Fonoestilística e discurso na poesia de Chico Buarque e Criolo: Análise das Versões de Cálice

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ARTIGO ORIGINAL

CORRÊA, Vinícius Augusto [1], LEBEDEV, Nádia [2]

CORRÊA, Vinícius Augusto. LEBEDEV, Nádia. Fonoestilística e discurso na poesia de Chico Buarque e Criolo: Análise das Versões de Cálice. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 08, Vol. 06, pp. 112-134. Agosto de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Este trabalho busca analisar dois momentos de uma releitura da música Cálice, de Chico Buarque, abordando os aspectos da fonoestilística e da análise do discurso. O trabalho tem por base a análise de dois vídeos postados no Youtube, “Criolo Doido – Cálice3” e “Cálice – Chico Buarque faz rap para Criolo4”. No primeiro, o Rapper Criolo faz uma releitura da música Cálice, de Chico Buarque. O 2º vídeo é uma resposta do próprio Chico Buarque à essa nova versão criada por Criolo e, nessa resposta, Chico dialoga com Criolo criando uma nova melodia.

Palavras-chave: Criolo, Chico Buarque, Cálice, fonoestilística, discurso, poesia.

INTRODUÇÃO

O sambista/escritor/dramaturgo carioca Francisco Buarque de Holanda, um dos maiores liricistas nacionais, ficou em 1° lugar no ranking feito pela revista Rolling Stones das “100 maiores músicas brasileiras5” com a canção Construção. Foi músico durante a ditadura militar, período em que a censura era ainda mais brutal aos poetas que compunham letras contrárias ao sistema. Havia um órgão, associado ao Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, que definia o que os brasileiros poderiam ouvir, ver e expressar; esse órgão era o DCDP – Divisão de Censura de Diversões Públicas e, durante a ditadura, mais de 7000 composições foram proibidas por ferir critérios morais ou políticos determinados por esse órgão. Como os próprios militares eram responsáveis por todo o controle, caso a música tivesse a palavra “liberdade”, automaticamente era censurada.

Um dos casos mais emblemáticos deste período é o do músico Geraldo Vandré, compositor da música hoje considerada um símbolo contra a ditadura militar “Pra não dizer que não falei das flores”. A execução desta canção foi vetada e ele permaneceu como exilado por muitos anos. Várias fontes mencionaram que ele foi submetido a torturas severas, porém, ele desmentiu essa informação em entrevistas posteriores. Chico também foi impedido de cantar em shows e teve de mudar partes das letras de suas músicas para que elas fossem “aprovadas” pelos militares e recebessem autorização para que pudessem ser tocadas. Em entrevista, o cantor afirmou que já ficou horas sendo questionado sobre o que estava querendo dizer em determinado verso/peça, tendo que inventar novas interpretações e convencer os militares de que não estava criticando a atuação deles. A ditadura exilava e prendia quem compactuasse com o que era chamado de “ideias antimilitares”, e Chico ficou conhecido pelo talento de escrever letras tão inteligentes e críticas que a censura deixava passar por não entender o que ele queria dizer. Em contraponto à repressão que proibia os artistas de cantarem suas músicas, há debates sobre se a censura interferiu na produção de discos de música popular brasileira. Enquanto alguns pesquisadores, como Rita Morelli, autora do livro “Indústria fonográfica: um estudo antropológico” consideram que a censura criou condições para o crescimento do mercado internacional e impediu um benefício imediato para os compositores nacionais, há pesquisadores como Enor Paiano, autor do livro “Tropicalismo: bananas ao vento no coração do Brasil”, que consideram essa censura positiva em termos econômicos: “(…) a imagem de mártir do artista era capitalizada pelas companhias”. A própria música Cálice, composta em 1993, após ser liberada pelos censores em 1998, bateu recordes de execução na televisão e no rádio. O músico Ney Matogrosso em uma entrevista à TV Brasil afirma: “Eu tive um disco censurado porque estava nu. A censura mandou lacrar o disco. Vendeu muito mais do que venderia se não tivesse sido lacrado. ”

O rapper Kleber Gomes, mais conhecido como Criolo, nasceu e cresceu na periferia de São Paulo, no Grajaú, tem como temas recorrentes em suas músicas a vida na periferia e em centros urbanos, as críticas sociais e políticas, debates filosóficos e gritos de resistência. Seus álbuns misturam rap6, reggae, samba e diversos ritmos nordestinos, com sensibilidade e subjetividade poética de uma maneira única. Ele afirma que sua luta é pelo trabalhador brasileiro e contra as mazelas do sistema. Além de músico, Criolo já foi dublador de uma animação brasileira chamada “Irmão do Jorel” e participou de alguns filmes, inclusive em um que foi protagonista, “Profissão MC”. Trata-se de um curta metragem produzido sem qualquer captação externa e que em 50 minutos mostra duas possíveis realidades para um jovem talentoso da periferia como Criolo: na primeira ele tem a oportunidade de gravar sua música em estúdio e com isso tem um futuro próspero. Na outra possibilidade apresentada pelo filme, o protagonista se vê preso às mais diversas dificuldades, sem oportunidades, sem reconhecimento, sem ajuda e sem esperança. Como consequência, ele entra para o mundo do tráfico, abandona os estudos (que no filme ele frisa que era algo que, inclusive, o ajudava a compor rap) e acaba sendo preso. Em diversas entrevistas, quando questionado sobre a causa de seu sucesso, Criolo sempre responde “Foi só isso… Alguém me estendeu a mão”.

A realidade nas periferias é dura, mesmo após o fim da ditadura militar. O abuso policial hoje em dia ainda é assustador: a força policial brasileira é a que mais mata no mundo7. Em 2017 o número de assassinatos cometidos por policiais, nos últimos 15 anos, foi superado. A maioria dos mortos era composta por homens (98,2%), negros (56%) e tinha entre 30 e 49 anos (63,6%)8.

Em 1978, Chico lançou a música Cálice, com Milton Nascimento. Em 20109 Criolo postou no Youtube uma versão rap dessa música e teve grande repercussão. Ele adaptou o contexto agressivo da ditadura ao contexto agressivo de sua realidade, e no vídeo fazia um alerta para Chico e Milton afirmando que a repressão ainda permanece.

Em novembro de 2011, na abertura de sua turnê pelo Brasil que começou em Belo Horizonte, Chico cantou uma nova versão da música Cálice em resposta para Criolo, criando assim uma terceira versão que mistura a original e a releitura de Criolo e dialoga com esta última.

O objetivo deste artigo é comparar a versão de Cálice, feita por Criolo, com a nova versão criada por Chico em sua resposta, considerando também sua primeira versão original na análise do discurso, na fonoestilística e na forma como a mídia YouTube foi decisiva nesse processo criativo.

1. ANÁLISE FONOESTILÍSTICA DE “CÁLICE” DO CRIOLO E DA RESPOSTA DO CHICO

Quando analisamos um texto, ficamos diante de duas perspectivas: conteúdo e forma. O conteúdo é a ideia em si, a mensagem que se quer transmitir; a forma corresponde à construção estética que foi usada no texto para organizar as palavras de maneira mais empática e persuasiva. Dentre os elementos dessa forma estética, que surtem efeito na forma do texto escrito, temos metáforas, hipérboles, comparações e prosopopeias. Por outro lado, temos as figuras de linguagem sonoras, cujos efeitos se destacam na própria pronúncia, tais como a aliteração, assonância, onomatopeia e paronomásia. Esses elementos sonoros têm a intenção de tornar o texto mais “musical”, de maneira que as palavras soem mais agradáveis e harmoniosas, por isso, sua utilização ideal ocorre em textos que tenham de ser falados e cantados, e não apenas lidos, como é o caso do Rap.

Dentre os estudos que focam no som produzido pelas palavras, a fonoestilística nasce a partir do diálogo entre a fonética e fonologia, ciências interdependentes que analisam a substância e forma da expressão no ato da fala, com a estilística, que estuda como a linguagem escrita pode sugerir conteúdos emotivos e intuitivos.

O som, como traço expressivo, cria empatia quando construído de uma maneira esteticamente esquematizada, e a fonoestilística presta atenção nesses sons, ritmos e traços articulatórios que criam ou participam de uma nova significação para o texto. Mais do que algo que trabalhe com o intelecto (como o conteúdo do texto), esses elementos sonoros trabalham com a sensibilidade do ouvido em relação à harmonia criada. Sobre essa interação, Wolfgang Iser, em seu livro “A interação do texto com o leitor” cita Roman Ingarden, considerado o pai da estética e da recepção, para quem “as categorias de empatia e da ‘emotive theory’ motivam a conexão entre texto e leitor, cujo desenvolvimento coincide com a produção do objeto estético como uma formação harmoniosa.”10

Estabelecida a questão teórica sobre a fonoestilística, vamos à análise das novas versões desta canção, produzidas por Criolo e Chico, em tempo-espaço diferentes.

1.1 CÁLICE – VERSÃO CRIOLO

1 Como ir pro trabalho sem levar um tiro 11

2 Voltar pra casa sem levar um tiro 10

3 Se as três da matina tem alguém que frita 11

4 E é capaz de tudo pra manter sua brisa 11

5 Os saraus tiveram que invadir os botecos 12

6 Pois biblioteca não era lugar de poesia 12

7 Biblioteca tinha que ter silêncio, 10

8 E uma gente que se acha assim muito sabida 12

9 Há preconceito com o nordestino 10

10 Há preconceito com o homem negro 10

11 Há preconceito com o analfabeto 10

12 Mas não há preconceito se um dos três for rico 11(pai)

13 A ditadura segue meu amigo Milton 12

14 A repressão segue meu amigo Chico 11

15 Me chamam Criolo e o meu berço é o rap 11

16 Mas não existe fronteira pra minha poesia 12 (pai)

17 Afasta de mim a biqueira, pai 10

18 Afasta de mim as biate, pai 10

19 Afasta de mim a cocaine, pai 10

20 Pois na quebrada escorre sangue,pai. 10

À esquerda de cada verso, foi inserida uma numeração para que a localização do texto seja facilitada, dispensando a necessidade de transcrição. À direita, consta o número de silabas poéticas (também conhecido como métrica) que o verso possui. Na poesia, as sílabas são contadas pelo som que produzem, e a última sílaba do verso é a sílaba tônica da última palavra, diferente da separação de sílabas gramaticais.

A versão de Criolo é composta por 5 estrofes, cada uma com 4 versos, que variam entre versos decassílabos (10 sílabas poéticas) e dodecassílabos (12 sílabas poéticas); a pouca alternância no número de versos já é um indício de uma boa harmonia construída, tanto que no refrão, que é a parte principal da música e a única que se repete, todos os versos são decassílabos, encaixando-se perfeitamente na métrica. Analisando separadamente os versos 1 e 2, temos:

1 Como ir pro trabalho [sem levar um tiro]

2 Voltar pra casa [sem levar um tiro]

O verso 2 é um verso decassílabo sáfico, pois contém as sílabas tônicas nas posições 4, 8 e 10 (marcado em negrito), e é muito semelhante ao seu verso anterior, onde há uma repetição [sem levar um tiro] e também palavras na mesma posição com fonemas semelhantes: traba(lho) e pra ca(sa), formando uma rima interna (uma rima no meio do verso, não no final) mesmo com palavras que não rimam por si só (trabalho e casa). Continuando a estrofe, temos os versos 3 e 4:

3 Se as três da matina tem alguém que frita

4 E é capaz de tudo pra manter sua brisa

Os versos 3 e 4 são versos hendecassílabos (11 sílabas). Neles temos a predominância do fonema /t/, junto com o fonema diágrafo (formado por duas letras) /gu/ na palavra alguém, que tem sonoridade semelhante ao da consoante /t/ (tem – alguém). Notemos que, excluindo a palavra frita, que rima perfeitamente com a palavra brisa, todos os /t/ se encontram na sílaba tônica; isso cria uma figura de linguagem chamada aliteração, que é uma sequência de sons semelhantes criados pela repetição de um fonema. Percebe-se também nas palavras três, frita, pra e brisa que a repetição do fonema /r/ cria uma segunda aliteração; o efeito da primeira intensifica o sentido do que está sendo dito criando uma expressividade especial, já a segunda (/r/ se encontra no meio e fim do verso) serve para marcar o ritmo. Seguindo agora para os versos da segunda estrofe, temos:

5 Os saraus tiveram que invadir os botecos

6 Pois biblioteca não era lugar de poesia

Os versos 5 e 6 são ambos dodecassílabos. As palavras tiveram (tiv/é/ram), botecos (bot/é/cos), biblioteca (bibliot/é/ca) e poesia (poes/ia/) contêm as tônicas que marcam o ritmo da música.

7 Biblioteca tinha que ter silêncio

8 E uma gente que se acha assim muito sabida

No verso 7, temos a repetição da palavra biblioteca, e assim como no verso 3 temos uma aliteração formada pela consoante /t/. Da mesma forma que do verso 6 ao 7 temos a repetição de biblioteca, no final do verso 8 para o verso 9 temos palavras com fonemas semelhantes: silêncio – gente, fluindo o ritmo; nota-se também, que o verso 8, que encerra a segunda estrofe, cria uma rima imperfeita com o verso 4, que encerra a primeira estrofe, pelo seu final: brisa – sabida. Uma rima imperfeita é uma rima que não tem o final igual, mas tem fonemas muito próximos.

9 [Há preconceito com o] nordestino

10 [Há preconceito com o] homem negro

11 [Há preconceito com o] analfabeto

12 (Mas não) [há preconceito] se um dos três for rico, pai

Os versos 9, 10 e 11 são decassílabos, são versos que até a metade se repetem, com a mudança apenas no sujeito do final. Se olharmos só o sujeito, nor-des-ti-no, ho-mem-ne-gro e a-nal-fa-be-to, temos a impressão de que o último tem um fonema a mais que os dois primeiros, porém, como as sílabas métricas são definidas pelo som, o hiato (encontro de vogais pronunciadas em sílabas separadas) entre “o” e “analfabeto” corresponde a apenas um fonema (o_a-nal-fa-be-to). No verso 12, repete-se o [há preconceito] e termina com a súplica “pai”, que aparecerá no final de todos os versos a partir do 16.

13 A ditadura [segue meu amigo] Milton

14 A repressão [segue meu amigo] Chico

Nos versos 13 e 14 temos a repetição [segue meu amigo], bem acentuada no [segue], junto do nome Chico e Milton, que foram os intérpretes da música (Chico escreveu com Gil e interpretou em clipe com Milton Nascimento), e das palavras [ditadura] e [repressão], que são palavras pesadas tanto na fonética quanto no significado.

15 Me chamam Criolo e o meu berço é o rap

16 Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai

No verso 15, tanto em “Criolo e o (…)” quanto em “berço é o (…)” ocorre o encontro de três vogais; esse encontro, na métrica, é contado como uma só sílaba, já que na pronúncia os sons se misturam. O verso 16 se assemelha com o verso que encerra a estrofe anterior, o 12, com a repetição do começo, “mas não” e do final “pai”, quebrando o tempo da música.

17 [Afasta de mim] a biqueira, pai

18 [Afasta de mim] as biate, pai

19 [Afasta de mim] a cocaine, pai

20 Pois na quebrada escorre sangue, pai.

Os últimos 4 versos pertencem ao refrão. Como já dito antes, são todos decassílabos, e principalmente os 3 primeiros são bem semelhantes. Nesses três primeiros, também ocorre a repetição da oração “Afasta de mim (…) pai”. As três palavras que Criolo escolheu para fazer sua súplica, são bem parecidas: Bi-quei-ra, bia-te e co-cai-ne. Além da semelhança na pronúncia dos fonemas: biqueira¹ – biate², Criolo decidiu usar a palavra cocaína em inglês, que se pronuncia “couqueine”, criando também uma semelhança entre biqueira e couqueine. No último verso, entre quebrada e escorre temos encontro de duas vogais (hiato) e a repetição do fonema /r/, e termina igual os últimos versos: pai!

1.2 CÁLICE (RESPOSTA DA RESPOSTA) DE CHICO BUARQUE

1 Gosto de ouvir o rap, o hip-hop da rapaziada 14

2 Um dia vi uma parada assim no youtube 11

3 E disse quiuspariu parece o cálice 10

4 Aquela cantiga antiga minha e do Gil 11

5 Era como se o camarada me dissesse 12

6 Bem-vindo ao clube Chicão 7

7 Bem-vindo ao clube, valeu Criolo Doido 10

8 Evoé, jovem artista 7

9 Palmas pro refrão doído do rap é paulista 12

10 Pai, afasta de mim a biqueira 10

11 Pai, afasta de mim as biate 10

12 Afasta de mim a cocaine 10

13 Pois na quebrada escorre sangue 10

14 Pai afasta de mim esse cálice 8

15 Pai afasta de mim esse cálice 8

16 Afasta de mim esse cálice 8

17 De vinho tinto de sangue 7

Essa versão tem quatro estrofes, sendo a segunda com cinco versos e todas as outras com quatro. Analisando a primeira estrofe, temos

1 Gosto de ouvir o rap, o hip-hop da rapaziada

2 Um dia vi uma parada assim no youtube

3 E disse quiuspariu parece o cálice

4 Aquela cantiga antiga minha e do Gil

Se prestarmos atenção às últimas palavras de cada verso, temos a impressão que não há rima nenhuma na estrofe, porém, se olharmos para dentro do poema, constatamos que ele contém diversas rimas e fonemas semelhantes e próximos, criando uma cadência de sons repetidos que vão se quebrando harmoniosamente em outros sons. Vejamos as semelhanças:

O rap, o hip-hop da rapaziada: Assonância criada por sons parecidos próximos.

Rapaziada – parada: Rima interna no verso.

YouTube – Fonemas harmoniosos são muito usados na publicidade em busca de empatia/persuasão.

Quiuspariu – parece | cálice – aquela: ambas duplas de palavras que estão escritas juntas, têm fonemas bem semelhantes, construindo um ritmo harmonioso.

Cantiga antiga: rima perfeita interna no verso.

Quiuspariu Gil: o Quiuspariu interno do verso 3, que já combinava com o parece, também rima perfeitamente com o Gil, palavra que encerra a estrofe.

5 Era como se o camarada me dissesse

6 [Bem-vindo ao clube] Chicão

7 [Bem-vindo ao clube], valeu Criolo Doido

Entre os versos 6 e 7, temos a repetição [Bem-vindo ao clube], para reforçar a ideia, e [Criolo Doido], antigo nome artístico do Criolo, que tem fonemas muito semelhantes: Criolo Doido . Nota-se também três vogais com fonemas que se juntam em uma silaba só, na repetição “Bem-vindo ao”.

8 Evoé, jovem artista

9 Palmas pro refrão doído do rap é paulista

Temos a rima perfeito artista – paulista, e algumas sequências de fonemas próximos se repetindo no verso 9: palmas – pro – paulista, pro – refrão e doído do.

Dos versos 10 a 13, Chico canta o refrão igual da versão do Criolo, e dos versos 14 ao 17, canta os versos da sua primeira versão de Cálice. Como a do Criolo já foi analisada (versos 17-20), vamos aos versos da última estrofe:

14 Pai afasta de mim esse cálice 8

15 Pai afasta de mim esse cálice 8

16 Afasta de mim esse cálice 8

17 De vinho tinto de sangue 7

Chico encerra com o refrão de sua primeira composição de cálice, cuja métrica é mais comprimida que a do refrão da versão do Criolo. O segundo, usou versos decassílabos; Chico, nos 3 primeiros versos usou 8 e no último apenas 7 sílabas poéticas. Ambos os refrãos são súplicas, repetem o nome “Pai” e “afasta de mim esse”, mas, no caso do Chico, o pedido de todos os versos é formado por uma única palavra: cálice. A palavra cálice é homofônica com cale-se, usando o recurso da duplicidade para ampliar o sentido da letra da canção. No verso 17 temos as palavras vinho, tinto e sangue, as duas primeiras com fonemas muito semelhantes (/in/) e a terceira com um fonema próximo (/an/).

2. ANÁLISE DO DISCURSO

Além da construção metrificada e seus elementos analisados pela fonoestilistica, interpretando e observando as letras de Criolo e Chico, podemos analisar tipos de discursos, suas características persuasivas e como as letras se inter-relacionam. Começando novamente pela versão Cálice de Criolo:

2.1 ANÁLISE DO DISCURSO – CÁLICE VERSÃO CRIOLO

Como ir pro trabalho sem levar um tiro? Voltar pra casa sem levar um tiro?

Se as três da matina tem alguém que frita

E é capaz de tudo pra manter sua brisa

Criolo aponta que a segurança do trabalhador brasileiro, que quer ir para o trabalho e voltar para casa em paz, está ameaçada pela violência de quem “frita”, ou seja, usa drogas e é capaz de tudo para “manter sua brisa”, que significa continuar no efeito da substância. Tanto o uso da droga (legal ou ilegal), quanto a abstinência de uma substância, para um dependente pode ser o estopim para algum ato de violência. A mesma violência responsável pela morte de cerca de 8 mil pessoas por ano no Brasil11. O verso “é capaz de tudo pra manter sua brisa” é sobre um problema muito complexo: vício em drogas, violência, saúde pública, abuso de poder policial, e uma política de guerra contra as drogas que não tem tido grandes resultados.

Disseminou-se pelo mundo a ideia de que diminuindo o número de drogas, fazendo mais apreensões, a mesma iria encarecer, diminuindo a procura. Porém, dados apontam o contrário: o valor das drogas continua diminuindo, o consumo aumentando, o tráfico lucrando e principalmente o cidadão tem sofrido sofrido consequências dessa falta de políticas adequadas em relação às drogas, na forma de violência. A medicina ainda tem pouco a contribuir para o fim do vício, tanto que a porta que mais tira pessoas do alcoolismo, por exemplo, é o grupo de apoio denominado Alcoólicos Anônimos (A.A.) que, com pequenas células espalhadas pelo mundo, faz reuniões pró-sobriedade onde a única regra é: você deve querer largar seu vício. Nota-se também que o problema de política antidrogas, além de falha, ainda é desigual, privilegiando quem tem dinheiro. Em 2017, Breno Borges, filho de desembargadora foi pego com 129 kg e maconha, uma pistola 9mm e munições. Em pouco tempo, foi libertado alegando “síndrome de borderline”, uma doença psicológica de desvio comportamental; Paralelo a isso, em 2016, Rafael Braga, catador de material reciclável, negro, morador da periferia, foi pego com 0,6 gramas de maconha e 9,3 de cocaína (aparentemente forjados) e condenado a 11 anos de prisão. Houve diversas manifestações e comoção sobre o caso “Rafa Braga” na internet e nas ruas, porém, a justiça o manteve condenado. Na música Vasilhame de Criolo, ele questiona esse tipo de desigualdade:

“Fala pra mim, quem recebe um pano dos pelego?

Bebedor, cherador ou maconheiro?

Aí depende! Se é pobre ou se é rico,

Porque dinheiro é dinheiro e o poder tá corrompido”

“Receber um pano dos pelego”, ou seja, ter a situação apaziguada pela polícia, é privilégio dos que tem poder de capital. Em um país onde o “governo não tem moral nem para proibir comercial de cerveja”12, com questionamentos simples, Criolo já introduz “de que lado está”, “contra o que” e “praticado por quem”: do trabalhador, contra violência praticada por dependentes de drogas, tendo consciência de que o próprio dependente está lá por um problema social bem mais complexo.

Os saraus tiveram que invadir os botecos

Pois biblioteca não era lugar de poesia

Biblioteca tinha que ter silêncio

E uma gente que se acha assim muito sabida

Os saraus são reuniões com uma finalidade literária, onde grupos se reúnem e expõem poesias, músicas e saberes artísticos. Criolo usa a palavra “tiveram” para mostrar que “não houve escolha”, ou seja, tiveram que acontecer nos botecos, pois a biblioteca exigia silêncio. O silêncio da biblioteca ditado pelo “que se acha assim muito sabido” pode ser interpretado como um silêncio que a elite intelectual, que se considera detentora do conhecimento, impõe sobre quem não tem poder de consumo. Criolo já abordou esse tema na música Sucrilhos:

“Di Cavalcanti, Oiticica e Frida Kahlo

Têm o mesmo valor que a benzedeira do bairro

Disse que não, ali o recém-formado entende

Vou esperar você ficar doente”

Di Cavalcanti, Oiticica e Frida Kahlo são grandes nomes de uma “cultura de elite” do país, que para a periferia não têm tanta importância. Criolo nesse verso coloca a benzedeira do bairro no mesmo patamar que esses pintores, pois a benzedeira é cultura da periferia e símbolo das crenças religiosas brasileiras. “Disse que não, alí o recém-formado entende. Vou esperar você ficar doente” é uma afronta ao “que se acha assim muito sabido” que diz que o valor de Hélio Oiticica é maior que o da benzedeira do bairro, mas que quando fica doente e a ciência não pode mais fazer nada, busca por suas curas nela. Ciência essa que é de difícil alcance para quem não tem poder financeiro. Na música Esquiva da Esgrima Criolo lembra também: “Cada maloqueiro tem um saber empírico“, acentuando que nem todo saber é teórico, há também o saber prático, e isso a periferia tem em abundância.

Há preconceito com o nordestino

Há preconceito com o homem negro

Há preconceito com o analfabeto

Mas não há preconceito se um dos três for rico, pai

Seguindo as linhas anteriores que falam do silenciamento da elite perante o pobre, Criolo cita minorias que, muitas vezes, sofrem o crime de ódio mas que, quando têm dinheiro, passam a ser mais respeitadas. Mesmo com a rica cultura nordestina, lar de Alceu Valença, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Zé Ramalho, Raul Seixas, Ivete Sangalo, entre outros, o nordestino sofre preconceito em qualquer região do Brasil, sendo associado à miséria tanto econômica quanto de informação. Por serem discriminados, passam a ter diversas dificuldades, assim como o homem negro vítima de racismo.

A desigualdade econômica tem diminuído no Brasil, país em desenvolvimento, porém ainda é enorme. Mesmo sendo um dos 10 países com melhor PIB mundial, aponta o coeficiente de GINI13 (medida estatística de desigualdade), que o Brasil é o 10° país mais desigual do mundo (dados de 2017). Karl Marx divide a sociedade entre donos dos meios de produção e proletários. Sendo a renda um fator determinante na posição social, mesmo entre a classe dos proletários há divisões entre os que ganham mais, têm um cargo mais alto, ou tiveram estudos privilegiados, e os que têm menos recursos, criando uma falsa crença de superioridade e arrogância que gera o preconceito entre classes.

Em entrevista ao Canal Brasil, Criolo responde pergunta de Lázaro Ramos sobre a classe C. Em sua resposta, Criolo questiona quem é a classe C e por que o povo dele recebe esse nome: “ascensão da classe C é dinheiro? É nota, por que você não tirou nem A e nem B?”. “A gente vê o rosto do nosso povo, e é nota A+!”. Esses rótulos acabam por aumentar o preconceito até entre a própria classe dos trabalhadores. Cabe uma comparação também com o filme Django Livre, de Quentin Tarantino, no qual Samuel L. Jackson interpreta um escravo doméstico, um escravo com, até certo ponto, mais privilégios que outros escravos. Houveram diferentes tipos de escravos, tanto na américa do norte, quanto na américa latina, sendo um deles os chamados escravos domésticos, que tinham trabalhos menos árduos e, caso fossem fiéis e obedientes, teriam alforria. O curioso é que, mesmo sendo escravo, apenas por ter condições um pouco melhores, Samuel L. Jackson era preconceituoso com outros escravos. Quando viu Django, um negro que andava em um cavalo, ficou extremamente revoltado, considerando inadequado. A desigualdade econômica/social tem como consequência miséria, desemprego, violência e marginalização. Para combatê-la, o governo tem meios como o CadÚnico e o BSM (Brasil sem miséria), que buscam dados sobre as desigualdades e políticas de ajuda aos menos privilegiados. Continuando, na próxima estrofe temos:

A ditadura segue meu amigo Milton

A repressão segue meu amigo Chico

Me chamam Criolo e o meu berço é o rap

Mas não existe fronteira pra minha poesia

Aqui, Criolo dialoga diretamente com Milton Nascimento e Chico Buarque. Como já dito antes, Chico viveu na época da ditadura e sofreu muito com censura e repressões. 32 anos depois, Criolo diz que o que Chico passava ainda acontece hoje em dia: repressão, censura, ditadura, desigualdade e injustiça. Ainda que não tão escancaradamente como na época da ditadura militar, mas vivemos em constante pressão, dificuldades, limitações e violências de um governo que pouco se importa com quem não possui poder financeiro. Nos últimos dois versos da estrofe, Criolo lembra que mesmo sendo rapper ele não está limitado à apenas esse gênero, a poesia dele não tem limites, seja MPB, bossa-nova, reggae, samba, rap, ou qualquer gênero que Criolo decidir explorar.

Pai, afasta de mim a biqueira

Pai, afasta de mim as biate

Pai, afasta de mim a cocaine, pai

Pois na quebrada escorre sangue, pai

Neste refrão, que é muito semelhante ao refrão da canção Cálice original, Criolo usa a forma mais persuasiva de discurso: o discurso religioso. Essa vertente anuncia com uma autoridade que não se pode ser questionada (Pai, afasta!), baseada em uma súplica que repete em demasia o nome “pai”, quase como uma oração. Como no começo da música já foi introduzido o problema da violência causada pelo vício, Criolo pede o afastamento da biqueira, que é o posto de venda de drogas, das biate, que são pessoas que querem passar por cima de outras a qualquer custo e da cocaine, que é a droga cocaína. Três elementos que, principalmente na realidade cruel das ruas, podem ser vistos como tentadores, tanto que Criolo suplica ao Pai que o afaste desses problemas.

2.2 ANÁLISE DO DISCURSO – CÁLICE VERSÃO RESPOSTA DO CHICO

Gosto de ouvir o rap, o hip-hop da rapaziada

Um dia vi uma parada assim no youtube

E disse quiuspariu parece o cálice

Aquela cantiga antiga minha e do Gil

Nessa estrofe, Chico diz que estava no Youtube e que encontrou algo que se parecia com sua antiga canção Cálice, algo que abre margem para uma pequena reflexão sobre discurso e espaço. A comunicação física ocorre pela interação de indivíduos que usam signos (como a própria linguagem) para se conectar com outros seres, estreitando o abismo entre um indivíduo único e outro indivíduo único e criando conexões que resultam em grupos com crenças, valores e perspectivas semelhantes entre si. A relação entre esses sujeitos no espaço físico é determinada por um tempo sócio-histórico que torna autentico o comportamento de um grupo específico. No ciberespaço, não estamos necessariamente diante de pessoas com experiências de vida, crenças, pensamentos ou histórias de vida semelhantes, até porque, no espaço cibernético não estamos limitados a interagir apenas com quem estamos próximos fisicamente. Temos uma relação peculiar, que pode tanto agrupar pessoas de diversos lugares com ideias iguais, quanto permitir que pessoas com ideias totalmente distintas estabeleçam uma conexão muito próxima. No espaço físico, temos a relação de interação, já no espaço cibernético temos a relação de interatividade, que é “a atividade de diálogo entre o utilizador de um sistema informatizado e a máquina por intermédio de uma tela”, segundo a definição do dicionário Noeveau Petit Robert. Nesse segunda relação, a distância e a época são menos determinantes, e foi o que possibilitou o diálogo entre Criolo e Chico: ambos viveram sua juventude em épocas diferentes, porém com visões semelhantes; ambos viveram em lugares diferentes, porém com problemas semelhantes; ambos cantam ritmos musicais diferentes, mas falam sobre temas semelhantes, o que mostra que mesmo com 32 anos de distância entre a versão original de Cálice e a versão do Criolo, além de ter levado um ano entre a viralização da versão de Criolo e a resposta de Chico, o discurso funcionou, pois tanto no espaço físico quanto no cibernético o que mais pesa na construção da comunicação são os sentimentos, crenças e valores.

Era como se o camarada me dissesse

Bem-vindo ao clube Chicão

Bem-vindo ao clube, valeu Criolo Doido

Evoé, jovem artista

Palmas pro refrão doído do rap é paulista

Chico dialoga diretamente com Criolo, o elogia, e ainda mostra que ambos estão no mesmo clube, independentemente da diferença de gêneros e época.

Pai, afasta de mim a

biqueira Pai, afasta de mim

as biate Afasta de mim a cocaine

Pois na quebrada escorre sangue

Pai afasta de mim esse cálice

Pai afasta de mim esse cálice

Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

A nova versão de Chico conclui com a repetição do refrão criado por Criolo seguido do refrão da Cálice original, conectando o discurso de ambos artistas. As palavras “pai” e “cálice” são muitas vezes citadas na bíblia. Em São Mateus 26-39, Lucas 22-43 e Marcos 14-36, Jesus pede ao Pai que afaste esse cálice dele, caso fosse Sua vontade. O significado de cálice na bíblia, além de material, tem um sentido figurado “algo que contém as bênçãos ou julgamentos divinos dados a uma pessoa ou nação”14, e nesta canção, tem também o significado de “cale-se”, referindo-se à censura. Chico faz uma referência bíblica, na qual o vinho tinto de sangue, é do sangue dos que estão sofrendo com a violência da ditadura militar.

3. CONCLUSÃO

Ao concluir esta análise, que foi construída de forma bem inicial utilizando como referência alguns conceitos da Fonoestilística e da Análise do Discurso, podemos inferir que o que não está dito em um texto proporciona muito mais reflexão do que aquilo que está explícito.

A análise realizada a partir da Fonoestilística nos permitiu compreender a riqueza da poesia e suas diversas possibilidades.

A sonoridade não somente da melodia, mas do próprio texto é, sem dúvida, elemento fundamental no resultado que exprime tanta beleza, mesmo quando o autor fala da violência, das drogas e do preconceito.

Já em relação à breve análise do discurso realizada, podemos afirmar que ficou nítida a relação entre o sujeito ideológico e o contexto apresentado pelas versões da mesma canção.

Desta forma, podemos dizer que as duas vertentes nos possibilitaram realizar descobertas de grande valia em relação à construção da linguagem poética e ao bom manejo da língua que nos permite dizer muito mais do que aquilo que está explícito na superfície.

Este conteúdo é dedicado ao apoio de estudantes de poesia e rap, que, observando as análises do discurso e de construção estética de músicas criadas por compositores notáveis, terão um conhecimento aplicável de leitura e interpretação poética, conhecimento sobre como música e o contexto sócio-político se relacionam, e sobre como uma mídia pode quebrar a barreira do tempo e estabelecer diálogo entre discursos.

REFERÊNCIAS

ABIBLIA – Fragmentos da bíblia sagrada http://www.abiblia.org/ver.php?id=322

BONUGLI, Selma. Oralidade, Poesia e Performance em canções de rap como manifestação coletiva. Boitatá – Revista do GT de Literatura Oral e Popular da ANPOLL.

BRANDÃO, Helena Hathsue Nagamine. Analisando o discurso. 2009. Disponível em:<http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/files/mlp/texto_1.pdf>. Acesso em: 4 maio. 2015.

CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. São Paulo: Ática, 2002. GENIUS, Rap. – Contribuidores anônimos da comunidade Rap Genius https://genius.com/Criolo-calice-lyrics

GUIMARÃES, Elisa. Texto, discurso e ensino. São Paulo: Contexto, 2009. MARCUSCHI, Luiz Antonio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. p. 154, 155, 158 e 194.

O GLOBO – dados https://oglobo.globo.com/economia/brasil-o-10-pais-mais-desigual-do-mundo-21094828

OLIVEIRA, Otávio. Canal quadro em branco https://www.youtube.com/channel/UCl79BVUfEZ830vH76L12ChA

PINTO, Julio. 1, 2, 3 da semiótica. Belo Horizonte UFMG, 1995

PLATÃO, Francisco Savioli; FIORIN, José Luiz. Para entender o texto. Leitura e Redação.

RIO, Repórter https://www.youtube.com/watch?v=LPmHHH1rBh4

SPARANO, Magali. Sonoridade e Sentido em textos poéticos. São Paulo – Estilística, Andross Editora, 2006

VARELA, Drausio – Dr. Fala sobre legalização das drogas https://www.youtube.com/watch?v=ZyFkUqkFM2A

WOLFGANG ISER CITOU EM SEU LIVRO ISER, W. A interação do texto com o leitor. In: JAUSS, Hans Robert et al. A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Coord. e Trad. Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979a.

3. https://www.youtube.com/watch?v=akZY0-6Rs0A

4. https://www.youtube.com/watch?v=GUpyIvhydLo

5. Link para lista <http://rollingstone.uol.com.br/edicao/37/noticia-3939#imagem0>, acesso em 08 nov 2017

6. Rap é a sigla de Rhythm and Poetry TL Ritmo e Poesia.

7. Dados EXAME <https://exame.abril.com.br/brasil/policia-brasileira-e-a-que-mais-mata-no-mundo-diz-relatorio/>, acesso 14 fev 2017.

8. Dados UOL <https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/10/30/numero-de-mortos-em-supostos-confrontos-com-policiais-de-sp-e-o-maior-em-15-anos.htm>, acesso 14 fev 2017.

9. Data do vídeo mais antigo encontrado.

10. WOLFGANG ISER, W. A interação do texto com o leitor. In: JAUSS, Hans Robert et al. A literatura e o leitor: textos de estética da recepção. Coord. e Trad. Luiz Costa Lima. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979a

11. Biqueira é o local onde se comercializa drogas, boca de fumo.

12. Biate é um abrasileiramento do termo americano “Biatches”, que significa vadia e é usado tanto para mulheres quanto para homens. Em entrevista com Marília Gabriela, Criolo diz que usa o termo não sobre as prostitutas, mas sobre um homem ou mulher que se aproxima dele apenas para usá-lo de trampolim para algo.

13. Notícia do ESTADÃO <http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,consumo-de-drogas-legais-e-ilegais-mata-8-mil-pessoas-por-ano-no-pais,831451>, acesso em 08 nov 2017.

14. Sistema desenvolvido pelo matemático italiano Corrado Gini. Dados de 2017: <https://oglobo.globo.com/economia/brasil-o-10-pais-mais-desigual-do-mundo-21094828> acesso, 05 março 2017

[1] Graduando em Rádio, TV e Internet.

[2] Doutorado em Comunicação e Semiótica; Mestrado em Comunicação Social: Interações Midiáticas; Graduação em Jornalismo.

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Agosto, 2019.

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