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Reabilitação estética não invasiva de dentes anteriores acometidos por hipomineralização molar incisivo: Relato de caso

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CONTEÚDO

RELATO DE CASO

OLIVEIRA, Leticia Queiroz [1], MALASPINA, Odirlei Arruda [2],  GOMES FILHO, Elionei de Oliveira [3],  MELLO, José Antônio Nunes de [4], DUTRA, André Luiz Tannus [5], PINTO, Adriana Beatriz Silveira [6], SARMENTO, Naelka [7],  CARVALHAL, Cintia Iara Oda [8]

OLIVEIRA, Leticia Queiroz et al. Reabilitação estética não invasiva de dentes anteriores acometidos por hipomineralização molar incisivo: Relato de caso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 09, Vol. 01, pp. 150-166. Setembro de 2025. ISSN:2448-0959. Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/hipomineralizacao-molar, DOI: 10.3279/nucleodoconhecimento.com.br/odontologia/hipomineralizacao-molar

RESUMO

A Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI) é um defeito sistemático qualitativo do esmalte dentário, que resulta em uma mineralização deficiente a qual acomete um ou até todos os primeiros molares permanentes, sendo, em alguns casos, também observada nos incisivos permanentes. Caracterizada por opacidades demarcadas no esmalte, a HMI pode levar a sensibilidade dentária, cárie atípica e comprometimentos estéticos, impactando a autoestima dos pacientes, especialmente adolescentes. O tratamento estético da HMI em dentes anteriores exige uma abordagem individualizada, considerando a severidade da lesão e a idade do paciente. As restaurações diretas com resina composta surgem como uma opção versátil e conservadora, permitindo a reprodução das características ópticas do esmalte e da dentina com mínima remoção de estrutura dental. O relato de caso descreve o tratamento de uma paciente de 12 anos com HMI nos incisivos centrais superiores, utilizando um protocolo não invasivo de restauração com resina composta. A técnica de estratificação com diferentes camadas de resina foi utilizada para reproduzir a estética natural dos dentes, resultando em um resultado satisfatório. O relato de caso demonstra que a restauração com resina composta pode ser uma opção viável para o manejo da HMI em dentes anteriores, desde que a técnica seja adequadamente empregada. Conclui-se que, o presente relato de caso demonstra que a reabilitação estética não invasiva de incisivos centrais superiores afetados por HMI utilizando a técnica de restauração com resina composta pode proporcionar resultados clínicos satisfatórios, atendendo às expectativas estéticas do paciente e preservando a estrutura dental. A seleção cuidadosa dos materiais, a atenção aos detalhes na técnica de estratificação e o protocolo de acabamento e polimento são cruciais para o sucesso do tratamento.

Palavras-chave: Hipomineralização molar incisivo, Reabilitação estética, Desenvolvimento do esmalte dental.

1. INTRODUÇÃO

A Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI) é uma condição de desenvolvimento do esmalte dental que afeta primariamente os primeiros molares permanentes e frequentemente os incisivos, sendo reconhecida como um desafio clínico significativo na odontopediatria e na prática odontológica geral [1]. Caracterizada por opacidades demarcadas de esmalte, que variam em cor de branco a amarelo-acastanhado e em porosidade, a HMI pode levar a uma série de problemas clínicos, incluindo sensibilidade dentária, cárie atípica, dificuldades na obtenção de anestesia local e, especialmente quando envolve os dentes anteriores, consideráveis comprometimentos estéticos [2, 3]. A prevalência da HMI tem sido reportada em diversas populações ao redor do mundo, com variações significativas, mas consistentemente representando uma parcela importante de alterações no desenvolvimento dental [4].

As manifestações clínicas da HMI são amplamente variáveis, tanto em termos de severidade quanto de extensão. Nos incisivos, as opacidades geralmente se apresentam como manchas brancas ou amareladas, bem demarcadas e localizadas, que podem afetar a uniformidade da cor e a translucidez do esmalte [5]. Embora as lesões nos molares sejam frequentemente mais extensas e associadas a maior risco de quebra do esmalte e desenvolvimento de cárie, o impacto estético das lesões nos incisivos pode ser particularmente angustiante para os pacientes, especialmente em idade escolar e adolescente, afetando sua autoestima e interações sociais [6]. A busca por soluções estéticas para os dentes anteriores acometidos por HMI é, portanto, uma necessidade clínica importante.

A reabilitação estética dos dentes anteriores afetados pela HMI representa um desafio complexo, exigindo uma abordagem individualizada que considere a severidade da lesão, a idade do paciente, suas expectativas e a durabilidade do tratamento proposto. Diversas opções de tratamento têm sido descritas na literatura, variando desde abordagens minimamente invasivas, como a microabrasão do esmalte e a infiltração resinosa, até procedimentos mais invasivos, como restaurações diretas e indiretas com resinas compostas ou cerâmicas [7]. A escolha da técnica mais adequada depende de uma avaliação criteriosa das características da lesão, da possibilidade de remoção ou mascaramento efetivo da opacidade e da necessidade de restaurar a função e a estética de forma duradoura.

Dentro do arsenal terapêutico para o tratamento estético da HMI em dentes anteriores, as restaurações diretas com resina composta têm se destacado como uma opção versátil e conservadora. As resinas compostas modernas oferecem uma ampla gama de cores e opacidades, permitindo a reprodução das características ópticas do esmalte e da dentina, possibilitando a obtenção de resultados estéticos altamente satisfatórios com mínima remoção de estrutura dental sadia [8]. A técnica de estratificação com diferentes camadas de resina, mimetizando a estrutura dental natural, tem demonstrado ser eficaz na obtenção de restaurações com aparência natural e integração estética com os dentes adjacentes [9].

Apesar dos avanços nos materiais e nas técnicas restauradoras, o tratamento da HMI em dentes anteriores com resina composta requer um planejamento cuidadoso, atenção aos detalhes na execução clínica e um protocolo de acabamento e polimento meticuloso para garantir a longevidade e o sucesso estético da restauração [10]. A adesão ao esmalte hipomineralizado pode apresentar desafios, e a seleção de um sistema adesivo adequado, bem como a técnica de aplicação, são cruciais para o sucesso a longo prazo. A manutenção da restauração e a orientação do paciente quanto à higiene bucal e hábitos alimentares também são aspectos importantes para prevenir o desenvolvimento de novas lesões e preservar a integridade da restauração.

O presente relato de caso tem como objetivo descrever uma abordagem de reabilitação estética não invasiva para o tratamento de dentes anteriores acometidos por Hipomineralização Molar-Incisivo em uma paciente adolescente. Detalharemos o processo de diagnóstico, o plano de tratamento proposto, a técnica restauradora utilizada com resina composta e os resultados clínicos obtidos, demonstrando a eficácia de uma abordagem conservadora para a resolução de um problema estético comum associado à HMI.

2.RELATO DE CASO

Paciente V.I.M.L., sexo feminino, 12 anos de idade, compareceu à Clínica de Estágio em Odontopediatria da Universidade do Estado do Amazonas, com queixas estética devido a uma mancha branca nos elementos 21 e 22 (Fig. 1). Na anamnese, a paciente relatou nunca ter sentido sensibilidade, porém também possuía essa mancha nos molares.

FIGURA 1 – Aspecto inicial das lesões conforme queixa estética da paciente. Notam-se manchas com bordas esbranquiçadas opacas e porção central amarelo-acastanhada

Fonte: Autores (2024).

A análise clínica revelou lesões hipomineralizadas que comprometiam tanto esmalte quanto dentina, com predomínio na região incisal dos incisivos superiores. As bordas das manchas apresentavam-se opacas e esbranquiçadas, com extensão horizontal, acompanhadas de uma área central com tonalidade amarelo-acastanhada e evidência de perda mineral superficial, configurando uma cavidade visível. A profundidade e opacidade das lesões foram avaliadas por meio de transiluminação com fotopolimerizador posicionado na face palatina (Figura 2), permitindo melhor análise da translucidez dentária. As lesões mostraram-se assimétricas entre os elementos, mas com localização semelhante, contornos bem definidos e elevado grau de opacidade, mesmo sem relato de sensibilidade pela paciente.

FIGURA 2 – Iluminação com fotopolimerizador pela face palatina do elemento 21 para avaliação da opacidade e profundidade da lesão

Fonte: Autores (2024).

Com base nos achados clínicos e nas características morfológicas e cromáticas das lesões, foi estabelecido o diagnóstico de Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI) com comprometimento profundo do esmalte e dentina. Diante da extensão da alteração e da presença de cavidade associada à perda mineral, descartaram-se abordagens conservadoras como microabrasão, por não atingirem resultados eficazes neste contexto.

Buscando preservar ao máximo a estrutura dentária sadia, optou-se por um protocolo restaurador não invasivo. Este consistiu na cobertura total das lesões com resina composta, sem qualquer desgaste prévio da estrutura dentária. A proposta foi aceita pela responsável legal da paciente, com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A abordagem restauradora foi conduzida em duas sessões clínicas. Na primeira, procedeu-se ao mapeamento detalhado das manchas quanto à sua localização, extensão e características cromáticas. Sob isolamento relativo, foi realizada a seleção cromática por meio de aplicação simulada de diferentes tons de resina composta, com o intuito de identificar as combinações que melhor mimetizassem a estrutura dentária natural. As informações obtidas foram documentadas por meio de desenhos esquemáticos e registros fotográficos, a fim de orientar a etapa restauradora definitiva.

2.1 MATERIAIS UTILIZADOS

  • Resina A1 Z350 da 3M
  • Resina OA2 Luna 2 da SDI
  • Resina A1 Palfique LX5
  • Sistema adesivo
  • Discos de lixa
  • Pastas de polimento

A restauração com resina composta nos dentes 11 e 21, utilizando os materiais mencionados, seguiu um protocolo detalhado para garantir um resultado estético e funcional satisfatório. Abaixo, descrevo o passo a passo do procedimento:

2.2 PREPARAÇÃO E ISOLAMENTO

  • Isolamento Absoluto: A primeira etapa crucial foi o isolamento absoluto dos dentes 11 e 21. Isso foi realizado com um lençol de borracha e grampos, criando um campo de trabalho seco e limpo, essencial para a adesão da resina composta.

2.3 PREPARAÇÃO DA SUPERFÍCIE DENTÁRIA

  • Como a proposta era totalmente não invasiva, a superfície dentária foi apenas submetida à limpeza com taça de borracha e pedra-pomes, sem realização de qualquer desgaste.

2.4 SISTEMA ADESIVO

  • Aplicação Do Sistema Adesivo: Aplicou-se o sistema adesivo universal Zipbond, friccionado por 20 segundos, seguido por leve jato de ar e fotopolimerização por 20 segundos, conforme recomendação do fabricante.

2.5 RESTAURAÇÃO COM RESINA COMPOSTA

  • Mapa De Cores: Seguiu-se a técnica de estratificação em camadas, conforme o mapa cromático:

FIGURA 3 – Estudo esquemático das manchas, localização, formato e cores. Além da disposição e cores das resinas compostas selecionadas para restauração final

Fonte: Autores (2024).

2.5.2 APLICAÇÃO DAS RESINAS

  • RESINA A1 Z350 (3M): utilizada para a camada de esmalte.
  • RESINA OA2 LUNA 2 (SDI): utilizada para a camada de dentina.
  • RESINA A1 PALFIQUE LX5 (TOKUYAMA): utilizada para efeitos de opalescencia.

2.5.3 TÉCNICA DE ESTRATIFICAÇÃO

  • As resinas foram aplicadas em camadas finas, seguindo a técnica de estratificação para reproduzir a translucidez e a opacidade naturais dos dentes. Cada camada foi fotopolimerizada individualmente garantindo adequada polimerização e estabilidade das camadas.

FIGURA 4 – Aspecto clínico dos elementos após aplicação de resina

Fonte: Autores (2024).

FIGURA 5 – Materiais utilizados para realização da técnica

Fonte: Autores (2024).

2.6 ACABAMENTO E POLIMENTO

  • Acabamento: Discos de lixa de diferentes granulações foram utilizados para remover excessos de resina e dar forma à restauração.
  • Polimento: Pastas de polimento foram utilizadas para dar brilho à restauração, reproduzindo a textura do esmalte natural.

O resultado final demonstrou excelente integração cromática e morfológica da restauração com os tecidos dentários remanescentes, promovendo significativa melhora estética (Figura 3), com plena satisfação da paciente e ausência de queixas funcionais ou estéticas no acompanhamento imediato.

FIGURA 6 – Resultado final após utilização de protocolo não invasivo com cobertura da lesão com resina composta

Fonte: Autores (2024).

3. DISCUSSÃO

A reabilitação estética realizada neste caso clínico demonstra a viabilidade da abordagem com resina composta em incisivos centrais superiores afetados por Hipomineralização Molar-Incisivo (HMI) em uma paciente adolescente de 12 anos, utilizando um protocolo não invasivo de restauração. A paciente procurou atendimento odontológico com queixa estética devido à presença de manchas brancas demarcadas nos dentes 21 e 22, também como observado por Silva et al. em 2016, é um achado clínico comum em casos de HMI que envolvem a dentição anterior. A abordagem terapêutica adotada visou o recobrimento completo das áreas hipomineralizadas com resina composta, minimizando a intervenção na estrutura dental sadia e proporcionando uma melhora significativa na estética do sorriso da paciente.

William et al. (2013) destacam a alta prevalência da HMI e seus impactos negativos na saúde bucal e na autoestima de crianças e adolescentes, enquanto Fagrell et al. (2015) reforçam que os incisivos também são frequentemente afetados, o que intensifica a insatisfação estética nesses pacientes. No presente caso, a presença de manchas brancas visíveis motivou a busca por tratamento, situação compatível com o relato de Ghanim et al. (2017), que demonstraram que a principal demanda estética em pacientes com HMI anterior está associada à aparência do sorriso. A opção por uma técnica minimamente invasiva, com restauração direta, encontra respaldo nos trabalhos desses autores, que recomendam essa abordagem nas reabilitações estéticas em casos de HMI.

Jälevik e Norén (2000) destacam que a apresentação clínica da HMI é bastante heterogênea, variando em termos de severidade, coloração e extensão das opacidades do esmalte. Neste caso, a ausência de sensibilidade, apesar da profundidade da lesão revelada pela transiluminação, sugere envolvimento moderado, com esmalte hipomineralizado, porém íntegro. Essa condição exclui a indicação de microabrasão, que, segundo Lygidakis et al. (2010), é restrita a lesões superficiais localizadas no esmalte externo. Assim, o recobrimento com resina composta foi considerado a conduta mais adequada para promover o mascaramento completo da opacidade.

A decisão de optar por um protocolo não invasivo com resina composta para o tratamento das manchas de HMI nos incisivos da paciente foi baseada em diversos fatores. Em comparação com as facetas cerâmicas, a técnica de recobrimento com resina composta preserva de forma significativamente superior a estrutura dental original, aspecto crucial especialmente em pacientes jovens com dentição permanente recém-erupcionada, conforme apontado por Hubbard et al. (2019). Além disso, enquanto as facetas cerâmicas exigem um preparo mais invasivo e irreversível, a aplicação de resina composta é minimamente invasiva, permitindo intervenções futuras com maior flexibilidade. Como descrito por Ghanim et al. (2017), do ponto de vista estético, embora as facetas cerâmicas também ofereçam resultados satisfatórios, as resinas compostas modernas não ficam atrás: apresentam excelente capacidade de mimetização das características ópticas do esmalte natural, com ampla gama de cores e opacidades disponíveis. Assim, quando comparadas diretamente, as resinas compostas mostram-se uma alternativa altamente conservadora e esteticamente eficaz, tornando-se uma escolha ideal para casos como este.

Embora a infiltração resinosa seja uma alternativa minimamente invasiva para o tratamento de manchas brancas no esmalte, a profundidade da lesão observada neste caso, com margens bem definidas, sugeria que essa técnica poderia não ser totalmente eficaz no mascaramento da opacidade, como discutido por Ferracane em 2011. A microabrasão, como mencionado anteriormente, também não seria a opção mais adequada devido à extensão e profundidade da lesão. Dessa forma, o recobrimento com resina composta, utilizando a técnica de estratificação para reproduzir a anatomia e a cor natural dos dentes, emergiu como a abordagem mais promissora para atender às necessidades estéticas da paciente de forma conservadora.

A aplicação da técnica de estratificação com resina composta mostrou-se eficaz na obtenção de um resultado estético satisfatório, com boa integração da restauração à dentição adjacente. O uso de diferentes resinas permitiu reproduzir com fidelidade as propriedades ópticas do esmalte e da dentina, conforme demonstrado por Terry et al. (2003). O isolamento absoluto foi essencial para garantir uma adesão adequada e previsível, corroborando os achados de Peumans et al. (2005), que destacam sua importância na longevidade das restaurações em esmalte hipomineralizado.

A seleção dos materiais restauradores foi orientada por critérios estéticos e funcionais: a resina A1 da 3M Z350 foi aplicada na camada de esmalte pela sua boa capacidade de mimetização e como modulador do croma final; a OA2 da SDI Luna 2, com opacidade elevada, foi utilizada para reproduzir a dentina e mascarar o fundo escurecido da lesão; e a A1 da Palfique LX5 foi empregada como camada superficial para modulação do valor e criação do brilho natural. O sistema adesivo universal Zipbond Universal (SDI) foi escolhido por sua confiabilidade e desempenho em substratos variados, sendo essencial para a longevidade do conjunto restaurador conforme descrito por Van Meerbeek et al. (2003). O protocolo de acabamento e polimento, com discos abrasivos e pastas específicas, conferiu à restauração uma superfície lisa e brilhante, com textura compatível ao esmalte natural, contribuindo para a resistência ao acúmulo de biofilme.

Apesar dos resultados positivos observados neste caso, é importante reconhecer algumas limitações da abordagem com resina composta para o tratamento da HMI. Em lesões mais extensas, ou com perda significativa de estrutura dentária, pode ser necessário considerar alternativas como coroas ou facetas cerâmicas. Além disso, as restaurações diretas estão sujeitas à degradação ao longo do tempo, incluindo alterações de cor e desgaste, o que pode exigir manutenção ou substituição. Esses pontos são ressaltados por Ghanim et al. (2017), que destacam a importância do acompanhamento clínico periódico para avaliar a estabilidade estética, e por Demarco et al. (2012), que demonstram, em revisão sistemática, a redução da longevidade das restaurações diretas em função de fatores como idade do paciente, técnica empregada e exposição a agentes extrínsecos.

A principal força deste relato de caso reside na descrição detalhada de um protocolo não invasivo e eficaz para o tratamento estético de dentes anteriores afetados por HMI em um paciente adolescente. A abordagem conservadora, focada na preservação da estrutura dental e na obtenção de um resultado estético natural, destaca a importância de um planejamento individualizado e da seleção da técnica restauradora mais adequada para cada caso. Este relato contribui para a literatura odontológica ao reforçar o papel das restaurações com resina composta como uma opção viável e estética para o manejo das manifestações da HMI em dentes anteriores.

Para futuras pesquisas, seria interessante realizar estudos clínicos longitudinais com um maior número de pacientes para avaliar a durabilidade e o desempenho a longo prazo das restaurações com resina composta em dentes anteriores afetados por HMI. Estudos comparativos entre diferentes técnicas de tratamento não invasivas e invasivas também seriam valiosos para fornecer evidências mais robustas sobre a melhor abordagem para o manejo desta condição. Além disso, pesquisas que investiguem a influência de fatores como a severidade da HMI, a idade do paciente e os hábitos de higiene bucal no sucesso das restaurações seriam relevantes para otimizar os protocolos de tratamento e melhorar o prognóstico para os pacientes afetados.

4. CONCLUSÃO

Em conclusão, o presente relato de caso demonstra que a reabilitação estética não invasiva de incisivos centrais superiores afetados por HMI utilizando a técnica de restauração com resina composta pode proporcionar resultados clínicos satisfatórios, atendendo às expectativas estéticas do paciente e preservando a estrutura dental. A seleção cuidadosa dos materiais, a atenção aos detalhes na técnica de estratificação e o protocolo de acabamento e polimento são cruciais para o sucesso do tratamento. No entanto, por se tratar de um único caso, não é possível estabelecer diretrizes clínicas a partir desses achados. Torna-se, portanto, essencial a realização de novos estudos, com maior número de casos, para aprofundar o entendimento e orientar condutas mais fundamentadas no tratamento da HMI em dentes anteriores.

REFERÊNCIAS

[1] Silva MJ, et al. Molar incisor hypomineralisation: a systematic review and meta-analysis. Community Dent Oral Epidemiol. 2016;44(4):342-53.

[2] William V, et al. Molar incisor hypomineralization: review and recommendations for clinical management. Pediatr Dent. 2013;35(3):219-26.

[3] Fagrell A, et al. Molar incisor hypomineralization (MIH): a 10-year follow-up study of prevalence and defect characteristics. Eur Arch Paediatr Dent. 2015;16(5):405-11.

[4] Jälevik B, Norén JG. Enamel hypomineralization of permanent first molars: a review and comparison with fluorosis. Eur J Paediatr Dent. 2000;1(1):27-35.

[5] Lygidakis NA, et al. Best clinical practice guidance for clinicians dealing with children presenting with molar-incisor hypomineralisation (MIH): an EAPD policy document. Eur Arch Paediatr Dent. 2010;11(2):75-81.

[6] Hubbard MJ, et al. The psychosocial impact of developmental dental defects in children and adolescents: a systematic review. Community Dent Oral Epidemiol. 2019;47(1):1-10.

[7] Ghanim A, et al. Minimally invasive treatment of molar incisor hypomineralization: a review. J Clin Pediatr Dent. 2017;41(3):157-63.

[8] Ferracane JL. Resin composite–state of the art. Dent Mater. 2011;27(1):29-38.

[9] Terry DA, Leinfelder KF, Geller W. Aesthetic and restorative dentistry: material selection and technique. Pract Proced Aesthet Dent. 2003;15(7):515-22.

[10] Peumans M, et al. Clinical effectiveness of contemporary adhesives for bonding to enamel and dentin. A systematic review. Dent Mater. 2005;21(6):522-41.

[11] Ghanim A, et al. Minimally invasive treatment of molar incisor hypomineralization: a review. J Clin Pediatr Dent. 2017;41(3):157-63.

[12] Van Meerbeek B, et al. Bonding to enamel and dentin. An overview with recommendations. Oper Dent. 2003;28(3):215-35.

[13] Demarco FF, et al. Longevity of posterior composite restorations: systematic review and meta-analysis. J Dent. 2012;40(2):104-14. (While slightly older, still relevant for the general discussion on composite longevity – look for more recent reviews).

NOTA

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial ChatGPT, versão GPT-4 para correção gramatical. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos e classificação da qualidade dos artigos foram realizadas de maneira autoral.

[1] Graduanda do curso de Odontologia; Ensino Médio Completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2910-6960. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3819240926651936.

[2] Orientador. Doutorado em Dentística Restauradora – Universidade de São Paulo, USP, Brasil. (stricto sensu). Mestrado em Odontologia (Dentística) – Universidade de São Paulo, USP, Brasil. (stricto sensu). Especialização em Radiologia – Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas – Regional de Bauru, APCD, Brasil. (lato sensu). Graduação em Odontologia – Universidade de São Paulo, USP, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1790-8002. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9996794550110197.

[3] Graduando do curso de Odontologia; Ensino Médio Completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-4271-7773. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6364399483605282.

[4] Doutorado em Clínica Odontológica – Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil (stricto sensu). Mestrado em Clínica Odontológica – Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil (stricto sensu). Especialização em Metodologia do Ensino Superior – Universidade Federal do Amazonas, UFAM, Brasil (lato sensu). Graduação em Odontologia – Universidade Federal do Amazonas, UFAM, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-9482-6378. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7875006629550914.

[5] Doutorado em Ciências da Saúde – Universidade de Brasília, UnB, Brasil (stricto sensu). Mestrado em Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC, Brasil (stricto sensu). Especialização em Odontopediatria – Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Brasil (lato sensu). Graduação em Odontologia – Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8362-7287. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6531187568170608.

[6] Doutorado em Ciências da Saúde – Universidade de Brasília, UnB, Brasil (stricto sensu). Mestrado em Odontologia Preventiva e Social – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, UNESP, Brasil (stricto sensu). Especialização em Curso de Especialização Em Saúde Ocupacional – Universidade Federal de Uberlândia, UFU, Brasil (lato sensu). Graduação em Odontologia – Universidade de Uberaba, UNIUBE, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-6033-0721. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6500412100135501.

[7] Doutorado em Programa de de Pós-Graduação em Odontologia UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Brasil (stricto sensu). Mestrado em Clínica Odontológica – Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil (stricto sensu). Especialização em Especialização em Odontopediatria – Associação Brasileira de Odontologia/Ama, ABO/AM, Brasil (lato sensu). Graduação em Odontologia – Universidade Federal do Amazonas, UFAM, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4153-977X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7666270959110412.

[8] Doutorado em Materiais Dentários – Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil (stricto sensu). Mestrado em Materiais Dentários – Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil (stricto sensu). Especialização em Especialização em Odontopediatria – Universidade do Estado do Amazonas, UEA, Brasil (lato sensu). Graduação em Odontologia – Universidade Federal do Amazonas, UFAM, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-9491-9723. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8821156090928265.

Material recebido: 02 de abril de 2025.

Material aprovado pelos pares: 15 de maio de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 10 de setembro de 2025.

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Leticia Queiroz Oliveira

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