Peelings Químicos no Rejuvenescimento Facial: Revisão Sistemática

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MORAES, Mariana Barreto [1], BRASILEIRO, Marislei Espíndula [2]

MORAES, Mariana Barreto; BRASILEIRO, Marislei Espíndula. Peelings Químicos no Rejuvenescimento Facial: Revisão Sistemática. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Edição 9. Ano 02, Vol. 03. pp 5-12, Dezembro de 2017. ISSN:2448-0959

Resumo

Objetivo: realizar um levantamento bibliográfico a respeito da utilização dos principais agentes de peelings químicos nos tratamentos faciais, os critérios de avaliação dos estudos e o tipo de pele utilizada nos tratamentos. Materiais e Método: estudo do tipo bibliográfico, revisão sistemática onde as buscas foram realizadas no período de 27 de junho a 12 de julho de 2017, em todas as bases de dados conhecidas, nos idiomas em português. Resultados: identificou-se um total de 36 pacientes, sendo que 5 de 6 artigos citaram os pacientes serem do sexo feminino. Autores e pacientes classificaram os tratamentos com resultados muito bons ou satisfatórios. Conclusão: Deve-se ter cuidado na hora de escolher qual agente será aplicado, levando em consideração os benefícios e os riscos que podem ocorrer. Foi comprovado a eficácia dos peelings, devolvendo a pele maior uniformidade, clareamento e revitalização.

Palavras-Chave: Enfermagem Estética, Peeling Químico, Rejuvenescimento Facial, Rejuvenescimento da Pele, Envelhecimento, Ácidos no Rejuvenescimento.

1. INTRODUÇÃO

Alterações na pele que ocorrem ao decorrer dos anos são fatores que influenciam as pessoas a procurarem um tratamento estético. A técnica e o agente a serem utilizados devem ser decididos de acordo com o quadro clínico e o fototipo cutâneo de cada paciente, tendo assim um atendimento individualizado e holístico (1,2).

Um exame clínico dermatológico deve ser feito antes do tratamento para avaliar o perfil psicológico do paciente, atividade profissional e o tempo disponível para afastamento, grau de exposição ao sol, antecedentes de herpes simples, tendência para queloides e hiperpigmentação pós-inflamatória, medicamentos em uso, comprometimento imunológico, tabagismo e atividade sebácea(2,3).

Dermatologistas começaram a mostrar interesse pelos peelings no século XIX, mas foram inicialmente descritos na medicina egípcia, e literatura grega e romana(3). O peeling é a aplicação de um ou mais agentes esfoliantes na pele, que destrói partes da epiderme e/ou derme, provocando regeneração desses tecidos(2).

O peeling químico se tornou um procedimento popular na atualidade, para tratamento de várias doenças e transtornos estéticos como as rugas, melanoses, queratoses actínicas, melasma, hiperpigmentação pós-inflamatória, acnes, cicatrizes atróficas, estrias, queratose pilar e clareamento da pele(2,4).

São classificados em quatro grupos de acordo com a profundidade da necrose tecidual provocada pelo agente esfoliante, muito superficial: removem o extrato córneo (profundidade de 0,06mm); superficial: esfoliação epidérmica, camada granulosa a basal (0,45mm); médios: necrose da epiderme até a derme papilar (0,6m); profundos: estende até a derme reticular (0,8m)(2-4).

Quanto mais profundo maiores são os riscos, desconfortos e também os resultados que fornecerá uma aparência mais saudável, reduzindo significativamente a velocidade do processo de envelhecimento(1-4).

Na maioria dos tratamentos faciais o ácido é uma das etapas do procedimento, são substâncias que possuem Ph inferior ao da pele proporcionando uma esfoliação (peeling), quanto maior a sua concentração, mais rápida e profunda é a sua permeabilidade. Os peelings mais recomendados para o fotoenvelhecimento são os de ácido retinóico, pirúvico, salicílico, de Jessner, tricloroacético, glicólico, kójico, fenol(2-4).

É válido ressaltar que existem contra indicações para esses tratamentos, como a fotoproteção inadequada, gravidez, estresse ou escoriações neuróticas, uso de isotretinóina oral há menos de seis meses, cicatrização deficiente ou formação de queloides, história de hiperpigmentação pós-inflamatória permanente, dificuldade para compreender e seguir orientações fornecidas(2,4).

O envelhecimento é um processo natural que ocorre desde que nascemos, irreversível, lento e progressivo. Devido à exposição solar a pele sofre degeneração das fibras elásticas e colágenas, aparecimento de manchas pigmentadas, e à ocorrência de lesões pré-malignas ou malignas, os raios ultravioletas geram radicais livres que alteram o metabolismo e causam o envelhecimento precoce(5,6).

No século passado a longevidade do homem era com média de vida de 50 anos, atualmente as pessoas chegam com 80 a 90 anos de idade, aumentando a expectativa de vida, valorizando cada vez mais a juventude, o jovem e o belo, fazendo com que as pessoas sofram com o envelhecimento(1).

O envelhecimento pode ser influenciado por fatores intrínsecos, que é um desgaste natural do organismo e fatores genéticos, e extrínsecos que são fatores externos, exposição aguda ou crônica aos raios UV, poluição, tabagismo, álcool, alimentação, estilo de vida, além do bem estar emocional. Algumas teorias explicam os acontecimentos biológicos responsáveis pelo envelhecimento, mas nenhuma é aceita universalmente, portanto a qualidade do envelhecimento depende da forma como cada um conduz seu estilo de vida(1,3,5,6).

O enfermeiro habilitado a atuar na área estética pela resolução nº 529 do Conselho Federal de Enfermagem, de 09 de novembro de 2016, é um profissional altamente capacitado para a realização de tratamentos de disfunções corporais e faciais. A resolução assegura o enfermeiro na atuação de 19 procedimentos, incluindo os tratamentos com peelings muito superficiais e superficiais. A enfermagem está alcançando cada vez mais espaço e reconhecimento no mercado, porém ainda existe uma necessidade de maior divulgação do papel do enfermeiro na área de estética(7).

O objetivo desse estudo é realizar um levantamento bibliográfico a respeito da utilização dos principais agentes de peelings químicos nos tratamentos faciais, os critérios de avaliação dos estudos e o tipo de pele utilizada nos tratamentos.

2. METODOLOGIA

Realizado através de uma revisão bibliográfica sistemática sobre peelings químicos, os principais ácidos e seus benefícios no tratamento do envelhecimento da pele. As buscas foram realizadas no período de 27 de junho a 12 de julho de 2017, em todas as bases de dados conhecidas, nos idiomas em português.

Contudo, foram encontradas referências apenas nas bases Lilacs e Google Acadêmico. Foram utilizadas as palavras chaves: enfermagem estética, peeling químico, rejuvenescimento facial, rejuvenescimento da pele, envelhecimento, ácidos no rejuvenescimento.

A qualidade metodológica dos estudos foi avaliada de acordo com os seguintes critérios:

  1. A população do estudo foi selecionada de acordo com critérios de inclusão claramente descritos?
  2. O estudo foi realizado com a utilização de ácidos?
  3. A técnica utilizada foi claramente descrita?
  4. A avaliação da eficácia incluiu métodos quantitativos, tipo escore de sinais clínicos, Melasma Area Severity Index ou MAIS, classificação de Glogau, análise digital por fotografias, ou questionários de satisfação dos pacientes?
  5. A técnica foi realizada em área facial?

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A seguir, na tabela 1, observaremos os ácidos aplicados pelos autores e os resultados alcançados definidos como satisfatórios pelo profissional e o paciente.

Tabela 1 – Tipos de ácidos e formas de utilização

AutoresÁcidos UtilizadosAplicabilidadeResultados Satisfatórios
Lima (2015)FenolRejuvenescimento
Cicatriz de acne
Sim
Bergmann et al. (2014?)RetinóicoRejuvenescimento
Melasma
Sim
Zdebski et al. (2014)GlicólicoRejuvenescimentoSim
Bianchini et al. (2015)GlicólicoMelasmaSim
Silva et al. (2015)Glicólico

Kójico

MelasmaSim
 Stacke (2016)PirúvicoAcneSim

Fonte: Elaboração própria

Todos os artigos citados são experimentais, com um total de 36 pacientes, sendo que 5 de 6 artigos citaram os pacientes serem do sexo feminino.

Um estudo contendo 28 pacientes, 12 apresentavam rugas e flacidez, 5 com cicatrizes de acne e 10 com rugas, flacidez e cicatrizes de acne. Esses pacientes foram submetidos ao fenol 88% seguido de microagulhamento, finalizado com a utilização de curativo com gaze removido após 24h no domicílio, seguindo-se o uso de regenerador cutâneo três vezes ao dia, e depois de quinze dias usar despigmentante industrializado. O autor concluiu que os resultados foram muito bons na avaliação clínica e nas fotografias e 100% de satisfação no questionário respondido pelas pacientes. O grau de dor e desconforto durante o procedimento foi tolerável e houve hiperpigmentação moderada em sete pacientes, revertido com despigmentante no prazo de 30 a 45 dias(8).

Em outro estudo foi utilizado ácido retinóico a 5% com microagulhamento, em paciente do sexo feminino com 35 anos de idade e fototipo III na classificação de Fitzpatrick. A paciente fez uso diário de protetor solar e creme de uso noturno com ácido tranexâmico 3%. EgF1% e ácido retinóico 0,025%. Concluiu-se que os resultados foram eficazes no tratamento do melasma e fotoenvelhecimento desta paciente com redução na escala de melasma MASI de 23,4 para 5,4 após o tratamento(6).

Um estudo com ácido glicólico em paciente com 47 anos do sexo feminino, fototipo II pela classificação de Fitzpatrick e envelhecimento moderado. Foram feitos tratamentos em sala de estética particular em 8 sessões, procedimento domiciliar onde recebeu um sabonete facial liquido contendo ácido salicílico a 2% e ácido glicólico a 4%, para utilização duas vezes ao dia e uso constante do protetor solar. Observou-se gradualmente o clareamento na pele, assim como sua renovação celular, uniformidade, tonicidade, e maciez, tendo 100% da satisfação da paciente, melhorando a sua autoestima(9).

Estudo com mulher de 48 anos com melasma, aplicando ácido glicólico a 30% por 10 minutos na pele e vitamina C. Indicação de tratamento domiciliar com hidratante contendo niacinamida 5% que reduz a hiperpigmentação e uniformiza o tom da pele e ácido ferúlico 0,5% antioxidante que previne o dano causado pela radiação UV, além do uso do protetor solar. Observou-se o clareamento das manchas localizadas nas regiões malares e zigomáticas em ambas as hemifaces da paciente, além de um afinamento epidérmico, o que tornou as rugas mais superficiais(10).

Paciente do sexo feminino de 34 anos, com melasma, havendo aplicação de ácido glicólico a 20% mais ácido kójico a 10% permanecendo na pele por 10 minutos em cinco sessões. Foram recomendados para tratamento domiciliar hidratante contendo niacinamida a 5% e ácido ferúlico a 0,5% duas vezes ao dia, e uso do protetor solar. Observou-se uma diminuição no diâmetro das manchas e uniformização do tom da pele, além da melhora na hidratação e luminosidade da região facial(11).

Estudo com o uso de ácido pirúvico a 50% que destaca-se pelas suas propriedades queratoliticas, antimicrobianas e antiseborreicas, foi realizada com 4 pacientes do sexo feminino entre 18 e 30 anos, fototipo I e III e presença de acne grau II na face. Foram feitas cinco sessões a cada 14 dias, indicação de cosmético domiciliar contendo ácido salicílico, ZmPCA e óleo essencial de malaleuca. Houve diminuição no eritema devido ao tratamento ter auxiliado na cicatrização mais rápida das lesões de acne ativas, porém as mesmas continuavam a surgir e segundo relato das participantes, a pele apresentava-se menos oleosa sem comprometer a sensação de hidratação, e mostraram-se satisfeitas com os resultados finais do tratamento e indicariam o mesmo para outras pessoas(12).

O mecanismo de ação do ácido retinóico é a tretinoina e como apresenta um fator de gene transcriptor específico ela é considerada um hormônio, aumenta a proliferação epidérmica, espessamento epidérmico, compactação do extrato córneo, biossíntese e deposição de glicosaminoglicanos assim como o ácido glicólico, que é um alfa hidroxiácido que estimula aumento das fibras de colágeno e elastina, além da renovação celular. O ácido pirúvico tem propriedades queratolíticas que estimula também a formação de colágeno e elastina e a diminuição do estrato córneo. O fenol tem ação cáustica imediata, promove coagulação das proteínas da queratina epidérmica.

Em todos os procedimentos foi realizado desengorduramento da pele com sabonetes líquidos de diversas marcas ou manipulado ou propanona, e em um caso feito assepsia com clorexidine. Aplicados os ácidos com gaze e retirados com gaze ou algodão umedecido, obedecendo os tempos estipulados para cada caso.

Após a análise dos estudos foi possível concluir que os peelings químicos apresentam resultados satisfatórios nos seguintes distúrbios: rejuvenescimento, acne, melasma e cicatrizes de acne, e os agentes utilizados para realização desses procedimentos são: fenol, retinóico, glicólico, kójico e pirúvico. Deve-se ter cuidado na hora de escolher qual agente será aplicado, levando em consideração os benefícios e os riscos que podem ocorrer, muitas vezes o delineamento proposto é adequado, porém a qualidade dos resultados é inconsistente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo desse estudo avaliou, por meio da literatura, as evidências científicas sobre a eficácia dos peelings no rejuvenescimento facial. Específicamente, no tratamento de diversos distúrbios com a utilização de diferentes ácidos devolvendo a pele maior uniformidade, clareamento e revitalização, mostrando ter resultados positivos e que é imprescindível que o profissional recomende o uso de protetor solar.

O fator mais importante a ser considerado não é apenas uma pele com melhor aspecto, e sim a satisfação e o aumento da autoestima de pacientes que se disponibilizam para esses tratamentos de peelings químicos.

Percebe-se, portanto, a necessidade de novos estudos com boa qualidade metodológica a fim de avaliar um maior número de pacientes para identificar efeitos adversos, aplicabilidade e eficácia desses tratamentos para ser estabelecido protocolo de conduta adequado.

REFERÊNCIAS

1. Amorim ALM, Mejia DPM. Benefícios do peeling químico com ácido glicólico no processo de envelhecimento. Pós-graduação em Fisioterapia em Dermato-Funcional, Faculdade Cambury. 2014. Disponível em: <http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/18/76_-_BenefYcios_do_peeling_quYmico_com_Ycido_glicYlico_no_processo_de_envelhecimento.pdf>. Acesso em: 27 jun 2017.

2. Guerra FMRM, Krinsk GG, Campiotto LG, Guimarães KMF. Aplicabilidade dos peelings químicos em tratamentos faciais – Estudo de revisão. Paraná, 2013. Disponível em: <http://www.mastereditora.com.br/periodico/20130929_214058.pdf>. Acesso em: 05 jul 2017.

3. Yokomizo VMF, Benemond TMH, Chisaki C, Benemond PH. Peelings químicos: revisão e aplicação prática. Surg Cosmet Dermatol 2013;5(1):58-68.

4. Pereira AMV, Mejia DPM. Peelings químicos no rejuvenescimento facial. Pós-graduação em Fisioterapia em Dermato-Funcional, Faculdade Cambury. 2014. Disponível em: <http://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/18/96_-_Peelings_quYmicos_no_rejuvenescimento_facial.pdf>. Acesso em: 27 jun 2017.

5. Oliveira TS, Paiva LM. Rejuvenescimento da pele por meio da utilização do laser – Uma revisão sistemática da literatura. Centro Universitário de Brasília. Brasília. 2016. Disponível em: <http://repositorio.uniceub.br/bitstream/235/9039/1/21307174.pdf>. Acesso em: 27 jun 2017.

6. Bergmann CLMS, Bergmann J, Silva CLM. Melasma e rejuvenescimento facial com o uso de peeling de ácido retinóico a 5% e microagulhamento caso clínico. Pós graduação em Dermatofuncional, Faculdade do Litoral Paranaense. 2013.

7. Resolução 259/2016 COFEN. Disponível em: <http://www.cofen.gov.br/wp-content/uploads/2016/11/RESOLU%C3%87%C3%83O-COFEN-N%C2%BA-0529-2016-ANEXO-NORMATIZA-A-ATUA%C3%87%C3%83O-DO-ENFERMEIRO-NA-%C3%81REA-DE-EST%C3%89TICA.pdf>. Acesso em 11 jul 2017.

8. Lima EA. Associação do microagulhamento ao peeling de fenol: uma nova proposta terapêutica em flacidez, rugas e cicatrizes de acne da face. Surg Cosmet Dermatol 2015;7(4):328-31.

9. Zdebski AC, Amaro AC, Paz DD, Sobrinho JRM, Bender S. Utilização do ácido glicólico a 10% para revitalização de peles maduras. Revista Thêma et Scientia – Vol. 4, no 1, jan/jun 2014.

10. Bianchini AB, Ramos LS, Vargas TFB, Schuh CM, Muller CR. Uso do peeling de ácido glicólico e vitamina c no tratamento de melanose solar: um estudo de caso. Universidade de Santa Cruz do Sul. 2015. Disponível em: <https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/salao_ensino_extensao/article/view/13909>. Acesso em: 09 jul 2017.

11. Silva GL, Simonis M, Henrique M, Schuh CM, Muller CR. Associação do peeling de ácido kójico e ácido glicólico no tratamento do meslasma: um estudo de caso. Universidade de Santa Cruz do Sul. 2015. Disponível em: <https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/salao_ensino_extensao/article/view/13860>. Acesso em: 09 jul 2017.

12. Stacke DVS. Peeling de ácido pirúvico associado a cosmético de uso domiciliar no tratamento de acne. 2016. Disponível em: <https://repositorio.unisc.br/jspui/handle/11624/1181>. Acesso em: 09 jul 2017.

[1] Pós-Graduação em Enfermagem

[2] Doutora em Ciências da Saúde – FM-UFGD, Doutora – PUC-GO, Mestre em Enfermagem – UFMG, Enfermeira, Docente do CEEN

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