumprir com a parte final do treino.

De maneira aditiva, destaca-se que a experiência com o estágio curricular contribuiu para a formação acadêmica profissional, pois houve a práxis do conteúdo e amadurecimento antes do engajamento no mundo do trabalho. Além disso, adiciona informações acadêmicas e científicas para quem trabalha ou tem interesse na área da saúde, sobretudo com exercício físico.

REFERÊNCIAS

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MARIN, P. E.; FERREIRA, L. Processo ensino-aprendizagem do treinamento resistido: pedagogia aplicada na educação não formal. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 36, n. 109, p. 47-56, 2019. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/psicoped/v36n109/06.pdf>. Acesso em: 19 fev. 2020.

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MUSSI, R. F. de F. et al. O ensino da antropometria na escola: uma proposta na Educação em Saúde. Cenas Educacionais, Caetité, v. 2, n. 1, p. 14-28. 2019a. Disponível em: <https://revistas.uneb.br/index.php/cenaseducacionais/article/view/6296/3950>. Acesso em: 19 fev. 2021.

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SIMÃO, R. Fisiologia e Prescrição de Exercícios para grupos especiais, 4 ed. São Paulo: Phorte, 2014.

APÊNDICE- REFERÊNCIA NOTA DE RODAPÉ

4. Degrau móvel que é utilizado comumente para aula de ginástica e como suporte para alguns exercícios de musculação, a exemplo do afundo.

5. Tipo de corrida curta que varia a velocidade (rápida, moderada e lenta) entre distâncias, geralmente indicadas por cones.

6. Item usado para os membros superiores realizarem movimentos ondulares, podendo ocorrer com posicionamentos corporais distintos

7. Corda pequena onde somente a própria pessoa pode pular.

8. Item portátil e flexível que é estendido no chão para a realização de movimentos com os membros inferiores, esses podem ser simples ou complexos, dependendo na coordenação exigida.

9. Educativo de corrida, consiste em correr (de forma estacionária ou com deslocamento) objetivando o contato do calcâneo com o glúteo.

10. Educativo de corrida, consiste em correr (de forma estacionária ou com deslocamento) alinhando o joelho na altura do quadril.

[1] Mestrando em Ensino, Linguagem e Sociedade (PPGELS/UNEB VI), Especialista em Atividade Física, Saúde e Sociedade (UNEB), Especialista em Educação Física Escolar (FUNORTE), Graduação em Educação Física (UNEB).

[2] Pós-graduanda em Educação Física Escolar (Unicesumar). Bacharelado em Educação Física (UNIASSELVI). Licenciatura em Educação Física (UNEB).

[3] Licenciatura em Educação Física (UNEB).

Enviado: Fevereiro, 2021.

Aprovado: Novembro, 2021.

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