Estudo dos benefícios alcançados na utilização da plataforma Bim no planejamento e execução de projetos de construções de obras

0
232
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
PDF

ARTIGO ORIGINAL

PAIS, Jessica Dayane [1], OLIVEIRA, Rodrigo Carvalho de [2], MOREIRA, Ródion [3], FERNANDES NETO, Marcolino [4]

PAIS, Jessica Dayane. Et al. Estudo dos benefícios alcançados na utilização da plataforma Bim no planejamento e execução de projetos de construções de obras. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 06, Vol. 08, pp. 65-81. Junho de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/construcoes-de-obras

RESUMO

Para qualificar os processos no setor AEC, a elaboração dos projetos tornou-se fragmentado para reduzir os custos e o tempo trabalhado. No entanto, a incompatibilidade entre os softwares gera muitas divergências nos projetos, decorrendo de retrabalhos e afetando consideravelmente no cronograma da obra. A plataforma construtiva BIM criou uma alternativa eficiente na interoperabilidade dos projetos, viabilizando a execução construtiva na organização dos sistemas. O estudo visa explicar o que é conceito BIM, através de referências bibliográficas, vinculando os benefícios ao conceito utilizado: na gestão dos projetos, no método de modelagens paramétricas e também na integração de projetos. Esse estudo justifica-se em conformidades das mudanças tecnológicas ocorridas em prol de melhorias sobre gerenciamento das informações, dos investimentos e da transparência.

Palavras-chave: Conceito BIM, interoperabilidade, planejamento, projeto digital.

1. INTRODUÇÃO

A utilização de softwares modernos trouxe grandes benefícios no setor AEC (arquitetura, engenharia e construção). Tal modernização possibilitou aperfeiçoamento nos projetos e inovação das tecnologias construtivas, resultando em agilidade, melhoria da qualidade e menor custo das obras.

Para que a utilização de tecnologias modernas seja benéfica é necessário planejar para executar o projeto de maneira coordenada e eficaz. Porém, Thomaz (2001) destaca que na construção brasileira ainda há muitos problemas envolvidos devido as falhas presentes na execução dos projetos, bem como a desarmonização entre eles.

Para sugerir novas soluções no setor AEC, a plataforma BIM (Building Information Modeling) apresentou um modo de integrar as informações desde a elaboração do planejamento do projeto até a sua execução, a equipe de colaboradores é formada por vários profissionais. Tal equipe trabalha com as informações do projeto de forma sincronizada, resultando numa comunicação eficaz entre os projetistas e o cliente.  Eastman (2014) relata que a plataforma BIM propõe soluções para a elaboração dos projetos, melhorando o gerenciamento de todas as etapas da obra, aumentando o desempenho e a qualidade da edificação, viabilizando a demonstração gráfica dos projetos de todas as suas fases: concepção, construção até mesmo o final da vitalidade do empreendimento.

Utilizando a plataforma BIM, o recurso de compatibilização dos projetos tornou-se eficiente, diante do compartilhamento das informações entre múltiplas plataformas, através do formato de extensão de arquivo IFC (Industry Foundation Classes), para que não aconteça perda de dados durante a fragmentação, permitindo reagrupar as informações de múltiplas áreas e profissionais. Segundo Eastman (2014), o formato IFC é gerado a partir de um agrupamento de dados que são criados de modo estável para representar todos os componentes de uma edificação, com o propósito de proporcionar o compartilhamento dessas informações entre os diferentes softwares compatíveis com a tecnologia da plataforma BIM utilizados no setor AEC.

A plataforma BIM apresenta uma inovação na tecnologia da construção, resultando melhoria no planejamento e execução dos projetos. Deste modo, muitas áreas serão beneficiadas, inclusive no setor público. Com o propósito de reaproveitar os recursos inclusive no fornecimento das contas de um modo transparente, dificultando o superfaturamento dos projetos e o uso inapropriado de recursos financeiros e materiais. Possibilitando prever falhas construtivas, instalação de sistemas implantados de maneira inadequada ou mal dimensionada, além de demais prejuízos com a carência de compatibilidade das informações apresentadas por outros setores. Contudo, para que ocorra a propagação do BIM dentro do Brasil torna-se essencial implantar diretrizes e padrões que certifiquem regulamentar a aplicação nos setores público e privado.

O objetivo deste trabalho é demonstrar os benefícios da implantação da inovação tecnológica BIM no setor da construção. O impacto na utilização dessa moderna tecnologia de construção consiste na produção de projetos altamente qualificados, em menor tempo de trabalho, na compatibilização dos projetos existentes evitando erros e gastos excessivos. Com a utilização da plataforma BIM, a melhoria de gerir o canteiro de obras torna-se mais eficaz, através do posicionamento e armazenamento das matérias-primas e equipamentos. Proporcionando fácil acesso aos dados do projeto para os projetistas, colaboradores e fornecedores, de maneira que um projeto bem estruturado, torna a obra mais ágil, por meio de uma linha de raciocínio acompanhando cada etapa executada na construção. Os projetos elaborados são repletos de detalhamentos, facilitando a percepção de todos os envolvidos, eliminando retrabalhos ao longo do período de tempo de execução da referida obra. Além dos seguintes ganhos: quantitativos de materiais precisos, possibilitando descontos na compra e evitando desperdícios; intensifica o gerenciamento dos documentos, a eficiência na produtividade global da obra, maior domínio das informações e dos serviços que serão apresentados ao cliente.

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 BIM – BUILDING INFORMATION MODELING

Criado em meados de 1970, a metodologia BIM se destacou alguns anos depois com propostas de soluções inovadoras transformando o modo de desenvolver os projetos. A plataforma BIM é um processo de criação do modelo virtual com informações técnicas da edificação. Ele permite o gerenciamento colaborativo de diferentes profissionais durante a viabilidade, projeto, planejamento, execução e operação de uma obra. Para Eastman (2014), o conceito BIM é uma forma de adicionar e gerenciar informações em um projeto desde o seu início, passando pela sua conclusão, gerenciamento até o seu final. O que está por trás do BIM é um modelo tridimensional que consiste em informações de cada um de seus componentes. As informações são tão meticulosas e detalhadas que cobrem todas as maneiras possíveis pelas quais os elementos individuais podem ser especificados.

De acordo com Eastman (2014), as metodologias, os conceitos e as abordagens BIM, começaram a disseminar no Brasil, por volta dos anos 2000. Já para Santos (2017), a modelagem se despontou em meados de 2004.

Para a Autodesk (2020), empresa líder em software de design e de conteúdo digital, a alta tecnologia BIM compõe-se em uma forma inteligente de gerar informações, mediante a modelagem tridimensional, oferecendo dados e conhecimento a todos os profissionais do setor EAC para a elaboração do planejamento, da execução e do gerenciamento dos empreendimentos de uma maneira eficaz.

Oliveira (2016) relata que a utilização do BIM permiti conciliar informações, para além do propósito de representar em 3D, como no estabelecimento de informações mediante banco de dados, representação gráfica, cronograma de tempo para a realização da mão de obra e da quantificação de insumos, como modo automático para minimizar as falhas, analisando as alternativas, estudando o comportamento gerado pelo exemplar.

Thomaz (2001) considera que o aperfeiçoamento dos sistemas inteligentes construtivos possa solucionar vários problemas como: atender as regulamentações das normas técnicas e código de obras, elaboração de desenhos preliminares, detecção de falhas projetuais e soluções técnicas.

Com a evolução dos softwares, a plataforma BIM apontou uma maneira de unir informações de múltiplas disciplinas, capacitando o envolvimento de diversos profissionais ao mesmo tempo, na mesma fase do projeto, promovendo resultados eficazes no procedimento de sincronizar as informações. De acordo com Moreira e Ruschel (2015), há uma relevância gradativa na indústria construtiva com o uso da plataforma BIM, consequentemente das facilidades na gestão das informações, que proporciona a introdução de dados a partir da concepção, nas fases de execução e até na manutenção da obra.

Conforme Eastman (2014), ele também afirma que a tecnologia construtiva promove a facilidade em trabalhos simultâneos a vários projetos, proporcionando a coordenação em todas as etapas do projeto, evitando falhas ou omissões.

Entre os benefícios da plataforma BIM, o modo de prever os resultados, antes de estruturar um projeto na etapa de desenvolvimento, acarreta informações que direciona a coordenação de um trabalho, colaborando na integração dos sistemas, analisando a vida útil do empreendimento (OLIVEIRA e BROGIATTO, 2020).

Contanto Andrade e Ruschel (2009) relatam que a aplicação do Bim na concepção do projeto arquitetônico, descomplica no procedimento de quantificação, cerca de 23% dos arquitetos utilizam o BIM para quantificar, já para a análise de conflitos aproximadamente 21% usam.

Com a adesão da metodologia BIM, projetistas podem dedicar mais tempo pesquisando e planejando a sua obra, evitando retrabalhos e desperdícios na execução. Ao longo da vida útil do projeto, o montante de dados e informações coletados podem ser explorados e distribuídos, apresentando um relatório para os diversos integrantes da equipe e demais elementos interessados. (PMBOK, 2000).

Com o BIM é possível não apenas ter em mãos um modelo visual do edifício, mas também um banco de informações multidisciplinares relativas a todo o ciclo de vida do empreendimento.

2.2 PROJETO

Define-se projeto como temporário e único com a função de criar um serviço ou produto, onde define-se um começo e um fim conforme a exigência dos clientes, PMBOK (2000).

Melhado (2006) assegura que a atividade de coordenar o desenvolvimento dos projetos origina-se de uma atividade muito difícil, voltada a união de todos os requisitos do projeto. O gerenciamento deve ser realizado no decorrer de todo o seguimento do projeto e para a sua eficiência necessita, puramente, na excelência dos métodos e dos materiais estabelecido, que oriente diferentes profissionais a estabelecer uma troca dessas informações para conduzir quais decisões devem ser tomadas no desenvolvimento do projeto.

É fundamental que a gestão seja eficiente ao elaborar os projetos, um bom planejamento, isto é, maior investimento no projeto, é refletido diretamente no empreendimento, diminuindo o tempo e o custo, conforme apresentado na Figura 1.

Figura 1 – Efeito do custo no empreendimento.

Fonte: (MELHADO 2006)

Thomaz (2001) ressalta que as dificuldades predominantes na coordenação dos projetos constituem-se na não colaboração ativa de outros engenheiros na etapa da concepção projetual, onde ainda não se encontram contratados. A falta dessa participação ocorre em muitas mudanças no projeto, por interferências no próprio projeto devido às exigências do município ou concessionaria de serviço público ou até alteração pelo próprio proprietário.

PMBOK (2000) destaca que incorporado a um software os projetos são mutuamente relacionados, com a objetivo de atingir um único resultado, além de proporcionar um vínculo entre projetos, gestores, fornecedores e clientes.

2.3 INTEROPERABILIDADE

Para Andrade e Ruschel (2009), a interoperabilidade é um procedimento que abrange muitas etapas e por múltiplos participantes. Tais participantes precisam trocar as informações no decorrer de toda a vida útil do projeto. Mas, obstáculos surgem na transferência de informações, isto é, na carência de compatibilidade de softwares com a utilização do conceito Bim para o desenvolvimento dos projetos.

Para realizar a sobreposição dos projetos, é necessário ter conhecimento sobre as ferramentas utilizadas, inclusive as técnicas que auxiliará na composição dos projetos, ocasionando a compatibilidade entre tais projetos.

De acordo com Eastman (2014), a interoperabilidade demostra ser primordial a transferência de dados por diferentes recursos, de forma que seja viável o apoio de diferentes especialistas e aplicações de trabalho em equipe.

Em, Andrade e Ruschel (2009), para que a interoperabilidade seja eficiente, é extremamente importante implementar uma padronização, um protocolo internacional para a troca de dados nos softwares e nos processos dos projetos.

Um dos princípios da plataforma BIM é o emprego de idealizar um modelo, um projeto único, para maximizar a segurança e dar continuidade as informações. O formato IFC permite que todos os elementos exportados, isto é, todos os dados do projeto, sejam armazenados com qualidade e proteção. Neste modelo também possibilita que diferentes projetistas trabalhem em plataformas variadas de projetos, tais como: ArchiCAD, Autodesk BIM 360, BIMobject, B-processor, DataCAD, Edificius, Free BIM Viewer, FreeCAD, OpenOffice Calc, Revit LT, SketchUp, Tekla BIMsight, Trimble Connect, TurboFloorPlan, Vectorworks Architect, xBIM, Navisworks, entre outros.  facilitando o seguimento do trabalho, em grupo ou não. Para, Andrade e Ruschel (2009), atualmente o IFC é o principal protocolo utilizado, logo que, é um formato arquivo aberto, neutro, não controlado pelos fornecedores individuais de software, criado para facilitar a interoperabilidade entre os diferentes operadores.

2.4 IFC – INDUSTRY FOUNDATION CLASS

O IFC é um formato padrão internacional empregado pelos softwares adeptos ao BIM para a troca de informações entre eles. Tal formato padrão internacional foi originado pelo grupo International Alliance of Interoperability (IAI), em meados 1994, hoje representado por Building Smart (2020).

Maria (2008) relata que o IFC se trata de uma padronização mundial criada para a troca e ou compartilhamentos dos dados, informações e produtos, viabilizando a interoperacionalidade dos softwares no setor AEC.

Para Eastman (2014), o IFC destinou-se para apresentar informações sólidas da construção e para efetuar a transação entre um software e outro. Esse sistema é focado em prover as descrições gerais de todo o projeto, tratamento dos elementos gerados e também a vitalidade do empreendimento.

Em Andrade e Ruschel (2009), o IFC define-se como um termo colocado para denominar um modelo de representação básica e todos os dados contidos, composto conforme padrão internacional, sendo assim acessível aos colaboradores, para a elaboração estrutural e também a transferência de dados entre os softwares.

Eastman (2014) expressa que as propriedades padronizadas do IFC se amplificam por meio de materiais, atributos contextuais, tais como: dados geológicos, clima, vento, entre outros, evidenciando as associações presentes entre os objetos e as propriedades.

Já em Checcucci (2011), o IFC é definido um padrão de modo neutro que permiti representar toda a edificação no modelo numérico, por meio da estruturação dos dados chamados classes, decompondo todos os elementos em segmentos básicos: relações, geometria e propriedades.

Mundo Bim (2018) evidencia que atualmente são disponibilizados no mercado diversos softwares que permitem a exportação em formato IFC, arquitetura aberta, a saber: Revit, ArchiCad, Bentley Architecture, VectorWorks, e outros complementares.

2.5 BIM NAS OBRAS PÚBLICAS

A construção brasileira está entre as maiores no ranking mundial, movimentando 2% do mercado global do setor AEC, impactando diretamente na economia junto a evolução do país. A utilização da plataforma BIM no setor AEC brasileiro resultou, de imediato, efeitos positivos no ramo (KASSEM e AMORIM, 2015).

Miranda e Matos (2015) relata que a evolução no ramo da construção, eleva-se a necessidade de uma administração mais eficiente, focada em obras públicas, para possibilitar elevar o progresso do setor no país. A carência de transparência, fiscalização e controle das obras públicas brasileiras acarreta em suspeitas sobre a utilização de recursos púbicos.

Santos (2017) argumenta o cenário da situação geral brasileira, o conceito BIM ainda não é totalmente compreendido pelos empresários no setor AEC, devido a isso é frequente os casos falhos na implantação da plataforma BIM. Um dos prognósticos do fracasso, em muitos casos, é evidente em quem está iniciando, e que certamente não dedicou tempo e deixou de investir recursos para o melhoramento das habilidades, para assim na obter os resultados prometidos pelo BIM.

Kassem e Amorim (2015) destaca que a inserção do BIM dentro do setor público é bem limitada quando comparada a outras áreas, com exceção o Exército Brasileiro que é o pioneiro na implantação do BIM com êxito na organização e no controle das suas operações construtivas. No contexto Brasil, devido a dimensão de seu território, os princípios para a implantação e o desenvolvimento do BIM contará com a contribuição da indústria.

Porwal e Hewage (2013) ressalta que o conceito Bim no Brasil para que melhor se propague é fundamental que o setor público incentive a ação. Mas, poucas iniciativas nacionais tem contribuído e implantado a plataforma BIM no Brasil, a saber: Petrobrás, Exército Brasileiro, DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Governo de Santa Catarina, INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial).

Kassem e Amorim (2015) afirmam que um dos estados brasileiros pioneiros a colocar no edital exigência da utilização da plataforma BIM para a concepção e execução dos projetos, foi Santa Catarina, iniciando em 2015. A iniciativa compõe-se na redução da burocracia e no incentivo a mecanizar os requisitos técnicos para processamento de licitações por preço e técnica.

Entre as complicações derivadas da expansão BIM, no Brasil, pode ser exibida a carência de decretos e leis referente a utilização do BIM. No país atualmente se encontra duas normativas bastante importante para difundir e regularizar o conceito no setor AEC, apresentadas na ABNT NBR 15965 (2016) e no DECRETO 9.983 (2019).

2.6 NORMATIZAÇÃO BIM NO BRASIL

A normativa tem como objetivo a padronização e a codificação dos elementos e as bibliotecas que serão utilizadas em projetos, bem como nos estudos da praticabilidade na construção, de forma que ao implementar-se, utilizando o BIM, seja feita de maneira segura e sem extravios das informações durantes todas as fases do empreendimento, do planejamento até sua execução (CATELANI e SANTOS, 2017).

Em 2010, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), designou um comitê para normatizar o BIM, organizando e distinguindo os objetos nas bibliotecas. Desde então criando a norma ABNT NBR 15965 (2016) – Sistema de Classificação da Informação da Construção, onde foi dividida em várias partes, determinadas como: parte 1 – Terminologia e estrutura, parte 2 – Características dos objetos da construção, parte 3 – Processos da construção e parte 7 – Informação da construção. A normativa constitui-se em um processo de categorizar as informações referentes à padronização BIM, dispondo como critério o fornecimento de dados para o setor AEC, padronizando todas as informações, nomenclaturas e critérios, em todo o território brasileiro.

Segundo ABDI (2017), a norma técnica ABNT NBR 15965(2016) integra a padronização no país, onde as informações e os parâmetros sejam utilizados e reconhecidos em todo o território brasileiro. Quando aplicada a plataforma promove a incorporação de todo o ciclo de vida do empreendimento, na concepção, especificação, orçamento, planejamento, controle, documentação e no comissionamento.

A disseminação estratégica do conceito BIM no Brasil foi implantada pelo DECRETO N 9.983 (2019), com o objetivo de motivar um ambiente oportuno de investimentos ao BIM e sua propagação no país, mediante conceitos de modelagens juntamente às normativas técnicas e as bibliotecas, essas mudanças irão adequar as condições ao investimento no setor AEC. Os recursos de propagação adotados pela estratégia propõem os objetivos seguintes:

I – Difundir o BIM e os seus benefícios;

II – Coordenar a estruturação do setor público para a adoção do BIM;

III – criar condições favoráveis para o investimento, público e privado, em BIM;

IV – Estimular a capacitação em BIM;

V – Propor atos normativos que estabeleçam parâmetros para as compras e as contratações públicas com uso do BIM;

VI – Desenvolver normas técnicas, guias e protocolos específicos para adoção do BIM;

VII – desenvolver a Plataforma e a Biblioteca Nacional BIM;

VIII – estimular o desenvolvimento e a aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM; e

IX – Incentivar a concorrência no mercado por meio de padrões neutros de interoperabilidade BIM.

Com a vigência da legislação foi criado a Câmara Brasileira de BIM (CBIM) com o objetivo de deliberar políticas públicas na implantação e propagação do BIM no país. O CBIM sugere discussões, em domínio nacional e regional, sobre contrato, licitações, software, certificação dos processos e a composição de normas, em obras públicas (CBIM, 2019).

Hoje em dia, entre as metas da comissão encontra-se a procura de criar um estatuto a maneira de regularizar a introdução do BIM no Brasil, bem como na propagação através de palestras e eventos, enfatizando a extrema importância de agregar no mundo acadêmico para a qualificação dos profissionais para a utilização da ferramenta, representado na figura 2. (ABDI, 2017).

Figura 2 – Resumo do plano de implantação do BIM

Fonte: (ABDI, 2017).

O método adotado no setor público baseia-se em favorecer por intervenção do conceito BIM, proporcionando um cenário adequado para o investimento e a divulgação no país. O pico é a exigência de empregar o conceito BIM em processos de licitações de obras públicas e para gerenciar edificações e a infraestrutura que carece de adaptação de processos internos e estrutural. É imprescindível a propagação do que realmente é este recente modelo para o setor da construção expondo quais as vantagens e benefícios causará para o brasileiro e para todo o ramo. (ABDI, 2017).

3. MÉTODOS E MATERIAIS

Neste estudo optou-se pelo método de pesquisa intitulado bibliográfico, onde as fontes para o assunto escolhido podem proceder-se de práticas profissionais ou pessoais, a partir de leituras e estudo, observando e descobrindo discordâncias entre os trabalhos ou na homogeneidade de estudos de diversas disciplinas e em áreas científicas (MARCONI e LAKATOS, 2003). Esta pesquisa bibliográfica ocorreu perante levantamento e estudo de referenciais teóricos, tais como, teses, livros, artigos científicos e dissertações, contendo informações para descrever o BIM, em relação aos benefícios relacionados ao trabalho em conjunto na realização dos projetos, no planejamento e na gestão do empreendimento do início ao fim, além de ressaltar a extrema importância da adoção também em setores públicos.

Segundo Marconi e Lakatos (2003), o método científico origina-se de um agrupamento de atividades racionais e sistemáticas, com maior economia e segurança possibilita atingir o seu objetivo, delineando o melhor caminho a seguir, identificando os erros e contribuindo nas deliberações dos cientistas.

4. RESULTADOS

Por intermédio de pesquisas bibliográficas, verificou-se que a adesão do BIM progride lentamente, não somente pelo elevado custo dos softwares e a base de dados, mais também pela escassez de profissionais qualificados, visto que inúmeras empresas adotam pela terceirização do trabalho.

Conforme Barreto et al. (2016), as organizações estudadas afirmam que a modelagem da informação é utilizada apenas em parte do projeto e dificilmente utilizada para acompanhar a obra até o fim, conforme apresentado na figura 3.

Figura 3 – Utilização do BIM no setor privado.

Fonte: (BARRETO et al., 2016)

Para Andrade e Ruschel (2009) a finalidade de certificar a metodologia da interoperabilidade dos projetos, na administração pública, ficou inviável por intermédio da falta de projetos averiguados por esse processo. No Brasil, os estados estão sistematizando de modo individual a adoção ao BIM nos projetos e infraestrutura das organizações públicas, mediante um conselho estadual, ainda que o país possua diretrizes desenvolvidas quanto a utilização do BIM.

Contudo, Santos (2017) menciona casos de desarmonia, em decorrência da carência de comunicação entre os operadores envolvidos. Além da deficiência de gerenciamento para que haja uma sequência de atividade organizada. Um dos princípios a levar em conta é o alto investimento em softwares e treinamentos para a qualificação de toda a cadeia produtiva, tanto quanto o custo para a sua implantação, em função desse alto valor calculado transforma o projeto proposto muito caro, impossibilitando a sua contratação.

Já para a interoperabilidade, abrange a exigência de que diferentes fornecedores de softwares que suportem a portabilidade e união de formatos IFC e das informações, permitindo a associação de procedimentos de interoperabilidade aplicada de maneira correta.

Entre os benefícios de concretizar o BIM, o interesse dessa mudança é o objetivo de reduzir as falhas na etapa da idealização do projeto, concedendo o acesso aos dados dos projetos a todos os colaboradores ao mesmo tempo. Um único ambiente permiti que haja múltiplas fases de quantificações, consistindo em mitigar os riscos, assessorando a definição dos materiais, na nitidez das informações entre contratado e contratante, um planejamento muito eficaz, contribuindo para a estimativa da vitalidade do projeto (BARRETO et al., 2016).

Tendo em vista o método de estudo a relação à utilização do BIM nos projetos dos empreendimentos de repartições públicas, a contribuição principal deste trabalho fundamenta-se em estudar as vantagens geradas no procedimento de interoperabilidade e na gestão dos projetos mediante o mecanismo BIM aplicado no ramo AEC. Ressaltando a metodologia aplicada em todas as fases da obra, na efetividade para as organizações governamentais, além das adversidades encontradas na maneira de impulso a sua adesão, possibilitando a identificação dos problemas na elaboração do projeto.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa apresentada abordou estudos relacionados a interoperabilidade de projetos, por intervenção a modelagem das informações da construção e verificação de incoerências e interferências com a utilização das ferramentas BIM. Também foi apontado as dificuldades, a ausência de atividades governamentais para elevar a propagação para a aprovação das técnicas BIM, igualmente em setores públicos.

Considera-se que nos anos seguintes, a difusão do BIM em empreendimentos privados, e especialmente, nas obras governamentais, bem como a metodologia de padronização a qual já vem sendo estabelecida no país.

Visto que a tecnologia se situa em estágio preliminar no Brasil, conforme pouco domínio das empresas privadas, através da escassez de conhecimento específico das organizações, imprescindível maior abrangência de normativas e parâmetros, que caracterize as condições governamentais, tais como a primordialidade por profissionais qualificados.

Já nos estudos em organizações públicas e ou terceirizadas motivaram perceber a incompatibilidade dos projetos executivos do empreendimento, dificultando a avaliação no setor.

As propostas futuras para este tema consistem no objetivo de demonstrar, perante um exemplo prático, exibindo um comparativo de valores que poderiam ser economizados com o uso da interoperabilidade e na gestão dos projetos, em uma obra já consolidada.

REFERÊNCIAS

ABDI – Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Classificação da Informação no BIM – Guia 2. Coletânea Guias BIM ABDI-MDIC, Vol 2, Brasília, DF, p.38, 2017. Disponível em: <https://www.academia.edu/39726510/classificacao_da_informacao_no_BIM>. Acesso: 24 de agosto de 2020.

ANDRADE, Max Lira Veras X. de; RUSCHEL, Regina Coeli. Interoperabilidade de aplicativos BIM usados em arquitetura por meio do formato IFC. São Paulo: Revista Gestão e tecnologias de projetos, p.35 76 – 111, 2009. Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/255903878/BIM-USADOS-EM-ARQUITETURA-POR-MEIO-DO-FORMATO-IFC>. Acesso: 12 de julho de 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15965-1: Sistema de classificação da informação da construção – Parte 1: Terminologia e estrutura. 2011. Disponível em: <https://pt.scribd.com/document/351709561/NBR-15965-1-2011-pdf>. Acesso: 11 de julho de 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15965-2: Sistema de classificação da informação da construção – Parte 2: Características dos objetos da construção. 2012. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/52522287/nbr-15965-2>. Acesso: 11 de julho de 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15965-3: Sistema de classificação da informação da construção – Parte 3: Processos da Construção. 2014. Disponível em: <https://docero.com.br/doc/1vsx1>.Acesso: 11 de julho de 2020.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15965-7: Sistema de classificação da informação da construção – Parte 7: Informação da construção. 2016. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/52521495/nbr-15965-7>. Acesso: 11 de julho de 2020.

AUTODESK. Projetando e construindo melhor com BIM, 2020. Disponível em: <https://www. autodesk.com/solutions/bim>. Acesso em: 11 de julho de 2020.

BARRETO, Bruna Vieira; SANCHES, Jéssica Louise Guimarães; ALMEIDA, Thiago Luiz Gontijo de; RIBEIRO, Sidnea Eliane Campos. O BIM no cenário de arquitetura e construção civil brasileiro. Belo Horizonte – MG, FUMEC, 2016. Disponível em: <http://www.fumec.br/revistas/construindo/article/view/4811/2442>. Acesso: 01 de setembro de 2020.

BUILDING SMART Internacional. Industry Foundation Classes (IFC) – An Introduction, 2020. Disponível em: < https://technical.buildingsmart.org/standards/ifc/>. Acesso em: 21 agosto de 2020.

CATELANI, Wilton Silva; SANTOS, Eduardo Toledo. Normas brasileiras sobre BIM. Revista Concreto & Construções, p. 6 54 – 59, 2017. Disponível em: <https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.makebim.com/wp-content/uploads/2017/05/NORMAS-BIM-BRASIL.pdf&ved=2ahUKEwi7o7KEm7jsAhXFD 7 kGHdMxBN0QFjAAegQIAhAB&usg=AOvVaw2TPFhGLAczs48aGrohrkCB>. Acesso: 23 de agosto de 2020.

CBIM, Câmara Brasileira de BIM, 2019. Disponível: <https://cbim.org.br/>. Acesso em: 12 de julho de 2020.

CHECCUCCI, Érica de Souza. Colaboração e interoperabilidade no contexto da modelagem da informação da construção (BIM). Santa Fé, Argentina. XV CONGRESSO SIGRADI p. 4 482 – 485, 2011. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/277248902_Colaboracao_e_Interoperabilidade_no_contexto_da_Modelagem_da_Informacao_da_Construcao_BIM_Collaboration_and_Interoperability_in_the_context_of_Building_Information_Modeling_BIM>. Acesso: 21 de agosto de 2020.

DECRETO N° 9.983 – Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling no Brasil, 22 de agosto de 2019. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9983.htm>. Acesso: 24 de agosto de 2020.

EASTMAN, Chuck. et al. Manual de BIM: um guia de modelagem da informação da construção para arquitetos, engenheiros, gerentes, construtores e incorporadores. Porto Alegre: BOOKMAN, p.499, 2014. Disponível: <https://docero.com.br/doc/1x51se>. Acesso: 04 de julho de 2020.

KASSEM, Mohamad; AMORIM, Sergio R. Leusin. BIM – Building Information Modeling no Brasil e na União Europeia. Ministério do desenvolvimento, indústria e comércio exterior (MDIC). Brasília, p. 159, 2015.Disponível em: <https://www.academia.edu/14899332/BUILDING_INFORMATION_MODELING_NO_BRASIL_E_NA_UNI%C3%A3o_europeia_ESTRAT%C3%89GIAS_PARA_DIFUS%C3%83O_DO_BIM_NO_BRASIL>. Acesso: 23 de agosto de 2020.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos da metodologia científica. São Paulo: Atlas, p.310, 2003. Disponível: <https://docente.ifrn.edu.br/olivianeta/disciplinas/copy_of_historia-i/historia-ii/china-eindia>. Acesso: 23 de agosto de 2020.

MARIA, Mônica Mendonça. Tecnologia BIM na arquitetura. São Paulo: Mackenzie, 2008. Disponível em: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/2640. Acesso: 21 de agosto de 2020.

MELHADO, Silvio Burrattino. Coordenação de projetos de edificações. São Paulo: Nome da Rosa, p.120, 2006. Disponível em: Biblioteca Municipal de Mogi Mirim. Acesso: 11 de julho de 2020.

MIRANDA, Antônio Carlos De Oliveira; MATOS, Cleiton Rocha de. Potencial uso do BIM na fiscalização de obras públicas. REVISTA DO TCU, p. 10 22 – 31, 2015. Disponível em: <https://revista.tcu.gov.br/ojs/index.php/RTCU/article/view/1302/1381>. Acesso: 22 de agosto de 2020.

MOREIRA, Lorena Claudia de Souza; RUSCHEL, Regina Coeli. Impacto da adoção de BIM em Facility Management: uma classificação. Campinas – SP, PARC – Pesquisa em Arquitetura e Construção, p. 14 277 – 290, 2015. Disponível em: <http://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/parc/article/view/8634982>. Acesso: 04 de julho de 2020.

MUNDO BIM. Softwares BIM: fique por dentro de tudo! Fonte: Revista AU, 2018. Disponível em: <https://mundobim.com.br/softwares-bim-caracteristicas/>. Acesso: 21 de agosto de 2020

OLIVEIRA, Chrystianne Maria Rodrigues de. Contribuições ao processo de projeto de arquitetura no setor público. São Paulo: FAUUSP, 2016. Disponível em: <https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16138/tde-24022017-090037/publico/chrystiannemariarev.pdf>. Acesso: 11 de julho de 2020.

PMBOK – Project management body of knowledge – Português. Minas Gerais: PMI, p.133, 2000.Disponível: <http://www.lyfreitas.com.br/ant/pdf/MBA%20pmbok.pdf>. Acesso: 11 de julho de 2020.

PORWAL, Atul; HEWAGE, Kasun. Building Information Modeling (BIM) partnering framework for public construction projects. Automation in Construction, p.31. 204 – 214, 2013. Disponível em: < https://www.researchgate.net/publication/257371572_Building_Information_Modeling_BIM_partnering_framework_for_public_construction_projects>. Acesso em: 22 de agosto de 2020.

SANTOS, Eduardo Toledo. BIM bem feito. São Paulo: Revista Estrutura, p.3 63-65, 2017. Disponível: <https://www.makebim.com/2017/06/13/bim-bem-feito/>. Acesso: 04 de julho de 2020.

THOMAZ, Ercio. Tecnologia, gerenciamento e qualidade na construção. São Paulo: PINI, p. 449, 2001. Disponível: <https://drive.google.com/file/d/0BzjKUxzzlLWHQ1I0cHMtUUx1VlE/edit>. Acesso: 04 de julho de 2020.

[1] Graduando em Engenharia Civil.

[2] Graduando em Engenharia Civil.

[3] Coorientador. Pós graduação em empreendedorismo e inovação tecnológica – UNIVESP 2021.

[4] Orientador. Doutorado.

Enviado: Maio, 2021.

Aprovado: Junho, 2021.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here