Pré-Natal como fator de proteção contra o desmame precoce: Uma revisão integrativa

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REVISÃO INTEGRATIVA

DOMINGUES, Ana Caroline Alves de Oliveira [1]

DOMINGUES, Ana Caroline Alves de Oliveira. Pré-Natal como fator de proteção contra o desmame precoce: Uma revisão integrativa. Revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 07, pp. 122-143. Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

O presente trabalho teve como objetivo identificar na literatura já publicada, a importância da orientação adequada sobre a prática do aleitamento materno durante o pré-natal como fator de proteção contra o desmame precoce. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e abordagem qualitativa. O ato de amamentar é um processo que vai além da nutrição do bebê, é uma ação que traz inúmeros benefícios, para o bebê, para a mãe, e para a sociedade. Reduz os índices de morbimortalidade neonatal e infantil por garantir uma nutrição adequada. Fortalece o vínculo do binômio mãe-bebê, fortalece os vínculos e promove saúde mental. Entretanto, apesar dos inúmeros benefícios, a amamentação não é um ato automático, é influenciada por diversos fatores pessoais, culturais, sociais, mitos e tabus que poderão determinar o tempo de aleitamento materno e sua exclusividade. Conclui-se que, a orientação sobre amamentação no pré-natal é sem dúvida muito importante e que novas ações devem ser incorporadas e incrementadas pelos profissionais de saúde em prol do aleitamento materno.

Palavras-chave: Aleitamento Materno, Desmame, Cuidado Pré-natal.

INTRODUÇÃO

Em 2008, a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu sentidos relacionados ao aleitamento materno, reconhecidas mundialmente. Sendo assim, o aleitamento materno (AM) pode ser definido como: Aleitamento Materno Exclusivo (AME) quando o lactente recebe apenas o leite materno (LM) direto da mama ou ordenhado, sem outros líquidos ou sólidos, sendo permitindo apenas vitaminas, sais minerais na forma de comprimidos ou xarope; Aleitamento Materno Predominante (AMP) LM como fonte principal de nutrição, sendo oferecidos ainda líquidos como água, chás e suco de fruta; Aleitamento Materno Complementar (AMC) quando além do LM, recebe qualquer tipo de alimento sólido, semissólido ou líquido com a finalidade de completá-lo e não de substituí-lo; e o aleitamento materno misto (AMM) quando a criança recebe leite materno e outros tipos de leite. (OMS, 2008 apud CHAVES, 2014; BARBIERI et al., 2015)

Segundo Chaves, 2014 o ato de amamentar é uma ação que vai além da nutrição do bebê, é um processo que envolve ambos trazendo inúmeros benefícios para o binômio.

O LM é um alimento completo, contendo água, proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas e sais minerais, que são de grande importância nos primeiros meses da vida. Contribui para a diminuição das infecções respiratórias agudas e diarreicas, o melhor desenvolvimento e crescimento para as crianças, além da diminuição do risco de diabetes tipo 2; reduz má formação da dentição, estimula e exercita a musculatura que envolve o processo de fala, promove melhor a dicção e proporciona tranquilidade ao recém-nascido. (CHAVES, 2014; BENEDETT et al.,2014; BRASIL, 2012; MASCARENHAS et al., 2015)

A amamentação ainda beneficia a mãe, pois, evita hemorragias no pós-parto, reduz o risco de desenvolver câncer de mama e ovário, contribui para maior perda de peso no puerpério e prolonga o período de amenorreia pós-parto. Além de favorecer o fortalecimento dos laços afetivos e vínculos psicológicos, possibilitando intimidade, afeto, segurança, proteção à criança e de autoconfiança e realização para a mulher. (CHAVES, 2014; BARBIERI et al., 2015; BRASIL, 2015; MASCARENHAS et al., 2015)

Além do mais o AM oferece vantagens econômicas, para o sistema de saúde e para a sociedade de forma geral, ao diminuir os gastos com leites artificiais, mamadeiras e ao reduzir os episódios de doenças e internações infantis, contribuindo na redução do absenteísmo dos pais ao trabalho, uma vez que crianças bem nutridas contribuem para a redução dos índices de morbimortalidade neonatal e infantil. (SILVA, 2014; MASCARENHAS et al., 2015)

A OMS e o Ministério da Saúde (MS) recomendam o AME por seis meses e complementado até dois anos ou mais. Nesse período o organismo da criança já está preparado para receber outros tipos de alimentos, a oferta deles deve ocorrer em quantidade e qualidade adequada de acordo com as fases do desenvolvimento infantil, promovendo a saúde e protegendo a criança de deficiências nutricionais e de doenças crônicas. Pois quando ocorre a introdução precoce de outros alimentos, pode ocorrer a diminuição na absorção de minerais, além do risco de desnutrição devido hiperdiluição das fórmulas infantis. (BRASIL, 2015; CHAVES, 2014; MASCARENHAS et al., 2015)

Existem evidências de que a ingestão de água, chás e principalmente leites artificiais estão associados com o desmame precoce e o aumento da morbimortalidade infantil, sendo assim devem ser evitados seu consumo. Além disso, o uso de mamadeiras e chupetas pode influenciar negativamente a amamentação, pois, algumas crianças depois de experimentá-las passam a apresentar dificuldade na sucção, denominada “confusão de bicos” causada pela diferença na maneira de sugar na mama e nelas, além de serem consideradas importantes fontes de contaminação. (BRASIL, 2015; RODRIGUES et al., 2014)

A amamentação não é um ato biológico natural e espontâneo, está associado a diferentes fatores dentre eles a falta de conhecimento, a cultura e a autoeficácia, que podem interferir diretamente na interrupção precoce dessa prática, demanda aprendizado contínuo e compreensão da família e da equipe de saúde que cuida dessa mulher. (RODRIGUES et al., 2014)

De acordo com Santos (2009), é perceptível o incentivo ao AME por parte de todos que norteiam o sistema de saúde, profissionais e serviços de saúde, órgãos governamentais, no intuito de se promover à saúde materno-infantil. Contudo, ainda é expressivo o número de desmame precoce pelas nutrizes brasileiras.

A II Pesquisa Nacional de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal sinalizou que a introdução de outros tipos de leite na alimentação de menores de seis meses é precoce, com prevalência de 18% no primeiro mês e 48,8% entre o quarto e sexto mês. (CARVALHO et al., 2017)

Os aspectos sociais, políticos e culturais podem potencializar a dificuldade de manutenção, a interrupção AME ou até mesmo do AM, são diversos fatores descritos em pesquisas e revisões bibliográficas: ausência de orientação de aleitamento no pré-natal, os mitos e crenças sobre aleitamento materno (“pouco leite”, “leite fraco”, “o bebê não quis pegar o peito”, “o leite materno não mata a sede do bebê” ou então “os seios caem com a lactação”), ser mãe jovem, ter baixa renda familiar, ausência de percepção materna de que a criança não está satisfeita, recusa do peito, gravidez tardia, decisão de interromper o AME, trabalhar fora do lar, produção insuficiente de leite, escolaridade menor que 12 anos, idade menor que 20 anos, ser solteira, primiparidade, nascimento de parto cesáreo, baixo peso ao nascer, decisão materna de não amamentar após o parto, doenças maternas ou da criança que impeça o aleitamento materno, a utilização de medicamentos, problemas mamários (fissuras e mastite, por exemplo), a inserção da mulher no mercado de trabalho, a falta de apoio, estresse materno, ausência de experiência prévia de amamentação, uso de bicos artificiais (mamadeiras e chupetas), estabelecimento de horários fixos para amamentar, dentre outras. (BRASIL, 2015; CHAVES, 2014; MARTINS et al., 2011; RODRIGUES et al., 2014; SILVA, 2014; VIEIRA et al., 2010)

Os profissionais de saúde e os parentes que convivem com a nutriz têm influência no padrão exclusivo do aleitamento. As estratégias devem estar presentes em todo ciclo gravídico, todavia, o pré-natal é o período de maior contato entre a mulher, os profissionais e a instituição, sendo assim o melhor momento para uma abordagem adequada ao incentivo ao aleitamento materno. O profissional de saúde que conhece a cultura na qual o recém-nascido está inserido é capaz de repensar atitudes e superar obstáculos em busca de um pré-natal com bom vínculo e preparo para amamentação, conhecer os desejos e interesse da nutriz em amamentar e envolver pai e familiares no apoio ao aleitamento. (BRASIL, 2015; CHAVES, 2014; SILVA, 2014)

O profissional de saúde tem um papel importante na prevenção e intervenção das dificuldades relacionadas ao AM, o que requer conhecimentos, atitudes e habilidades específicas e que trabalhem intensamente, desde a gestação, dando ênfase aos benefícios do AME para a saúde da criança e da mulher e suporte a prática da amamentação. (SANTANA et al., 2013)

A prática da amamentação deve ser uma ação prioritária para melhoria da saúde e qualidade de vida da criança e sua família. As estratégias de promoção devem fortalecer a autoeficácia da gestante e da puérpera, empoderando a mãe para que esteja segura quando ao ato de amamentar.

A superioridade nutricional do leite materno em comparação a qualquer outro meio de nutrição da criança, principalmente até os 6 meses é indiscutível. Entretanto, o AME ainda não é realizado de forma satisfatória.

O conhecimento da equipe multidisciplinar a respeito do tema abordado contribui para um melhor planejamento e prática de estratégias de promoção ao aleitamento materno, além de contribuir para a diminuição da prevalência do desmame precoce em gestantes atendidas pelos profissionais que realizam o pré-natal.

Durante a assistência pré-natal é possível identificar os fatores de risco para não amamentação de modo a minimizar as chances de não adesão ao aleitamento materno exclusivo?

Assim, o objetivo desse estudo é identificar na literatura já publicada, a importância da orientação adequada sobre a prática do aleitamento materno durante o pré-natal e identificação dos principais fatores de risco como fator de proteção e promoção do aleitamento materno exclusivo.

METODOLOGIA

O estudo trata-se de uma pesquisa bibliográfica de revisão integrativa, esse tipo de pesquisa faz um apanhado dos resultados das pesquisas e conclusões de especialidades sobre determinado assunto. Cada literatura é analisada segundo seus objetivos, metodologia e resultados, assim, é possível chegar a conclusões obtidas através de um corpo de conhecimentos, é realizada por um aluno ou pesquisador. A pesquisa bibliográfica é realizada através de um material já elaborado, constituído na maioria das vezes de livros e artigos científicos. Tem como objetivo principal proporcionar uma familiaridade com o problema com vistas e torná-lo explícito ou a construir hipóteses. (GIL, 2002; AZEVEDO et al., 2010)

A revisão integrativa da literatura é composta das seguintes etapas: elaboração do problema de revisão, seleção da amostra, categorização dos estudos, análise dos resultados, apresentação e discussão dos resultados e apresentação da revisão. (LIMA, 2010)

O levantamento de estudos foi realizado no período de junho a setembro de 2018, através dos seguintes bancos de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS): Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e na biblioteca eletrônica Scientific Electronic Library Online (SciELO), Banco de Dados de Enfermagem (BDENF). Na busca pelos dados foram utilizados os descritores padronizados pelo DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), que são: Aleitamento Materno; Desmame; Cuidado Pré-natal.

Por meio dessa consulta, identificou um universo de 109 publicações na base de dados LILACS, 3 no BDENF e 86 no SciELO.

A escolha das publicações seguiu os seguintes critérios de inclusão: artigos na íntegra; que abordam o assunto da questão norteadora; publicados em português no período de 2010 a 2018; e ser de acesso gratuito. Os critérios de exclusão definidos para a seleção dos artigos foram: publicações de anos anteriores a 2010 e que não abordam o tema delimitado.

Para analisar e sintetizar as publicações que atenderam os critérios de inclusão, foi desenvolvido um quadro que contém os seguintes aspectos: ano de publicação, autores, periódico, título e objetivo do estudo.

Quadro 1: relação das publicações que atenderam os critérios de inclusão.

ANO AUTORES PERÍODICOS TÍTULO OBJETIVO
2010 DELMITTO et al., Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste Orientações Sobre Amamentação Na Assistência Pré-Natal: Uma Revisão

Integrativa

Identificar na literatura científica, nos últimos 10 anos, que narrem sobre orientações referentes à amamentação no pré-natal.
2010 VIEIRA et al., Jornal de Pediatria Fatores preditivos da interrupção do aleitamento materno exclusivo

no primeiro mês de lactação

Averiguar os fatores associados à interrupção do aleitamento materno exclusivo no primeiro mês de lactação na cidade de Feira de Santana, BA.
2011 MARTINS et al., Revista Baiana de Saúde Pública Fatores De Riscos Maternos E De Assistência Ao Parto Para Interrupção

Precoce Do Aleitamento Materno Exclusivo: Estudo De Coorte

Identificar as características maternas e de assistência ao parto associadas à interrupção do aleitamento materno exclusivo (AME) em crianças menores de um mês.
2012 ALBUQUERQUE, B. P. Centro Universitário Filadélfia Papel da Enfermagem na Prevenção dos Fatores que Contribuem para o Desmame Precoce Analisar o papel da enfermagem

na prevenção dos fatores que contribuem para o desmame precoce.

2013 NASCIMENTO et al., Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil Associação entre as orientações pré-natais em aleitamento materno e a satisfação com o apoio para amamentar Analisar a associação entre orientações pré-natais em aleitamento materno e a satisfação das gestantes com o apoio recebido para amamentar.
2013 VETTORE et al., Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil Avaliação da qualidade da atenção pré-natal dentre gestantes com e sem história de prematuridade no Sistema Único de Saúde no Rio de Janeiro, Brasil Avaliar adequação, acompanhamento pré-natal, satisfação e riscos gestacionais das gestantes com história de prematuridade.
2014 CASTELLI et al., Revista CEFAC Identificação Das Dúvidas E Dificuldades De Gestantes E Puérperas Em Relação Ao Aleitamento Materno Identificar e descrever as dúvidas e dificuldades das gestantes e puérperas em relação à amamentação, além de compará-las nos períodos pré-natal e puerperal.
2014 CHAVES, A.C.M. Universidade Federal do Paraná A Autoeficácia De Gestantes E Puérperas Em Amamentar Analisar a autoeficácia das gestantes e puérperas quanto ao seu potencial em amamentar.
2014 MACHADO et al., Ciência e Saúde Coletiva Intenção de amamentar e de introdução de alimentação complementar de puérperas de um Hospital-Escola do sul do Brasil. Analisar a intenção de puérperas de amamentar e as perspectivas de introdução de alimentos complementares no primeiro ano de vida da criança.
2014 PEREIRA et al., Enfermagem em Foco Orientações sobre aleitamento materno em

consultas de pré-natal

Avaliar a atuação do enfermeiro na consulta de pré-natal quanto às orientações sobre aleitamento materno.
2014 RODRIGUES et al., Escola Ana Nery Fatores do pré-natal e do puerpério que interferem na

autoeficácia em amamentação

Analisar quais os fatores relacionados ao pré-natal e ao puerpério que interferem na autoeficácia em amamentação para as puérperas internadas em alojamento conjunto.
2014 SILVA, F.N.R. Centro Universitário de Brasília A Importância Da Orientação Sobre Aleitamento Materno

Para Mães Atendidas

Em Um Posto De Saúde Do Df

Discutir a importância da orientação adequada sobre a prática do aleitamento materno entre mães atendidas em Centros de Saúde do DF.
2015 ALGARVES et al., Revista Saúde em Foco Aleitamento Materno: Influência De Mitos E Crenças No Desmame

Precoce

Descrever os mitos e crenças que envolvem o aleitamento materno e sua influência no desmame precoce.
2015 AMARAL et al., Revista Gaúcha de Enfermagem Fatores que influenciam na interrupção do aleitamento materno exclusivo em nutrizes Identificar os fatores que podem influenciar as nutrizes na interrupção do aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida do lactente.
2015 BARBIERI et al., Ciências Biológicas e da Saúde Aleitamento materno: orientações recebidas no pré-natal, parto e puerpério Analisar as orientações sobre amamentação dadas pelos profissionais de saúde para as mulheres no pré-natal, parto e puerpério.
2015 CAMINHA et al., Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil Fatores de risco para a não amamentação: um estudo caso-controle analisar os fatores de risco para a não

amamentação em Pernambuco, Nordeste do Brasil, em 2006.

2015 GUIMARÃES, F.G.O. Universidade Federal de Minas Gerais Prevenção Do Desmame Precoce: Ações Na Atenção Primária Propor um plano de intervenção com o intuito de prevenir o desmame precoce em crianças de 0 a 6 meses identificadas na ESF “Heliodora Feliz” no município de Heliodora/MG.
2015 MASCARENHAS et al., Revista Paraense de Medicina A Percepção Das Puérperas Frente À Atuação Do Enfermeiro Na Promoção Do Aleitamento Materno Em Um Hospital Amigo Da Criança Do Estado Do Pará Analisar a percepção das puérperas frente à atuação do enfermeiro na promoção do aleitamento materno em um hospital amigo da criança do Estado do Pará.

 

2015 OLIVEIRA et al., Revista Gaúcha de Enfermagem Amamentação e as intercorrências que contribuem para o desmame precoce Conhecer a vivência de mães em relação à amamentação e as intercorrências que contribuem para o desmame precoce.
2017 CARVALHO et al., Ciência e Saúde Coletiva Fatores sociodemográficos, perinatais e comportamentais associados aos tipos de leite consumidos por crianças menores de seis meses: coorte de nascimento. Avaliar os fatores associados ao consumo de leite materno (LM), fórmulas lácteas (FL) e leite de vaca (LV).
2017 SANTOS et al., Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil Prevalência e fatores associados à interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo: metanálise de estudos epidemiológicos brasileiros Sumarizar estudos brasileiros que analisaram os fatores de risco para interrupção do aleitamento materno exclusivo (AME) antes dos seis meses de vida da criança.
2017 URBANETTO et al., Ciência, Cuidado e Saúde Orientações Recebidas Pelas Gestantes No Pré-Natal Acerca Da Amamentação Conhecer as orientações recebidas acerca da amamentação pelas gestantes no pré-natal.
2018 FERREIRA et al., Ciência e Saúde Coletiva Fatores Associados à Adesão ao Aleitamento Materno Exclusivo Verificar a associação entre variáveis maternas e aleitamento materno exclusivo em um ambulatório especializado do estado do Ceará, Brasil.

Fonte: Próprio autor, 2018.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A apresentação dos resultados e discussão foi realizada de forma descritiva, fornecendo ao enfermeiro subsídios na sua tomada de decisão cotidiana.

O PRÉ-NATAL É UM FATOR DE PROTEÇÃO CONTRA O DESMAME PRECOCE

Desmame é caracterizado pela introdução de qualquer tipo de alimento (natural ou artificial) na dieta de um bebê que se encontrava em regime de aleitamento materno exclusivo (AME). O período que compreende o desmame é aquele que vai desde a introdução de novos alimentos até a supressão completa do AME. O desmame precoce é aquele que se dá antes dos 6 meses de vida. (AMARAL et al., 2015)

As gestantes têm direito à saúde na gravidez com a realização de um pré-natal, um parto e um pós-parto de qualidade, é essencial que o profissionais que tenham contato com a gestante neste período, sobretudo a equipe de enfermagem, permitam à mulher expor suas preocupações, temores e expectativas e a partir desses conhecimentos, incrementar ações que irão auxiliá-la a superar as dificuldades que possam surgir durante o processo de amamentação (CHAVES, 2014; SILVA, 2014)

É fundamental e necessário garantir uma adequada assistência pré-natal, no sentido de prevenir, diagnosticar e tratar os eventos indesejáveis na gestação, visando ao bem-estar da gestante e de seu concepto, além de orientar quanto ao parto e puerpério.

É importante ressaltar que a prática da amamentação não é um ato natural e espontâneo, exige diferentes recursos para que supere a fase inicial de dificuldades e estabeleça o aleitamento materno (AM). As condições de vida, assistência à saúde, fatores familiares e individuais próprios para cada situação concreta podem atuar, isoladamente ou em conjunto, para determinar a grande variação de desfechos, em termos de duração e tipologias do AM. (ALBUQUERQUE, 2012; CHAVES, 2014; CAMINHA et al., 2015)

Amamentar ou não um filho constitui-se em uma tarefa que ultrapassa as barreiras do querer. O meio em que vive a nutris, sua condição financeira, nível de escolaridade, idade materna, exerce grande influência sobre a mãe em desmamar precocemente seu filho. (RODRIGUES et al., 2014)

IDADE MATERNA COMO FATOR DE RISCO PARA O DESMAME PRECOCE

É possível perceber na literatura que o baixo tempo de escolaridade da mãe esteve associado ao desmame precoce, ou seja, quanto maior o tempo de escolaridade maior o tempo de aleitamento natural. (CASTELLI et al., 2014; CAMINHA et al., 2015)

Martins et al., (2011) ressaltam ainda que a baixa escolaridade materna esteve associada à introdução de água e chá no primeiro dia de vida da criança, sendo um importante fator de risco para a interrupção do AME.

É imprescindível que a equipe que esteja realizando o pré-natal esteja atenta à idade da puérpera atendida, conscientizar e estruturar o grupo de mulheres adolescentes e jovens para que não ocorram desmotivação e desistência do AM torna-se desafio aos profissionais engajados nesta temática. Castelli et al. (2014) sinalizam que quanto menor a idade da gestante, menor é o conhecimento dela a respeito do AM e do AME. Neste contexto, a menor idade materna está relacionada à menor duração do aleitamento, talvez motivada por diversas dificuldades que a própria gravidez não planejada pode trazer.

SITUAÇÃO ECONÔMICA, CONDIÇÕES DE TRABALHO MATERNOS E SUA INFLUÊNCIA PARA O DESMAME PRECOCE

No Brasil, as mulheres de baixa renda foram as que menos procuraram os serviços de pré-natal e que tiveram um menor número de consultas, além de iniciá-lo mais tardiamente, resultando num menor índice de aleitamento materno entre elas. Além disso, mães com nível de escolaridade mais baixa tendem a introduzir precocemente os alimentos na dieta do bebê. (MARTINS et al., 2014; BARBIERI et al., 2015; CARVALHO et al., 2017)

O trabalho materno também pode ser um fator para a interrupção do AME e, consequentemente, para a introdução de outros tipos de leite, favorecida pela diminuição do contato entre a mãe e o bebê. Oliveira et al. (2015) ressaltam que a introdução precoce de outros tipos de leite (de origem animal ou fórmulas) aumenta a vulnerabilidade ao desenvolvimento de obesidade e outras doenças crônicas na infância, pois podem promover maior ganho de peso e adiposidade. (MACHADO et al., 2014; CASTELLI et al., 2014; BARBIERI et al., 2015)

Diversos autores referem que o trabalho materno só não é empecilho se houver condições favoráveis à manutenção do AME, como, por exemplo, respeito à licença gestante, creche ou condições para o aleitamento no local e horário do trabalho. Também é importante o fato de essa mãe ter ou não uma jornada dupla de trabalho, ou seja, se ocupar de todos os afazeres domésticos, além daqueles que seu trabalho fora do lar lhe solicita. Nesse caso, mais frequentemente, parece ocorrer o desmame. (OLIVEIRA et al., 2015; GUIMARÃES, 2015; CARVALHO et al., 2017; FERREIRA et al., 2018)

Uma atividade que deve entrar no planejamento estratégico para este grupo é a ordenha do leite materno, que, embora seja uma opção recomendada é uma prática pouco utilizada e pouco citada durante o período gravídico-puerperal, a insuficiência de informações quanto a ordenha e armazenamento adequado do leite materno, tema que geralmente não faz parte do senso comum e pouco falado no período pré-natal, pode ser fator de risco para o desmame precoce. (VIEIRA et al., 2010; ALBURQUERQUE et al., 2012; VETTORE et al., 2013; SANTOS et al., 2017; FERREIRA et al., 2018)

É importante orientar a gestante e divulgar a “Cartilha para a Mãe Trabalhadora que Amamenta”, criada pelo Ministério da Saúde, a fim de fornecer orientações a estas mães ainda no pré-natal, para que se possa através deste instrumento informá-las e orientá-las para que possam se empoderar e cobrar seus direitos, frente as empresas nas quais trabalham. (OLIVEIRA et al., 2015; URBANETTO et al., 2017; SANTOS et al., 2017)

Portanto, nutrizes que exercem atividade ocupacional fora do lar revelam um potencial grupo de risco para a descontinuidade do aleitamento materno precocemente, sendo então outro grupo que deve receber atenção específica dos profissionais que acompanharão o pré-natal, é necessária a realização de um planejamento de estratégias específicas que visam proteger a continuidade do aleitamento até os 6 meses de vida, por meio de apoio individualizado e sistematizado ao binômio mãe-bebê. (DEMITTO et al., 2010; NASCIMENTO et al., 2013; VETTORE et al., 2013; SANTOS et al., 2017; FERREIRA et al., 2018)

REDE DE APOIO E INFLUÊNCIA FAMILIAR

O ato de amamentar, além de não ser um ato simples e automático, é herdado culturalmente e influenciado pela família e pelo meio social em que as pessoas vivem através de costumes, crenças, estímulos culturais e tabus.

O AM ou a recusa raramente é um ato individual e consciente, estando preso à aprovação do seu grupo social. (MASCARENHAS et al., 2015) Família é por excelência o princípio da continuidade social e da conservação das tradições humanas. Ela é formadora de opinião; servindo de instrumento decisório quanto à instalação e manutenção do AME. (ALVARGUES et al., 2015)

Se, por parte da família da gestante não há apoio, ou quando se têm opiniões e históricos negativos com relação ao AM, a incidência ao desmame é extremamente maior. A mulher, especialmente a nutriz em meio às transformações que representa a maternidade, torna-se mais sensível às influências externas sobre os cuidados com seu filho e quanto sua devida nutrição, podendo por vezes se sentir insegura quanto a sua capacidade de nutrir plenamente seu filho e pode ter esta insegurança muitas vezes reforçada por pessoas próximas, que interpretam o choro do bebê e as mamadas frequentes como sinais de fome. (MACHADO et al., 2014; BARBIERI et al., 2015; URBANETTO et al. 2017)

Os profissionais de saúde e as pessoas que convivem com a nutriz têm influência no padrão exclusivo do aleitamento. Já a influência cultural das avós seja materna ou paterna, está intimamente ligada à duração e exclusividade do aleitamento materno. (CHAVES, 2014) Assim, torna-se necessário incluir todas as pessoas que comporão a rede de apoio a gestante em estratégias educativas e envolver suas vivências para torná-las apoiadoras da nova mãe.

É papel do profissional de saúde que estará em contato com a gestante a desmistificação da ideia de que a mulher é a única responsável pelo cuidado com seu filho, pois a mesma é quem pode engravidar e amamentar. Além do mais é necessário visar práticas de promoção ao aleitamento materno e incentivar o apoio da família durante a gravidez e amamentação, pois a rede familiar de apoio à mulher é essencial para a continuidade do AME. (PEREIRA et al., 2014; ALGARVES et al., 2015; CASTELLI et al., 2015)

No período pós-natal imediato e tardio as mulheres sofrem grande influência pelas crenças e hábitos familiares, portanto, é necessário que se implante um processo educativo de forma mais participativa, contínuo e melhor planejado desde o pré-natal, a fim de melhor capacitar essas mulheres para que sejam mães mais seguras e detentoras dos conhecimentos necessários para a manutenção do aleitamento de seus filhos. (PEREIRA et al., 2014; OLIVEIRA et al., 2015; CARVALHO et al., 2017)

PARIRADE E EXPERIÊNCIA MATERNA COMO FATORES E RISCO E PROTEÇÃO DO AME

As mulheres primíparas muitas vezes possuem mais queixas e dificuldades as que já tinham pelo menos um filho anterior. Quando a mulher tem uma experiência positiva com relação à amamentação, se predispõe a amamentar por mais tempo e exclusivamente o próximo filho. (CASTELLI et al., 2014; CARVALHO et al., 2017)

Ademais, primíparas estão associadas a um risco 41% maior de interromper o AME no primeiro mês quando comparadas às mães multíparas. A experiência prévia se encontra associada com uma maior duração da amamentação e a inexperiência é um grande fator de vulnerabilidade, podendo acarretar em insegurança e, ao deparar-se com dificuldades, esta pode ser levada ao desmame precoce. (BARBIERI et al., 2015; CASTELLI et al., 2015; OLIVEIRA et al., 2015; SANTOS et al., 2017)

Entretanto, o fato de ter uma experiência prévia, por si só, não garante a amamentação dos filhos subsequentes, já que cada nascimento ocorre em diferentes contextos. Portanto, não apenas as nulíparas correm o risco de desmame precoce; isto ocorrerá segundo o contexto vivido pela nutriz. (VIEIRA et al., 2010; SILVA, 2014)

Portanto, o incentivo e promoção do AME é de suma importância, desde o pré-natal, pelos profissionais de saúde, principalmente para as primigestas. Pois sentimentos de ansiedade e dúvidas podem influenciar negativamente nessa prática. (MACHADO et al., 2014; BARBIERI et al., 2015; MASCARENHAS et al., 2015)

DIFICULDADES RELACIONADAS À AMAMENTAÇÃO QUE PODEM DESENCADEAR O DESMAME PRECOCE

Mascarenhas et al. (2015), ressaltam que as dificuldades encontradas pelas puérperas na prática da amamentação são inúmeras, e dentre as principais causas para tal realidade, destacam-se: falhas no processo de orientação e falta de incentivo à amamentação desde o pré-natal.

A maioria dos problemas enfrentados pelas mães durante o processo de amamentação ocorre devido ao esvaziamento inadequado das mamas, decorrente do manejo incorreto da lactação, de horários fixos da mamada, do uso de mamadeira, uso de chupeta, e introdução de outros leites e líquidos. (NASCIMENTO et al., 2013; AMARAL et al., 2015; GUIMARÃES, 2015)

As intercorrências relacionadas à mama puerperal podem ser revertidas com técnicas adequadas de pega. A posição inadequada da mãe e/ou da criança durante o ato de amamentar dificulta o posicionamento correto da boca do bebê em relação ao mamilo e à aréola, resultando na “má pega” e assim, levando o aparecimento de fissuras mamilares, mamas ingurgitadas, mastite e diminuição da produção do leite, que podem levar ao desmame precoce. (NASCIMENTO et al., 2013; CHAVES, 2014; OLIVEIRA et al., 2015)

A amamentação sob livre demanda, que é quando bebê é colocado ao peito assim que apresenta sinais de fome, é um fator de proteção para o AM, pois estimula a produção adequada de leite e propicia o esvaziamento mamário frequente. Quaisquer fatores, maternos ou da criança, que limite o esvaziamento da mama pode causar diminuição na produção do leite. Por exemplo: mamadas infrequentes ou curtas, com horários pré-estabelecidos, ausências de mamadas noturnas, ingurgitamento mamário, uso de suplementos, uso de mamadeira, uso de chupeta. (VIEIRA et al., 2010; CHAVES, 2014; MASCARENHAS et al., 2015; ALGARVES et al., 2015)

O uso de bicos e chupetas já está muito enraizado em nossa cultura, e pode ocorrer mesmo em populações advertidas sobre seus prejuízos. Por isto, deve ser constantemente enfatizado. O processo de sucção na mama é diferente daquele em um bico de mamadeira ou chupeta, o seu uso pode levar à confusão de bicos, à dificuldade do bebê em pegar o peito, e consequentemente à redução na produção de leite materno. Lactentes que estão em aleitamento materno não devem receber bicos artificiais, pois pode alterar a dinâmica oral do neonato, afetar a frequência das mamadas, propiciar a transmissão de infecções devida higienização precária dos bicos, além de favorecer os traumas mamilares nas nutrizes. (NASCIMENTO et al., 2013; CHAVES, 2014; MASCARENHAS et al., 2015; OLIVEIRA et al., 2015)

O mito do leite fraco compõe a lista dos fatores de risco para o AME. Devido à insegurança pela falta de informação e/ou inexperiência mães podem crer que leite é fraco e não supre as necessidades nutricionais de seu filho. Este mito pode ser justificado devido à aparência aguada do leite materno, quando comparado com o leite de vaca. Essa aparência deve-se ao fato do leite materno ter, em sua composição, alto teor de água e, por desinformação, as mães acreditam que produzem um alimento aquém do que o filho necessita. (ALVARGUES et al., 2015; FERREIRA et al., 2018)

Portanto, a composição e características do leite materno deve ser assunto abordado nas consultas de pré-natal para que dotada de conhecimento a mãe não desmame seu bebê por tal crença. Pois quando não orientada, a mãe pode introduzir precocemente leites e outros líquidos na dieta de seu filho.

De acordo com Alvargues e colaboradores (2015), a administração de líquidos antes dos 6 meses de vida da criança é desnecessária e prejudicial, pois o leite materno apresenta características nutricionais suficientes e adequadas para a nutrição do bebê. Águas e chás podem confundir a saciedade dele, que pode diminuir a quantidade de mamadas e consequentemente a produção de leite materno. Além do mais, a introdução precoce de leites e líquidos favorece o risco de diarreia e infecções associadas a utilização de bicos artificiais. Vieira et al. (2010), evidenciam que “o uso de chupeta diminui o número de mamadas por dia, podendo ser um indicativo da vontade materna de desmamar, e está associado ao desmame no primeiro mês de vida.”

Essas orientações, se fornecidas durante as consultas de pré-natal podem ajudar na decisão da mulher pelo aleitamento materno, além de ser fator de proteção pela sua duração e exclusividade.

ATUAÇÃO DOS PROFISSIONAIS COMO FATOR DE PROTEÇÃO AO AME

Dentre as diferentes formas de cuidar do ser, a promoção de saúde é fundamental, a prática da educação em saúde é uma estratégia para que a prevenção ocorra. Esta estratégia mostra caminhos, fornece uma consciência crítica sobre conceitos e valores, busca de autonomia dos sujeitos, podendo ser adaptada aos conhecimentos anteriores de cada indivíduo, devendo ser utilizada como instrumento para gerar novas formas de estruturação de cuidados à saúde. O profissional de enfermagem tem papel estratégico neste cenário, pois, é um importante agente de ações educativas voltadas para promoção, incentivo e apoio ao aleitamento materno, além de prestar o cuidado à gestante, à puérpera e ao recém-nascido. (CHAVES et al., 2014; GUIMARÃES et al., 2015; AMARAL et al., 2015; SANTOS et al., 2017)

O potencial da informação reverberar devido às muitas tecnologias de comunicação é enorme. Contudo, quando se trata de amamentação, muitas vezes os conhecimentos são transmitidos de forma fracionada e reducionista, reafirmando os benefícios do leite materno para a saúde da criança, minimizando a figura da mulher e seu protagonismo nesse evento e sendo insuficiente em orientar as técnicas corretas do preparo das mamas e as condutas pertinentes que permeiam o ato de amamentar, ações que estão sendo insuficientes em assegurar a continuidade do aleitamento materno no tempo recomendado. (OLIVEIRA et al., 2015; GUIMARÃES et al., 2015; SANTOS et al., 2017)

Receber informações erradas pode levar as mães ao afastamento do aleitamento materno. É necessário que os profissionais de saúde estejam preparados, buscando ter mais conhecimento e aumento das suas competências, para passar as orientações adequadas e corretas para as gestantes e lactantes, de modo a serem estimuladores da prática da amamentação, evitando o desmame precoce. (BARBIERI et al., 2015; ALGARVES et al., 2015; URBANETTO et al., 2017)

Entretanto, não bastam apenas as informações sobre as vantagens do AME, a mulher precisa contar com o apoio de um profissional habilitado a orientá-la sobre a prevenção dos principais problemas decorrentes da lactação e a ajudá-la, se necessário.

Portanto, além do conhecimento em aleitamento materno, o profissional precisa ter habilidade em se comunicar eficientemente com ela, principalmente, seus conceitos vêm influenciados por uma forte herança cultural. (GUIMARÃES, 2015; ALGARVES et al., 2015; FERREIRA et al., 2018)

O pré-natal é o melhor momento para orientar as mulheres quanto à prática do AME, pois é o período de maior contato entre elas e os profissionais de saúde, onde elas oferecem confiança a eles. É nessa etapa que a gestante irá aprender as vantagens que o aleitamento materno traz, por meio das orientações recebidas, por isso o incentivo à amamentação é de grande relevância (CHAVES, 2014; SILVA, 2014)

Para que possa exercer seu papel de forma eficaz, o profissional de saúde deve ter conhecimentos, atitudes e habilidades específicas. Para que possa garantir que a mulher que receba seu atendimento possa ser auxiliada a viver a amamentação de forma saudável, integrada com o bebê e consigo mesma, podendo amamentar seu filho em todos os sentidos: biológico, sensorial e psíquico.

Devem ainda, promover o empoderamento das mulheres, com conhecimento do que fazer e de como agir, evitando as preocupações desnecessárias e as complicações por falta de informação; para que possam vivenciar com dignidade, segurança e autonomia a gestação, parto e pós-parto; além de realizar uma assistência humanizada favorecendo um ambiente acolhedor. (PEREIRA et al., 2014; URBANETTO et al., 2017)

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de várias evidências científicas que mostram o grande benefício do aleitamento materno nos primeiros meses de vida, no Brasil a prevalência do aleitamento materno exclusivo ainda é aquém do recomendado. São muitos fatores de risco, dúvidas e inseguranças que circundam a gestante quanto a escolha do tipo de aleitamento e sua duração.

O acompanhamento do binômio mãe-bebê pela Unidade Básica de Saúde também contribui bastante para a manutenção do aleitamento materno, uma vez que os profissionais têm um envolvimento maior com a família e ao longo do período de lactação podem reforçar orientações, sanar questionamentos e dúvidas e assim tentar evitar casos de desmame precoce. A quantidade e a qualidade das informações, aliadas a um adequado suporte psicoemocional da família e da equipe multidisciplinar, são fundamentais para minimizar a ansiedade da mulher. Deve-se proporcionar a criação de vínculos, diálogo e a participação ativa das mulheres.

Sendo assim, o ato de amamentar mantém-se no foco de discussões e desafia os serviços de saúde, é necessário nortear o planejamento de ações locais e que se fortaleça o conhecimento estabelecido, estando alerta aos sinais de risco para a interrupção precoce do aleitamento. Os profissionais de saúde desempenham papel fundamental nesse processo, promovendo ações de educação em saúde que oriente desde o pré-natal a importância da amamentação.

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[1] Enfermeira. Pós-graduanda em Saúde Pública com ênfase em Estratégia Saúde da Família, turma 17, do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição – CEEN.

Enviado: Dezembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

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