Início Geografia A Modificação do Relevo Através da Atividade de Terraplanagem: Uma Análise dos...

A Modificação do Relevo Através da Atividade de Terraplanagem: Uma Análise dos Bairros Nova Ituiutaba I, Ii, Iii e Iv na Cidade de Ituiutaba-MG

RC: 5333 -
A Modificação do Relevo Através da Atividade de Terraplanagem: Uma Análise dos Bairros Nova Ituiutaba I, Ii, Iii e Iv na Cidade de Ituiutaba-MG
5 (100%) 1 vote
1157
0
ARTIGO EM PDF

SILVA, Silvanio de Cássio da [1]

SILVA, Silvanio de Cássio da. A Modificação do Relevo Através da Atividade de Terraplanagem: Uma Análise dos Bairros Nova Ituiutaba I, Ii, Iii e Iv na Cidade de Ituiutaba-MG. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 1. Vol. 9. pp 854-872. Outubro / Novembro de 2016. ISSN. 2448-0959

Resumo

Atualmente é muito comum observar na mídia diversas matérias sobre impactos ambientais ocorridos na área urbana e uma das explicações para isso acontece devido à forma como o relevo é ocupado, pois afetam a qualidade de vida da população. Com isso, discussões que fundamentam o repensar do uso dos recursos naturais de forma consciente e sustentável, visto que a sociedade ao ocupar as áreas de topo, vertentes e fundos de vale podem desencadear alguns impactos ambientais urbanos, como por exemplo erosões, assoreamento, movimento de massa. Assim, o objetivo deste texto é apresentar uma explanação sobre a questão da ocupação do relevo onde foi implantado os bairros Nova Ituiutaba I, II, III e IV na cidade de Ituiutaba-MG, para entender como esse processo gerou diferentes impactos ambientais na área. Para alcançar o objetivo proposto foram adotados os seguintes procedimentos; A) trabalho de revisão bibliográfica a respeito da temática abordada; B) investigação de imagens de satélites em acervos digitais que contemplem a área de estudo e que permitiram a comparação da área antes e depois da ocupação; C) realização de trabalhos de campo para obtenção de informações da área estudada junto a órgãos públicos municipais, além da identificação e registro fotográfico dos principais impactos decorrentes do processo de terraplanagem no relevo. O processo de modificação do relevo foi causado principalmente pelo procedimento de terraplanagem que ocorreu no local, causando cortes nas vertentes, que desencadeou o transporte de material superficial para as áreas de fundo de vale acarretando assim o surgimento deposito etnogênico, o assoreamento do curso d’água existente no local, além de formação de sulcos e ravinas.

Palavras-chave: Ocupação, Relevo, Impactos

Introdução

Nos últimos anos os problemas ambientais têm ganhado destaque na mídia e está preocupando a sociedade em geral, pois afetam direta e indiretamente a qualidade de vida da população. Com isso, as discussões que fundamentam o repensar do uso dos recursos naturais de forma consciente e sustentável vêm ganhando destaque.

Na atualidade é muito comum observar na mídia diversas matérias sobre impactos ambientais ocorridos na área urbana e isto acontece devido à forma que a ocupação está sendo realizada no momento de edificação (residências, ruas, áreas de lazer entre outros) no relevo.

Segundo Pedro Miyazaki (2008) os impactos ambientais nas áreas urbanas estão relacionados, principalmente, com as diferentes formas de apropriação e ocupação do relevo, uma vez que o processo de implantação de um loteamento não considera efetivamente a dinâmica dos processos naturais.

O processo de ocupação do relevo no Brasil envolve execução de diversos procedimentos que os esculturam e rompe o equilíbrio dinâmico da infiltração, percolamento e escoamento das águas ao longo dos topos, das vertentes e dos fundos de vale. Isso acaba acelerando os processos naturais e desencadeando impactos ambientais negativos, que são mais visíveis nas áreas urbanas. Ainda segundo Pedro Miyazaki (2014):

[…] “a transformação da paisagem ocorre por meio da intervenção da sociedade, que evidencia o modo de produzir e de consumir o espaço urbano. Assim, os compartimentos geomorfológicos são apropriados e ocupados pela mesma, que os esculturam a partir de construções e edificações com diversos usos. Isso se configura no espaço por meio de cortes em vertentes, terraplanagem em áreas de topos, retificação de cursos d’água em fundos de vale, além da impermeabilização dessas feições geomorfológicas. A sociedade, ao apropriar e ocupar o relevo passa a interferir diretamente nos processos morfodinâmicos (pedológicos, geomorfológicos, hídricos, entre outros). Assim, as diferentes morfologias do relevo sofrem um intenso processo de enculturação, cujo resultado é evidenciado nas formas que podem ser de origem degradativa (como as erosivas), deposicionais (depósitos tecnogênicos, aterros antrópicos) e intervencionistas (como exemplo os taludes e obras de terraplanagem) ”. (MIYAZAKI, 2014, p. 133)

A ocupação do relevo de forma desmedida continua fomentando crescentes discussões em como alcançar e se é possível uma estabilidade entre as ações praticadas pela sociedade – capital representado pelos agentes transformadores do relevo, propriamente dito. Essa relação então, afeta o equilíbrio dinâmico da natureza existente, podendo provocar diversos danos naturais.

É fácil identificar atualmente nas cidades os diferentes impactos oriundos da degradação dos recursos naturais e das formas de ocupação do relevo, tais como erosões urbanas, estouro de tubulações de cursos d’água canalizados, enchentes que atingem residências, movimentos de massa etc.

Diante da concentração populacional em áreas urbanas, as cidades “sem planejamento adequado” podem passar por um desastroso processo de expansão territorial urbana. Muitas vezes isso resulta em uma ocupação de compartimentos do relevo, sejam em áreas de topo, vertentes ou fundos de vale, de forma imprópria, no qual são incorporadas parcelas das áreas rurais para serem loteadas, podendo apresentar infraestrutura inadequada e/ou insuficiente, gerando problemas ambientais urbanos.

O processo de degradação ambiental tem início quando a exploração de um determinado recurso natural se torna maior do que a capacidade da natureza de repor ou reconstituir este recurso com suas características originais. Neste contexto, torna-se necessário acompanhar o desenvolvimento local e apontar aspectos falhos no planejamento e gestão da área e dos recursos voltados a ela e oferecidos por ela, racionalizando a exploração dos bens disponíveis e direcionando a ocupação do solo para fins adequados em função de sua capacidade de exploração, na tentativa de preservar a qualidade do ambiente (SILVA ET AL, 2003, p. 397).

Habitualmente as primeiras áreas a serem parceladas e loteadas são áreas privilegiadas, na perspectiva dos agentes de produção do espaço urbano, que são os proprietários fundiários e dos meios de produção, o Estado, os promotores imobiliários e os grupos sociais (CORRÊA, 1995). Estas áreas podem apresentar pouca declividade, ou seja, áreas mais planas, na maioria dos casos, estão geomorfologicamente nas áreas de topos e são destinadas as pessoas com um maior poder aquisitivo (PEDRO, 2008). Opondo-se a essa situação, as áreas com declividades mais acentuadas, normalmente são desvalorizadas e destinadas à população de um menor poder aquisitivo, sendo compartimentos geomorfológicos conhecidos como fundos de vale e vertentes com declividades acentuadas (PEDRO, 2008).

Muitas vezes estes compartimentos do relevo não são valorizados pelos especuladores imobiliários e um dos motivos que podem desvalorizá-los é o alto investimento em infraestrutura (terraplanagem, construção de taludes) utilizado para estabilizar os taludes construídos durante o processo de terraplanagem em áreas íngremes.

Nesta perspectiva, muitas cidades iniciaram a estruturação/construção de seu sítio urbano, na maioria das vezes, em compartimentos geomorfológicos de topos suavemente ondulados e planos. Todavia, com a necessidade da expansão territorial urbana, são incorporadas novas áreas, englobando todos os compartimentos do relevo, ou seja, iniciando o processo de ocupação, geralmente, em áreas de topos, estendendo-se pelo domínio das vertentes até atingir os fundos de vale.

As áreas urbanas hoje vivenciam graves problemas referentes tanto a processos erosivos como a movimentos de massa, desencadeados por ocupações irregulares nas encostas, nas áreas de planícies de inundação, entre outras áreas de frágil equilíbrio ecológico. Tal situação é agravada pelo grande contingente populacional que hoje habita as cidades, não havendo uma organização adequada para uma ocupação ordenada deste espaço. O desmatamento e a remoção de solo nas vertentes as tornam desprotegidas e ocasionam seu desequilíbrio.

A alteração da geometria da vertente, através da abertura de taludes para construção das moradias pode levar à instabilidade da vertente, intensificando ainda mais os processos erosivos e movimentos de massa. Através de deslizamentos, escorregamentos e intensos processos erosivos, o sistema busca naturalmente o equilíbrio que foi rompido. Além das áreas diretamente afetadas, as áreas a jusante também sofrerão consequências, recebendo grande quantidade de sedimentos advindos da erosão e podendo ser soterradas pelos movimentos de massa.

Este cenário apresentado até o momento pode ser observado na cidade de Ituiutaba/MG (figura 1), principalmente ao considerar o processo de apropriação e ocupação do relevo e os impactos gerados nos bairros Novos Ituiutaba I, II, III e IV.

Figura 01: Localização da Área de Estudo. Org.: FERREIRA NETO, A. M.
Figura 01: Localização da Área de Estudo.
Org.: FERREIRA NETO, A. M.

Diante disso, torna-se importante investigar o histórico de implantação destes loteamentos, como ocorreu o processo de ocupação do relevo associado à transformação da paisagem e os impactos gerados a partir desta dinâmica.

Procedimentos metodológicos

Para alcançar os objetivos propostos foram adotados os seguintes procedimentos: a) Inicialmente foi realizada uma pesquisa de revisão bibliográfica a respeito do assunto estudado; b) Investigação em acervos digitais e internet imagens que contemplem a área de estudo para observar a transformação da paisagem ao longo da história de ocupação da área, para comparar como a paisagem se encontrava antes e depois da ocupação; C) realização de trabalhos de campo para obtenção de informações da área estuda, além de identificar os principais impactos decorrentes do processo de terraplanagem no relevo e coleta de solo para execução de análise granulométrica de diversos pontos do bairro para verificar qual foi o impacto sobre o solo original, com amostras coletadas com o trado, e análise granulométrica utilizando método da EMBRAPA.

Resultados e discussões

A investigação consistiu em uma análise da transformação da paisagem a partir da ocupação do relevo e os impactos oriundos, onde buscou compreender os efeitos que o processo de terraplanagem nos loteamentos Nova Ituiutaba I, II, III e IV na cidade de Ituiutaba/MG.

A partir de diversas observações realizadas durante trabalhos de campo e traçando um comparativo com imagens obtidas pelo Google Earth do ano de 2006 a 2016, foi possível compreender como a paisagem foi transformada ao longo do período de 10 anos.

Pode-se notar na figura 02 que a área apresentava uma cobertura vegetal composta por gramíneas e arvores, tipo de uma área onde era utilizada para pastagem de animais, apesar de já aparentemente ter sofrido ação do homem a composição natural é bastante expressiva.

Figura 02: Área antes da implantação. Fonte: Google Earth 2006
Figura 02: Área antes da implantação.
Fonte: Google Earth 2006

Na figura 03 é possível observar que a ação antropogênica modificou drasticamente a dinâmica ambiental do lugar. É possível observar na imagem obtida do local no ano de 2006 períodos onde ainda não havia sido implantado o loteamento em questão, e outra imagem obtida em 2016 com a área toda modificada com a implantação do loteamento, nela pode analisar o quanto o ambiente natural foi afetado com a implantação do bairro, o que antes era apenas uma área de pastagem rural se transformou em um ambiente totalmente modificada.

Figura 03: Área modificada. Fonte: Google Earth 2016
Figura 03: Área modificada.
Fonte: Google Earth 2016

Os loteamentos “Nova Ituiutaba I, II, III e IV” foram implantados em quatro etapas totalizando 1766 residências destinadas, sendo que as etapas I E III já estão sendo habitadas totalizando cerca 966 casas, esta população ocupante é de baixa renda todos beneficiários do Programa Minha Casa Minha Vida do governo federal.

Na figura 4 abaixo, pode-se observar claramente a declividade da vertente que sofreu processo de terraplanagem para receber as moradias do loteamento Nova Ituiutaba I e III, observa-se ao fundo uma área de vegetação que é natural da área.

Figura 04: Declividade da vertente ao longo do bairro Nova Ituiutaba I Fonte: SILVA, S, C.2016
Figura 04: Declividade da vertente ao longo do bairro Nova Ituiutaba I
Fonte: SILVA, S, C.2016

Nota-se também que mostra que existiu uma preocupação em manter no calçamento do loteamento Nova Ituiutaba I e III uma área gramada para ajudar no processo de infiltração da água pelo solo, já que a vertente foi em quase toda sua totalidade impermeabilizada.

O comprimento de rampa das vertentes impermeabilizadas pela manta asfáltica que constituem as ruas direciona grande parte do escoamento superficial das águas pluviais para os locais mais baixos do relevo, transportando diferentes tipos de materiais que se acumulam no final da rua (figura 05).

Figura 05: Topo e fundo de vale Fonte: SILVA, S, C.2016
Figura 05: Topo e fundo de vale
Fonte: SILVA, S, C.2016

Foram feitos trabalhos de campo na área estudada para identificar os principais impactos e avaliar de que forma o processo de terraplanagem modificou a área.

Segundo PELOGGIA,1998:

(…) procurou discutir alguns aspectos conceituais básicos para o estabelecimento do que denominou uma “teoria do relevo tecnogênico”. Partiu então da constatação de que a ação morfogenética humana – a criação do relevo tecnogênico – pode se dar de forma tanto direta quanto indireta, e que o homem é um fator tanto de erosão como de deposição, sendo que sua ação, amplamente disseminada pelo planeta, mas não característica de climas particulares, pode aumentar ou diminuir a intensidade das manifestações naturais, como ravinamentos ou inundações (PELOGGIA ,1998, p 5)

A ocupação de áreas de vertente faz com que haja a necessidade de um trabalho grande de terraplanagem no local para que possa ser instalado as residências e demais infraestruturas de um loteamento, no caso do Nova Ituiutaba, este recorte fica extremamente evidente em uma simples visita a área, mostrando a quantidade de solo depositado.

Para que ocorra a estabilização deste dolo depositado é utilizada a técnica de construção denominado muro de arrimo que segundo Gerscovich (2010) podem ser definidos como, estruturas corridas de contenção de parede vertical ou quase vertical, apoiadas em uma fundação rasa ou profunda. Podem ser construídos em alvenaria (tijolos ou pedras) ou em concreto (simples ou armado), ou ainda, de elementos especiais os identificados no Loteamento Novos Ituiutaba são construídos em alvenaria utilizando a técnicas de construção contraforte, conforme pode ser observado na figura 6.

Figura 6: Muro de arrimo com contraforte Fonte: SILVA, S, C. 2015
Figura 6: Muro de arrimo com contraforte
Fonte: SILVA, S, C. 2015

O muro do tipo contraforte segundo Gerscovich (2010) tratando-se de laje de base interna, ou seja, sob o retroaterro, os contrafortes devem ser adequadamente armados para resistir a esforços de tração. No caso de laje externa ao retroaterro, os contrafortes trabalham à compressão. Esta configuração é menos usual, pois acarreta perda de espaço útil a jusante da estrutura de contenção. Os contrafortes são em geral espaçados de cerca de 70% da altura do muro

Figura 7: Muro de arrimo Fonte: SILVA, S, C. 2015
Figura 7: Muro de arrimo
Fonte: SILVA, S, C. 2015

Na figura 7 acima é possível verificar a construção de um muro de arrimo que é utilizado para suportar o processo de terraplanagem, este muro é uma contenção do solo que que visa estabilizar a área, tendo o objetivo de proteger, apoiar e escorar para que não apresentem riscos de deslizamento, os murros identificados no Loteamento Novos Ituiutaba são construídos em alvenaria

Segundo MOLIDERMO2011:

(…) a necessidade de escoramento do terrapleno para execução de muro de arrimo será definida pelo projeto, e na omissão deste será definida pela fiscalização, que avaliará o terreno a montante do muro, quando executado o corte. Tal escoramento, quando indicado, deverá ser feito com suas pranchas metálicas ou de madeira cravada verticalmente no solo, antes da escavação. As estacas ou pranchas deverão ser cravadas na profundidade necessária para garantir a estabilidade do talude e a segurança na área de execução do muro.

Todo terreno natural onde está implantada uma urbanização constitui uma realidade tridimensional (MASCARÓ, 2003, p. 191). Entretanto, nem sempre as variações de altura da área são consideradas no estudo de implantação de um empreendimento. O resultado disso são soluções de nivelamento da área que ignoram os impactos do trabalho de terraplanagem.

Analisar a área onde ser construído um loteamento urbano é extremamente necessário pois, diversos sistemas de infraestrutura deverão ser implantados como por exemplo sistema de tráfego, drenagem pluvial, abastecimento de água e de esgotos sanitários, coleta de resíduos sólidos serviços de telecomunicação etc.

Por mais que estes serviços sejam de extrema necessidade para aqueles que irão ocupar estes loteamentos, é necessário antes de tudo analisar os impactos ambientais que as execuções incorretas destes serviços poderão causar.

LIMA 2011, afirma:

Neste contexto, também se inserem os custos relativos à movimentação de terra. As soluções de implantação dos empreendimentos devem considerar, por razões técnicas, ambientais e orçamentárias, as variações nas cotas de altura do terreno do projeto proposto em relação ao terreno natural. As mudanças nas cotas do terreno são adotadas para atenderem a requisitos dos diversos subsistemas de infraestrutura, bem como à solução de implantação das edificações.

Ao implantar um loteamento seja em qual for a área os agentes produtores do espaço geralmente não levam em consideração o meio ambiente, ignorando algumas características do terreno como declividade, solo, erosão, podendo assim acelerar alguns problemas que já ocorriam de forma natural na área como podemos observar na figura 7 abaixo.

Figura 8: Erosão Fonte: SILVA, S, C,2016
Figura 8: Erosão
Fonte: SILVA, S, C,2016
Figura 9: Erosão Fonte: SILVA, S, C,2016
Figura 9: Erosão
Fonte: SILVA, S, C,2016

Nas imagens 8 e 9 acima pode-se observar que devido a declividade da área a impermeabilização do terreno e a quantidade insuficiente de bocas de lobo, a água da chuva é levada para a parte mais baixa do bairro em maior quantidade e velocidade, acarretando o surgimento de uma ravina e também o transporte de sedimentos e lixo para o curso d’água localizado mais abaixo.

Observando que a expansão territorial urbana na cidade de Ituiutaba-MG, no que se trata a bairros financiados pelo governo federal, através do programa Minha Casa Minha Vida, ocupam geralmente compartimentos geomorfológicos afastados da área central da cidade e principalmente áreas que eram anteriormente ocupadas para o uso agrícola causando assim um desequilíbrio ambiental.

De acordo com ROSS 1995:

“A pesquisa ambiental, na abordagem geográfica é fundamental para atingir adequados diagnósticos a partir dos quais torna-se possível elaborar prognósticos. A pesquisa ambiental na geografia tem como objeto entender as relações das sociedades humanas com a natureza dentro de uma perspectiva absolutamente dinâmica nos aspectos culturais, sociais, econômicos e naturais”. ROSS,1995, p 66

Em trabalho de campo realizado na área de pesquisa, foi observado a declividade do terreno em que o loteamento foi instalado conforme observa-se na figura 10.

Figura 10: Visão geral do loteamento Fonte: SILVA, S, C.2015
Figura 10: Visão geral do loteamento
Fonte: SILVA, S, C.2015

Casseti (1991, p 86) fala sobre a ocupação do relevo que envolve não apenas a relação homem e natureza, como também a relação homem e homem, onde os interesses dos agentes de produção do espaço estão acima do espaço natural, tendo em vista a forma que acontece esta apropriação.

Em trabalho de campo realizado na área de estudo, foram coletados os dados de declividade da área onde está implantado o loteamento Nova Ituiutaba, utilizando um equipamento GPS Garmin Nuvi, ficou contatado que a parte mais alta do bairro onde se inicia as construções , identificada como ponto 2 na imagem abaixo, está a 640 metros acima do nível do mar, enquanto a altitude do ponto 4 localizado no final da área modificada, na parte baixa da vertente está a  599 metros acima do nível do mar, constatando uma variação de 41 metros de altitude do início ao fim do baixo conforme pode ser observado na imagem 11 abaixo, estes pontos também são indicações de onde foram coletado amostras de solo para análise em laboratório.

Figura 11: Declividade Fonte: GoogleEarth Org.: Alves 2016.
Figura 11: Declividade
Fonte: GoogleEarth Org.: Alves 2016.

Através da análise granulométrica das amostras coletadas de cada profundidade, verificou-se a presença de maior quantidade de areia na parte mais superficial, respectivamente na profundidade de 30cm em comparação as outras profundidades de 60cm e 105 cm. A fração de argila na profundidade 60cm diminuiu em comparação com a superior e aumentou significativamente a profundidade de 105. Como mostra tabela 01

Tabela 01. Dados referentes à análise textural e granulométrica das amostras do Ponto 01

Amostras Profundidade Areia % Argila % Silte% U.S.D.A.
Ponto 1 30 cm 76,9 14,0 9,1 franco arenosa
Ponto 1 60 cm 72,8 10,0 17,2 franco-arenosa
Ponto 1 105 cm 71,9 20,0 8,1 franco-arenosa

Fonte: ROCHA.d.c,2016.

Posteriormente, os resultados foram transpostos para o Diagrama Textural oposto pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (U.S.D.A.), conforme mostra figura 09.

Figura 12: Diagrama Textural proposto pela U.S.D.A.
Figura 12: Diagrama Textural proposto pela U.S.D.A.

Ponto 2

O ponto dois localizado na parte mais elevada da vertente e onde se inicia o residencial.

Com as análises granulométricas podemos observar que houve um decréscimo na porção de areia comparando com o ponto 1 de ambas as profundidades, também foi possível notar no momento da coleta das amostras que, mas não foi suficiente para alteração na textura que foi “Franco-arenosa” a mesma do ponto 1, como mostra a tabela 02

Tabela 02. Dados referentes à análise textural e granulométrica das amostras do Ponto 02

Amostras Profundidade Areia % Argila % Silte% U.S.D.A.
Ponto 2 30 cm 71,6 16,0 12,4 franco-arenosa
Ponto 2 60 cm 70,6 18,0 11,4 franco-arenosa
Ponto 2 105 cm 72,7 20,0 7,3 franco-arenosa

Fonte: ROCHA.d.c,2016.

Ponto 3

O ponto 3 está localizado na parte central do bairro, onde a declividade é maior em comparação aos outros pontos bem como é mostrado na discrição geral na tabela 03

Nota-se que no local onde foi retirada as amostras o solo estava totalmente sem cobertura vegetal, onde foi possível notar que houve recentemente um processo de terraplanagem. Em relação os resultados das texturais não houve mudanças significativas, onde U.S.D.A a textura também foi “Franco-arenosa, onde é mostrado na tabela 03.

Tabela 03. Dados referentes à análise textural e granulométrica das amostras do Ponto 03

Amostras Profundidade Areia % Argila % Silte% U.S.D.A.
Ponto 3 30 cm 75,0 16,0 9,0 franco-arenosa
Ponto 3 60 cm 70,9 18,0 11,1 franco-arenosa
Ponto 3 105 cm 68,6 23, 8,0 franco-arenosa

Fonte: ROCHA.d.c,2016.

Ponto 4

O ponto 4 está localizado na baixa vertente, mais precisamente na última rua do residencial, próximo ao curso d’água.

Com relação às analises granulométricas, esse foi o único ponto que apresentou uma mudança na textura segundo a U.S.D.A resultando em “Franco-argila- arenosa”, comparado com os demais pontos, foi possível notar que houve mesmo um aumento significativo nesse ponto na porção de argila nas profundidades 60cm e 105cm, onde é mostrado na tabela 04.

Tabela 04. Dados referentes à análise textural e granulométrica das amostras do Ponto 04.

Amostras Profundidade Areia % Argila % Silte% U.S.D.A.
Ponto 4 30 cm 67,7 18,0 14,3 franco-arenosa
Ponto 4 60 cm 64,1 28,0 7,9 franco-argila-arenosa
Ponto 4 105 cm 64,8 28,0 7,2 franco-argila-arenosa

 Fonte: ROCHA.d.c,2016.

Conclusão

O tema da presente pesquisa, se refere a análise da intensidade da transformação antrópica da paisagem natural e o conjunto de problemas que este uso pode acarretar a área.

O poderoso impacto negativo que é o loteamento de áreas naturais para implantação de conjuntos habitacionais na cidade de Ituiutaba-MG, é na visão ambiental, de grande risco para as gerações futuras, tendo em vista que estes problemas que atualmente são causados irão colocar em risco possibilidade de as gerações futuras terem a chance de conhecer profundamente meio ambiente.

A forma capitalista que os meios de produção do espaço utilizam para o controle é cruel e covarde, mesmo em Ituiutaba-MG é possível observar esta forma predatória do uso e ocupação do espaço.

Referências Bibliográficas

AMARAL, D. A. Noções de Conservação do Solo. 2. ed. Editora Nobel, 1984.

CASSETI, V. Ambiente e apropriação do relevo. São Paulo: Editora Contexto, 1991.

CORRÊA, R. L. O espaço urbano. 4ª edição, 2ª reimpressão. São Paulo: Editora Ática, 2000.

GERSCOVICH, D.M.S. Apostila Estruturas de Contenção, Muros de Arrimo, Faculdade de Engenharia, Departamento de Estruturas e Fundações, UERJ, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.2010

GUERRA, A. J. T. & CUNHA, S.B. Geomorfologia e Meio Ambiente. Bertrand, Rio de Janeiro, 1996.

BAUD, Manual de Construção, Infra-estrutura, Contenções e Escoramento, Muros de Arrimo. Disponível em < >. Acesso em: http://187.17.2.135/orse/esp/es00311.pdf

GUERRA, A.T.G. & GUERRA, A. J. T. Novo Dicionário Geológico-Geomorfológico – 6 ed. – Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2008.

MASCARÓ, J. L.: Loteamentos Urbanos. 1ª ed. Porto Alegre: L. Mascaró, 2003.

MOLITERNO, Antonio, Caderno de Muros de Arrimo – 2ª Edição Revista.

LIMA,Etal, Aplicação de simulação computacional de terraplanagem para avaliação de alternativas de implantação de projetos. XIV ENTAC – Encontro Nacional de ecnologia do Ambiente Construído – 29 a 31 Outubro 2012 – Juiz de Fora

LOBO, Ademar da Silva, FERREIRA, Cláudio Vidrih e RENOFIO, Adilson, Muros de arrimo em solos colapsíveis provenientes do arenito Bauru.ET AL

NASCIMENTO, P. A. G. Ituiutaba (MG): Análise da Sua Área de Influência a Partir da Atuação de Órgãos Públicos Estaduais e Federais no Ano de 2010. Anais do XVI Encontro Nacional dos Geógrafos: Crise, práxis e autonomia: espaços de resistência e de esperanças. 2010.

PEDRO MIYAZAKI, L. C. Ambiente e apropriação dos compartimentos geomorfológicos do Conjunto Habitacional Jardim Humberto Salvador e Condomínio Fechado Damha. Dissertação (Mestrado em Geografia). Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciência e Tecnologia. Presidente Prudente, 2008.

PEDRO MIYAZAKI, L. C. APROPRIAÇÃO E OCUPAÇÃO EM DIFERENTES FORMAS DE RELEVO: ANÁLISE DOS IMPACTOS E DA VULNERABILIDADE NAS CIDADES DE PRESIDENTE PRUDENTE E MARÍLIA/SP.Tese (Doutorado em Geografia) Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciência e Tecnologia. Presidente Prudente, 2014.

ROSS, J.L.S. (1995) Análises e sínteses na abordagem geográfica da pesquisa para o planejamento ambiental. Revista do Departamento de Geografia. n. 9, p. 65-75.

Silva I. R., Bittencourt A.C.S.P., Dominguez J.M.L, Silva, S. B. M. 2003. Uma Contribuição à Gestão Ambiental da Costa do Descobrimento (Litoral Sul do Estado da Bahia): Avaliação da Qualidade Recreacional das Praias. Geografia, 28(3): 397 – 414.

SUERTEGARAY, D. M. A. Geografia física e geomorfologia: uma (re) leitura. Ijuí: Ed. Unijuí, 2002.

SUERTEGARAY, Dirce Maria Antunes e NUNES, João Osvaldo Rodrigues. A natureza da geografia física na geografia, In: TERRA LIVRE 17: Paradigmas da Geografia. Parte II. São Paulo: AGB, 2001.

SUERTEGARAY, D. M. A (Organizadora). Terra:feições ilustradas – 3 ed. – Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2008. P.264.

[1] Discente do curso de Graduação em Geografia Licenciatura/Bacharelado na Universidade Federal de Uberlândia FACIP-UFU Ituiutaba -MG. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Geomorfologia, Pedologia e Dinâmicas Ambientais (GEPDA) , monitor do laboratório de Ensino e Pesquisa em Pedologia, Geomorfologia e Ensino de Geografia Física – PEDOGEO da FACIP/UFU – Ituiutaba/MG.Bolsista do Projeto Educasolos,ano base 2015,Monitor voluntário do Projeto Educasolos ano base 2016, CNPq,Bacharel em Processos Gerencias (2014) pela Universidade Norte do Paraná(Unopar)

Como publicar Artigo Científico
Discente do curso de Graduação em Geografia Licenciatura/Bacharelado na Universidade Federal de Uberlândia FACIP-UFU Ituiutaba -MG. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas em Geomorfologia, Pedologia e Dinâmicas Ambientais (GEPDA) , monitor do laboratório de Ensino e Pesquisa em Pedologia, Geomorfologia e Ensino de Geografia Física - PEDOGEO da FACIP/UFU - Ituiutaba/MG.Bolsista do Projeto Educasolos,ano base 2015,Monitor voluntário do Projeto Educasolos ano base 2016, CNPq,Bacharel em Processos Gerencias (2014) pela Universidade Norte do Paraná(Unopar)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here