Relação entre a ocorrência de queimadas, variação climática e o regime hidrológico do Rio Araguaia no município de Conceição do Araguaia nos últimos dezenove anos.

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LOPES, Edineudo Oliveira [1], GLÓRIA, Ronnio Filintro Décio [2], RIBEIRO, Williams da Silva [3]

LOPES, Edineudo Oliveira, GLÓRIA, Ronnio Filintro Décio, RIBEIRO, Williams da Silva. Relação Entre a Ocorrência de Queimadas, Variação Climática e o Regime Hidrológico do Rio Araguaia no Município de Conceição do Araguaia nos Últimos Dezenove Anos. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol.12, pp. 31-52, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O Rio Araguaia tem sua grande importância não só no município de Conceição do Araguaia, mas também em outros municípios e estado por onde escorre dando vida e servindo como ambiente de passeio, lazer e diversão. Entretanto ultimamente esse rio vem sofrendo com problemas no seu regime hidrológico, visando isto este artigo tem o objetivo de avaliar se há relação entre as queimadas local influenciando o clima e o regime hidrológico do rio Araguaia em Conceição do Araguaia PA. Para isso buscou-se levantar informações em sites especializados, artigos científicos, e livros. Foram também levantados dados através de pesquisa de campo com questionários aplicados a população ribeirinha e agricultores, a suposição dos mesmos seria que as queimadas estariam causando alteração climática e consequentemente impacto no nível do Rio Araguaia. No entanto com os dados obtidos nas pesquisas e com resultado final do trabalho não se pode afirmar que esse problema tem relação direta com as queimadas, como imaginavam os moradores locais. Os resultados obtidos nesse trabalho poderão ser utilizados como referenciais para novos artigos científicos e também como intermediador para novas pesquisas referentes ao assunto abordado.

Palavras-Chave: Queimadas, Mudanças Climáticas, Rio Araguaia.

Introdução

Segundo MOSS e MOSS (2007), o Rio Araguaia tipicamente brasileiro, nasce na chapada das Emas, na serra do Caiapó, na confluência dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e, atravessando terras, irrigando, dando vida e morte, escorre para a planície para encontrar outro majestoso e soberano rio: o Tocantins. Formando uma grande rede da região Centro-Oeste ao Norte do País. Possui uma extensão de 2115 km, com uma extensão navegável de 1818 km e profundidade mínima de 1,0 m; 0,9 m; 0,8 m respectivamente.

É importante pela sua biodiversidade e vasta riqueza biológica e também como fonte cultural e espiritual para os povos do Cerrado, possui uma intensa atividade balneária e turística devido à beleza de suas praias formadas no período de seca (julho a agosto), quando suas principais cidades e povoados recebem milhares de turistas e visitantes que montam acampamentos às suas margens (GALINKIN, 2002; COSTA et al., 2005).

Segundo Parrião et al., (2005), dentre os principais fatores impactantes do Rio Araguaia, observa-se a utilização da mata ciliar e principalmente, o ato inconsequente de depositar lixo e a incineração do mesmo nas praias e margem do rio, interferindo assim no regime hídrico uma vez que deixa seu leito mais raso, e mais sujeitos a erosão. Com leito mais raso e sem mata ciliar os alagamentos tornam se maiores e mais frequentes.

Simego (2002a) define as condições climáticas predominantes da bacia Araguaia sendo de natureza continental tropical, devido à sua posição continental, não sofre o efeito direto da confluência intertropical apresentando-se de semiúmido com tendência a úmido, caracterizando-se de acordo com a classificação climática de Koppen, no tipo Aw, de savanas tropicais. Ainda delimita duas estações bem acentuadas durante o ano uma chuvosa e a outra seca, com um mês de transição nas passagens de uma para outra, compreendendo o período mais chuvoso da bacia os meses de outubro a abril e o mais seco os meses de julho a agosto.

A questão das mudanças climáticas vem sendo discutida, durante um quarto de século, e se alarmou devido aos sérios desastres causados pelo aquecimento da temperatura da Terra. Jornais, centros de pesquisa ambiental e programas interdisciplinares foram criados em diversos países da América latina, todos preocupados com o âmbito local, regional e nacional da questão climática, (GIDDENS, 2009).

Para Marengo (2008), o Quarto Relatório Científico do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2007, traz evidências contundentes nas alterações do clima no planeta. O documento sugere, com confiança acima de 90%, que o aquecimento global dos últimos 50 anos é causado majoritariamente pelas atividades humanas, e um dos problemas que tem grande influencia são queimadas, destacando que o problema atingirá todas as áreas – em especial aos países menos desenvolvidos situados na região tropical.

De acordo com Silva (2007), entende-se por queimadas a destruição de vegetação pelo fogo, de forma natural ou provocada, como na prática agropastoril ou florestal que utiliza o fogo de forma controlada para viabilizar a agricultura ou renovar as pastagens. Segundo Silva e Silva (2006), incêndio é o fogo sem controle que incide sobre qualquer forma de vegetação, podendo tanto ser provocado pelo homem (intencional ou negligência), quanto por uma causa natural, como os raios solares. O clima é influenciado pela ação do homem através de suas atividades tendo consequentemente maior impacto nas áreas urbanas (MARENGO, 2001).

Atualmente vive-se diante de um cenário onde há grande preocupação com as questões climáticas, com meio ambiente, com a proteção de espécies, biomas e rios. O Rio Araguaia que faz parte da história de Conceição do Araguaia, onde se encontra uma população com cerca de 45.557 habitantes (IBGE 2010) e possui mais de cem anos de historia, sente alguns impactos principalmente com a grande incidência de queimadas a sua margem ou em suas proximidades nos últimos anos.

1.1 Breve históricos sobre queimadas e seus fins

Grande parte do país está acometido por queimadas que se estendem praticamente por todas as regiões, com maior ou menor intensidade. E neste contexto o município de Conceição do Araguaia não é uma exceção, pois com dados obtidos através do site do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE, 2017) é possível constatar números elevados de focos de queimadas no referido município. No Brasil, a queima de biomassa vegetal constitui uma prática de manejo utilizada em diferentes culturas, na criação e na manutenção de pastos para criação de gado e na expansão da fronteira agrícola. As queimadas estão amplamente inseridas no processo produtivo da Amazônia e do Cerrado brasileiro e é um fator que impulsiona a expansão agropecuária nestas regiões agricultores e fazendeiros queimam suas terras para converter florestas em áreas de lavouras ou pastagens e para controlar a proliferação de plantas invasoras, de pragas ou de doenças (COUTINHO, 1990; ALENCAR et al., 1997), bem como para estimular a rebrota da pastagem.

Dos efeitos do desmatamento e do fogo sobre o clima: a devastação da floresta-oceano verde gera o clima inóspito, modelos climáticos anteciparam a mais de 10 anos variados efeitos danosos do desmatamento sobre o clima, já confirmados por observações, entre eles a redução drástica da transpiração, a modificação na dinâmica de nuvens e chuvas e o prolongamento da estação seca (NOBRE, 2004). Das observações, das projeções atualizadas de modelos climáticos e também de nova análise baseada em teoria física, torna-se evidente que o dano do desmatamento ao clima, além também de fogo, fumaça e fuligem, é extensivo. Supõe-se que aqui há uma relação direta entre queimadas e impactos relacionados ao regime hídrico do Rio Araguaia, uma vez que o prolongamento da estação seca afeta diretamente este regime hídrico.

1.2 Fenômenos El Nino e La Nina

Os eventos El Niño aumentaram em frequência desde 1976, indicando uma mudança no sistema climatológico global (NICHOLLS et al., 1996). O fenômeno El Niño causa secas na Amazônia que, por sua vez, provê condições para incêndios destrutivos, como os que ocorreram em Roraima em 1997-1998 (BARBOSA; FEARNSIDE, 1999).

As chuvas anormalmente intensas foram causadas por dois fenômenos climáticos simultâneos: La Niña, caracterizado por um resfriamento atípico das águas da superfície do Oceano Pacífico, e as águas superficiais anormalmente quentes do Oceano Atlântico tropical ao sul do Equador, que favoreceram a formação de um cinturão de baixa pressão sobre a terra na região equatorial, conhecido como (ITCA ou ZCIT) Zona de Convergência Intertropical (MARENGO, 2009).

O El Niño é um fenômeno climático que ocorre devido às interações entre o oceano e a atmosfera. Os ventos alísios são ventos que sopram no sentido leste – oeste do oceano pacífico, gerando uma movimentação das águas quentes neste sentido, logo as mesmas são levadas para o leste da Austrália. Durante o El Niño há um enfraquecimento dos ventos alísios fazendo com que as águas quentes do oceano pacífico se concentrem no Peru. Esse fenômeno gera uma série de mudanças climáticas ao longo do globo terrestre (FERREIRA, 2005).

Na Amazônia o El Niño causa um período de estiagem maior que o comum e a seca prolongada, induzida pelo El Niño em 1998, secaram as florestas causando muitos focos de incêndio. As chamas foram finalmente extintas pelas chuvas no início de abril de 1998, após terem carbonizado cerca de 3,3 milhões de hectares, dos quais 1 milhão estavam cobertos por floresta tropical (NEPSTAD et al., 1999).

1.3 Usos do fogo

O fogo é normalmente empregado para fins diversos na agropecuária, na renovação de áreas de pastagem, na remoção de material acumulado, no preparo do corte manual em plantações de cana-de-açúcar (SILVA, 1998). Os Estados que, tradicionalmente, apresentam maior número de focos de calor são Mato Grosso e Pará.

Muitas vezes as queimadas fogem do controle do produtor e destroem remanescentes florestais e outros tipos de cobertura vegetal, os incêndios fragmentam a paisagem, alteram a biodiversidade e afetam a dinâmica dos ecossistemas (EMBRAPA, 1991). Por estes motivos, se fazem necessários o controle e fiscalização do uso do fogo, onde surgi a necessidade de se conhecer a legislação para tal finalidade.

1.4 Legislações sobre o uso do fogo

O primeiro Código Florestal Brasileiro de 1934 (Decreto nº 23.793/34) proibiu o uso do fogo em qualquer tipo de vegetação, além da proibição da soltura de balões. E ainda o considerou como crime florestal.

Art. 83. Constituem crimes florestais:

  1. Fogo posto em florestas do domínio público, ou da propriedade privada; pena: prisão de até três anos, e multa;
  2. Fogo posto em produtos, ou subprodutos florestais, ainda não retirados das florestas onde foram obtidos ou elaborados; pena: prisão até dois anos e multa;
  3. Dano causado aos parques nacionais, estaduais ou municipais, e ás florestas protetoras e remanescentes, ou ás plantações, por meio que não o fogo; pena: detenção até um ano e multa. (BRASIL, 1934).

Em 1965 foi instituído o Novo Código Florestal (Lei nº 4.771), em que o uso do fogo continuou sendo proibido nas florestas e demais formas de vegetação, porém com a exceção do seu artigo 27.

Art. 27. É proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegetação.

Parágrafo único. Se peculiaridades locais ou regionais justificarem o emprego do fogo em práticas agropastoris ou florestais, a permissão será estabelecida em ato do Poder Público, circunscrevendo as áreas e estabelecendo normas de precaução. (BRASIL, 1965)

O parágrafo único do artigo 27 foi posteriormente regulamentado pelo Decreto nº 2661 de 1998. Em 28 artigos, o decreto focaliza a questão da queima controlada, das medidas de precaução, o ordenamento territorial do emprego do fogo, a suspensão temporária e a redução gradativa do emprego do fogo.

O decreto 2.661/98 também conceituou queima controlada e incêndio florestal. A primeira sendo o emprego do fogo como fator de produção e manejo em atividades agropastoris ou florestais, e para fins de pesquisa científica e tecnológica, em áreas com limites físicos previamente definidos. E os incêndios florestais como todo fogo não controlado em floresta ou qualquer outra forma de vegetação.

Além das definições o decreto regulamentou em quais situações a Queima Controlada poderia ser utilizada em seus artigos 2º e 3º.

Art 2º É permitido o emprego do fogo em práticas agropastoris e florestais, mediante Queima Controlada.

Art 3º O emprego do fogo mediante Queima Controlada depende de prévia autorização, a ser obtida pelo interessado junto ao órgão do Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA, com atuação na área onde se realizará a operação. (BRASIL, 1998) O atual Código Florestal (Lei nº 12.651/ 2012) manteve a proibição do uso do fogo na vegetação, porém com algumas exceções.

Art. 38. É proibido o uso de fogo na vegetação, exceto nas seguintes situações:

  1. E locais ou regiões que justifiquem o emprego do fogo em práticas agropastoris ou florestais, mediante prévia aprovação do órgão estadual ambiental;
  2. Emprego da queima controlada em Unidades de Conservação, em conformidade com o plano de manejo, visando ao manejo conservacionista da vegetação nativa, cujas características ecológicas estejam associadas evolutivamente à ocorrência do fogo;
  3. Atividades de pesquisa científica vinculada a projeto de pesquisa devidamente aprovado pelos órgãos competentes. (BRASIL, 2012)
  4. O novo Código inovou ao incluir o uso da Queima Controlada nas Unidades de Conservação nas quais exista um plano de manejo, privilegiando o Cerrado Brasileiro que é um bioma cujas características ecológicas estão associadas à ocorrência do fogo.
  5. Outra importante novidade no Código Florestal vigente é seu artigo 40, no qual é incumbido ao Governo Federal o estabelecimento de uma Política Nacional de Manejo e Controle de Queimadas, Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais. Essa medida pode gerar novos mecanismos e instrumentos para melhor fiscalização e controle do fogo no país.

Diante desses problemas causados pelo uso do fogo ribeirinhos e moradores do município de Conceição do Araguaia afirmam que os regimes de cheias mudaram, as queimadas aumentaram e as chuvas reduziram. Segundo eles a cada ano que passa percebe variações no regime de cheia e secas do rio Araguaia. Observando isso o grande desafio é descobrir se há alguma relação entre esses fatores, e qual os tipos de relação existente, se há influencia da ação antrópica ou é um ciclo natural.

Perante tais situações procura-se compreender quais os possíveis impactos que esses números elevados de focos de queimadas podem causar para o meio ambiente, qual a média anual de focos ativos no município de Conceição do Araguaia, em que épocas há mais ocorrências e que alterações podem ocasionar em nosso clima e suas possíveis alterações no nível do Rio Araguaia. Encontrar respostas pode ajudar a compreender alterações no clima e impactos causados no Rio Araguaia e a buscar soluções para prevenir novas mudanças.

Severino (2012) defende que em trabalhos científicos o autor deve apresentar as justificativas não apenas, mas, sobretudo aquelas baseadas na relevância social e cientifica da pesquisa proposta. Assim entende-se que a questão do regime de seca do rio Araguaia tem relevância tanto social quanto cientifica.

Para Oliveira (1998), a educação tem sido sugerida como a salvadora dos problemas ambientais, promovendo mudança de mentalidade na busca de alternativas para um desenvolvimento sustentável.

Cresceu ainda mais o interesse para descobrir se a suposição da população local e principalmente dos ribeirinhos faz sentido, se existe base cientifica, se realmente esta havendo mudanças, ou é só uma impressão. Caso esteja realmente ocorrendo o que estaria provocando tais alterações. Responder e compreender estas indagações nos impulsionou na busca de respostas para esse trabalho.

O objetivo desse trabalho é relacionar as taxas de queimadas anuais e as variáveis climáticas, e possíveis impactos causados por esses fatores no nível de agua do Rio Araguaia nos últimos 19 anos. Comparar os dados obtidos dos sites específicos, INPE, e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET); analisar se às queimadas e a variação climática estão diretamente ligados ao regime de seca do rio Araguaia; Observar a partir da construção de gráficos se há relação entre os dados oficiais e os obtidos na pesquisa de campo do trabalho; relacionar o conhecimento popular em relação o regime de cheias e secas do rio.

2 Materiais e Métodos

As informações utilizadas nesse trabalho foram coletadas, através de uma pesquisa de campo utilizando o questionário para obtenção dos dados, usando uma abordagem quanti-qualitativa. Além disso, foram feitos estudos bibliográficos, onde se buscou referencias em diversas fontes como: livros, artigos científicos e sites específicos, bem como, INMET, INPE. Gil (2008a) descreve que a principal vantagem da pesquisa bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente. Esta vantagem se torna particularmente importante quando o problema de pesquisa requer dados muito dispersos.

A pesquisa de campo foi realizada em duas etapas nos meses de outubro e novembro de 2017 em dois locais diferentes, a primeira ocorreu na zona rural no “Projeto de Assentamento Menina Moça” e a segunda na zona urbana na “Colônia de Pescadores Z – 39” ambos localizados no município de Conceição do Araguaia-PA. Para Gil (2008b) pesquisas deste tipo se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento deseja-se conhecer. Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado para em seguida, mediante análise quantitativa, obter as conclusões correspondentes dos dados coletados.

2.1 Pesquisas de campo realizadas na zona rural

Essa primeira etapa da pesquisa de campo foi realizada para o alcance de informações relacionadas a queimadas e possíveis alterações no clima do ponto de vista dos agricultores. Foi desenvolvida no “Projeto de Assentamento Menina Moça”, a escolha do mesmo se justifica pelo fato de a população local ter o costume de realizar queimadas para diversos fins. Neste assentamento se encontram 60 famílias assentadas, utilizamos para a pesquisa uma amostragem de 50% do total, ou seja, o questionário contendo 9 perguntas sendo 8 fechadas e 1 aberta foi aplicado com 30 agricultores, tanto do sexo masculino, quanto do sexo feminino, com idade superior a 18 anos. A aplicação do questionário ocorreu no dia 3 de outubro de 2017 no período matutino e vespertino.

2.2 Pesquisas de campo realizado na zona urbana

A segunda etapa da pesquisa de campo foi realizada no dia 2 de novembro de 2017 na zona urbana teve como intuito buscar dados voltados para questões climáticas e possíveis impactos causados ao Rio Araguaia na visão dos ribeirinhos, bem como seu regime hídrico. Essa pesquisa também foi feita utilizando o questionário como veiculo de coleta de dados, o questionário foi aplicado para um total de 40 pescadores associados na “colônia de pescadores Z-39” contendo um montante de 15 perguntas sendo 11 perguntas fechadas e 4 abertas.

2.3 Análises de dados

Executou-se a tabulação dos dados que foram obtidos na pesquisa de campo, e na pesquisa bibliográfica, em seguida construíram-se os gráficos no Excel, para comparar a relação entre os dados referentes ao conhecimento dos agricultores e ribeirinhos, com os dados coletados dos sites específicos para analisar se os resultados apresentados mostram-se realmente as queimadas e a variação climática afetam o regime hidrológico do Rio Araguaia ou se são apenas suposições dos moradores locais.

2.4 Área de estudo

O município de Conceição do Araguaia pertence a Mesorregião Sudeste Paraense e a Microrregião Conceição do Araguaia. A sede municipal tem as seguintes coordenadas geográficas: 08º 16’ 06” de latitude Sul e 49º 16’ 06” de longitude a Oeste de Greenwich, localizada a cerca de 1100 km da capital Belém. Apresenta os seguintes limites: Ao Norte – Município de Floresta do Araguaia a Leste – Estado do Tocantins Ao Sul – Município de Santa Maria das Barreiras A Oeste – Município de Redenção e Santa Maria das Barreiras (FAPESPA, 2016a).

O clima do Município insere-se na categoria de equatorial super-úmido, tipo Am da classificação Köppen, no limite de transição para o Aw; possui temperatura média anual de 27,3ºC, apresentando a média máxima em torno de 32,0ºC e mínima de 22,7ºC. A umidade relativa é elevada, com oscilações entre a estação mais chuvosa e mais seca, que vai de 90% a 52%, sendo a média real de 71%. O período chuvoso ocorre, notadamente, de novembro a maio e o mais seco, de junho a outubro, estando o índice pluviométrico anual em torno de 2000 mm (FAPESPA, 2016b).

Fonte: Luiz Henrique A. Gusmão.

Figura 1: Localização do município de Conceição do Araguaia-PA

3 Resultados

Segundo dados do (INPE, 2017) durante o período de junho a novembro, são possíveis observar os maiores números de focos ativos no estado do Pará nos últimos 17 anos, esses números são bastante elevados em relação aos meses anteriores, com maior destaque para os meses de agosto e setembro, conforme mostrado na Figura 2. É possível visualizar a grande diferença no número de focos de queimadas principalmente entre o mês de setembro que chegam a alcançar uma média mensal no período de 1998 a 2014 de 51395 focos e o mês de janeiro onde a média mensal nesse mesmo período é de apenas 2116 focos ativos.

Muitas são as causas que originam as queimadas, entretanto, as mais frequentes e preocupantes reúnem-se em pequeno grupo onde o homem se destaca, principalmente por meio de suas atividades no meio rural (SOARES; BATISTA, 2007).

FIGURA 2: Média mensal de focos de queimadas no estado do Pará no período de 1998 a 2014.

Fonte: INPE, 2017

 

Já a Figura 3 apresenta o gráfico referente ao mês em que os pescadores observam com maior intensidade a realização das queimadas no município de Conceição do Araguaia. De acordo com os resultados obtidos dos 40 pescadores 60% deles afirmam ser o mês de agosto, e 27% dizem ser o mês de setembro os meses observados com maior numero de queimadas. Com isto podemos fazer uma relação entre a figura 1 que mostra o histórico médio mensal do estado do Pará, onde exatamente os meses de agosto e setembro são os com maior numero de focos de queimadas e a figura 2 onde também são apontados os dois meses visto como os meses mais afetados.

FIGURA 3: Meses no qual se observa com mais intensidade a realização de queimadas por ribeirinhos no município de Conceição do Araguaia.

Fonte: Pesquisa de campo 2017.

Com menos relevância estão os meses de março com uma porcentagem de 2,5% e junho apresentando 5%, e ainda, 5% dos entrevistados disseram não saber ou nunca terem observado tal ocorrência.

FIGURA 4: Meses em que os agricultores mais realizaram queimadas em Conceição do Araguaia.

Fonte: Pesquisa de campo 2017.

De acordo com observado na Figura 4, sobre os dados levantados em campo no Projeto de Assentamento Menina Moça, do total de agricultores entrevistados, dentre o grupo que realizam queimadas para alguma finalidade, 65%, afirmaram que fazem no mês de outubro, 15% em novembro, 10% em setembro, 7% em agosto e apenas 3% em junho.

FIGURA 5: Motivos para realização de queimadas em Conceição do Araguaia.

Fonte: Pesquisa de campo 2017.

Analizando o gráfico da Figura 5, pecebe-se que 46,7% dos produtores rurais do Projeto de Assentamento Menina Moça em Conceição do Araguaia, afirmam não realizarem queimadas, mas dentre aqueles que usa essa prática , 23,5% utilizam para promoverem a limpeza de pastos. Pode- se concluir que a maioria dos entrevistados (53.3%) utilizam a prática das queimadas para suas diversas atividades.

FIGURA 6: Mostra a quantidade de agricultores que conhecem a legislação sobre o uso do fogo.

Fonte: Pesquisa de campo 2017.

Na Figura 6 encontram-se as respostas dos agricultores sobre seus conhecimentos em relação à legislação do uso do fogo, é possível constatar que 87,5% não tem conhecimento sobre as leis que regem o uso “adequado” do fogo, e apenas uma minoria 12,5% tem esse conhecimento.

FIGURA 7: Percepção dos pescadores que acham se as queimadas podem alterar o clima da região.

Fonte: Pesquisa de campo 2017.

Avaliando a Figura 7, é possível observar que o gráfico apresenta resultados expressivos, em que 92,5% dos 40 entrevistados tem convicção de que as queimadas podem sim alterar o clima da região, somente 7,5% discordam dessa hipótese.

FIGURA 8: Ribeirinhos que dizem se a alteração climática está afetando o regime hídrico do Rio Araguaia.

Fonte: Pesquisa de campo, 2017.

Analisando a Figura 8 nota-se resultados expressivos, em que 90% dos pescadores dizem que a alteração climática pode influenciar no regime de secas ou cheias do Rio Araguaia, e apenas 10% acham que não há relação entre esses fatores citados acima.

FIGURA 9: Número de focos de queimadas em relação a temperatura media anual em Conceição do Araguaia.

Fonte: INPE, INMET, 2017.

Na Figura 9 observa-se que no ano de 2000 foi registrado o menor número de focos de calor no município de Conceição do Araguaia, mas houve uma crescente neste número com destaque para os anos de 2007 (4164 focos), 2010(4464 focos), 2013(4333 focos), 2014(5486 focos) e 2015(4283 focos), porém o ano de 2017 até o mês de outubro já foram registrados 6694 focos de calor. Relacionando-se a temperatura média no período de 19 anos (1999 a 2017) com a frequência de ocorrência de focos de calor, verifica-se que o ano com menor incidência de focos foi em 2000 que foi registrada a temperatura de 27,5°C e a maior temperatura 28,5°C ocorreu em 2016, no entanto apresentou-se 3022 focos. Em 2017 com 6694 focos a temperatura media foi de 28,4°C, bem próximo aos 28,5°C ocorrido em 2016. Destaca-se que mesmo com temperaturas semelhantes à quantidade de focos de 2017 ultrapassaram o dobro dos focos do ano de 2016. Observando-se os números de focos de 2000 a 2002, foram focos crescentes, saindo de 269 em 2000 e chegando a 1749 focos em 2003. Neste caso as temperaturas permaneceram constantes em 27°C. No ano de 2005 para 2006 houve uma redução de 49,6% de na quantidade de focos, mas a temperatura pouco variou saiu de 27,5°C em 2005 para 27,7°C.

Diante da análise dos resultados apresentados na Figura 9, nota-se que a variação no número de focos de queimadas, não segue a variação de temperaturas ao longo do período estudado, demonstrando que o aumento na quantidade de focos não levou ao aumento da temperatura nesse período, já que, durante 13 anos a temperatura esteve próximo aos 27°C que é a temperatura média dentro do que seja considerado normal pelo histórico climatológico para o município de Conceição do Araguaia (INPE, 2017).

FIGURA 10: Relação do número de focos de queimada com a precipitação anual de Conceição do Araguaia.

Fonte: INPE, INEMET, 2017.

A Figura 10 mostra o gráfico referente à relação de dados de focos de queimadas e precipitação no município de Conceição do Araguaia nos últimos 19 anos, onde é possível visualizar que no ano de 2000 foi registrado o menor número de focos de queimadas anual que foi de 269 a precipitação foi a mais alta registrada ultrapassando 2000 mm, mas apesar disso no ano anterior, onde o número de focos foi o segundo menor chegando apenas a 315 focos, a precipitação foi baixa ficando em 1500 mm, e a partir de 2001 até 2012 apesar do número de focos de queimadas terem aumentado bruscamente, com exceção de 2006 que houve uma queda, a precipitação fica oscilando entre 1500 mm à 1900 mm, tanto aumenta quanto diminui nesse período, não segue uma lógica em relação aos dados de focos. Observando mais detalhadamente, no ano de 2002 o número de queimadas foi de 1749 e a precipitação foi de 1500 mm, e no ano de 2010 onde o numero de focos foi de 4464 aumentando consideravelmente em relação à 2002, a precipitação se manteve em valores próximos permanecendo 1585 mm. Em relação ao ano de 2017, apesar de ter sido registrado o maior número de queimadas e o menor índice de precipitação, não se pode tê-lo como a principal referência, pois, os dados obtidos são até o mês de setembro e segundo Simego (2002b), o período chuvoso na região inicia a partir do mês de outubro. E também é possível relacionar com o ano 2016 onde o número de queimadas é de 3022, sendo que em 2017 o número de focos superou o dobro desse valor alcançando que foi de 6694, no entanto, a precipitação se manteve próxima à registrada no ano de 2016.

FIGURA 11: Define os anos com as maiores cheias e as maiores secas do Rio Araguaia observadas pelos ribeirinhos.

Fonte: Pesquisa de campo, 2017.

Os dados da Figura 11 mostram que de acordo com os ribeirinhos entrevistados os anos de 1980 e 1997 ocorreram as maiores cheias e os anos de 2016 e 2017 as maiores secas do Rio Araguaia.

Fonte: Ferreira et al, 2017.

QUADRO 1. Classificação dos anos com El Niño e La Niña por intensidade, de acordo com os valores do índice ONI, de 1972 a 2016.

No Quadro 1 visualiza-se os anos de ocorrência do fenômeno El Niño e La Niña, em que esses são definido ao longo dos anos por intensidade em magnitude fraca, moderada, forte e muito forte. Com ênfase nos anos que ocorreu o El Niño em magnitudes forte e muito forte destacam-se os anos de 1972-73, 1982-83, 1997-98, 2015-16. Já a La Niña ocorreu em grandezas forte nos anos de 1973-74, 1975-76, 1988-89, 2010 e 2011.

4 Discussão

Inicialmente na Figura 2 observam-se os meses de agosto e setembro com maiores números de focos no estado do Pará, consequentemente, com a pesquisa de campo também foi constatado pelos ribeirinhos locais como mostra na Figura 3 o gráfico os dois meses em que se observa com maior intensidade a realização das queimadas no município de Conceição do Araguaia que são respectivamente agosto e setembro, mas a Figura 4 mostra resultados em que os agricultores afirmam que realizam a maioria das queimadas no mês outubro, o que se leva a acreditar que nem sempre essas queimadas ou incêndios visualizados por moradores da zona urbana são provocadas por agricultores.

Com os resultados obtidos é possível constatar que são vários os fins utilizados pelos agricultores para realização das queimadas como mostrado na Figura 5. Isso se torna um grande problema, pois a maioria dos agricultores não conhece a legislação que fala sobre o uso do fogo, como evidencia a Figura 6 em que mais de 80% não tem conhecimento sobre as leis, com isso, realizam queimadas sem autorização e muito menos supervisão dos órgãos oficiais. A respeito disso Coutinho (2005), diz que a queima Controlada é permitida em alguns casos mediante autorização do órgão responsável, porém, mesmo com a legislação existente a falta de conhecimento, controle e fiscalização ainda permite que os incêndios florestais se alastrem e destruam a biodiversidade.

Já a Figura 7 traz resultados incisivos, em que mais de 90% dos ribeirinhos entrevistados afirmam que as queimadas realizadas por agricultores locais influenciam diretamente a mudança climática do município de Conceição do Araguaia e alegam, ainda, que essa mudança climática estar causando impactos ao Rio Araguaia como mostra a Figura 8, em que um número expressivo dos entrevistados faz essa afirmação. Sobre essa situação Rosenfeld (1999) diz que a redução da massa florestal e a fumaça emitida podem afetar o regime de chuvas local, provocando uma redução nos níveis de precipitação, o que também afetaria o regime hidrológico, todavia, com resultado final obtido nesse trabalho como mostrados nas Figuras 9 e 10, verificou-se que apenas as queimadas realizadas no município não são suficientes para influenciar diretamente na mudança climática, tão pouco, no regime hidrológico do Rio Araguaia.

5 Conclusão

Diante dos resultados obtidos neste trabalho conclui-se que não há relação direta entre as queimadas locais, mudança climática e impacto no nível do Rio Araguaia no município de Conceição do Araguaia, mas ao avaliar a Figura 11 verifica-se que os ribeirinhos apontam os anos de 1980 e 1997 como os de maiores cheias observadas nesse Rio, e os anos de 2016 e 2017 como os de maiores secas da história. Segundo Aquino et al, (2005), relata que as três maiores cheias consideradas do rio Araguaia ocorreram nos anos de 1979, 1980 e 1983.

Com isso uma das suposições para o problema da seca observada pelos ribeirinhos e moradores locais seria os desvios feito no Rio Araguaia no Estado de Goiás. Segundo Santana (2016), em reportagem para o G1 (Portal de notícias da Globo) relata que a Delegacia Estadual do Meio Ambiente (DEMA) flagrou diversos pontos de captação de água do Rio Araguaia para irrigação de plantações em municípios como Mineiros, Jussara e Britânia, em Goiás. Apesar de alguns produtores terem autorização para fazer essa retirada, o delegado Luziano de Carvalho ressalta que essa ação provoca um grave dano ambiental, e que em consequência disso o Rio Araguaia pode até vir a secar daqui a alguns anos devido à degradação.

O outro fator que pode estar influenciando diretamente são os fenômenos do El Niño e La Niña, como mostrado no Quadro 01, em que nos anos de 2015 e 2016 o fenômeno El Niño ocorreu em magnitude muito forte, podendo está relacionado com a redução na precipitação nesses anos, conforme a Figura 10. Segundo Sousa et al., e Fernandes (2006; 2011), a variabilidade observada em Conceição do Araguaia tanto na temperatura do ar como nos totais pluviométricos, parecem estar associadas principalmente aos eventos de escala planetária como aquecimento global, El-Niño e La Niña, que influencia o posicionamento da ZCIT.

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[1] Curso de Licenciatura Plena em Ciências Naturais com Habilitação em Biologia

[2] UEPA – Universidade do Estado do Pará

[3] Professor MSc da Universidade do Estado do Pará. DCNA – Departamento de Ciências Naturais.

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