ARTIGO ORIGINAL
VIEIRA, Wellington Dorigheto Andrade [1], CAMPOS, Maria Inês da Cruz [2], CHAVES, Maria das Graças Afonso Miranda [3]
VIEIRA, Wellington Dorigheto Andrade; CAMPOS, Maria Inês da Cruz; CHAVES, Maria das Graças Afonso Miranda. Mucosite oral quimioinduzida em ratos Wistar utilizando a fotobiomodulação extraoral: estudo piloto. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 10, Ed. 11, Vol. 01. pp 63-83, Novembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/mucosite-oral-quimioinduzida, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/mucosite-oral-quimioinduzida
RESUMO
Introdução: A Mucosite Oral (MO) é vista como um problema de saúde pública, pois é considerada uma síndrome que se caracteriza por lesões ulcerativas que acometem a cavidade oral de pacientes em tratamento antineoplásico. A Fotobiomodulação (FBM) pode reduzir sua gravidade. Objetivo: Conhecer o efeito da FBM infravermelha aplicada por no máximo vinte dias na região externa da bochecha de ratos Wistar antes e durante a indução de MO por 5-Fluorouracil (5-FU) sem o uso de sedação em animais sob contenção física. Método: Foram utilizados vinte ratos Wistar distribuídos em três grupos: G1 (controle, n = 4), que receberam simulação da aplicação tópica da FBM (aparelho desligado) extraoral nas mucosas jugais, a partir do início da pesquisa, durante vinte dias, previamente e durante o desenvolvimento da MO; G2 (n = 8), administração tópica da FBM com emissão de luz infravermelha na região externa da mucosa jugal (região das bochechas), por 15 dias antes da indução de MO, e; G3 (n = 8), administração tópica da FBM com emissão de luz infravermelha na região externa da mucosa jugal (região das bochechas), antes e durante da indução de MO durante vinte dias. Resultados: O G1 (controle) apresentou lesões ulcerativas ao exame macroscópico e com áreas eritematosas e hiperemia. Os grupos (G2 e G3) que receberam a FBM com emissão de luz infravermelha não desenvolveram lesões clinicamente e apresentaram, histologicamente, revestimento epitelial normal, sem úlceras e ausência de óbitos. Conclusão: Via extraoral, a FBM com emissão de luz infravermelha é um método de fácil aplicação, previne a MO quando administrada antes e durante o tratamento antineoplásico, aumentando a sobrevida dos animais, sem a utilização de sedação e sob contenção física.
Palavras-chave: Mucosite Oral, Tratamento Primário, Fotobiomodulação, Agente Antineoplásico.
1. INTRODUÇÃO
A incidência clínica da Mucosite Oral (MO) depende da localização anatômica do tumor e o protocolo de Quimioterapia (QT) e/ou Radioterapia (RT). A prevalência dessa condição tem sido descrita em cerca de 40 a 80% dos pacientes fizeram tratamento de QT, o que pode aproximar a 100% daqueles que trataram tanto com a QT quanto com a RT ou, em pacientes que receberam altas doses de QT, transplante de medula óssea e RT de cabeça e pescoço (Cinausero et al., 2017; Medeiros et al., 2011; Shimamura et al., 2018).
O objetivo do tratamento antineoplásico, seja por QT ou RT, é a inibição da divisão celular nos sítios celulares anormais. Entretanto, seu efeito não está ligado somente às células doentes, ou seja, além de atuar sobre as células neoplásicas, acabam destruindo células consideradas saudáveis no processo, pelo fato de não haver uma seleção das células cancerígenas e saudáveis. As células saudáveis normais, como as da mucosa bucal, gástricas e hematopoiéticas sofrem danos teciduais, originando feridas na superfície do tecido, Devido a alta capacidade mitótica, a mucosa é rapidamente afetada ao tratamento antineoplásico, dado o fato de os quimioterápicos interferirem no processo de proliferação e divisão celular (Kirk et al., 2018; Shimamura et al., 2018).
Como efeito colateral dos quimioterápicos, ocorre dano do tecido tecidual dificultando a replicação do Ácido Desoxirribonucleico (DNA) e, portanto, a propagação celular da mucosa oral é bloqueada. Alterações na histopatologia que induzem a ulceração resultam da atrofia da mucosa oral devido à deterioração do colágeno na matriz extracelular da lâmina própria e da ausência de proliferação de células-tronco do epitélio para a reparação do revestimento (Ferreira et al., 2012; Santos; Magalhães, 2006).
Entre as alterações que ocorrem na MO encontra-se a variação da cor da mucosa que cobre a cavidade oral, ficando esbranquiçada devido à descamação da queratina. Na sequência, esta camada é substituída por uma mucosa mais fina, ocasionando edema e eritema, acompanhada por ulceração no tecido acometido, que na grande maioria, são recobertas por uma pseudomembrana fibrinosa, amarelada e removível (Lalla; Sonis; Peterson, 2008).
A forma clínica pode ser alterada por diversas causas como irritações físicas e químicas na mucosa, traumas, infecções e disfunções das glândulas salivares, bem como a queda da imunidade. Também a toxicidade de medicamentos implica no comprometimento da mucosa oral impedindo a reparação das lesões (Da Cruz Campos et al., 2021; Owlia; Kazemeini; Gholami, 2012). Além disso, próteses mal adaptadas, restaurações imperfeitas ou dentes fragmentados também podem favorecer para o agravamento das lesões (Campos et al., 2014; Sonis et al., 1990). Alguns autores (Keefe et al., 2007; McCarthy et al., 1998; Schirmer; Ferrari; Trindade, 2012; Vanderhoof et al., 1990) relataram que existe uma forte correlação entre as ulcerações e uma higiene oral insatisfatória. Assim, ao resolver as necessidades dentárias e periodontais, em conjunto com uma adequada higiene oral, observa-se uma expressiva diminuição das complicações orais, ainda que o paciente esteja sob protocolos de QT (Keefe et al., 2007; McCarthy et al., 1998; Schirmer; Ferrari; Trindade, 2012; Vanderhoof et al., 1990).
Motivada pela consistência de tecnologias contemporâneas, a Odontologia tem apresentado marcantes evoluções, ampliando e promovendo a qualidade do cuidado oferecido com as alternativas de tratamentos. E, segundo Firoozi et al. (2024), entre essas singularidades, destaca-se a Fotobiomodulação (FBM), também designada Laser de Baixa Intensidade (LIB), que utiliza luz com comprimentos específicos de onda, especialmente nas faixas do vermelho e infravermelho, desprovida de ação térmica nociva, ativando respostas biológicas benéficas nos tecidos (Rodriguez Salazar et al., 2023).
A resposta fisiológica da FBM ocorre da integração entre a luz e os constituintes intracelulares, com distinção na enzima citocromo C oxidase, que engloba a cadeia respiratória das mitocôndrias. Essa interação decorre de uma produção elevada de Adenosina Trifosfato (ATP), induz Espécies Reativas de Oxigênio (ROS), favorece a liberação de fatores de crescimento e provoca transformações na expressão gênica (Maghfour et al., 2024). Alguns autores (Kuffler, 2016; Lipko, 2022) descreveram que é notada uma conversão do processo inflamatório, estímulo do reparo tecidual, analgesia e a potencialização do metabolismo celular. Esses resultados positivos colocam a FBM como um dispositivo terapêutico com potencial e de substancial utilização clínica, contanto que sejam empregadas especificações pertinentes relacionadas à dosagem, tempo e periodicidade das aplicações.
A Estomatologia é uma das áreas da Odontologia de maior suporte clínico no manejo da MO provocada por QT ou RT com indicação para uso da FBM. Para alguns pesquisadores como Merigo et al. (2019) e Zadik et al. (2019), nas fases iniciais da MO, a aplicação da FBM pode reduzir consideravelmente o tempo de cicatrização das lesões, minimizar a dor e interromper a progressão do quadro clínico. Essa conduta beneficia a manutenção da alimentação e da fala, trazendo melhoria na Qualidade de Vida (QV) dos pacientes, proporcionando aos mesmos, o seguimento do tratamento oncológico.
Na Odontologia, a FBM demonstra variadas aplicabilidades viabilizando respostas positivas, como redução da inflamação e da dor, demonstrando evolução da resposta celular, com potencial capaz de regredir a lesão favorecendo a regeneração dos tecidos. A FBM recebe evidência com utilização nas especialidades odontológicas: Patologia Oral, Cirurgia Maxilofacial, Endodontia, Periodontia e Ortodontia e cirurgia maxilofacial (Faria et al., 2020).
Em hospitais oncológicos, através das aplicações tópicas de FBM, têm sido concretizados diferentes tratamentos na parte externa da face (Adnan et al., 2021; De Lima et al., 2020; Gondim; Souza, 2021). A MO, condição marcada por lesões ulcerativas que afetam a cavidade oral de pacientes em tratamentos com QT ou RT, pode ocasionar dor severa e prejudicar a fala e a alimentação, afastando o paciente do tratamento oncológico (Adnan et al., 2021). Consequentemente, o ciclo das terapias antineoplásicas é alterado, revertendo em um acontecimento complicador da recuperação do paciente. As lesões orais podem oportunizar o desenvolvimento de lesões secundárias, acarretando, em casos graves, a morte do paciente (De Lima et al., 2020; Gondim; Souza, 2021).
Estudos (Campos et al., 2015; Da Cruz Campos et al., 2021) sobre MO induzida por 5-Fluorouracil (5-FU) utilizando ratos Wistar, foi ressaltado que estes animais exibem características histopatológicas da cavidade oral similares à de humanos. Da mesma forma, Vieira, Nagato e Campos (2019) descreveram que a experimentação com rato Wistar foi também possível observar características clínicas da MO (áreas eritematosas, hiperemia, lesões ulcerativas recobertas ou não por uma pseudomembrana fibrinosa amarelada ou branca) que são exibidas em humanos. Acrescentaram que estes animais são de simples manejo em virtude do tamanho corporal, não possuem a bolsa retrofaríngea como o hamster e sua aquisição é de baixo custo.
Frente ao revelado, este estudo piloto avaliou o efeito tópico da FBM infravermelha aplicada, por no máximo vinte dias, na região externa da bochecha de ratos Wistar antes e durante a indução de MO por 5-Fluorouracil (5-FU) sem o uso de sedação em animais sob contenção física.
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo piloto, experimental, conduzido de acordo com as diretrizes do grupo Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT) e pela Declaração de Helsinque da World Medical Association.
Toda experimentação foi aprovada pelo Comitê de Ética em Uso Animal (CEUA) da Universidade de Federal de Juiz de Fora (UFJF) por meio do protocolo nº. 030/2022.
Os protocolos experimentais e procedimentos laboratoriais, manipulação dos animais, organização e coleta de materiais orgânicos, foram realizados no Centro de Biologia da Reprodução da Universidade Federal de Juiz de Fora (CBR/UFJF). A confecção das lâminas histológicas foram realizadas no Departamento de Morfologia do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFJF.
2.1 INDUÇÃO DA MO E FBM
A indução da MO consiste na contenção física do animal (Figura 1A), aplicação intraperitoneal do quimioterápico 5-FU (Figura 1B) e realização da escarificação das mucosas jugais, com a ponta de uma agulha romba estéril (Figura 1C). Esta escarificação tem o objetivo de mimetizar o contato dos dentes posteriores dos ratos na mucosa, sem o intuito de causar feridas.
Figura 1: Contenção física, aplicação do 5-FU e escarificação dos animais

O tratamento foi feito através da FBM, seguindo os seguintes parâmetros (Figura 2): Equipamento: Laser Duo (MM Optics®, São Carlos-SP, Brasil); Área de aplicação: dois pontos distintos da bochecha; Aplicação: diária; Período: manhã; Zpot: 3mm2; T: 20 segundos; Potência: 100 Mw; Energia: 100 J e Dose: 6 J/cm2; Luz: Infravermelha e Comprimento de onda: 808 nm.
Figura 2: Tratamento com fotobiomodulação

2.2 ANIMAIS
Foram utilizados ratos Wistar machos (Rattus novergicus) (N = 20) com aproximadamente vinte semanas de idade e peso corporal entre 250 e 300 g. Todos os animais permaneceram nas mesmas condições ambientais durante os experimentos, sendo alojados em caixas de polipropileno, em condições controladas de temperatura e ar, e respeitando o ciclo de iluminação indicada pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA). A ração e água foram disponibilizadas ad libitum. Os mesmos foram distribuídos em três grupos:
- G1 (controle, n = 4): animais com MO quimioinduzida, que receberam a simulação de aplicação tópica (aparelho desligado) da FBM, na parte externa da face (região das bochechas) em dois pontos distintos, previamente e durante a indução da MO por vinte dias.
- G2 (n = 8): animais com MO quimioinduzida, que receberam aplicação tópica da FBM, na região externa das bochechas, em dois pontos distintos, previamente à indução da MO, durante 15 dias;
- G3 (n = 8) animais com MO quimioinduzida, que receberam aplicação tópica da FBM na região externa das bochechas, em dois pontos distintos, previamente e durante a indução da MO, durante vinte dias.
Todo o delineamento experimental com datas de aplicação de medicamentos, escarificação e eutanásias estão apresentados na Figura 3.
Figura 3: Delineamento experimental do estudo da MO quimioinduzida pelo 5-FU

3. RESULTADOS
Todos os procedimentos foram realizados sem a necessidade de anestesiar os animais com intuito de evitar a sedação, com Quetamina e Xilazina. Os animais foram contidos fisicamente para as etapas de aplicação tópica da FBM, aplicação intraperitoneal do quimioterápico 5-FU e escarificação das mucosas jugais. Este método de contenção diminui o nível de estresse do animal e melhora suas condições físicas, diminuindo os efeitos colaterais da QT que são exacerbados quando utilizados anestésicos para sedação (Vieira et al., 2021).
Os animais do G1 (controle) que receberam simulação da aplicação tópica da FBM extraoral com o aparelho de laser desligado, apresentaram lesões ulcerativas de tamanho variado com presença de áreas eritematosas, hiperemia, ausência de hemorragia e de áreas de necrose. Houve óbito de um animal neste grupo durante o experimento (Figuras 4A, B e C).
Os animais do G2 que receberam FBM pontual com emissão de luz infravermelha, extraoral, por 15 dias, não apresentaram lesões ulcerativas, porém foram detectadas extensa área eritematosa (Figuras 4D, E e F).
Os animais do G3 que receberam FBM com emissão de luz infravermelha, extraoral, durante vinte dias, não apresentaram lesões ulcerativas e nem áreas eritematosas, apresentando um epitélio de revestimento completamente preservado (Figuras 4G, H e I).
Figura 4: Fotografias da mucosa jugal dos animais dos três grupos

3.1 ANÁLISE HISTOLÓGICA DAS MUCOSAS
Todas as amostras das bochechas foram incluídas no sentido de apresentar a área escarificada, ou seja, de modo a abranger toda a área correspondente ao epitélio de revestimento bucal e lâmina própria, em profundidade. As amostras de todos os grupos foram preparadas de maneira convencional e coradas por Hematoxilina e Eosina (HE).
As lâminas histológicas foram analisadas em microscópio Zeiss® (Hallbergmoos, Alemanha) em aumentos de 50, 100 e 400X, em toda sua extensão, por dois diferentes observadores com experiência e formação em histopatologia, para avaliação descritiva das características gerais histopatológicas da lesão. A partir desta avaliação, foram selecionadas, em aumento de 400X, três áreas em cada amostra para captura digital por sistema computadorizado Axion Cam ICc 5 (Zeiss®, Berlim, Alemanha), por meio de câmera digital acoplada ao microscópio óptico. Os aumentos utilizados nas objetivas foram de 40X.
Nas lâminas com material dos animais do G1 (controle – 5A, B e C), que receberam laser de baixa potência desligado, previamente e durante a indução da MO, apresentaram lesões ulcerativas – MO. Foi possível verificar uma discreta camada de tecido de revestimento em poucos pontos da amostra, ausência de infiltrado inflamatório difuso e de áreas de necrose. Nas lâminas dos animais do G2 (Figuras 5D, E e F) que receberam aplicação tópica de FBM com emissão de luz infravermelha, previamente à indução da MO, não apresentaram presença de úlceras, mantendo sua integridade e fina camada de epitélio de revestimento. Já nas lâminas dos animais do G3 que receberam aplicação tópica de FBM com emissão de luz infravermelha, previamente e durante a indução da MO, não apresentaram MO, mantendo o tecido epitelial de revestimento íntegro, chegando a se apresentar mais espesso do que os demais grupos (Figuras 5G, H e I).
Figura 5: Fotomicrografias das lâminas histológicas dos três grupos

4. DISCUSSÃO
A QV de pacientes com MO é impactada de forma negativa, devido a ocorrência de intensa dor, disfagia, odinofagia e disartria, o que leva, em alguns caos, esses pacientes a fracionar o tratamento ou, na maior parte dos casos, interromper o tratamento antineoplásico (Campos et al., 2015; Herrstedt, 2000; Medeiros et al., 2011).
Com o objetivo de conferir os mecanismos correlacionados ao desenvolvimento dessa condição, diversos modelos experimentais de mucosite quimioinduzida estão sendo pesquisados para avaliar as implicações de variados agentes terapêuticos.
Porém, alguns autores (Campos et al., 2015; Da Cruz Campos et al., 2021; De Araújo et al., 2015; Shimamura et al., 2018; Sonis et al., 1990), observaram que muitos animais foram a óbito quando utilizaram a Quetamina e Xilazina para sedação na etapa da escarificação.
Nesta pesquisa, para realização dos procedimentos, todos os animais foram contidos de forma física, constatando clinicamente que, apesar da ausência de sedação para realização das aplicações da FBM e escarificações das bochechas, dentre os vinte animais, houve sobrevida significativa. No estudo de Medeiros et al. (2011), 60% dos animais foram a óbito após anestesia (Quetamina e Xilazina) e indução da QT. Assim, pode-se entender que a sedação com essa medicação potencializa efeitos colaterais da QT.
Tendo em vista que nos estudos de Campos et al. (2014), Da Cruz Campos et al. (2021), Medeiros et al. (2011) e Vieira et al. (2021), nos modelos de MO induzida, para a realização da escarificação os animais foram sedados com Quetamina e Xilazina, e grande parte dos animais foi a óbito devido aos efeitos potencializados da QT, para definição deste estudo piloto foi feita uma alteração na metodologia utilizando 12 animais seguindo os mesmos parâmetros, no entanto, 60% dos animais também morreram. Então, foi desenvolvido um novo projeto com uma metodologia mais adequada utilizando, novamente, 12 ratos Wistar, não utilizando a sedação, apenas a contenção física para os procedimentos de aplicação tópica da FBM (simulada e com luz infravermelha), escarificação das mucosas jugais e
indução da MO, definindo, assim, a metodologia deste estudo piloto.
A FBM tem sido aplicada com desfecho favorável em diversas especialidades da Odontologia a exemplo da Estomatologia, Patologia Oral, Implantodontia, Ortodontia, Periodontia e nos procedimentos de Cirurgia Maxilofacial (Fekrazad; Arany, 2019; Fornaini et al., 2019). Dentre as respostas clínicas de suas aplicações, destacam-se o alívio da dor pós-operatória, a evolução da cicatrização tecidual, a redução da inflamações crônicas, otimização da osseointegração de implantes e prevenção da MO em pacientes submetidos à QT e/ou RT (Faria et al., 2020; Kalhori et al., 2019).
Corroborando com Bensadoun (2018), Maghfour et al. (2024) deixam claro que os grupos que recebem a aplicação tópica de FBM, exibem maior chance de cura, supondo que é devido a um estímulo da migração e da proliferação celular, revertendo no restabelecimento e na cicatrização. Bensadoun (2018) ainda completou que a FBM provoca uma diminuição nos períodos de expansão e ulceração da MO.
O uso da FBM com luz vermelha, proporciona comprimento de onda mais curto e visível, apropriado para atuar em camadas mais superficiais da pele, com ação de analgesia e tratamento de lesões; por outro lado, a aplicação tópica da FBM com luz infravermelha é recomendada para alívio da dor e lesões mais profundas (Bensadoun, 2018). A pesquisa de Adnan et al. (2021) constatou que a FBM extraoral é de aplicação simples, rápida e em especial porque não exige abertura da boca, prevenindo a ocorrência de xerostomia e sangramento mecânico. Estes autores observaram que em pacientes hospitalizados, a eficácia da FBM extraoral ponderou a ocorrência de MO. Esta observação está de acordo com nossa pesquisa, pois os animais que receberam a aplicação extraoral da FBM com luz infravermelha na região externa das bochechas (G2 e G3), não houve desenvolvimento da MO.
O 5-FU foi eleito para ser utilizado nesta pesquisa por ser o fármaco quimioterápico mais adotado em pesquisas de MO quimioinduzida e em tratamentos oncológicos. Além disso, foi fundamentado em pesquisas anteriores (Campos et al., 2015; Da Cruz Campos et al., 2021; De Araújo et al., 2015; Köstler et al., 2001; Medeiros et al., 2011; Shimamura et al., 2018; Sonis et al., 1990), revelando que o metotrexato, outro fármaco bastante utilizado na QT, foi impreciso ocasionado MO em hamsters ou em ratos Wistar.
Neste estudo, a ocorrência da MO constatada em alguns animais do G1 (controle) no decorrer das eutanásias, nos 24º e 27º dias, indicou ser o estágio mais sintomático, denotando um período de neutropenia grave dos animais. Também, alguns autores (Campos et al., 2015; Da Cruz Campos et al., 2021; Medeiros et al., 2011), a ausência de renovação do epitélio de revestimento foi verificada em achados clínicos, laboratoriais e histopatológicos.
Neste estudo piloto, o objetivo foi pesquisar o potencial da aplicação tópica da FBM com luz infravermelha, aplicada na face externa, na região das bochechas, em diferentes períodos de tempo na prevenção da MO causada por QT: G1 (controle): vinte dias com simulação de aplicação pontual, com o aparelho desligado antes e durante a indução da MO; G2: 15 dias de aplicação pontual da FBM com luz infravermelha antes da indução da MO, e, G3: vinte dias de aplicação pontual da FBM com luz infravermelha antes e durante a indução da MO. A opção pela não sedação dos animais para os procedimentos clínicos (aplicação da FBM, escarificação e indução da MO), seu deu com base no estudo de Vieira et al. (2021), visando atenuar os efeitos colaterais causados pela sedação potencializada com a QT, como sangramento excessivo oral, nasal e anal, aumento da caquexia e diminuição ou perda total da alimentação.
Confirmando os achados de Vieira et al. (2021), os resultados clínicos desta pesquisa demonstraram que os animais do G1 (controle) exibiram lesões ulcerativas e eritematosas, inerentes à MO. A análise histológica das lâminas do G1 (controle) revelou lesões ulcerativas e infiltrado inflamatório. Os animais do G2 que receberam aplicações tópicas de FBM com emissão de luz infravermelha, extraoral, na região de bochechas, 15 dias antes da indução da MO, clinicamente não revelaram lesões ulcerativas, porém, a histologia demonstrou áreas eritematosas e um epitélio de revestimento mais delgado. Já os animais do G3 (aplicações tópicas de FBM com emissão de luz infravermelha, extraoral, na região de bochechas, 20 dias antes e durante a indução da MO) apresentaram, clinicamente, mucosa jugal sadia e sem alterações e, histologicamente, um epitélio estratificado pavimentoso queratinizado.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Frente aos resultados obtidos neste estudo piloto, pode-se concluir que:
- A aplicação tópica da FBM com emissão de luz infravermelha extraoral na região das bochechas, antes e durante a QT, é uma terapia que evita o
surgimento de MO;
- A utilização diária por até vinte dias da aplicação tópica FBM com emissão de luz infravermelha, na região extraoral da face (nas bochechas), influenciou de forma pontual os animais dos G2 e G3 que exibiram clínica e
histologicamente respostas favoráveis, em especial no G3;
- A MO quimioinduzida pelo 5-FU em animais sob contenção física, com ausência de sedação e sob FBM com emissão de luz infravermelha, na região extraoral da face (nas bochechas), reduziu os efeitos colaterais da QT e aumentou a sobrevida dos mesmos.
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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES
[1] Doutorado (Stricto Sensu) em andamento em Odontologia – Núcleo de Patologia, Imunopatologia, Periodontia e Cirurgia, área de concentração: Clínica Odontológica (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF); Mestrado (Stricto Sensu) em Saúde (Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Endodontia (Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – SUPREMA, 2017); Atualização em Periodontia e Prótese (Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – SUPREMA, 2016); Graduação em Odontologia (Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora – SUPREMA, 2015); Bacharelado em Administração de Empresas (Centro Universitário Governador Ozanam Coelho – UNIFAGOC). ORCID: 0000-0001-5745-4386. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7366053390982625.
[2] Doutorado (Stricto Sensu) em Saúde (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, 2015); Mestrado (Stricto Sensu) em Saúde (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, 2008); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Odontopediatria (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, 2000); Especialização (Pós-Graduação Lato Sensu) em Patologia Bucal (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, 1984); Graduação em Odontologia (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF, 1983). ORCID: 0000-0002-7873-4499. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7637035469882840.
[3] Orientadora. Doutorado (Stricto Sensu) em Biopatologia Bucal (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP/São José dos Campos); Mestrado (Stricto Sensu) em Clínica Odontológica – Prótese Dentária (Universidade Brasil – Camilo Castelo Branco); Graduação em Odontologia (Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF). ORCID: 0000-0001-9528-4699. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7305517434237939.
Contribuição dos autores:
Wellington Dorigheto Andrade Vieira: concepção, planejamento, elaboração da pesquisa, interpretação dos resultados, fotografias, redação do manuscrito.
Maria Inês da Cruz Campos: concepção, planejamento, interpretação dos resultados, revisão e edição do texto.
Maria das Graças Afonso Miranda Chaves: concepção, planejamento, orientação, interpretação dos resultados e revisão.
INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL
Conflito de interesse:
Os autores não possuem conflito de interesse.
Agradecimentos e Financiamento:
Os autores agradecem aos Programas de Pós-Graduação em Saúde e em Odontologia da Universidade UFJF pelo apoio. Agradecimento pelo financiamento: Rede de Bioterismo de Minas Gerais/Fundação de Apoio à Investigação do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) 31/11, TOXIFAR 26/11 e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Comitê de Ética em Uso Animal (CEUA):
Toda experimentação foi aprovada pelo Comitê de Ética em Uso Animal (CEUA) da Universidade de Federal de Juiz de Fora (UFJF) por meio do protocolo nº. 030/2022.
Informações sobre Direitos Autorais e Licença:
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- ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
- Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.
Histórico da Publicação:
Material recebido: 02 de outubro de 2025.
Material aprovado pelos pares: 21 de outubro de 2025.
Material editado aprovado pelos autores: 01 de novembro de 2025.



