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Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho: papel da enfermagem na prevenção

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CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

OLIVEIRA, Fabíola Paula de [1]

OLIVEIRA, Fabíola Paula de. Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho: papel da enfermagem na prevenção. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 02, Vol. 05, pp. 107-117. Fevereiro de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/enfermagem-na-prevencao

RESUMO

Atualmente, muitos trabalhadores desenvolvem Distúrbios Osteomusculares relacionados ao Trabalho (DORTs), os quais comprometem a execução de suas funções por afetar músculos, tendões, articulações, nervos, fáscias, dentre outros. Neste sentido, o estudo baseou-se em responder a seguinte questão norteadora: Quais são as ações do enfermeiro do trabalho na prevenção e cuidados de trabalhadores diante dos DORTs? Para responder ao questionamento, objetivou-se, de forma geral: analisar o papel do enfermeiro com pacientes que tenham desenvolvido ou possam vir a desenvolver DORTs. Como metodologia foi realizada uma Revisão da Literatura sistemática do tipo descritiva e com abordagem qualitativa, com seleção de arquivos do tipo: dissertações, artigos científicos, periódicos, dentre outros, selecionados entre os anos de 2011 a 2021 em plataformas consideradas idôneas como: SCIELO, LLACS e BVS. Os resultados apontaram que dos artigos encontrados, oito foram selecionados para amostragem por apresentar clareza na exposição de informações sobre o papel do enfermeiro inserido no ambiente de trabalho, tendo como foco as ações de prevenção e redução dos agravos na saúde do trabalhador. Conclui-se com o estudo que o enfermeiro do trabalho deve considerar as ações preventivas, tendo em vista que esse é o melhor meio de se evitar o desenvolvimento ou agravos dos DORTs que podem comprometer tanto o desempenho quanto o bem-estar dos trabalhadores.

Palavras-chaves: Enfermagem do Trabalho, Distúrbios Osteomusculares relacionados ao Trabalho (DORTs), Qualidade de Vida, Prevenção.

1. INTRODUÇÃO

No Brasil e no mundo, milhares de pessoas desenvolvem algum distúrbio relacionado ao trabalho, afetando os músculos, tendões, as articulações, nervos, fáscias, dentre outros que comprometem o trabalhador diante da execução de suas funções (KITIS et al., 2009).

A relevância para escolha do tema partiu da necessidade de avaliar a atuação de enfermagem nesses distúrbios conhecidos como Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs) como forma de garantir ao trabalhador uma melhor qualidade de vida, promoção, prevenção e, sobretudo, reabilitação, tendo em vista a valorização do ser humano e a redução dos acidentes de trabalho (KITIS et al., 2009).

As principais causas dos DORTs são: má postura diante da execução das funções no trabalho, riscos ambientais, sobrecarga no esforço físico e repetições excessivas dos movimentos. De acordo com Organização Internacional do Trabalho (2013) essas doenças estão diretamente relacionadas a uma exposição a fatores de risco subjacentes ao desenvolvimento da atividade profissional.

Ramos (2014, p. 151) afirma que:

(…) os DORTs apresentam como principal característica a utilização excessiva do sistema osteomuscular devido a repetição de movimentos, do uso contínuo dos grupos musculares e a ineficiência de tempo para a sua recuperação em caso de lesões.  Os principais sintomas são: dor, parestesia, sensação de peso e fadiga.

De maneira geral, esses distúrbios estão relacionados aos fatores ergonômicos desenvolvidos de forma inadequada no processo de trabalho, como a inadequação do mobiliário, das ferramentas e instrumentos ou até mesmo com fatores relacionados ao trabalhador, principalmente diante da postura inadequada e apreensão de instrumentos de modo não ergonômico (KITIS et al., 2009).

Segundo Guimarães et al. (2017) alguns fatores psicossociais estão relacionados a realização de trabalho de forma monótona em que o principal objetivo das empresas é manter a produtividade através de pressões que faz com que o trabalhador desenvolva problemas relacionados a musculatura e ossos. Esse fato foi observado, principalmente, nos ciclos mais curtos da linha de produção e em maior grau de tarefas e com esforços repetitivos e monótonos.

Para Lino et al. (2012) os DORTs apresentam um quadro clínico inespecífico sendo necessário categorizar a condição do paciente para que seja possível analisar a intensidade da dor diante da realização de uma determinada função. Neste sentido, esses distúrbios podem apresentar os seguintes graus de intensidade: grau I, em que a dor é considerada leve, sendo possível melhora através do repouso; grau II, sendo a dor tolerável, no entanto resistente e intensa; grau III, a dor é persistente e forte, podendo apresentar edema com frequência e grau IV, onde a dor é forte, contínua e insuportável, podendo apresentar atrofia.

O papel do enfermeiro, neste sentido, “consiste no cuidado e planejamento de ações de saúde que possam contribuir para a redução de agravos à saúde do trabalhador através de ações de prevenção” (PICOLOTO; SILVEIRA, 2009, p. 12). Neste sentido, a problemática a ser investigada neste referido estudo foi: “Quais são as ações do enfermeiro do trabalho na prevenção e cuidados de trabalhadores diante dos DORTs?”.

A justificativa para a escolha do tema em questão está relacionada a necessidade de se compreender as ações do enfermeiro do trabalho na prevenção de lesões, uma vez que o cuidado é algo que deve ser priorizado com o principal objetivo a manutenção da qualidade de vida do trabalhador em pleno exercício de suas funções (RIBEIRO, 2008).

Sendo assim é importante concentrar-se no processo que busque a inclusão de novos tópicos em programas que facilite o autocuidado do trabalhador (PICOLOTO; SILVEIRA, 2009). Espera-se que este trabalho contribua para a discussão dessa temática na área da saúde, servindo de incentivo para a prevenção de doenças ocupacionais e que os profissionais da enfermagem do trabalho compreendam a importância de sua função na vida do trabalhador. Neste sentido, o objetivo deste estudo consiste em analisar, através de uma revisão de literatura sistemática, o papel do enfermeiro do trabalho com pacientes que tenham desenvolvido DORTs.

2. MÉTODO

Trata-se de uma revisão de literatura sistemática do tipo descritiva e com abordagem qualitativa. Os artigos selecionados foram pesquisados na base de dados: Scientific Electronic Library Online (SCIELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca virtual em Saúde (BVS) e Google Acadêmico. Foram utilizados arquivos do tipo: monografias, livros e revistas eletrônicas, dentre outros que abordavam sobre a enfermagem do trabalho e a saúde do trabalhador. Logo, para a busca do conteúdo foram utilizados os descritores: Enfermagem do trabalho Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho; Qualidade de vida; Prevenção.

Para a seleção dos arquivos foram utilizados os seguintes critérios de eletividade: serem publicados entre os anos de 2011 a 2020 nas referidas plataformas; estarem dentro dos objetivos propostos e abordarem de forma clara e objetiva o tema em questão. Com critério de exclusão foi observado textos incompletos, publicação que ultrapassava a margem de tempo de 9 anos e a não abordagem do assunto dentro dos objetivos propostos.

3. RESULTADO

Após a utilização dos critérios de eletividade e exclusão, dos diversos artigos que tiveram seu resumo analisado de maneira minuciosa, oito foram selecionados para análise dos resultados. Esses arquivos estão descritos no Quadro 1.

Quadro 1: Artigos coletados para formulação da discussão do estudo, 2020.

Título Autor (es)/ Ano Objetivo
Saúde e segurança na construção civil: relato sobre as contribuições da enfermagem Guimarães et al. (2017) Elencar os principais Diagnósticos de Enfermagem (DE) e Intervenções de Enfermagem (IE) em uma obra da construção civil
A importância da atuação do enfermeiro do trabalho na orientação do uso dos EPI’s para a prevenção dos acidentes ocupacionais Pereira; Augusto, Oliveira (2017) Refletir sobre a importância do enfermeiro do trabalho na orientação do uso dos EPI’s na prevenção de acidentes do trabalho
Construção participativa de uma linha de cuidado ao trabalhador com Lesão por Esforços Repetitivos Torres et al. (2016) Construir uma linha de cuidado integral para o trabalhador com Lesões por Esforços Repetitivos
Atuação do enfermeiro na saúde do trabalhador: um enfoque na prevenção Oliveira et al. (2014) Descrever os fundamentos para atuação do enfermeiro na saúde do trabalhador com enfoque na prevenção
Trabalho nos subterrâneos, mineiros com a palavra – cenário de preocupações para a enfermagem do trabalho Teixeira et al. (2013) Conhecer e discutir as condições de trabalho do mineiro, os fatores associados ao risco de exposição laboral e as suas implicações para o trabalho em minas subterrâneas.
Enfermagem na equipa de saúde ocupacional Santos; Almeida (2012) Perceber qual o lugar que a Enfermagem tem na equipa de Saúde Ocupacional, descrevendo como esta é executada em diferentes países, com variadas perspectivas e objetivos
Enfermagem do Trabalho à luz da visão interdisciplinar Lino et al. (2012) Refletir acerca da prática do enfermeiro do trabalho dentro da equipe multiprofissional, enraizado nos conceitos da saúde coletiva e da visão interdisciplinar
Medidas de prevenção contra câncer de pele em trabalhadores da construção civil: contribuição da enfermagem Simões et al. (2011) Identificar o conhecimento de enfermeiros do trabalho sobre o câncer de pele, descrevendo as medidas de proteção/ prevenção adotadas por eles

Fonte: A autora.

Analisando as informações presentes nestes arquivos, pode-se destacar que dos oito artigos selecionados para a amostragem, todos apresentaram clareza na exposição de informações sobre o papel do enfermeiro inserido no ambiente de trabalho, tendo como base a saúde ocupacional. No que diz respeito ao aspecto prevenção, seis artigos apresentaram informações tímidas sobre algumas ações preventivas que podem ser desenvolvidas no ambiente de trabalho, com a finalidade de evitar o desenvolvimento de lesões e redução de riscos à saúde.

Neste sentido, para uma melhor compreensão e análise da temática em questão, as informações foram divididas em duas categorias: O papel do enfermeiro do trabalho na saúde ocupacional; DORT: a enfermagem e as ações preventivas.

4. DISCUSSÃO

4.1 O PAPEL DO ENFERMEIRO DO TRABALHO NA SAÚDE OCUPACIONAL

O primeiro ponto a ser analisado neste estudo foi o papel do enfermeiro do trabalho na saúde ocupacional, sendo importante sua contextualização neste estudo. Neste sentido, os resultados demonstraram que apesar de se mencionar sobre a enfermagem do trabalho, ainda é visto de forma limitada, sem informações concisas do papel deste profissional diante dos trabalhadores (TEIXEIRA et al., 2013).

Ainda de acordo com Teixeira et al. (2013, p. 27)

O enfermeiro do trabalho é um profissional que precisa atuar com foco todos os fatores que cercam o ambiente de trabalho dos pacientes, com o objetivo de analisar a influência destes na saúde do trabalhador, ocasionando distúrbios tanto nos ossos quanto na musculatura. Ou seja, para detectar as lesões, torna-se necessário um diagnóstico preciso e amplos sobre esses problemas, para que assim, forneçam todo suporte aos trabalhadores.

Pelas informações apresentadas pelos autores, subtende que um dos papéis a serem desenvolvidos pelos enfermeiros está na questão da análise da influência do ambiente de trabalho sobre a saúde dos mesmos, para que assim, se possa detectar as lesões e contribuir para um diagnóstico mais preciso e amplo, para dar suporte aos trabalhadores acometidos pelos DORTs (TEIXEIRA et al., 2013).

Seguindo esta mesma linha de raciocínio, Santos e Almeida (2012) reafirmam a tese da importância do enfermeiro com relação os diagnósticos que, para ser preciso, torna-se necessário identificar e eliminar os fatores que causam os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs).

Outro ponto importante mencionado pelos autores foi com relação a necessidade de treinamento da equipe de enfermagem do trabalho para que se possa promover e zelar pela saúde do trabalhador, incentivar a prevenção de acidentes e doenças relacionados ao trabalho, procurando identificar, elaborar e desenvolver propostas e ações preventivas primárias a esses pacientes (SANTOS; ALMEIDA, 2012).

Simões et al. (2011) completam que o enfermeiro do trabalho, para uma atuação eficaz, deve ser capaz de identificar qualquer tipo de necessidade do trabalho, bem como a saúde do trabalhador diante de suas funções, apresentando como foco, ações que podem contribuir para a prevenção de lesões que podem comprometer não só o desempenho do trabalhador, como também sua saúde física e psicológica.

Neste mesmo sentido, Teixeira et al. (2013) salientam que a colaboração de um enfermeiro do trabalho na equipe de saúde do trabalhador é considerada uma conquista não só para os trabalhadores como também para os próprios profissionais que se especializam com cada atendimento, ganhando experiência diante de sua atuação, procurando zelar pela saúde e bem-estar desses trabalhadores.

4.2 A ENFERMAGEM E AS AÇÕES PREVENTIVAS

A enfermagem e as ações preventivas também foram categorias analisadas na temática e apresenta como finalidade abordar os procedimentos que podem ser realizados para a prevenção de DORTs, que comprometem a funcionalidade dos trabalhadores em pleno exercício de sua função (PEREIRA et al., 2017).

Ainda de acordo com Pereira et al. (2017), as doenças laborais ou ocupacionais são definidas como sendo aquelas em que o indivíduo adquire em função de sua exposição a agentes ou condições que possam desencadeá-la. Devido a esse fator, atualmente, existem padrões mínimos que devem ser adotados para oferecer o menor risco possível à saúde do trabalhacostas de forma ereta e apoiadasdor.

Um desses pontos, segundo Torres et al. (2016) é a necessidade de compreender todo o contexto que envolve o possível surgimento da lesão e os fatores que tendem a facilitar o possível desencadear da doença. Neste sentido, deve-se observar o próprio ambiente de trabalho, bem como as características físicas e psicológicas que o compõem.

Além desses fatores, também podem ser destacados: os instrumentos de trabalho; o espaço em si e a sua própria organização. Pode-se mencionar também os diversos fatores de risco (físicos, químicos, ergonômicos, mecânicos, biológicos e psicossociais) com os quais o trabalhador se depara em seu cotidiano (TORRES et al., 2016).

Outro ponto importante que deve ser considerado, segundo Guimarães et al. (2017, p. 36) são:

Os fatores biológicos, considerados comuns diante dos contatos diários dos trabalhadores diante da ergonomia, bem como o estresse ocupacional e o assédio moral a qual os colabores estão submetidos diante do cumprimento de suas funções para aumentar a lucratividade empresarial diante do mundo capitalista.

Subtende, pelas informações apresentadas pelos autores que um dos fatores que compromete a saúde ocupacional dos trabalhadores são os fatores biológicos relacionados a ergonomia, estresses diante da execução de suas funções e, inclusive, assédio moral, caracterizado por cobrança excessiva dos empresários em busca da lucratividade diante do mundo capitalista (GUIMARÃES et al., 2017).

Uma das medidas preventivas para evitar essas lesões é a prática diária de exercícios no ambiente de trabalho, mencionado por Lino et al. (2012) em seu estudo. O objetivo principal é prevenir doenças causadas por esforços repetitivos e ainda motivar mudanças nos hábitos posturais, a fim de desenvolver e despertar nos trabalhadores a consciência em prol da saúde corporal.

No entanto, segundo Oliveira et al. (2014) para prevenir os DORTs são necessários um conjunto de ações tanto individuais quanto empresariais para promoção do bem-estar físico e mental dos colaboradores. As principais abrangem ações como: manutenção das costas de forma eretas e apoiadas no encosto da cadeira; utilizar apoios ergonômicos para os punhos durante a utilização do computador.

Além dessas ações, os trabalhadores que trabalham com o computador devem deixar o monitor na altura dos olhos para não ter que forçar o pescoço para baixo; levantar, fazer alongamentos e caminhar a cada 60 minutos e fazer pausa de 5 minutos a cada 25 minutos para aliviar a tensão dos esforços repetitivos e, sobretudo, participar as sessões de ginástica laboral (OLIVEIRA et al., 2014).

Nesta mesma linha de raciocínio, Lino et al. (2012) completa que as ações de prevenção estão relacionadas a educação em saúde que pode ser desenvolvida através de palestras e cartazes afixados no posto de trabalho para chamar a atenção do trabalhador quanto a importância de se atentar para a saúde diante do exercício de suas funções.

As informações expostas por Lino et al. (2012) corrobora com as apresentadas por Oliveira et al. (2014) que afirmam que os exercícios laborais são extremamente importantes para a prevenção dos DORTs. Além disso, o posto de trabalho deve ser observado para a orientação quanto aos exercícios posturais nas organizações, o que contribui para o bem-estar dos trabalhadores.

No entanto, mesmo diante da importância do desenvolvimento de ações preventivas que o trabalhador pode assumir para evitar os problemas, a adoção desses pelos mesmos é considerado um desafio para o enfermeiro do trabalho. Segundo Lino et al. (2012) as organizações tentam mascarar as doenças e não notificam os acidentes, com o intuito de aumentar a produção e os lucros.

Neste cenário, o trabalhador ainda tende a enfrentar a pressão da empresa para produzirem, mesmo estando doente e sem condições, para não ser considerado um trabalhador faltoso, o que pode levá-lo a perder o emprego (LINO et al., 2012). Esse é um dos motivos que levam ao agravo das lesões, uma vez que, temendo perder o emprego, muitos voltam ao trabalho, mesmo lesionados.

Para Santos e Almeida (2012) o enfermeiro do trabalho apresenta com principais funções: levantar os riscos que os trabalhadores estão submetidos diante do trabalho; realizar um trabalho de conscientização; promover ciclos de palestras; incentivar a imunização por meio de vacinas, a realização de exames periódicos para avaliar a saúde do trabalhador, o incentivo à atividade física, bem como a conscientização dos perigos do cigarro, álcool e drogas diretamente em sua saúde.

Os autores completam ainda que, o enfermeiro precisa assumir uma postura contrária à postura adotada pelas empresas que buscam apenas o lucro, procurando identificar todos os possíveis indícios de problemas que possam prejudicar a saúde do trabalhador (SANTOS; ALMEIDA, 2012).

Esses profissionais devem procurar incentivar as organizações a adotar medidas que possam trazer mais benefícios para a saúde do trabalhador. Tendo em vista que um ambiente que não representa riscos à saúde e, uma empresa que oferece subsídios para que ela esteja sempre em manutenção, tende a ser mais benéfico e lucrativo para todos (SANTOS; ALMEIDA, 2012).

5. CONCLUSÃO

Através da realização deste estudo, concluiu-se que o enfermeiro do trabalho deve considerar as ações preventivas, tendo em vista que esse é o melhor meio de se evitar o desenvolvimento ou agravos dos Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORTs) que podem comprometer não só o desempenho dos trabalhadores como também seu bem-estar.

Neste sentido, o profissional deve estar apto a identificar e interpretar as informações recebidas com relação às lesões apresentadas pelos trabalhadores mediante ao atendimento, de forma a atentar-se para um diagnóstico rápido de preciso para que assim, medidas preventivas possam ser adotadas, como por exemplo, os exercícios laborais.

Respondendo à questão norteadora, concluiu-se que o estudo apontou que as ações do enfermeiro na prevenção e cuidados de trabalhadores que desenvolvam DORTs consistem em avaliar e desenvolver programas de prevenções de acidentes e de doenças profissionais divulgando conhecimentos, estimulando e orientando a aquisição de hábitos sadios, para prevenir doenças ocupacionais.

Assim, o enfermeiro do trabalho deve estar sempre em busca de aprofundamento e desenvolvimento de conhecimentos em prol da saúde do trabalhador, além de estar atento às causas de possíveis acidentes e ligar os fatores biomecânicos, cognitivos, organizacional e individual do paciente para uma identificação rápida de lesões pré-existentes.

Dessa forma, espera-se que as informações contidas neste estudo possam contribuir para que futuros trabalhos, tanto de cunho acadêmico quanto científico possa ser elaborados com o intuito de ampliar o conhecimento sobre a temática em questão, tendo em vista a importância da prevenção dos distúrbios relacionados ao trabalho.

REFERÊNCIAS

GUIMARÃES, David Bernar Oliveira, et al. Saúde e segurança na construção civil: relato sobre as contribuições da enfermagem. Rev Enferm UFPE, Recife, v. 11, n. 3, supl. 3, p.51-9, mar. 2017 Disponível em:  https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/13999>. Acesso no dia 20 dez. 2021

KITIS, Ali et al. Questionário DASH para análise de sintomas musculoesqueléticos em trabalhadores da indústria: Estudo de validade e confiabilidade. Elsevier, v. 40, ed. 2, mar. 2009. Disponível em https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0003687008000768. Acesso em: 20 dez. 2021

LINO, Murielk Motta et al. Enfermagem do Trabalho à luz da visão interdisciplinar.  Saúde & Transf Soc. Florianópolis, v. 1, n. 3, p. 1-8, jan. 2012. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2178-70852012000100014. Acesso em: 21 dez. 2021

OLIVEIRA, Adriano Ribeiro et al. Atuação do enfermeiro na saúde do trabalhador: um enfoque na prevenção. Rev Esc Bahiana Med Saude Publ, Bahia, v. 1, n. 7, p. 151-9, mar. 2014; Disponível em <https://www.repositorio.bahiana.edu.br:8443/jspui/bitstream/bahiana/516/1/Artigo%20Enfermagem%20do%20Trabalho%202014.pdf. Acesso em: 21 dez. 2021

OTI, Organização Internacional do Trabalho. A prevenção das doenças profissionais. Genebra: BIT, 2013. Disponível em: https://www.infoescola.com/geografia/organizacao-internacional-do-trabalho/. Acesso em: 22 dez. 2021

PEREIRA, Milena Suzy Lopes; AUGUSTO, Natália Saldanha Ferreira; OLIVEIRA, Sílvia Ximenez. A importância do enfermeiro do trabalho na orientação do uso dos EPI’s para a prevenção dos acidentes ocupacionais. An VI Cong Enferm FIP e I Simp Nac Enferm FIP, Florianópolis, v. 4, n. 1, p. 51- 55, mar. 2017. Disponível em <https://www.atenaeditora.com.br/wp-content/uploads/2019/02/e-book-Fundamentos-da-Enfermagem-3.pdf. Acesso em: 22 dez. 2021

PICOLOTO, Daiana; SILVEIRA, Elaine de. Prevalência de sintomas osteomusculares e fatores associados em trabalhadores de uma indústria metalúrgica em Canoas – RS. Cienc Saude Coletiva. Canoas, v. 2, n. 13, p. 507-5018, mar-abr. 2008. Disponível em <https://www.scielo.br/pdf/csc/v13n2/a26v13n2.pdf. Acesso em: 20 dez. 2021

RAMOS, Tiago Farias. Proposta de intervenção para a prevenção de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao trabalho. 2014. Dissertação (Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família) – Universidade Federal de Minas Gerais, Conselheiro Lafaiete, 2014.

RIBEIRO, Marcos Cavalcante S. (Org.). Enfermagem e trabalho: fundamentos para a atenção à saúde dos trabalhadores. São Paulo: Martinari, 2008.

SANTOS, Mônica; ALMEIDA, Armando. Enfermagem na equipa de saúde ocupacional. Rev Enferm Refer. Sergipe, v. 6, n. 3, p. 147-155, mar. 2012.

SIMÕES, Tiago do Carmo et al. Medidas de prevenção contra câncer de pele em trabalhadores da construção civil: contribuições da enfermagem. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegra, RS, v. 1, n. 32, p.  100-108, mar. 2011. Disponível em <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-14472011000100013&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 21 dez. 2021

TEIXEIRA, Aline Künzel et al. Trabalho nos subterrâneos, mineiros com a palavra – cenário de preocupações para a enfermagem do trabalho. Cienc Cuid Saude, Rio Grande do Sul, v. 3, n. 12, p. 443-51, jul. set. 2013. Disponível em <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/142474/000915972.pdf?sequence=1. Acesso em: 22 dez. 2021

TORRES, Amélia Romana Almeida et al. Construção participativa de uma linha de cuidado ao trabalhador com Lesão por Esforços Repetitivos. Rev Rene, Sobral- CE, v. 5, n. 17, p. 626-35, set-out 2016. Disponível em: http://periodicos.ufc.br/rene/article/view/6187/4425. Acesso em: 22 dez. 2021

[1] Bacharelado em Enfermagem pela Universidade Salgado de Oliveira; Pós-graduação em Enfermagem do trabalho. ORCID: 0000-0002-6420-3208.

Enviado: Novembro, 2021.

Aprovado: Fevereiro, 2022.

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