Por que ensinar língua inglesa nas séries iniciais?

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ARTIGO ORIGINAL

PEREIRA, Ana Karine de Andrade [1]

PEREIRA, Ana Karine de Andrade. Por que ensinar língua inglesa nas séries iniciais? Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 05, Vol. 04, pp. 43-50 Maio de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

O objetivo deste artigo é refletir sobre a importância da língua inglesa nas séries iniciais. Tem-se como intuito sugerir o conteúdo que deve ser trabalhado nessas séries, ilustrar sobre a atenção que o professor deve ter em relação a isto bem como propõe-se pensar em como esses podem utilizar diversos instrumentos avaliativos para que se consigam fazer com que a aprendizagem desses alunos seja eficaz e efetiva.

Palavras-chave: Língua Inglesa, Séries Iniciais, Saberes.

INTRODUÇÃO

Esse artigo tem por objetivo realizar uma análise acerca da implementação da língua inglesa nas séries iniciais. Para tanto, esta análise percorrerá o ambiente de letramento até a maneira que o educador deve ensinar seu aluno, considerando que a criança internaliza a aprendizagem. Autores consagrados na área de ensino-aprendizagem serão citados para que sugestões de atividades e conteúdos a serem ministrados no ensino fundamental sejam propostos. Por fim, torna-se importante a discussão sobre como e para que avaliar os alunos aprendizes de língua inglesa.

ENSINAR PARA QUE?

O ensino da língua inglesa nas séries iniciais se faz necessário para a inserção do educando na sociedade atual. Isto se deve por ela ser uma língua de comunicação mundial a qual é utilizada em negócios, artigos científicos, entretenimento e debates mundiais, sendo, esses exemplos, referentes à vida adulta.

De acordo com Flory e Souza, citando Genesee (2004) “nos dias de hoje, vivenciamos uma internacionalização sem precedentes, impulsionada por uma globalização crescente de indústrias e comércio, por uma revolução nas comunicações eletrônicas, possibilitando a comunicação com qualquer parte do mundo de forma fácil, rápida e acessível, por migrações voluntárias de pessoas de um país para outro e, ao mesmo tempo, por um movimento de revitalização de línguas minoritárias” (FLORY E SOUZA, 2009, p. 24).

Alguns podem defender que o ensino do inglês nas séries iniciais é prematuro, mas é preciso que se tenha certeza que os mesmos estão tendo contato com a língua cada vez mais cedo, dessa forma, torna-se essencial o uso da tecnologia à favor do ensino, pois é uma ferramenta que está muito presente a eles, assim, considerar o celular, os jogos eletrônicos, a internet, entre outros dispositivos é fundamental para tornar esse ensino mais efetivo no contexto moderno de educação.

O professor da língua estrangeira deve ter conhecimento sobre as dificuldades de aprendizagem deste público alvo, assim deve ter cuidado ao ensinar, pois muitos ainda não estão alfabetizados. Destarte, novos critérios, conteúdos, atividades e formas de se obter uma aprendizagem efetiva precisam ser refletidos e analisados com sabedoria e atenção.

Segundo Luckesi o lúdico faz parte da atividade humana e caracteriza-se por ser espontâneo e satisfatório. Segundo o autor, o fenômeno da ludicidade foca a atividade lúdica como uma experiência interna do sujeito que a vivencia, e define como aquela que propicia a “plenitude da experiência (LUCKESI, 2002, p.27).

CONTEÚDOS E SABERES

Segundo Donini (2010), atualmente, o ensino da LI está vinculado ao Quadro Comum Europeu de Referência (CEFR – Common European Framework of Reference) que pressupõe algumas diretrizes:

– SABER (knowledge): gramática, léxico, pronúncia.

– SABER FAZER (know-how): habilidades comunicativas (ler, ouvir, compreender, escrever) e competências cognitivas ligadas à realização de tarefas, tais como analisar, categorizar e comparar informações, entre outras.

– SABER SER (be): atitudes em relação à aprendizagem e à imagem do próprio aprendiz e dos parceiros de dos parceiros de aprendizagem.

– SABER APRENDER (learn): estratégias de aprendizagem, reflexões sobre a aprendizagem na escola e fora dela (DONINI, 2010, p. 28 e p. 29).

Observa-se esta tendência nas escolas. Nela os conteúdos são considerados importantes, mas os saberes têm tomado maiores proporções, isto porque parte-se do princípio de que são eles que preparam o aluno para conviver com ética, cidadania e respeito na sociedade.

O QUE ENSINAR NO CICLO I

Os professores devem estar atentos sobre o que ensinar aos educandos, dessa forma, os textos devem interessar os alunos e fazer parte do universo deles para que os motive a ler, ouvir, interagir e despertar a curiosidades. A harmonia desses elementos faz com que a aprendizagem seja, efetivamente, concretizada.

Neste contexto o brainstorming (tempestade de idéias) é um processo essencial de ser aderido no início do ano letivo. Ele é importante para a realização de um levantamento acerca dos conhecimentos prévios dos alunos, pois é o ponto de partida para que sejam elencados conteúdos a serem trabalhados no ano letivo.

Por exemplo, no primeiro ano do ciclo 1, a apresentação do inglês necessita ser dinâmica e lúdica para que a criança consiga conectar-se com a língua. Para tanto, propõe-se a mediação de alguns conteúdos e ferramentas importantes e indispensáveis para essa fase:

– Greetings (Hi, Hello);

– Músicas (as quais os alunos devem ouvir e cantar);

– Vídeos curtos de desenhos, no qual antes de sua passagem, deve-se realizar uma conversa hipotética sobre: O que acontecerá? Quais personagens? Após assistirem ao vídeo deverá haver a confirmação das hipóteses levantadas. Para tanto é importante questionar os alunos sobre: O que gostaram? Entenderam?

– Não se pode esquecer o brincar, o professor pode apresentar a brincadeira na língua inglesa e explicar na língua portuguesa. Algumas mais frequentes são a amarelinha, pular corda, morto e vivo, entre outras brincadeiras. É preciso adaptá-las do português para o inglês.

No segundo ano, os alunos já estão familiarizados com as letras, assim, neste momento, o professor poderá introduzir algumas expressões para serem reconhecidas na língua estrangeira tais como:

– Adicionar mais Greetings (Hi, Hello, Good morning, Good afternoon and Good night). É importante associar as expressões com imagens para melhor fixação.

Neste ano escolar alguns dos conteúdos que podem ser ministrados são:

– Números de 1 a 10;

– Cores (red, green, black, white);

– Animais (cat, dog, bird and turtle);

– Leitura de histórias em quadrinhos.

Vale ressaltar que o lúdico não deve ser posto de lado, então associar brincadeiras com as aprendizagens adquiridas são muito eficazes, por exemplo: amarelinha com os greetings, na qual o estudante pode cair em uma casa e terá de pronunciar o greeting, segue adiante quem acertar.

Já no terceiro ano os estudantes com maior compreensão em relação à língua materna devem ser considerados com mais afinco, para tanto o professor deve procurar ampliar o campo lexical dos alunos a partir de um repertório que envolva:

– Números de 1 a 15;

– Cores (red, yellow, blue, green, black, white, purple, brown, pink and orange);

– Introduzir algumas perguntas (What´s your name? How old are you? What´s your favorite color? What´s your favorite days? What´s your favorite toys?

– Alguns brinquedos (doll, car, teddy bear, dinosaur, spaceman, cowboy, dog e ball);

– Partes do rosto (face, eye, teeth, ear, hair, mouth, nose e chin);

– Partes do corpo (arm, body, foot, finger, leg, hand, toe, head e feet).

Sempre tendo claro o objetivo e público alvo que está sendo ensinado, pois música, oralidade e brincadeiras são imprescindíveis para um melhor ensino- aprendizagem, desde que as especificidades sejam consideradas. Nesta fase o educando já terá condições de compreender alguns comandos feitos na língua inglesa sendo importante iniciar este procedimento a partir de alguns conteúdos como:

– Page eight;

– Site down;

– Repeat after me;

– Pay attention;

– Open your notebook.

No quarto ano, a partir de todo o conhecimento conquistado nos anos anteriores, o educador pode iniciar suas aulas na língua inglesa ao cumprimentar seus alunos assim como deve incentivar a conversa em inglês na sala de aula acrescentando novas expressões como:

– May I go to the toilet?

– Copy.

– Pequenos diálogos e poemas.

O vocabulário deve ser ampliado com:

– Alfabeto;

– Alimento (pizza, chicken, fish, egg, salad, chips and sandwich);

– Descrições humanas (blond hair, brown eyes, black hair, boy e girl);

– Alguns móveis e objetos de casa (fridge, chair, cup, teapot, plate, sink, wardrobe and bin);

– Alguns verbos (dance, juggle, jump, sing, talk, move e fly);

– Tempo (cloudy, windy, rain, snow, sunny e stormy);

– Estações do ano (spring, summer, winter e fall);

– Adjetivos (happy, sad, angry, hungry, thirsty, tired, worried e scared).

A matéria necessita ser ensinada a partir da oralidade, da escrita, da música e da resolução de exercícios. Num primeiro instante os conteúdos propostos devem ser resolvidos de forma conjunta com o aluno até que ele tenha propriedade e segurança para realizar as lições sozinho.

Ao chegar no quinto ano, esses alunos já terão certa maturidade. Com isso o professor pode falar o tempo todo na língua inglesa. Quando perceber que muitos não compreenderam mesmo após a realização da mímica e apresentação de objetos, o contexto deve ser traduzido, mas deve-se, sempre, incentivar a participação de todos no processo de abordagem do assunto em inglês.

Os conteúdos podem ser retomados dos anos anteriores assim como é importante introduzir novos:

– Animais (giraffe, zebra, rhino, antílope, hippo, bird, frog, fish, snake, crocodile, lion, tiger e bug);

– Alimento dos animais (insects, birds, plants, fruit, carrots e meat)

– Insetos (stick insect, butterfly, grasshopper, ant, bee, beetle, fly e flea);

– Preposição (in front of, behind, next to);

– Verbos relacionadas à rotina (get up, go to school, work, go home, play, have dinner, go to bed, have lunch e take a shower);

– Horas;

– Esportes (diving, riding, basketball, baseball, surfing, swimming, tennis, soccer e cycling).

– Trabalhar as datas comemorativas (Valentine’s Day, Saint Patrick’s Day, Thanksgiving Day, Halloween e etc).

AVALIAR

A avaliação é um procedimento importante, mas contextualizá-la é primordial. Para que o objetivo do ensino-aprendizagem com qualidade seja alcançado não se pode conectá-la somente a provas e notas. Dessa forma, uma avaliação diagnóstica se faz necessária para nortear o educador acerca da execução de seu plano de aula, observando os níveis de conhecimento dos estudantes e verificando quais conteúdos devem ser retomados.

Já a avaliação processual é de grande auxílio para análise do crescimento pedagógico individual de cada estudante, pois ela possibilita o feedback de como está a aprendizagem, pois aponta os aspectos que precisam ser melhorados e o que necessita de revisão. Indiferente de qual tipo de avaliação utilizada, o que faz seu sucesso, é a variedade de instrumentos avaliativos, como:

– Portfólios;

– Registros dos desempenhos dos alunos;

– Provas;

– Autoavaliação;

– Testes de múltipla escolha;

– Caça palavras;

– Cruzadinhas, etc.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Portanto, ao refletir conscientemente sobre o ensino da língua inglesa nas séries iniciais, confirma-se que a aprendizagem é benéfica, pois as crianças estão dispostas à aprendizagem de outra língua, devido à quantidade de informações que as rodeiam no cotidiano na língua estrangeira, seja em desenhos, jogos, propagandas, etc, ou seja, é preciso que elas sejam estimuladas para que o interesse pela língua não se perca neste processo.

Infelizmente há educadores que acreditam que o ensino é prematuro e pode atrapalhar a alfabetização, mas isso não se comprova, pois, muitos alunos, tanto da rede particular quanto da rede municipal de ensino de São Paulo, estão sendo alfabetizados, ao mesmo tempo que participam das aulas na disciplina de inglês desde o primeiro ano.

O que pode atrapalhar não é o ensino da disciplina e sim a metodologia utilizada, por isso o educador organizar melhor a situação de aprendizagem, para isso esse profissional precisa passar aos seus educandos o que conhece de forma segura e atrativa, ou seja, inovadora, para que o mesmo se sinta motivado e confiante para aprender a língua.

É evidente que a avaliação deve ser repensada assim como o acompanhamento do desenvolvimento individual de cada estudante, para isso, é preciso respeitar os saberes conquistados de forma diversificada e processual.

REFERÊNCIAS

DONNINI, L. Ensino de língua inglesa. São Paulo: Cengage Learning, 2013.

FLORY, E. V; SOUZA, M. T. C. D. Bilinguismo: Diferentes definições, diversas implicações. Revista Intercâmbio, v. 19, p. 23-40, 2009.

LUCKESI, C. C. Ludicidade e Atividades Lúdicas: uma abordagem apartir da experiência interna. Educação e ludicidade

Disponível em http://www.luckesi.com.br/artigoseducacaoludicidade.htm. Acesso em: 07 ago 2014.

SANTOS, A.L.P. A realidade do ensino da língua inglesa nas escolas de ensino médio com base nos novos PCNs: uma visão crítica comparativa. Trabalho de conclusão de curso – Universidade da Amazônia (UNAMA). Belém, 2001.

WORRALL, A; MORALES, J. L. English Adventure 3 – Student Book With Take Home CD. Pearson Education – Br.

WORRALL, A; MORALES, J. L. English Adventure 4 – Student Book With Take Home CD. Pearson Education – Br.

[1] Graduada em Letras pela Universidade Metodista de São Paulo.

Enviado: Outubro, 2019

Aprovado: Maio, 2019

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