Leitura Literária: A Prática da Leitura Literária como Atividade Integrante no Processo de Formação de Leitores dos Alunos do Ensino Fundamental de uma Escola Pública do Município de São João da Baliza/RR

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Leitura Literária: A Prática da Leitura Literária como Atividade Integrante no Processo de Formação de Leitores dos Alunos do Ensino Fundamental de uma Escola Pública do Município de São João da Baliza/RR
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SANTOS, Elzeni Reis dos [1]

SANTOS, Elzeni Reis dos. Leitura Literária: A Prática da Leitura Literária como Atividade Integrante no Processo de Formação de Leitores dos Alunos do Ensino Fundamental de uma Escola Pública do Município de São João da Baliza/RR. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 01, pp. 57-79, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Esta pesquisa teve como objetivo analisar as dificuldades de aprendizagem na disciplina de Leitura Literária dos alunos do Ensino Fundamental da Escola Estadual Francisco Ricardo Macedo. O trabalho está dividido em três capítulos, onde incluem os conceitos de literatura com concepções de alguns teóricos, com um breve paralelo do que é leitura e sua importância para o indivíduo; a importância da Leitura para a Formação de Leitores no Ensino Fundamental, identificando os espaços considerados como estímulos para a motivação da leitura literária, incluindo o uso dos livros e materiais didáticos e a função do professor.  A metodologia que foi utilizada teve abordagem qualitativa e o Método indutivo, através da pesquisa bibliográfica, descritiva e natureza aplicada. Já a análise e discussão de dados, onde faz-se a análise dos dados coletados a partir da aplicação dos instrumentos, os resultados podem auxiliar professores e alunos a exercerem um trabalho mais efetivo para melhorar a qualidade ao ensino da leitura literária.

Palavras-chave: Leitura, Literatura, Ensino de Língua.

Introdução

Literatura é ficção, recriação de uma realidade, através de palavras. Essa combinação revela a maneira individual de cada escritor interpretar a realidade, vários são os conceitos de literatura.  Além disso, o homem é modificado diante dos saberes literário.

A escolha do tema surgiu de uma observação feita na escola: a primeira intenção é incentiva os alunos a fazer a leitura do livro e recontar o que leu na sala para os colegas em sala de aula, atividade que favorece criatividade, em vez de mais um espectador, o aluno transforma-se num um ouvinte sensível ao prazer de ler e ao encantamento do texto.

Além disso, na leitura compartilhada de um texto literário a possibilidade da invenção, da criação, está sempre aberta. Este talvez seja o aspecto mais fascinante de toda esta experiência: abrir espaço para a criação e a criação é o caminho para a autonomia e para autoafirmação.

Muitos são os alunos que não ser têm uma prática cotidiana da leitura literária, o ensino da literatura visa o aperfeiçoamento da leitura. Não se trata de uma ação mecânica que aborrece. Ler é estabelecer relação com o texto lido, é compreendê-lo e interpretá-lo.

Neste sentido, a literatura passa a ser um convite à liberdade de expressão, onde os alunos podem expressar seus sentimentos, descobrir e compreender melhor suas próprias emoções. A faixa etária dos alunos do Ensino Fundamental varia dos oito aos dezoito anos de idade. Nesta fase, o adolescente encontra-se emocionalmente vulnerável, e acaba sendo influenciado diretamente pelo poder de persuasão da mídia, dos amigos, dos preceitos consumistas, deixando levar-se, na maioria das vezes, pelas falsas conquistas.

A pretensão dessa pesquisa é contribuir com sugestões para o ensino da Literatura e para conhecimento prático-metodológico do professor, já que a problematização parte de como ocorre o Ensino da Literatura no processo de desenvolvimento da leitura, instrumentos básicos para aquisição e retenção de novos conhecimentos, tornando a mente do leitor mais aberta, aumentando as competências e minimizando as fragilidades no aperfeiçoamento da leitura.

A formação de leitores com proficiência vem sendo um desafio cada vez mais difícil para os professores. Trabalhar a disciplina Literatura exige a qualificação dos profissionais, a capacitação dos alunos enquanto leitores, para interação com os textos e o meio social. Além do mais, a falta de materiais literários diversificados na escola também contribui para a desmotivação dos docentes perante as práticas de leitura literária, e o livro didático tornou-se o principal meio para a execução das atividades escolares.

Em virtude disto, a maioria dos alunos tem grande insatisfação pela leitura e alguns não têm o hábito de ler nem os conteúdos escolares devidos ao uso de metodologias tradicionais, formalistas e monótonas de alguns docentes. Assim, os educadores demonstram estarem à procura de culpados pelo desinteresse dos alunos, o que se percebe é que os professores se isentam da responsabilidade de formar leitores habituais.

Diante dessa problemática, constituiu-se como objetivo geral desta pesquisa compreender as dificuldades de aprendizagem na disciplina de Literatura dos alunos do Ensino Fundamental da Estadual Francisco Ricardo Macedo dos alunos do 7º ano.

Dessa forma, foram estabelecidos os objetivos específicos que consistiram em: Identificar a metodologia utilizada pelo professor de Língua Portuguesa para o Ensino da Literatura, verificar as dificuldades encontradas no processo de aprendizagem da leitura dos alunos do Ensino Fundamental e verificar as condições de materiais e pedagógicos que a escola dispõe para o incentivo da leitura literária.

Na presente pesquisa utilizou-se a abordagem Qualitativa e o Método indutivo, através da pesquisa bibliográfica e descritiva e de natureza aplicada, onde para a coleta de informações foram utilizados questionários.

A base teórica de sustentação deste trabalho encontra-se em: Paulo Freire (2003), João e Oliveira (2006), Antonio Cândido (2000), entre outros.

O trabalho está dividido em três capítulos, o primeiro inclui concepções de Literatura de alguns teóricos, com um breve paralelo do que é leitura e sua importância para o indivíduo, a importância da Literatura para a Formação de Leitores no Ensino Fundamental, identificando os espaços que são considerados como estímulos para a motivação da leitura literária, incluindo o uso dos livros e materiais didáticos e a função do professor.

O segundo capítulo expõe a Metodologia utilizada que teve abordagem qualitativa e o Método indutivo, através da pesquisa bibliográfica, descritiva e de natureza aplicada.

O terceiro capítulo trata da análise e discussão de dados, onde faz-se a análise dos dados coletados a partir da aplicação dos instrumentos e por fim tem-se as considerações finais.

A conceitualização da literatura e sua importância

Vários são os significados ou conceitos atribuídos à literatura. O dicionário Aurélio define como “Arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prova e verso”. Neste contexto, as palavras além de identificadas têm que ter: sentido, compreensão, interpretação, relacionar o que for mais relevante em um texto, diálogo entre outras comunicações. Segundo Freire (2003, p.28) “a leitura é importante no sentido de oferecer ao homem compreensão do mundo e através dessa relação é possível a descoberta da realidade sobre a vida”.

Jordão e Oliveira (2006, p.17) definiram que “Literatura é a recriação de uma realidade por meio de palavras”. Porém não basta fazer uso da palavra para se produzir arte literária. É preciso criar formas mais intensas, que tenham um significado mais profundo.

Também Terra e Nicola (1997, p.99) afirmam que “a literatura é a linguagem carregada de significado. Grande literatura é simplesmente a linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”.

Dessa forma, a literatura não tem um compromisso de fazer um retrato da realidade imediata; ao contrário, ao artista literário interessa mais recriar a realidade de acordo com sua própria visão.

A Literatura retrata uma realidade do mundo em desenvolvimento constante em plano simbólico, e também é uma realização de linguagem.

Atualmente, a Literatura recebe um conceito de cultura que preserva o caráter lúdico do jogo literário, ou mesmo de arte que provoca novos interesses no homem, forma leitores aptos e, consequentemente, escritores, a cultura que motiva o senso crítico, que atende às necessidades individual, profissional, cultural e social do homem. Deste modo, a arte literária funciona como um jogo lúdico em torno da linguagem, das expressões, do conteúdo e das formas, a mesma não é subordinada apenas a um objetivo intermediário da prática. De acordo com Silva (2007, p.14) “a literatura não consiste apenas numa herança, num conjunto cerrado e estático de textos escritos no passado, mas apresenta-se antes como um ininterrupto processo histórico de produção de novos talentos”.

A Literatura é importante por possuir características funcionais, ela pode ir além de objeto de informação e passa a funcionar como ensino de informações. Assim, a literatura é identificada a partir do momento em que o aluno sente-se interessado por esta arte e passa a se familiarizar com a leitura por meio da prática. Quando o educando concebe a cultura literária como uma forma de sistematizar os saberes literários e não literários, o discente insere na vida a oportunidade de construir e inserir uma segunda cultura em seu contexto histórico e cultural.

Na opinião de Silva (2007, p.69), “A compreensão do mundo e a compreensão de si podem ser enriquecidas através da leitura”. A compreensão é fundamental no ato da leitura, assim, o aprendizado é fixado com a finalidade que os autores desejam.

O ato de ler

É através da leitura que a educação busca o desenvolvimento do discente, possibilitando elaborar conceitos de ampliar o seu domínio da linguagem oral, elementos da aprendizagem que são vitais para a prática da cidadania. A visão é criar leitores cada vez mais dependentes, respeitando os diversos níveis de escolaridade, e isto é possível através da leitura de textos literários e não literários.

De acordo com Martins (2005, p.30) “é preciso considerar a leitura como um processo de compreensão de expressões formal e simbólico, não importando por meio de que linguagem”. Assim, para incentivar a leitura consiste no fato da atividade de leitura quando realizada implica ser um processo de articulação dos conhecimentos inerentes a cada sujeito que realiza a ação.

Além disso, cada indivíduo faz uma leitura diferente, de objeto, imagem, manuscrito, depende do seu nível intelectual e das experiências e circunstâncias de vida e da motivação de cada leitor. Para Martins (2005) “à medida que desenvolvemos nossas capacidades sensoriais, emocionais e racionais também se desenvolvem nossas leituras nesses níveis, ainda que, repito, um ou outro permaneça” (p.80). Os níveis de leitura são simultâneos, dependendo da individualidade, da necessidade, da experiência e da motivação de cada leitor.

Faulstich (2003) diz que há dois tipos de leituras: “Leitura informativa – ao se fazer, busca-se resposta a questões específicas” (p.14). Diante disso, temos duas subdivisões da informativa que são: a leitura seletiva que o leitor escolher as ideias de acordo com o autor, e a leitura crítica que exige do aluno uma visão do assunto que está sendo estudado. Já “leitura interpretativa requer total domínio da leitura informativa. Para que se faça leitura interpretativa é necessário que se conheçam determinadas capacidades de conhecimento.” (p.22).

O ato de ler auxilia no desenvolvimento das habilidades de produção textual e análise linguística do texto. Quando o aluno adquire o hábito de leitura, além de expandir o horizonte cultural, tende a favorecer a interpretação de textos (de todas as áreas), pois a leitura expande o universo linguístico do leitor, tanto em vocabulário quanto em aspectos culturais. Quanto mais lemos, mais facilidade temos para perceber aquilo que está implícito, aquilo que extraímos de uma leitura mais aprofundada do texto. Dessa forma, o educando deixa de ser passivo na leitura e torna-se ativo e interferente, levando-se em consideração que o conhecimento resulta de um processo de construção.

Todavia, não há como falarmos sobre o ato de ler, sem falarmos sobre a importância que a Literatura exerce no universo do leitor. Em outras palavras, Silva e Zilberman (1990, p. 24) expressam “há que se ler literatura para romper o silêncio, desentravando, aceitando e retroalimentando os sentimentos e a inteligência do mundo”. Neste contexto, “a literatura se associa então à leitura.” (p.18). É primordial observar que a leitura literária é um instrumento de capacitação do sujeito em relação às demais proficiências e, ademais, permite o pleno exercício da cidadania, posto que por meio dela é possível assumir uma postura mais crítica do mundo.

A importância do ensino de literatura e leitura em sala de aula

O processo do ensino de Literatura e leitura em sala de aula requer renovações de conceitos e práticas metodológicas superando as metodologias tradicionais tão presentes no ensino.

A leitura literária é tema de discussão onde os teóricos questionam seu desenvolvimento para compreensão da realidade da sociedade. Além disso, para que se tenha um melhor aproveitamento do uso de textos antigos, já que alguns professores que desenvolvem no aluno a ideia de que a Literatura não faz parte do mundo contemporâneo, tornando sem proveito o seu estudo.

Definindo a importância da Literatura em sala de aula, Martins (2005) diz que aprender a ler significa também “aprender a ler o mundo, dar sentido a ele e a nós próprios, o que, mal ou bem, fazemos mesmo sem ser ensinados”. Diante disso, o professor deve apresentar ao aluno o texto literário ou não literário como um conjunto de produções em linguagem carregada de sentidos. Isso significa universalizar, na escola, a concepção de leitura como uma modalidade artística de linguagem que veicula componentes temáticos e ideológicos a partir dos quais é possível aprimorar a compreensão das diversidades sociais, econômicas e culturais do mundo em que vivemos.

Percebe-se que a Literatura é tão importante quanto os demais conhecimentos transmitidos aos alunos do Ensino Médio. O ensino da literatura, bem como o de outras artes, desenvolve o cumprimento do art. 35 da Lei de Diretrizes e Bases do Ensino Médio, que preceitua como um de seus objetivos no inciso lll: “aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico” (BRASIL,1996).

Caberia então à Literatura e à escola ter como meta o desenvolvimento do humanismo, da autonomia intelectual e do pensamento crítico, não importando se o educando continuará os estudos ou ingressará no mercado de trabalho.

Desta forma, caberia ao professor o papel de formar o leitor literário, ou seja, um leitor reflexivo, crítico, que sabe apropriar-se daquilo que tem direito, visto.

Assim, quando o aluno não tem interesse pela leitura literária, cabe ao professor motivá-lo com suas habilidades. É preciso que a escola e o professor criem e organizem condições para que os discentes do Ensino Fundamental possam praticar a leitura literária. O professor tem que estar envolvido com o ato de ler, onde o aluno possa fazer da leitura um hábito e este se torne um processo de aprendizagem, onde a leitura possa ser desenvolvida juntamente com a compreensão e a interpretação por meios diversos.

Além disso, é necessário que os alunos tenham acesso ao mundo letrado e que a escola e os professores ampliem suas tarefas ao ensino da leitura e fortaleçam os meios para que o discente possa se dedicar a esta tarefa essencial à sua formação.  A leitura desempenha um papel fundamental no nível individual e coletivo do aluno, contribuindo para seu enriquecimento pessoal, possibilitando-o a ter uma visão real do mundo.

Kleiman (2001) afirma que: “ninguém consegue fazer aquilo que é difícil demais, nem aquilo do qual não consegue extrair sentido” (p.16). Neste contexto, cabe ao professor negociar para poder ensinar, é preciso usar estratégias de leituras. Nesse sentido Lajolo (1997) afirma que todas “as atividades escolares das quais o texto participa precisam ter sentido, para que o texto resguarde seu significado maior.” (p.62)

Uma saída seria o professor fornecer modelos de estratégias, fazendo com que o aluno interaja com o texto, com o professor e com o restante da turma. Inclusive porque “para elaboração de uma hipótese de leitura é necessário ativar o conhecimento prévio do leitor sobre o assunto” até que este se torne um “leitor experiente”, ou seja, até que sua leitura se torne uma atividade consciente, reflexiva e intencional. (KLEIMAN, 2001, p.56).

A Literatura como uma disciplina que envolve conhecimentos variados, necessita de complementação teórica que facilite a compreensão do aluno com o texto. O professor pode, assim, fornecer materiais que facilitem a compreensão e façam com que o aluno se sinta motivado a buscar novas fontes para sanar suas dificuldades e curiosidades. Segundo Mazzoni (2003), na “formação intelectual, que envolve um processo lento e contínuo, é necessário que o professor esteja qualificado e apto a motivar alunos com pensamentos mais críticos, e para que estes busquem seu próprio conhecimento intelectual”. (2003.p.1)

Cândido (2000) afirma que a “posição social [do artista] é um aspecto da estrutura da sociedade”. E, ainda, “o público é o fator de ligação entre o autor e sua obra”. (p.p. 22-3). Ao levar o leitor a perceber tal fato, o autor propõe exagerar essas “verdades” a fim de que o aluno se sinta interessado em analisar não somente a intimidade das obras, como também os fatores internos que participam de sua construção através do social e das características que tornam o texto uma obra de arte.

Há vários fatores que prejudicam o ensino da Literatura. Desde as estruturas físicas da sala de aula e da escola, até fatores externos que dificultam o acesso a livros literários ou de estudos da Literatura. Aos poucos, pretende-se apontá-los mais especificamente. Neste sentido, estreitamente ligado com o ensino/aprendizagem de Literatura e leitura, é essencial à compreensão do ato de ler.

Ao relevar a leitura como importância no ensino escolar do indivíduo, estão ato de ler, para que possa possibilitar o desenvolvimento de capacidades cognitiva e intelectual.

As escolas e os professores têm um grande obstáculo a superar, que é formar leitores críticos, reflexivos e conscientes.

A contribuição da literatura para formação de leitores

A Literatura no Ensino Médio é pouco estudada, está reduzida a um conhecimento superficial, são extraídos do texto apenas elementos descontextualizados com poucas informações ou fragmentados, o que dificulta o processo de aprendizagem do aluno enquanto leitor crítico.

A literatura é composta por vários instrumentos que abrangem vários conhecimentos de transmissão, na formação de leitores está relacionada à construção do universo textual de informações que o aluno pode adquirir através da leitura literária.

A aula de Literatura na sala envolve o educando com atividades e assuntos que desenvolvem a formação de opiniões, despertam o senso crítico e ajudam na construção do cidadão reflexivo que estará preparado para o mundo.

A Literatura poder ajudar na formação do leitor, através dela o educando viaja no texto, consegue entender interpretando, formulando seu próprio conceito, uma vez que pode ser comparado ao seu mundo e se apropriar de certos sentidos que contribuem para a transformação do pensamento.

O ensino da literatura envolve o entendimento aos interesses do leitor e a provocação de novos interesses que despertam os limites práticos.

Diante disso, podemos dizer a que a habilidade desenvolvida a partir da leitura diversificada e a cultura literária proporcionam um leque de oportunidades na vida do educando enquanto leitor, escritor e cidadão com pensamentos universais.

Para a formação de leitores a Literatura contribui na medida em que é desenvolvida, pois não há formalidades e limites para o seu desenvolvimento.

Segundo Bordini e Aguiar (1988, p.17), o papel da escola é decisivo no processo de formação do leitor habitual, mas para isso é preciso cumprir certos requisitos como “dispor de uma biblioteca com livros diversos de temas diferentes na área da literatura, com bibliotecários que provam o livro literário, professores leitores com fundamentação teórica e metodológica e projetos de ensino que valorizem a literatura”.

Além disso, Martins (2005) expressa que o livro didático só contribui para o desinteresse pela leitura, uma vez que tentam manipular seus leitores na intenção de transmitir valores, costumes, princípios e linguagens de uma cultura elitizada em vez de comtemplar textos que explorem o contexto socioeconômico e cultural do aluno.

É preciso considerar que os materiais didáticos têm que ser utilizados em sala de aula, mas tem que ter outros materiais para que as aulas não fiquem em um resumo.

Ainda os discentes perdem o interesse pela leitura literária pelo fato dos livros didáticos apresentarem fragmentos e textos com exercícios mecânicos que não estimulam a criatividade, prazer e a reflexão das obras literárias e os demais materiais literários.

A prática da leitura literária

Conforme, Jordão e Oliveira (2006) A linguagem literária se manifesta em duas formas: A prosa que é “utilizada em textos literários (crônicas, contos, novelas, romances e não literários (ensaios científicos, notícias e reportagens jornalísticas, mensagens publicitárias, histórias em quadrinhos” etc. (p.19). já a outra forma é o “poema que é organizado em versos, cada uma das linhas do poema uma estrofe” (p.20). além disso, a poesia refere-se à forma literária e também é o nome que se dá a produção de versos de um poeta, o escritor de poemas.

Os textos não literários apresentam uma linguagem objetiva, fundamentada em fatos históricos, concretos, dados estatísticos, etc. E os textos literários contemplam essas formas de linguagem centrada nas emoções do observador e preocupação intencional com o modo de expressa-las.

O gênero literário é o conjunto de características que permitem classificar uma obra literária em determinada categoria. A literatura ocidental deve aos gregos a concepção de três grandes gêneros literários o épico, o lírico e o dramático.

A linguagem da Literatura, quanto à forma, pode ser prosa ou poema, quanto ao conteúdo e estrutura, pode enquadrar as obras em três gêneros.  Segundo Jordão e Oliveira (2006) “O gênero épico, ou narrativo, é assim classificado por apresentar como tema a narração de fatos”.(p.40). Para que seja notável como figura principal do contexto, há uma necessidade do protagonista. Já “gênero Lírico caracteriza-se por apresentar como tema os sentimentos”, as emoções estão presentes nos personagens pessoais do artista literário e geralmente em estruturas de versos. O “gênero Dramático é característico de textos produzidos unicamente para encenação pública”. (p.41). Que é a chamada peça teatral, que conta, além do texto, com elementos transversais como atores, cenários, etc.

O critério de classificação de uma obra literária em determinado gênero é a semelhança dos temas tratados bem como o desenvolvimento e as estruturas formais empregadas na elaboração das obras. Porém, todo gênero é portador de uma mensagem, o discente precisa ler, necessita estar preparado para a leitura, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), “a leitura do texto literário é um acontecimento que provoca reações, estímulos, experiências múltiplas e variadas” (2006, p.67). Porém, cada pessoa ao fazer uma leitura tem uma reação diante do texto quando compreende, faz uma análise crítica, avaliativa e etc.

Freire definem seus ensinamentos para o professor desempenhar um importante papel na formação de seus alunos.

Castro, (1993) define as características da obra literária. Assim, ao analisar uma obra literária, “é preciso levar em conta dois aspectos: seu conteúdo (as ideias, os conceitos, a significação das palavras, etc.) e sua forma (os sons das palavras, sua rima, sua disposição gráfica no papel, etc.)” (p.60). Estes dois aspectos formam o todo que compõe um texto literário.

A respeito disso, há necessidade urgente de capacidade em leitura e estratégias e planejamento das práticas trabalhadas em sala de aula, é preciso fazer uma aliança com a literatura, já que não é possível falar em literatura sem falar em leitura.

Para que os alunos possam ter um aprendizado melhor, não é necessário somente ter acesso aos livros didáticos e à leitura de obras literárias, tem que haver algo mais provocador, sem a dinâmica à sistematização da aula faz-se rotineiramente pelo estabelecimento do contexto político-social, contra o qual se destacam as circunstâncias biográficas dos autores e suas obras. Assim estudam fragmentos escolhidos pelos autores dos livros, que nem sempre têm a necessidade da clareza quanto à necessidade de explorar a literalidade dos textos selecionados.

O PCNs (2006) afirma que “letramento literário”, consiste em: “[…] empreender esforços no sentido de adotar o educando da capacidade de se apropriar da literatura” e de ter a “experiência literária” proporcionada pelo “contato efetivo com o texto”. (p.55). Esse ensino é ministrado nas séries iniciais, mesmo a Literatura sendo um conteúdo implícito.

De acordo com Resende (2010) de vital importância são os estudos que discutem a importância da Literatura, como e de que forma tem sido o seu desenvolvimento dentro das salas de aula, quais os métodos utilizados pelos professores e quais influências a leitura tem ocasionado nos estudantes das diferentes turmas, dentro e fora da instituição.

Para o desenvolvimento da prática da leitura, é necessária a construção da identidade do aluno leitor, de forma que este crie suas competências e habilidades necessárias para se formar leitores. Segundo os PCN’s, um leitor competente deve:

  • Perceber as diferenças entre textos literários e não literários;
  • Identificar características do autor através dos indícios gramaticais;
  • Reconhecer, reproduzir, compreender e avaliar sua produção textual e alheia;
  • Desenvolver o domínio pleno do discurso através da argumentação oral por meio de diversos gêneros, ampliando suas possibilidades de participação social no exercício da cidadania.
  • Comparar textos literários, observando as linguagens verbais ou não verbais, analisando os recursos expressivos de cada um dele.

É preciso considerar que são muitas as habilidades e competências que o aluno deve desenvolver no Ensino Médio, portanto, o educador precisa estimular o aluno à criatividade, à capacidade de ler, compreender, interpretar e indagar sobre os diversos gêneros textuais que circulam no meio que os cerca.

Jordão e Oliveira (2006, p.69) afirmam que os dois textos tratam do mesmo tema: o amor. “Os autores são modernos e contemporâneos e produziram suas obras na mesma época, por volta da primeira metade do século XX”. Entretanto ambos manifestam concepções bastante diferentes sobre o tema.

Diante disso, os autores demonstram os estilos de época e os estilos individuais:

Marco metodológico

O presente capítulo apresenta uma pesquisa utilizada para a investigação de como ocorre o Ensino da Literatura em uma instituição do Ensino Fundamental no Município de São João da Baliza. São descritos os procedimentos, métodos e os dados obtidos a partir da realização deste estudo.

Os procedimentos metodológicos necessários para realização desta pesquisa partem da abordagem qualitativa que, segundo Chizzotti, (2003) […] parte de um fundamento de que há uma realização dinâmica entre o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito […].” (p.79).

O método usado na pesquisa foi o método indutivo. Para Minuayo (2003) tem a seguinte definição sobre método: “[…] a pesquisa é o caminho do pensamento a ser seguir. Ocupa um lugar central na teoria e trata-se basicamente do conjunto de técnicas adotadas para construir uma realidade.” (p.16).

Para Gil (1999, p.32) é necessário o método indutivo para basear-se na generalização de propriedades comuns a certo número de casos, partindo de uma particularidade para uma questão mais ampla.

Para o desenvolvimento deste trabalho foi utilizado a pesquisa bibliográfica, onde se adquiriu informações baseadas em pensamentos de autores, a pesquisa descritiva, observando-se e interpretando-se os fatos pesquisados.

A pesquisa bibliográfica foi desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.

Fazendo-se em fontes secundarias que é aquela que busca o levantamento de livros e revistas de relevante interessante para a pesquisa a ser realizada. Seu objetivo é colocar o autor da nova pesquisa diante de informações sobre o assunto de seu interesse. Outra ferramenta utilizada foi o questionário com perguntas abertas e fechadas tanto aos alunos quantos a professora, sendo constituído de um conjunto de questões, o qual dá possibilidade de uma sequência de respostas referentes ao tema em análise. O objetivo do questionário é, segundo Chizzotti (2003), “[…] suscitar dos informantes respostas por escrito ou verbalmente sobre assunto que os informantes saibam opinar ou informar. É uma interlocução planejada” (p.55)

Quanto à pesquisa descritiva, de acordo com Gil (1999) pesquisa descritiva é aplicada e utilizada com o objetivo de levantar opiniões, atitudes e crenças, visando descobrir a existência de associações entre variáveis.

Para se ter um trabalho científico, tem que haver um levantamento de sugestão que são as opiniões utilizadas para a realização do trabalho. São as entrevistas, notas de campo, fotografias, vídeos, documentos pessoais, memorandos e outros registros oficiais. Ao recolher dados, analisa-se de uma forma minuciosa, quando se pretende que nenhum detalhe escape da construção da pesquisa.

A pesquisa é de natureza aplicada, o investigador é movido pela necessidade de contribuir para fins práticos, mais ou menos imediatos, buscando soluções para problemas concretos. Eles não se excluem, nem se opõem. Trata-se de uma pesquisa aplicada, pois a investigação deu-se da necessidade de contribuir para fins práticos, a fim de solucionar o problema diagnosticado.

Lakatos e Marconi (2009, p.6) definem dois tipos de natureza: pura e  a aplicada que foi utilizada para o desempenho da pesquisa:

Pesquisa básica ou pura é aquela que procura o progresso científico, a ampliação de conhecimento teórico, sem a preocupação de utilizá-los na prática.

Pesquisa aplicada caracteriza-se por interesse prático, Isto é, que os resultados sejam aplicados ou utilizados, imediatamente, na solução de problemas que ocorrem na realidade.

Análise e discussão dos dados

Este capítulo trata da análise e interpretação dos dados de um questionário aplicado aos alunos e professores do Ensino Fundamental na disciplina de Língua Portuguesa e Literatura, realizados na Escola Estadual Francisco Ricardo Macedo, com o objetivo de averiguar como está a aprendizagem da Literatura e como os professores trabalham a literatura na sala de aula.

O instrumento de coleta de dados aplicado aos alunos do Ensino Fundamental foi dirigido às turmas de primeiro, segundo e terceiro ano, com o objetivo de verificar o posicionamento dos alunos frente à disciplina de Português e Literatura.

Nessa perspectiva, os alunos foram questionados se gostavam de ler e 47% afirmaram que às vezes são motivados à leitura, 36% dos discentes afirmaram que gostam de ler e os demais não gostam de ler. A resposta dos alunos nos coloca frente a dois aspectos importantes. Primeiramente, fica evidente que os discentes não têm prazer pela leitura, o que nos leva ao segundo aspecto: a necessidade de práticas e atividades motivadoras, que fomentem o interesse do aluno à prática leitora.

Quando indagados com relação à frequência com que usam à biblioteca, 74% responderam que às vezes procuram a biblioteca para leitura, 13% têm o costume de frequentar o acervo de leitura e os não frequentam 13%. Percebe-se que os alunos não têm inserido em seu cotidiano a busca por essa prática. Nesse aspecto, compreendendo o papel da escola na formação de leitores, é mister que o desenvolvimento da leitura seja realizado e que não se limite apenas à sala de aula, inibindo a liberdade de escolha e de expressão do aluno ao optar por uma leitura diferente. No que se refere a esse espaço escolar, direcionado também à leitura.

Considerando ainda esse tema, quando indagados com que frequência os alunos liam, 43% dos alunos afirmaram ler eventualmente, com exceção das leituras realizadas em função dos conteúdos em sala de aula; 29% disseram que só fazem leituras a pedido do professor; 19% afirmaram que diariamente leem e 9% disseram nunca ler.

Após conhecer a frequência leitora dos alunos, indagamos sobre a preferência de leitura, perguntando o que mais gostam de ler e as respostas foram bem variadas. 26% dos discentes afirmaram preferir outras leituras, que não são trabalhadas em sala de aula; 25% apontaram os romances como a leitura preferida; 22% disseram gostar de ler revistas; 11% opinaram pelos contos; 3% escolheram as poesias e 3% apresentaram preferência por jornal.

Ainda com relação a esse questionamento 10% dos discentes disseram não ter costume de ler.  Percebe-se que a preferência se mostrou bem diversificada, sendo importante formar leitores habituais com amplo contato com os diversos tipos de leituras. Faz-se importante salientar que os entrevistados apontaram três gêneros literários como leitura preferida. Para Lajolo (1997)  ״é a literatura porta de um mundo autônomo que nascendo com ela, não se desfaz na última página do livro, no último verso do poema, na última fala da representação״. Ao contrario, vai além do que foi previsto, muito além do que está escrito, pois o que foi lido ״permanece rico-chateando no leitor, incorporando como vivências, erigindo-se em um marco do percurso de leitura de cada um˝(LAJOLO, 1997, p.43).

No questionamento sobre “qual a disciplina preferida,” 23% dos discentes afirmam que é Literatura e 20% Língua Portuguesa e os demais alunos têm preferência por outras disciplinas. Sobre essa questão Freire (2003) afirma que “não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino”. Diante dessa afirmação o ensino parte do docente ministrando as aulas diversificadas dos temas de leituras literárias. “não há docência sem discência” (p.23), pois “quem forma se forma e reforma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” (p.25).

Perguntou-se aos alunos como os professores desenvolviam o ensino da Literatura e 63% indicaram o uso dos livros didáticos como o único recurso utilizado pelos professores; 16 % disseram que os professores utilizam outros recursos; 15% apontaram os fragmentos literários como leitura proposta em sala de aula; 3% disseram que os docentes utilizam poemas e 3% afirmam a poesia.

Diante dessa questão, perguntou-se aos alunos se as leituras propostas pela professora eram bem aceitas por eles; ao que 68% afirmaram fazer essas leituras por suas próprias vontades;16% disseram que costumam ler a pedido do professor e 10% afirmaram que fazem leituras por indicação da família e os demais alunos afirmaram outras indicações. Percebe-se que uma margem considerável não tem boa aceitação das leituras propostas. Talvez isso seja explicado devido à massante utilização do livro didático, visto que, quase sempre, os textos não fazem relação com a realidade dos alunos e não têm significado para os discentes.

Portanto, além dos livros didáticos, muitos outros materiais podem e devem ser usados em sala de aula para ser ter uma prática pedagógica e desenvolver uma prática leitora mais consistente nos alunos.

Há muito já se sabe que o professor não deve se habituar apenas com ensinamento baseado somente nos livros e sim, trabalhar com revistas, jornais, aparelhos de televisão e vídeos, retro projetores, data show, etc… O professor tem que ser renovador, para ser possível ver na sala coisas novas, relacionadas ao conteúdo trabalhado. Assim, o docente com adequada aprendizagem dos alunos, fundamentado numa determinada concepção do papel do profissional, pode levar os alunos a refletirem a respeito de valores e padrões da sociedade.

Além disso, a atividade de leitura na escola deve ser mais que um ensino literário, deve ser uma prática que possa contribuir para a formação do discente, uma possibilidade que contribua para suas realizações como é descrito nos PCN’s, ˝que possa constituir também objeto de aprendizagem, […] que faça sentido para o aluno; isto é, a atividade de leitura deve responder do seu ponto de vista, a objetos de realização imediata […] (2006, p.55).

A pesquisa mostrou também que, para o aluno, a escola continua sendo o espaço indicado para desenvolver e consolidar a prática leitora. Isso se evidencia nos aspectos apontados pelos alunos a respeito de quem incentiva a leitura. A escola foi apontada por 26% dos alunos, aparecendo em seguida a família 24%, 13% o professor e os demais alunos apontaram todos os meios de comunicação. Esse dado leva à reflexão do papel da família como um importante ponto de referência para o hábito da leitura; atividade que pode ser iniciada desde a infância, com contação de história, a prática de ler com os filhos e outras atividades que podem ser realizadas em casa, sem a necessidade de técnicas mais avançadas.

A esse respeito, Libâneo (1999) afirma que […]˝ os métodos de ensino, portanto não se reduzem a quaisquer medidas, procedimentos e técnicas.” (p.51) e ainda Resende (2010, p. 60) afirma que: “Quanto mais profundamente o receptor se apropriar do texto e a ele se entregar, mais rica será a experiência estética, isto é, quanto mais letrado literariamente o leitor, mais crítico, autônomo e humanizado será”(p.60).

Finalizando o questionário com os alunos, indagou-se a eles a respeito da interação com o que é lido; se no decorrer da leitura alguém sentiu vontade de mudar a história. 43% mostraram-se desejosos apenas de conhecer a historia; 43% de mudar apenas o final da historia e 14% disseram sentir o desejo de mudar completamente o lido. Freire (2003) enfatiza a importância de permitir essa interação entre a obra e o leitor. Ele fala sobre isso ao valorizar “as liberdades dos alunos, (…) reinventando o ser humano na aprendizagem de sua autonomia” (p.105).  Neste contexto, abrem-se as portas para a busca e formação de conceitos ofertados pelo aspecto moral que a literatura oferece.

Ainda reforçando esta questão, perguntou-se aos discentes depois da leitura de um livro, qual a atitude diante dos questionamentos. Verificou-se que as leituras têm influenciado poucos deles, pois 43% responderam que não tomam posição alguma e apenas 26% disseram modificar o modo de pensar e agir. Outros alunos responderam debater o lido com os colegas e que recomendam a leitura para outras pessoas.

A pesquisa revelou que a professora tem suas aulas planejadas bimestralmente, o que se evidencia como um aspecto favorável. É importante salientar que o planejamento é fundamental, porém deve ser modificado a qualquer momento, uma vez que nada impede o surgimento do que não estava no plano de aula. Como afirma Libâneo (1999) “O planejamento é um processo de racionalização e coordenação da ação docente, aticulado à atividade escolar e à problemática”. (p.222).

Questionou-se se o ensino de literatura e português podem ser trabalhados separadamente. A professora respondeu que em alguns momentos elas podem ser estudadas juntas. Por outro lado, a professora disse que são disciplinas para serem estudadas separadamente.

Partindo desse pressuposto, buscou-se verificar os recursos utilizados pela professora nas aulas de Leitura Literária e perguntou-se a eles qual a melhor forma de se trabalhar o ensino da Literatura no Ensino Fundamental. A professora apontou os filmes, poemas e o livro didático como recursos preferidos por ele. Quando questionados a respeito das dificuldades no ensino da Leitura Literária a professora apontou a falta de material adequado como a principal dificuldade e mais o desinteresse dos alunos. Verifica-se que o livro didático permanece em destaque entre os professores e mantendo no leitor a falta de conhecimento que pode ser obtido com outros materiais. Porém, para que haja a compreensão do texto é preciso o docente levar o discente a identificar e decodificar os signos linguísticos.

Dentro dessa perspectiva, observa-se com claridade que ״[…] os professores precisam desenvolver intimidade com os textos adotados e possuir justificativas para a sua a doação […]˝(SILVA, 2007, p. 49)  as práticas direcionadas à atividade leitora na escola ˝não nascem do acaso, e nem do autoritarismo ao nível da tarefa, mas sim de uma programação envolvente e devidamente planejada, que incorpore no seu trajeto de execução, as necessidades, as inquietações e os desejos dos alunos-leitores ״(idem, 50).

Ademais, a insatisfação e o desinteresse dos alunos pela leitura pode ser decorrente da falta de material adequado que faz com que os alunos não tenham contato com materiais diversificados e significativos.

Professores e escola precisam repensar suas práticas e ter novas atitudes para que possam obter meios para atingir os objetivos do ensino da leitura literária com eficácia e eficiência. Destarte, os PCN’s definem que ״[…] Um projeto educativo comprometido com a democratização social e cultural atribui à escola a função e a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos. ˝ (PCN’s,2006, p.23).

Diante dos dados levantados, faz-se necessário esclarecer alguns pontos da pesquisa. Percebe-se que a prática docente, em geral é precária, já que os professores pesquisados trabalham com livros didáticos praticamente todo o conteúdo, sem apresenta uma prática mais significante.

Percebeu-se que, como dito por uma professora, quando possível, prefere trabalhar a literatura junto com outros conteúdos outras disciplinas, pois a literatura funciona como uma ligação desse aluno com um mundo exterior, enquanto os conteúdos diversos estão presentes em todo contexto.

Porém, é necessária a valorização dessa arte que concebe o pensamento humano, transforma o leitor em cidadão crítico e conhecedor da própria história. Não se pode gostar daquilo que nao conhece e conhecer algo significa conhecer suas particularidades, características e um pouco das suas funções. E, no caso da leitura literária, ela pode trazer um mundo de descobertas, pois como bem explica Coutinho ( 1978, p.08) a expressão  literária é uma arte  ilimitada ˝não visa informar, ensinar, doutrinar, pregar, documentar. Secundariamente ela pode conter História, Filosofia, Ciências, Religião, […] inclui precisamente o social, o histórico, o religioso, etc., porém transformando esse material em estético.

Logo, eis a importância do uso consistente, desprendido e significativo do texto literário, pois esse é uma ferramenta para a formação de opiniões e conceitos; aspectos imprescindíveis na formação da identidade pessoal.

Considerações finais

Este trabalho permitir perceber que os docentes não têm uma prática voltada para a importância da leitura literária na escola pesquisada, ou seja, não há uma aprendizagem voltada para o ensino de Leitura.

Verificou-se que há um planejamento das aulas bimestralmente e que as aulas, na sua grande maioria, são planejadas e ministradas usando somente livros didáticos como embasamento.

É importante ressaltar que o docente tem que ter mais conhecimentos dos conteúdos trabalhados, podendo utilizar outros materiais, que a própria professora poder sugerir dentro de sala com os alunos, aceitando até mesmo opiniões dos dicentes.

Constatou-se que a leitura literária é pouco trabalhada pelos docentes, ou seja, a professora não visa à leitura literária, como meio que possa desenvolver nos alunos um aprendizado significativo com formulações de conceitos. A docente se justifica diante do questionamento de que a leitura não tem um desenvolvimento por falta de interesse dos discentes que não gostam de ler. Os alunos leem sem interesse, somente por obrigação para responder questionários, saindo do Ensino Fundamental com uma deficiência da leitura.

Constatou-se que a questão da falta de material adequado, mas também a falta de uma prática pedagógica mais significante, voltada para a leitura literária como possibilidade de transformação de aprendizagem desses alunos é pouco desenvolvida.

A respeito disso, para que os docentes possam encontrar soluções para os problemas da deficiência na leitura, necessitam que todos tenham participação desde a equipe gestora e todos os funcionários da escola, principalmente os funcionários da biblioteca e da sala de leitura. Com essa prática procura-se o desenvolvimento do educando, possibilitando-o a elaborar conceitos e ampliar o seu domínio da linguagem oral.

Assim valorizando a leitura cria-se oportunidades para que os alunos descubram o prazer da leitura literária, desenvolvendo habilidades de ler, compreendendo e interpretando diferentes tipos de leituras e gêneros de textos, com isso descobrindo os conceitos chaves e compreendendo o que foi lido.

Seguindo esse pressuposto, sabe-se que é responsabilidade da instituição aplicar um ensino eficiente e de qualidade. Acredita-se que deve haver uma parceria entre a escola e os participantes deste meio, onde todos trabalhem em prol do aprimoramento e da autonomia intelectual do educando. A escola tem que proporcionar condições necessárias para que os alunos possam atuar, desde o início da escolaridade como leitores, pois a leitura é, antes de tudo, um objeto de ensino e para que se constitua também num objeto de aprendizagem é necessário que tenha sentido de fato para o aluno, o que significa, entre outras coisas, que deve cumprir uma função para realização de propósitos.

Diante disso, para ensinar Literatura não é necessário somente a contextualização presente nos livros, mas principalmente a formação do docente e o compromisso, a competência e a habilidade de desenvolver, estimular e querer garantir essa formação através do ensino dos conteúdos aplicados em sala de aula.

São várias as habilidades e competências que o discente deve aprender no Ensino Fundamental, portanto, o educador precisa estimular no aluno à criatividade, a curiosidade, a capacidade de ler, interpretar e desenvolver conceitos em diferentes contextos sociais.

Este trabalho possibilitou uma compreensão que deve haver uma preparação do professor, sendo que o educador precisa estar apto a aceitar o seu papel dentro e fora da sala de aula, assim associando a sua obrigação e comprometimento com a necessidade do aluno de ser um leitor. Diante disso, buscar novas metodologias para ter uma prática de leitura literária mais motivada, assim os alunos interagem nas aulas.

Diante do que foi dito, a Literatura como instrumento essencial para formação de leitores não é um foco das disciplinas de Português e Literatura. É caracterizada uma crise dentro da prática institucional, conforme alunos em questionamento afirmaram que hábito da leitura não é uma prática cotidiana e também os discentes relataram que o processo de ensino é através do livro didático somente. Além disso, a professora também questionou a falta de interesse dos discentes pela leitura, que é precária, e a falta de materiais adequados para o ensino da Literatura. É dever da escola oferecer uma biblioteca estruturada, com um acervo adequado às necessidades do aluno, organizar, desenvolver e executar projetos políticos voltados para a evolução da instituição com apoio e envolvimento de toda comunidade.

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[1] Professora da Rede Pública e acadêmica de Complementação- FACETEN

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