A inovação na gestão do serviço público: a transferência de conhecimento e tecnologia por meio da cooperação universidade-empresa-governo

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ARTIGO ORIGINAL

SPINDOLA, Fernando Affonso Costa [1]

SPINDOLA, Fernando Affonso Costa. A inovação na gestão do serviço público: a transferência de conhecimento e tecnologia por meio da cooperação universidade-empresa-governo. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 07, Vol. 11, pp. 58-71. Julho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/transferencia-de-conhecimento

RESUMO

O objetivo geral dessa pesquisa é analisar a importância da transferência de conhecimento e tecnologia por meio da cooperação Universidade-Empresa- Governo por meio de estudos já existentes. Desse modo, a questão norteadora dessa pesquisa será: Como a transferência de conhecimento e tecnologia entre Universidade-Empresa-Governo pode inovar gestão do serviço público e por que a interação U-E-G pode ser um facilitador para evolução de pesquisas? Esta pesquisa é relevante, pois analisa estudos que demonstram o desenvolvimento econômico do Brasil por meio de tecnologia e transferência de conhecimento, contribuindo assim para construção de novos trabalhos e artigos. Esse artigo trata-se de uma revisão bibliográfica realizada nas bases de dados Scielo e Lilacs, no período de junho e agosto de 2020. Inicialmente foram encontrados 20 estudos sobre o tema, após análise criteriosa e excluindo textos estrangeiros e que não estavam condizentes com o proposto pelo objetivo geral, foram selecionados 10 artigos científicos para a confecção desse artigo. Ainda existem entraves que dificultam a interação/relação/colaboração universidade-empresa-governo, como a burocracia e problemas de ordem comunicacional e ideológica entre universidades e empresas. Por outro lado, as pesquisas realizadas nas universidades dependem do investimento do governo, e o mesmo deve empreender para diminuir os entraves e burocracias para a realização desses estudos a fim de melhorar sua gestão e propiciar o desenvolvimento econômico do país.

 Palavras-Chave: inovação na gestão, Gestão pública, Universidade-Empresa-Governo.

1. INTRODUÇÃO

Durante muito tempo as organizações permaneceram isoladas entre si, porém, mais recentemente, a partir das últimas duas décadas, tem sido comum a cooperação entre elas por meio da transferência tecnológica. Assim, o interesse principal na união entre organizações é a busca de soluções para problemas, já que não possuem separadamente todas as informações e recursos de que necessitam (MACULAN, 2005).

Nesse caso, propõem-se respostas para essa questão, dentre elas, é que a universidade aparece como parceira do governo, visto que uma de suas funções é a realização de pesquisas para transferência de conhecimento. Esse recurso permite as empresas inovar produtos e ter um diferencial. Diante disso, os governantes têm se interessado por essa cooperação para fomentar a formação de parcerias em prol do ganho de competitividade de empresas a fim de que se tenha um efeito multiplicador na economia (MARIOTTO, 1991).

Nesse contexto, o objetivo geral dessa pesquisa é analisar a importância da transferência de conhecimento e tecnologia por meio da cooperação Universidade-Empresa- Governo por meio de estudos já existentes. Desse modo, a questão norteadora dessa pesquisa será: Como a transferência de conhecimento e tecnologia entre Universidade-Empresa-Governo pode inovar gestão do serviço público? Por que a interação U-E-G pode ser um facilitador para evolução de pesquisas podendo ter ainda resultados atingidos na sociedade?

O presente estudo é relevante, pois analisa estudos que demonstram o desenvolvimento econômico do Brasil por meio de tecnologia e transferência de conhecimento, contribuindo assim para construção de novos trabalhos e artigos.

A metodologia utilizada para realizar esse estudo foi a pesquisa bibliográfica. Inicialmente, realizou-se uma busca por estudos sobre o tema nas bases de dados Scielo e Lilacs utilizando as palavras-chave: inovação na gestão; gestão no setor público; e universidade-empresa-governo. Inicialmente foram encontrados 20 estudos sobre o tema, após análise criteriosa e excluindo textos estrangeiros e que não estavam condizentes com o proposto pelo objetivo geral, foram selecionados 10 artigos científicos para a confecção desse artigo.

2. DESENVOLVIMENTO

2.1 A GESTÃO NO SETOR PÚBLICO BRASILEIRO

Observa-se que a administração pública é a atividade pela qual os gestores buscam satisfazer as necessidades de interesse coletivo, para tanto, buscam interpretar as carências e anseios da sociedade e atendê-las por intermédio dos serviços públicos. É importante mencionar que cabe ao gestor público verificar as decisões a serem tomadas a ponto de fazer com que a lei seja cumprida, protegendo, assim, os interesses coletivos e individuais. Segundo Oliveira (1975, p. 14):

Administração Pública é o conjunto de órgãos e pessoas jurídicas; sob o aspecto objetivo, compreende as atividades do Estado destinadas à satisfação concreta e imediata dos interesses públicos; e sob o aspecto formal, é a manifestação do Poder Público decomposto em atos jurídico-administrativos dotados da propriedade da autoexecutoriedade, ainda que de caráter provisório.

A Administração Clássica, de acordo com Chiavenato (2014), tem seu enfoque voltado para a organização formal, para os princípios gerais da administração, e por fim, para as funções do administrador. Diferente dos estudos de Frederick Winslow Taylor, mas, com o mesmo objetivo de aumentar o desempenho das empresas.

A transição da administração burocrática para gerencial foi uma resposta às necessidades de reduzir os custos com a educação, saúde e previdência social, tendo na reforma gerencial a exigência de que a gestão estatal seja mais eficiente, tendo papel importante na legitimação das ações do Estado. Tal reforma se inspirou em estratégias de empresas privadas surgindo quando o país abria espaço para a ideologia neoliberal. Foi um meio de fazer com que os serviços sociais universais fossem mais eficientes, sendo esta uma decorrência necessária do estado social, na transição dos países ricos para a democracia. A Reforma Gerencial é aceita por todo tipo de governo, pois torna mais eficiente os serviços sociais e científicos que são prestados pelo Estado (BRESSER-PEREIRA, 2017).

Para superar a ineficiência do serviço público e atingir a modernização da administração pública, o projeto postulado pela Reforma Gerencial estabeleceu como objetivos o fortalecimento do núcleo estratégico ou a administração pública direta e descentralização dos serviços. Isso porque o discurso de modernização do Estado brasileiro e da administração pública pautava-se na ideia de que a crise fiscal incapacitou a realização de investimentos em políticas sociais e financiamento dos serviços públicos e das empresas estatais (BRESSER-PEREIRA, 2017).

O molde de planejamento e gestão pública verificada no Brasil encontra-se baseado no modelo tradicional de administração, semelhante ao burocratismo, sendo necessária mudança dessa postura para permitir a inovação da transferência de tecnologia e conhecimento. Apesar dos esforços e avanços já verificados, ainda demanda de atualizações administrativas. Boa parte dos problemas deriva da tradicional hierarquia aplicada às equipes, que se baseia em um líder único, que distribui as tarefas, toma decisões e cobra resultados. De acordo com Corbari et al. (2007, p. 2):

O modelo burocrático de administração pública, ainda em voga, não consegue mais apoiar os processos de gestão necessários para atender as demandas da sociedade sendo alvo de diversas críticas. Estas críticas aludem, dentre outros fatores, a sua autorreferência, a dicotomia entre política e administração e a preocupação excessiva com o formalismo ao invés dos resultados efetivos das ações governamentais.

A burocracia, sendo o principal entrave, envolve barreiras que por sua vez torna difícil o processo de cooperação, deixa alguns problemas como: extensão no tempo do processo, desconfiança da iniciativa, que são relacionados aos desenvolvimentos tecnológicos e à globalização da economia, bem como na expansão das funções econômicas e sociais do Estado, como solução, surge a Administração Pública Gerencial na segunda metade do século XX.

Então, torna-se essencial ter uma administração pública eficiente, reduzindo os custos e aumentando a qualidade dos serviços. Os valores gerenciais voltam-se para a eficiência e qualidade na prestação de serviços públicos e redução de custos (BRASIL, 1995).

Para além do discurso de incapacidade de investimentos e inserção de processos de privatização, a reforma gerencial propôs a outorga ao mercado das organizações estatais que antes produziam serviços taxados de baixa qualidade e burocráticos, como medida para alcançar modernização e eficiência do aparato estatal (HEREDIA; ROSS, 1998).

Normalmente o serviço público brasileiro é burocrático não tendo o mesmo dinamismo dos outros países mais desenvolvidos, como por exemplo, a Nova Zelândia. As alterações na gestão pública começaram pela desburocratização sem desconsiderar, entretanto, as expectativas e as necessidades de seus clientes. (MARTINS, 2010). Um importante avanço foi o contrato de gestão ampliando a autonomia gerencial orçamentária e financeira dos órgãos públicos.

2.2 INOVAÇÃO

Diversificadas são as classificações e definições das inovações. Schumpeter (1934) cita cinco diferentes tipos: novos produtos, novos métodos de produção, novas fontes de suprimentos, novos mercados e novas formas de organizar os negócios e que ainda podem ser sub classificadas em radicais ou incrementais. O texto irá abordar inovações voltadas para a transferência de tecnologia e conhecimento por meio de novas formas de organizar os negócios.

As teorias de inovação nos negócios resultaram principalmente dos trabalhos do economista Joseph A. Schumpeter (1912, 1934, 1942). Uma das primeiras explicações sobre inovação tem origem com esse pesquisador, para ele o processo de inovação é influenciado por empreendedor/empresário, o investimento financeiro e a inovação propriamente ditos. O empreendedor é o agente que promove a inovação dentro do fluxo produtivo por meio de um comportamento competitivo. O investimento é o orçamento que permite o empreendedor ter o controle sobre os fatores de produção para as novas oportunidades que a inovação exige, estimulando novos ciclos de crescimento (SCHUMPETER, 2017).

E o conceito de redes de inovação ultrapassou a ideia de que as organizações poderiam surpreender o mercado com o encerramento de suas atividades de inovação para ser corporações autônomas, o avanço tecnológico, sobretudo em tecnologia da informação, incentiva empresas a cooperarem na busca por inovação, inclusive, seguindo modelos de outros países como a Nova Zelândia. Esse cenário de inovação é um espiral que é alimentado pelos próprios avanços que ela produz (TOMAEL et al, 2005).

Apesar das divergências e pontos de vista diferentes sobre o processo de globalização, há um consenso de que a inovação e o conhecimento são os principais fatores que definem a competitividade e o desenvolvimento de nações, regiões, setores, empresas e até indivíduos. Os efeitos da inovação podem ser vistos não apenas nas empresas, mas também na sociedade, na economia e no meio ambiente (CASSIOLATO; LASTRES, 2000).

2.3 COOPERAÇÃO UNIVERSIDADE-EMPRESA-GOVERNO

Vários pesquisadores como Chaimovich (1999) e Marcovitch (1999)  têm estudado sobre o processo de cooperação Universidade-Empresa-Governo (U-E-G), concluindo que a pesquisa tecnológica ocorre por parcerias entre empresas e universidades, onde acontece um debate sobre os meios fundamentais para o desenvolvimento do processo, tais como barreiras e motivações. (SEGATTO-MENDES; SBRAGIA, 2012).

Tanto as barreiras com as motivações devem ser consideradas na análise da cooperação U-E-G, desdobrando os pontos em potencial para sucesso ou fracasso de uma cooperação, confrontando com a obtenção de resultados, conforme passa pelo processo de cooperação em si, tendo em vista que existem barreiras que podem gerar conflitos dificultando a presença de facilitadores para auxiliar na obtenção dos resultados (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2010).

O processo de cooperação inicia-se quando surgem empresas e universidades com o interesse de trabalhar em conjunto, permitindo que encontros e contatos ocorram para que se possa efetivar o processo. Essa etapa envolve a existência de motivações que impulsionam as entidades a buscar o progresso e as expectativas que justificam o seu andamento. Quando se compreende as expectativas podem-se induzir as empresas e universidades a se unir para pesquisar em conjunto, no qual se podem alcançar benefícios durante o processo que justifica a sua expansão, assim, o setor acadêmico acaba obtendo maior estabilidade na execução das pesquisas e mais rápida inovação tecnológica. (PLONSKI, 2009).

No que se referem às barreiras, estas envolvem as dificuldades que geram conflitos conduzindo o processo a baixa produtividade e qualidade, dentre as barreiras cita-se a busca do conhecimento fundamental pela universidade, a visão de que o Estado deve ser o único financiador das atividades universitárias de pesquisa, ausência de instrumentos legais para regular as atividades de pesquisa que envolvem as universidades e empresas em concomitantes, filosofias administrativas das instituições, carência de comunicação entre as partes, falta de confiança na capacidade dos recursos humanos e excesso de burocracia nas universidades (SEGATTO-MENDES; SBRAGIA, 2012).

Em um ambiente com facilitadores e barreiras se pergunta qual o papel do governo na ligação da universidade-empresa. Há uma série de papeis para o governo, no qual ele pode contribuir para remover os desincentivos à pesquisa, selecionando problemas, fornecendo fundos iniciais para que os projetos se desenvolvam, além de ser um parceiro para dividir os custos com a indústria e a universidade (ETZKOWITZ; LEYDESDORFF, 2010).

Considera-se que as atividades de pesquisa em cooperação U-E-G desencadeiam vários resultados para as empresas e universidade, influenciando o crescimento e ampliação das pesquisas, podendo desencadear tanto no contexto universitário como no contexto empresarial, a promoção de um grau de satisfação entre as partes atuantes no tocante à conclusão positiva quanto às percepções geradas pela qualidade das relações efetivadas (PLONSKI, 2009).

Na pesquisa realizada por Berni et al. (2015), por meio de entrevistas realizadas com cinco pessoas em cargos de direção em órgãos da universidade e em duas empresas incubadas na Incubadora Tecnológica de Santa Maria (ITSM), foi demonstrada a importância da proteção de propriedade intelectual, porém, colocam que as possibilidades e formatos legais ainda geram dúvidas, os entrevistados também entram em um consenso que a formalização da interação universidade-empresa é fundamental e estabelece direitos, deveres e os limites de relação, porém o processo burocrático que envolve prejudica a interação. Outro fato identificado está que o processo de interação universidade empresa ainda é incipiente no contexto UFSM, reforçando a importância de tal estudo e a necessidade de estudos futuros.

Reforçando o tema em que as Instituição de Ensino Superior(IES) promovem o desenvolvimento local/regional, Lins (2016) discorreu sobre a atuação da universidade nesse contexto, mirando o desenvolvimento local ou regional. O estudo percorre a literatura na função de elucidar os aspectos conceituais e a evolução no que tange ao desenvolvimento nacional e local ou regional, reforçando o entendimento de como as universidades poderão ser vetores de promoção do desenvolvimento, quando se privilegiam os processos de aprendizagem, a difusão de conhecimento e a dinâmica da inovação na análise do desenvolvimento local ou regional. Outro fato está que no processo de transferência de conhecimento e tecnologia as universidades deverão ser agentes facilitadores do desenvolvimento regional ou local e deverão dirimir as barreiras estreitando o relacionamento com os órgãos do governo e de fomento.

2.3.1 PROCESSO DE TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA

É possível verificar que de acordo com Arenas e González (2018) a transferência faz-se entre um remetente-universidade e um destinatário-empresa, enviando uma ideia inicial e um método de emprego, tal transferência far-se-á com auxílio de terceiros, uma incubadora de empresas, por exemplo. O que volta para a universidade da empresa, são informações úteis nas inovações implementadas com o intuito de viabilizar uma estratégia para as novas etapas.

Analisando o processo de transferência tecnológica realizado pela Universidade de São Paulo (USP), Dias e Porto (2014) elucidam que utiliza como mecanismos o licenciamento de patentes e os projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), contudo, a universidade apresentou problemas na restrição de pessoal e de uma política institucional mais estruturada para que de fato seja possível fortalecer essas parcerias.

Bastos (1998) corrobora ao afirmar que as produções científicas e tecnológicas são geradas com algum propósito, seja para popularizar o conhecimento, promover o desenvolvimento local, trazer o reconhecimento da importância das instituições de ensino superior. Nesse sentido à pesquisa Closs et al (2012) buscou identificar e analisar empecilhos no desenvolvimento de processos em torno de patentes acadêmicas, averiguando pesquisadores e a gestora do Escritório de Transferência de Tecnologia (ETT), no estudo do caso da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Como resultado foram identificados os intervenientes do caso da PUCRS que são: Motivadores para os pesquisadores; Políticas, características institucionais e procedimentos para gerenciamento da Transferência de Tecnologia Universidade-Empresa (TTUE); intermediários no processo de TTUE; Papel crítico dos inventores no processo de TTUE, em cada elemento foi analisado no contexto internacional, no brasileiro e no caso da PUCRS.

Nesse caso, dentre os fatores motivadores que mais se destacaram estão os desafios científicos e a competição para produzir patentes pelo qual reforça os benefícios da TTUE. Como podemos verificar esse requisito analisado do TTUE no caso da PUCRS como exemplo proporcionou aos pesquisadores uma percepção dos benéficos do TTUE, os demais requisitos analisados demonstraram importância da troca de experiências entre grupos de pesquisas de conhecimentos multidisciplinares para a criação de inventos, sobre a PUCRS, pode incentivar o surgimento de outros grupos nas demais instituições de ensinos superiores que buscam desenvolver a TTUE, bem como o entendimento de uma ideia da que forma as instituições de ensino superior poderão atuar com as empresas (CLOSS et al., 2012).

2.3.2 POTENCIALIDADES NO PROCESSO DE TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA

O estudo de Pereira (2012), investigou o quanto e de que forma a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) poderia contribuir para o desenvolvimento tecnológico empresarial, pelo Programa de Formação de Recursos Humanos em Áreas Estratégicas (RHAE) em Santa Catarina, onde os bolsistas mestres e doutores egressos dos programas de Pós-graduação da UFSC estão envolvidos. Para realização do estudo primeiramente desenvolveu-se uma análise das características das microempresas, as pequenas e as médias empresas catarinenses contempladas com os recursos financeiros do programa RHAE. Em seguida, procurou descrever qual a perspectiva do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), como um órgão de fomento, a percepção da UFSC em relação ao papel das universidades para o desenvolvimento tecnológico empresarial.

Ao levantar tais perspectivas, foi possível relacionar quais as contribuições esperadas por parte das empresas em relação à UFSC para o desenvolvimento tecnológico. Houve alguns achados pela metodologia utilizada em relação ao relacionamento entre os bolsistas e empresas os quais promoveram o desenvolvimento tecnológico por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Observou-se que para o CNPq a universidade tem as ideias e elas somente poderão ser revertidas em recursos para a sociedade quando forem aplicadas nas empresas. O estudo também evidenciou da importância para UFSC do programa RHAE, a qual representa uma importante tentativa de transferência de tecnologia efetiva e de qualificação e capacitação das empresas. Indiretamente, essa pareceria representa uma ação de educação voltada para o desenvolvimento tecnológico empresarial (PEREIRA, 2012).

2.3.3 PRINCIPAIS ENTRAVES NO PROCESSO DE TRANSFERÊNCIA TECNOLÓGICA

Na pesquisa realizada por Pereira, Marques e Gava (2016) foi evidenciado que a interação/relação/colaboração universidade-empresa ainda é incipiente no país, além de perceberem uma distribuição desequilibrada de polos tecnológicos entre as regiões brasileiras, com maior prevalência no Sudeste. Os autores ainda mencionam que seu estudo evidenciou certa falta de recursos em relação à implementação e gestão dos parques tecnológicos, devido ao número de universidades associadas a esses instrumentos, sugerindo um espaço aberto para expansão, principalmente através do apoio do governo. Podendo-se dizer, assim, que os recursos financeiros são entraves na interação/relação/colaboração universidade-empresa.

Conforme Da Costa; Porto e Plonski (2009) A falta de divulgação dessa forma de interação entre universidade e empresa e um entrave para tornar esses processos de transferência tecnológica incipientes, fazendo-se importante a busca de estratégias para promoção dessas parcerias.

Ribeiro e Alves (2019) identificaram como principal entrave da interação/relação/colaboração universidade-empresa o processo burocrático, destacando-se principalmente questões relacionadas à transferência de tecnologia e direitos de propriedade.

Importante mencionar em relação à burocracia que Perlin et al. (2016) mencionaram que essa burocracia se deve à Lei da Inovação nas universidades, tendo como principais fatores relacionados: a aspectos operacionais, a falta de conhecimento dos docentes e algumas barreiras ideológicas. Gomes et al. (2014) também corroboram com essas barreiras tecnológicas, afirmando que o relacionamento entre universidade-empresa nem sempre é fácil, havendo propensão a cada uma defender somente seus próprios interesses.

Dessa forma, evidencia-se problemas de ordem comunicacional e ideológicas entre universidades e empresas que dificulta a eficiência da interação/relação/colaboração entre elas (MARCUSE, 1967).

3. CONCLUSÃO

Diante do exposto nesse estudo, pode-se concluir que o Brasil é considerado um país em desenvolvimento, e para que possa alcançar o status de país desenvolvido é necessário também, crescer em inovação. Desse modo, este crescimento é possível por meio a perfeita interação entre a universidade, o governo, o setor produtivo e a sociedade (CASSIOLATO; LATRES, 2000).

Inferiu-se, pelo presente estudo, que ainda há um caminho longo a percorrer na idealização de uma relação mais simples, sem amarras e com um senso evolutivo de forma que beneficie os envolvidos. Quanto mais livre for o caminho para a inter-relação entre as partes, maiores serão os avanços nas pesquisas, melhores serão as iniciativas e resultados positivos virão em áreas significativas como saúde, educação, oportunidades para empreender, que refletem diretamente na sociedade.

Entende-se que a presença da burocracia não é julgada adequada sendo uma desvantagem em um processo mais livre para execução de projetos futuros. Contudo, o cenário é promissor, visto que as cooperações mostram resultados positivos o que pode estimular uma iniciativa e propiciar financiamento para esses projetos.

As indústrias utilizam-se das pesquisas desenvolvidas nas universidades para a inovação em sua produção. Portanto, apesar de propósitos diferenciados, a interação entre o governo, universidade, empresas e sociedade é fundamental para que as pesquisas saiam das prateleiras das bibliotecas das universidades, alcancem o setor produtivo por meio da transferência da tecnologia e a sociedade como destinatária final (REIS, 2008).

Ainda existem entraves que dificultam a interação/relação/colaboração universidade-empresa, como a burocracia e problemas de ordem comunicacional e ideológica entre universidades e empresas. Por outro lado, as pesquisas realizadas nas universidades dependem do investimento do governo, e o mesmo deve empreender para diminuir os entraves e burocracias para a realização desses estudos a fim de melhorar sua gestão e propiciar o desenvolvimento econômico do país (PLONSKI, 1995).

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[1] Pós-Graduação em Administração Estratégica e Administração Pública / Graduação em Administração.

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Julho, 2021.

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