Tuberculose: Uma Reflexão Sobre o Papel do Enfermeiro na Saúde Pública

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GUIMARÃES, Mateus Henrique Dias [1]

GUIMARÃES, Mateus Henrique Dias. Tuberculose: Uma Reflexão Sobre o Papel do Enfermeiro na Saúde Pública. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 2, Vol. 15. pp 54-62., fevereiro de 2017. ISSN: 2448-0959

RESUMO

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa que afeta prioritariamente os pulmões e que pode levar à morte, embora possa acometer outros órgãos e sistemas. Representa um problema de saúde pública no mundo. O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura com o objetivo de descrever qual o papel do enfermeiro no cuidado do paciente com tuberculose, no âmbito da saúde pública. Para a realização do estudo utilizou-se periódicos da saúde e de bases de dados como: Scientific Eletronic Library Online – (Scielo), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), bem como dados Organização Mundial de Saúde, Guias do Ministério da Saúde e Cadernos de Atenção Básica. O presente estudo ressalta o enfermeiro, como um dos profissionais atuantes na saúde, contribuindo para a melhoria na qualidade da assistência prestada ao cliente, estando preparado para desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo.

Palavras-chave: Tuberculose, Saúde Pública.

 1. INTRODUÇÃO

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa que afeta prioritariamente os pulmões e que pode levar à morte, embora possa acometer outros órgãos e sistemas (FERRI ET AL, 2014). Na década de 1990, foi considerada como problema de saúde de emergência global pela OMS, tendo em vista o aumento da incidência e da mortalidade por uma doença tratável e curável (BRASIL, 2011). Representa um problema de saúde pública no mundo. A apresentação pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é a principal responsável pela transmissão da doença (BERTOLOZZI MR ET AL, 2014; BERTOLOZZI MR ET AL, 2014).

A tuberculose pode ser causada por uma das 7 espécies de mycobacterium que integram o complexo do mycobacteruim tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae. No entanto, de acordo com o Guia de Vigilância em Saúde, do ponto de vista sanitário, a espécie mais importante e a M. tuberculosis (BRASIL, 2014).

Mycobacterium tuberculosis é também denominado de Bacilo de Koch, que inaladas por pessoas sadias, provocam a infecção tuberculosa e o risco de desenvolver a doença (BRASIL, 2002).

Em alguns locais o M. bovis é o principal agente causador da doença já no Brasil, não existem estimativas sobre a proporção de pacientes com tuberculose causada pelo M. bovis. A ocorrência é mais frequente em comunidades que consomem leite e derivados não pasteurizados ou fervidos de rebanho bovino infectado, em pacientes que residem em áreas rurais e profissionais do campo (veterinários, ordenhadores, funcionários de matadouros, entre outros). No entanto, é importante que o sistema de saúde esteja atento à possibilidade de ocorrência desse evento (BRASIL, 2014).

O Principal reservatório é o ser humano. Outros reservatórios possíveis são: gado bovino, primatas e outros mamíferos (BRASIL, 2014).

É uma doença de transmissão aérea, ou seja, que ocorre a partir da inalação de aerossóis. Ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, as pessoas com tuberculose ativa lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos de Koch (BRASIL, 2014).

A pessoa sadia, no ambiente contaminado, inala gotículas, com o Bacilo de Koch, dispersas no ar, procedentes de secreção respiratória que o indivíduo doente expele ao tossir, espirrar ou falar. O bacilo inalado se implantará num local do pulmão que em poucas semanas, pequena inflamação ocorrerá na zona de implantação, como resposta do sistema imunológico, a infecção começa quando os bacilos atingem os alvéolos pulmonares. É o primeiro contato do germe com o organismo. Esse processo de primeiro contato do germe com o organismo e a reação inflamatória que ocorre é denominada de primoinfecção. Depois disso, essa bactéria pode se espalhar e se alojar em vários locais do corpo. Se o sistema de defesa do organismo estiver com boa vigilância, na maioria dos casos, o bacilo não causará doença, ficará sem atividade (infecção latente). Os bacilos ficam protegidos e latentes dentro do granuloma, mantidos pela resposta imune. Se, em algum momento da vida, o sistema de defesa diminuir, o bacilo que estava no período latente poderá entrar em atividade e causar doença com a manifestação subsequente de sinais e sintomas (BRASIL, 2011; FERRI, 2012; BERTOLOZZI MR ET AL, 2014).

Os sintomas mais comumente da doença pulmonar ativa são tosse, às vezes, com muco ou sangue, dor torácica, astenia ou cansaço, perda de peso, febre e sudorese noturna, se o paciente apresentar tosse sanguinolenta pode estar associado a estágios finais ou tardios da tuberculose. Na forma latente, não há manifestação de sintomas (CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION, 2012; BRASIL, 2010).

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013) (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2013) a tuberculose é a segunda maior causa de óbitos no mundo, ficando atrás apenas do HIV. Em 2011, 8,7 milhões de pessoas adquiriram a doença e 1,4 milhões morreram devido a essa enfermidade. No Brasil, também em 2011, a prevalência foi em torno de 91 mil casos, as mortes estimadas foram em torno de 5,6 mil, com 71, 337 novos casos notificados. No entanto incidência da tuberculose ainda é alta, mas o número de novos casos está diminuindo gradualmente a cada ano se comparado nos anteriores, segundo a OMS (2013).

O desenvolvimento da doença está relacionado com as condições de vida das populações, onde os fatores de risco também representam números maiores de chances de adoecimento, dentre eles podemos citar: o contato com pessoas doentes, aglomerações populacionais, condições socioeconômicas precárias, exposição profissional, desnutrição, alcoolismo ou dependência química, doenças ou doenças imunossupressoras (TURCHI, 2012). No entanto, populações vulneráveis e vivendo em grandes cidades apresentam taxas de incidência maiores do que a média da população geral (PILLER RVB, 2012), conforme o quadro abaixo que representa alguns grupos populacionais, devido as suas condições de saúde e de vida e risco de adoecimento por tuberculose comparado ao risco da população em geral.

População Vulnerável Risco de Adoecimento
Indígenas 3 x maior
Situação carcerária 25 x maior
Portadores de HIV/AIDS 35 x maior
Situação de rua 67 x maior

Fonte: Sinam (2013); Piller RVB (2012); Guia de Vigilância em saúde (2014)

Com o aumento da cobertura da Estratégia Saúde da Família, onde se desenvolve ações de busca ativa, controle e tratamento da tuberculose, aliada a melhorias na rede laboratorial e a implantação de métodos diagnósticos rápidos, é possível visualizar um cenário favorável para a melhoria da atual situação epidemiológica da tuberculose (PILLER RVB, 2012).

Para o diagnóstico da tuberculose é colhida a história clínica (anamnese e exame físico), baciloscopia, exame radiológico e prova tuberculínica. Na história clínica são considerados sinais e sintomas, contato intra-domiciliar ou não com pessoa com tuberculose, história de tratamento anterior e presença de fatores de risco para o desenvolvimento da doença, e transmissão à sociedade (BRASIL, 2011a).

O enfermeiro deve ser capacitado para ações de controle da tuberculose, deve o profissional identificar informações clínicas, epidemiológicas e sociais dos suspeitos da enfermidade e tomar providências para o esclarecimento do diagnóstico (BRASIL, 2011a).

As equipes de saúde têm um papel muito importante junto ao doente, pois ao adotarem as medidas necessárias criam vínculo aumentando a probabilidade de cura (BRASIL, 2010).

Assim o objetivo do presente estudo é descrever qual o papel do enfermeiro no cuidado do paciente com tuberculose, no âmbito da saúde pública.

2. METODOLOGIA

Realizou-se uma revisão de literatura, buscando artigos científicos oriundos de periódicos da saúde e de bases de dados como: Scientific Eletronic Library Online – (Scielo), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), onde toda vez que tiver citações diretas ou indiretas, o autor será citado conforme a referência bibliográfica. Como estratégias de busca, foram utilizados descritores do assunto contidos nos Descritores em Ciências da Saúde – DeCS, a saber: Tuberculose. Saúde Pública. Foram selecionados artigos dos últimos cinco anos.

Os dados foram coletados em Janeiro de 2017, foram selecionados 10 artigos. Delinearam-se como critérios de elegibilidade: estudos completos publicados com resumos disponíveis em língua inglesa, e língua portuguesa, também foram consultados dados sobre tuberculose da Organização Mundial de Saúde, Guias do Ministério da Saúde e Cadernos de Atenção Básica.

3. DISCUSSÕES

O sistema único de saúde tem por finalidade realizar em seu âmbito, nos serviços de saúde, ações de promoção de saúde, vigilância em saúde, controle de vetores e educação sanitária, além de assegurar a continuidade do cuidado nos níveis primário, ambulatorial especializado e hospitalar. A consulta de enfermagem, atendimento direto à clientela, suporte de exames laboratoriais de rotina e da prescrição medicamentosa padronizada, educação em saúde, sendo essas ações desenvolvidas quer no nível individual ou coletivo, ou trabalhando junto à comunidade, são ações que representam a enfermagem na saúde pública que tem na sua atuação um amplo espaço de desenvolvimento para a sua ação diária (COSTA ET AL, 2015).

Os profissionais que atuam na Saúde Pública devem estar preparados e/ou capacitados para desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde. O papel do profissional de enfermagem é reconhecido pela capacidade e habilidade que possui para compreender o ser humano holisticamente, pela integralidade da assistência à saúde e pela capacidade de acolher e identificar-se com as necessidades da comunidade (COSTA ET AL, 2015). No entanto, todas as ações de enfermagem devem estar pautadas nos princípios do SUS, tendo em consciência que suas respectivas ações devem promover a integralidade da assistência, de forma humanizada.

O profissional enfermeiro que trabalha na saúde pública, “digo de um modo mais abrangente pôr a saúde pública estar ligada a Saúde da Família”, durante o tratamento ao paciente com tuberculose, deve este estabelecer vínculo com a população, doente e equipe, os denominados fatores de risco, facilitando o acesso do usuário, maior adaptação da população a situação vivenciada e assim diminuir os riscos de transmissão devidos os agravos da doença (MONTENEGRO, 2009).

A assistência ofertada ao usuário portador da tuberculose só poderá ser de forma integral se realizada a um pequeno grupo da comunidade se ofertada maneira isoladamente. O trabalho do enfermeiro na direção de uma equipe possibilita a ampliação das atividades de enfermagem. Como consequência temos o aumento da cobertura da população beneficiada por essa assistência, que será eficiente na medida em que o pessoal auxiliar for adequadamente preparado e supervisionado, responsabilidades estas do enfermeiro.

Segundo Oblitas (et al, 2010) as intervenções de enfermagem são enfocadas desde o desenho das políticas públicas, que permeia em trabalho com base em estudos epidemiológicos, até a assistência direta e a educação dos usuários no plano operativo. O referente autor ainda cita que diferentes instituições profissionais da enfermagem podem desenvolver atuação decisiva para a abordagem integral do problema, no âmbito nacional e internacional, devendo, para isso, estabelecer redes de apoio integradas às dimensões educativas, social, técnica e política.

4. CONCLUSÃO

A Tuberculose é uma doença de notificação compulsória e persiste como problema de Saúde Pública. O maior número de incidências mostra nos grupos que apresentam vulnerabilidades, pois se torna um fator de risco a alguns grupos populacionais, devido as suas condições de saúde e de vida e risco de adoecimento por tuberculose comparado ao risco da população em geral.

Como um dos profissionais atuantes na saúde, o enfermeiro contribui para a melhoria na qualidade da assistência prestada ao cliente, estando preparado para desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo, onde o mesmo deve compreender que o adoecimento se deve as condições de vida, definidas pela inserção social, e vulnerabilidades, tanto pessoais como coletivas. Assim o enfermeiro na saúde pública deve compreender a abordagem do processo saúde-doença permitirá a compreensão da situação de saúde do paciente, do território onde vive e das possibilidades para a superação dos diversos contextos de vulnerabilidade.

As ações do enfermeiro na saúde pública incluem além da prevenção, a notificação compulsória, a identificação de comunicantes e o monitoramento do tratamento do paciente. Apresentam-se, ainda, aspectos sobre a epidemiologia, clínica, tratamento e ações de prevenção.

REFERÊNCIAS

Bertolozzi MR, et al. O controle da tuberculose: um desafio para a saúde pública.  Rev Med (São Paulo). 2014 abr.-jun.;93(2):83-9.

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, Programa Nacional de Controle da Tuberculose, 2010.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Tuberculose na Atenção Primária à Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2011.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde.Guia de Vigilância em Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2014.

CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Tuberculosis (TB). 2012. Disponivel em: <http://www.cdc.gov/tb/topic/basics/default.htm>. Acesso em: 04 jan. 2017.

COSTA, A.C.M et al. O Papel do enfermeiro na saúde pública. S A N A R E, ISSNe:2317-7748, V.14 – Suplemento 1 – COPISP – 2015.

FERRI, A. O. et al. Revista Liberato, Novo Hamburgo, v. 15, n. 24, p. 105-212, jul./dez. 2014.

Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica. Manual Técnico para o Controle da Tuberculose. Brasília, DF, 2002.

Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de Recomendações para o controle da tuberculose no Brasil – Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011ª.

MONTENEGRO, HRA; FILHO AJA; SANTOS, TCF; LOURENÇO, LHSC. A enfermeira diplomada e a luta contra tuberculose no Brasil: 1961- 1966. Rev Esc Enferm USP, v.43, n.4, p.945-52, 2009.

TURCHI, M. D. Tuberculose. In: PORTO, C. C. Vademecum de clínica médica. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, p. 987-991, 2012.

WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2012. Global tuberculosis report. 2012. Disponivel em:<http:// www.who.int/publications/guidelines/tuberculosis/en/>. Acesso em: 04 jan. 2017.

[1] Graduado em Enfermagem pela Faculdade de Aracaju – FACAR, Aracaju, Sergipe, Brasil.

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