Comparativo de mortalidade em uti de duas cidades do Triângulo Mineiro

0
60
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
ARTIGO EM PDF

ARTIGO DE REVISÃO

ANDRADE, Carla Cristina Ferreira de [1], MIGUEL, Henrique [2], LIMA, Paula Cristina de Assis [3]

ANDRADE, Carla Cristina Ferreira de. MIGUEL, Henrique. LIMA, Paula Cristina de Assis. Comparativo de mortalidade em uti de duas cidades do Triângulo Mineiro. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 07, Vol. 07, pp. 51-63. Julho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

Trata-se de uma pesquisa descritiva e comparativa com abordagem quantitativa, utilizando dados do DATASUS. Este trabalho foi realizado para se conhecer as principais causas de óbitos em UTI`s em pacientes que necessitam desta atenção 24 horas, sendo um comparativo entre as cidades de Patos de Minas/MG (A), Araguari/MG (B). Resultados comprovam que as doenças cardiovasculares 27,3 (A) e 29,7% (B), respiratória 25,4% (A) e 26,2% (B), infecções 15% (A) e 11,3% (B) e patologias do sistema digestivo 8,6% (A) e 9,4% (B) estão entre as primeiras causas de óbitos. Conclui-se que, no comparativo, as principais causas de mortes nas UTI`s é equivalente entre estas duas cidades e aos hospitais do Brasil.

Palavras-chaves: Morbidades em UTI, mortalidade em UTI, principais patologias em UTI.

INTRODUÇÃO

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nasceu da necessidade de suporte avançado de vida, para doentes com potencial gravidade e instabilidade clínica. Destaca-se por ser um local de alta complexidade, único no ambiente hospitalar, reservado e com monitoração/vigilância por vinte e quatro horas. Os cuidados médicos intensivos progrediram no decorrer dos tempos, principalmente com o reconhecimento da imprescindibilidade de quadros clínicos de doença aguda, cujo risco de vida e lesões graves desencadearam, historicamente, no agrupamento dos casos em uma área específica do ambiente hospitalar (MENDES, 2010).

Originalmente, a definição de terapia intensiva surgiu no conflito da Criméia (1853-1856) quando a enfermeira britânica Florence Nightngale, em Scutari, distrito de Istambul/Turquia, juntamente com outras trinta e oito enfermeiras, atendeu soldados britânicos feridos gravemente, agrupando-os e isolando-os em locais com medidas preventivas, evitando infecções e epidemias como disenteria e tétano. Com estas medidas, notou-se uma grande redução da mortalidade. Mesmo com o passar dos anos, o objetivo precípuo das UTI’s não se modificou, uma vez que continua mantendo um ambiente capaz de proporcionar suporte para pacientes em graves condições, com iminente risco de óbito (FERNANDES et al., 2011).

O primeiro médico intensivista era austríaco e chamava-se Peter Safar. Este profissional preconizou o atendimento de urgência/emergência, formulando o ABC primário, ou seja, a sistematização que seguia uma ordem de prioridades e atuação em relação a um doente, representando as maiores chances de sobrevivência e com o mínimo de sequelas possíveis. Criou também a ventilação artificial boca-a-boca e a massagem cardíaca externa (SCHLINZ, 2016).

Em 1971 surgiu a primeira UTI no Brasil. Médicos cirurgiões do Hospital Sírio-Libanês, localizado em São Paulo, detectaram a necessidade de organizar uma UTI para cuidar de pacientes em situações graves. Nesta época não havia profissionais da área de terapia intensiva atuando na medicina brasileira. O conhecimento sobre as respostas do organismo humano às doenças críticas ainda era restrito, da mesma forma que os equipamentos substitutos das funções orgânicas, além dos fármacos e dos recursos de monitorização dos sinais vitais. Nesta época, a mortalidade dos pacientes internados era muito alta, sendo a UTI relacionada diretamente ao óbito. Esta realidade, com o passar dos anos, foi superada. Atualmente, com o suporte avançado de vida, ou seja, ventiladores mecânicos, aparelhos de diálise, equipamentos que substituem, de forma temporária, a função dos órgãos vitais, etc. é possível que os pacientes permaneçam vivos até a recuperação de sua condição clínica (YOUNES, 2011).

Em 1995, o importante movimento de atendimento humanizado das UTI´s fomentou uma profunda reflexão sobre esta temática, procurando modificar a imagem da UTI, pois era relacionada a um local de angústia e isolamento. Ações, estudos e reflexões relacionadas a transformar este ambiente em um espaço mais aconchegante foram muito importantes para atender às necessidades individualizadas dos pacientes. A humanização busca auxiliar na diminuição do nível de estresse do enfermo, de forma que sua recuperação seja mais rápida e efetiva (MENDES, 2010).

As UTI´s podem ser classificadas em Adulto, Pediátrica, Pediátrica Mista (Pediátrica e Neonatal) e Neonatal, além de específicas, como a Cardiológica, Cirúrgica, Transplante, etc. São diversas as diferenças entre a Unidade de Internação Comum e a UTI, principalmente em relação à monitorização hemodinâmica invasiva e não invasiva, com a presença de 3 profissionais que, por suas qualificações específicas, apresentam alto desempenho, além de estarem disponíveis com exclusividade para atuarem na terapia intensiva. Os cuidados intensivos são muito abrangentes. Assim, uma equipe multiprofissional é imprescindível. Na UTI, o corpo clínico é formando por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, além de profissionais de apoio, como nutricionistas, odontólogos, psicólogos, assistente social, bioquímicos, farmacêuticos, dentre outros. Há também permissão para o amparo religioso, com acesso de líderes espirituais a pedido do enfermo ou de sua família (SCHLINZ, 2016).

O Registro Nacional de Terapia Intensiva demonstra que no ano de 2017, a permanência média em UTI´s no Brasil era de 5,29 dias; em 2018, registra-se 5,14 dias. O tempo é superior quando o hospital é público; na análise dos dados, são em média 7,62 dias nas instituições subsidiadas pelo Governo, enquanto nota-se 5,26 dias em instituições de caráter privado. O tempo de permanência por região também é variável, sendo: 6,57 no Centro-Oeste; 6,80 no Nordeste; 7,61 no Norte; 5,30 no Sudeste; e 6,24 no Sul. Ressalta-se que os dados são de março do presente ano (UTIS BRASILEIRAS, 2017).

A utilização de tratamentos inovadores, o avanço tecnológico, o aumento da expectativa de vida e do índice de adoecimento por doenças crônicas, as quais necessitam de cuidados intensivos em algum momento, são fatores que têm contribuído para rápida evolução e surgimento de novas especialidades. Dessa forma, as UTI’s têm sido um recurso válido para o oferecimento de suporte especializado de assistência à saúde, envolvendo o uso de recursos tecnológicos e terapêuticos de última geração (SANTOS et al., 2017).

A progressão científica e tecnológica, assim como a interação multidisciplinar, contribui para a sobrevivência dos pacientes em estado crítico. Entretanto, a incidência de complicações e efeitos deletérios causados pela imobilidade nas UTI´s ocasiona declínio na independência funcional, custos assistenciais em excesso e minimização da qualidade de vida após a alta (OLIVEIRA, 2013).

Como mencionado, as pessoas com mais de sessenta anos são as principais usuárias dos serviços de terapia intensiva. Este fato traz às políticas públicas intensos obstáculos durante a busca pela assistência universal da saúde e otimização dos recursos, uma vez que com o prolongamento da expectativa de vida há proporcionalmente a expansão da procura. Ademais, o sedentarismo, má alimentação, elevados índices de obesidade, consumo exacerbado de bebidas alcóolicas e nicotina provocam o aumento da incidência de doenças crônicas; e, consequentemente, um maior número de complicações clínicas que necessitam de apoio terapêutico em UTI. Por fim, a violência urbana, com grande número de sequelas 4 advindas dos transportes terrestres, armas brancas e de fogo, etc. frequentemente geram situações que demandam, em sua fase aguda, internação em UTI (SENTURK et al., 2011).

Não há um perfil padrão para pacientes internados em terapia intensiva. Portanto, encontram-se pacientes em todas as condições e tipos de patologias. O monitoramento de dados vitais é de suma importância, pois apontam mudanças bruscas dos parâmetros normais, podendo evitar mortalidade, visto que possibilita melhor ação do profissional da saúde (RODRIGUEZ et al., 2016). Em UTI, compreender as características sociodemográficas e epidemiológicas dos pacientes ajuda a definir estratégias qualitativas e quantitativas para melhorar os cuidados aos mesmos, especialmente para evitar complicações, ofertando um atendimento especializado e garantindo acesso à reabilitação (FEIJÓ et al., 2006).

Com o rápido aumento da demanda de pacientes e a diminuição dos recursos financeiros destinados aos serviços de saúde, necessária se fez uma distribuição otimizada dos serviços médicos. Dessa forma, nas últimas décadas, esforços foram direcionados para o desenvolvimento de métodos que avaliam objetivamente a gravidade dos pacientes admitidos à UTI (ABELHA et al., 2006). A busca por vagas na terapia intensiva aumentou exponencialmente nos últimos anos, sendo frequente a escassez em hospitais públicos brasileiros. É urgente a potencialização dos recursos terapêuticos e uma maior eficiência do atendimento na unidade, com o intuito de diminuir o tempo de internação, aumentar resultados e fomentar uma maior rotatividade dos leitos (SENTURK et al., 2011).

O principal desafio das UTI´s modernas é equacionar a oferta de serviço ao uso racional de recursos. Dessa forma, a gestão da UTI deve ser sistematizada, com respeito a fundamentos, valorizando recursos humanos, estratégias, qualidade, elaboração de metas que geram resultados eficazes, comprometimento, visão de futuro, valorização dos colaboradores, pró-atividade e aprendizados contínuos (FERNANDES et al., 2011).

Pesquisas que analisam os custos apontam que o gasto diário da UTI por paciente é muito consistente para a maioria dos casos. Por isto, o período de internação na UTI também é usado como parâmetro de utilização de recursos. Apesar dos avanços em cuidados pré-operatórios, o tempo de internação na unidade de terapia intensiva associa-se ao mau prognóstico e aos altos custos com internação. Os fatores de risco, que causam maior permanência na UTI após procedimentos cirúrgicos, foram descobertos e amplamente estudados, ligados à má evolução do paciente e aos custos elevados (PESSINI, 2016).

Dentre os motivos para a internação, são relevantes as doenças infecciosas, infarto agudo do miocárdio, angina instável, insuficiência respiratória aguda, edema agudo de pulmão, sendo que neuropatias ocasionadas pelas comorbidades desses enfermos aumentam o 5 tempo de ventilação mecânica e permanência na UTI. A hospitalização prolongada pode ocasionar fraqueza muscular e descondicionamento físico, devido à imobilidade (OLIVEIRA, 2013).

Uma vez que é notável a importância da internação em UTI´s, esta pesquisa abrange a seguinte problemática: quais são os motivos elementares que desencadeiam o óbito em enfermos, nos municípios de Patos de Minas/MG e de Araguari/MG?

O objetivo da pesquisa em apreço é descobrir as principais causas de morte em pacientes internados nas UTI´s de duas cidades de porte médio da mesma microrregião, Patos de Minas/MG e de Araguari/MG, situadas no triângulo mineiro, com índice de desenvolvimento humano e densidade demográfica aproximados.

Conhecer as principais causas de óbito em UTI´s poderá nortear os serviços e os profissionais da atenção básica e secundária, de forma que atuem focados em prevenir e reduzir a morbimortalidade. Explorar as causas das complicações, que geram as internações e o agravamento de seu estado de saúde que leva à morte, é essencial para que se possa dar o primeiro passo para combatê-las.

Ressalte-se que esta pesquisa não causa nenhum risco, tanto aos pesquisadores quanto aos pacientes, uma vez que será realizado apenas um comparativo sobre as principais causas de mortalidades em UTI`s em duas cidades, utilizando os dados presentes no Datasus do Ministério da Saúde.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa descritiva e comparativa, com abordagem quantitativa, empregando-se dados do DATASUS do Ministério da Saúde, no período de janeiro de 2012 a dezembro de 2016, em dois pequenos municípios do triângulo mineiro, que pertencem à mesma microrregião de saúde e possuem densidade demográfica semelhante, nos quais foram incluídos 3.144 (três mil cento e quarenta e quatro) pacientes internados no setor. Foi realizada a estatística descritiva para análise dos dados.

As cidades analisadas são Patos de Minas/MG (A) e Araguari/MG (B). Estes municípios pertencem à mesma micro-área, pois possuem o índice de desenvolvimento humano (IDH) e densidade demográfica próximos, assim como o número de leitos de UTI.

Os critérios de exclusão foram tempo de internação em UTI menor que 24 horas e idade menor que 18 anos. Para todos os pacientes avaliados, coletaram-se dados sobre gênero, idade, motivo da admissão à UTI, intervenções invasivas, procedimentos cirúrgicos, uso de ventilação mecânica (VM) invasiva, presença de comorbidades, infecções e tempo de permanência na UTI. Essas variáveis foram investigadas como possíveis fatores prognósticos para causas de óbitos neste ambiente hospitalar.

Criou-se um banco de dados, em planilhas eletrônicas, o qual foi analisado por tabulações simples das variáveis e apresentado por meio de gráfico. Realizou-se a análise dos dados por procedimentos de estatística descritiva, utilizando a distribuição de frequências absoluta.

Para obtenção da listagem de pacientes que estiveram internados na unidade de terapia intensiva, no período delimitado para a coleta de dados, foram usados os dados presentes no DATASUS do Ministério da Saúde, que contém informações sobre os pacientes admitidos nas UTI`s e que foram a óbito, como iniciais do nome, número do prontuário, data de nascimento, unidade proveniente, diagnóstico de internação e óbito. Posteriormente, analisaram-se os prontuários alocados nos arquivos do DATASUS. Os dados coletados de pacientes admitidos em ambiente de terapia intensiva compreenderam o período de janeiro de 2012 a dezembro de 2016.

Esta pesquisa tem função de promover conhecimento, tanto relativo às patologias como sobre sua prevenção, a fim de se evitar óbitos e morbidades. Busca-se fomentar o esclarecimento de âmbito científico, alcançando melhorias. O estudo visa destacar as causas que contribuem para os óbitos, incentivando os cuidados com a saúde para evitar agravamento do quadro clínico e/ou posteriores complicações. Por fim, este trabalho almeja identificar e avaliar os efeitos nocivos que o ambiente da terapia intensiva pode causar à saúde dos enfermos.

Os participantes deste trabalho têm suas identidades preservadas.

DISCUSSÃO E RESULTADOS

Utilizou-se uma variável que engloba as doenças que culminaram em óbitos em UTI´s nas cidades de Patos de Minas (A) e Araguari (B). Os dados coletados são de pacientes internados em UTI adulta. Este tipo de UTI é destinado a assistir enfermos com idade igual ou superior a dezoito anos, podendo ser inseridos pacientes entre quinze e dezessete anos, caso a instituição permitir em seu ordenamento (MENDES, 2006).

A população estudada é homogênea, característica que provê uma pesquisa fidedigna, autêntica, segura e eficaz. O período de coleta dos dados é também muito importante, pois se trata de um intervalo de tempo recente (2012 a 2016), o que contribui para confiabilidade dos resultados, podendo ser usados como respaldo para as atuais medidas preventivas e intervenções.

Destacam-se as doenças do aparelho cardiocirculatório em ambas as cidades, como primeira causa de mortes 27,3% (A) e 29,7% (B); a segunda causa são as doenças do sistema respiratório 25,4% (A) e 26,2% (B); terceiro lugar nas infecções com 15% (A) e 11,3% (B); em quarto lugar patologias do sistema digestivo 8,6% (A) e 9,4% (B), conforme gráfico.

Fonte: Dados da pesquisa, 2016.

Nota-se que as principais causas de mortalidade em ambiente de urgência e emergência hospitalar são semelhantes nas duas cidades. Os resultados das quatro primeiras causas de mortes em UTI`s estão na mesma ordem nos dois municípios, ou seja, em 1º lugar doenças cardiocirculatórias, 2º lugar doenças do sistema respiratório, 3º lugar infecções e 4º lugar doenças do aparelho digestivo; a porcentagem tem pouca variação.

As doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 1/3 das mortes no Brasil. As lesões vasculares estão associadas à aterosclerose, patologia causada por uma série de fatores, muitos deles de risco, tais como obesidade, sedentarismo, hipertensão arterial e tabagismo, sendo que alguns possuem raízes na infância e apresentam efeitos aditivos na vida adulta (CHIESA; WESTPHAL; AKERMAN, 2008).

Pesquisas recentes indicam que o processo aterosclerótico começa na infância, sendo sua gravidade diretamente proporcional ao número de fatores de risco apresentados pelo indivíduo. Estes fatores, aos estarem presentes na infância e na adolescência, tendem a continuar na vida adulta. Por isso, a prevenção das doenças cardiovasculares, principal causa de morte no Brasil e no mundo, deve ter início precocemente, enquanto o indivíduo ainda é jovem, com a identificação dos seus fatores de risco e as condições que propiciam sua instalação (MORAES; SANTOS, 2003).

Observa-se uma diferença pequena entre a primeira maior causa e a segunda, sendo importante a prevenção e controle dessas duas patologias, que mais causam incapacidade e sofrimento aos seus portadores. Ressalta-se a necessidade de investimento no combate e controle das doenças cardiorrespiratórias para se evitar óbitos no ambiente da UTI, visto que estas afecções são as principais causas do agravamento no estado de saúde do paciente, levando, na maioria das vezes, o enfermo a ser internado na UTI.

Atualmente, em nível nacional, os problemas respiratórios constituem a segunda causa dos óbitos das regiões Sul e Sudeste e a terceira causa nas demais regiões. Em São Paulo, a mortalidade pelas infecções respiratórias agudas (resfriados, otites, sinusites, amidalites, problemas das vias inferiores, epiglotites, bronquites e pneumonias) também é significativa, ocupando o terceiro lugar na população infantil, apesar de ser o estado que conta com os melhores índices de sobrevivência para a população de zero até seis anos de idade, segundo estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) (MORAES; SANTOS, 2003).

As infecções estão entre as maiores causas de óbito em pacientes internados em UTI. É imprescindível descobrir o foco da infecção e determinar o micro-organismo. Contudo, esta ação comumente é impossível, mesmo após inúmeras investigações, levando o intensivista a iniciar de maneira empírica o tratamento antimicrobiano. Por isso, é importante descobrir a microbiota de cada UTI, tornando mais dirigido e racional o uso do antibiótico (GUIMARÃES et al., 2011).

A infecção hospitalar é aquela adquirida após admissão do paciente no hospital, cuja manifestação pode ter ocorrido durante a internação ou após a alta, tendo relação com a hospitalização e/ou com procedimentos hospitalares. Nos dias atuais, a infecção hospitalar é uma das principais causas de mortalidade em centros de saúde, sendo associada a doenças graves, intervenções médicas e complicações causadas pela mesma (ABEGG; SILVA, 2011).

Os pacientes internados em hospitais estão expostos a diversos micro-organismos patogênicos, principalmente em UTI, local no qual a utilização de antimicrobianos potentes e de amplo espectro é regra, assim como são rotineiros procedimentos invasivos. Estes métodos fazem surgir bactérias cada vez mais resistentes. Os pacientes que estão na terapia intensiva têm de cinco a dez vezes mais probabilidade de contrair uma infecção hospitalar, visto que estão permanentemente em contato com fatores de risco, tais como: cirurgias complexas, drogas imunossupressoras, antimicrobianos, fômites, além da interação com a equipe de saúde. O risco de infecção é equivalente à gravidade da patologia, às condições nutricionais, os tipos de procedimentos e ao tempo de internação, dentre outros aspectos (PIZZOLATTI; MORITZ; ANDRADE, 2004).

Os quadros de infecções graves fazem parte dos diagnósticos em pacientes internados em UTI. O rápido conhecimento, e consequente tratamento, dos pacientes que sofrem destas infecções terá influência primordial na evolução dos seus quadros clínicos. (ABEGG; SILVA, 2011).

As lesões gástricas são causas frequentes de doença clínica. As afecções mais comuns do estômago são a úlcera péptica, a gastrite e o câncer. A úlcera péptica é uma causa muito comum de morbidade, mas relativamente rara de mortalidade. Sua incidência não sofreu amplas variações nos últimos cem anos, sendo constatada apenas uma discreta elevação. A distribuição de úlcera gástrica é igual nos sexos feminino e masculino. A gastrite crônica destaca-se, uma vez que possui alta prevalência, com distribuição universal, sendo causadora de morbidade e possuindo questões pontuais relativas à sua etiologia, patogenia, classificação e aspectos de sua evolução, tais como a relação com a úlcera péptica e com o câncer gástrico. Já os tumores gástricos são, em sua maioria, malignos, embora o índice dos carcinomas gástricos venha caindo de maneira regular nas últimas décadas. Ressalta-se que os tumores gástricos são o segundo tumor maligno mais frequente em todo o mundo. O desenvolvimento do câncer gástrico é multifatorial e envolve aspectos ambientais e genéticos (AMIB, 2015).

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira elencou em campanha nacional no ano de 2015 os “7 pontos chave da Prevenção de Infecção na UTI”, compreendendo as seguintes diretrizes: higienização das mãos, uso racional de antimicrobianos, utilização adequada das precauções de contato, rastreio e medidas de isolamento em determinados casos, vigilância epidemiológica (ou seja, a triagem do risco de desenvolvimento da infecção para escolher a melhor opção terapêutica), limpeza adequada do ambiente e educação continuada dos colaboradores intensivistas (AMIB, 2015).

A ausência de leitos especializados em cuidados intensivos para suprir a alta demanda de pacientes em todo o mundo é um dos principais fatores que limitam as admissões em UTI’s. Uma vez que os custos em recursos de alta tecnologia são elevados, deve-se ressaltar a necessidade da ocupação de leitos de UTI’s com pacientes que possuem reais chances de recuperação. A decisão de recusar vagas para admissão de pacientes na terapia intensiva é, além de difícil, desafiadora. A idade, a presença de comorbidades e os prognósticos de disfunção orgânica estão relacionados a um maior índice de mortes nestes indivíduos (CALDEIRA et al., 2010).

Pesquisas que analisam os custos apontam que o gasto diário da UTI por paciente é muito consistente para a maioria dos casos. Por isto, o período de internação na UTI também é usado como parâmetro de utilização de recursos. Apesar dos avanços em cuidados pré-operatórios, o tempo de internação na unidade de terapia intensiva associa-se ao mau prognóstico e aos altos custos com internação. Os fatores de risco, que causam maior permanência na UTI após procedimentos cirúrgicos, foram descobertos e amplamente estudados, ligados à má evolução do paciente e aos custos elevados. A maior permanência na UTI também pode influenciar em decisões de cunho terapêutico. Estudos atuais apontam que alguma conduta terapêutica tem impacto nos resultados e pode ter melhor efeito em pacientes com permanência mais longa na UTI (ABELHA et al., 2006).

Com o rápido aumento da demanda de pacientes e a diminuição dos recursos financeiros destinados aos serviços de saúde, necessária se fez uma distribuição otimizada dos serviços médicos. Dessa forma, nas últimas décadas, esforços foram direcionados para o desenvolvimento de métodos que avaliam objetivamente a gravidade dos pacientes admitidos à UTI (FEIJÓ et al., 2006).

Salienta-se a escassez de artigos sobre o tema pesquisado na literatura. Estudos neste campo do conhecimento são de suma importância para prevenção de mortes no ambiente de urgência e emergência hospitalar. Mais pesquisas são necessárias para que a dinâmica do conhecimento some ao desenvolvimento físico e intelectual. A partir de novos estudos e técnicas, cientistas descobrem métodos inovadores de aprimoramento, essenciais para a sociedade atual. A criação de políticas, planos e programas de saúde pública, com ações voltadas para a não exposição das pessoas a fatores condicionantes e determinantes de doenças que podem levar à internação em UTI, é primordial.

CONCLUSÃO

A crise política e econômica mundial dos últimos anos refletiu no Brasil, tornando a gestão de serviços da saúde um desafio ainda maior. Os avanços da tecnologia e dos insumos na indústria farmacêutica, de materiais e de equipamentos geraram aumento dos gastos, insuficiência de recursos e dificuldades de controle.

O desafio na gestão de custos em saúde é adotar medidas racionais, com intuito de equilibrar a qualidade dos serviços prestados com as limitações orçamentárias, que são frequentes. O conhecimento dos dados sociodemográficos e epidemiológicos da população atendida é de suma importância, não apenas diante do crescimento dos custos do atendimento de saúde, mas, sobretudo, para planejar e melhorar o cuidado de saúde em suas respectivas UTI´s.

O perfil das causas de morbidade e mortalidade entre as cidades mineiras de Patos de Minas e Araguari assemelha-se entre si. A diferença de porcentagens entre uma cidade e outra foi mínima.

Observa-se que a exposição a procedimentos invasivos causa maior risco de óbitos e infecções hospitalares associadas a estes procedimentos. A investigação precoce da existência de bactérias multirresistentes pode evitar o agravamento do estado de saúde do paciente e, consequentemente, sua morte.

As doenças cardiocirculatórias e respiratórias possuem maior incidência e merecem atenção dos profissionais da área da saúde, assim como das políticas públicas, visto que são as principais causas de óbitos em ambiente de terapia intensiva.

As estratégias de promoção da saúde são mais bem elaboradas quando se analisa o perfil epidemiológico da população de cada região. Compreender as causas de morte mais preponderantes em UTI´s e as patologias mais comuns direciona os profissionais e o Poder Público em eventuais investimentos e na conscientização da população, para se evitar internações, ausência de leitos disponíveis, morbidades e mortalidades. É imprescindível a participação ativa da comunidade, a compreensão de suas necessidades e prioridades, a colaboração dos indivíduos (principalmente dos líderes e das organizações comunitárias), envolvimento dos serviços de saúde locais e execução de políticas nacionais que auxiliem escolhas saudáveis.

REFERÊNCIAS

ABEGG, P. T. G.; SILVA, L. L. Controle de infecção hospitalar em unidade de terapia intensiva: estudo retrospectivo. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, v.32, n.1, p.47-58, 2011.

ABELHA, J. F. et al. Mortalidade e o tempo de Internação em uma Unidade de Terapia Intensiva Cirúrgica. Revista Brasileira de Anestesiologia, v.56, n.1, p.34-45,2006.

AMIB apresenta Campanha Nacional de Prevenção de Infecção em UTI no CIOSP. AMIB, 2015. Disponível em: <http://www.amib.org.br/noticia/nid/amib-apresenta-campanha-nacional-de-prevencao-de-infeccao-em-uti-no-ciosp/>. Acesso em: 27 maio 2018.

CALDEIRA, H. M. V. et al. Critérios para admissão de pacientes na unidade de terapia intensiva e mortalidade. Revista da Associação Médica Brasileira, v.56, n.5, p.528-534, 2010.

CHIESA, M. A.; WESTPHAL, F. M.; AKERMAN, M. Doenças respiratórias agudas: um estudo das desigualdades em saúde. Caderno de Saúde Pública, v.24, n.1, p.55-69, 2008.

FEIJÓ, R. A. C. et al. Gravidade dos pacientes admitidos à unidade de terapia intensiva de um Hospital Universitário Brasileiro. Revista Brasileia de Terapia Intensiva, v.18, n.1, p.18-21, 2006.

FERNANDES, H.S. et al. Gestão em terapia intensiva: conceitos e inovações. Revista Brasileira de Medicina, v.9, n.2, p.129-137, 2011.

GUIMARÃES, A. C. et al. Óbitos associados à infecção hospitalar, ocorridos em um hospital geral de Sumaré-SP, Brasil. Revista Brasileira de Enfermagem, v.64, n.5, p.864-869, 2011.

MENDES, M. J. F. L. et al. Associação de fatores de risco para doenças cardiovasculares em adolescentes e seus pais. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v.6, n.1, p.1-5, 2006.

MENDES, T. N. C. UTI – passado, presente e futuro. 12 p. (Trabalho de Conclusão de Curso)-Universidade Estadual do Maranhão, Itapecuru-Mirim/MA, 2010.

MORAES, A. A. P.; SANTOS, R. L. D. Infecções em UTI Geral de um Hospital Universitário. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.15, n.4, p.135-141, 2003.

OLIVEIRA, P. C. Perfil epidemiológico da Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de reabilitação. 23p. (Trabalho de Conclusão de Curso) – Pontíficia Universidade Católica de Goiás, Goiânia/GO, 2013.

PESSINI, L. Vida e morte na UTI: a ética no fio da navalha. Revista Bioética, v.24, n.1, p.54-63, 2016.

PIZZOLATTI, L. M.; MORITZ, D. R.; ANDRADE, J. Analysis of Knowledge among Emergency Medicine Physicians about Systemic Inflammatory Responses Syndrome (SIRS), Sepsis, Severe Sepsis and Septic Shock Definitions Criteria. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v.16, n.4, p.210-214, 2004.

PRINCIPAIS desfechos – duração das internações nas UTIs e nos Hospitais. UTIs brasileiras, 2017. Disponível em: <http://www.utisbrasileiras.com.br/perfis-dasutis/principais-desfechos/>. Acesso em: 12 maio 2018.

RODRIGUEZ, H. A. et al. Características epidemiológicas e causas de óbitos em pacientes internados em terapia intensiva. Revista Brasileira de Enfermagem, v.69, n.2, p.229-234, 2016. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v69n2/0034-7167-reben-69-02-0229.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2018.

SANTOS, L. J. et al. Avaliação funcional de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva adulto do Hospital Universitário de Canoas. Fisioterapia e Pesquisa, v.24, n.4, p.437-443, 2017.

SCHLINZ, M. O que é Unidade de Terapia Intensiva? Iespe, 2016. Disponível em: <https://www.iespe.com.br/blog/o-que-e-unidade-de-terapia-intensiva/>. Acesso em: 5 maio 2018.

SENTURK, E. et al. Mortalidade e fatores associados em uma UTI de cirurgia torácica. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v.37, n.3, p.367-374, 2011.

YOUNES, R. As UTIs no Brasil. Carta Capital, 2011. Disponível em <https://www.cartacapital.com.br/saude/as-utis-no-brasil>. Acesso em: 5 maio 2018.

[1] Fisioterapeuta UNICERP, Mestranda em Promoção de Saúde – UNIFRAN, Docente do Curso de Fisioterapia Faculdade Patos de Minas – FPM.

[2] Profissional de Educação Física, Doutorando em Promoção de Saúde – UNIFRAN. Docente do curso de Educação Física UNIPINHAL, FEUC.

[3] Fisioterapeuta FPM.

Enviado: Dezembro, 2018.

Aprovado: Julho, 2019.

 

Mestre em Engenharia Biomédica (2016) pela Universidade Camilo Castelo Branco (bolsista CAPES). Especialista em Treinamento Desportivo pela UniFMU/SP (2009). Graduado em Educação Física (licenciatura e bacharelado) pelo Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino de São João da Boa Vista - UniFAE (2007). Docente dos departamentos de educação física da FFCL - FEUC (São José do Rio Pardo - SP) e da UNIPINHAL (Espírito Santo do Pinhal - SP) . Colaborador/pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Futebol e Futsal da USP (GEPEFFS-USP). Co-coordenador do Núcleo de Pesquisas em Educação Física e Esportes - NUPEFE/FEUC. Docente dos cursos de pós-graduação Lato Sensu ENAF/DSE. Autor de vários livros e artigos no ramo dos esportes, fitness, saúde e qualidade de vida. Tem como principais pontos de atuação o Treinamento Desportivo (Treinamento Personalizado, Treinamento Resistido e Funcional no exercício físico e nos desportos); a Fisiologia do Exercício (Adaptações neurofisiológicas ao treinamento, Recursos Ergogênicos e Esteroides Anabolizantes); Pedagogia do Treinamento dos Desportos Coletivos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here