A prática do atletismo em escolas públicas: introdução da modalidade “Corrida de 100 Metros” na E.E.E.F.M. Maria De Souza Pego Em Alta Floresta Do Oeste – RO

0
565
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
ARTIGO EM PDF

ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Roberto Márcio Brandão da [1], GIRETT, Nélida Palacios [2]

SILVA, Roberto Márcio Brandão da. GIRETT, Nélida Palacios. A prática do atletismo em escolas públicas: introdução da modalidade “Corrida de 100 Metros” na E.E.E.F.M. Maria De Souza Pego Em Alta Floresta Do Oeste – RO. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 08, Vol. 08, pp. 05-68. Agosto de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O correr, saltar, lançar e arremessar são elementos básicos do atletismo,
sendo fundamentais para o ser humano, devido ao favorecimento do
desenvolvimento físico e motor. Sendo um dos conteúdos principais do
desporto e da educação física escolar, foi realizado um estudo relacionado à
prática do atletismo na escola, foi feita uma pesquisa descritiva, na qual teve
um caráter transversal, sendo desenvolvida por meio de abordagem
quantitativa. O instrumento utilizado foi um questionário adaptado de, com
desenvolvimento da análise baseado na frequência e percentual, além de
análises quantitativas. O atletismo vem desenvolvendo-se com o objetivo
clássico (sobrepujar), utilizando métodos que visam ao rendimento, desprezando a criatividade, novas formas de movimento e inserção dessas no
contexto dos esportes. Este estudo caracteriza-se como descritivo, objetivando
verificar o ensino do atletismo nas aulas de Educação Física, a partir das
práticas curriculares da disciplina de educação física em escola de Ensino
Fundamental e Médio. Participaram da pesquisa alunos de uma escola
estadual do município de Alta Floresta d´Oeste-RO. Como resultado, definiram-
se categorias que traçam a realidade pedagógica da educação física na escola
e elaboraram-se meios e estratégias de reformulá-la, considerando as
concepções pedagógicas que se alicerçam a prática do atletismo em escolar
públicas. O projeto de pesquisa contou com uma intervenção além da
aplicação de questionário pré e pós a realização das intervenções. Acredita-se
que é possível desenvolver de maneira adequada projetos nas aulas de
educação física com fins de promover o desenvolvimento do atletismo
sobretudo da corrida de velocidade.
Palavras-chave: Esportes, currículo, atletismo escolar, educação física,
treinamento.

INTRODUÇÃO

Com este trabalho, procurou-se propor um estudo voltado, principalmente, para dois itens que julgados como principais: o atletismo e a técnica. Este trabalho é de grande importância para os esportistas da cidade e os praticantes de atletismo, já que se trata de uma prática, que, cada vez mais, tem alcançado novos adeptos na cidade. O que se pretende é mostrar qual a técnica correta para executar uma corrida de velocidade (100 mts) bem como pretende-se verificar, por meio de testes, o conhecimento dos praticantes sobre o esporte. Os resultados obtidos poderão servir como ferramenta para os esportistas e treinadores que visam, portanto, aperfeiçoar a sua prática.

Esta pesquisa, também, é importante pois considera o atletismo um esporte nobre e portador de grandes benefícios para o desenvolvimento das habilidades específicas exigidas por diferentes esportes. Segundo Koch (2006), em um estudo como tal é preciso apresentar as técnicas adequadas para corridas de velocidade, para as fases da corrida, para os tipos de saída assim como os pontos positivos e os erros mais frequentes que os atletas cometem neste tipo de corrida. Nesse sentido, Oliveira (2012) entende que a “a corrida de velocidade é uma corrida de curta distância realizada a velocidade máxima”. Aponta, também, que são vários os fatores que influenciam um atleta.

Para que ele seja considerado como um bom corredor, principalmente em provas curtas, é analisada a sua reação ao tiro de partida; a sua aceleração até chegar à velocidade máxima e se este consegue manter a velocidade alcançada e, dessa forma, fazer uma boa chegada. Assim, Oliveira (2012) frisa que é bastante comum que os atletas de corrida não se preocupem, em demasia, com a técnica, pois praticamente todo o seu treino se baseia, apenas, no aprimoramento da resistência e da força. Deve-se entender que a técnica não é um fundamento, mas sim uma qualidade essencial que precisa ser trabalhada juntamente com outras para que um indivíduo possa chegar ao resultado satisfatório.

Para chegar a tais resultados e apontamentos, a pesquisa analisou o contexto do município de Alta Floresta do Oeste. Ele foi escolhido pois, até o ano de 2012, não havia nenhum documento ou, ainda, algum material relacionado que dispusesse sobre a prática deste esporte ou de qualquer outro, até mesmo sobre o futebol, sendo, então, essa a relevância social do presente estudo. Nessa perspectiva, o estudo será desenvolvido a partir de algumas etapas. O capítulo I busca descrever os problemas, objetivos e justificativas para a realização desta pesquisa. O capítulo II, por sua vez, compreende o marco teórico no qual esta pesquisa se encontra embasada.

O capítulo III, por conseguinte, terá como eixo condutor discorrer sobre a pesquisa de campo realizada que resultou em resultados advindos da aplicação de um questionário diagnóstico que propôs reflexões sobre as percepções relacionadas à corrida de velocidade, aos procedimentos relacionados com esta prática e as ações interventivas. Foram, posteriormente, apresentados os resultados relacionados à essas intervenções. Comparou-se essas percepções a partir de dois testes que foram finalizados com as respostas dos questionários pós-intervenção para a comparação com o pré-diagnóstico. A pesquisa é encerra apresentando recomendações sobre o tema.

1. PROBLEMA GENÉRICO

Como a introdução das técnicas adequadas para a prática do atletismo (corrida de velocidade – 100 metros), contribui para com a melhoria da qualidade esportiva e estimula a práticas dessa modalidade do atletismo?

1.2 PERGUNTAS DE ESPECIFICAS

  • Como ocorre a prática do atletismo na E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego em Alta Floresta do Oeste-RO?
  • Qual a qualidade atual das técnicas executadas na corrida de 100 metros na população estudada?
  • Qual a capacidade técnica da corrida de velocidade (100 metros) nos indivíduos estudados?
  • Como é a técnica de execução da corrida de velocidade 100 metros da amostra estudada?

1.3 OBJETIVOS

1.3.1 OBJETIVO GERAL

Analisar como o bom manuseio das técnicas adequadas do atletismo contribuem para a prática com melhor qualidade na modalidade de 100 metros, e, assim, estimula possíveis adeptos a executar da forma adequada.

1.3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Analisar como o atletismo tem sido praticado na E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego, em Alta Floresta do Oeste-RO;
  • Refletir sobre a qualidade das técnicas do atletismo na modalidade de 100 metros a partir da população escolhida;
  • Investigar a capacidade técnica daqueles que praticam a corrida de velocidade na modalidade de 100 metros.

1.4 JUSTIFICATIVA

A prática da Educação Física, sobretudo nas escolas públicas, é vista, por muitos profissionais, como uma maneira de extravasar a energia dos alunos, sendo, em muitos casos, entendida, somente, como algo lúdico. Por certo que este pode ser um aspecto da Educação Física, entretanto reduzi-la a isto é perder a oportunidade de crescimento individual e coletivo que esta disciplina pode proporcionar. Com relação aos assuntos mais específicos, como é o caso da prática do Atletismo, percebe-se que, historicamente, é um esporte marginalizado, visto que o Brasil é associado, apenas, ao país do futebol. Assim, há certa tendência em achar que a disciplina se volta, somente, ao futebol.

A prática do atletismo apresenta certas técnicas que podem contribuir para com a melhoria do desempenho em outras atividades além de ser uma atividade esportiva que exige pouco investimento em material. A principal defesa desta pesquisa é reiterar que a prática do atletismo é tão indispensável quanto outros esportes que não o futebol. Este projeto pretende introduzir como amostra de estudo a E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego, pois ela fornece um curso de atletismo com ênfase na corrida de velocidade (100 metros). Como a corrida exige certas qualificações técnicas, este trabalho poderá contribuir para o entendimento do nível de envolvimento dos alunos e para analisar as suas capacidades técnicas, e, posteriormente, pode servir como base para difundir a prática do Atletismo em Alta Floresta do Oeste – RO.

2. HISTÓRIA DO ATLETISMO

Historicamente, o atletismo tem sido praticado desde os temos mais remotos. O termo significa combate. Em um primeiro momento, foi introduzido no cotidiano da Grécia Antiga. São apontados, pelos mais diversos estudos, como os percussores da cultura do atletismo. Deve-se reiterar que não era um esporte praticado, apenas, por homens, mulheres e crianças também eram adeptos. Esta tendência enfatiza que esta prática é bem aceita pelos mais diversos públicos, e, mais do que isso, desde os tempos mais remotos é algo natural. Preocupa-se, no entanto, apenas, com que forma ele seria exercido. Nesse contexto, o Portal São Francisco (2010), frisa que o atletismo é uma atividade física presente em todas as culturas e grupos sociais desde 1225 a. C.

A prática desta modalidade surgiu a partir de elementos rotineiros da vida humana como os atos de marchar, correr, saltar e lançar objetos. Essas habilidades, sempre, foram de extrema importância para o desempenho de qualquer atividade de caráter esportivo. Pode, inclusive, ser desempenhada individualmente, visto que pode auxiliar alunos que possuem limitações físicas, um rendimento negativo, dificuldade para socializar e para aprender, dentre outros. É uma prática interessante pois, desde a sua gênese, foi chamado de base por não apresentar grandes dificuldades para a sua assimilação e prática bem como por fazer uso das formas mais básicas do ato de se movimentar. Como apontado, é uma prática comum desde a pré-história, período em que esta prática era essencial para a sobrevivência.

O ato de caminhar, por exemplo, servia para se locomover em lugares diversos enquanto que a prática de corridas e saltos era fundamental para se defender de animais e os arremessos, por sua vez, eram necessários para se defender, e, principalmente, para matar animais, e, dessa forma, obter alimentos. Nessa perspectiva, homens e mulheres acabaram por desenvolver habilidades, que, posteriormente, foram aprimoradas e adaptadas para a prática do atletismo sobretudo em competições. A história aponta que eventos esportivos são realizados, em todo o mundo, a mais de três mil anos, sendo o atletismo a forma mais antiga de desporto organizado. Ele, na verdade, é um acoplado de diversas modalidades, visto que engloba as corridas, os saltos e os lançamentos.

O Portal São Francisco (2010) defende que o atletismo é desempenhado a muito tempo, sendo os primeiros os gregos de 776 a. C. Havia, apenas, uma prova, a de corrida em um estádio que possuía, aproximadamente, 192, 27 metros. As fontes documentais apontam que o vencedor dessa prova foi um comerciante chamado Coroebus (ou Corebo). É sabido, também, que a Grécia Antiga foi a primeira a realizar eventos esportivos e era, ainda, bastante comum a realização de corridas em diferentes distâncias. As mais curtas eram denominadas de Diallus e as mais longas, por conseguinte, eram chamadas de Doliko. Já nesse período, era comum a realização de práticas como saltos em diferentes distâncias, entretanto, não haviam os impulsos que são comuns hoje, e, também, os arremessos eram feitos de forma rústica, contando, principalmente, com as práticas de lançamento de dardos e discos.

2.1 HISTÓRIA DO ATLETISMO NO BRASIL

Em relação ao ensejo da prática do atletismo em solo brasileiro, sabe-se que os ingleses e alemães foram os principais impulsionadores da prática no Brasil. No ano de 1880, por exemplo, havia, no Rio de Janeiro, um espaço conhecido como Club Brasileiro de Cricket. Nele eram vendidas oportunidades para as corridas de rua. Sobre esses clubes, o Portal São Francisco (2010), frisa que no ano de 1888 foi criado o Athletic, que, em seu início, era permitido, apenas, para a prática da enquete, e, posteriormente, para corridas a pé e semelhantes. Em São Paulo, foram criados outros clubes como o Club Alemão (1888), a Associação Atlética Macknzies Collag (1898), o Spot Club Internacional (1899) e o Club Atlético Paulistano (1900).

Em Niterói, no Rio de Janeiro, foi criada a Rio Gricket e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, no ano de 1899, a Athletica Association. Nesta última havia várias agremiações dirigidas por alemães que se dedicavam à ginástica bem como participavam de esportes com bolas e de provas atléticas. Matthiesen (2007) aponta que em todos esses espaços, o atletismo era praticado de forma não contínua, ou seja, não se obedecia às normas dispostas pela Inglaterra para a prática do esporte. Dessa forma, no ano de 1907, editou-se a primeira obra que continha normas, regras e diretrizes oficiais para a prática de diversos esportes, inclusive o Atletismo. Três anos mais tarde essas regras já eram obedecidas por diversos clubes e colégios.

  • 1910: Registrou-se as primeiras competições de atletismo no Brasil (esse esporte estava sob responsabilidade da Confederação Brasileira de Desportos – CBD);
  • 1912: Foi criada a Internacional Amateur Federation (em português a Federação Internacional de Atletismo Amador);
  • 1914: A Confederação Brasileira de Desporto (CDB) foi filiada à Federação Internacional de Atletismo Amador (IAAF);
  • 1918: Foram realizados os primeiros eventos de atletismo. O jornal “O Estado de São Paulo” foi o responsável por organizar um campeonato com provas combinadas para os atletas. Eram cerca de 12 provas, ficou conhecida como Duodecatlo;
  • 1921: Foi realizada, no Rio de Janeiro, a disputa de uma corrida de rua denominada de “Estadinho”, uma das primeiras do país;
  • 1923: Foi fundada a Federação Paulista de Atletismo (a primeira do país), mote para que, na década de 30, mais federações fossem criadas no sul do país;
  • 1924: Primeira participação oficial do atletismo brasileiro masculino nas Olímpiadas, realizada em Paris;
  • 1929: Realizou-se o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais (primeira competição nacional). Sua última edição ocorreu em 1985;
  • 1945: Houve a primeira edição do Troféu Brasil de Atletismo. Atualmente é a principal competição nacional, e, desde 1986, premia os vencedores os denominando de Campeões Brasileiros do Atletismo;
  • 1977: Criação da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) em 02 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Seu exercício começou em 1º de janeiro de 1979. Houve a separação deste com a CBD. Em 2004 contava com 27 federações (26 estaduais e 1 do Distrito Federal);
  • 1987: A CBAt determinou que o Brasil deveria estar presente em todos os eventos internacionais, sempre com a quantidade máxima de atletas permitidos, para fazer com que o atletismo se expandisse e recebesse uma maior credibilidade internacionalmente. O Atletismo do Brasil começa, também, a se reorganizar para acompanhar o ritmo internacional, buscado, para isso, novos meios para se instalar, para captar novos recursos humanos e para melhorar a sua qualidade;
  • 1989: Foi realizado o Campeonato Mundial Feminino de 15 km em estrada no Rio de Janeiro. Tratou-se do primeiro campeonato mundial de Atletismo da América do Sul;
  • 1990: Inauguração da Vila Olímpica de Manaus. Foi equipada com uma pista e materiais olímpicos apropriados, assim o Brasil se tornou um grande palco para a realização de eventos internacionais. No mesmo ano Manaus sediou o Campeonato Ibero-Americano, fortalecendo, dessa forma, a imagem do país como organizador de eventos significativos;
  • 2001: Foi alterado o significado da sigla IAAF. De Federação Internacional Amadora passou a ser compreendido como Associação Internacional das Federações de atléticos;
  • 2006: Por fim, até 2006, quatro atletas brasileiros obtiveram oito recordes mundiais. Embora já tenham sido superados, foi um marco importante para a época: houveram cinco recordes de Adhemar Ferreira da Silva; um recorde de Nelson Prudêncio e um recorde de João Carlo de Oliveira na modalidade de salto triplo. Na maratona houve o recorde mundial de Ronaldo da Costa.

Deve ressaltar, de acordo com os dados fornecidos pelo Portal São Francisco (2010), que, hoje, o atletismo se configura a partir de grupos compostos por provas diversas sendo elas provas de pista (inclui-se todas as corridas, podendo variar entre velocidade, meio-fundo e marcha atlética); provas de campo (saltos e lançamentos, sendo que os saltos se apresentam em quatro modalidades como em distância, alto triplo, altura e salto com vara e os lançamentos nas modalidades de dardo, disco, martelo e arremesso de peso) e provas combinadas (decatlo, conhecido por propor dez provas a serem disputadas pelo sexo masculino, e o heptatlo, composto por sete provas executadas pelo sexo feminino).

2.2 O EXERCÍCIO FAZ BEM À SAÚDE?

A prática contínua de exercícios físicos, segundo a literatura, resulta em uma vida mais saudável (POWEL et al, 1996; MOTA; 1992; BORMS, 1990; CORBIN, 1987). Nessa perspectiva, muitos estudiosos têm se debruçado em entender, por meio de pesquisas diversas, que tal prática precisa ser incentivada, visto que uma ação importante defendida pela saúde pública (SALLIS; MCKENZIE, 1991; POWELL, 1988; SIMONS-MORTON et al, 1988; CASPERSEN; CHRISTENSON; POLLARD, 1986). Defende-se, principalmente, que a prática do exercício quando regulada e bem orientada, traz inúmeros benefícios à saúde como a redução do colesterol maléfico (LDL) e o aumento do colesterol benéfico (HDL), o que diminui, significativamente, o risco de desenvolvimento de distúrbios de origem cardiovascular (como a arteriosclerose, o infarto do miocárdio e a obesidade).

A prática regular de exercícios, conforme o estudo de Siscovick, Laporte, Newman (1985), atua para que haja o aumento da vascularização (que favorece a nutrição dos tecidos corporais ao mesmo tempo que combate a hipertensão); atua para que haja uma melhoria na eficiência cardíaca (fruto do aumento das cavidades do coração e da hipertrofia do miocárdio); prioriza o fortalecimento dos músculos, das articulações e dos ossos (o que diminui o risco de lesões bem como dificulta o aparecimento de males como a osteoporose); preza pelo aumento da capacidade respiratória (o que favorece as trocas gasosas) e atua para que haja a melhoria da flexibilidade assim como da força muscular (de forma, principalmente, a reduzir as dores nas costas, o risco de lesões articulares bem como otimiza a autonomia do sujeito para que este realize atividades cotidianas de maneira adaptada).

Deve-se frisar, também, que a prática regular de exercícios físicos tem sido associada a benefícios de caráter psicológico, visto que ajuda, expressivamente, na redução de fenômenos como a ansiedade e a depressão (TAYLOR; SALLIS; NEEDLE, 1985). Reduz, ainda, males como o estresse e a mudança de humor (BERGER, 1996). Todavia, a associação sem reservas entre o exercício físico e a saúde, quando em uma relação de causalidade, pode evidenciar, de acordo com Sobral (1990), um “otimismo ingênuo”, visto que o indivíduo, apenas, obtém vantagens quando praticam exercícios físicos quando executados de forma regular, e, principalmente, correta. Mediante tais fatores, a literatura aponta que diversos pesquisadores defendem que o desenvolvimento da aptidão física não está relacionado, como muitos acreditam, com uma melhoria na qualidade da saúde (MOTA, 1992; BENTO, 1991; HASKELL; MONTOVE; ORENSTEIN, 1985).

Pode-se concluir este tópico afirmando que nem todas as definições inerentes à prática do exercício físico e ao desporto podem ser interpretadas, e, sobretudo, defendidas como benéficas à saúde, sendo essa a justificativa para se discutir um tópico como este. Cita-se, como exemplo, estudos que buscam analisar que o treinamento ao qual atletas adeptos, apenas, ao desporto, e, assim, a busca frenética e frequente por um bom rendimento, praticando, anos, dessa forma, podem ser conduzidos e submetidos à sequelas irreversíveis em seu organismo (MEEUSEN; BORMS, 1992; SWARD, 1992; KUJALA; KVIST; OSTERMAN, 1986). Assim sendo, é fundamental que o exercício físico saudável seja compreendido como um meio em potencial que pode contribuir, quando praticado de forma consciente e adequada, para com a melhoria da saúde, e, consequentemente, da qualidade de vida.

2.3 APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

O movimento intitulado de da “Aptidão Física Relacionada à Saúde” (Health-Related Fitness) tem como escopo principal contribuir para com a prática correta e adequada do exercício físico. Desde meados da década de 1980, tem ganhado um espaço bastante expressivo em nações como a Grã-Bretanha, o Canadá, os Estados Unidos e a Austrália (CORBIN; FOX; WHITEHEAD, 1987). Como exemplo pode ser citada a criação de um grupo de trabalho na Grã-Bretanha (no final da década de 1980) que se ocupava em definir como a Aptidão Física voltada à saúde poderia contribuir para com o processo de formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais.

Como recomendação final, este mesmo grupo de trabalho passou a defender que o Currículo Nacional de Educação Física tivesse como objetivo principal a Aptidão Física voltada à Saúde. Dessa forma, pretendia-se que os alunos compreendessem os benefícios da prática regular do exercício físico bem como se objetivava que esses conhecessem, também, as formas pelas quais essa prática regular e saudável de exercícios físicos deveria tomar forma no cotidiano dos alunos, de acordo com o estudo de Armstrong et al (1990). Em um contexto brasileiras, os valores relacionados com a aplicação da Aptidão Física à Saúde foram idealizados e difundidos, primeiramente, por Nahas, em 1989, e, depois, por Guedes, em 1993.

Para tal aplicação, considera-se duas técnicas básicas pelas quais a aptidão física precisa se manifestar para que a qualidade da saúde almejada possa ser alcançada na prática da Educação Física. A primeira delas está relacionada com a aptidão voltada a habilidades. Objetiva auxiliar na obtenção de um melhor desempenho de acordo com as exigências da rotina daquele que pratica, considera-se, para tanto, a relação desse sujeito com o trabalho, com o desporto e com as atividades recreativas. A segunda, por sua vez, está relacionada com a saúde. Assim, preocupa-se com o aperfeiçoamento de qualidades fragilizadas ou não exploradas. Os treinos recomendados são voltados ao condicionamento aeróbico, à força e resistência e à flexibilidade.

Para Corbin (1986) e para Corbin e Fox (1986), a corrente teórica da Aptidão Física voltada à Saúde, defende a necessidade de buscar pela aptidão física em todas as fases da vida, o que reabre, automaticamente, a questão da preocupação com a melhoria da saúde individual e com a qualidade de vida da população, de forma geral. Dessa forma, é papel da Educação Física escolar fazer com que os alunos sintam prazer e gosto pela prática regular e adequada de exercícios físicos diversos bem como pelo desporto. Nesse sentido, é sua responsabilidade, ainda, conduzi-los à adoção por um estilo de vida mais saudável e ativo. Todavia, as pessoas precisam selecionar atividades que satisfaçam as suas próprias necessidades e interesses para desenvolver a aperfeiçoar a sua aptidão (CORBIN; FOX, 1986).

A literatura aponta que quanto maior o nível de aptidão alcançado pelos praticantes, maior autonomia esses terão para adotar novas práticas ou para aperfeiçoar as que já estão acostumados. É comum, também, que surjam novos objetivos e metas. Entretanto, para o alcance de tais, a corrente teórica da Aptidão Física voltada à Saúde não pode estar, apenas, associada ao desporto. Em um contexto brasileiro, a Educação Física é a única disciplina escolar a trabalhar os mesmos conteúdos desde a 5ª série do Ensino Fundamental II até a 3ª série do Ensino Médio. Essa afirmação não é errônea, pois ao se visitar escolas diversas, sejam elas públicas e/ou privadas, os conteúdos serão apontados como semelhantes pelos próprios discentes.

O incentivo à adesão a prática de exercícios físicos não é um processo tão simples porque a disciplina, salvas raras exceções, ocupam-se em ensinar, apenas, a história e as regras de determinados esportes, o que contribui para com a falta de interesse. Esportes como o Handebol, o Basquete, o Vôlei e o Futebol são os que possuem uma maior aderência e preferência pelos professores em todas as séries escolares. Nesse contexto, refletir sobre algumas questões se torna importante. Algumas delas são: Qual será o papel da educação física escolar ao priorizar esses conteúdos? Será que é apenas isso o que a educação física tem a ensinar aos alunos? Adeptos à Aptidão Física associada à Saúde entendem que não.

Todavia, para que os discentes incorporem um novo estilo de vida bem como para que tenham mais autonomia para a prática de esportes diversos, é papel dos professores apresentar um conteúdo mais diversificado. A expansão desse conteúdo, por sua vez, não significa abandonar ou negar o desporto, mas sim deve-se haver um redimensionamento de objetivos com a prática desses esportes. Para tanto, é preciso manter em mente que para que os alunos pratiquem o desporto e as atividades físicas regulares, de forma apropriada, não basta, apenas, dominar técnicas e regras. O principal objetivo é realizar tais atividades de maneira segura e eficaz, e, para isso, é preciso conceder, aos alunos, certa autonomia.

Uma estratégia eficiente é a articulação dos conteúdos básicos com áreas diversas do conhecimento tais como a psicologia, a biomecânica, a nutrição e a anatomia. É possível apresentar o próprio Atletismo como exemplo. Quando o professor propõe o ensino da corrida, para que a autonomia seja preservada, não basta que ele ensine as técnicas para a execução da corrida, ou, ainda, o seu histórico e as suas regras. É preciso ampliar o conhecimento dos alunos sobre tal prática. Nesse sentido, explorar conteúdos como a frequência cardíaca para monitorar o esforço físico do discente é uma estratégia que desperta interesse, para tanto, é preciso apresentar as formas corretas para se medi-la.

Conteúdos outros como a melhor forma para se respirar durante a execução de uma corrida; a adequação de vestimentas e calçados para a corrida; uma boa hidratação e alimentação para antes e depois de corridas de longa distância; aquecimentos recomendados; contraindicações desse esporte e a corrida voltada à aparência física, ou seja, ao emagrecimento, são questões que devem ser colocadas aos alunos para que eles tenham mais consciência sobre a prática do Atletismo que é muito além de regras e técnicas a serem aplicadas. Outra estratégia que este estudo precisa recomendar é que no espaço destino à corrida, podem ser incorporados conteúdos oriundos de outros desportos, como as técnicas usadas pela natação.

2.4 A CULPABILIZAÇÃO DA VÍTIMA

Segundo o estudo de Sparkes (1991), embora as teorias e conceitos voltados à Aptidão Física Relacionada à Saúde sejam considerados como um progresso em relação ao conteúdo ensinado, historicamente, pela disciplina de Educação Física, é um movimento que sempre tem sido repensado, e, com isso, é alvo de críticas frequentes. A mais recorrente está vinculada ao fato de que esta prática possui um caráter eminentemente individual em suas propostas, ou seja, é uma perspectiva teórica que tende a se debruçar, principalmente, na saúde individual e não coletiva, o que pode acabar por obscurecer outros determinantes e agravantes da saúde em detrimento de tais limitações.

Dessa forma, há uma certa tendência em representar o indivíduo como problemático e a mudança de estilo de vida como uma possível solução. Neste tocante, Sparkes (1989), frisa que a corrente teórica da Aptidão Física Relacionada à Saúde tende a defender a existência de uma cultura homogênea na qual todos possuem a capacidade para escolher um estilo de vida que mais tenha a ver com a sua rotina, entretanto, isso não condiz com a realidade, pois, ainda hoje, vive-se em um mundo marcado por classes sociais, e, dessa forma, nem todos possuem as mesmas condições econômicas, culturais, políticas e assimilares para adotar a um estilo de vida mais ativo, e, principalmente, saudável.

Há problemas de origem política, econômica, social, cultural, etc que impulsionam a problemática da desigualdade social, e, dessa forma, dificultam a adesão a um estilo de vida mais coerente. Outro problema que impulsiona as críticas está relacionado com a vinculação da prática assídua do exercício físico à aptidão física permanente. Dessa forma, embora seja uma variável a ser considerada, não é um fator que garante o compromisso e a responsabilidade para com uma saúde de qualidade. Em primeiro lugar, trata-se de algo que limita a saúde ao campo da aptidão física, e, também, sugere uma relação de causalidade entre a aptidão e a saúde, e, assim, cria-se o estigma de que ser fisicamente ativo é sinônimo de um sujeito saudável.

Nesse sentido, para Crawford (1977), de forma paralela ao individualismo da aptidão física, tende-se, também, a culpabilizar a vítima, pois, culturalmente, insinua-se que a saúde é garantida a todos que mudam o seu estilo de vida. Tem sido muito comum que campanhas que promovem a adesão ao exercício físico regular apontem estratégias para a modificação de hábitos cotidianos para que uma quantidade maior de pessoas sejam adeptas à tais práticas. Incentiva-se alguns hábitos de forma mais massiva como subir e descer escadas ao invés de utilizar o elevador ou escadas rolantes; andar ao invés de fazer uso de transportes motorizados bem como incentiva-se a substituição das atividades feitas com equipamentos eletrônicos por atividades manuais.

Todavia, todas as estratégias mencionadas são de caráter individual, e, assim, tendem a culpabilizar a vítima (CRAWFORD, 1977). Existem casos em que a individualização é tão extrema que acaba por camuflar problemas de origem social e econômica. Como exemplo podem ser citados os programas institucionais que visam fazer com que uma parcela expressiva da população adira aos exercícios físicos. Nesse sentido, utilizam esta prática como uma ação de promoção à saúde e à melhora da qualidade de vida (CELAFISCS, 1998, p. 22). Chegam, inclusive, a orientar pessoas idosas a “aproveitar as filas nos bancos ou correios para fortalecer os músculos do abdome (sic.) e das pernas”.

Para o Celafiscs (1998) esse tipo de ação tende a promover a ideia de que as filas de banco devem ser encaradas como um processo natural e indispensável. Todavia, este estudo defende e enfatiza que a existência de filas para a comunidade idosa é algo inaceitável em uma sociedade que se diz ser justa e igualitária. Nesse sentido, este trabalho entende que as filas nos bancos não devem existir, porém é uma realidade enfrentada por muitos. Assim, defende-se que elas devem, ao menos, serem minimizadas (ou extintas, definitivamente). É uma realidade que pode ser modificada com o aumento de postos de trabalho, entretanto, é algo que, de forma unânime, não interessa os gerentes.

Visualiza-se, então, que a limitação da aptidão às orientações de caráter individual tende a reforçar essa situação desequilibrada, e, ainda, difunde a ideia de que a prática do exercício é um fenômeno isolado dos problemas de cunho social. Nessa perspectiva, Silva (1986) propôs “dez mandamentos” para a preservação da saúde a partir da prática de atividades físicas, entretanto, também, restringe-se às orientações de caráter individual bem como traçam uma relação casual entre a atividade física e a saúde. Assim, o autor tem como objetivo alertar, orientar e encorajar os indivíduos de qualquer idade a “a se tornar fisicamente mais ativo, compreendendo a prática da atividade física como um hábito indispensável para uma vida mais sadia” (SILVA, 1986, p. 18).

Essas estratégias são consideradas como eficazes para promover a prática regular e correta do exercício físico por parte da população. Contudo, isso é popularizar, ainda que de forma não consciente, a ideologia que tende a culpabilizar a vítima. Em outro viés. Não significa, também, adotar a uma abordagem determinista, ou seja, que considera as pessoas como impotentes para lutar por uma vida de mais qualidade e que desconsidera que a alteração desequilibrada dos níveis de atividades físicas executadas pela população. Dessa forma, Crawford (1977) entende que o que precisa ser questionado é a eficácia do uso político de uma dada abordagem, centrado, sobretudo, no estilo de vida e nas mudanças de caráter individual que desconsidera as mudanças frequentes nos âmbitos social e econômico.

Especificamente sobre os docentes de Educação Física, a literatura aponta que ao aderirem às estratégias de caráter individual para o combate, principalmente, do sedentarismo, deixam de usar a disciplina para conscientizar as pessoas e acabam a descontextualizando do cotidiano, e, com isso, acabam por perpetuar o status quo. Nesse sentido, estratégias individualistas tendem a evidenciar ações concretas para a superação de uma realidade socioeconômica fragilizada. Dessa forma, podem ser consideradas como estéreis ou paliativas, sobretudo porque enquanto que alguns sujeitos podem se engajar para com a prática assídua do exercício físico, outros, devido a condições socioeconômicas, podem acabar se distanciando.

Para Johnson et al (1990), a falta de tempo é um dos principais fatores para a falta de regularidade da prática do exercício físico e é, também, um dos principais motivos para o abandono. Considerando tais elementos mais o fato de muitas pessoas possuírem condições socioeconômicas precárias, é comum que uma parcela expressiva da população tenha mais dificuldade para executar exercícios físicos diariamente (ETKIN, 1994). Por exemplo, uma pessoa que reside na periferia de um grande centro urbano, que, diariamente, acorda às 5:00h da manhã para trabalhar; enfrenta por volta de duas horas no transporte público lotado para chegar, às 8:00h, no trabalho; termina o expediente por volta das 17:00h e chega em casa por volta das 19:00h tendo que cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos.

Considerando este perfil de pessoa surgem questões a serem pensadas. Como dizer a essa pessoa que ela deve praticar exercícios, pois é importante para sua saúde? Como ela irá entender a mensagem da importância do exercício físico? Em termos estatísticos, é possível visualizar que a probabilidade dessa pessoa praticar exercícios físicos é muito menor do que a das pessoas que fazem parte da classe média e alta, visto que estão inseridas em outro contexto social, que, por sua vez, é mais abrangente. Assim sendo, a abordagem individual da falta de exercício físico tende a evocar sensações de impotência e culpa devido à falta de uma rotina saudável e ativa bem como pelo fato de serem pessoas, geralmente, sedentárias.

Nesse contexto, propor uma abordagem que considere a maior quantidade possível de determinantes sociais e econômicos deslocaria a responsabilidade individual apenas do indivíduo para a sociedade, e, assim, passaria a compreender a falta de exercício como um problema coletivo e não individual, e, dessa forma, seria mais efetivo o processo de mudança de postura. Para tanto, as campanhas eficazes devem propor ações estratégicas eficientes como a redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Tal iniciativa seria capaz de melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas, visto que haveria e modificação de hábitos e atitudes voltados aos exercícios físicos.

2.5 APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR: AMPLIANDO O ENFOQUE

A Educação Física, no contexto educacional, precisa superar as restrições em relação à abordagem da Aptidão Física Relacionada à Saúde, pois, assim, haverá uma efetiva popularização da prática assídua do exercício físico. O primeiro passo é legitimar esta prática na escola. Nesse sentido, Farinatti (1994) alude que a legitimação da Educação Física como uma disciplina curricular fundamental à formação individual do discente deve contemplar, automaticamente, processos como a definição e valorização dos seus objetos de ensino, ou seja, dos esportes diversos para que habilidades e competências dos alunos sejam desenvolvidas. Dessa forma, temáticas que envolvem o exercício, o desperto e a aptidão física são conceitos elementais.

Como evidenciado pela pesquisa, tais conceitos não podem se esgotar em si mesmos bem como não podem se limitar ao ensino dos aspectos de caráter biológico. Nesse sentido, enquanto os docentes da área da Educação Física se concentrarem, apenas, na aptidão física, aspectos voltados à esfera social, sobretudo os seus problemas, serão ignorados. Assim, para Kirk (1988, p.122), um olhar voltado, apenas, à aptidão física, pode fazer com que as atividades físicas desempenhadas na escola considerem, unicamente, o conhecimento eficaz para uma melhora na aptidão física, o que pode conduzir a uma “visão instrumental da educação física que não dá importância ou menospreza as valiosas experiências educacionais que os alunos podem ter através das atividades físicas”.

Não se deve, então, considerar a aptidão física por si só, ou seja, não é um estado de aptidão biológica às solicitações externas, mas sim um processo que representa o envolvimento do sujeito com o meio, considerando, dessa forma, ações políticas, econômicas e socioculturais para a promoção da saúde. Nessa perspectiva, Farinatti (1994, p. 46), defende que o educador ao mesmo tempo em que deve solucionar problemas relacionados à aptidão física, não deve se ater, apenas, a objetivos de curto prazo, pois, esta temática, caracterizada como didática e pedagógica, demanda “a problematização de elementos da totalidade do corpo de conhecimentos afeito à educação física”. Assim, a Educação Física não pode perder a sua característica multifatorial na esfera da saúde, visto que deve garantir a qualidade de vida.

Uma vez que se trata de uma disciplina escolar, não pode abandonar a sua responsabilidade de subsídio e encorajamento de pessoas a adotarem novos estilos de vida. Contudo, o seu papel é limitado quando não examina, criticamente, elementos de caráter social, econômico, político e ambiental. Sem tal consideração, as pessoas não terão autonomia suficiente para aderir a prática assídua de exercícios físicos. O conceito de autonomia é bastante abrangente, e, dessa forma, a associação exclusiva aos conteúdos da esfera biológica (como propõe a corrente da Aptidão Física Relacionada à Saúde), não pode garantir, aos discentes, a autonomia necessária para que esses adiram aos exercícios físicos.

Deve-se entender que o exercício, o desporto e a aptidão física não podem ser reduzidos, apenas, à fenômenos biológicos, visto que envolvem fatores diversos das esferas social, política, econômica e cultural. Assim, para a sua efetiva compreensão, todos esses fatores determinantes precisam ser analisados quando se discorre sobre a problemática da prática de exercícios físicos ou sobre esportes. É algo essencial para entender, por exemplo, o porquê da predominância de atletas negros em provas de Atletismo e de rendimento. Não se pode explicar tal prevalência se apoiando, apenas, em elementos anatômicos e fisiológicos. Deve haver uma atenção especial aos aspectos sociais e econômicos.

A abordagem multidisciplinar da disciplina pode ser melhor visualizada quando se discute sobre alunos de Ensino Médio ou das últimas séries do Ensino Fundamental II. Todavia, a Educação Física perpassa todas as fases da vida escolar. Entretanto, é preciso respeitar a capacidade com que os alunos compreendem os seus conteúdos. Nesse sentido, quando se discute sobre os aspectos fisiológicos, pode-se apresentar, aos alunos, desde as estruturas orgânicas que alteram o funcionamento do corpo quando se corre (para os alunos das séries iniciais) até conteúdos que discorrem sobre alterações do nível celular (como o aumento da atividade de enzimas oxidativas e glicolíticas) para alunos de Ensino Médio.

Conteúdos associados à educação física perpassam os mais diversos saberes. Por exemplo, a adesão à corrida para a melhoria da qualidade de vida deve ser considerada, também, a partir de um viés sociológico. Dessa forma, algumas questões se tornam relevantes: Que tipo de pessoa dispõe tempo para a prática regular de exercícios físicos? Que perfil/grupo de pessoas possuem dinheiro para frequentar academias? Que tipo de pessoa fica com sequelas a partir da prática do exercício físico? A opção por uma vida fisicamente ativa é exclusivamente individual ou há determinações sociais por trás dela? Percebe-se, com essas questões, que o viés sociológico pode revelar que o acesso à atividade física não é igualitário.

Com isso, deve-se instigar os alunos, propondo questões polemicas, a entender que a escassez de espaços públicos para a realização de exercícios, o acesso diferenciado das classes sociais ao desporto e a falta de tempo da classe trabalhadora são determinantes para que a prática regular de atividades físicas não ocorra por todos. É esta a grande missão da Educação Física: habilitar as práticas do exercício físico e do desporto ao mesmo tempo em que discute sobre os fatores biológicos, biomecânicos, sociais, políticos, econômicos e culturais que envolvem a prática. É uma disciplina que, a cada dia, contribui para com a ampliação do entendimento da relação entre exercício e saúde para que, assim, mais pessoas adotem a estilos de vida mais ativos e saudáveis, de forma a reduzir, dessa forma, o acesso desigual aos exercícios.

2.6 O ATLETISMO NO CURRÍCULO ESCOLAR

Para que a educação escolar seja revista com novas perspectivas, é importante que o aluno adquira conhecimentos para além do prático. O conhecimento histórico, por exemplo, deve fazer com que o aluno seja capaz de lhe interpretar, e, assim construir sua linguagem a partir de três contextos, isto é, no contexto comunicativo, expressivo e teórico. Kunz (1991 apud Oliveira 2006) questiona a competência comunicativa para a aprendizagem dos alunos e cita que a capacidade de se comunicar não é algo dado, mas a ser desenvolvido. De acordo com Oliveira (2006, p. 28).

A grande tarefa e transformação didática e pedagógica dentro das escolas brasileiras e aumentar sua atratividade e sua compreensão, porque fazer, como fazer, quando fazer e como melhorar esse fazer, com diferentes estímulos e diferentes formas de adquirir o conhecimento. Um atletismo voltado para os jogos e brincadeiras seguido pela compreensão dos seus movimentos.

A aceitação do atletismo por parte do aluno não deve ser algo imposto, mas visto como um processo de ampliação dos conhecimentos bem como algo que traz benefícios tanto de forma individual quanto coletiva. O processo deve ocorrer de maneira a adequá-lo à transformação da modalidade, visando os objetivos cooperativos e autônomos. Segundo Oliveira (2006, p. 8):

Queremos com isso chamar a atenção para o esporte educativo, aquele que leva o aluno à aprendizagem e aquisição de novos conhecimentos, através de trocas de experiências coletivas e individuais e respeito à cultura que o aluno traz consigo. Um esporte que solicite a presença o aluno do seu todo, no cognitivo, no físico, no social, no simbólico, no motor, de ações, de entendimento e que permita resoluções de problemas. A autonomia nasce da compreensão que o aluno possa ter sobre sua prática.

O que a autora salienta é que o atletismo pode ser visto como um elemento passível de ser aprendido sem a imposição de técnicas. Toma forma a partir de descobertas individuais, para, assim, chegar às técnicas, na forma de aquisição de novos conhecimentos, para, assim, despertar, no aluno, o gosto por uma modalidade de esporte que tenha a presença no seu todo, de forma a contribuir para com as suas habilidades físicas e mentais. A utilização de outros métodos, metodologias, conteúdos, técnicas, materiais e relacionamentos são as informações a se buscar quando se intenciona trabalhar de forma interdisciplinar.

A visão que se deve ter sobre o ensino do atletismo, no contexto escolar, deve ser diferente daquela relacionada ao treinamento desportivo, muito embora os meios utilizados para ambos sejam os mesmos. No treinamento desportivo, basicamente, utiliza-se a chamada progressão de fundamentos que são exercícios de repetição para o aperfeiçoamento da técnica e da tática. Para Oliveira (2006), na escola, a opção metodológica mais utilizada para o ensino do esporte nas aulas de Educação Física é o jogo recreativo. Adere-se a tal perspectiva, porque é importante que o atletismo se mostre como interessante, motivador e versátil bem como para indicar outros caminhos e valores aos alunos.

Levando em consideração que o atletismo pode ser jogado, brincado e reconstruído, de forma lúdica, contempla, também, o conhecimento de suas técnicas específicas. Ele pode ser estudado pela compreensão que, baseada nas teorias construtivas, propõe que é possível entender os jogos e compreender as táticas e técnicas participando da aprendizagem e gostando de jogar, dando, para isso, um maior significado, fazendo, dessa forma, uma aproximação da técnica do esporte à realidade em que os alunos vivem, respeitando, para isso, a cultura corporal e a individualidade do aluno e seu nível de habilidade, fazendo com que ele encontre prazer na realização do esporte.

Pensando o processo de tornar o atletismo atrativo para aluno, deve-se deixar de persistir na Educação Física tradicional. Para isso, é necessário trazer proposta novas de novas de jogos a partir de temas lúdicos, de forma a transformar o atletismo em prática social, e, com isso, fazer com que o aluno vivencie o perder e o ganhar, pois esta é uma característica clara dentro da modalidade. O atletismo pode ser apresentado na forma de jogos lúdicos valorizando, para isso, as suas técnicas específicas. Conforme Freire (1997 apud Oliveira 2006) na educação escolar, o jogo é uma forma de ensinar, e, dessa forma, vale transformar o jogo em um instrumento pedagógico, transformando, assim, o atletismo na forma de jogo com intuito de contribuir no desenvolvimento das atividades pedagógicas de maneira prazerosa.

Os jogos podem influenciar, significativamente, na construção do conhecimento, visto que é uma fonte de prazer e descoberta. É preciso ver o jogo como uma atividade que faz parte do cotidiano do aluno, encarado, dessa forma, como um elo com a aprendizagem, pois o jogo é uma atividade espontânea do ser humano. Assim, a proposta de jogar para aprender e não aprender para jogar compreende a não repetição de fundamentos específicos deles (OLIVEIRA, 2006, p. 38). O ensino do atletismo pode ser, também, uma forma de propor o jogo como meio de promover a aprendizagem, tornando-se, assim, um instrumento pedagógico que pode contribuir para o desenvolvimento do aluno, pois é um ótimo estimulador, e, ainda, uma fonte de prazer e descoberta.

O jogo deve ser visto dentro do ensino do atletismo como uma ótima oportunidade e possibilidade de aquisição de conhecimentos. Assim, não pode ser excludente com os menos habilidosos, deve buscar por novos talentos e o esporte, também, deve trazer benefícios em suas vidas. Para Oliveira (2006) o jogo diz respeito ao tempo empregado numa atividade que pode fortalecer e transformar as relações sociais, dependendo do contexto em que é proposto. Para isto, ele deve ser relacionado à totalidade de homem, o que implica em ouvir suas vontades, suas necessidades, suas emoções e seus sentimentos. No jogo, ao mesmo tempo em que o ser humano pode ser criativo, ele pode conhecer melhor a si próprio e ao outro.

É necessário que a prática educativa do professor de Educação Física seja, sobretudo, equilibrada e o aluno deve ser capaz, ainda, de desempenhar e estabelecer regras de acordo com o desempenho de suas habilidades, pois visa ajudar na compreensão, evidenciando, para tanto, a persistência para atingir o êxito na atividade. Dessa forma, o atletismo, no contexto escolar, tem sido apresentado a partir de dimensões lúdicas e de maneira positiva. A abordagem do atletismo no currículo escolar deve ser, para o aluno, uma oportunidade de descobrir, conhecer e brincar com diferentes formas. Deve, ainda, deixar que o comportamento motor se modifique a partir de experiências bem como precisa trabalhar com a exploração e resoluções por meio da criação e recriação, procurando, para isso, atingir a sua autonomia dentro do atletismo.

Conforme o estudo realizado por Justino e Rodrigues (2009), um dos fatores que motivam o fortalecimento do atletismo em sala de aula, é a prática contínua da pesquisa a partir de sites de federações, bibliotecas e na própria faculdade. Essa atitude favorece o conhecimento e o embasamento teórico e, quando desempenhada, atinge vidas diversas de forma negativa ou positiva a partir da proposta de trabalho desta modalidade. É importante ressaltar que o aluno terá um primeiro contato negativo com o atletismo se for ensinado de forma errada, pois será influenciado de uma maneira errada a praticar este esporte, assim como acontecerá com outros esportes que ele se propuser a trabalhar.

Para André (2004), a fundamentação acerca do desporto que o professor incluirá em sua aula é essencial, pois amplia o conhecimento e adota novidades para a solução de problemas, tendo, com isso, uma visão do que se pretende aplicar em aula. Por serem meros espectadores e conhecedores desse esporte, não podem deixar que as dificuldades lhe impeçam de alcançar o objetivo pretendido. Por meio de uma análise qualitativa, foram realizadas abordagens sobre o atletismo necessárias para que o professor provoque uma mudança nesse quadro problemático em que vive a modalidade nas escolas públicas da rede de ensino fundamental de Samambaia – DF, podendo, também, ser um reflexo do que vivem outras escolas públicas da região.

O atletismo pode ser uma prática desinteressante para os alunos, sobretudo quando o professor não trabalha a modalidade de forma prazerosa. Para que o quadro seja revertido, deve-se incluir, nesse desporto, atividades que possam evocar, nos alunos, a vontade de praticar a modalidade, revertendo, com isso, a sua maneira trabalhar. Ensinar atletismo, na escola, é um processo que gera certo desconforto, pois, os alunos, buscam, sempre, o jogar, ou seja, brincar com a bola, não querendo, dessa forma, esforçar-se para a realização de um salto, arremesso ou de uma corrida (KUNZ, 1998).

Uma maneira eficaz para que o atletismo seja uma modalidade interessante, é anão exclusão desses alunos, quando da prática da modalidade, onde cada aluno tem muito a contribuir, mesmo que eles tenham dificuldades em acompanhar o seu processo metodológico.

Para Oliveira (2006), o ato de jogar tem como escopo principal a compactação do lúdico com a educação na prática pedagógica. Com isso, haverá uma abertura para que o atletismo escolar não favoreça alguns alunos que tenham talento e exclua muitos, havendo, dessa forma, reais possibilidades na modalidade, visto que concede oportunidades a todos e proporciona benefícios expressivos em suas vidas. Todavia, fazer com que os alunos se interessem pelo esporte ainda é um processo complexo, visto que o professor precisa buscar todos os dias novas estratégias para gerar curiosidade, participação e satisfação de toda a turma em relação ao esporte aqui defendido.

De acordo com Freire (1991), o jogo, dentro da escola, orientado pelo professor, é totalmente diferente do que acontece fora da escola, pois este é realizado entre pessoas que estão na mesma faixa etária e que, também, não são orientadas por profissionais. O jogo idealizado pela escola, por sua vez, precisa fazer parte de um conteúdo curricular, precisa ser incluído em um projeto pedagógico e deve possuir objetivos educacionais como qualquer outra atividade. A partir de um brinquedo, o professor deve incentivar os alunos a desenvolver as suas habilidades motoras voltadas à prática do atletismo. Precisa, também, potencializar as habilidades de percepção, sobretudo aquelas voltadas as noções de tempo e espaço.

.

ma estratégia eficiente proposta pelo estudo de Matthiesen e Fioravanti (2008), ganhou forma a partir da pista de atletismo da UNESP de Rio Claro. Nela foi desenvolvido um projeto no qual os jovens e crianças tiveram o contato com a pista de atletismo, a partir de provas e de materiais oficiais que são utilizados, para que, assim, fosse incentivada a busca pelo conhecimento acerca deste esporte. O atletismo se caracteriza por ser uma modalidade com ampla variedade de movimentos básicos e fundamentais do ser humano, estando presente em todos dos esportes: no correr, no lançar e no saltar. Nas escolas há um predomínio do correr, seja ele apenas para o aquecimento ou como movimento já inserido em outros esportes.

Observa-se que os professores adotam a corrida como prática mais frequente para o ensino do atletismo, e, dessa forma, há pouca ênfase em outras modalidades como no salto em distância, no lançamento do martelo ou no arremesso de peso, mesmo que de forma tímida. São atividades importantes de serem ensinadas pois integram um ciclo de possibilidades necessárias para o desenvolvimento do aluno. É o que transmite o professor em relação à corrida: defendem que por não precisarem de materiais, são elementos já presentes em aula para o ensino do atletismo.

O salto em distância, o lançamento do martelo ou o arremesso de peso são modalidades em que o professor pode trabalhar por meio de materiais alternativos que podem ser conseguidos. Assim, munem os seus alunos com qualidades motoras que poderão ser utilizados em todos os desportos coletivos. De acordo com Fernandes (2003), devido às condições precárias que permeiam as escolas públicas, torna-se difícil a implantação de algumas modalidades do atletismo, principalmente a voltada ao salto com vara, visto que exige material específico e pouco acessível. Apesar das condições desfavoráveis, o professor de Educação Física, com certa habilidade e vontade, pode tornar possível algumas formas de trabalho, como, por exemplo, a passagem de barra a uma altura reduzida para que a queda ou aterrissagem seja realizada em pé.

A escola e a faculdade contrastam o que é a realidade do atletismo na atualidade. Enquanto a escola carece de estrutura e materiais necessários para a prática da modalidade, na faculdade existe toda uma logística para a aprendizagem do atletismo, pois além de suas bibliotecas, oferece, ao professor, amplo material e pistas de atletismo, muitas, também, com caixa de areia para a realização do salto. Segundo Freire (1991), apesar de seu amparo legal, até hoje a Educação Física não conseguiu se tornar significativa em uma perspectiva mais ampla da educação brasileira, ou seja, ainda não é defendida como atividades imprescindíveis à formação humana. Uma justificativa para isto é que o seu papel educacional para com a sociedade não foi, efetivamente, fixado.

A disciplina é, também, um agente secundário para outras. Assim, muitos a entendem como uma mera atividade de recreação, e, dessa forma, descarregada da essência educacional. Isso se deve ao fato de que, durante muito tempo, prendeu-se a processos históricos como o militarismo e o higienismo. Devido a tais influências, não conseguiu se desapegar dessas raízes. Atualmente, superada a ditadura e reduzida a influência militar, surge uma questão de pesquisa? Quem deve cuidar da Educação Física? É alfo importante pois ela apenas continuará a existir enquanto for, realmente, necessária à sociedade. A Educação Física precisa se concretizar, de fato, no componente curricular, voltada, dessa forma, para um ensino de qualidade, onde sociedade, governo, escola e professor estão empenhados para que esses fatores não interfiram em conteúdos fundamentais como o atletismo.

2.7 PROVAS DE VELOCIDADE

Este tópico abordará a corrida de velocidade, com uma maior atenção às corridas de 100 metros, também chamadas de “velocidade pura” (VIANA, DAMASCENO, 2012). Sobre o vencedor da corrida de 100 metros realizadas em eventos como as Olimpíadas, ou ainda, em Campeonatos Mundiais, a ele é atribuído o título de “homem mais rápido do mundo” (ROMERO, 2012). São destaques, neste tipo de prova, personalidade brasileiras como Róbson Caetano e Esmeralda de Jesus. Na esfera internacional, ícones femininos precisam ser registrados tais como Florence Griffith Joyner e Marion Jones (Estados Unidos), Christine Arron (França), Irina Privalova (Rússia), Merlete Ottey (Jamaica) e Shelly-Ann Fraser (Jamaica).

Dentre as personalidades masculinas estão Justin Galtin, Maurice Greene, Tyson Gay e Carl Lewis (Estados Unidos), Donovan Bailey (Canadá), Asafa Powell (Jamaica) e Usain Bolt (Jamaica). Há uma diferença considerável entre um atleta profissional de alto nível para uma pessoa comum. Enquanto um atleta dá 45 passadas, em média, para percorrer o percurso e cruza a linha de chegada em 36 km/h, uma pessoa comum faria a prova com 100 passadas e a uma velocidade de 22,5 km/h. A velocidade pode ser definida como: “a capacidade de realizar esforços de intensidade máxima com frequência de movimentos máximos, ou a capacidade de cobrir a maior distância dentro de um menor tempo” (PORCARI, 2012).

Outro autor define velocidade como sendo: “a capacidade física que permite realizar os movimentos no menor tempo possível ou reagir rapidamente a um sinal” (BARATA; COELHO, 2004, p. 24). Esta definição deixa claro o que é velocidade, assim, para um atleta ser caracterizado como completamente veloz, ele tem que usufruir desta qualidade em todas as fases da corrida, que é definido pelo mesmo estudo como “variantes de velocidade”, sendo elas:

– “Velocidade de reação”: o atleta recebe um estímulo, podendo ser ele, ótico, tátil ou acústico. Tem que reagir a tais estímulos o mais rápido que conseguir;

– “Velocidade cíclicos”: o atleta faz movimentos muitos velozes, porém repetitivos. No atletismo, um velocista precisa de movimentos cíclicos do começo ao fim.

– “Velocidade de força”: é a velocidade que o velocista utiliza logo na largada, e, dentro de alguns metros, ele atinge a sua velocidade máxima, não sendo capaz de aumentá-la. Para um atleta conseguir passar por estas etapas com perfeição ele deve ter muito treinamento.

Diversos fatores fazem com que seja possível a execução de uma corrida de velocidade de 100 metros. Um dos principais é a respiração. Assim, os atletas devem inspirar ao dar a largada e expirar e inspirar, novamente, quando atingirem, aproximadamente, os 50 metros, e, depois, apenas no final da corrida. Deve-se frisar que a saída é igualmente importante, e, assim, faz muita diferença, pois se um velocista gasta, em média, 18 centésimos de segundo para iniciar a sua corrida, uma pessoa comum, ou seja, um não atleta, deverá gastar, em média, 27 centésimos de segundo para que consiga reagir.

Para tudo isso, o atleta deverá passar por um treinamento especializado pois “outro tipo importante de treino para melhorar a velocidade é o treinamento de técnica de corrida, o qual consiste em vários exercícios para melhorar sua técnica e acelerações focalizando em correr rápido, porém relaxado” (COPACABANA RUNNES, 2013). Algumas pessoas não conseguem ser um grande velocista devido as suas fibras musculares que não são ideais, “essas provas exigem músculos com predominância de fibras tipo II, ideais para esforços com consumo de oxigênio” (ROMERO, 2012). Sendo assim, para um atleta ser um grande velocista, ele precisa de muito treino para aperfeiçoar suas técnicas bem como para ter fibras musculares do tipo II.

2.8 TÉCNICAS DE ATLETISMO PARA CORRIDAS DE VELOCIDADE

Esse é o tema principal da pesquisa e por meio de materiais lidos serão comparadas as técnicas utilizadas pelos atletas do município de Alta Floresta do Oeste que participaram da pesquisa. Para tanto, a comparação será feita a partir da análise de corridas curtas ou de velocidade (na modalidade de 100 metros). Em primeiro lugar, deve-se frisar que as corridas de velocidade não devem ser compreendidas como uma especialidade frenética, pois são provas de caráter técnico que se apoiam em elementos como a inteligência, o domínio, a paciência e o trabalho contínuo. Tomam forma a partir de provas mais precisas (quando comparadas aos saltos com vara ou aos arremessos de discos), e, dessa forma, cuidados minuciosos devem ser tomados em todas as fases.

Nesse sentido, para que os detalhes sejam compreendidos de forma mais efetiva, essas provas precisam ser divididas em fases, e, por isso, as particularidades de cada uma delas precisam ser estudadas e consideradas. Deve-se, então, analisar desde os pontos mais básicos (para indicar o tipo do trabalho) até os processos de caráter didático necessários para a aprendizagem e aperfeiçoamento contínuos. Possuem diversas características que, também, são chamadas de variantes de velocidade. Tais variantes precisam ser trabalhadas de forma coletiva, pois não existe um treinamento para a velocidade formalizado. Assim como o Atletismo e a Velocidade, as Técnicas do Atletismo recebem conceituações diversas.

A literatura aponta que não existe uma única técnica para um corredor de velocidade, já que a prova é dividida em fases. Assim, segundo Barata e Coelho (2004): “qualquer corrida se compõe de três partes: a partida, o percurso e a chegada à meta”. Dessa forma, os testes a serem apresentados, neste estudo, estarão concentrados, principalmente, nas fases mais frequentes que dão forma à corrida. Em uma tendência clássica, e, no entanto, tradicional, entende-se que as corridas de velocidade, sobretudo a de 100 metros rasos, configuram-se a partir de quatro fases: reação; aceleração; velocidade máxima e desaceleração (LETZELTER, 1981; SCHMOLINKI, 1982; SILVA, 1987).

Serão essas as fases a serem analisadas, de forma mais profunda, ao decorrer deste trabalho. Essas foram escolhidas, principalmente, porque permitem uma melhor observação no momento em que os testes forem interpretados a partir de uma ótica mais prática bem como para que sejam feitas comparações eficazes, visto que é a partir delas que se pode delinear as técnicas essenciais para o desempenho da corrida de velocidade. Nesse contexto, para que o atleta seja capaz de praticar, de maneira eficaz e eficiente, o Atletismo, deve, primeiramente, aprender os fundamentos teóricos das corridas de velocidade.

2.9 FASE DE REAÇÃO

Para Correia (2012), é um fenômeno que está relacionado com o tempo de reação (equivalente ao intervalo de tempo entre o tiro de partida e o momento em que os atletas saem dos blocos de partida). Uma boa reação é importante para um velocista, pois a reação ao tiro é um elemento indispensável da corrida de velocidade. A eficácia reside no encontro de uma combinação em ótimo estado de excitação bem como em uma que esteja em prontidão para desencadear uma produção máxima de força muscular no menor tempo possível (RADFORD, 1997). A fase de reação toma forma junto à técnica de saída ou partida. As saídas são divididas em três: curta ou grupada; saída média e saída longa. A seguir será possível visualizar como foram detalhados os três tipos de saídas mais usadas:

– Saída curta ou grupada: neste tipo de saída, a ponta do pé de trás é colocada na direção do calcanhar do pé que está fazendo o apoio no suporte da frente: em termo de medidas, o apoio da frente está situado a 48 cm da linha de partida e o de trás a 73cm. O quadril deve se manter elevado a um ponto superior ao nível da cabeça, ou seja, bem alto. Esse tipo de saída é conhecido como saída grupada do corpo do corredor.

– Saída média: atua como um fenômeno intermediário entre as duas modalidades (curta e longa), assim, o joelho da perna de trás é colocado na direção da ponta do pé que deve se manter no apoio anterior. Para ilustrar melhor, o suporte do apoio anterior deve ser colocado 38 cm atrás da linha de partida e o de trás a 85c m. Nesse caso, o quadril não se eleva tanto como na saída curta, visto que fica quase que em linha com a cabeça.

– Saída longa: a separação entre os suportes para o apoio dos pés no bloco de partida é maior do que nos tipos anteriores. Dessa forma, as medidas amplamente usufruídas são a de 33 cm para o apoio anterior, em relação à linha de partida, e 103 cm para o posterior. Adotou-se a distância de dois pés para a colocação do primeiro pé e de três para o segundo, para que modificações sejam feitas quando necessárias. O joelho da perna de trás, por sua vez, fica situado, mais ou menos, atrás do calcanhar do pé da frente e os quadris devem se situar em um ponto pouco abaixo do nível da cabeça. A distância entre os dois apoios, ou seja, de 70 cm, justifica o nome desse tipo de saída.

Estas são as três classificações dos tipos de saída, e, assim, um atleta que utilizar qualquer posição desta para saída estará, tecnicamente, correto, pois se utiliza a posição conhecida como “cinco apoios”. Algumas outras dicas são aconselháveis como técnicas para a saída, mas sem a classificação como uma das três saídas. Dessa forma, a maioria dos treinadores de atletas amadores passam, para os seus alunos, as técnicas sem classificá-las. Esta pesquisa as considera como corretas se o atleta que estiver sendo avaliado acertar a técnica mesmo sem saber o nome da mesma. Sobre a saída para a corrida de velocidade, sabe-se que toma forma a partir de três momentos distintos:

1. A voz de <<aos seus lugares>>, faz com que o corredor ocupe a posição nos blocos de partida: pés nos blocos, dedos nas mãos atrás e próximos da linha de partida, braços à largura dos ombros e joelho da perna recuada apoiado no solo cinco apoios;

2. Colocados na posição de cinco apoios, o corredor aguarda, em posição de imóvel, pelos comandos posteriores do árbitro, ou seja, até que este diga “prontos”. Assim que ele pronunciar tais dizeres, o atleta deverá elevar o seu quadril, e, também, joelho, que deverá estar em contato com o solo. Ao mesmo tempo, deverá projetar os ombros para um pouco à frente da linha de partida, de forma a fazer com que o peso do seu tronco seja sustentado pelos dedos das mãos.

A elevação dos quadris, por sua vez, deve variar para mais ou para menos, a depender do tipo de saída utilizado. Dessa forma, quanto maior a distância entre os apoios dos pés, maior será a elevação. Os braços, por conseguinte, devem estar, totalmente, esticados; o pescoço relaxado; a cabeça abaixada e o olhar dirigido a um ponto com cerca de 1,5 metros de distância ou entre os joelhos. Ao tomar essa posição, o atleta deverá se manter estático até que seja dado o tiro de partida, que, geralmente, é concedido quando todos os corredores se encontram em posição;

3. Ao sinal de partida (apito, voz, tiro, etc.), deve-se reagir o mais depressa possível, iniciando, assim, a corrida com algumas passadas curtas e rápidas. Esses são os três momentos distintos da saída e quando o atleta erra um desses é considerado como um erro técnico. O atleta desta modalidade não pode cometer faltas técnicas relacionadas às regras, visto que foram feitas para serem cumpridas, dessa forma, algumas dessas faltas, podem acarretar na eliminação do atleta da prova. Um corredor é excluído da prova se este, por exemplo, executar uma falsa partida após este fenômeno já ter ocorrido uma vez. Todavia, anteriormente, a desclassificação ocorria quando o mesmo atleta provocava duas falsas partidas, hoje, por sua vez, um atleta é expulso se este comete uma falsa partida após outro atleta (ou ele mesmo) já ter cometido uma falsa partida anteriormente.

A questão do bloco de partida é, também, levada muito em conta em uma corrida de velocidade. É obrigatória, em corridas de velocidade, a saída em blocos de apoio ou em blocos de partida, conforme o previsto pela regra 162, em seu Art. 4° “…em todas as corridas até e inclusive os 400 metros (incluindo a primeira volta dos 4×200 e 4×400), é obrigatório a saída de uma posição agachada e o uso de blocos de partida” (Regras Oficiais de Atletismo, 2004-2005, p. 105). Os blocos de partida além de serem obrigatórios podem ajudar no desenvolvimento dos atletas. Dessa forma, “nas “partidas das provas oficiais de velocidade utiliza-se blocos. Estes proporcionam um melhor apoio dos pés, permitindo um arranque mais rápido, isto é, uma maior velocidade inicial” (Barata; Coelho, 2004, p. 66).

2.9.1 FASE DE ACELERAÇÃO

A fase de aceleração pode ser considerada como uma das mais importantes dentro de uma corrida de 100 metros, visto que é, nesta fase, que a maioria das corridas são decididas bem como é a fase em que os atletas de alto nível se destacam. Destarte, para que haja o aperfeiçoamento da habilidade de aceleração, os grupos musculares precisam ser acionados e exigidos até o seu nível máximo. Como a corrida de aceleração começa rapidamente, o corredor acaba, por vezes, perdendo o contato com os blocos de partida que terminam quando o corredor alcança a velocidade máxima. Nessa fase, alguns atletas aumentam, de forma expressiva, a sua velocidade nos 10 minutos iniciais. Entretanto, o atleta pode aumentar, bruscamente, a velocidade de 0 a 5 m/s”. Essa grande aceleração pode ser decisiva no final da corrida.

Essa é a fase mais demorada de uma corrida de velocidade, cujo atleta mostra toda a sua capacidade física, e, se realmente estiver bem, tecnicamente, poderá obter um grande resultado. Nessa fase, também, existe uma técnica a ser desenvolvida: o movimento correto dos braços poderá ajudar. Mantenha-os soltos, e, principalmente, descontraídos. Braços e antebraços deverão formar um ângulo de 90º (graus). Movimente-os no plano anteroposterior. Os cotovelos deverão passar próximos do corpo em movimentos para frente. Evite que a sua mão não ultrapasse a linha dos olhos. Essa é a fase de desenvolvimento da corrida cujo atleta, em um primeiro momento, procura chegar a sua velocidade máxima para, depois, procurar mantê-la. É considerada como essencial e decisiva para um vencedor:

Nesse contexto, é válido discorrer sobre o fenômeno conhecido como Velocidade de Reação. Ela equivale a, aproximadamente, 3,3% do total da corrida, enquanto que processos como a aceleração e a velocidade máxima correspondem a 86,6% e, por fim, a resistência da velocidade a 10%. Percebe-se, a partir desses dados, que a aceleração e a velocidade máxima são fatores decisivos que precisam ser evidenciados no treinamento contínuo desses atletas. Para um bom desenvolvimento, sobretudo em provas de velocidade, a velocidade e a resistência são processos, frequentemente, exigidos, para que o atleta possa manter a sua velocidade máxima por um período de tempo mais significativo, ou seja, mais longo.

2.9.2 VELOCIDADE MÁXIMA

A velocidade máxima é um fenômeno que recebe uma atenção especial nos treinamentos. Assim, é um processo que precisa ser executado de forma gradual, durante um ciclo anual de treinamentos. Deve ser colocada em prática após um período de condicionamento físico, visto que as capacidades condicionais precisam ser aprimoradas. A fase de velocidade máxima, por sua vez, pode ser compreendida como o ato de após correr de 50 a 60 metros, o atleta deverá atingir a velocidade máxima e se manter nela pelos próximos 20 ou 30 metros. Esta é a fase que o atleta da corrida de 100 metros já correu mais da metade da prova. Assim, ao atingir a velocidade máxima ele tentará correr mantendo esta pelo maior tempo possível, para fazer a diferença no final da corrida. Esta postura de conseguir manter uma velocidade por uma distância considerável é conseguida com muito treinamento e dedicação.

2.9.3 MANUTENÇÃO DE VELOCIDADE MÁXIMA OU RESISTÊNCIA A VELOCIDADE MÁXIMA

O incentivo à competitividade é um dos principais determinantes que motivam os atletas a possuírem uma maior resistência na manutenção da velocidade máxima. Todavia, é preciso aludir que o corredor não consegue manter essa velocidade durante toda a execução da corrida. Um dos principais motivos para isso é a redução do desempenho em detrimento da fadiga do sistema nervoso, visto que precisa dar conta de uma frequência alta de estímulos.

Esta é a última fase da corrida de velocidade antes da chegada à meta, cuja maioria dos atletas não consegue manter a velocidade e, em muitas das vezes, esse empecilho acaba influenciando no resultado final da corrida. Ao terminar esta fase, o atleta faz a chegada. Existem formas mais utilizadas e corretas de realizar esta técnica. A chegada é a parte final de uma corrida de velocidade ou de qualquer outra corrida. A chegada pode se configurar de formas diferentes:

  • Normal (passada normal pela linha de chegada);
  • Com projeção do ombro para frente (projeta-se um dos ombros, pode provocar desequilíbrio);
  • Com projeção do tronco para frente (a mais usada).

A maioria das publicações informa que a maneira mais tecnicamente correta de realizar a chegada é a partir da projeção do tronco para frente. Dessa forma, ao chegar à meta, o corredor deve inclina-lo para a frente, procurando ultrapassá-la com o peito, de forma a não diminuir a velocidade da corrida. Também, em algumas ocasiões, há dificuldades de se conhecer o vencedor, devido ao fato de os atletas chegarem muito juntos. Para isso, os árbitros usarão o critério que define um vencedor como foi publicado: no caso de uma chegada embolada, os juízes irão observar a posição dos ombros ou do torso do atleta para determinar o vencedor. Pernas e braços não são levados em conta.

2.10 DEFINIÇÃO DE ATLETISMO

A modalidade esportiva atletismo sempre é definida de forma muito parecida pelos diversos autores que publicam estudos voltados ao tema. Uma delas entende que ser atleta, ou praticante do atletismo, significa, portanto, caminhar, correr, saltar e arremessar”. Em uma perspectiva mais moderna, o Atletismo, usualmente, é definido como um esporte composto por provas de pista, de campo (corridas rasas, corridas com barreiras ou com obstáculos, saltos, arremessos, lançamentos) e provas combinadas (como o Decatlo e Heptatlo). Há, ainda, as corridas de rua (que contemplam distâncias diversas, como a maratona e corridas de montanha); as provas de cross country (corridas no campo com obstáculos naturais ou artificiais) e há, por fim, a marcha atlética.

Para Barata e Coelho (2004), tal conceituação embora abranja todas as provas de modalidades diversas do Atletismo, não define a tipologia dessas provas, sobretudo a classificação das corridas, os tipos de saltos e semelhantes. Os autores entendem, ainda, que se trata de uma “modalidade desportiva constituída por várias especialidades, distribuídas pelas corridas, saltos e lançamentos” (p.57). Assim sendo, o Atletismo pode ser definido como uma das modalidades esportivas mais antigas, até mesmo pelo fato de as pessoas praticarem sem perceber. Em seu ensejo era, frequentemente, definido como o simples ato de caminhar, correr e arremessar. Tratava-se, também, de uma prática que as pessoas faziam por uma questão de sobrevivência. As primeiras práticas desse desporto foram organizadas por Hércules, a.C.

Outra definição que comprova a veracidade da antiguidade desta modalidade e também o seu significado é a de Romero (2012). Em sua reflexão compreende que o atletismo é uma das modalidades de desporto mais antigas, assim, historicamente, simboliza as competições de caráter poliesportivo, como as próprias Olimpíadas e os Jogos Pan-Americanos. As principais provas de pistas, ao decorrer dos anos, foram definidas como: provas de corridas rasas: 100m, 200m, 400m, 800m, 1.000m, 1.500m, 1milha, 2.000m, 3.000m, 5.000, 10.000, 20.000m, 25.000m, 30.000m, tanto no masculino quanto no feminino.

Prosseguindo, há as corridas com barreiras: 110m e 400m no masculino e 100m e 400m no feminino, seguidas pelas corridas com obstáculos: 3.000m no masculino e no feminino. Há, por fim, a de Revezamentos: 4x100m, 4x200m, 4x400m, 4x800m, 4×1.500m no masculino e no feminino. Dessa forma, o Atletismo pode ser definido como um compilado de provas com distâncias estabelecidas, para serem disputadas em pistas, ruas e campos (cross country, com provas combinadas), podendo aderir, também, às provas de campo (saltos, arremessos e lançamentos). O atletismo, em alguns países, é muito valorizado; tem investimento; os atletas podem se dedicar, exclusivamente, ao esporte; a imprensa cobre os principais eventos; o atleta tem um acompanhamento adequado e há várias competições e uma organização eficiente.

O mesmo não acontece no Brasil, pois uma pequena minoria encontra facilidade, mas isso depois de lutar muito. Dessa forma, a maioria dos atletas passa a carreira toda lutando muito e nem sempre conseguem ser valorizados. Nesse contexto, o Atletismo, no Brasil, possui pouca popularidade na nação, e, assim, tem enfrentado obstáculos diversos para que possa contar com uma equipe de qualidade para competir na esfera internacional. Outros desafios a serem superados são a falta de pistas e/ou campos adequados (sobretudo no interior dos estados); a falta de especialização dos técnicos e treinadores; o regime imposto ao atleta e a falta de condições para se dedicar, à modalidade, em tempo integral.

Prosseguindo, outras dificuldades tomam forma como a falta de orientação das universidades (sendo que nascem campeões nelas); o apoio reduzido dos órgãos oficiais; a falta de patrocínio; a cobertura tímida da imprensa, visto que se dedicam, mais, a cobertura de eventos de futebol; a própria estrutura social e econômica do país (que impossibilita a boa formação de atletas) e a falta de interesse pelo esporte. Dessa forma, para que o esporte se expanda, no Brasil, é preciso que haja incentivo de diferentes formas para que ele seja mais acessível e popular.

2.11 O ATLETISMO NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR

Para o estudo de Pinto (1992), é responsabilidade do ambiente escolar, em um primeiro momento, aderir ao que se chama de pré-atletismo. Em uma primeira fase deve se fazer uso de movimentos gestuais básicos, para, posteriormente, mantê-los e torna-los mais avançados para que sejam aplicados em tarefas que exigem uma maior codificação dos movimentos gestuais motores básicos. Esses, por sua vez, devem ser aproximados daqueles desempenhados pelo Atletismo para que seja despertado o interesse na criança pelo esporte. Todavia, Bragada (2000) elucida que a maioria das escolas, sobretudo da rede pública, não possuem espaços apropriados para a prática do Atletismo.

Bragada (2000) entende que as modalidades com maior prestígio, de forma geral, são coletivas e seu principal material de execução é a bola. Como o Atletismo não faz uso de bolas, talvez esse seja um dos motivos para que o interesse dos alunos não seja despertado (ORO, 1984). Por exemplo, se o professor responsável pergunta, aos seus alunos, o que esses acham do Atletismo, muitos deles o apontarão como “sem graça” tanto para se praticar quanto para assistir, visto que é um esporte que se apoia em habilidades básicas como no ato de correr, saltar e arremessar. Entretanto, tais competências, estão presentes em quase todos os esportes, visto que são básicas.

Para Mezzaroba et al (2006) o ato motor natural está ligado a uma função da natureza humana, e, por isso, os movimentos do Atletismo não podem ser encarados como entediantes. Contudo, o que pode taxa-los dessa forma é a sua sistematização didática, e, consequentemente, a sua interpretação. Nesse sentido, Oro (1984) frisa, em seu estudo, que a iniciação ao Atletismo deve fazer parte da primeira fase do ensino-aprendizagem de modalidades esportivas que envolvem o ato de caminhar, correr, lançar e arremessar. Habilidades essas que dão forma ao Atletismo convencional. Assim, para Bragada (2000), essa modalidade deve ser capaz de evidenciar experiências iniciais fundamentais para o aprimoramento de habilidades motoras em jovens e crianças.

Dessa forma, atualmente, devido à vasta quantidade de esportes ofertados pela disciplina de Educação Física contribui para que haja um grau de dificuldade elevado no processo de aprimoramento das técnicas abordadas. Nesse sentido, os professores da disciplina, em sua prática diária, podem enfrentar desafios para trabalhar com processos que envolvam, de alguma forma, a repetição de habilidades a serem desenvolvidas nas aulas. Isso, por sua vez, revela a necessidade da elaboração e execução de ajustes para que haja um melhor aproveitamento do discente. Para Bragada (2000), o Atletismo lecionado no ambiente escolar é elementar para o aperfeiçoamento de outras modalidades esportivas.

Por exemplo, o ato de correr é indispensável para quase todas as modalidades que necessitam de locomoção bem como o ato de lançar, frequentemente, é confundido com um passe ou arremesso do Handebol. Por conseguinte, a relação da corrida/impulsão com o salto em altura responde quase que aos mesmos comandos de preparação de ataque no Voleibol. Assim, a escola, para Lima et al (2004), não deve entender o Atletismo, apenas, como um esporte voltado ao rendimento bem como as atividades desse esporte não devem ser elaboradas de forma isolada da realidade social, e, principalmente, dos valores de caráter individual e coletivo defendidos pelos alunos.

O Coletivo de Autores (1992) assim como o estudo de Koch (1984), defendem que jogos que se originam da prática do Atletismo devem ser capazes de promover o reconhecimento individual bem como as próprias possibilidades de ação. Para tanto, principalmente quando se objetiva alcançar resultados positivos com o ensino do Atletismo, este precisa ser adaptado ao número de alunos, aos materiais disponíveis assim como é o seu papel oferecer oportunidades concretas para que o esporte seja experienciado e executado por esses discentes. Dessa forma, o Atletismo deve ser trabalhado nas aulas de Educação Física, porém, deve-se respeitar as diferentes faixas etárias quando for ensinado.

3. DESENHO METODOLÓGICO

Neste capitulo será apresentado a metodologia empregada para realizar a investigação proposta. Será apresentado a fundamentação do desenho metodológico utilizado.

Esta pesquisa é de caráter quantitativo pois vai investigar como acontece a aplicação dos métodos e técnicas na pratica do atletismo, com ênfase na corrida de 100 metros. A pesquisa ira realizar uma intervenção sendo analisados dados pré e pós intervenção em uma unidade escolar no município de Alta Floresta do Oeste. Serão considerados como elementos investigativos: observação participativa que norteará a pesquisa, entrevistas, aplicação de questionários e demonstração prática.

Serão analisados dados quantificáveis coletados através de questionário objetivos, dos questionários de observação; Os dados serão descrito de maneira simples e comparados com os da pesquisa pré intervenção. Haverá intervenção, tendo como objetivo coletar os dados antes de depois, quantifica-los e analisados, portanto esta pesquisa é experimental.

3.1 ÁREA DE ESTUDO

Instituições: 01 Escola Municipal do Ensino Fundamental, turnos matutino e vespertino, localizada na zona rural do município de Alta Floresta do Oeste, no estado de Rondônia.

3.2 UNIVERSO

O trabalho de pesquisa foi desenvolvido em 01 instituição do Ensino Fundamental da Educação Básica no município de Alta Floresta do Oeste, no estado de Rondônia. Considerou-se:

  • 02 Gestores
  • 03 Coordenadores Pedagógicos
  • 20 professores
  • 150 Alunos

3.3 AMOSTRA

Como amostra foram utilizado 12 alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego.

3.4 UNIDADE DE ANALISE

Gestores, Coordenadores Pedagógicos, professores e alunos de 01 escola municipal do município de Alta Floresta do Oeste em Rondônia.

3.5 UNIDADE DE AMOSTRAGEM

Foram investigados 12 alunos do 1º aluno do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego.

3.6 MÉTODOS, TÉCNICAS OU ESTRATÉGIAS DE COLETA DE DADOS

Esta pesquisa se norteia por meio da investigação bibliográfica. Buscou-se analisar o desenvolvimento da prática do atletismo em escolas públicas. Foram aplicados questionários teóricos para a elaboração de análises com o intuito de interpretar o conhecimento acerca das técnicas da amostra a serem estudadas. Como tática de comprovação que a introdução do atletismo é possível, foram aplicados conceitos teóricos do atletismo voltados à modalidade da corrida de velocidade (corrida de 100 metros) na amostra investigada. Após a intervenção, foram aplicados os mesmos questionários teóricos para novas análises das condições técnicas da amostra, com o intuito de verificar se ocorreram evoluções nos entendimentos dos conceitos e na aplicação das técnicas para a prática de corrida de velocidade (100 metros).

3.7 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

  • Pesquisa bibliográfica para o marco teórico
  • Formulários de questionários
  • Entrevistas fechadas e abertas
  • Observação com registro em fichas

3.8 PROCEDIMENTOS

Os passos desenvolvidos durante o processo da investigação são:

  • Elaboração dos instrumentos;
  • Solicitação de permissão para a realização da investigação na instituição educativa;
  • Entrevistas com os alunos;
  • Aplicação de questionários pré;
  • Observação e registros dos usos de métodos e técnicas antes da intervenção;
  • Obter Registro da observação do participante após a intervenção.
  • Apresentação do resultado de investigação;

3.9 PLANO DE ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS

Esta pesquisa foi realizada a partir de análises e interpretações do trabalho. Os resultados foram obtidos por meio da elaboração de instrumentos, da solicitação de permissão para a realização da investigação na instituição educativa, da aplicação de questionários, do registro da observação do participante, do registro dos resultados das atividades aplicadas e da apresentação do resultado de investigação. A partir desses procedimentos buscou-se compreender o contexto da problemática deste trabalho. Todas as informações coletadas foram analisadas de forma descritiva e os dados quantitativos foram apresentados a partir de gráficos estatísticos. Ambos os tipos de informações foram analisados para se chegar a uma conclusão.

3.10 CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Foi realizada uma investigação compreensiva, procurando tornar o resultado proveitoso para a comunidade inserida no processo e por motivo de ética não serão divulgados os nomes das pessoas investigadas no processo de desenvolvimento do projeto de tese para que transtornos sejam evitados.

4. RESULTADOS DAS ANÁLISES E INTERPRETAÇÕES

Foram escolhidos 12 alunos, seno 09 do sexo masculino e 03 do sexo feminino com idade entre 14 a 17 anos, ambos alunos do 1º Ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego, no município de Alto Floresta do Oeste, local onde foram realizados os testes. As técnicas de coleta de dados partiram de observações, imagens, questionários e relatórios. Para esta pesquisa, foram encontradas e utilizadas fontes que discorreram, com clareza, sobre o tema pesquisado. Os sujeitos desta pesquisa se trataram de alunos que residem no município de Alta Floresta do Oeste, local onde essa pesquisa tomou forma.

Os pesquisados passaram por dois testes teóricos, sendo um pré (diagnóstico) realizado a partir de perguntas abertas e fechadas e um pós-diagnóstico com as mesmas perguntas do questionário pré. Foram, ainda, realizados dois testes práticos, sendo o primeiro um diagnóstico e o segundo após as intervenções. Na observação prática dos atletas, apresentaram-se apenas um por vez, para que não houvesse a possibilidade dos outros tentarem reproduzir os movimentos que julgaram corretos, havendo, assim, um intervalo de, no mínimo, 3 minutos de apresentação de um atleta para outro.

O registro de imagens foi feito, por sua vez, a partir de observações, fotos e filmagens recolhidas, portanto, durante o teste teórico e prático. As imagens servirão de subsídio para a identificação dos erros e acertos de cada um. As observações, entretanto, foram realizadas a todo o momento e, junto com as imagens, serviram para ser comparadas com a técnica correta, segundo citado por alguns especialistas no assunto e ajudarão, também, na elaboração do relatório.

4.1 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO DIAGNÓSTICO (PRÉ)

O questionário diagnóstico (pré) contém sete questões, sendo quatro questões abertas (1, 4, 5 e 6) e três questões fechadas (2, 3, e 7). O questionário foi aplicado em sala, no horário de aula de Educação Física, após uma breve explicação dos objetivos da pesquisa. A primeira questão tem como objetivo verificar o conhecimento dos alunos acerca das modalidades do atletismo. Para esta questão, não foi considerado certo ou errado apenas o número de modalidades citadas. Abaixo será apresentado um gráfico com o índice de modalidades do atletismo citadas pelos alunos.

Gráfico 01: Índice de modalidade do atletismo citada pelos alunos do 1º ano do Ensino n da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pré

Fonte: Autor.

Em um total de 12 alunos, 66% (08) dos alunos declaram que não conhecem nenhuma modalidade do atletismo; 16,67% (02) dos alunos apresentam uma modalidade; 8,33% (01) dos alunos apresentaram duas modalidades do atletismo, e 8,33% (01) dos alunos apresentaram três modalidades de atletismo. Este índice tão baixo, justifica-se por não ter havido, ainda, nenhuma introdução do atletismo nesta escola. O comum é o desenvolvimento de atividades esportivas de grupos como é o caso do futebol. A segunda pergunta do questionário diagnóstico (pré) tem como objetivo verificar se os alunos enquadram a corrida de 100 metros como uma modalidade do atletismo. Por ser uma questão fechada, foram apresentadas, apenas, duas opões: o “sim” e o “não”. A seguir será apresentado um gráfico com o resultado para a questão.

Gráfico 02: Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pré para a pergunta “A corrida de 100 metros é uma modalidade do atletismo?

Fonte: Autor.

75% (09) dos alunos declararam que a corrida de 100 metros não é uma modalidade do atletismo, enquanto que, apenas, 25% (03) dos alunos declararam que a corrida de 100 metros é uma modalidade do atletismo. Mesmo não sendo comum a prática do atletismo, nesta unidade escolar, esta modalidade esportiva é bem explorada pela mídia, sobretudo as corridas de longa distância, como é o caso de maratonas, entretanto, o que ocorre, é que a modalidade de 100 metros, normalmente, só aparece, na mídia, em períodos de Olimpíadas, assim, os alunos, de maneira geral, associam o Atletismo à maratonas.

A questão de número três tem como meta verificar se alguns alunos já praticaram atividades dentro de algumas das modalidades do Atletismo. Por ser uma pergunta fechada, foram apresentadas, aos alunos, duas opções, sendo a primeira “sim” e a segunda “não”. Essa pergunta não tem objetivo de verificar quais as modalidades do Atletismo os alunos praticaram, quer-se saber se já praticaram. No gráfico a seguir será apresentado o índice de respostas dos alunos.

Gráfico 03: Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pré para a pergunta “Você já participou de alguma atividade dentro da modalidade do atletismo?

Fonte: Autor.

91,67% (11) dos alunos declaram que “não” participaram de alguma atividade dentro das modalidades do atletismo, e, apenas, 8,33% (01) dos alunos declarou que já participou de alguma atividade dentro das modalidades do atletismo. A quarta questão é um complemento da questão de número três, e, assim, tem como objetivo, para os alunos que responderam sim na questão anterior, verificar a quanto tempo pratica atletismo e quais são as modalidades. Como a pergunta de número três identificou, apenas, um aluno com resposta positiva, era de se esperar que apenas este aluno respondesse a esta questão, assim sendo, onze alunos apresentaram a questão sem resposta e um aluno declarou que não pratica o Atletismo, pois, apenas, participou de uma corrida de 1000 metros uma vez.

Assim, pode-se entender que entre os 12 alunos investigados, nenhum é praticante de qualquer modalidade do atletismo. Identificou-se que o único praticante, participou, uma vez, de uma corrida de 1.000 metros. Enfatizou, em sua resposta, que participou da competição sem qualquer tipo de preparo ou treino antecipado, o que não o faz um praticante do atletismo. Na questão de número cinco, os alunos foram questionados sobre os motivos que o levaram a prática do atletismo, assim, como nenhum aluno prática atletismo, todas as respostas foram apresentadas em branco. Na questão de número seis, os alunos foram questionados se “estão satisfeitos com os resultados obtidos” dentro das atividades praticadas no atletismo, novamente, esta pergunta foi apresentada em branco, pois dentro os doze alunos pesquisados não existem praticantes de atletismo.

As perguntas de número quatro, cinco e seis, em detrimento do fato de os alunos não serem praticantes assíduos do atletismo, não serão apresentadas em gráfico dado o grau de facilidade de entendimento bem como de interpretação das respostas fornecidas. Assim, cabe discorrer sobre a última questão, teve-se como objetivo verificar se os alunos conhecem alguma técnica relacionada à corrida de 100 metros. Esta questão foi apresentada como uma pergunta fechada, assim, foram apresentadas, aos alunos, duas respostas possíveis, sendo elas “sim” e “não”. A seguir será exposto um gráfico com os índices das respostas apresentadas pelos alunos.

Gráfico 04: Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pré para a pergunta “Você conhece as técnicas da corrida de 100 metros?

Fonte: Autor.

100% (12) dos alunos declararam que não conhecem as técnicas relacionadas à corrida de 100 metros. Esse resultado era esperado, uma vez que não existem, entre os alunos pesquisados, algum praticante recorrente da corrida de 100 metros ou de qualquer outra modalidade do atletismo.

4.2 ANÁLISE DA PRÁTICA DAS TÉCNICAS DA CORRIDA DE 100 METROS

Foi realizada, com os alunos, de maneira individual, uma análise diagnóstica sobre a prática da corrida de 100 metros. Foi observada a postura e cronometrado o tempo em cada uma das etapas. Com relação a postura, todos os alunos a apresentaram de maneira errada. Levando em consideração que o teste foi realizado sem nenhuma intervenção técnica, esse era um resultado esperado. Abaixo será apresentada uma tabela com os índices de tempo para a demonstração prática da corrida de 100 metros:

Tabela 01: Tempo apresentado pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego em teste diagnóstico prático de corrida de 100 metros

Primeira fase

(4m)

Segunda fase

(4 a 60 metros)

Finalização

(60 a 100 metros)

Tempo total
01 1,40s 10,47s 15,74s 27,61s
02 1,80s 10,70s 20,86s 33,36s
03 1,30s 10,74s 13,47s 25,51s
04 1,80s 7,54s 27,90s 37,24s
05 1,70s 16,28s 18,29s 36,27s
06 1,46s 18,42s 19,10s 38,98s
07 1,47s 10,44s 18,63s 30,54s
08 2,85s 10,33s 20,39s 33,57s
09 2,15s 15,18s 20,81s 38,14s
10 1,88s 8,36s 14,69s 24,93s
11 1,90s 10,16s 17,63s 29,69s
12 1,43s 8,50s 14,35s 24,28s

Fonte: Autor.

Levando em consideração que os alunos não praticam essa modalidade esportiva, mas praticam outras modalidades, o nível de desempenho foi considerado bom. Os destaques, para a primeira fase da corrida, ficaram com os números 03 com 1,30 s para percorrer 4 metros e o 01 com 1,40 s para percorrer 4 metros. Vale a pena ressaltar que, a primeira etapa, além da velocidade para percorrer os 4 metros, consistiu no tempo de reação ao comando. Na segunda parte da corrida, os destaques ficaram com os números 04 com 7,54 s e o 10 com 8,36 s. Foi interessante observar que esses alunos não foram os mais rápidos na primeira etapa.

Na finalização, os destaques ficaram os números 03 com 13,47 s e 12 com 14,35 s. O aluno de número 03 foi o destaque na primeira fase da corrida. No tempo total, os destaques ficaram com o número 10, que percorreu os 100 metros em 24,93 s e com o número 12, que percorreu os 100 metros em 24,28 s. Esses mesmos alunos haviam se destacado em outros trechos da prova. O aluno de número 03, por exemplo, destacou-se em dois trechos (primeira fase e finalização), e, assim, obteve um tempo geral de 25,51, sendo o terceiro colocado no índice geral. Os alunos de número 02, 04 e 07 são do sexo feminino.

A aluna de número 02 atingiu um tempo total de 33,36 s; a aluna de número 04 percorreu os 100 metros em 37,24s e a aluna de número 07 realizou a prova com o tempo total de 30,54 s, sendo, dessa forma, a mais rápida entre as três. Vale ressaltar que, na classificação geral, a aluna 02 ficou na 7º posição, a aluna de número 04 atingiu a 10º colocação e a aluna de número 07 ficou na 6º posição. Os alunos de número 06 e 09 foram os últimos colocados. Quando se compara o tempo gasto para percorrer cada metro, percebe-se que, a maioria dos alunos, percorreram os primeiros 4 metros com um média de 0,44 s por metro. Na segunda etapa de 56 metros, entre 4 e 60 metros, a média de velocidade foi de 0,20s por metro percorrido, sendo a menor média de 0,13s por metro e a maior de 0,33s por metro.

Na fase final de 60 a 100 metros, devido, principalmente, a falta de resistência por todos os que participaram, a média geral foi de 0,46s por metro percorrido, sendo a média maior de 0,70s por metro e a menor de 0,34s por metro. O primeiro colocado, na classificação geral, por sua vez, apresentou parciais de 0,36s por metro na primeira fase, 0,15s por metro na segunda fase e 0,36s por metros na última etapa. De maneira geral, a pesquisa pôde revelar que, de forma geral, os alunos possuem dificuldades expressivas, sobretudo, na largada. Assim, embora acelerem, na segunda fase, por falta de resistência reduzem a velocidade na fase final.

4.3 ANÁLISE DA PRÁTICA DAS TÉCNICAS DA CORRIDA DE 100 METROS APÓS AS INTERVENÇÕES

Foram realizadas aulas expositivas com conteúdos diversos para a demonstração das principais modalidades do atletismo bem como das técnicas para a prática da corrida de velocidade (100 metros). Os alunos foram submetidos a um teste de resposta ao comando. Foi treinada, de maneira individual, apenas, o percurso de 4 metros. Cada um dos alunos apresentou duas largadas, sendo substituídos pelo seguinte. Repetiu-se a série cinco vezes durante quatro dias. Foram treinadas, com alunos, os tipos de chegadas, observando, para isso, a mesma metodologia adotada na largada, sendo duas chegadas por aluno, repetindo a série cinco vezes por treino. Esta etapa foi treinada por três dias.

Foram realizadas a corrida de 1000 metros e a aeróbica para aumentar a resistência dos alunos. Essas corridas foram repetidas por dez dias de treino. Foram realizados treinos voltados à corrida de 100 metros a partir de duplas pelo período de 5 dias e em quarteto pelo período de 5 dias. Cada treino consistiu na realização de 4 baterias de corridas além do aquecimento e alongamento. Os treinos foram executados no período da manhã, com tempo total de uma hora por dia, dois dias por semana, em um período total de oito meses, incluindo as aulas teóricas.

Após a intervenção, tornou-se necessária a realização de um teste com os alunos, de maneira individual, para analisar, interpretar e refletir sobre o desempenho desses alunos na prática da corrida de 100 metros. Um dos elementos observados foi a postura, e, também, cronometrou-se o tempo em cada uma das etapas. Com relação a postura, todos os alunos apresentaram postura corretas, tanto na largada quanto na chegada. Abaixo será apresentada uma tabela com os índices de tempo para a demonstração prática da corrida de 100 metros:

Tabela 02: Tempo apresentado pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego em teste prático de corrida de 100 metros, após as intervenções

Primeira fase

(4m)

Segunda fase

(4 a 60 metros)

Finalização

(60 a 100 metros)

Tempo total
01 1,35s 10,15s 14,10s 25,60s
02 1,50s 9,50s 19,20s 30,20s
03 1,15s 7,01s 13,05s 21,21s
04 1,60s 7,54s 24,32s 33,46s
05 1,50s 11,03s 17,10s 29,63s
06 1,38s 10,10s 17,01s 28,49s
07 1,40s 9,20s 18,04s 28,64s
08 1,80s 9,10s 18,30s 29,20s
09 1,90s 11,25s 19,20s 32,35s
10 1,60s 7,49s 13,90s 22,99s
11 1,70s 9,50s 16,10s 27,30s
12 1,35s 8,05s 13,91s 23,31s

Fonte: Autor.

Os destaques para a primeira fase da corrida ficaram com os números 03 com 1,15s para percorrer 4 metros e com o 01 e 12 com 1,35s para percorrer 4 metros. No teste pré, os números 03 e 12 haviam se destacado, entretanto esses alunos apresentaram um desempenho melhor com a introdução das técnicas. No teste pré, o número 03 percorreu os primeiro 4 metros em 1,30s já no teste pós esse tempo caiu para 1,15s. Sobre o número 12, este reduziu seu tempo de 1,43s para 1,35s. Vale a pena ressaltar que a primeira etapa além da velocidade para percorrer os 4 metros, compreende, também, o tempo de reação ao comando, que, para um atleta profissional, é de 0,18s.

Na segunda parte da corrida, os destaques ficaram com os números 03 com 7,01s e o 10 com 7,49s. Na finalização, os destaques ficaram, novamente, com o número 03, que percorreu a última etapa em 13,05s e com o número 10 com 13,90s. O aluno número 03 foi destaque em todos as fases da prova, com as parciais 1,15s na primeira fase, 7,01 na segunda fase e 13,05 na fase final. No tempo total, os destaques ficaram com o número 03, que percorreu os 100 metros em 21,22s e com o número 10, que percorreu os 100 metros em 22,99s. Um atleta de nível olímpico percorre os 100 metros em 10s. O aluno número 03 havia percorrido os 100 com 25,51s no teste inicial sendo sua classificação a terceira no índice geral.

A redução de tempos mais significativa para os primeiros 4 metros ocorreu com o aluno número 08, pois ele reduziu em 1,05s, baixando, dessa forma, o seu tempo de 2,85s para 1,80s. Já na segunda etapa, a maior redução ficou com o aluno de número 06, pois ele reduziu 8,32s, baixando o seu tempo de 18,42s para 10,10s. Caminhando para a fase final, a maior redução foi desempenhada pelo aluno de número 04, pois este reduziu 3,58s, baixando o seu tempo de 27,90s para 24,32s. No tempo geral, a maior redução foi realizada pelo aluno de número 06 visto que ele baixou 10,49s em seu tempo que era de 38,98s no primeiro teste.

No segundo teste, a média de velocidade foi de 0,38s por metros para a primeira fase, baixando, assim, 0,03s por metro, na média, em comparação com o primeiro teste. Na segunda fase, a média baixou de 0,19s por metros para 0,16s por metros, reduzindo, assim, 0,03s por metro na média. Na fase final, a redução foi de 0,01s por metro na média visto que ela foi baixada de 0,43s por metros para 0,42s por metros. No tempo geral, a média caiu de 29,65s para 27,70, reduzindo-se, dessa forma, em 1,96s.

4.4 ANÁLISE DO QUESTIONÁRIO PÓS INTERVENÇÕES

Foram realizadas aulas expositivas cuja temática se tratou das principais modalidades do atletismo bem como foram feitas explicações sobre a modalidade “corrida de 100 metros”. Nessas aulas teóricas, foi demonstrada a importância da atividade física, a necessidade de acompanhamento profissional, a importância do aquecimento e alongamentos e, principalmente, as técnicas e métodos para a prática da corrida de velocidade (100 metros). As aulas teóricas foram realizadas nos horários da aula da Educação Física. Trataram-se de 10 aulas teóricas intercalada com as aulas práticas. Após a realização das aulas teóricas, das aulas práticas e do teste prático, como finalização do projeto de pesquisa, foi realizado um novo questionário teórico contendo as mesmas questões do questionário diagnóstico.

Este questionário teve como objetivo verificar a mudança de mentalidade dos alunos acerca da prática do atletismo. O questionário foi composto a partir de sete questões, sendo três dessas questões fechadas e quatro questões abertas. A seguir, serão analisadas as respostas apresentadas pelos alunos no questionário pós para a comparação posterior com as respostas apresentadas nos questionários pré. A primeira questão teve como objetivo verificar quais modalidades do atletismo os alunos conhecem. Para esta questão, não se considerou, apenas, certo ou errado, mas sim o número de modalidades citadas. Abaixo será apresentado um gráfico com o índice de modalidades de atletismo citadas pelos alunos.

Gráfico 05: Índice de modalidade do atletismo citada pelos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pós

Fonte: Autor.

Considerou-se um total de 12 alunos. 75% (09) dos alunos apresentaram mais de 4 modalidades de atletismo, 16,67% (02) dos alunos apresentam quatro modalidades e 8,33%, ou seja, 1 dos alunos apresentou três modalidades do atletismo. Quando comparado ao questionário pré, o avanço foi considerável, pois, no primeiro teste, 66% dos alunos haviam declarado não conhecer nenhuma modalidade. Esta mudança de índice se justifica pelas intervenções teóricas realizadas. A segunda pergunta do questionário pós teve como objetivo verificar se os alunos entendem a corrida de 100 metros como uma modalidade do atletismo. Por ser uma questão fechada, foram apresentadas, apenas, duas opões: o “sim” e o “não”. A seguir será apresentado um gráfico com o resultado para a questão esta questão.

Gráfico 06: Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pós para a pergunta “A corrida de 100 metros é uma modalidade do atletismo?”

Fonte: Autor.

100% (12) dos alunos declararam que a corrida de 100 metros é uma modalidade do atletismo, enquanto que, no questionário pré, apenas 25% (03) dos alunos declararam que a corrida de 100 metros se enquadrava. Como a principal atividade do atletismo introduzida aos alunos foi a corrida de 100 metros, não haveria como obter outro resultado para esta questão. A questão de número três teve como meta verificar se os alunos já praticaram atividades dentro de algumas das modalidades do atletismo. Por ser uma pergunta fechada, foram apresentadas duas opções sendo a primeira “sim” e a segunda “não”. Essa pergunta não teve como objetivo verificar quais as modalidades do atletismo os alunos praticaram, apenas se já praticaram. No gráfico a seguir será apresentado o índice de respostas dos alunos.

Gráfico 07: Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pós para a pergunta “Você já participou de alguma atividade dentro da modalidade do atletismo?

Fonte: Autor.

Todos os alunos apontaram a resposta “sim” para esta questão. É uma realidade diferente do primeiro questionário, visto que 91,67% dos alunos haviam declarado que “não” haviam participado de alguma atividade dentro das modalidades do atletismo, pois, apenas, 8,33%, ou seja, 1 dos alunos havia declarado que já tinha participado de alguma atividade dentro das modalidades do atletismo. A quarta questão, por sua vez, tratou-se de um complemento da questão de número três, e, assim, teve como objetivo refletir sobre os alunos que responderam sim na questão anterior, para, assim, interpretar os dados referentes a quanto tempo esses alunos praticam o atletismo bem como sobre quais modalidades costuma praticar.

Todos os alunos declararam ser participantes de atividades do atletismo há, aproximadamente, oitos meses, destacando como modalidades já praticadas a corrida de 100 metros e corrida de resistência de 1000 metros. No questionário pré, por sua vez, apenas um aluno havia declarado já ter participado de alguma atividade do atletismo, elencando a corrida de 1.000 metros. Na questão de número cinco preocupou-se em investigar se os alunos foram questionados sobre os motivos que o levaram à prática atletismo. Como esta foi uma questão aberta, ocorreram respostas variadas. Neste caso, julgou-se necessário a apresentação de um gráfico com as repostas apresentadas:

Gráfico 08 – Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pós para a pergunta “Por que você pratica atletismo?

Fonte: Autor.

Dois alunos declararam que foram levados à prática do atletismo devido à realização do projeto de pesquisa. Mesmo todos os alunos tendo sido conduzidos à essa modalidade esportiva pelo projeto de pesquisa, as respostas soam variadas, pois muitos acabaram se importando mais com a atividade física do que com o próprio projeto de pesquisa. Essa situação não é considerada com ruim para o projeto, pois o objetivo principal é que a pesquisa seja realizada sem que os alunos se sintam na obrigação de participar das atividades apenas por conta do estudo. Um aluno, por exemplo, respondeu que pratica atletismo porque achou “legal”. Essa resposta é considerada como positiva, pois levar o aluno a gostar da atividade física é um avanço considerável tanto para a pesquisa quanto para o professor de Educação Física.

O estudo identificou, também, que cinco dos alunos acabaram por apresentar a mesma resposta. Foi a seguinte: “porque praticar exercício faz bem para a saúde”. A pesquisa acredita que essas respostas tomaram forma, devido ao fato de que houve um forte apelo à esfera da saúde durante a apresentação do esporte nas aulas de caráter mais teórico. Dessa forma, um outro aluno declarou que passou a praticar o atletismo porque gosta. Um outro, por sua vez declarou que o atletismo é importante “para ter uma vida mais saudável”. Prosseguindo, outro dos alunos apresentou como justificativa para se sentir estimulado a praticar o esporte o fato de, um dia, poder ser reconhecido. Por fim, um último aluno declarou que pratica atletismo “porque acho melhor que jogar bola”.

Na questão de número seis, por conseguinte, os alunos foram questionados se “estão satisfeitos com os resultados obtidos” dentro das atividades praticadas no atletismo. A grande maioria das respostas foram apresentadas, apenas, como “sim”. Entretanto, quatro dos alunos declararam que “sim, mas quero melhorar”. A última questão, por sua vez, teve como objetivo verificar se os alunos conhecem alguma técnica relacionada à corrida de 100 metros. Esta questão foi apresentada como uma pergunta fechada, assim foram apresentadas, aos alunos, duas respostas possíveis, sendo elas “sim” e “não”. A seguir será exposto um gráfico com os índices das respostas apresentadas pelos alunos.

Gráfico 09: Resposta dos alunos do 1º ano do Ensino Médio da E.E.E.F.M. Maria de Souza Pego no questionário pós para a pergunta “Você conhece as técnicas da corrida de 100 metros?

Fonte: Autor.

100% (12) alunos declararam que “sim”, ou seja, que conhecem as técnicas voltadas e direcionadas à corrida na modalidade dos 100 metros. No caso dessa questão, é possível perceber que ocorreu uma inversão, haja visto que, no questionário pré, todos os alunos haviam declarado não conhecer nenhuma das técnicas ou direcionamentos relacionados à corrida de 100 metros. Esse novo resultado era esperado, pois devido às de caráter teórico e prático, os alunos passaram a conhecer as regras desta modalidade do atletismo bem como e principalmente foram conduzidos, pelos docentes, a colocarem em prática de forma adequada.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo buscou reiterar que os docentes que defendem, efetivamente, a importância da prática do Atletismo, o incorpora junto às outras atividades físicas. Para tanto, as ações pedagógicas não devem se concentrar, apenas, nas pré-condições físicas e esportivas, entendendo o esporte, apenas, de maneira sistemática. Dessa forma, é fundamental que o docente problematize ações relacionadas ao esporte no processo de ensino e aprendizagem do Atletismo. Contudo, é preciso, principalmente, aderir a pensamentos e ações inovadoras sobre a prática da Educação Física. Nesse sentido, a realidade social dos alunos precisa ser considerada bem como deve se manter em mente que o ensino, apenas, das técnicas, é insuficiente para despertar o interesse dos alunos.

Conclui-se, com este trabalho, que o conhecimento teórico dos atletas a respeito das técnicas empregadas era baixo antes das intervenções e que mesmo mantendo um desempenho físico não muito superior após a intervenções, acredita-se que a manutenção das atividades possibilita um melhor rendimento dos alunos. Dessa forma, com a utilização das técnicas adequadas, há a redução expressiva dos riscos de acidentes além de proporcionar um melhor condicionamento físico aos alunos. A prática do atletismo, na escola pesquisada, simplesmente, não acontecia, pois, basicamente, as atividades esportivas se concentravam em jogos de futebol e, raramente, em jogos de vôlei.

A capacidade técnica dos alunos pesquisados para a prática de corrida de velocidade era, expressivamente, baixa antes das intervenções pedagógicas no período em que a pesquisa foi desenvolvida. Assim, é possível afirmar que a introdução das técnicas adequadas para a prática do atletismo contribui, de maneira expressiva, para a melhoria da qualidade esportiva além de estimular a prática de esportes. No perfil técnico do teste prático os atletas ficaram com uma média de 27,70 reduzindo 1,96s já que o tempo antes das intervenções foi de 29,65s. Isso mostra uma evolução considerável, já que o tempo de intervenção foi bem curto.

Chegou-se, por fim, à conclusão, também, de que os atletas amadores de Alta Floresta do Oeste passaram a praticar atletismo para disputar competições na região; outros, para manter a forma e pelo bem-estar da saúde, e alguns praticam para participarem do JOER. O trabalho apontou, também, que existem alguns atletas que praticam o atletismo por falta de opção. A maioria dos entrevistados apontaram que estão satisfeitos com os resultados obtidos, pois já se sentem prontos para ganharem algumas competições, outros estão se sentindo bem com seu corpo e saúde, e há, também, aqueles que estão satisfeitos, mas acreditam que podem melhorar.

5.1 RECOMENDAÇÕES

Defendeu-se, com este estudo, que é preciso transmitir, ao contexto pesquisado, informações atrativas e detalhadas sobre o esporte que deseja popularizar, sobretudo em escolas públicas. A partir dos resultados deste estudo, percebeu-se que as possibilidades e estratégias educacionais voltados ao ensino do atletismo na escola, como os lançamentos, arremessos, corridas e outras modalidades precisam ser adaptadas, mas são executáveis. Além disso, ressaltou-se, nesta reflexão, que é necessário ter bem definido o objetivo, o conteúdo e o método responsáveis por orientar e conduzir as aulas bem como é preciso delimitar as relações imprescindíveis, e, para isso, precisam ser, devidamente, fundamentadas, ao decorrer da produção e configuração do presente estudo.

REFERÊNCIAS

ARMSTRONG, N. et al. Health-related physical activity in the national curriculum. British Journal of Physical Education, London, v. 21, p. 225, 1990.

BARATA, J; COELHO; O. Apostila Hoje há Educação Física. Lisboa: Texto Editora, 2004.

BERGER, B. G. Psychological benefits of an active lifestyle: what we know and what we need to know. QUEST, v. 48, p. 330-353, 1996.

BRODUDO, M. V; KOKUBUM, E. Fases da corrida de velocidade. Disponível em: www.rc.unesp.br. Acesso em: 12 agosto 2019.

CELAFISCS. Programa Agita São Paulo. São Paulo: CELAFISCS, 1998.

COELHO, E; VASILICA, I. Aprendizado sobre corridas de velocidade. Disponível em: http://home.utad.pt. Acesso em: 12 agosto 2019.

CORBIN, C. B. Youth Fitness, Exercise and Health: there is much to be done. Research Quarterly for Exercise and Sport, v. 58, n .4, p. 308-314, 1987.

CORBIN, C. B.; FOX, K.; WHITEHEAD, J. Fitness for a lifetime. In: BIDDLE, S. (Ed.). Foundations of health-related fitness in physical education. London: The Ling, 1987.

CORBIN, C. B. Fitness is for children: developing lifetime fitness. Journal of Physical Education, Recreation and Dance – JOPERD, London, v. 57, n. 5, p. 82-84, 1986.

CORBIN, C. B.; FOX, K. R. Educação Física e Saúde: a aptidão para toda a vida. Revista Horizonte, Lisboa, v. 2, n. 12, p. 205-208, 1986.

CORREIA, P. Fases da corrida de velocidade. Disponível em: www.absolutamente.com. Acesso em; 12 agosto 2019.

CRUZ, J. História do atletismo. Disponível em: www.joaquimcruz,com.br. Acesso em: 12 agosto 2019.

FAGNELLO, G; FRANCO, A. da. S; PAIVA, J. As corridas de velocidade. Disponível em: www.runningbrazil.blogspot.com. Acesso em: 12 agosto 2019.

GONÇALVES, G. História do atletismo. Disponível em: www.trabalhosescolares.net. Acesso em: 12 agosto 2019.

PAROLIS, S. C; OLIVEIRA, P. R. Revista conexões. Campinas; v.6, n. especial, 2008.

KOCH, k. Desenvolvimento da motricidade e da aptidão física infantil, através do correr, do saltar e do lançar. In: Antologia do atletismo: metodologia para iniciação em escolas e clubes1ª ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1984.

PAROLIS, Sidnei Carlos; OLIVEIRA, Paulo Roberto ET ail Radford (1997), Revista Conexões campinas v.6 n.especial

PORCARI, R. Definições de corridas de velocidade. Disponível em: www.cdof.com.br. Acesso em: 12 agosto 2019.

ROLLO, M. L. Corredores abaixo de 20 anos. Disponível em: www.webrum.com. Acesso em: 12 agosto 2019.

ANEXO

[1] Mestrado em Ciências da Educação; Licenciatura Plena em Educação Física.

[2] Orientadora. Doutora em Ciência da Educação.

Enviado: Julho, 2019.

Aprovado: Agosto, 2019.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here