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O Processo de Alfabetização na Visão Construtivista: 1º Ano do Ensino Fundamental I

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O Processo de Alfabetização na Visão Construtivista: 1º Ano do Ensino Fundamental I
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ARAUJO, Viviane Mattos de [1]

ARAUJO, Viviane Mattos de. O Processo de Alfabetização na Visão Construtivista: 1º Ano do Ensino Fundamental I. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 05, Vol. 04, pp. 64-81, Maio de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

O texto descreve a corrente pedagógica construtivista, no contexto histórico e epistemológico, destacando como centro de pesquisa o processo de alfabetização construtivista, pois esta corrente se diferencia de outras correntes pedagógicas, pois os erros não são encarados como uma ação de fracasso e passaram a ser uma ação positiva no processo de construção do conhecimento, pois errar é um direito do educando, mas o professor mediador deve fazer com que o educando tome consciência dos erros cometidos.

Procuramos verificar como acontece o processo de alfabetização de educandos do 1º ano do ensino fundamental I, segundo a teoria de Emília Ferreiro seguidora do pensamento Piagetiano, que como pesquisadora realizou diversos estudos sobre a concepção da criança a respeito da aprendizagem da leitura e da escrita, durante os seus estudos descobriu que a criança passa por níveis estruturais até que se  conquiste a complexidade alfabética, os períodos são pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético.

Palavras-chave: Construtivismo, Alfabetização, Escrita, Conhecimento, Professor Mediador.

Metodologia

A metodologia utilizada para essa pesquisa foi a bibliográfica, que consiste em abordar sobre a teoria construtivista com embasamento histórico e epistemológico, inserindo como centro de pesquisa o processo de alfabetização de educandos no 1º ano do ensino fundamental I.

O presente trabalho fundamenta-se na linha de pensamento de Emília Ferreiro (1990), Vasco Pedro Moretto (2011), e Jiron Matui (1995), que objetivam o assunto construtivismo.

O artigo foi dividido em 3 capítulos, o primeiro capítulo foi baseado na visão do Epistemológico Jean Piaget, demonstrando a interação entre o sujeito e o objeto (conhecimento).

No segundo capítulo procurou-se a fundamentar sobre o processo de alfabetização na teoria construtivista. E por fim apoiado nas ideias anteriores, o papel do professor construtivista, com embasamento teórico sobre quais caminhos devem ser adotados na prática pedagógica deste educador, para que a sala de aula se torne um ambiente alfabetizador e transformador com visão construtivista.

Introdução

O biólogo, filosófico e epistemológico suíço Jean Piaget (1896-1980) no século XX realizou pesquisas inerentes ao desenvolvimento da criança até a adolescência, e adotou a ideia de que o conhecimento se constrói na interação do sujeito com o meio social. (MATUI,1995).

A educação do Brasil passou por grandes transformações, a partir do movimento da escola nova, ocorreu exclusão de ideia de paradigma tradicional em que o professor é um indivíduo autoritário, que se preocupa com a memorização e repetição dos conteúdos formando alunos copistas ao invés de formar alunos críticos e pensantes. (MATUI,1995).

Emília Ferreiro, seguidora da linha de pensamento de Piaget, contribuiu para a educação do Brasil com pesquisas sobre o processo de alfabetização na teoria construtivista, a partir dessas pesquisas Emília Ferreiro, observou que a criança passa por níveis estruturais até que se conquiste a complexidade do sistema alfabético. Os níveis são: o pré-silábico, o silábico, silábico- alfabético e o alfabético. (FERREIRO,2003).

No processo construtivo da escrita e leitura, o processo passa a ser orientador, tratando os erros como um caminho para se alcançar o sucesso e o aluno participa da construção do seu próprio conhecimento. O principal objetivo do artigo é abordar aspectos sobre o processo de alfabetização do primeiro ano da educação básica, com embasamento teórico de Jean Piaget e Emília Ferreiro e enfatizar que construtivismo não é utopia, algumas escolas estão exercendo esse novo paradigma com resultados satisfatórios.

É importante salientar que trabalhar o método construtivista no processo ensino-aprendizagem, não significa que todos iram acompanhar o processo de construção do conhecimento, o professor mediador deve estar atento que alguns alunos apresentam déficit de aprendizagem e distúrbios de linguagem.

O construtivismo significa mudança e transformação de educação e formação continuada do professor. (MATUI,1995).

Capítulo I

Construtivismo: visão histórica e epistemológica

O construtivismo é uma teoria do conhecimento, não uma teoria do ser. Por isso, logo de início é preciso indicar o sentido dado ao termo conhecer. O construtivismo, não nega a existência de um mundo exterior ao sujeito cognoscente, mas considera que este faz experiências que lhe permitem conviver com as limitações que o mundo das coisas impõe. (MORETTO,2011).

A epistemologia genética, criada por Piaget, também estuda a origem lógica dos conhecimentos científicos, mas sobre outra óptica: como essa lógica se origina e se desenvolve na criança. Daí o adjetivo genética. O construtivismo nasceu da epistemologia genética de Juan Piaget. (MATUI, 1995: P.32).

Para que esses conhecimentos sejam construídos, é necessário que ocorra uma interação entre o sujeito e o objeto de aprendizagem. Nessa interação, o objeto entra com a “matéria” e o sujeito, com a “forma”, como, normalmente, a matéria do objeto é mais complexa do que forma do sujeito, é preciso que o sujeito mude sua forma para se acomodar à matéria do objeto e assimilá-la.

A concepção Construtivista, mediante a realização de aprendizagens significativas, o educando constrói, modifica, diversifica e coordena os seus esquemas, estabelecendo, deste modo, redes de significados que enriquecem o seu conhecimento do mundo físico e social. (César Coll, 1994: p. 137)

Coerentemente, falar sobre a história e epistemologia construtivista, de forma política remete a formação do cidadão, o papel de uma instituição escolar seja ela, pública ou particular, deve rever suas práticas no sentido de transformação em sociedade. A qualidade desse ensino se mede pela qualidade do cidadão que cada instituição forma.

Para o construtivismo, a democratização do ensino é a razão principal, sem disfarces. A aplicação do construtivismo sócio histórico à educação é uma práxis social das camadas progressistas que leva à transformação da sociedade. (MATUI,1995: p.9).

O compromisso político do construtivismo sócio histórico é com a formação do cidadão.

Por cidadão, devemos ter a consciência de que independentemente de raça, credo, princípios filosóficos e políticos, origem social e econômica, a cidadania é um direito indispensável de uma pessoa humana, o que as massas populares buscam é a conquista da cidadania para conquistar a cidadania, precisam lutar contra todos os tipos de barreiras como por exemplo, linguagem, mitos, superstições e crendices.

Esta relação entre política e construtivismo parece implícito, mas venho ressaltar que não há prática pedagógica que não tenha compromisso político nesta linha de pensamento, o construtivismo na versão sócio histórica que apresentamos, obtém continuamente uma posição em favor das massas populares que no momento, lutam pela conquista da cidadania, o posicionamento do construtivismo está relacionado com o povo, porque ele é o novo conteúdo das escolas.

Construtivismo, tema mais discutido nos dias atuais, alguns educadores pensam que construtivismo é algo “solto”, sem fundamento. No século XX Jean Piaget, provou mediante as suas pesquisas que a criança obtém capacidades de aprender com o meio social (cognitivismo).

Cognitivismo é uma corrente da psicologia que admite a função simbólica ou mente (memória, imagem mental, consciência, pensamento) como elemento indispensável para a explicação do comportamento humano. (MATUI, 1995).

O cognitivismo faz parte de uma “nova ciência da mente”, que Howard Gardner define como um esforço contemporâneo, com fundamentação empírica, para responder questões epistemológicas de longa data, principalmente aquelas relativas à natureza do conhecimento, seus componentes, suas origens, seu desenvolvido e seu emprego.

(MATUI,1995: p.19).

A concepção construtivista faz parte do cognitivismo e se insere nessa “nova ciência da mente”.

Piaget, através do seu método clínico- crítico e das provas, simples e geniais, conseguiu identificar e estudar o pensamento e a inteligência, desde a origem na criança até o equilíbrio no adulto. Com base no materialismo histórico, Vygotsky, outro gênio cognitivista, identificou e pesquisou o papel dos mediadores simbólicos, incluindo os signos, palavras para estudar a formação social da mente (MATUI, 1995).

Construtivismo é mudança de visão, não considera o conhecimento só pelo prisma do sujeito nem só pelo prisma do objeto, mas pela óptica da interação sujeito-objeto. Assim, ensaia-se definir o construtivismo como uma teoria do conhecimento que engloba numa só estrutura dois polos, o sujeito histórico e o objeto cultural, em interação recíproca, ultrapassando dialeticamente e sem cessar as construções já acabadas para satisfazer as lacunas ou carências. (MATUI, 1995).

Portanto, construtivismo é um sistema de epistemologia que fundamenta a construção da mente e do conhecimento sobre bases anteriores, no processo extremamente dinâmico e reversível de “equilibração majorante”. O conceito “equilibração majorante” é fundamental na teoria de Jean Piaget. Constituído de dois processos chamados assimilação e acomodação, a “equilibração” é o processo maior pelo qual construímos nosso conhecimento a respeito do mundo. O psicólogo argentino Batro, define o construtivismo como tendência genética de ultrapassar sem acessar as construções já acabadas para satisfazer as lacunas. (MATUI,1995).

“O construtivismo é uma tentativa de responder à questão: como se passa de um dado conhecimento para um conhecimento mais evolutivo. ” (FRANCO,1995).

Em outras palavras, o construtivismo busca explicar como o sujeito aprende, conhece e como se desenvolve a inteligência humana.

Podemos observar que o epistemológico criador da teoria construtivista, o suíço Jean Piaget, adotou um corpo teórico complexo, o nosso foco é demonstrar como se processa o conhecimento na interação sujeito e o objeto, baseado na linha do pensamento de Jean Piaget, sabemos que o sujeito não nasce com todo o seu potencial de inteligência e de conhecimento prontos, pré-determinado para ser apenas revelando, relembrando ou revisto em momento oportuno por associações.

O sujeito nasce com o potencial para desenvolver sua inteligência e sua capacidade de conhecer, e o faz através de sua ação sobre o ambiente que por sua vez, reage e responde ao sujeito, num processo de interação mútua, a relação entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido.

O ambiente é uma relação dinâmica e dialética em sentido sempre crescente de evolução qualitativa. E esta relação se dá através da ação física e mental do sujeito. O sujeito ao entrar em contato com o ambiente o indivíduo busca compreendê-lo, e o faz utilizando as estruturas lógicas ou a inteligência que já tenha desenvolvido até então. Enquanto para sua relação com este ambiente, o seu nível de compreensão causa a satisfação, e o indivíduo sente em situação de equilíbrio. Mas sua tendência natural é para compreender e conhecer cada vez mais.

Nesta busca de conhecimento o indivíduo naturalmente se defronta em um dado momento, com algo que não consegue compreender. O “dado incompreensível” interface em sua situação de “equilíbrio lógico” (FRANCO, 1995).

A desequilibração incentiva o indivíduo à tentativa de compreensão do novo para a tentativa do novo, ele procura assimilar os dados deste real que está procurando conhecer. E o faz utilizando as estruturas lógicas ou inteligência que já conseguiu desenvolver até então.

O que impulsiona o desenvolvimento cognitivo do indivíduo é sempre, a busca da verdade (ou conhecimento). E conhecer é atribuir significado ao objeto inserindo-o, encaixando-o em um todo lógico organizado. Para isto, o sujeito busca reconhecer semelhanças e estabelecer diferenças entre o novo dado da realidade e os referenciais que já possui sobre esta mesma realidade. (FRANCO,1995: p.27).

É importante ressaltar que quando o indivíduo entra em contato com o novo a ser conhecido, o indivíduo pode estabelecer dois níveis de conhecimento. Um empírico figurativo, que consiste em extrair as informações do próprio objeto. Outro reflexivo, que se dá através do estabelecimento de relação entre os dados ou informações extraídas, implicando, pois em operações e reorganizações mentais. (FRANCO,1995).

Coerentemente o verdadeiro conhecimento implica em estabelecer e compreender relações e combinações. Para tanto, os dados adquiridos através do conhecimento figurativo são necessários, mas não são suficientes.

Neste sentido na perspectiva construtivista de aprendizagem, o erro é a representação ou a concretização da hipótese do sujeito naquele momento específico de sua evolução.

Segundo as pesquisas sobre o estudo de Jean Piaget não existe epistemologia cientifica que não seja genética. A psicogênese estuda a maneira como nasce e se desenvolve o conhecimento humano no ser humano.

Esse desenvolvimento não tem fim na vida do ser humano, não é certo dizer que a construção dos conhecimentos só ocorre nas primeiras idades ou nas primeiras séries do ensino fundamental I. A psicogênese está totalmente ligada a teoria construtivista, cada conteúdo curricular tem sua psicogênese, também a alfabetização.

Capítulo II

O processo de alfabetização construtivista

A alfabetização não é exceção à regra, ela é uma construção e está relacionada aquilo que a criança quer representar e aos meios que utiliza para criar diferenciações entre as representações gráficas.

A criança constrói uma série de esquemas conceituais que não podem ser atribuídas a influência do meio. São ideais próprias que ela testa e se refletem no nível das operações mentais. “Enfim é na cabeça que se dá a alfabetização. ” (MATUI,1995).

Portanto a aprendizagem da leitura e da escrita não começa e nem termina no primeiro ano escolar, começou antes de as crianças ingressarem na escola primária e irá continuar nos anos posteriores.

Para compreender o processo de leitura, devemos compreender de que maneira o leitor, o escritor e o texto contribuem para ele. A leitura implica uma relação entre o leitor e o texto, as características do leitor são tão importantes para a leitura como as características do texto.

A relativa capacidade de um leitor em particular é obviamente importante para o uso mas exitoso do processo. Mas também é importante o propósito do leitor, a cultura social, o conhecimento prévio, o controle linguístico com as atitudes e os esquemas conceituais. Toda leitura deve haver interpretação, e o que o leitor é capaz de compreender e de aprender através da leitura depende fortemente daquilo que o leitor conhece e acredita, ou seja, antes da leitura. Diferentes pessoas lendo o mesmo texto apresentarão variações no que se refere à compreensão do mesmo, segundo a natureza de suas contribuições pessoais ao significado. Podem interpretar somente de acordo com a base do que conhecem.

O processo de leitura emprega uma série de estratégias. Uma estratégia é um amplo esquema para obter, avaliar e utilizar informação. A leitura como qualquer atividade humana é uma conduta inteligência. As pessoas não respondem simplesmente aos estímulos do meio, encontram ordem e estrutura no mundo de tal maneira que podem aprender a partir de suas experiências, antecipá-las e compreende-las.

A instrução tradicional de leitura e escrita se baseia no ensino de sinais ortográficos, nomes de letras, relações letra-som, e assim sucessivamente.

Está focalizada habitualmente em aprender e identificar letras, sílabas e palavras. Essas tradições não estão baseadas numa compreensão de como opera o processo de leitura. Não são considerações sobre o desenvolvimento baseadas na compreensão de como e por que as pessoas aprendem uma língua. Não inserem a aprendizagem da leitura no contexto de um controle crescente sobre o processo.

Segundo Emília Ferreiro, “ aprender a ler começa com o desenvolvimento do sentido das funções da linguagem escrita. Ler é buscar significado, e o leitor deve ter um propósito para buscar significado do texto. ” (FERREIRO,2003).

Aprender a ler implica o desenvolvimento de estratégias para obter sentido do texto. Implica o desenvolvimento de esquemas acerca da informação que é representada nos textos. Isto somente pode ocorrer se os leitores principais estiverem respondendo a textos significados que se mostram interessantes e tem sentido para eles.

Em sala de aula o professor construtivista deve estimular o aluno para leitura, mesmo que ele esteja no nível pré-silábico. A sala de aula deve haver um espaço de leitura, para desenvolver a imaginação, o gosto pela leitura e a oralidade.

Os textos que devem ser trabalhados em sala, devem ser contextualizados com a realidade dos alunos. A leitura não pode ser estimulada através de sílabas simples, se o professor realizar desta maneira estará se perdendo para outra corrente pedagógica, o tradicionalismo.

Tradicionalmente conforme uma perspectiva pedagógica, o problema da aprendizagem da leitura e da escrita tem sido exposto como uma questão de métodos. A preocupação dos educadores tem-se voltado para a busca do “melhor” ou “mais eficaz” deles, levantando –se assim, uma polêmica em torno de dois tipos fundamentais: métodos sintéticos que partem de elementos menores que a palavra e métodos analíticos que partem da palavra ou de unidades maiores. (FERREIRO, 2008).

Na linha de pensamentos de Emília Ferreiro, a criança busca ativamente compreender a natureza da linguagem que se fala à sua volta, formula hipóteses, busca as regularidades, coloca à prova suas antecipações a cria sua própria gramática.

Portanto para aprendera ler e escrever, a criança deve se apropriar desse conhecimento através da reconstrução do modo como ele é produzido, é necessário reinventar a escrita, por exemplo, “os supostos erros”.

Afirmamos na abertura do trabalho que os erros na visão construtivista são encarados como caminhos para se chegar ao objetivo e não como um fracasso, por exemplo, uma criança que está no período silábico (hipótese – silábica) , a escrita será assim:

U SA E A (musarela)

O A ou B L (bola)

O M T (tomate)

Se um professor tradicionalista verificar está escrita, imediatamente dirá que escrita está errada, causando constrangimento ao educando, o educador que não é pesquisador não sabe que a criança está construindo o aprendizado. Se verificarmos com um olhar construtivista, a primeira palavra escrita pelo aluno (musarela) identifica-se que a palavra tem quatro sílabas, ou seja, o aluno que está no período silábico sabe que a palavra é constituída de quatro sílabas, no entanto ainda não as representa corretamente.

Exemplificamos como é o período pré-silábico em relação a construção da escrita, segundo as pesquisas de Emília Ferreiro a criança passa por níveis estruturais até que se conquiste a complexidade alfabética, os períodos são pré-silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético. (FERREIRO,2008).

O período pré-silábico a criança começa a reconhecer a função da escrita, no entanto, utiliza letras aleatórias e números.

Exemplos:

A I E (camisa)

O A U (macaco)

Período silábico-alfabético, em outras palavras “fonetização da escrita”, a criança apresenta a lógica da hipótese silábica com algumas sílabas.

Exemplos:

G A O (gato)

P A O (pão)

VACA

M A C A C (macaco)

No período alfabético a criança apresenta compreensão de que cada unidade menos da palavra corresponde a um valor sonoro menor do que uma compreensão silábica, restando dominar convenções ortográficas. Domina enfim, o valor das letras e sílabas.

Portanto, há uma série de modos que procedem a representação alfabética da linguagem, que se sucedem em uma determinada ordem para todas as crianças, por exemplo, diferentes modos de representação sem correspondência entre os aspectos sonoros e a escrita, modos de representação silábico-alfabéticos e finalmente alfabéticos. Cada um desses níveis caracteriza-se por formas de concepção que atuam absorvendo a informação e introduzindo o elemento interpretativo próprio.

A alfabetização ocorre prioritariamente no período ano do ensino fundamental I. Por determinação legal e pela teoria de currículo adotada nessas séries, as matérias devem ser tratadas predominantemente como atividades. A alfabetização também deve passar pelos dois planos ou níveis de ação do professor: atividades e metacognição.

As atividades de alfabetização têm por objetivo provocar criações, em sala de aula, de um ambiente para a vivência interpessoal do aluno em assuntos de oralidade, leitura e escrita. Portanto, o aluno estabelece a interação com a escrita para descoberta das características físicas dos textos. Nessas atividades a criança aprimora os sentidos e a observação atenta faz uso dos amplificadores culturais e desenvolve as atividades de estudos.

Por atividades, a escrita, mais do que qualquer outra área de conhecimento, é produto cultural e ocorre na prática social, vinculada à comunidade ou ao grupo a que pertence o aluno. É participando da prática social, junto com outros indivíduos, que o aluno vivencia interpessoalmente a linguagem, a leitura e escrita. Por metacognição compreende-se as atividades de internalização, ou melhor, as atividades intrapessoais ou intrapsicológicas, segundo Vygosky. (MATUI, 1995:p.208).

A interação do sujeito com a língua e a escrita é realizada um nível operatório ou metacognitivo, o material caótico, confuso e sem determinações de nexos lógicos é transportado para um caminho que realiza a ação sobre a ação, experiência de experiência, pensar a palavra ou discurso interior. (MATUI,1995: p.208).

Com embasamento teórico Piagetiano e Vygoskyano, as atividades de leitura e escrita, que primeiramente eram executadas no plano da prática social, em situação da dialogicidade, são internamente são reconstruídas em nível mental (lógico). Um processo interpessoal é transformado em processo intrapessoal: o que era executado um nível social entre pessoas (interpsicológicamente) passa a ser executado no interior da pessoa (intrapsicologicamente). Essa passagem é o resultado de uma longa série de eventos ocorridos ao longo do desenvolvimento da pessoa não se faz em uma aula apenas, sabemos, pois que é um grande processo.

Portanto, o educador deve planejar sua prática alfabetizadora para desenvolver e executar o trabalho pedagógico de maneira inovadora construindo grandes patamares em educação para formar educandos pensantes e não copistas.

Capítulo III

O papel do professor construtivista na alfabetização

Na construção da leitura e da escrita, sabemos que não é simples, mas o educador deve rever suas práticas para gerar resultados satisfatórios. Neste capítulo iremos explicitar como o educador deve estimular leitura e escrita nos alunos.

Primeiramente, o educador que adota a corrente pedagógica construtivista, deve se auto-avaliar e se tornar um pesquisar, pois o “trabalho do professor consiste em verificar o que é que o aluno já sabe e como raciocina, com objeto de formular a pergunta precisa, no momento correto, de modo em que o aluno passa construir seu próprio conhecimento. ” (MATUI,1995).

O papel do professor no construtivismo ocupa o lugar reservado para o método didático nas outras correntes pedagógicas. O professor para se identificar com uma determinada corrente pedagógica, tem que adotar o método e as técnicas correspondentes, no construtivismo, ele precisa assumir o novo papel que lhe cabe.

O professor construtivista assume a postura de mediador, “ os mediadores são elos entre o sujeito e o objeto, funcionam como uma espécie de filtro através do qual o sujeito é capaz de ver o mundo e operar sobre eles.” (MATUI,1995).

O papel do professor construtivista é democratizar o saber humano e promover a interação entre aluno e objeto de conhecimento, o professor deve criar estratégias pedagógicas para criar intervenções mediadoras e estimular questionamentos e conversações dialógicas.

Segundo Jiron Matui, (1995) “mediação é o elo entre o sujeito e o objeto de aprendizagem, é um processo que possibilita a assimilação, acomodação e organização do sujeito.” A mediação que destacamos, não funciona com autoritarismo, significa ser um profissional incentivador do processo de aprendizagem, ou seja, um professor provocador cognitivo.

Coerentemente, o professor mediador não se perde na postura pedagógica adotada, mas trabalha com pró- atividade e possibilita a aprendizagem, respeitando a natureza do sujeito e do objeto e, principalmente do processo de construção de conhecimento.

Existem várias formas de o professor mediar a construção de conhecimentos dos alunos. Uma delas é a possibilidade de mediar o movimento da passagem do plano A de ação sobre o objeto para o plano B de reflexão sobre os fatos tomados do plano anterior. A mediação do professor faz justamente no intervalo entre a etapa de construção do conhecimento pelo aluno (conhecimento físico) e a etapa de possível produção de um saber enriquecido, complementado (conhecimento lógico-matemático) (MATUI,1995: p.61).

A função mediadora importante que o professor construtivista desempenha é trabalhar com o ambiente e a experiência dos alunos. Ele dispõe ou ordena os elementos do meio, colocando-os em atividades. A ação mediadora pedagógica resgatou a figura do profissional educador, pois a sociedade infelizmente não valoriza o educador.

Com o movimento das escolas novas, a ação do tecnicismo no ensino, o burocratismo sistêmico e a behaviorismo, associacionista inventando máquinas de ensinar, a instrução programada e o grande consumismo de livros didáticos, o professor, cada vez mais, estava perdendo a sua função. ” (MATUI, 1995: p.191).

Portanto, o construtivismo resgata o profissional de educação, dando-lhe um papel mediador específico. Coerentemente explicitamos algumas funções do professor construtivista, porém queremos destacar como ponto principal a postura do professor construtivista em relação ao erro, pois essa postura diferencia de outras correntes pedagógicas, pois todas mantiveram uma atitude de condenação. No construtivismo ao contrário, o erro é colocado numa posição de destaque, não para ser condenado, mas para ser utilizado como importante mediador de aprendizagem.

É um grande desafio para o professor construtivista, tratar os erros do educando no processo ensino-aprendizagem, para tratar os erros, o professor deve partir dos conhecimentos que os alunos já possuem, ou seja, de seus sistemas significações, apresentar problemas que geram conflitos cognitivos, dar ênfase à maximização do desenvolvimento e não apenas à busca de resultados, centralizando no processo de construção do conhecimento, aceitar soluções “erradas” como pertinentes, desde que inovadoras de programas na atividade cognitiva, fazer com que os alunos tomem consciência dos erros cometidos, percebendo-os como problemas a serem enfrentados. O professor mediador deve tratar os erros com cautela, pois a corrente pedagógica construtivista revela que há momento de corrigir os erros, quando explicitamos que há momento de correção de erros, não significa que não possa corrigi-los, significa compreende-los e reconhecer o seu papel de mediador.

No construtivismo, o professor encontra os mecanismos para compreender adequadamente os erros, coerentemente, o construtivismo trabalha com “estruturas variáveis e invariáveis. ” As primeiras são as estruturas de desenvolvimento e de conhecimento e as segundas são as invariantes funcionais ou os processos de construção, apropriação de conhecimento. Esses conceitos produziram as noções de estrutura e procedimento, muito úteis para tratar da aprendizagem e, principalmente, do problema dos erros. (MATUI, 1995: p.191).

Como destacamos anteriormente, o professor tratar os erros no processo de leitura e escrita é um desafio. Iremos destacar alguns exemplos sobre a intervenção do professor: se uma criança estiver na hipótese alfabética e saber ler e escrever e retornar numa escrita silábica, o professor deve, mediante interrogatório, fazer com que ela tome consciência do erro cometido.

Outra situação, o aluno possui estrutura em construção para a tarefa específica e comete erro no procedimento da solução. O erro nesse caso é construtivo, e o aluno tem pleno direito de errar e só aprende por tentativa e erro. “ O erro é mediação por excelência de aprendizagem”. (MATUI, 1995).

Portanto, para o construtivismo, os erros deixam de ser encarados como uma ação de fracasso e passaram a ser uma ação positiva, porque tem um espaço no mecanismo produtivo de conhecimento. Errar é um direito do aluno, mas compete ao professor fazer com que ele tome consciência dos erros cometidos.

É de grande importância destacarmos sobre o papel do professor na elaboração de atividades e sobre os caminhos para obter resultados satisfatórios no ambiente alfabetizador a partir de novas pesquisas.

No construtivismo o professor deve ser pesquisador, pois não somos máquinas, somos sujeitos pensantes e precisamos nos atualizar, através de pesquisas e novos cursos para enriquecer o trabalho pedagógico. No construtivismo o professor durante o seu trabalho mediador na construção do conhecimento , deve se auto-avaliar, sobre o próprio trabalho, analisando a metodologia adotada correspondente a corrente construtivista e se as atividades elaboradas estão no nível dos educandos, para que isso ocorra o professor deve planejar seu trabalho e  realizar revisão de atividades.

As atividades para trabalhar no ambiente alfabetizador devem ser construtivas e contextualizadas, enriquecidas de consistência pedagógicas que provocam desafio e indagação. No construtivismo, a escola e a sala de aula devem ter uma organização motora e cognitiva. A escola deve perder a rigidez e a disciplina imposta e ganhar naturalidade e criatividade. O horário e a duração das atividades ficam sujeitos ao tempo da construção e não ao tempo da explicação verbal.  As normas disciplinares nascem do consenso do grupo.

A sala de aula passa a funcionar como grupo ou equipe. O aluno satisfaz plenamente a “fascinação do estar junto”. As emoções e os afetos passam a ter lugar e vez, enfim, a formação da cidadania encontra sua verdadeira razão de ser.

O construtivismo é capaz de resgatara importância do professor e sua possibilidade de estudo, erro e aprendizagem. Um referencial vivo, identificado com o esforço da reflexão. Um construtivismo plural tal qual os objetos do conhecimento e os sujeitos de aprendizagem.

Portanto, o papel do professor construtivista significa respeitar o desenvolvimento cognitivo em que está o educando, provocar conflitos cognitivos levando o aluno a pensar, selecionar, optar e conferir suas escolhas, refazendo-as se necessário, planejar e direcionar atividades que envolvam o aluno como agente ativo do processo ensino-aprendizagem, enfatizar o trabalho coletivo, organizado, dinamizado, ativo. O professor deve tornar o aluno agente do processo ensino-aprendizagem, direcionando, questionando-o, permitindo e exigindo-lhe ação.

Considerações finais

O construtivismo é uma teoria do conhecimento que engloba numa só estrutura os dois polos, sujeito histórico e o objeto cultural, em interação recíproca, ultrapassando dialeticamente e sem cessar as construções já acabadas para satisfazer as lacunas ou necessidades.

Construtivismo é um sistema de epistemologia que fundamenta a construção da mente e do conhecimento sobre bases anteriores, num processo extremamente dinâmico e reversível de “equilibração majorante”.

Através de pesquisas podemos analisar que construtivismo não é algo “solto”, é uma corrente pedagógica de construção do conhecimento com embasamento teórico que pode ser exercido com resultados satisfatórios nas instituições educativas. No construtivismo o professor deve ser pesquisador, pois não somos máquinas, somos sujeitos pensantes e precisamos nos atualizar, através de pesquisas e novos cursos para enriquecer o trabalho pedagógico. Portanto o processo de alfabetização construtivista está relacionado a construção em que a criança realiza uma série de esquemas conceituais, ou seja, são ideias próprias que ela testa e se refletem no nível das operações mentais.

Considera-se que os objetivos foram alcançados, visto que através de embasamento teórico pude esclarecer minhas dúvidas sobre o tema, porque nos dias atuais muitos educadores discutem sobre o tema, relatam que é utopia, mas revelo que através deste trabalho que construtivismo é uma prática transformadora e respeito primeiramente ao educando, pois ele não chega na escola como uma “caixa vazia” ele é um sujeito pensante capaz de construir o seu próprio aprendizado.

Referências bibliográficas

COLL,César: Aprendizagem escolar e construção do conhecimento: Artmed. Porto Alegre, 1994.

FERREIRO, Emília: e TABEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita> Artmed. Porto Alegre,2008.

FERREIRO, Emília: Os processos de leitura e escrita: 3.ª edição.Artmed. Porto Alegre, 1995.

FRANCO, Angela: Construtivismo: uma ajuda ao professor. Belo Horizonte, Ed. Lê, 2.ª edição, 1995.

MATUI, Jiron: Construtivismo: Editora Moderna, São Paulo, 1995.

MORETO, Vasco Pedro: Construtivismo. A produção do conhecimento em aula. 5.ª edição. Editora Lamparina: Rio de Janeiro, 2011.

[1] Graduada em Pedagogia (Licenciatura Plena) pela Universidade Moacyr Sreder Bastos UNIMSB – RJ.

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