O Efeito do Treinamento Pliometrico em Atletas de Voleibol [1]

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AMARAL, José Márcio Vilela [2], AMARO, Diogo Alves [3]

AMARAL, Jose Marcio Vilela; AMARO, Diogo Alves. O Efeito do Treinamento Pliometrico em Atletas De Voleibol. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 01, Vol. 04, pp. 5-20, Janeiro de 2018. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O treinamento conhecido como Pliometria, refere-se à metodologia e tipos de exercícios voltados para um programa de preparação tendo em vista a melhora da força explosiva muscular. A eficiência dos atletas de alto-nível, está diretamente ligada ao seu condicionamento físico. Em especial, na modalidade voleibol a impulsão atingida nos saltos e a velocidade de deslocamentos de defesa são os principais gestos técnicos que representam uma boa preparação física. O presente artigo apresenta como objetivo verificar por meio de pesquisa bibliográfica, as alterações ocasionadas na força muscular explosiva dos membros inferiores desenvolvido com a utilização de treinamentos pliométricos em atletas da modalidade voleibol. A pesquisa evidenciou que, o treinamento do voleibolista é focado no aumento de sua força explosiva, através da utilização da força máxima em um curto período de tempo. O treinamento pliométrico, fundamentado no ciclo de alongamento-encurtamento muscular, através de saltos em profundidade, é um procedimento muito eficaz no aumento da força explosiva dos membros inferiores, proporcionado maior impulsão do atleta.

Palavras-chave: Voleibol, Força Explosiva, Ciclo Alongamento-Encurtamento.

INTRODUÇÃO

A evolução técnica e tática do voleibol tem exigido cada vez mais a preparação de planos apropriados de treinamento. O preparo físico tem representado um papel de essencial importância para a aquisição de bons resultados. As cobranças peculiares dos jogos e treinamentos de voleibol consomem física e mentalmente os atletas, prejudicando-lhes o desempenho fazendo com que dessa forma, fique evidente a precisão de uma racionalização do programa de preparado física o com base em conhecimentos científicos.

A preparação física, segundo Carvalho et al. (2007) desempenha um papel essencial no voleibol, visando o alargamento das competências que permitem criar qualidades adequadas ao domínio das atuações de jogo e à concretização de uma atitude competitiva mais eficiente.

Uma das peculiaridades do voleibol é a necessidade de quase todos os jogadores saltarem, sendo então o salto vertical uma das ações mais importantes durante o jogo de acordo com Marques Júnior (2005, p. 48).

É comum ver atletas de alto nível com um bom potencial de salto, pois o atleta que consegue saltar mais tem vantagens contra a equipe adversária e, alcance de bloqueios, ataques, levantamentos e saques. O salto permite que o jogador execute o saque em suspensão ( o tipo viagem e o flutuado), o bloqueio, o ataque, o levantamento e quando necessário, praticar ações defensivas.

A pliometria tem grande importância em seus aspectos ocasionadores na alteração da força explosiva muscular, faz-se indispensável a reflexão sobre o assunto para se conseguir apontadores no sentido de aprimoramento das validades físicas e esquemas táticos de atletas e equipes, podendo assim, chegar à melhoria de resultados e possíveis conquistas vencedoras.

Segundo Bompa (2004), pliometria são rotinas de exercício e exercícios que conectam a força e o explosivo-reativo. A contração máxima, o tempo de reação e a capacidade de realizar movimentos potentes na frequência mais alta, em pouco tempo, são habilidades dominantes e fatores importantes, para que atleta, de qualquer desporto, alcance o mais alto nível de desempenho.

Jaschke (2006, p. 112) comenta que “[…] a melhoria da força explosiva dos membros inferiores em atletas do voleibol advém do treinamento, no qual aplica-se durante semanas, diversas sessões de condicionamento físico e pliométricos.”

O autor supracitado comenta ainda que os treinos de condicionamento físico basearam-se em saltos (os mais variados tipos: em profundidade, numa perna só, saltos verticais, etc) e foi verificado que o mencionado método é eficaz, quando aplicado de maneira coerente baseado em subsídios concretos, sendo que os resultados expressivos foram conquistados por causa da dedicação dos atletas e do método aplicado.

Levando-se em conta o grande nível de competições atualmente enfrentado pelas mais diversas modalidades esportivas, entre elas o voleibol, é indispensável o treinamento e aperfeiçoamento de habilidades motoras para diferenciarem-se dos adversários com eventuais vantagens.

Brandalise (2007) explica que o treinamento pliométrico (TP) é um dos meios mais populares, e ao que parece mais efetivo, para desenvolver a força explosiva, particularmente nos músculos extensores dos membros inferiores.

Esse método, de acordo com Marques Junior (2005) é caracterizado pela realização de uma contração concêntrica imediatamente depois de uma contração excêntrica, consistindo na utilização otimizada de exercícios que envolvem o ciclo de alongamento– encurtamento.

O presente estudo tem por objetivo verificar, as alterações ocasionadas na força muscular explosiva dos membros inferiores desenvolvido com a utilização de treinamentos pliométricos em atletas da modalidade voleibol, bem como conhecer um pouco da história da modalidade esportiva em questão.

É uma pesquisa relevante não só para o pesquisador, mas também para os atletas e treinadores que militam com o voleibol. Acredita-se que servirá de aporte para que surjam novos trabalhos sobre o assunto.

METODOLOGIA

A metodologia utilizada para a elaboração do presente estudo constou de uma revisão bibliográfica realizada por meio de livros, revistas e periódicos publicados na mídia sendo utilizadas as bases de dados de sítios como Google Acadêmico e Scielo. Para encontrar os artigos utilizados foram empregadas palavras-chave como: Polimetria, treinamento polimétrico, treinamento de atletas de voleibol e história do voleibol.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

VÔLEI NO BRASIL: TRAJETÓRIA E TRANSFORMAÇÕES

De acordo com Bizzochi (2004), é polêmica a questão da época de advento do vôlei no Brasil, para alguns autores isso aconteceu em 1915 no Colégio Marista de Recife-PE, outros, porém, afirmam que foi em São Paulo, no ano de 1916, na Associação Cristã de Moços (ACM) daquela localidade. De acordo com Matthlesen (1994) a iniciação do vôlei no Brasil se deu realmente por intermédio da (ACM).

Inicialmente o voleibol era jogado “quase exclusivamente nas ACMs mas com o tempo e a divulgação, passou a ser disputado em outras instituições.” (BIZZOCHI, 2004, p.16)

Anfilo (2003, p.18), assevera que:

Sabe-se que o primeiro campeonato nacional só aconteceu em 1944, algumas décadas depois da chegada do vôlei, com a participação de seis equipes femininas (vencido por Minas Gerais) e oito masculinas (São Paulo foi o vencedor). (Id.) Em 9 de agosto de 1954 é fundada a CBV4 – Confederação Brasileira de Voleibol, com o objetivo de difundir e desenvolver o esporte no país.

O autor supracitado (p. 19) afirma ainda que na década de 60, tendo o vôlei uma instituição organizada nacionalmente, a modalidade “[…] começa a se consolidar, passando a ser um dos esportes mais praticados no país, sendo que, neste período, as equipes brasileiras passaram a conquistar vários títulos internacionais importantes.”

Segundo Matthlesen (1994, p. 196) foi nesse período (segunda metade da década de 60 até a primeira metade dos anos 70) que:

[…] o Esporte recebeu, em plena Ditadura Militar, um grande apoio dos órgãos governamentais. O governo, nesta época, não mediu esforços para incentivar a população na prática do Esporte, como forma de preenchimento do tempo livre da classe trabalhadora. Exemplo disso foi o movimento “Esporte para todos”, E.P.T., que se desenvolveu na sociedade brasileira ao longo dos anos 70.

Bizzocchi (2004) considera que em 1975, toma posse na presidência da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) o ex-jogador Carlos Arthur Nuzman, que tinha por projeto fundamental congregar o marketing ao esporte, além de um exemplo administrativo mais atualizado, abrangendo as empresas no procedimento de contrato de jogadores, “[…] os quais poderiam, então, treinar em tempo integral”. (BIZZCCHI, 2004, p. 19)

De acordo com Bojikian (1999), somente a partir de 1975 que: “[…] inicia-se a grande escalada do nosso voleibol.” O autor observa ainda que a C.B.V., em cooperação com certo número de federações estaduais, começa a investir mais no desenvolvimento de técnicos e atletas brasileiros, preparando vários cursos, conduzidos por técnicos de outros países que eram de renome.  Agremiações e seleções de diferentes países passaram a competir no Brasil. “Vários campeonatos internacionais, aqui, foram sediados.” (p. 40)

Goulart et al. (2011, p 41) explica que quando os efeitos do vôlei brasileiro principiam a aparecer:

[…] como por exemplo, o terceiro lugar da equipe juvenil masculina no Campeonato Mundial, revelando nomes como Renan, Montanaro e Amauri; e o quarto lugar no campeonato feminino, surgindo nomes como Jaqueline, Isabel e Regina Uchoa), começa também o êxodo dos jogadores brasileiros para outros campeonatos (por exemplo, o emergente campeonato italiano).

Em 1975, evidencia Bizzocchi (2004), assume a presidência da CBV o ex-jogador Carlos Arthur Nuzman, tendo como projeto principal aliar o marketing ao esporte, além de um modelo administrativo mais moderno, incluindo as empresas no processo de contratação de 5 jogadores, os quais poderiam, então, treinar em tempo integral.

Segundo Bojikian (1999), é a partir de 1975:

[…] inicia-se a grande escalada do nosso voleibol. A C.B.V., em colaboração com algumas federações estaduais, passa a investir mais na formação de técnicos e atletas brasileiros, organizando muitos cursos, ministrados por técnicos estrangeiros de renome. Clubes e seleções de outros países, constantemente passaram a competir no Brasil. Vários campeonatos internacionais, aqui, foram sediados. (p. 40)

Apresentando resultados cada vez melhores, comenta Bizzochi (2004) a equipe masculina de vôlei venceu o Mundialito que foi realizado no Brasil no ano de 1982; sendo depois vice-campeão no Campeonato Mundial da Argentina nesse mesmo ano e conquistou a medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles em 1986; a delegação feminina conquistou o Sul-Americano em 1981, acabando com superioridade peruana no continente americano o “[…] voleibol virou coqueluche nacional. Era o primeiro na preferência dos adolescentes e ocupava o segundo lugar entre os esportes mais praticados pelos brasileiros.” (BIZZOCHI, 2004, p. 22)

BREVE HISTÓRIA DE PLIOMETRIA

A pliometria é um estudo que quase não é difundido no ambiente esportivo, mas que é de grande valor em seus aspectos ocasionadores de grande alteração da eficácia impulsiva muscular, faz-se indispensável a realização de um maior conhecimento deste assunto para conseguir referências no significado de aprimoramento das validades físicas e esquemas táticos de atletas e grupos, podendo assim, deparar-se com progresso de resultados e plausíveis conquistas vitoriosas.

A pliometria é uma metodologia de treinamento usada em vários esportes com o objetivo de desenvolvimento de força rápida, também denominada de força reativa ou potência muscular. Versa na utilização do período alongamento-encurtamento, que é abalizado no bom emprego da potencialidade elástica acumulado no decorrer de atuações excêntricas e extinguido em seguida na fase concêntrica sob o formato de energia cinética, acrescendo a produção de força com mínimo valor metabólico. (GOULART et al., 2011).

O autor citado anteriormente explica ainda que vários fatores podem comprometer as adequações ao treinamento, tais como a assiduidade de treino que pode ser duas a três vezes semanais, a quantia maior que 50 saltos por sessão (não devendo ultrapassar 200 saltos) a amplitude com a máxima energia possível. O treinamento pliométrico proporciona mais efeitos na variável potência, que parece ser melhor desenvolvida com a pliometria.

De acordo com Almeida et al. (2007) a expressão pliometria tem sua origem no vocábulo grego  plethyeien, cuja significação é obtenção de maiores magnitudes no salto  O autor explica inda que na década de 60, o profissional que primeiro utilizou e evidenciou  a importância do cognominado Ciclo de Alongamento e Encurtamento (CAE) foi o professor Rodolfo Margaria. Médico investigador comprovou que uma contratura muscular homocêntrica antecedia de uma avançada, causando deste modo, maiores graus de força que uma contratura homocêntrica. Os estudos do professor Margaria foram aproveitados pela NASA, com objetivo de aprimorar e descobrir a forma mais eficaz de andar em solo lunar.

Verkhoshanski (2001) enfatiza a importância do comprometimento no modo de melhor empregar a potência elástica encurtamento. Ressalta que  a técnica dos atletas do salto triplo, que  ocasionou os melhores resultados correspondia aos atletas que menos tempo ficavam em contato com o solo em cada apoio com os pés. Segundo o autor utilizar pouco tempo em cada apoio é indispensável para que o atleta tenha uma grande energia excêntrica dos músculos exigidos, sendo que isto comporta trocar ligeiramente da fase excêntrica para concêntrica, então acelerar e deslocar outra vez o corpo na direção necessária

Assim, Garcia et al. (2003) enfatiza que, Fred Wilt, primeiro autor norte-americano a ponderar sobre a superioridade do método pliométrico, verificou que as extraordinárias vitórias de Barzov eram creditadas em grande parte de sua usualidade de treinamento pliométrico.

Saraiva (2009) assegura que atletas com preponderância de fibras musculares rápidas alcançam um ciclo de alongamento-encurtamento em menos espaço de tempo e que sessões de salto em profundidade aperfeiçoam a potencialidade de fibras de contratura rápida e acrescentam a quantidade das fibras ligeiras na musculatura treinada.

Benefícios da Pliometria

Os resultados saudáveis do treinamento pliométrico, como alude Almeida et al. (2007), foram disseminados por meio de diferentes julgamentos, mas as ponderações científicas e aconselhadas são poucas, não existindo, deste modo, um consenso sobre o apontador ideal de saltos em profundidade, mas que alturas entre 48 e 81 cm determinaram graus variáveis de sucesso.

Dantas (2003) assevera que, o treino pliométrico acrescenta a força explosiva, principalmente nos membros inferiores.  Rodrigues Filho (2007) afirma que a repetição regular desses treinamentos é capaz de aperfeiçoar a performance de potência dos músculos específicos.

Jaschke (2006) evidencia que, em um programa de exercícios  pliométricos com treinamento de 10 semanas com aproximadamente 30 seções para atletas sem prática com idade de 13 a 15 anos, os efeitos podem confirmar sucesso na melhora da força muscular explosiva dos membros inferiores.

Verificando o sucesso do resultado, entende-se que também é presumível ser aperfeiçoados os fundamentos básicos, como por  exemplo: ataque com cortada, bloqueios e saques, ou seja, com o avanço da força muscular explosiva, deduz-se que os saltos necessários para executar os fundamentos mencionados, conseguirão maior intensidade,  sendo possíveis, melhores resultados  em treinos ou partidas de voleibol (SARAIVA, 2009).

Para Dantas (2003) o preparo físico geral tem em vista ampliar equilibradamente as diversas competências motoras e pode ser aumentada por meio da utilização predominante dos treinamentos preparativos gerais. A preparação física especial por sua vez constitui basicamente de exercícios cujos conteúdos incluem inteiramente à especificação ou a modalidade desportiva exercitada pelo atleta e abrange movimentos ou ações motoras que se aproximam das peculiaridades específicas da atividade desportiva escolhida considerando o aspecto físico, técnico e tático.

Conceitos Fisiológicos do Exercício polimétrico

Segundo Brandalise (2007), o comportamento muscular é concebido como um exemplar de três elementos, que são um elemento  contrátil, formado pela actina e miosina; um elástico, que encontra em série com o componente contrátil e tem uma parte ativa, posicionada na região contrátil do músculo e uma parte passiva, que corresponde ao tendão. O componente elástico em colateral localiza-se  paralelamente com o componente contrátil e corresponde ao sarcolema, endomísio, perimísio e ao epimísio.

A autora supracitada comenta ainda  que o componente elástico é o responsável por conservar as fibras unidas, e agrupadas  ao componente elástico em série aplicada à preparação do atleta de voleibol, tem importante função rigorosa para melhorar a transmissão da força de contração do músculo  para o tendão e osso. Percebe-se pelo que expõe a autora  que quando o músculo contrai concentricamente, grande parte da força causada é derivada  da componente contrátil, ou seja, do intercâmbio  entre os filamentos de actina e miosina  e pouca energia elástica guardada. No caso da contração  muscular excêntrica, o músculo é  estendido e o elemento elástico em série também, assim, é guardado um maior volume de energia.

Segundo Rodrigues Filho (2007) ocorre um acréscimo expressivo  na produção de força muscular concêntrica quando   prontamente antecedida por uma contração  muscular excêntrica, por causa da reutilização dessa energia elástica pelo músculo. Explica também que “[…] é considerado que cerca de 28% da  energia é retida  pelo componente elástico em série ativo, enquanto que 72% pelos componente elástico em série  passivo […]” (RODRIGUES FILHO, 2007, p. 56).

Acredita então que o tendão é o principal  responsável pela assimilação de energia elástica no decorrer de uma ação concêntrica. Moura (2005, p. 135) comenta que:

Considerando que a eficiência mecânica   do trabalho muscular é de aproximadamente 25%, ou seja, esse  valor da energia química gasta se converte em energia mecânica,  então os outros 75% são transformados em energia térmica  (calor), esta que Através do ciclo excêntrico concêntrico, o rendimento muscular é estimado entre 25% a 40%  superior, em razão da energia gratuita fornecida pelo armazenamento e recuperação  da energia elástica.

De acordo com Bompa (2004) são de grande valor fisiológico do ciclo excêntrico-concêntrico,  dois reflexos: “[…] o reflexo miotático e o reflexo do órgão tendinoso de Golgi, nos quais estão envolvidos   respectivamente, os fusos musculares e os órgãos tendinosos de Golgi.” Guedes Neto et al. (2005,  p. 56) explicam que:

[…] os fusos  musculares consistem em uma cápsula de tecido  conjuntivo  com cerca de 1 mm de comprimento,  seis ou mais  fibras musculares intrafusais e algumas terminações nervosas motoras e sensitivas especializadas. Eles estão localizados paralelamente entre as fibras musculares intrafusais de todo o músculo. As extremidades da cápsula se estendem para dentro e se fundem com o tecido conjuntivo de todo o músculo.

Jaschke (2006) comenta que os fusos musculares permitem  ao mecanismo do órgão tendíneo de Golgi acomodar-se as condições por ele incitado,  ou seja, suas respostas de ação defensiva  restringem  possíveis movimentos que causariam possíveis traumas, tornam-se mais  compreensivos com o  passar das vivências, e o que depois poderia ser explicado como sendo um provável fator de lesão, o que transforma-se em ação segura.

Rossi (2007, p. 91) menciona que quando motivados por  tensão ou estiramento excessivo, os receptores de Golgi  emitem sinais ligeiramente, de modo a ocasionar uma  inibição “ […] automática  dos  músculos por eles inervados. “  Isso  acontece  por  causa  da  influência  dominante  do  interneurônio  medular inibitório sobre os motoneurônios  que inervam o músculo. Desta forma, o órgão tendíneo de Golgi age como um mecanismo sensorial protetor. É admissível  que as influências inibitórias do  órgão tendíneo de Golgi – relax das estruturas – possam  gradualmente diminuir-se em resposta ao exercício.

Nesta ocorrência, conforme Guedes Neto (2005) admitiria que o atleta determinasse uma força muscular maior, e muitas vezes aprimorando a performance, ocasionando num mais perfeito aproveitamento  da atuação dos fusos musculares.

Brandalize (2007) elucida que, o aumento da força explosiva conseguida por meio do ciclo de alongamento e encurtamento procede tanto do armazenamento de energia elástica no decorrer do pré-estiramento e sua  reutilização como energia mecânica  na retração concêntrica, como da intensificação do reflexo miotático, todavia, a percentagem de cada um desses fatores é ignorada.

Habilidades envolvidas no voleibol e o treinamento polimétrico para o voleibolista

Segundo Bezault (2002), a força é a qualidade física mais empregada pelos atletas, porque estes necessitam saltar alto e bater forte na bola, movimentar-se ligeiramente com o conjunto do corpo na quadra. Assim as habilidades físicas que o voleibol requer precisam ser treinadas, mas sem deixar de respeitar a maturidade motora e a individualidade de cada atleta. Saltitar e golpear a bola estão relacionados às diversas situações de jogo da mesma forma que correr, lançar, rebater, são habilidades que devem ser fortalecidas por procedimentos de simples aplicação e aprendizado de modo a tentar diminuir o tempo de adequação.

De acordo com Dantas (2003) uma habilidade que se necessita dar maior destaque é o salto. Pois no decorrer de um jogo o atleta o efetua muitas vezes e sempre muda, nunca é estático. Ora ele salta para frente, ora para o lado, ora para o alto, projetando o corpo na ofensiva, a fim de retificar uma bola mal levantada, lateralmente para efetuar um bloqueio. Enfim mudando de acordo com a circunstância do jogo.

Saraiva (2009, p. 56) ressalta que a capacidade de salto e deslocamentos defensivos, são os principais gestos de reflexos do voleibol e estão sujeitos especialmente a força explosiva. A autora assegura que é indispensável “[…] dotar o voleibolista de níveis de força rápida (potência), força de resistência e força máxima, tendo em conta que esta última expressão é um elemento de base da força rápida.”

Para Teixeira e Gomes (1998) a interação entre força e velocidade no voleibol delineia a maior parte dos movimentos, assim, a força explosiva, deliberada por eles como a capacidade do sistema nervoso e muscular de suportar a resistência desenvolvida pela contração muscular rápida, deve ser a mais desenvolvida em um programa de condicionamento físico. Marques Junior (2005) afirma que a potência (força explosiva) possibilita o atleta saltar mais rápido e mais alto. Na etapa da particularização, como afirma Saraiva (2009), fazem-se imprescindíveis trabalhos de força explosiva para aumentar a performance do salto e de equilíbrio que permite ao praticante controlar o salto recuperando o movimento a fim de evitar um toque na rede, contusões e quedas.

Neto (2004) explica que as capacidades físicas motoras desenvolvidas por atletas de voleibol, no decorrer de uma partida, são fundamentalmente de deslocamentos de pequena distância, de saltos e a combinação destes. O mesmo autor afirma que salto é uma aptidão motora básica essencial para o desempenho dos atletas.

Segundo Jaschke (2006) salto vertical no voleibol permite que  o atleta desempenhe o saque e viagem, o  bloqueio, a cortada o levantamento e quando  se fizer necessário, praticar atuações defensivas. Asseveram também que os  voleibolistas de alto nível executam 60 saltos por 60 minutos em uma partida.

Marques Junior (2005) alude  que no voleibol ocorre o salto oblíquo (salto com trajetória curvilínea), comum no saque em suspensão e na cortada de 3 metros, não obstante não se encontra muitos trabalhos dirigidos para este tipo de salto.

Rodacki et al. (1997) referem que numa partida de voleibol de elite os levantadores executam  normalmente em média vinte e um   saltos verticais por set e os atacantes  trinta e dois. A força é a mais influente nos saltos do jogador do voleibol,  conforme assegura Jaschke (2006). O autor anteriormente citado afirma  que “[…] o excelente salto vertical do voleibolista depende da força e da velocidade dos membros inferiores, a potência.[…]” (p. 37)  Mas chama a atenção para a importância de sempre lembrar que uma boa técnica desportiva também necessita otimizar a altura do salto.

Para Dantas (2003, p. 28)

A potência possibilita o atleta saltar mais rápido e alto porque ocorre  rápida contração muscular embora a força isométrica  máxima no momento da extensão do quadril e do joelho, e na flexão plantar, correlaciona-se significativamente com o salto vertical do atleta.

O autor citado anteriormente adverte ainda  que o treinamento pliométrico é  aconselhado para o voleibol porque promove a melhora da força reativa neuromuscular e que a finalidade da pliometria para os membros inferiores  consiste em acrescentar o impulso do salto vertical do atleta.

CONCLUSÃO

A literatura estudada para a realização do presente  trabalho deixa claro que, a superioridade dos treinamentos  por meio de exercícios pliométricos  nos seus diferentes procedimentos e variáveis, possibilita melhorias relevantes quanto ao aumento de força explosiva muscular.

Diante do exposto, entende-se que é possível por meio de um programa de treinamento pliométrico, obter melhora da força explosiva muscular  dos membros inferiores em atletas  do voleibol.  Entretanto, é de grande importância  que a utilização das obras descritas neste estudo sirva como parâmetros e suscitem profissionais preocupados em promover a melhoria do rendimento desportivo  dos jogadores de vôlei no quesito força explosiva muscular, bem como  aos pesquisadores que almejam aprimorar os estudos desejando maiores conquistas  nas atividades esportivas e também  na saúde.

As reflexões aqui apresentadas, com base em diferentes autores sobre o condicionamento físico no voleibol, mormente no que concerne às formas de força que sempre são exigidas na modalidade e o incremento da força explosiva por meio do treinamento pliométrico, mostram  o quanto os autores dão importância para essas regularidades no voleibol atual.

Porém a maior parte dos estudos é realizada com equipes de categoria de base ou amadoras. A realização de pesquisa com atletas de alto-nível, participantes das principais competições nacionais traria maior precisão na prescrição de trabalhos com equipes profissionais, visto que estas geralmente são as que realmente tem condições de realizar uma preparação planejada com estrutura e se serviriam melhor dos resultados.

Outro aspecto importante a se considerar é que o vôlei brasileiro,  passou a ser um dos melhores modelos de como uma modalidade esportiva se torna um espetáculo esportivo: a analogia com a publicidade (uniformes e patrocinadores), com o marketing, as mudanças nas regras para se ajustar às coberturas televisivas (sistema tie-brake, por exemplo), a ênfase nos principais jogadores dada pela mídia em geral (explorando a figura dos ídolos esportivos, os quais são peça-chave para chamar a atenção do público), a divulgação e ênfase em relação aos títulos conquistados, bem como a exploração destas estratégias, entre tantas outras formas que podem melhor exemplificar sua transformação.

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VERKHOSHANSKI,  Y. V. Treinamento desportivo: teoria e metodologia.  Porto Alegre: Artmed, 2001.

[1]  Artigo apresentado à Faculdade Patos de Minas como requisito para conclusão do Curso de Graduação em Educação Física para finalidade de obtenção do título de Bacharel podendo gozar dos direitos de Educador Físico.

[2] Graduando do Curso de bacharel em Educação Física. Faculdade Patos de Minas.

[3] Professor Orientador Faculdade Patos de Minas.

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