Subsídios acerca da infância e a família sob o prelúdio da reflexão do filme: A Maçã

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ARTIGO ORIGINAL

ANTUNES, Josiene Camelo Ferreira [1], LIMA, Daniela Kedna Ferreira [2], MENEZES, Nayara Ruben Calaça Di [3]

ANTUNES, Josiene Camelo Ferreira. LIMA, Daniela Kedna Ferreira. MENEZES, Nayara Ruben Calaça Di. Subsídios acerca da infância e a família sob o prelúdio da reflexão do filme: A Maçã. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 11, Vol. 14, pp. 55-80. Novembro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/ciencias-sociais/reflexao-do-filme

RESUMO

O presente artigo versa sobre as estratégias de redescrição do filme “A Maçã”, que origina na problemática de analisar a interação social dos personagens, tendo como objetivo específico apreender o entendimento sobre infância e os direitos da criança. O filme supracitado propõe abordar sobre crianças que são submetidas ao cárcere privado. No filme o genitor justifica a prisão domiciliar com uma passagem do texto religioso dizendo que as adolescentes “são como pétalas que fenecem ao contato do sol”. A metodologia utilizada é a redescrição utilizada como instrumento para externar as narrativas silenciadas pelas meninas.

Palavras-Chave: Cárcere infantil, família, criança, cinema.

INTRODUÇÃO

O filme “A maçã”, é uma produção iraniana que ocorreu em 1998, dirigido e produzido por Samira Makhmalbaf, a fílmica utilizou as participações das próprias vítimas que interpretaram as personagens Massoumeh e Zahra. “A maçã” narra à história real de duas irmãs, seus genitores as colocaram em cárcere privado por um período de doze (12) anos, a atitude desesperada de seu pai um senhor desempregado e de sua mãe uma pessoa com deficiência visual acarretaram as meninas um possível retardo mental.

A prisão domiciliar era justificada sob um texto religioso, no qual descrevia os jovens como pétalas, que fenecem ao contato do sol. Deste modo, o filme se desenvolve no drama dos pais, sobretudo do pai, que não quer ver suas filhas sob a tutela do Estado. Em que, o mesmo tentará ensiná-las a realizar funções essenciais, como varrer o terreiro e fazer comida, a fim de provar a uma assistente social que suas filhas devem permanecer com a família. O interessante é que além de a história ser verídica, ela é produzida com o mesmos indivíduos que vivenciaram o drama na realidade, cada um representando a si mesmo. No qual, podemos citar o caso do pai que consentiu representar a si mesmo no filme com o propósito de se autodefender, uma vez que o mesmo fora bastante caluniado pela imprensa, em sua opinião, quando o caso veio à tona.

A redescrição constitui-se em uma estratégia narrativa que possibilita a condução para a autonomia, a autocriação, o constante construir e reconstruir, escrever e auto escrever que de forma solidária, impulsiona atores sociais envolvidos no enredo. A busca por novos significados permitiu encontrar não apenas um mundo melhor ou ideal, mas novos e melhores mundos jamais sonhados. Segundo Richard Rorty (2005), em seu livro “Pragmatismo e Política”, devemos utilizar a imaginação, pois é com ela que se torna possível descrever a nós, aos outros e ao mundo. Sendo assim, com base na classificação das estratégias de redescrição, tendo como ponto comum a narrativa, foi possível encontrar no filme “A Maçã” a imaginação para o debate do tripé infância, família e aprisionamento, bem como para sua redescrição.

O presente artigo versa sobre a vivência da infância e seus direitos humanos, limitando as condições sociais. Investigar a temática é romper com os paradigmas de uma cultura discriminatória e sedimentada no espaço social. A relevância  está ancorada nas novas concepções relacionadas aos direitos humanos tendo como protagonista as crianças, historicamente excluídas e subjugadas.

Explanar-se-á respeito do cárcere privado infantil vivenciado pelas protagonistas narrados no decorrer da história relatada no filme, pontuando o embate travado pela Assistente Social e pelos pais das gêmeas para libertá-las do cárcere. Em diversos momentos ímpares da história as personagens manifestam a necessidade de  socializarem com o mundo exterior buscando ter o direito de serem e viverem como crianças. Nessa perspectiva A Maçã possibilita uma reflexão sobre as diversas formas de enfrentamento nas lacunas sociais.

A família é a base da estrutura do indivíduo, é através da família que aprendemos valores, moral, cultura e hábitos, aprendemos a respeitar o outro em sua totalidade. Família é uma instituição com finalidade de prover o desenvolvimento fundamental do indivíduo. O papel é invertido quando a família muda de posição, ao invés de proporcionar meios para o desenvolvimento humano, está mesma família é capaz de produzir  formas de retrocesso e privações na vida do sujeito.

DESENVOLVIMENTO

CRIANÇA UM SER SOCIAL

A escolha do filme: A maçã emergiu para o aprofundamento das questões relacionadas aos direitos humanos das crianças envolvidas na perspectiva da psicologia e do Serviço Social, profissões que trabalham sempre de forma interprofissional e multiprofissional. Ao propor o debate entre o filme que reflete o cárcere privado infantil acarretando como consequência um comprometimento mental significativo.

Sujeito e sociedade são constituídos em um processo cronológico e constante. O subjetivo e o objetivo constituem-se em uma relação conflituosa, de tensão e antagonismo, mas que revela uma constante criação e recriação da vida individual e da vida coletiva. “[…] o indivíduo se constitui enquanto subjetivação e internalização da objetividade social e a sociedade se constitui enquanto muitas e diferentes expressões objetivadas dessa subjetividade” (RESENDE, 2007, p.43).

Ao contrário do que se afirma acerca da teoria freudiana desconsiderar a relação sujeito-sociedade, o próprio Freud ([1921], 2006) assegura que:

Está invariavelmente envolvido na vida mental do indivíduo, [o outro] como um modelo, um objeto, um auxiliar, um oponente, de maneira que, desde o começo, a psicologia individual, nesse sentido ampliado, mas inteiramente justificável das palavras, é, ao mesmo tempo, também psicologia social. (p.43).

Nesse trecho, Freud demonstra a integração entre a constituição do sujeito e sua relação com o “outro”, que pode ser compreendido como objeto de direcionamento da pulsão em que se deseja ter ou ser – identificar-se. Ao analisarmos os sujeitos, nos deparamos sempre com a dimensão dos objetos que originalmente externos foram internalizados, tornando-se parte da dinâmica individual.

Resende (2007) afirma que o sujeito a que Freud se referia não possui existência em si próprio. Ao confrontar-se subjetiva e objetivamente com os outros (indivíduos e objetos externos), o sujeito de Freud encontra os nexos que constroem sua vida psíquica. Nesse sentido, o sujeito existe em sua relação constante com o outro e com a cultura. Freud ([1930], 2006, p.165) afirma que assim “como o planeta gira em torno de um corpo central enquanto roda em torno de seu próprio eixo, assim também o indivíduo humano participa do curso do desenvolvimento da humanidade ao mesmo tempo em que persegue seu próprio caminho”.

FAMÍLIA CONTEMPORÂNEA E SUA REPRESENTAÇÃO

A família contemporânea vem, em meio a profundas alterações psicossociais na sociedade ao longo dos séculos, sendo conceituada e analisada por vários filósofos e pensadores de diferentes épocas, despertando o senso crítico sobre o contexto familiar.

Quando pensamos em família, por isso chamamos o fim do conceito de família composta por pai, mãe, filho ou pessoas puras, e se esquecem de considerar o contexto em que esta família está inserida como analisar cultural, social, político e família; família definição que pode ser um tanto quanto subjetiva, quando não levam em conta esses aspectos.

Os membros que se ligam a família contribuem efetivamente para o crescimento individual e da convivência em grupo, independentemente de diferenças étnicas e culturais, tendo como principal objetivo o cuidado e preocupação com os outros, a fim de criar um vínculo emocional seja inato ou não.

As famílias podem ser organizadas como se relacionam entre si e estão organizadas também como o número de componentes, ou seja, a forma como eles são e solidificar os laços fraternos do amor e da reciprocidade.  A família nuclear composta de pai, mãe e filhos,  é considerada a estrutura mais comum da família, se subdivide os papéis de cada membro, ou seja, quando o homem é o único provedor da família, e a mulher sob a direção do lar, da casa e dedicada a cuidar de crianças, é chamada de família nuclear tradicional. (BOZA e BARBOZA FERREIRA, 2010). Quando estas funções são iguais entre homens e mulheres, temos a família conjugal nuclear.

Famílias mono parentais são aquelas formadas apenas pelos filhos e um pai, ou mãe, geralmente quando ocorre o divórcio, separação, um deles sai de casa ou por morte. Quando as separações do casal com filhos ocorrem  e estes assumem novas famílias, esta nova constituição é considerada família recomposta, onde os membros de uma família se juntam com a de outra , pais e filhos, para conviver com novos membros designando a reconstituição de uma nova família.

Famílias extensas são aquelas em que há aumento da família nuclear, ou seja, quando outro membro se junta à mesma família, geralmente nos casos em que os filhos se casam e vivem com os pais na mesma casa ou  quando o filho(a) que se torna  pai/mãe prematuramente ou, a mãe está obrigando a viverem na mesma casa, ou parentes de sangue, tais como avós que necessitam de atenção e um melhor atendimento. (BOZA e BARBOZA FERREIRA, 2010).

A família homoafetiva, na qual há uma relação entre duas pessoas do mesmo sexo, a comunidade familiar, onde homens e mulheres coabitam a mesma casa ligado por um ideal comum, ou pensamento, promover a família, onde os casais buscam ter seus filhos por meio da adoção ou criar filhos de outros casamentos, união familiar livres, onde a família escolhe a opção de não legalizar o casamento para, grávida família religiosa ou civil, em que um membro engravida sem contar com as condições sociais , entre vários outros .

Segundo Sarti (2000), é por meio da família que estabelece os laços de afinidade e parentesco, fatos que vivem da vida real, como um grupo social específico, através da troca de ligação emocional e tendo raízes ainda mais dos pais. A família é abertura para a vida em sociedade, é o primeiro ensaio para a vida real, onde você tem a chance de cometer erros e aprender com os outros, aprender através deste respeito mútuo pelos outros, amizade, dedicação e atitude para enfrentar os desafios em relação à vida e a construção social.

CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA FAMÍLIA

O processo histórico da estrutura familiar está intrinsecamente relacionado com as influências e as mudanças estruturais e culturais na sociedade, como mudanças de agir, pensar e ser do Homem ao longo da história, por isso a família vai ser moldada de acordo com os novos paradigmas.

A família é uma instituição social que convive em um movimento de constantes transformações sociais, sendo permeada por valores do passado e do presente. Ela não é, portanto, fruto de uma vivência imediata, mas, resultado de uma história, trazendo um legado do passado em sua configuração contemporânea. A família, ao mesmo tempo em que constrói a história, influência e recebe influência da sociedade fazendo parte de sua dinâmica. (D’INCÂO, 1989).

A família está permeando os processos de cultura e influências da sociedade ao longo dos séculos, de gerações em diferentes culturas e disseminação de ética e moral ser humano, a construção de novos horizontes, a difusão das ideias e conceitos do passado para o presente, tecendo a estrutura dinâmica de a família tradicional ao contemporâneo.

Segundo Cachapuz (2004), a palavra família vem do latim e significa servo, procissão, ideia de casa, ligado ao mesmo ancestral. O surgimento da ideia de família está ligado ao sistema patriarcal, o casamento monogâmico e heterossexual.

De acordo com relatos históricos, na Roma antiga, o homem era um membro da família considerado supremo sacerdote, com autoridade sobre os outros participantes da família ou agregado familiar, sendo uma esposa, filhos e escravos de todos os seus subordinados, tendo apenas sensação de prazer na carne sem a construção de uma convivência afetiva e amorosa.

No Brasil, o contexto familiar também do modelo patriarcal, onde o homem é considerado superior em sua casa, o chefe da família, dotado do poder de decisões e a mulher cabe dar prazer sexual, puericultura e tarefas domésticas, sendo regulado e medido de acordo com as suas regras. A mulher foi negado o direito de criticar, de opinião, estudo e trabalho sem a permissão de seu marido ou pai, segurando potência máxima.

As crianças não eram autorizadas a falar com os pais, bem como recebiam ordens, cumpriam obediência completa, e não demonstravam afeto. O filho foi submetido a campo desde trabalho braçal pouco, onde a economia está praticamente deu a fazenda da família, quando chegou à adolescência, em geral, foram apresentados às prostitutas, muitas vezes pelos próprios pais, na ânsia de ver os filhos “atuando” construindo seu papel de homem . E, para as meninas, foram educadas para serem donas de casa, prendadas e submissas aos futuros maridos, que eram escolhidos pelos pais, independentemente da idade e do sentimento, com o objetivo de consolidar mais riqueza e prosperidade entre as famílias envolvidas.

A criança não tinha o direito de escolher e  à elas foi autorizado a freqüentar a igreja para além da sua própria casa, sem ser desaprovada pelo resto da sociedade afirma (CACHAPUZ, 2004).

Sobre a estrutura familiar naquela época, foram atribuídos papéis claramente definidos para cada membro, de acordo com idade e sexo biológico, onde quase tudo funcionou na mesma casa ou no campo, estabelecendo a família alargada, uma vez que quanto maior o número de filhos e parentes sob o mesmo teto mas acrescentou mão de obra exploratória.

A Igreja Católica também era soberana em seus dogmas e preceitos religiosos, e com o forte jogo do poder político que a Igreja exercia na sociedade à época, ela mantinha o poder nas mãos dos homens, incentivando o papel subordinado das mulheres e das aulas de cultura e de bens desfavorável descreve (BOZA e BARBOZA FERREIRA, 2010).

A partir do século XIX, com o advento da revolução industrial, o modelo patriarcal da família e esta configuração generalista começam a serem questionadas e passam por intensas mudanças nos campos político, social e religioso. Neste contexto, o modelo de família nuclear tem força, sendo constituída pelo pai, mãe e filhos, e a mulher liberada para um novo visual e papel dentro da família, que deve ser visto como uma boa esposa, fina, educada, talentosa e passando a assegurar os cuidados de seu marido e criar os filhos com mais dedicação e amor. É o dever do homem para fornecer um meio de vida para a família , com foco no futuro promissor do filho do homem, que atribuiu as expectativas e educação privilegiada para administrar os negócios da família .

São características dessa família: o amor conjugal e entre pais e filhos, a monogamia, a fidelidade, o cuidado da prole no sentido de protegê-la e educá-la de acordo com os princípios da moral, da higiene dos bons costumes. Enfim, é um lugar de refúgio, de proteção, d e lealdade e amor, respeito à autoridade do pai, provedor e responsável pelo bem estar da família (POSTER, 1979 apud MACEDO, 1994).

Durante este período, as primeiras questões sociais surgem difundida pela nova sociedade burguesa, que tomou o poder no comércio e no mercado industrial. Com o avanço tecnológico das máquinas e mão-de-obra barata, as famílias tornaram-se separadas por classe social, com a falta de recursos para alimentar suas famílias, as mulheres foram forçadas a vender a força do trabalho nas fábricas por um valor abaixo do mercado, o trabalho realizado pelas mulheres e pelas crianças eram cada vez mais explorados, condenou a muitos a condições análogas ao trabalho escravo.

Para Kaloustian (1994), a família é o espaço fundamental para garantir a sobrevivência e proteção das crianças e familiares, independentemente de como eles são organizados em sua estrutura. Neste contexto, existe uma preocupação com a educação e a saúde das crianças, fortalecendo os laços familiares, com base no afeto e muito suor para garantir o sustento e a esperança de uma vida melhor. Como ressalta Szymanski (2002), a estrutura familiar não é determinada em relação ao cuidado com a família, porque duas famílias podem apresentar relações de comportamentos diferentes, sendo apenas histórias relevantes, classe social, cultura, família e organização significativa neste mundo estrutura familiar

CONFIGURAÇÃO FAMILIAR DO SÉCULO XXI

A família tem se moldado e reconfigurado, criando novos paradigmas por séculos, através das idéias e conceitos de romper com os direitos conquistados no passado e espaço social permeado por novos desejos, dando um novo olhar sobre a sociedade e o conceito de família tradicional.

O conceito moderno de família é basicamente a troca de papéis entre homens e mulheres em uma sociedade onde a mulher ganha mais espaço igualando seus direitos e deveres em relação a figura masculina.

Para Lacan (2002), a família moderna aparece como uma contradição da instituição familiar e apresenta uma estrutura complexa, uma vez que permeia complexo cujos documentos estão organizados em desenvolvimento psíquico. Os papéis da família estão se reconfigurando de acordo com as mudanças do desenvolvimento natural da sociedade em geral, agregando novos valores e obrigações para com a família, e para processar essas mudanças e pactuar com eles não é tarefa fácil, especialmente quando se vive na mesma casa de diferente pessoas e gerações.

Durante séculos da história da sociedade, a mulher foi oprimida em relação aos seus direitos e opiniões, com o avanço da tecnologia, da educação e da política social, esta tabela tem tido gradualmente intensas mudanças, mas agora deu lugar ao novo século uma nova esposa , uma mulher que lutar e conquistar seus direitos e voz na sociedade assumir qualquer papel que os jogos representam afirma (BORSA e FEIL, 2008).

Dentro desse contexto, o homem está tentando redefinir o seu papel na família e na sociedade, resgatando, a necessidade do muito econômico, valor do seu lado paternal com as crianças e emocional com a família como um todo, refletindo os outros papéis que leva, seja ele, profissional, acadêmico ou familiar. Muitos foram os comentários sobre a reprodução da sociedade nas últimas décadas, não só os homens e mulheres, mas seus papéis também sofreram mudanças, considerando que muitas estruturas sociais da sociedade haviam mudado o seu perfil ao longo da história. A legalização do divórcio, o avanço dos contraceptivos orais, a longevidade dos idosos, controle de natalidade, maior inclusão social, entre outros.

A partir dessas mudanças, as novas configurações familiares surgiram na sociedade do século XXI, como exemplos, a legalização da união entre casais homossexuais representados pelo cultural casamento e direito à adoção, os pais divorciados permanecem com seus filhos sozinhos, as mulheres que optam por ser mãe solteira, o aumento da gravidez na adolescência e a redução do número de filhos por casal. A constituição de família que mais tem crescido nos últimos tempos é a família conjugal nuclear, onde homens e mulheres compartilham os mesmos papéis enfatiza  (BOZA e BARBOZA FERREIRA, 2010).

Com base nessas observações, podemos notar uma grande diferença entre o contemporâneo à família tradicional, num cenário histórico, onde a mulher deixa a submissão de trabalhos para o marido e proprietário exclusivo da casa para ganhar espaço no trabalho remunerado, o direito de voto, e demonstração de seus sentimentos com a família. O homem também muda de opressor e detentor da razão para o papel de pai , marido e despesas das famílias dos funcionários. A relação entre pais e filhos também sofreu intensas mudanças , deixando o modelo do autoritarismo para o reforço do diálogo , amor, paciência e dedicação. Os idosos também têm agora uma outra perspectiva de vida no seio da família , com o aumento da expectativa de vida , a extensão do tempo de serviço , e agora tem mais interação com a família e, especialmente, com o aumento das separações , avós muitas vezes passam a cuidar de netos em tempo integral quando não ganhar a custódia do mesmo , por vários fatores.

Independentemente das estruturas familiares existentes, não existe um modelo padrão para a família, ou seja, a família será sempre o núcleo de vida, socialização, afetividade, educação e proteção de seus membros, especialmente o primeiro cuidado da criança relata (BOZA e FERREIRA BARBOZA, 2010).

Em comparação com outras décadas, hoje ele tem uma perspectiva diferente sobre a família, uma vez que os outros parâmetros são idealizados , bem como idéias, conceitos religiosos e sociais. O ser humano evolui à medida que você pensa sobre si mesmo e sua família.

APRISIONAMENTO E LIBERTAÇÃO

Aprisionamento e libertação são termos antagônicos, mas, que são paralelos sempre percorrendo juntos. De acordo com Marie-Victoire Louis (1999) aprisionamento é uma forma de dominação que é a negação de direitos, as violências, as torturas e o cárcere privado.

Aprisionamento no dicionário Aurélio (2002) significa ato ou efeito de aprisionar; apresamento; apresamento, apropriação, arresto, carceragem, confinamento, detenção, encarceramento, encerramento, enclausuramento, prisão.

Hennicka (2016) compreende o termo aprisionamento como algo que ocorre de diversas formas e acontece em muitos lugares. Exemplificando o cárcere privado é uma negação sobre o outro de não poder se locomover, de poder ter acesso aos direitos garantidos em lei tais como: saúde, educação, lazer e cultura. A condição de estar presa assume as mais diversificadas formas não poder frequentar a escola ou universidade e não possuir o direito de ir e vir também é uma forma de prisão.

Brandalise (2017) diz que as mulheres são assujeitadas, presas: pelos valores, pela sociedade, pela condição carcerária. Caracteriza-se aprisionamento, a mulher ter sua vida anulada sobre as rédeas do pai, ter que se casar e permanecer à mercê da subordinação do marido

Arendt (1994) em sua obra, “Da Violência” preconiza que as consequências negativas que viole o direito e a dignidade do ser humano é uma forma de aprisionamento. Confirma Morin (1998) no sentido de dizer que tudo que é capaz de gerar sofrimento ou aniquilação do corpo do ser humano, assim como danificar ou causar danos a integridade psíquica é uma forma de aprisionamento e violência.

Para Spinoza (2006, p. 180) a liberdade não exclui a necessidade de agir; pelo contrário, coloca-a. Pettit contrapõe esse conceito de liberdade como não dominação: “uma pessoa livre é aquela que não vive sob desejo arbitrário ou dominação de outros. Enfatiza que a concepção de liberdade como não dominação advém de uma antiga tradição que associa ser livre a não ser dominado ou subjugado por ninguém”.

REDESCRIÇÃO DO FILME

A cena captada pelo foco da câmera mostra um pequeno braço se esforçando para colocar água em um vaso de planta. É perceptível a dificuldade em ministrar o copo com água sobre o vaso, pois, as primeiras gotas são derramadas fora do local desejado. Ao decorrer da cena visualiza um casal sentado de costas um ao lado do outro, a mulher está com a cabeça coberta com um lenço estampado de marrom e o homem com uma boina na cabeça.

A mulher pergunta:

– Onde você está?

-Você pode vim e me segurar?

A cena seguinte foca no braço ainda tentando regar o jarro de planta. Eis que uma voz soa:

– Zhara querida!

Eis que o homem que estava sentado ao lado da mulher aparece caminhando de um lado para o outro com boina na cabeça e óculos de grau no rosto, sua aparência é de aproximadamente 60 anos de idade, em sua mão direita carrega um grande pedaço de pão e com a mão esquerda segura uma tora de gelo. O homem repetia sem parar:

-Salgado! Pão!

Pela fresta do portão de grade uma menina com a cabeça coberta com um lenço preto está a observar, essa cena não define o que se observa.

Uma voz ecoa:

-Zahra querida! Massoumeh querida! Nós temos que ir. A voz questiona:

-Onde está meu marido?

O marido contínuo na rua deambulando dizendo:

-Salgado!

-Pão! Salgado!

Um papel em branco escrito em algumas linhas é encaminhado para o diretor do Bem – estar.

O documento dizia: Nós o informamos por meio desta, que em Valiasr, Teerã, na estrada para Saveh, a Não…10ª avenida de Sajadi, vive – ou sobrevive – uma família composta de um homem, uma mulher cega e duas meninas de 12 anos. As duas meninas nunca estiveram fora da casa. Até mesmo a porta de lá fica fechada. Eles não podem falar. Eles não tomam banho há anos. Todos os vizinhos estão se queixando da situação, mas ninguém que intervêm. Assim, nós, com o abaixo-assinado, lhe pedimos que entre em ação urgente.

Após a denúncia dos vizinhos sobre as condições de vida que as gêmeas viviam, surge uma mulher caminhando com o pai das meninas. A mesma dizia:

– Você tem muito para se manter vivo. Mas, você tranca suas crianças e sai!

– Aquilo não é certo, não?

– Se você quer ver suas filhas, eu o levarei.

– Suas pobres meninas são inocentes! O pai disse:

– Senhora,

– Faça o que você puder pra deixar a mãe delas as ver. A mulher respondeu:

– Certo.

– Primeiro, me deixe ver a mãe delas. O pai diz:

–  Ela diz que machucarão suas filhas.

– Eu farei o que eu puder. A mulher responde:

– Nós não machucamos as crianças. Abra a porta.

– Os vizinhos fizeram uma reclamação com o Departamento de Bem – Estar, assim nós entramos em ação.

A mulher continua dizendo:

– Você não deixava os vizinhos levá-las aos banheiros públicos. Elas não foram lavadas há anos.

O pai diz:

– Zahra, Massoumeh, vêm aqui. A mulher então pergunta:

– Nós podemos entrar?

Ela mesma responde ao pai:

– Você vai primeiro.

A mulher fala para mãe das crianças:

-Estas crianças não têm nenhum contato com o mundo externo.

Na narrativa do filme as gêmeas não tiveram contato com o mundo exterior, sendo privadas da vida social, da liberdade, da saúde, do lazer, do esporte, da cultura e da educação.

O estatuto da criança preconiza em seu artigo Art. 16,

Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:

I   – Ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;

II  – Opinião e expressão;

III – Crença e culto religioso;

IV  – Brincar, praticar esportes e divertir-se;

V  – Participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;

A assistente social demonstrada no filme faz alguns testes com as crianças, tais como: Pergunta o que tem dentro do copo, qual o seu nome, qual a sua idade. A reação das crianças é espantosa, as mesmas, não sabem responder as perguntas feitas. O aprisionamento e a exclusão que foram submetidas às deixaram com várias consequências como o prejuízo na aquisição da linguagem além da dificuldade motora como andar.

Pinker (1994) a aquisição da linguagem normal é garantida até os seis anos. Piaget compreende a aquisição da linguagem como dependente do desenvolvimento da inteligência da criança, para Vygotsky (1998) é o próprio processo de aprender que gera e promovem o desenvolvimento das estruturas mentais superiores.

A assistente social diz ao pai das meninas:

– Pelo amor de Deus! Elas têm que ter um futuro, um papel na sociedade. Elas deveriam se casar.

O pai responde:

–  Eu cuidarei delas em casa.

Uma vizinha da entrevista ao jornalista sobre as condições de vida das gêmeas dizendo:

– Durante anos, elas têm vivido como prisioneiras. Mas aos prisioneiros são permitidos ar fresco. Mas a elas não são! O pai delas as tranca o dia todo.

O pai em entrevista diz:

–  Muitas crianças com pais cegos vão à escola. Até mesmo órfãos vão à escola. Como eles fizeram? É destino, é destino.

O jornalista diz:

– Você está cansado. Eu trarei um pouco de água para você. O pai diz:

– Eles dizem: “Se o sol matutino não o esquenta, o sol da noite não vem.”

– Claro se elas tivessem estudado como as outras crianças, eu e a sociedade se beneficiariam. Mas, isso é como é.

O entrevistador diz ao pai:

– Você não as deixou estudarem. O pai responde:

–  É minha culpa, eu não estou dizendo que não é.

A mãe com a cabeça toda coberta com o lenço pergunta:

–  Nós vamos para a casa?

O entrevistador da casa de Bem – estar responde:

– Vamos ver as crianças primeiro. Em seguida pergunta a mãe:

– Você quer vê-las? A mãe responde: Sim.

A mãe é levada ao encontro de suas filhas, ao passar a mão sobre a cabeça das meninas percebe que elas não estão usando o lenço. E começa a questionar cadê o lenço?

A mulher referida é uma assistente social que responde:

– Nós tiramos o lenço para lavar suas cabeças.

A mãe fica enfurecida e começa o xingamento e diz:

– Eu não estou insultando ninguém.

E continua dizendo:

– Me dê minhas crianças!

– Eu prometo que as lavarei. A assistente social diz:

– Você promete então as deixarei ir. O pai das crianças fala para a esposa:

– Eles disseram para não fechar mais a porta, que temos que permitir saírem.

– Você pode levar as crianças para casa, mas você não pode fechar a porta mais.

O pai continua dizendo: Nós colocaremos um refrigerador, assim nós poderemos beber água fria. Nós ficaremos bem. Eu as levarei aos banheiros públicos. Eu pagarei para tê-las limpas. Se nós fizermos tudo isso, nós poderemos mantê-las. Nós temos que mantê-las limpas, ou eles as tirarão novamente de nós.

As crianças são permitidas irem com seus genitores para sua residência, mas, ao chegarem às meninas são novamente trancadas dentro de casa e ficam observando o sol pela grade da porta. As meninas olham para o céu e pegam uma tinta preta e começa a colorir a mão e deixar a marca de suas mãos na parede da casa.

A esposa diz ao marido: Marido, ajude – me, eu estou assustada.

O marido não responde e começa a fazer o café. Nesse momento ele começa a falar com uma de suas filhas a pede perdão e começa a lhe ensinar como cozinhar o arroz. Em seguida diz:

– Deus fez a mulher para ela se casar. Ela não deve ficar só. Eu não quero que as

pessoas digam: “A mãe dela é cega, então ela nunca aprenderá nada”.

A campainha toca e o senhor Naderi vai atender. Quem estava no portão era a vizinha.

O pai diz a vizinha: Eu não quero vê-la. A vizinha diz:

–   Por quê?

O senhor Naderi responde:

– Porque você me caluniou. Isso é muito sério. Eu não a perdoarei e nem Deus. O que você disse eram mentiras… que eu não deixava minhas filhas saírem. Que eu as trancava aqui dentro!

A vizinha responde:

– Isso é difamação. A pessoa que disse isso estava errada. Mas, todos sabem que durante 12 (doze) anos, você prendeu suas crianças e não as alimentou corretamente. Todo o mundo diz que você não cuidou delas.

O pai das crianças responde:

– Eu fui caluniado no país inteiro, TV, na imprensa, é tudo o que eles falam. A vizinha contrapõe dizendo:

– Não é bom que o Bem – estar veja como suas filhas estão? É bom para todos vocês. Eu não era a única para entrar em ação.

O pai rebate dizendo:

– Todos estão me mostrando. A vizinha rebate dizendo:

– Mas você as trancou durante onze anos, não? O pai se explica:

– Eu persisti que ficassem em casa, eu não estou dizendo eu não fiz. Eu não as mandei à escola. Mas eu não as trancava. É difamação. Por que eu estou sendo desonrado?

A vizinha retruca:

– Ser trancado em casa e ser mantido em casa é a mesma coisa! O pai das meninas diz:

– As pessoas dizem: “Ele estava na TV e nos jornais. Ele trancava as crianças em casa!”

A vizinha conclui:

– Mas elas foram trancadas. O resto não importa. O pai questiona:

– Não é importante! Você me desonrou. Eu não trancava minhas crianças. É tudo mentira.

A vizinha se opõe e diz:

– Não há nenhuma diferença entre trancar em casa e não ver o sol durante onze anos! Eu o pagarei para cuidar das crianças.

O pai responde:

– Não, até mesmo se você me desse um milhão, eu não faria isso. Eu não quero o seu dinheiro. Eu não aceitarei isso por causa de todas as mentiras.

A vizinha diz:

– Reze para minhas crianças. O senhor Naderi responde:

– Eu quero dizer…nesse momento ele começa a chorar e diz: os jornais escreveram que eu trancava minhas crianças…

A vizinha diz:

– Não chore.

O pai pergunta:

Por que eu teria feito isso? A mãe delas é cega. Ela fechava a porta, assim elas não saíam pra fora. Mas por que você me caluniou? Eu não a perdoarei, e nem Deus. Eu estou humilhado. Eu estou muito bravo. Neste calor, todos estão bebendo água, tem um ventilador ou ar-condicionado. Mas eu não. Eu estou muito preocupado. Não precisam disso. Deus nem o Profeta a perdoará.

A mulher conclui a fala dizendo:

– Eu deixarei o dinheiro com você. Adeus.

O senhor Naderi adentra a residência e diz para as filhas: Uma de vocês poderia lavar as roupas, a outra poderia pegar a vassoura e varrer o quintal. Caso contrário, a assistente social dirá que vocês não aprenderam nada, que você não lavou, que você está suja. Ela a levará de volta e a manterá. Vão meninas. Uma de vocês lava as roupas e a outra varre o quintal. Eu farei a refeição. Fazem direito, meninas. Cuide das roupas.

– O senhor Narderi diz:

– Zahra, lave as roupas.

Atendendo ao pedido do pai as gêmeas começam a organizar a casa, uma varrendo o quintal e a outra lavando roupa. Massoumeh após varrer o quintal ajuda Zahra a lavar as roupas.

Na calçada alguém grita:

– Sorvete! Sorvete delicioso.

Uma das meninas escuta o anúncio se apóia no muro e sobe no portão e diz ao pequeno vendedor de sorvete:

– Sorvete eu quero.

O pequeno vendedor pergunta:

– Você quer um? Qual você quer? Este aqui ou esse? 10 tomans qual você quer? Vá pegar o dinheiro.

A pequena garota responde:

– Eu não tenho.

O garoto então responde: Então você não terá um sorvete.

A menina diz:

– Dê pra mim.

O pequeno vendedor continua a dizer:

– Me dê o dinheiro. 10 tomans, 10 tomans. A menina responde:

– Eu não tenho dinheiro. O menino diz:

– Então, vá embora.

A cena chama atenção porque é a primeira interação social da criança com o mundo exterior. Na Sociologia, a interação social é um conceito que determina as relações sociais desenvolvidas pelos indivíduos e grupos sociais.

Conforme Queiroz (2006), não há interação entre indivíduos isolados. O contato social é um pré-requisito para estabelecer a comunicação direta ou indireta. Portanto, a interação social é o fundamento para a vida social.

É notório no filme que esse primeiro contato com o mundo exterior será o pontapé para o início do desenvolvimento infantil das irmãs. Após o diálogo das crianças a cena seguinte é a visita da assistente social a casa das gêmeas. Ela tocou a campainha e para a sua surpresa o portão estava trancado, decidiu tocar a campainha do vizinho e perguntou se o mesmo teria uma escada para emprestar. Muito destemida a assistente social subiu no muro para visualizar as crianças e começou a falar:

– Como você está Zahra?

Nesse momento a vizinha que observava pela janela começou a questionar a assistente social:

– Oi, senhora, como você está?

– Por que você as deixou voltar? A assistente social respondeu:

– Elas devem ser educadas fora e pela família delas, também. A vizinha então responde:

– Você fez a coisa certa.

A assistente social agradece:

–  Obrigada.

As irmãs todas sorridentes cada uma está com uma colher batendo na grade da porta, a assistente social verifica que as meninas estão realmente trancadas e desce da escada. A vizinha que estava a observar diz:

– O pai delas as trancou e saiu.

A assistente social pergunta para o menino que a ajudou a subir no muro:

– Você pode abrir a porta? O menino responde:

– Sim.

Nesse momento o menino que estava em cima do muro coloca a escada dentro do quintal, desce a escada e abre o portão para a assistente social entrar. A assistente social agrade o menino por ter a ajudado abrir o portão:

– Muito obrigada.

As meninas continuam batendo as colheres na grade da porta e nesse momento a assistente social pergunta:

– Oi meninas. Como vocês estão?

A assistente social indaga:

– O que é isso?

A assistente social conclui:

– Uma colher. Vejamos.

A assistente social dispara com as perguntas:

– Você está bem?

– O que estavam fazendo?

Uma das irmãs responde: O prisioneiro…

A assistente social indaga: O prisioneiro? Por quê?

A outra irmã responde: A porta fechou.

A assistente social pergunta: Fechou?

A assistente social questiona: Onde está seu pai?

Uma das gêmeas responde: Eu não sei.

Intrigada a assistente social pergunta: Por que estas colheres?

As meninas respondem, mas, a assistente social não consegue compreender o que dizem.

– O que?

– Bater? Para que?

Vou ver. Querem alguma coisa?

As irmãs respondem: Maçã.

A assistente social responde: Certo, da próxima vez trarei.

A assistente social segurando uma sacola diz:

Hoje, eu trouxe algo para que vocês possam se ver bonitas.

Nesse momento ela retira 02 (dois) espelhos e entrega para cada uma das gêmeas. Esses espelhos representam a sua própria imagem, esse momento da cena é muito forte, pois, repassa para o telespectador que diante ao espelho a imagem das crianças foram desvendadas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A princípio no início do filme a sensação ocorrida foi de julgamento e de condenação aos pais, mas, com o desenrolar das cenas foi percebido que as atitudes dos pais em relação a manter suas filhas em cárcere privado não eram por maldade e sim por ignorância.

É notório que as atitudes dos pais acarretaram consequências no desenvolvimento das crianças. O cérebro de uma criança não nasce pronto, se modifica desde seu nascimento até ao longo da vida. O ser humano necessita de estímulos para se desenvolver parte cognitiva, física, emocional e espiritual.

O filme “ A maçã” é uma história verídica que narra a trajetória das gêmeas que foram isoladas da sociedade, as mesmas não foram estimuladas nos primeiros anos de vida, acarretando em um processo de retardo mental por falta de interação com o meio algumas áreas foram comprometidas como a linguagem e a motricidade.

As meninas por não se relacionarem com o mundo exterior tem a falas comprometida e possuem comportamentos inadequados para a idade. A aprendizagem é essencial para o desenvolvimento e sobrevivência humana determinando a qualidade de vida do indivíduo. Após doze (doze) anos sem contato com o mundo exterior tiveram sua liberdade de serem crianças reconquistadas voltando ao convívio social e a integração.

Contudo, houve uma libertação, uma vez que analisou-se as evidências como a maçã que faz jus ao título do filme, no sentido de libertação, pois é através dela que as meninas fazem contato com o mundo exterior e com outras pessoas.

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[1] Mestrado em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Serviço Social-PUC (2019); Especialista em Ensino Interdisciplinar em Infância e Direitos Humanos -UFG (2019); Especialista em Educação Especial e Inclusiva- Faculdade Mantenense dos Vales Gerais- INTERVALE (2019); Especialista em Urgência e Emergência pelo Instituto Superior de Educação ATENEU – ISEAT (2019); Especialista em Políticas Públicas e Elaboração Projetos Sociais-FALBE (2017); Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Brasileira de Educação e Cultura -FABEC (2015); Graduação em Serviço Social pela Universidade Norte do Paraná (2013); Graduação em Administração – UNIFAJ (2004_; Graduação complementação Pedagógica pelo Instituto Superior de Educação ATENEU – ISEAT (2019).

[2] Especialista em Ensino Interdisciplinar em Infância e Direitos Humanos pela Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão/UFG (2017-2019). Possui Especialização/Residência Multiprofissional na área de Hematologia e Hemoterapia no Hospital das Clínicas de Goiânia HC-UFG/EBSERH (Fev/219). Especialista em Gênero e Diversidade na Escola Pela Universidade Federal de Goiás- Regional Catalão/UFG (2015-2017). É Bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal de Goiás – Regional Goiás/UFG (2013).

[3] Graduada em psicologia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal de Goiás. Possui Especialização em Atenção Multiprofissional em Hematologia e Hemoterapia pelo Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC- UFG/EBSERH) e Especialização em Psicologia da Saúde e Hospitalar pela Associação de Combate ao Câncer em Goiás (ACCG – PUC). Atualmente é mestranda em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia da Universidade Federal de Goiás.

Enviado: Setembro, 2020.

Aprovado: Novembro, 2020.

Mestrado em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Serviço Social-PUC (2019); Especialista em Ensino Interdisciplinar em Infância e Direitos Humanos - UFG (2019); Especialista em Educação Especial e Inclusiva- Faculdade Mantenense dos Vales Gerais- INTERVALE (2019); Especialista em Urgência e Emergência pelo Instituto Superior de Educação ATENEU - ISEAT (2019); Especialista em Políticas Públicas e Elaboração Projetos Sociais-FALBE (2017); Especialista em Docência do Ensino Superior pela Faculdade Brasileira de Educação e Cultura -FABEC (2015); Graduação em Serviço Social pela Universidade Norte do Paraná (2013); Graduação em Administração - UNIFAJ (2004); Graduação complementação Pedagógica pelo Instituto Superior de Educação ATENEU - ISEAT (2019).

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