O sistema de gestão por competências e a alienação da condição humana no interior do capitalismo contemporâneo – uma análise a partir do materialismo histórico

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

DALPICOLO, André Christian [1]

DALPICOLO, André Christian. O sistema de gestão por competências e a alienação da condição humana no interior do capitalismo contemporâneo – uma análise a partir do materialismo histórico. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 05, Vol. 04, pp. 92-103. Maio de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/alienacao-da-condicao

RESUMO

O objetivo deste artigo é examinar a relação existente entre o sistema de gestão por competências e a alienação da condição humana no interior do capitalismo contemporâneo. Para tanto, será preciso desenvolver uma linha de raciocínio que se desdobrará em dois planos distintos. O primeiro assinalará a forma pela qual a exteriorização do ser humano motivou o surgimento da gestão por competências, uma vez que almejava estabelecer a comunhão absoluta com a natureza. Já a segunda detalha o modo pelo qual a gestão por competências aprofundou o desenvolvimento da alienação humana, já que contribuiu para aumentar a separação entre o homem e o meio natural. Vale frisar que o princípio teórico- metodológico deste artigo reside no materialismo histórico.

Palavras-chaves: Exteriorização, sistema de gestão por competências e alienação humana, capitalismo.

1. INTRODUÇÃO

De acordo com o Hegel (1992), o objetivo primordial da condição humana é promover o autoconhecimento, uma vez que somente assim poderá fundamentar a unidade absoluta da sua existência fenomênica.

Para tanto, é preciso que o ser humano desenvolva um atributo cuja função essencial é a de se relacionar com o seu diferente, já que a estrada que conduz ao autoconhecimento tem como etapa inicial a compreensão da objetividade da natureza.

Com efeito, esse atributo é a exteriorização, já que representa a faculdade humana que realiza tanto a interligação das propriedades físico-químicas da objetividade da natureza, quanto a recriação dessa objetividade através do trabalho.

Em face disso, pode-se deduzir que essa exteriorização fundamenta a aparição do sistema de gestão por competências na História, pois esse sistema nada mais é do que uma maneira encontrada pela subjetividade humana para aumentar a velocidade da reconstituição parcial da objetividade do meio natural.

Ou seja, o modelo de gestão por competências é uma área dos Recursos Humanos que procura identificar e gerir perfis profissionais que proporcionem um maior retorno ao negócio (o aumento da produtividade) (MUNCK et al., 2011).

No entanto, surge imediatamente a questão: o sistema de gestão por competências aprofunda ou não o desenvolvimento da alienação[2] da subjetividade humana

Com efeito, trata-se de uma indagação essencial, uma vez que eleva o tema da gestão por competências a uma discussão filosófico-econômica, algo praticamente inexistente na literatura consagrada a esta temática.

De certo modo, isso acontece porque os autores que se debruçam sobre o assunto da gestão por competências estão mais interessados em revelar as estruturas fundamentais desse modelo no interior do capitalismo tardio[3], do que revelá-las a partir do movimento geral da História.

Logo, pode-se dizer que o objetivo geral deste artigo é verificar a relação entre o sistema de gestão por competências e a alienação humana no interior do capitalismo contemporâneo, uma vez que somente assim esse sistema poderá ser compreendido na totalidade.

Já no que diz respeito aos objetivos específicos, pretende-se: 1) detalhar a forma pela qual o surgimento do processo de acumulação de capital impediu que a exteriorização reconstitua a totalidade da objetividade da natureza; 2) assinalar a maneira pela qual a gestão por competências contribuiu para a manutenção desse impedimento através da superação da cisão radical entre o labor intelectual e o labor braçal.

2. METODOLOGIA

Convém observar que o princípio teórico-metodológico deste artigo é o materialismo histórico, dado que representa um método científico que atribui aos fatores econômicos um papel fundamental na compreensão de um determinado fenômeno histórico:

Com este nome Engels designou o cânon de interpretação histórica proposta por Marx, mais precisamente o que consiste em atribuir aos fatores econômicos (técnicas de trabalho e de produção, relações de trabalho e de produção) peso preponderante na determinação dos acontecimentos históricos. O pressuposto desse cânon é o ponto de vista antropológico defendido por Marx, segundo o qual a personalidade humana é constituída intrinsecamente (em sua própria natureza) por relações de trabalho e de produção de que o homem participa para prover às suas necessidades (ABBAGNANO, 2007, p. 652).

Diante disso, pode-se dizer que o materialismo histórico é capaz de estabelecer a relação verdadeira entre a gestão por competências e a alienação da condição humana, já que consegue ilustrar os processos de exteriorização e de exterioridade dessa condição.

De acordo com Boccato (2006), deve-se classificar a pesquisa como bibliográfica, já que busca a resolução do problema concernente à relação entre a gestão por competências e a exterioridade inautêntica do homem a partir de referenciais teóricos publicados, tais como Hegel, Jean-Paul Sartre, Jean-Jacques Rousseau, Karl Marx, Alanna Garcia, Hugo Penna Brandão, Harrison Bachion Ceribelli, etc.

As bases de dados selecionados para este artigo foram extraídas de alguns livros teóricos, entre os quais se destacam a Fenomenologia do Espírito (HEGEL, 1992), a Crítica da Razão Dialética (SARTRE, 2002), o Capital – Livro I (MARX, 1988) e a Gestão de Recursos Humanos (IVANCEVICH, 2008), além do portal  SCIELO.

Foram utilizadas as seguintes palavras-chaves no Scientific Eletronic Library: O advento da propriedade privada em Jean-Jacques Rousseau; O conceito de sistema de gestão por competências; Globalização e alienação da condição humana.

3. RESULTADOS DA PESQUISA

3.1 A EXTERIORIZAÇÃO HUMANA CONSEGUE RECRIAR A TOTALIDADE DA OBJETIVIDADE DA NATUREZA?

Conforme foi descrito na introdução deste artigo, a exteriorização representa a faculdade humana que realiza tanto a interligação das propriedades físico-químicas da objetividade da natureza, quanto a recriação dessas propriedades através do trabalho.

Em face disso, alguém pode arguir o seguinte: será que essa exteriorização consegue de fato reconstituir a totalidade da exterioridade do meio natural?

De certo modo, não é inexato assinalar que se trata de uma indagação de difícil resposta, já que significa o ponto nevrálgico da relação entre o homem e o meio circundante.

Entretanto, existe uma possibilidade de respondê-la caso se realize uma reflexão em torno do fenômeno da escassez.

Segundo Jean-Paul Sartre (2002), este último representa essencialmente a incapacidade do meio natural de satisfazer todas as necessidades materiais da condição humana, já que esse meio natural é limitado, ao passo que tais necessidades são ilimitadas.

Ora, pode-se dizer que essa incapacidade motivou no homem uma insegurança em relação ao seu futuro, uma vez que não sabe se terá acesso às propriedades materiais da natureza que fundamentam a sua subsistência objetiva.

Com isso, percebe-se que o resultado dessa insegurança é o desejo do ser humano de possuir a natureza, pois dessa forma terá a sensação ilusória de que estará a salvo do reino das necessidades e das adversidades.

Dessa maneira, o homem se opõe totalmente à natureza, pois não reconhece que ela detém uma finalidade própria baseada no desenvolvimento completo da dialética entre o subjetivo e o objetivo. Por conseguinte, ele a transforma num simples meio (instrumento) para a obtenção dos seus desejos materiais, roubando-lhe assim sua autonomia primordial.

Vale frisar que essa oposição é manifestada claramente no advento da propriedade privada, já que revela a intencionalidade humana em contemplar a natureza a partir dos seus próprios interesses materiais, ao invés de contemplá-la a partir da sua finalidade essencial:

O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas bastante simples para acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: “Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!” (ROUSSEAU, 1999, p. 87).

Decerto, alguém pode indagar o seguinte: o advento da propriedade privada representa a única manifestação do desejo humano em possuir a natureza?

Conforme Karl Marx (1988), a resposta é não, embora trate-se da manifestação mais elementar por natureza. No entanto, existe uma outra revelação mais sofisticada e que significa a idée-force do período histórico determinado pela luta de classes entre capitalistas e proletários.

Com efeito, trata-se do surgimento do processo de acumulação de capital, uma vez que deflagra a ânsia humana em aumentar a quantidade de elementos oriundos da natureza.

Diante disso, pode-se deduzir que a exteriorização humana não consegue reconstituir a totalidade da objetividade da natureza, uma vez que não consegue reconhecer a finalidade essencial que anima essa objetividade (o desenvolvimento completo da dialética entre o subjetivo e o objetivo).

O resultado desse fracasso é a incapacidade da condição humana em conhecer a si mesma, visto que a estrada que conduz ao autoconhecimento tem como etapa inicial o entendimento da objetividade da natureza.

Logo, não é inexato assinalar que o referido fracasso fundamenta a alienação humana, dado que desvela “a etapa pelo qual o homem se torna alheio a si, a ponto de não se reconhecer mais como práxis” (ABBAGNANO, 2007, p. 26).

3.2 O LEITMOTIV DO SISTEMA DE GESTÃO POR COMPETÊNCIAS

Diante do exposto, surge imediatamente a seguinte questão: o sistema de gestão por competências aprofunda ou não a alienação humana?

Para responder essa indagação, faz-se necessário investigar a maneira pela qual a exteriorização promove o surgimento da gestão por competências, visto que somente assim poderá ser detectado o leitmotiv dessa gestão.

Como foi visto anteriormente, a exteriorização humana deseja possuir a objetividade do meio natural no interior do período histórico determinado pela luta de classes, porque acredita que dessa forma estará totalmente a salvo das vicissitudes promovidas pelo reino da necessidade.

Destarte, ela estabelece o princípio da acumulação de capital, já que este possibilita a obtenção de um número muito maior de elementos oriundos do meio natural por intermédio da troca de dinheiro por mercadorias.

Convém observar que esse princípio é realizado através da equação marxiana M – D – M’ (Mercadoria – Dinheiro – Mercadorias), dado que a mesma detalha a troca contínua e infinita entre a mercadoria e o dinheiro:

Contemplando agora o resultado final da transação, o tecelão de linho possui uma Bíblia, em vez de linho, em vez de sua mercadoria original, outra do mesmo valor, mas de utilidade diferente. Do mesmo modo, ele se apropria de seus outros meios de subsistência e de produção. De seu ponto de vista, todo o processo somente media {sic} a troca de seu produto de trabalho por produto de trabalho alheio, o intercâmbio de produtos.

O processo de intercâmbio da mercadoria se completa, portanto, na seguinte mudança de forma: Mercadoria – Dinheiro – Mercadoria (M-D-M).

Segundo seu conteúdo material, o movimento é M – M’, troca de mercadoria por mercadoria, metabolismo do trabalho social, em cujo resultado o próprio processo se extingue (MARX, 1988, p. 94).

De certo modo, pode-se dizer que a exteriorização humana procura aumentar a todo instante a velocidade dessa troca contínua e infinita, porque somente assim poderá acumular capital e, consequentemente, obter um número maior de elementos da natureza.

Para que isso ocorra, é preciso que essa exteriorização motive a força de trabalho a incrementar a intensidade da sua ação sobre a matéria-prima, pois dessa forma poderá obter mercadorias de forma mais rápida e eficiente.

É importante assinalar que essa motivação é realizada através da instituição de duas ações que são complementares no interior da dialética capitalista: 1) a separação absoluta entre o trabalho intelectual e o trabalho manual; 2) a superação dessa cisão radical.

Em relação à primeira ação, pode-se dizer que ela aumenta consideravelmente a quantidade de mercadorias produzidas, já que fundamenta as aparições dos princípios da padronização, da repetição e da especialização.

Ademais, o ato de promover a separação entre o labor intelectual e o labor manual também contribui para a acumulação de capital, dado que desqualifica monetariamente o trabalho do proletariado sobre a matéria-prima.

O resultado desse ato é o surgimento da “idade de ouro do capitalismo” (1945-1970), uma vez que promove a expansão tanto da oferta agregada quanto da demanda agregada, além de quase atingir a meta do pleno emprego.

Já no que tange à segunda ação, deve-se informar que ela incrementa exponencialmente a quantidade de mercadorias produzidas, visto que consolida uma força de trabalho que consegue, ao mesmo tempo, planejar e executar uma determinada tarefa.

Ora, não é inexato assinalar que o ápice dessa consolidação ocorre com a criação do sistema de gestão por competências, uma vez que destaca um modelo gerencial que desenvolve a autonomia total da força de trabalho.

Em face disso, surge imediatamente a seguinte questão: de que maneira essa autonomia total é desenvolvida?

Conforme Ceribelli e Almeida (2001), ela é desenvolvida através do cumprimento dos três pilares do sistema de gestão por competência: 1) o mapeamento das competências valorizadas pela demanda agregada; 2) a avaliação do desempenho da força de trabalho; 3) um novo modelo de remuneração dessa força de trabalho.

Em relação ao primeiro, tem-se de informar inicialmente que a exteriorização humana deseja que a força de trabalho possua algumas competências que são valorizadas pela demanda agregada, dado que a mesma confere inteligibilidade à primeira fase da equação marxiana M – D – M’ (Mercadoria – Dinheiro – Mercadoria). Dessa maneira, a objetivação poderá acumular capital, uma vez que suas mercadorias estarão em conformidade com as exigências da procura global.

Por este motivo, a exteriorização humana realiza um mapeamento dessas competências, já que somente assim poderá conhecer as habilidades que são valorizadas pela demanda agregada. Segue abaixo uma lista dessas competências:

Figura 1. Modelo global de competências valorizadas pela demanda agregada

Foco em Resultados Atinge as metas estabelecidas, entregando resultados sustentáveis constantemente. Gosta de desafios e estabelece metas baseadas nos objetivos da empresa.
Visão do Negócio Conhece o negócio da empresa e seu ambiente de negócios. Compreende o impacto das suas ações no contexto global, trabalhando para gerar valor sustentável para a organização.
Trabalho em equipe Como integrante de uma equipe, trabalha de forma íntegra e respeitosa com seus colegas, engajando e estimulando-os para o desempenho superior.
Construção de relacionamentos com Stakeholders Desenvolve redes permanentes de relacionamento com stakeholders que possam impactar o negócio, buscando uma relação ganha- ganha.
Orientação para o cliente Foca seus esforços para agregar valor aos clientes, sejam eles internos ou externos.
Comprometimento com a organização Dedica-se ao trabalho, alinhado às culturas e aos valores, e engaja as pessoas pelo seu compromisso e orgulho de pertencer à empresa.
Flexibilidade Intercultural Compreende as diferenças culturais e atua para eliminar barreiras e obter sinergias dentro de contexto culturais específicas
Comportamento Seguro Compromete-se com a segurança total no ambiente de trabalho, atentando-se para as condições físicas, cumprindo normas e procedimentos.
Gestão do Conhecimento Adquire, consolida, registra e dissemina conhecimentos que garantam a excelência nos procedimentos da empresa.
Impacto e influência Influência e lidera pessoas pela sua capacidade técnica mobilizando-as para o alcance dos objetivos do mercado.
Liderança e gestão de pessoas Legitima-se como líder e gestor pelo foco em pessoas

Fonte: Ceribelli e Almeida (2001).

De posse desse mapeamento, cabe à exteriorização humana propiciar um treinamento para a força de trabalho, dado que somente assim a mesma poderá desenvolver as competências solicitadas pela procura global.

De certo modo, pode-se dizer que esse treinamento promove uma certa evolução da força de trabalho, já que lhe estimula a reflexão. Contudo, isso não significa que o proletariado tenha encontrado o sentido autêntico do seu labor, dado que desconhece totalmente a relação dialética entre a subjetividade humana e a objetividade da natureza.

Já no que tange ao segundo pilar da gestão por competências, deve-se informar inicialmente que a exteriorização humana necessita avaliar o desempenho da força de trabalho, uma vez que somente assim poderá eliminar os gaps entre as competências exigidas pela demanda agregada e as competências desenvolvidas pela força de trabalho.

Dessa maneira, essa exteriorização desenvolve um processo de avaliação intitulado de Mapeamento de Competências 360°. Em linhas gerais, trata-se de um questionário disponível na Intranet da organização que deve ser respondido por diversos públicos que se relacionam com a força de trabalho, tais como clientes, colaboradores da empresa, pares externos, etc. Convém observar que o resultado final desse processo de avaliação é a elaboração de  um plano de desenvolvimento anual da força de trabalho (PAD), sendo que esse plano revela as competências que precisam ser aperfeiçoadas por esse colaborador.

De acordo com Ivancevich (2008), o Mapeamento de Competências 360° deve abranger as 11 competências descritas na figura 1 deste artigo, sendo que a medição do resultado final é realizada através do cálculo da média simples das respostas coletadas.

No que se refere ao terceiro pilar, tem-se de expor que a exteriorização humana necessita adotar um novo modelo de remuneração da força de trabalho, porque somente assim motivará a força de trabalho a desenvolver as competências exigidas pela demanda agregada.

Diante do exposto, pode-se deduzir que o leitmotiv da gestão por competência é a necessidade da exteriorização humana em motivar a força de trabalho a aumentar a sua produtividade, uma vez que somente assim poderá manter intacto o processo de acumulação de capital.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na introdução deste artigo, foi realizada a seguinte pergunta: a gestão por competências aprofunda ou não a alienação humana? Agora chegou o momento de responder esta questão, pois representa uma etapa essencial da relação entre a subjetividade e a objetividade.

Antes de tudo, é mister reconhecer que esse modelo gerencial aumenta a velocidade da reconstituição parcial da objetividade do meio natural, pois consolida uma força de trabalho que consegue romper com a separação entre o labor intelectual e o labor braçal.

Com isso, ele contribui para o aumento da oferta agregada, pois intensifica a velocidade da ação da força de trabalho sobre a matéria-prima.

Todavia, isso não significa que o sistema de gestão por competências consiga devolver à condição humana o sentido autêntico do seu trabalho, uma vez que não desenvolve a compreensão da relação dialética entre a subjetividade e a objetividade.

Aliás, ocorre justamente o contrário, porque fundamenta no homem o desejo de possuir cada vez mais a natureza através do princípio da acumulação de capital. Exemplo disso verifica-se no modelo de remuneração baseado na meritocracia.

Além disso, esse desejo também se verifica quando a força de trabalho procura desenvolver as competências exigidas pela demanda agregada, já que o motivo desse desenvolvimento é a acumulação de capital (ao invés do autoconhecimento).

Por fim, pode-se inferir que a gestão por competências aprofunda a alienação humana, uma vez que contribui para a consolidação da separação entre a subjetividade humana e a objetividade da natureza.

REFERÊNCIAS

ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. SP: Martins Fontes, 2007.

BOCCATO, V. R. C. Metodologia da pesquisa bibliográfica na área odontológica e o artigo científico como forma de comunicação. SP: Revista de Odontologia da UNICID, volume 18, número 3, 2006, pp. 265-274.

BRANDÃO, H. P.; GUIMARÃES, T. de A. Gestão de Competências e Gestão de Desempenho: tecnologias distintas ou instrumento de um mesmo construto? SP: Revista de Administração de Empresas, volume 1, número 1, Jan-Mar 2001, pp. 8-15.

CERIBELLI, H. B. ; ALMEIDA, C. Á. M. de. Gestão por Competências: Um estudo de caso em uma indústria no Brasil. Washington: Georgetown University, volume 9, número 1, Jan-Abril, pp.118-130. 2015.

GARCIA, A. Cenário de implementação de gestão por competências no Brasil. SP: Revista de Carreiras e Pessoas, volume 2, número 2, Maio-Agosto, pp. 20-34. 2013.

HEGEL, G. W. F. Fenomenologia do Espírito. Petrópolis: Vozes, 1992.

IVANCEVICH, J. M. Gestão de Recursos Humanos. SP: McGrawHill, 2008.

MARCONDES, D. H. J. Dicionário de Filosofia. RJ. Jorge Zahar, 2001.

MARX, K. O Capital – Livro Primeiro: O processo de produção do capital. SP: Abril Cultural, 1988.

MUNCK, L.; et al. Gestão de Pessoas por Competências: Análise de repercussões dez anos pós- implantação. SP: Revista de Administração Mackenzie, volume 12, número 1, pp. 4-52. 2011.

ROUSSEAU, J. J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. SP: Abril, Cultural, 1999.

SARTRE, J. P. Crítica da razão dialética – Tomo I: Teoria dos conjuntos práticos. Rio de Janeiro: DP & A, 2002.

APÊNDICE – REFERÊNCIA DE NOTA D RODAPÉ

2. “(lat. alienatio, de alienare: transferir para outrem; alucinar, perturbar). Os termos ‘alienado’ e ‘alienação’ ingressam no vocabulário filosófico graças a Hegel e a Marx. Se, em Hegel, a alienação designa o fato de um ser, a cada etapa de seu devir, aparecer como outro distinto do que era antes, em Marx, ela significa a ‘despossessão’, seguida da ideia de escravidão. Assim, quando dizemos hoje que o trabalho é um instrumento de alienação na economia capitalista, estamos reconhecendo que o operário é despossuído do fruto de seu trabalho. (MARCONDES, D.; JUPIASSU, H., 2001, pp.6-7).

3. Termo consolidado pelo economista belga Ernest Mandel em 1972 na sua tese de doutorado Der Spätkapitalismus – Versuch einer marxistischen Erklärung e que revela o atual estágio do sistema capitalista. De certo modo, não é inexato acrescentar que esse estágio revela a superação da cisão radical entre o trabalho intelectual e o trabalho manual.

[1] Mestre em Filosofia pela PUC-SP; Especialista em Gestão de Talentos pela PUC-PR; Especialista em Gestão Empresarial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie; Especialista em Gestão da Educação pela UFSCAR; Graduado em Economia pela USCS; Concluindo a graduação em RH pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Enviado: Abril, 2021.

Aprovado: Maio, 2021.

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