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A eletroestimulação neuromuscular na reabilitação do acidente vascular cerebral: revisão

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

REIS, Wynner Ferreira dos [1], CARVALHO JÚNIOR, José Marques de [2]

REIS, Wynner Ferreira dos. CARVALHO JÚNIOR, José Marques de. A eletroestimulação neuromuscular na reabilitação do acidente vascular cerebral: revisão.  Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 10, pp. 118-131. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/eletroestimulacao-neuromuscular

RESUMO

Introdução: a utilização da eletroestimulação neuromuscular (EENM) é uma prática rotineira nas clínicas e centros de reabilitação. A promoção de uma contração muscular efetiva tem sido considerada de grande valia em diversas modalidades de tratamento. Desde as primeiras experiências comprovando o seu efeito motriz sobre músculos e nervos (Luigi Galvani, século XVIII), muito se evoluiu quanto as suas  possibilidades de utilização, principalmente quando aplicado a disfunções de membros inferiores. Porém, haveria outras aplicabilidades deste recurso no campo da neurologia, especificamente no tratamento do pós AVC?  Objetivo: o presente estudo buscou observar as possibilidades de utilização da EENM/FES em pacientes com disfunções neurológicas pós-Acidente vascular Cerebral. Metodologia: para a elaboração desta pesquisa foram realizadas buscas no período de fevereiro a junho de 2020 nas seguintes plataformas eletrônicas: Google Acadêmico, Scielo, Pubmed e Pedro. Os critérios de inclusão foram: terem sido publicados nos últimos 5 anos (entre os anos 2016 a 2020), estarem completos e redigidos em português ou inglês. Resultados:  encontrou-se no total 143 publicações e, após análise detalhada, 18 destes foram escolhidos para elaboração do presente artigo, porém, apenas 12  foram utilizados para compor a discussão.  Conclusão: Neste estudo, a estimulação elétrica neuromuscular (EENM) indicou ser uma ferramenta eficaz para o tratamento de pacientes acometidos por AVC. Quando corretamente associada a outras técnicas, ajuda na promoção de melhores resultados tanto em membros superiores quanto inferiores e tronco.

Palavras chave: Eletroterapia, Estimulação Elétrica Funcional, Eletroestimulação neuromuscular, Acidente vascular Cerebral.

INTRODUÇÃO

O Acidente vascular Cerebral (AVC) é uma síndrome neurológica com prevalência em adultos e idosos, porém, também pode acometer indivíduos mais jovens. A maior incidência ocorre em pessoas acima dos 65 anos, preferencialmente do sexo masculino, sendo, porém, que o índice de óbito se situa na faixa etária acima dos 80 anos com prevalência no sexo feminino. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no ano de 2016, esta patologia chegou a ser a segunda maior causa de mortes no mundo, responsável por 6,7 milhões de falecimentos, ou seja, 12,2 % do total registrado. Esta posição é projetada até o ano de 2030, devido ao crescimento da expectativa de vida e o envelhecimento populacional (SANTOS et al., 2020). No Brasil, é a principal causa de incapacidade, com incidência anual de 108 casos para cada 100.000 pessoas sendo a causa de morte mais comum no país (BOTELHO et al., 2016).

A melhora das condições motoras em indivíduos com acometimentos neurológicos é um dos grandes desafios para a reabilitação, esses pacientes normalmente necessitam de acompanhamento terapêutico constante. Para este grupo específico, a estimulação elétrica neuromuscular ou eletroestimulação funcional (EENM – FES), pode ser um recurso complementar a se considerar por se tratar de uma técnica não invasiva, sem efeitos sistêmicos e colaterais, ideal para esse tipo de suporte (QI et al., 2017).

A utilização mais frequente eletroestimulação em pacientes com AVC é em membros inferiores, visando um melhor desempenho na marcha, diminuindo tempo  gasto e o dispêndio de energia durante a caminhada (HONG et al., 2017). Porém,  percebe-se que, a normalização ou melhora dos padrões de funcionalidade dos membros superiores é igualmente importante para a promoção de uma qualidade de vida  do indivíduo portador de alguma limitação de membros superiores.

Devido a sua capacidade de gerar contrações musculares possíveis de serem moduladas, a EENM vem a ser um recurso extremamente utilizado por profissionais do mundo todo, não apenas na reabilitação como também na estética e desporto. O EENM/ FES é uma ferramenta indicada quando se visa a melhora da força muscular, amplitude de movimento e recuperação de condições motoras em geral (HAUGER et al., 2017). Embora esta sigla esteja intimamente relacionada à contração visando principalmente o fortalecimento muscular, diversas são as razões para as quais se podem estar objetivando este efeito.

Com EENM pode-se promover uma propriocepção cutânea, reeducando e fortalecendo os músculos, estimulando assim os agonistas e inibindo a ação dos antagonistas (LEE et al., 2016).  Sendo assim, diversas áreas da fisioterapia, cada vez mais, vêm lançando mão deste recurso com intuito de prevenir, manter ou mesmo recuperar pacientes com diferentes formas de acometimentos. (KARABAY et al., 2016). Este recurso também tem possibilita melhorar as condições hipotrofia ou atrofia secundária a alguma disfunção via estimulação somatossensiorial, aumentando a excitabilidade cortical. (PARK  et al., 2018). No âmbito da neurologia, a muito vem se utilizando de eletroestimulação funcional a fim de suprir alguma função perdida ou minimizada através de pulsos elétricos. A estimulação elétrica pode ser uma grande aliada tanto no fortalecimento de músculos deficientes como saudáveis, desde que seja estabelecido um programa de treinamento para melhora do desempenho (PARK et al., 2018).

Esta indicada para pacientes com déficit de contração muscular voluntária gerada por condições traumáticas, cirúrgicas, e neurológicas entre outros, que causem inibição dos potenciais de ação dos nervos motores. No âmbito da neurologia, principalmente se tratando do AVC, seu uso está diretamente relacionado a deambulação, porém, haveria outras aplicabilidades deste recurso neste campo que pudessem contribuir para o tratamento desta patologia?

METODOLOGIA

Para a elaboração do presente estudo foram realizadas buscas nas seguintes plataformas eletrônicas de pesquisas cientificas: Google Acadêmico, Scielo, Pubmed e Pedro. Foram utilizados descritores específicos da área, nos idiomas português e inglês. Os critérios de exclusão foram: artigos incompletos, repetidos e em outros idiomas que não os utilizados nos critérios de busca. Após a leitura dos artigos selecionados foi realizada a análise e organização dos temas  e os dados foram descritos em forma de tabela.

RESULTADOS

No total foram encontrados 143 artigos. Destes, 123 foram excluídos por serem repetidos,  incompletos ou não se adequarem de alguma forma ao tema proposto. Foram então selecionados 18 trabalhos para compor a presente pesquisa, dos quais, apenas 11 foram utilizados  para compor a discussão. Os resultados estão demonstrados a seguir distribuídos em cinco colunas com identificação nos tópicos.

Quadro 1. Resumo dos trabalhos escolhidos para compor a discussão.

AUTOR/ANO OBJETIVO AMOSTRA METODOLOGIA CONCLUSÃO
Bauer et al (2015) Comparar o efeito do ergo ciclismo ativo combinado a estimulação elétrica funcional
e sem estimulação elétrica funcional na marcha e equilíbrio em pacientes hemiparéticos por acidente vascular cerebral.
37 participantes, sendo 21 homens e 16 mulheres divididos em dois grupos (G1 n = 18 e G2 n = 19).
Faixa etária dos 45 a 75 anos.
– md = 60 anos.
20 minutos, 3 vezes por semana durante 4 semanas.
As frequências variaram de 20, 25, 27 e 60 Hz e duração de pulso de 250, 300 e 450 ms.
O ciclismo ativo assistido por estimulação elétrica funcional pareceu ser
uma intervenção promissora para a melhora da marcha e equilíbrio em pacientes com acidente vascular cerebral.
Hwang et al (2015) Investigar os efeitos do treinamento em esteira com sensor de inclinação para ativação da estimulação elétrica funcional (TTSF), no equilíbrio, marcha e arquitetura muscular do tibial
anterior em pacientes pós-Acidente vascular Cerebral.
30 participantes sendo 17 homens e 13 mulheres divididos em dois grupos de 15 elementos.
Faixa etária dos 42 a 57 anos.
– md = 50 anos.
30 minutos, 1 vez ao dia, durante 4 semanas. Frequência de 25 Hz e  duração de pulso  150 ms. A TTSF
demonstrou ser uma forma eficaz na melhora do equilíbrio, marcha e arquitetura muscular do tibial anterior no grupo estudado.
Peri et al (2016) Comparar ciclo ergometria ativa combinada a estimulação elétrica funcional à fisioterapia convencional na indução da neuroplasticidade em pacientes com acidente vascular cerebral. 16 participantes:  9 mulheres e 7 homens, divididos em dois grupos 8.
Faixa etária de 58 a 85 anos.
– md = 71 anos.
 25 minutos de ciclismo ativo combinado com estimulação elétrica funcional e 50 minutos de fisioterapia padrão durante 15 dias durante 3 semanas. A ciclo ergometria combinada
a estimulação elétrica funcional aparentou maior eficiência na melhora da plasticidade.
Ko et al (2016) Comparar a cinesioterapia convencional, EENM e associadas no fortalecimento da musculatura central, para a melhora do equilíbrio de tronco em pacientes com acidente vascular cerebral. 30 participantes, sendo 19 homens e 11 mulheres, divididos em 2 grupos de 11 participantes e mais outro por 12 (G1 = n 11 + G2 = n 11 + G3 = n 12) , na faixa etária dos 45 a 72 anos.
– md = 61 anos.
Vinte minutos durante três dias por 3 semanas.
– Frequência de 35 Hz e duração de pulso de 250 ms.
 Ambas as formas apresentaram bons resultados, porém quando combinadas, observou-se maior eficiência na melhora do equilíbrio de tronco.
Awad et al  (2015) Observar os efeitos da estimulação elétrica funcional na capacidade de marcha de longa distância em pacientes paréticos do tornozelo. 50 participantes sendo 31 homens e 19 mulheres divididos em 2 grupos (G1 n = 17 e G2 n = 16). Faixa etária de 49 a 68 anos.
– md = 60 anos.
3 sessões por semana, durante 12 semanas. A estimulação elétrica funcional demonstrou ser eficiente para melhora das condições de caminhada de longa distância na amostra estudada.
Lee et al (2016) Investigar os efeitos da terapia espelho (TE) combinada com EENM na força muscular e equilíbrio dos Membros inferiores (MMII) nos pós acidente vascular cerebral. 27 participantes, sendo 14 homens e 13 mulheres, divididos em dois grupos (G1 n = 14 e G2 n = 13), faixa etária de 47 a 61 anos.
– md = 54,66 anos
60 minutos  durante cinco dias por 4 semanas.
– frequência de  35 Hz e duração de pulso  de 250 μs.
A TE combinada a EENM foi capaz de induzir melhora da força muscular e equilíbrio em pessoas hemiplégicas pós-Acidente vascular Cerebral.
Türkkan (2017) Investigar os efeitos de curto prazo da estimulação elétrica neuromuscular na subluxação glenoumeral (GHS) em pacientes pós-Acidente vascular Cerebral. 24 participantes, sendo 10 homens e 14 mulheres,  faixa etária de 22 a 84 anos, divididos em 2 grupos.
– md = 64 anos
Sessões de 60 minutos durante cinco dias por quatro semanas.
– Frequência de 25 Hz e duração de pulso  de 250 μs.
Houve melhora do quadro de GHS.
Park et al (2018) Observar os efeitos da estimulação elétrica neuromuscular nos músculos abdominais e dorsais no equilíbrio postural em hemiplégicos pós-acidente vascular cerebral. 30 participantes, 21 homens e 9 mulheres na faixa etária de 45 a 82 anos divididos em 3 grupos de 10.
– md = 68,6 anos.
30 minutos durante cinco dias por 3 semanas.
– Frequência de 35 Hz  duração de pulso  de 250 ms.
A estimulação elétrica neuromuscular pode ser uma alternativa para melhora de equilíbrio postural de pacientes hemiplégicos pós-acidente vascular cerebral.
Lee et al (2018) Comparar realidade virtual (RV) combinada a estimulação elétrica funcional com exercícios de ergometria e estimulação elétrica funcional para membros superiores em pacientes com acidente vascular cerebral de longa data. 48 participantes de ambos os sexos, divididos em dois grupos G1 n = 23 e G2 n = 25, na faixa etária de 33 a 63 anos.
– md = 47,8 anos.
Frequência de 50 Hz e  duração de pulso  de, 200 μs.
Rampagem: (6 seg.) 1 segundo de subida e 2 segundos de rampa de descida.
A estimulação elétrica funcional associada à RV demonstrou maior eficácia na melhora da função dos membros superiores.
Zheng et al (2018) Investigar a eficácia da
estimulação elétrica funcional padrão simulando a marcha na recuperação motora no pós-Acidente vascular Cerebral.
48 participantes, sendo 27 homens e 21 mulheres, divididos em 2 grupos (G1 n = 15 e G 2 n = 18).  Faixa etária de 48 a 70 anos.
– md = 59 anos.
2 horas por dia durante cinco dias.
– Frequência de 30 Hz e  duração de pulso de 200 ms.
A estimulação elétrica funcional induziu melhora do equilíbrio e marcha no grupo estudado.
Gomez et al (2019) Verificar a aplicabilidade da estimulação elétrica funcional em pacientes pós-Acidente vascular Cerebral com déficit motor de membros superiores. 20 participantes, do sexo masculino
Faixa etária de 40 a 70 anos
. – md = 61,2 anos.
Frequência de 25 Hz e duração de pulso de 200 ms, A estimulação elétrica funcional foi eficaz na melhora dos movimentos dos membros superiores com hemiparesia.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2020.

Abaixo se pode contemplar os gráficos demonstrativos com os percentuais referentes ao gênero e concentração dos estudos encontrados.

Gráfico 1 – Homens 58,3%, mulheres 41,7%.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2020.

Gráfico 2 – Distribuição das pesquisas em %. 

Fonte: Elaborado pelos autores, 2020. 

DISCUSSÃO

O estudo realizado foi organizado pela tabela acima, a qual aborda os comparativos de conclusões, a respeito da aplicação da estimulação elétrica neuromuscular e estimulação elétrica funcional em pacientes com acidente vascular cerebral.

MEMBROS SUPERIORES

Uma das complicações comuns do acidente vascular cerebral na forma flácida é a dificuldade de suportar o peso do próprio membro superior, alguns casos evoluem para subluxação inferior pela falta de tônus da musculatura de suporte. Türkkan (2017), relatou bons resultados comprovados por ultrassonografia em sua pesquisa nos pós acidente vascular cerebral numa amostra de 24 indivíduos (22 a 84 anos). Investigou o efeito Estimulação elétrica curto prazo na subluxação de glenoumeral (GHS), num total de vinte sessões de sessenta minutos, utilizando  25 Hz de frequência e 250 ms de Largura de pulso,

Lee et al. (2018) obtiveram achados interessantes ao comparar os efeitos de exercícios de realidade virtual (RV) e FES com a ergometria de membros superiores.

Seu estudo contou com quarenta e oito colaboradores hemiparéticos de longa data e de ambos os sexos (20 a 80 anos), separados em dois grupos. Segundo os autores, a associação de RV com estimulação elétrica funcional programados a 50 Hz com 200 ms de duração, apresentou maior índice de melhora funcional dos membros superiores quando comparado a estimulação elétrica funcional cíclica.

Gomez et al. (2019), também encontrou bons resultados em sua pesquisa experimental com 20 indivíduos com disfunção de membros superiores. Os colaboradores foram divididos em 2 grupos de iguais participantes, sendo, com e sem estimulação elétrica funcional. Neste estudo não havia tempo pré-estabelecido de duração das sessões, assim, considerava-se o período gasto para realizar as tarefas propostas. O grupo que recebeu estimulação elétrica neuromuscular obteve melhor evolução funcional como maior controle motor, amplitude de movimento e habilidade para realizar tarefas.

MEMBROS INFERIORES

A locomoção é uma condição intimamente relacionada à independência humana, mesmo que seja apenas na condição de ir e vir dentro do próprio lar sem necessitar ajuda para fazer uso do banheiro ou ir a qualquer cômodo.

Awad et al. (2015), pesquisou a possibilidade de indivíduos portadores de paresia de dorsiflexores realizar marcha a longas distâncias. Sua pesquisa contou com 50 participantes sendo a média de idade em torno de 60 anos, separados em dois grupos. Sua conclusão foi de que o grupo qual fez uso de eletroestimulação funcional, apresentou maior índice de melhora da capacidade de deambulação e desempenho motor comparado ao grupo que não o fez.

Dujovic et al. (2017), comparou os resultados da cinesioterapia convencional e associada a estimulação elétrica funcional voltados a reabilitação da marcha em 16 indivíduos nos pós acidente vascular cerebral. Fizeram parte deste estudo 10 homens e 6 mulheres distribuídos em dois grupos de igual número de colaboradores. As sessões iniciaram com 20 minutos diários, aumentando gradativamente até quarenta minutos por um período total de quatro semanas.  A diferença da qualidade da marcha, equilíbrio e evolução geral entre os grupos evidenciou a eficiência da eletroestimulação nos participantes da pesquisa.

Zheng et al. (2018), também investigou a ação da estimulação elétrica funcional nas condições de equilíbrio e marcha em indivíduos pós acidente vascular cerebral, porém, em uma amostra de 48 indivíduos com média de idade de 59 anos, igualmente divididos em 2 grupos. Apesar de seu estudo se estender por um período mais curto que o normal, 5 dias apenas, a duração dos eventos (sessões), foram 2 horas mais longas do que o convencional. Referiu que a eletroestimulação foi capaz de induzir melhoras significativas nos quesitos averiguados (equilíbrio e marcha), no grupo o qual este recurso foi utilizado.

Peri et al. (2016), conduziu uma pesquisa com dezesseis participantes idosos nos pós AVC, fase aguda. A faixa etária abrangeu indivíduos de cinquenta e oito a oitenta e quatro anos, divididos em dois grupos experimentais mais o grupo controle (FES com cicloergometria).  O estudo foi composto por 15 sessões distribuídas por 3 semanas, sendo que, o intuito foi observar se os benefícios induzidos pela ciclagem ativa  combinada a FES, seriam superiores  a cinesioterapia convencional. O grupo controle (ergometria com eletroestimulação), obteve melhores resultados quanto a melhora das condições marcha e a parâmetros relacionados ao ciclismo.

Bauer et al. (2015), realizou uma prática semelhante a descrita acima, onde foi igualmente utilizado de cicloergometria associada à eletroestimulação muscular. As frequências adotadas situaram-se na faixa dos 20 Hz, com Largura de pulso acima de 300 ms.  Os colaborares apresentavam média etária de sessenta anos e foram divididos em dois grupos: G1, n = 18 e G2, n = 19. Da mesma forma que o estudo anterior, o grupo submetido a cicloergometria combinado a FES obteve mais benefícios, não apenas quanto às condições da marcha como também do equilíbrio.

Hwang et al. (2015), buscou investigar os efeitos do treinamento em esteira ergométrica com sensor de inclinação para ativação do FES (TTSF), no equilíbrio e marcha de pacientes pós AVC. Para isto compôs dois grupos de 15 colaboradores de ambos os sexos (30 no total), com média de idade de 50 anos. Os treinamentos tiveram a duração de 30 minutos e foram realizados com frequência diária durante 4 semanas. Concluiu que a TTSF (esteira), demonstrou ser um recurso eficaz na melhora do equilíbrio e marcha no grupo estudado.

Lee et al. (2016), procurou saber qual seria impacto da terapia espelho combinado a estimulação elétrica neuromuscular (EENM) na força de membros inferiores e equilíbrio nos pós acidente vascular cerebral. Para tal efetuou uma investigação com vinte e sete participantes, sendo 14 homens e 13 mulheres, divididos em dois grupos (G1 = 14 e G2 = 13), com faixa etária de 47 a 61 anos (Média de Idade = 54,66). Sua pesquisa, assim como em boa parte das demais, teve a duração de quatro semanas com sessões de 60 minutos, 5 vezes por semana.  Relatou, após a análise da pesquisa, que a terapia espelho (TE) combinada a EENM foi capaz de induzir melhora da força muscular e equilíbrio em indivíduos portadores de hemiplegia decorrentes de AVC.

CORE

Tarefas aparentemente simples como se sentar e manter-se na posição pode constituir um sério problema para o indivíduo com complicações motoras secundárias ao AVC, ou, qualquer outra causa neurológica. Conseguir esse feito, apesar de simples, gera uma nova condição ao enfermo, já que passa a contemplar melhor as coisas e o ambiente ao seu redor.

Park et al. (2018), conduziu um estudo a fim de observar os efeitos EENM nos músculos abdominais e dorsais em pacientes hemiplégicos pós acidente vascular cerebral. Seu trabalho se estendeu por 3 semanas e teve a duração de 30 minutos por sessão. Contou com a participação de trinta colaboradores, sendo 21 homens e 9 mulheres na faixa etária de 45 a 82 anos, distribuídos uniformemente em 3 grupos. Segundo os autores, ao desfecho da pesquisa pode-se observar que a EENM demonstrou ser um mecanismo eficiente na obtenção da melhora do tônus, força e equilíbrio de tronco nos integrantes da pesquisa.

Também Ko et al. (2016), realizou um estudo comparativo entre EENM, e a técnica cinesioterapia ativa para fortalecimento central (CMS), e a combinação de ambas, voltados à melhora das condições do equilíbrio de tronco em pacientes pós AVC.    Sua pesquisa envolveu trinta participantes na faixa etária de quarenta e nove a setenta e dois anos na fase aguda e subaguda patologia. A amostra foi dividida igualmente em três grupos: G1 um utilizou somente EENM, G2 somente CMS e G3 combinou ambas as formas. Os resultados obtidos demonstraram boa evolução do equilíbrio do tronco sentado dinâmico igualmente nos grupos de terapias individualizadas, porém, no G3, as melhoras foram mais significativas.

CONCLUSÃO

Pôde-se perceber ao término desta pesquisa que a EENM demonstrou ser uma ferramenta eficiente quando aplicada as condições do pós AVC na totalidade dos trabalhos averiguados, tanto de forma isolada como quando associada a outras modalidades. Mesmo que a maior parte dos estudos encontrados ainda sejam direcionadas a melhora das condições da marcha, a sua utilização em membros superiores e tronco também consistem em uma potencial forma de terapia, com resultados satisfatórios para a melhora do equilíbrio como a mobilidade global, entre outros aspectos. Apesar de ser um recurso extensamente utilizado, a EE poderia ser ainda mais explorada na área da neurologia. Fica assim, a sugestão para o desenvolvimento de mais pesquisas considerando outros aspectos da sua aplicabilidade neste campo da reabilitação.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduando em Fisioterapia.

[2] Orientador.

Enviado: Fevereiro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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