A Linguagem De Sinais Na Transmissão De Conhecimento Em Sala De Aula Para Alunos Com Surdez

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A Linguagem De Sinais Na Transmissão De Conhecimento Em Sala De Aula Para Alunos Com Surdez
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ARTIGO ORIGINAL

SILVA, Edinéia Venâncio [1]

SILVA, Edinéia Venâncio. A Linguagem De Sinais Na Transmissão De Conhecimento Em Sala De Aula Para Alunos Com Surdez. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 12, Vol. 01, pp. 18-36 Dezembro de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

Esse artigo trouxe como temática “a linguagem de sinais na transmissão de conhecimento em sala de aula para alunos com surdez”, por ser esta reconhecida nos meios acadêmicos como um sistema linguístico de comunicação gestual-visual, com estrutura gramatical própria. Teve como objetivo realizar uma explanação sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e abordar a Lei que regulamenta o ensino e uso dessa forma de comunicação no ensino de surdos no Brasil e as ações do governo brasileiro através do Ministério da Educação, no sentido de incluir portadores dessa deficiência na sociedade. Nos objetivos específicos apresentou um estudo realizado pela autora Mirlene Ferreira Macedo Damázio promovendo um Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez, onde é apresentado ações no sentido de incluir os surdos na sociedade através de um atendimento especializado e dirigido. Essa pesquisa teve como método o levantamento teórico, a partir de Livros, artigos, revistas e legislação especificas da área, e fontes secundárias. A análise dos dados foi qualitativa. Após o apresentado foi possível concluir que apesar de todas as dificuldades é possível implantar este novo paradigma de educação, com o auxílio de ferramentas tecnológicas disponíveis na informática, como software próprios para surdos e cursos de educação à distância.

Palavras-Chave: Surdez, LIBRAS, Linguagens de Sinais.

INTRODUÇÃO

A linguagem de sinais é reconhecidamente citada nos meios acadêmicos como um sistema linguístico de comunicação gestual-visual, com estrutura gramatical própria. Por ser um sistema linguístico, possui um conjunto de regras fonológicas, morfológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas.

No Brasil a Língua Brasileira de Sinais recebe o nome de LIBRAS, mas também recebe a designação de LSB apesar de não ser totalmente aceita devido a facilidade de confundir com outros mnemônicos LSB (lost significant bits = bits menos significativos).

Essa pesquisa apresenta a linguagem de sinais do ponto de vista da comunicação entre educando e educador e como fator de integração do aluno portador de necessidades especiais em sala de aula.

Teve como objetivo realizar uma explanação sobre a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS e é também abordar a Lei que regulamenta o ensino e uso dessa forma de comunicação no ensino de surdos no Brasil e as ações do governo brasileiro através do Ministério da Educação, no sentido de incluir portadores dessa deficiência na sociedade.

Nos objetivos específicos buscou: Apresentar um estudo realizado pela autora Mirlene Ferreira Macedo Damázio no sentido de promover um Atendimento Educacional Especializado para pessoas com surdez, onde é apresentado ações no sentido de incluir os surdos na sociedade através de um atendimento especializado e dirigido.

Por fim foi realizado uma conclusão, onde se busca incentivar os educadores a direcionarem e investirem os seus conhecimentos no aprendizado da linguagem de sinais – LIBRA e em novas metodologias para incluírem pessoas com surdez em sala de aula comum.

LINGUAGEM DE SINAIS E POLÍTICAS DE INCLUSÃO

Pessoas com algum grau de deficiência auditiva vivem em um mundo de silêncio, onde existem apenas imagens, que hora são paradas e horas se movimentam. As linguagens de sinais trazem ao deficiente auditivo a possibilidade de se comunicarem e expressarem seus pensamentos, permitindo que o deficiente se integre na sociedade, através de uma comunicação gesto-visual, que possui sua própria estrutura e gramática através do canal visual.

Existem pelo menos 200 idiomas de Sinais no mundo (Duarte, 2007). Em geral um por pais. Mas nem todos são formalizados e os sinais podem ser completamente diferentes.

Neste capitulo será inicialmente abordado elementos básicos referentes à linguagem de sinais, passando-se por uma reflexão em relação à inclusão dos portadores de necessidades especiais na sociedade e as políticas públicas para a inclusão de portadores de necessidade especiais. O Capítulo é finalizado com a lei que tem assegurado a linguagem de sinais.

Os componentes da Língua de Sinais são compostos por três elementos visuais básicos são utilizados neste tipo de comunicação: os movimentos corporais, gestos das mãos e expressões faciais.

PARÂMETROS PRIMÁRIOS:

a) Configuração das mãos (CM): a forma que a mão assume na realização de um sinal

b) Ponto de articulação (PA): é o espaço onde os sinais são articulados: em frente ao corpo (neutro) ou uma região do próprio corpo (cabeça, tronco, braço e mãos)

c) Movimento (MV): Parâmetro complexo que pode envolver uma vasta rede de formas e direções. Caracterizado pelo deslizamento das mãos no espaço na realização de um sinal.

PARÂMETROS SECUNDÁRIOS:

a) Disposição da(s) mão(s) (DM): a articulação dos sinais pode ser feia apenas pela mão dominante o pelas duas mãos. Nesse último caso as mãos podem se movimentar para formar o sinal, ou então apenas a mão dominante e a outra funciona com (PA) ou é neutra.

b) Orientação da (s) mão(s) (OM): é o que determina a posição das palmas das mãos, se voltadas para baixo, para cima, para esquerda, para direita, podendo haver mudança na orientação durante a execução do movimento.

c) Região de contato (RC): refere-se à parte da mão que entra em contato com o corpo.

Componentes não manuais de Libras:

a) Expressão facial (EF): a expressão facial tem o papel de indicar diversos elementos que não podem estar presentes nos sinais como: pontuação, emoção, ênfase, ironia, etc. É importante utilizar uma expressão fisionômica adequada para as emoções implícitas nas frases sejam bem compreendidas. Elas devem ser utilizadas simultaneamente com os sinais.

  • 1. Afirmação: Neutra;
  • 2. Interrogação: sobrancelhas franzidas e um ligeiro movimento de cabeça inclinando-se para cima;
  • 3. Exclamação: sobrancelhas levantadas: ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima e para baixo; boca fechada com movimento para baixo (intensificador);
  • 4. Negação: possui quatro formas básicas;

– simultaneamente ao sinal, movimento negativo com a cabeça e expressão facial;

– incorporação de um sinal com movimento contrário.

b) Expressão corporal (EC): as línguas de sinais utilizam-se das expressões faciais e corporais para estabelecer tipos de frases equivalentes aos recursos de acentuação da língua portuguesa que definem os modos me que se encontram as frases. É fundamental associar às expressos faciais e corporais feitas simultaneamente aos sinais, a fim de identificar o modo em que se encontra a frase.

INCLUSÃO DOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

Inclusão é um termo que tem sido usado predominantemente como sinônimo pra integração de alunos com deficiência no ensino regular denotando, desta forma, a perpetuação da vinculação deste conceito com a educação especial (INCLUSÃO, 2005).

A inclusão não se refere somente a crianças com deficiência e sim a todas as crianças, jovens e adultos que sofrem qualquer tipo de exclusão educacional, seja dentro das escolas e salas de aula e quando não encontram oportunidades para participar de todas as atividades escolares e profissionais. Estudar a educação escolar de pessoas com surdez nos reporta não só a questões referentes aos limites e possibilidades, como também aos preconceitos existentes nas atitudes da sociedade para com elas.

As pessoas com surdez enfrentam inúmeros entraves para participar da educação e da forma como se estruturam as propostas educacionais das escolas. Muitos alunos com surdez podem ser prejudicados pela falta de estímulos adequados ao seu potencial cognitivo, sócio-afetivo, linguístico e político-cultural e ter perdas consideráveis no desenvolvimento da aprendizagem.

Estudo realizado ultima década do século XX e início do século XXI, por diversos autores e pesquisadores oferecem contribuições à educação de alunos com surdez na escola comum ressaltando a valorização das diferenças no convívio social e o reconhecimento do potencial da cada ser humano.

Poker (2001), afirma que as trocas simbólicas provocam a capacidade representativa desses alunos, favorecendo o desenvolvimento do pensamento e do conhecimento, em ambientes heterogêneos de aprendizagem. No entanto, existem posições contrárias á inclusão de alunos com surdez nas turmas comuns, em decorrência da compreensão das formas de representação da surdez como incapacidade ou das propostas pedagógicas desenvolvidas tradicionalmente para atendê-las que não consideram a diversidade linguística.

Conforme Skliar (1999) alegam que o modelo excludente da Educação Especial está sendo substituído por outro, em nome da inclusão que não respeita a identidade surda, sua cultura, sua comunidade. Estas questões geram polemicas entre muitos estudiosos, profissionais, familiares e entre as próprias pessoas com surdez. Àqueles que defendem a cultura, a identidade e a comunidade surda apoiam-se nos discursos das diferenças, alegando que elas precisam ser compreendidas nas suas especificidades, porém, pode-se cair na cilada da diferença, como refere Pierucci (1999), que em nome da diferença, pode-se também segregar.

Diante desse quadro situacional, o importante é buscar nos confrontos promovidos na relação entre as diferenças, novos caminhos para a vida em coletividade, dentro fora das escolas e, sendo assim, como seria atuar com alunos com surdez, em uma escola comum que reconhece e valoriza as diferenças? Que processos curriculares a essa diferença, considerando a escola aberta para todos e, portanto, verdadeiramente inclusiva?

Não se trata troca a escola excludente especial, por uma escola excludente comum. Ocorre que alguns discursos e práticas educacionais ainda não conseguiram, responder ás questões acima formuladas, mantendo os, processos de normalização das pessoas com surdez.

A inclusão do aluno com surdez deve acontecer desde a educação infantil até a educação superior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar os recursos que necessita para superar as barreiras no processo educacional e usufruir seus direitos escolares, exercendo sua cidadania, de acordo com os princípios constitucionais do nosso país. A inclusão de pessoas com surdez na escola comum requer que se busquem meios para beneficiar sua participação e aprendizagem tanto na sala de como no Atendimento Educacional Especializado.

Conforme Dorziat (1998), o aperfeiçoamento das escolas comum em favor de todos os alunos é primordial. Esta autora observa que os professores precisam conhecer e usar a língua de sinais, entretanto, deve-se considerar que a simples adoção dessa língua não é suficiente para escolarizar o aluno com surdez. Assim, escola comum precisa implementar ações que tenham sentido para os alunos em geral e que esse sentido possa ser compartilhado com os alunos com surdez. Mais do que a utilização de uma língua, os alunos com surdez precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento, explorem suas capacidades, em todos os sentidos.

Se somente o uso de uma língua bastasse para aprender, as pessoas ouvintes não teriam problemas de aproveitamento escolar, já que entram, na escola com uma língua oral desenvolvida. A aquisição da língua de sinais, de fato, não é garantia de uma aprendizagem significativa, como mostrou Poker(2001), quando trabalhou com seis alunos com surdez profunda que encontravam matriculados na primeira etapa do Ensino Fundamental, com idade entre 8 anos e nove meses e 11 anos e nove meses, investigando, por meio de intervenções educacionais, as trocas simbólicas e o desenvolvimento cognitivo desses alunos.

Segundo esta autora, o ambiente em que pessoas com surdez está inserida, principalmente o da escola, na medida em que lhe oferece condições para que estabeleçam trocas simbólicas com meio físico e social, não exercita ou provoca a capacidade representativa dessas pessoas, consequentemente, compromete o desenvolvimento do pensamento. A Pesquisadora constatou que nesse caso, a natureza do problema cognitivo da pessoa com surdez está relacionada á:

[..] deficiência das trocas simbólicas, ou seja, o meio escolar não expõe esses alunos a solicitações capazes de exigir deles coordenações mentais cada vez mais elaboradas, que favorecerão o mecanismo de abstração reflexionante e consequentemente, os avanços cognitivos. (POKER, 2001:300).

Considerando a necessidade do desenvolvimento da capacidade representativa e linguística dos alunos com surdez, a escola comum deve viabilizar sua escolarização em turno e o Atendimento Educacional Especializado em outro, contemplado de libras, o ensino em libras e o ensino da língua Portuguesa.

Ao optar-se em oferecer uma educação bilíngue, a escola está assumindo uma política linguística em que duas línguas passarão a co-existir no espaço escolar. Além disso, também será definido qual será a primeira língua e qual será a segunda língua, bem como as funções em que cada língua irá representar no ambiente escolar. Pedagogicamente, a escola vai pensar em como estas línguas estarão acessíveis às crianças, além de desenvolver as demais atividades escolares. As línguas podem permeando as atividades escolares ou serem objetos de estudo em horários específicos dependendo da proposta da escola. Isso vai depender de “como”, “onde”e “de que forma” as crianças utilizam as línguas na escola. (MEC/SEESP, 2006).

Inúmeras polêmicas têm se formado em torno da educação escolar para pessoas com surdez. a proposta de educação escolar inclusiva é um desafio, que para ser efetivada faz-se necessário considerar que os alunos com surdez têm direito de acesso ao conhecimento, á acessibilidade, bem como ao Atendimento Educacional Especializado. Conforme Bueno (2002:41) é preciso ultrapassar a visão que reduz os problemas de escolarização das pessoas com surdez ao uso desta ou daquela língua, mas sim de ampliá-la para os campos sócio políticos. Desta forma, inclusão implica em celebrar a diversidade humana e as diferenças individuais como recursos existentes nas escolas e demais instituições democráticas.

PROGRAMA INCLUIR

Segundo palavras do Ministro da Educação, o ministro Fernando Haddad, do Governo Luis Inácio Lula da Silva, “É preciso reconhecer que as organizações e as práticas educacionais forjaram, historicamente, uma cultura escolar excludente e que há uma dívida social a ser resgatada. Este contexto intensificou a oposição entre a educação comum e a educação especial em todos os níveis, etapas e modalidades. Portanto, as políticas públicas devem potencializar a relação entre educação especial e comum com vistas a estruturar o acesso ao ensino regular e a disponibilização dos apoios especializados para atender as necessidades educacionais especiais. O Plano de Desenvolvimento Educacional (PDE) define a inclusão educacional como umas de suas diretrizes e propõe políticas voltadas à acessibilidade e ao desenvolvimento profissional, onde se destacam os programas: Formação Continuada de Professores na Educação Especial, Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, Escola Acessível e o Monitoramento dos Beneficiários do BPC no acesso à escola”. (INCLUSÃO, 2008)

Continuando em suas palavras, O Ministro da Educação afirmou: “A educação especial vem ocupando cada vez mais espaço na agenda do MEC, sobretudo nos últimos anos, e o papel da Secretaria de Educação Especial junto às demais secretarias se amplia na perspectiva da inclusão. Os resultados estão aparecendo, é importante registrar que o avanço da matrícula é notável nas escolas comuns da rede pública e o retorno que temos dessas experiências comprova a viabilidade e a eficácia de um sistema educacional que inclui a todos. Os estudos estatísticos já revelam essa face do processo de ensino e aprendizagem que a inclusão estimula, enseja e provoca, reforçando a tese de que o benefício da inclusão não é apenas para crianças com deficiência, é efetivamente para toda a comunidade, porque o ambiente escolar sofre um impacto no sentido da cidadania, da diversidade e do aprendizado”.

Assim sendo, o Ministério da Educação tem mostrado uma preocupação no sentido de incluir alunos portadores de necessidade especiais em todos os níveis do Sistema Educacional no país. Desta forma, recursos estão sendo destinados também às Instituições Federais de Ensino Superior (IFE’s) para desenvolvimento de projetos que visem assegurar a inclusão desses estudantes nas universidades. Numa parceria entre a Secretaria de Educação Especial e a Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação, por meio do Programa Incluir. Este Programa tem como objetivo garantir o acesso, o ensino e a permanência dos estudantes com deficiência auditiva da IFE’s (INCLUSÃO, 2005).

No endereço eletrônico da Secretaria de Educação Especial, é encontrado detalhes sobre esse Programa.

POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

O movimento mundial pela educação inclusiva é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de todos os alunos de estarem juntos, aprendendo e participando, sem nenhum tipo de discriminação. A educação inclusiva constitui um paradigma educacional fundamentado na concepção de direitos humanos, que conjuga igualdade e diferença como valores indissociáveis, e que avança em relação à idéia de equidade formal ao contextualizar as circunstâncias históricas da produção da exclusão dentro e fora da escola.

Ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da escola na superação da lógica da exclusão. A partir dos referenciais para a construção de sistemas educacionais inclusivos, a organização de escolas e classes especiais passa a ser repensada, implicando uma mudança estrutural e cultural da escola para que todos os alunos tenham suas especificidades atendidas. Nesta perspectiva, o Ministério da Educação e Secretaria de Educação Especial apresenta a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, que acompanha os avanços do conhecimento e das lutas sociais, visando construir políticas públicas promotoras de uma educação de qualidade para todos os alunos. (INCLUSÃO, 2008)

PROBLEMAS DA POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO ESPECIAL

Sob a bandeira da inclusão social, o MEC e diversas secretarias da educação estão desmontando as escolas especializadas em educação de surdos. A idéia é transformar estas escolas em centros de reabilitação de deficientes em geral. Contra esta medida, diversas organizações têm escrito manifestos, que chegam de diversas partes do Brasil. (FRAZÃO & TONNETTI, 2008)

O problema central desta política pública é a incompreensão de que não existem “deficiente em geral”, e sim deficiências específicas, cada qual com sua particularidade. Juntar num mesmo balaio de gato pessoas com necessidades tão distintas não lhes fará um bem, ao contrário, negará a estas pessoas o direito de serem atendidas em suas especificidades.

No caso dos surdos, por exemplo, não existe nenhuma dificuldade cognitiva que o impeça de exercer sua vida, podendo o surdo desenvolver suas potencialidades como ser humano de maneira ampla e efetiva. Os surdos nem ao menos gostam de serem chamados de deficientes, já que a palavra “deficiente” está associada a uma limitação, coisa que não consideram ter, já que a única dificuldade que eles têm é o acesso a sua própria língua, a LIBRAS.

É preciso garantir ao surdo que ele tenha sua educação ministrada em sua língua materna – que não é o Português, ao contrário do que muitos pensam. Nas escolas especiais e associações educacionais que existiam com este fim, e ainda penam em permanecer funcionando, os surdos têm este direito assegurado.

Com as novas políticas públicas, ou eles tem sido mandados a escolas regulares da rede pública, ou despejados em centros coletivos de deficientes. Na escola regular, são praticamente inexistentes os professores de LIBRAS. E se é raro encontrar um, mais raro ainda é encontrar um que realmente saiba se expressar e dominar plenamente o idioma LIBRAS que tem uma estrutura e gramática própria – muito diferentes das da língua portuguesa.

O que fazer então? Largá-los ao cuidado de ouvintes incapazes de compreendê-los, ensiná-los e se relacionar com eles? Pois é isto que estamos fazendo. Ninguém cometeria o absurdo, por exemplo, de colocar uma criança brasileira para ser educada por um grupo de profissionais que só se expressam numa língua estrangeira que a criança não domina e sequer aprendeu. Mas é isto que estamos fazendo com os deficientes auditivos. Fazemos isto também com os cegos, com os surdos cegos e com os diversos tipos de deficientes mentais. Juntá-los sem distinção, seria o mesmo que inseri-los numa torre de Babel. E sabemos como é trágico o fim dos habitantes da torre.

No entendimento de que deficiência não significa limitação, mas especificidade, é que reside o sentido do termo “educação especial”. É especial porque é específica e procurar atendê-las em centros especializados em cada deficiência não é excluí-los socialmente, mas capacitá-los para que recebam uma boa educação e se desenvolvam adequadamente.

Tratá-los como se fossem pessoas como outras quaisquer, negando-lhes sua língua ou sua forma de expressão própria é que é exclusão. O Estado brasileiro deu com isso um tiro no pé. De boas intenções, diriam as vovós, o inferno está cheio.

 LEI NO 10.436/02 – LIBRAS

O Ministério da Educação tem se preocupado em aprovar o projeto do decreto que regulamentará Lei da Libra. De acordo com o Decreto, a Libras deve ser uma disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério em nível médio e superior e nos cursos de Fonoaudiologia de instituições de ensino público e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal (INCLUSÃO, 2005).

Segundo o Decreto, a formação de docentes para o ensino de Libras na Educação Infantil e nos anos iniciais de ensino fundamental devera ser realizada em cursos de Pedagogia ou curso Normal Superior, em que a Libras e a Língua Portuguesa tenham constituído línguas de instituição, viabilizando a formação bilíngue.

No que se refere à formação de docentes para o ensino de Libras, nas séries finais do ensino fundamental, no ensino médio e na educação superior, ele determina que esta deva ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em Letras: Libras ou Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.

Além disso, fica assegurado que as instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas o acesso à comunicação, à informação e à educação, nos processos seletivos, nas atividades e conteúdos curriculares desenvolvidos em todos os níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até a educação superior.

Define também que a formação do tradutor e intérprete de Libras deve efetivar-se por meio de curso superior de Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras.

Quanto à formação do instrutor de Libras e do tradutor e intérprete de Libras, em nível médio, a proposta de Decreto define que esta formação deverá ser realizada por meio de cursos de educação profissional, extensão universitária e formação continuada promovidos por instituições de educação profissional, secretarias de educação e pelas instituições e organizações representativas da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por meio das instituições mencionadas anteriormente.

No dia 11 de outubro é comemorado o Dia Nacional das Pessoas Portadoras de Necessidades Especiais. De acordo com a lei prevista no artigo 208 da Constituição, a participação dos portadores de deficiência no sistema educacional brasileiro é outro passo para a efetiva integração do aluno. Educação e cultura são condicionantes para evitar a exclusão social. Uma das conquistas garantidas por lei é a presença de tradutores de Libra, a segunda língua oficial brasileira, nas escolas e universidades do país.

ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA OS ALUNOS COM SURDEZ: UMA PROPOSTA INCLUSIVA

Segundo os trabalhos de (Damázio, 2007), o trabalho pedagógico com os alunos com surdez nas escolas comuns, deve ser desenvolvido em um ambiente bilíngue, ou seja, em um espaço em que utilize a língua de sinais e a língua portuguesa. Um período adicional de horas diárias de estudos é indicado para a execução do atendimento Educacional Especializado. Nele destacam-se três momentos didático-pedagógicos:

a) Momento do Atendimento Educacional Especializado em libras na escola comum, em que todos os conhecimentos dos diferentes conteúdos curriculares, são explicados nessa língua por um professor, sendo o mesmo preferencialmente surdo. Esse trabalho é realizado todos os dias, e destina-se aos alunos com surdez;

b) Momento do Atendimento Educacional Especializado para o ensino de libras na escola comum, no qual os alunos com surdez terão aulas de libras, favorecendo o conhecimento e a aquisição, principalmente de termos científicos. Este trabalho é realizado pelo professor e/ ou instrutor de libras (preferencialmente surdo), de acordo com estágio d desenvolvimento da língua de sinais em que o aluno se encontra. O Atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento da língua de sinais;

c) Momento do atendimento Educacional Especializado para o ensino da língua Portuguesa, no são trabalhadas as especificidades dessa língua para pessoas com surdez, à parte das aulas da turma comum, por uma professora de língua Portuguesa, graduada nesta área, preferencialmente. O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da língua Portuguesa.

PLANEJAMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO

O planejamento do Atendimento Educacional Especializado é elaborado e desenvolvido conjuntamente pelos professores que ministram aulas em libras, professor de classe comum e professor de língua Portuguesa para pessoas com surdez. O planejamento coletivo inicia-se com a definição do conteúdo curricular, o que implica que os professores pesquisem sobre o assunto a ser ensinado. Em seguida, os professores elaboram o plano de ensino. Eles preparam também os cadernos de estudos do aluno, nos quais os conteúdos são inter-relacionados.

No planejamento para as aulas em libras, há que se fazer o estudo dos termos científicos do conteúdo a ser estudado, nessa língua. Cada termo é estudado, o que amplia e aprofunda o vocabulário.

Na seqüência, todos os professores selecionam e elaboram os recursos didáticos para o Atendimento Educacional Especializado em libras e em língua Portuguesa, respeitando as diferenças entre os alunos com surdez e os momentos didático-pedagógicos em que serão utilizados.

Os alunos com surdez são observados por todos os profissionais que direta ou indiretamente trabalham com eles. Focaliza-se a observação nos seguintes aspectos: sociabilidade, cognição, linguagem (oral, escrita, viso-espacial), afetividade, motricidade, aptidões, interesses, habilidades e talentos. Registram-se as observações iniciais em relatórios, contendo todos os dados colhidos ao longo do processo e demais avaliações relativas ao desenvolvimento do desempenho de cada um.

MOMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO: O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM LIBRAS NA ESCOLA COMUM

Este atendimento constitui um dos momentos didático-pedagógico para os alunos com surdez incluídos na escola comum. O atendimento ocorre diariamente, em horário contrário ao das aulas, na sala de aula comum. A organização didática desse espaço de ensino implica o uso de muitas imagens visuais e de todo tipo de referências que possam colaborar para o aprendizado dos conteúdos curriculares em estudo, na sala de aula comum.

Os materiais e os recursos para esse fim precisam estar presentes na sala de Atendimento Educacional Especializado: mural de avisos e notícias, biblioteca da sala, painéis de gravuras e fotos sobre temas de aula, roteiro de planejamento, fichas de atividades e outros.

Na escola comum, é ideal que haja professores que realizem esse atendimento, sendo que os mesmos precisam ser formados para ser professor e ter pleno domínio da Língua de Sinais. O professor em Língua de Sinais, ministra aula utilizando a Língua de Sinais nas diferentes modalidades, etapas e níveis de ensino como meio de comunicação e interlocução.

O planejamento do Atendimento Educacional Especializado em Libras é realizado por professores especializados, juntamente com professores de língua Portuguesa, pois o conteúdo deste trabalho é semelhante ao desenvolvido em sala de aula comum.

Professor deve explorar o conteúdo curricular em todas as matérias, podendo também trabalhar com ilustração de fotos, usando alguns suportes didático-pedagógicos, devendo trabalhar também com maquetes com recursos específicos em Libras para alunos com surdez.

O Atendimento Educacional Especializado em libras fornece a base conceitual dessa língua e do conteúdo curricular estudado na sala de aula comum, o que favorece ao aluno com surdez compreensão desse conteúdo. Nesse atendimento há explicações das ideias essenciais dos conteúdos estudados em sala de aula comum. Os professores utilizam imagens visuais e quando o conceito é muito abstrato recorrem a outros recursos, como o teatro, por exemplo. Os recursos didáticos utilizados na sala de aula comum para a compreensão dos conteúdos curriculares são também utilizados no Atendimento Educacional Especializado em Libras.

No decorrer do Atendimento Educacional Especializado em Libras, os alunos se interessam, fazem perguntas, analisam, criticam, fazem analogias, associações diversas entre o que sabem e novos conhecimento em estudos.

Os professores neste atendimento registram o desenvolvimento que cada aluno apresenta, além de relação de todos os conceitos estudados, organizando apresentação deles em forma de desenhos e gravuras, que ficam no caderno.

MOMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO: O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO EM LIBRAS

Este atendimento constitui outro momento didático-pedagógico para os alunos com surdez incluídos na escola comum. Os atendimentos iniciam com o diagnóstico do aluno e ocorre diariamente, em horário contrário aos das aulas, na sala de aula comum. Este trabalho é realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras (preferencialmente surdo), de acordo com o estágio de desenvolvimento da Língua de Sinais em que o aluno se encontra. O atendimento deve ser planejado a partir do diagnóstico do conhecimento que o aluno tem a respeito da Língua de Sinais.

O professor e/ou instrutor de Libras organiza o trabalho do Atendimento Educacional Especializado, respeitando as especialidades dessa língua, principalmente o estudo dos termos científicos a serem introduzidos pelo conteúdo curricular. Eles procuram os sinais em Libras, investigando em livros e dicionários especializados, internet ou mesmo entrevistando pessoas adultas com surdez, considerando:

Caso não existam sinais para designar determinados termos científicos, os professores de Libras analisam os termos científicos do contexto em estudo, procurando entende-los, a partir das explicações dos demais professores (biologia, história, geografia e dentre outros);

Avaliam a criação dos termos científicos em Libras, a partir da estrutura lingüística da mesma, por analogia entre conceitos já existentes e/ou por empréstimos lexicais;

Os termos científicos em sinais são registrados, para serem utilizados nas aulas de Libras.

A CRIAÇÃO DE SINAIS PARA TERMOS CIENTÍFICOS

A organização didática desse espaço de ensino implica o uso de muitas imagens visuais e todo tipo de referências que possam colaborar para o aprendizado da língua de sinais. Os materiais e os recursos para esse fim precisam estar presentes na sala de Atendimento Educacional Especializado e respeitar a necessidade didático-pedagógica para o ensino da língua.

Caderno de registro de Língua de Sinais: Os alunos recorrem sempre a esse caderno, como se fosse um dicionário particular. O caderno expressa sua compreensão sobre os termos representados em libras.

Os professores do Atendimento Educacional especializado de libras fazem permanentemente avaliações para verificação da aprendizagem dos alunos em relação á evolução conceitual de libras.

Em resumo, questões importantes sobre o Atendimento Educacional Especializado em libras e para o ensino de Libras:

O atendimento Educacional Especializado com uso de libras ensina e enriquece os conteúdos curriculares promovendo a aprendizagem dos alunos com surdez na turma comum.

O ambiente educacional bilíngue é importante e indispensável, já que respeita a estrutura de libras e da língua Portuguesa.

Este atendimento exige uma organização metodológica e didática e especializada.

O professor que ministra aulas em libras deve ser qualificado para realizar o atendimento das exigências básicas do ensino por meio de libras e também para não praticar o bimodalismo, ou seja, misturar a libras e a língua Portuguesa que são duas línguas de estruturas diferentes.

O professor com surdez, para o ensino de libras oferece aos alunos com surdez melhores possibilidades do que o professor ouvinte porque o contato com crianças jovens com surdez com adultos com surdez favorece a aquisição dessa língua.

A avaliação processual do aprendizado por meio de libras é importante para que se verifique, pontualmente, a contribuição do Atendimento Educacional Especializado para o aluno com surdez na escola comum.

A qualidade dos recursos visuais é primordial para facilitar a compreensão do conteúdo curricular em Libras.

O Atendimento Educacional Especializado em libras oferece ao aluno com surdez segurança e motivação para aprender, sendo, portanto, de extrema importância para a inclusão do aluno na classe comum.

A organização do ambiente de aprendizagem e as explicações do professor em libras propiciam uma compreensão das ideias complexas, contidas nos conhecimentos curriculares.

Momento Didático-Pedagógico: O atendimento Educacional Especializado para o Ensino de Língua Portuguesa.

MOMENTO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO: O ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

O Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa acontece em sala de aula de recursos multifuncionais e em horário diferente ao da sala comum. O ensino é desenvolvido por um professor, preferencialmente, formado em Língua Portuguesa e que conheça os pressupostos linguísticos teóricos que norteiam o trabalho, e que, sobretudo acredite nesta proposta estando disposto a realizar as mudanças para o ensino do português aos alunos com surdez.

O que se pretende no Atendimento Educacional Especializado é desenvolver competência gramatical ou linguística, bem como textual, nas pessoas com surdez, para que sejam capazes de gerar sequências linguísticas bem formadas.

Nesta perspectiva, a sala de recursos para Atendimento Educacional Especializado em Língua Portuguesa deverá ser organizada didaticamente, respeitando os seguintes princípios:

Riqueza de materiais e recursos visuais (imagéticos) para possibilitar a abstração dos significados de elementos mórficos da Língua Portuguesa.

Amplo acervo textual em Língua Portuguesa, capaz de oferecer ao aluno a pluralidade dos discursos, para que os mesmos possam ter oportunidade de interação com os mais variados tipos de situação de enunciação.

Dinamismo e criatividade na elaboração de exercícios, os quais devem ser trabalhados em contextos de usos diferentes.

O Atendimento Especializado Educacional para o ensino da Língua Portuguesa é preparado em conjunto com os professores de Libras e o da sala comum. A equipe analisa o desenvolvimento dos alunos com surdez, em relação ao aprendizado dos alunos com surdez, em relação a aprendizado e domínio da Língua Portuguesa.

Neste atendimento, a professor de Língua Portuguesa focaliza o estudo dessa língua nos níveis morfológicos, sintático e semântico-pragmático, ou seja, como atribuídos os significados às palavras e como se dá à organização delas nas fases e textos de diferentes contextos, levando os alunos a perceber a estrutura da língua através do conhecimento já adquiridos naturalmente pelos alunos ouvintes.

Dessa forma, no Atendimento Educacional Especializado, o professor trabalha os sentidos das palavras de forma contextualizada, respeitando e explorando a estrutura gramatical da Língua Portuguesa. Esse processo inicia-se na educação infantil, intensificando-se na alfabetização e prossegue até o ensino superior.

O professor de Língua Portuguesa em parceria com os professores da sala comum e Libras, realiza estudos dos termos específicos do conteúdo curricular, utilizando toda fonte de pesquisa bibliográfica possível, em especial, dicionário ilustrado livros técnicos. Organiza os termos específicos em um glossário ilustrado.

Após o trabalho com glossário para a ampliação e aquisição do vocabulário do Português, são feitos estudos pontuais dos diferentes significados e formas de uso que as palavras podem assumir em diferentes contextos (estudos de palavras sinônimas e homônimas) e sua aplicação a partir da própria palavra, de frases prontas em que essas são empregadas palavras, textos ou imagens que se reportem às situações em questão.

Para esclarecerem dúvidas e polêmicas sobre o estudo dos contextos e dos conteúdos curriculares, o professor de língua Portuguesa e os professores de turma comum organizam um caderno de estudo, no qual exemplificam conceito por conceito, procurando oferecer esclarecimentos pontuais para o aprendizado dos alunos.

O Atendimento Educacional Especializado deve ser organizado para atender também alunos que optaram pela aprendizagem da língua Portuguesa na modalidade oral. Nesse caso, o professor de português oferece aos alunos as pistas fonéticas para a fala e a leitura labial.

Elaboração e interpretação de textos em língua Portuguesa:

O aluno com surdez precisa aprender a incorporar no seu texto as regras gramaticais da escrita na língua Portuguesa.

A língua Portuguesa estrutura-se a partir da combinação de vocábulos que conectados corretamente dão sentido: palavras combinadas formam frases; frases conectadas formam orações; orações transpostas por meio de conectivos formam períodos e assim por diante, até chegar ao texto. Assim se inicia o trabalho com os alunos, paralelamente á ampliação do vocabulário de tópicos frasais.

Com objetivos de alcançar estruturas gramaticalmente correta, inserem-se no trabalho regras gramaticais propriamente ditas, que os alunos ouvintes, facilmente compreendem, por terem como canal comunicativo à língua oral. No caso dos alunos com surdez, faz-se necessário criar o canal que os leva a essas compreensões. Esta situação é observada na análise morfológica – flexões de gênero, número e grau de substantivos adjetivos, bem como nas flexões verbais de modo, tempo e pessoa, ao estabeleceram nas frases e textos, a concordância verbal e nominal.

Por isto a necessidade de iniciar este trabalho nos primeiros anos de escolarização, pois uma vez que iniciados tardiamente neste processo, mais obstáculos na conquista das habilidades comunicativa escrita.

No atendimento Educacional Especializado para o ensino da língua Portuguesa, o canal de comunicação específico é a Língua de Portuguesa, ou seja, leitura e escrita de palavras, frases e textos, o uso de imagens e até mesmo o teatro, para a representação de conceitos muito abstratos. Vários recursos visuais são usados para aquisição da Língua Portuguesa.

Desta forma, os alunos precisam ficar atentos a todas as pistas oferecidas para compreenderem a mensagem. O atendimento nessa língua contribui enormemente para o avanço conceitual do aluno na classe comum.

Em resumo, podemos afirmar que:

O atendimento Educacional Especializado para aprendizagem da Língua Portuguesa exige que o profissional conheça muito bem a organização e a estrutura dessa língua, bem como, metodologias de ensino de segunda língua.

O uso de recursos visuais é fundamental para compreensão da Língua Portuguesa, seguidos de uma exploração contextual do conteúdo em estudo;

O atendimento diário em Língua Portuguesa garante a aprendizagem dessa língua pelos alunos.

Para a aquisição da Língua Portuguesa, é preciso que o professor estimule, permanentemente, o aluno, provocando-o a enfrentar desafios.

O atendimento em Língua Portuguesa é de extrema importância para o aluno com surdez na sala de comum.

A avaliação do desenvolvimento da língua Portuguesa deve ocorrer continuamente para assegurar que se conheçam os avanços do aluno com surdez e para que se possa redefinir o planejamento, se for necessário.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A política de educação inclusiva vista neste trabalho, apresentada pelo Ministério da Educação, através das próprias palavras do atual Ministro da Educação, ministro Fernando Haddad, mostram a preocupação do governo brasileiro na inclusão de pessoas surdas na sociedade, através de ações que buscam transformar o Ensino Regular e da Educação Especial de tal forma a incentivar cada vez mais a presença de portadores de surdez a participarem de salas de aulas comum em todos os níveis de ensino, desde os anos inicias até o curso Superior, juntamente com os demais alunos de sua mesma faixa etária e dessa forma, propiciando uma convivência maior com os demais alunos de sala comum.

Esta nova proposta de ensino cria um novo paradigma para a educação, no sentido que exige uma transformação nos atuais moldes, onde os alunos com surdez são colocados em sala especiais e longe da convivência com os demais alunos que realizam suas atividades em sala de aula comum.

Este novo paradigma pede uma transformação nos sistemas atuais, onde o educador de escolas públicas tem papel fundamental. Os educadores devem se preparar para receber os alunos com surdez realizando curso de especialização e curso da Língua de Sinais – LIBRAS com o objetivo de se aperfeiçoarem no relacionamento com alunos com surdez.

Apesar das dificuldades que este novo paradigma de educação traz, acreditamos ser possível programar tal modelo, com o auxílio de ferramentas tecnológicas disponíveis na informática, como software próprios para surdos e cursos de educação à distância.

REFERÊNCIAS

BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiência e educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. na 12,p. 3-12, julho-dezembro, 1999.

DAMAZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Atendimento Educacional Especializado, Ed. Biblioteca Central Unicamp, São Paulo, 2007

DORZIAT, Ana. Democracia na escola: bases para igualdade de condições surdos-ouvintes. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. na 9, p.24 -29, janeiro-junho, 1998.

DUARTE, Anderson Simão, Apostila de LIBRAS – Básico I, UNIPS – Unidade de inclusão Pró-Surdo, 2007

INCLUSÃO: Revista da Educação Especial – Secretaria de Educação Especiais. V.1, n.1 (out, 2005), Brasileira: Secretaria de Educação, 2005.

INCLUSÃO: Revista da Educação Especial – Secretaria de Educação Especiais. V.1, n.1 (out, 2005), Brasileira: Secretaria de Educação, jan/jul 2008, p.4 – 6

PIERUCCI, Antonio Flávio. Ciladas da diferença. São Paulo: Editora 34, 1999

POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimento cognitivo em crianças surdas: uma proposta de intervenção educacional. UNESP, 2001. 363p. Tese de Doutorado.

SKLIAR, Carlos (org.). Atualidade da educação bilíngüe para surdos. Porto Alegre: Mediação, 1999. 2 v.

[1]  Formação em Letras pela UNIC – Universidade de Cuiabá e Pedagogia pela FAUB. Pós Graduada em Educação Especial pela AJES – Associação Juiniesse de Ensino Superior do Vale do Juruena. Interprete em LIBRAS, habilitada pelo CASSIES.

Enviado: Novembro, 2018

Aprovado: Dezembro, 2018

 

Como publicar Artigo Científico
Formação em Letras pela UNIC – Universidade de Cuiabá e Pedagogia pela FAUB. Pós Graduada em Educação Especial pela AJES – Associação Juiniesse de Ensino Superior do Vale do Juruena. Interprete em LIBRAS, habilitada pelo CASSIES.

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