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A Educação Física como Método Inclusivo para Crianças com Necessidades Especiais

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A Educação Física como Método Inclusivo para Crianças com Necessidades Especiais
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DINIZ, Rakel Pereira [1]

VIANA, Fabiana Cury [2]

DINIZ, Rakel Pereira; VIANA, Fabiana Cury. A educação física como método inclusivo para crianças com necessidades especiais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 1. Vol. 9. pp. 235-253, outubro / novembro de 2016. ISSN. 2448-0959

RESUMO

Atualmente na realidade brasileira há uma intensa luta dos portadores de necessidades especiais, principalmente físicas, para garantir seu direito à igualdade, buscando um ensino com a realidade justa e menos preconceituosa. O professor precisa entender os fatores limitantes de seus alunos, sendo o auxílio na transposição das barreiras que poderão surgir. As crianças especiais devem ser acolhidas no núcleo educacional, pois os centros de ensino são o ambiente inicial onde o ser humano se desenvolve socialmente. Os agentes educadores são primordiais no processo educacional. Por meio de variados métodos adaptados é possível o desenvolvimento de capacidades físicas e psicossociais dos alunos especiais, sendo aprimoradas suas potencialidades na busca por sua autonomia.  O objetivo do estudo é compreender as formas de inclusão de pessoas com necessidades especiais nas aulas de Educação Física do ensino regular. A técnica de revisão de literatura foi utilizada como metodologia, com pesquisa em artigos e trabalhos de conclusão de curso publicados em bases on-line de dados científicos.

Palavras-chaves: Atividade física. Ensino regular. Inclusão.

INTRODUÇÃO

No Brasil, há uma intensa luta dos grupos sociais minoritários pelos seus direitos. O mundo ainda não está totalmente adaptado para que as pessoas com necessidades especiais possam ter uma vida normal, sendo amparados em suas dificuldades através das próprias pessoas e das condutas do Estado.

A escola é a base introdutória do indivíduo no mundo social. As crianças especiais devem ser acolhidas, se possível, através de instituições de ensino regular. O sistema educacional brasileiro passa por uma série de modificações, com o objetivo de alcançar a verdadeira inclusão educacional.

A realidade escolar, tanto dos profissionais da educação quanto dos alunos, é marcada por relativismos e medos. Buscar um ensino com a realidade justa e menos preconceituosa é o primeiro passo para a Inclusão Educacional.

A escola e o professor possuem papel fundamental no processo educacional da vida de qualquer pessoa, principalmente para crianças com necessidades especiais, em particular necessidades físicas. Há, entretanto, que se ter um “olhar” distinto, uma atenção maior do que normalmente se tem. Através do uso de métodos eficazes, adaptados ao caso concreto, é possível proporcionar um desenvolvimento de capacidades, tanto no setor cognitivo quanto no físico, estimulando a socialização e a autonomia dos alunos especiais.

O objetivo geral do estudo foi compreender as formas de inclusão de pessoas com necessidades especiais nas aulas de Educação Física do ensino regular. E, como objetivos específicos: expor sobre o processo histórico e social da educação inclusiva, ressaltando seus impactos no sistema educacional brasileiro; compreender o papel da Educação Física como propulsora da inclusão da criança e do adolescente excepcional, analisando publicações sobre o tema.

É notável o interesse de diversos pesquisadores pelo tema, o que demonstra a importância de se escrever sobre a inclusão escolar. O estudo científico proposto envolve esta temática, buscando a amplificação da pesquisa e a troca de experiências entre as escolas na integração do deficiente físico ao seu núcleo social, principalmente durante a prática desportiva.

A técnica de revisão de literatura foi utilizada como metodologia, com pesquisa em artigos e trabalhos de conclusão de curso publicados em bases on-line de dados científicos. A exploração literária realizada nesses materiais foi de extrema importância para a concretização do trabalho.

As fontes consideradas para realização dessa pesquisa foram artigos científicos, nas bases de dados Google Acadêmico e Scielo, publicados entre 2008 e 2014. Utilizaram-se como palavras-chave: inclusão; deficiência; necessidades especiais; criança; Educação Física. Para seleção das fontes foram consideradas como critérios as bibliografias que abordassem a Educação Física como método inclusivo para crianças com deficiência. Os materiais foram coletados entre fevereiro e outubro de 2016.

1. DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM PARA CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

A aprendizagem é um processo de mudança de comportamento, resultante da experiência construída por aspectos emocionais, ambientais e neurológicos. “Aprender é o resultado da interação entre estruturas mentais e o meio ambiente.” (1)

A aprendizagem, em seu aspecto global, é idêntica a cada um que aprende; em seu aspecto particular, deve ser traduzida pela heterogeneidade das condutas de aprendizagem observadas em sala, ou seja, cada um tem suas peculiaridades no momento de aprender. Os exercícios de aprendizagem, como memorizar e consolidar passaram por transformações, sendo que atualmente, a base educacional é formada pelo refletir, pela indagação, incitando a criar novos procedimentos. (2)

A educação, assimilada como uma prática comunitária e inserida em um contexto social, econômico e político, não é uma atividade neutra. A prática pedagógica, quando realizada dentro dos valores dominantes, diminui a exclusão social. Essa mudança produz benefícios para todos, assegurando direitos fundamentais nos mais diversos níveis. (3)

De modo conceitual, os seres humanos que se encontram incompletos em sua estrutura biológica são considerados deficientes. Historicamente, são determinados como incapazes e ineficientes diante do mundo de trabalho, da educação e do direito de convívio com as demais pessoas. Hoje, através do novo paradigma de inclusão educacional e social há o resgate da integração, para que se construa uma sociedade mais justa e menos discriminatória. (4)

A educação inclusiva é um movimento contemporâneo, que visa à inclusão de todos na rede regular de ensino, proporcionando igualdade de condições para o acesso e permanência na escola, sendo que incluir não significa apenas inserir o aluno com necessidades especiais na escola regular, mas proporcionar a ele acompanhamento específico, tanto técnico quanto pedagógico, visando sempre à busca pelo conhecimento. (5)

Educação inclusiva, portanto, significa educar todas as crianças em um mesmo contexto escolar. A opção por este tipo de educação não significa negar as dificuldades dos estudantes. Pelo contrário. Com a inclusão, as diferenças não são vistas como problemas, mas como diversidade. É essa variedade, a partir da realidade social, que pode ampliar a visão de mundo e desenvolver oportunidades de convivência a todas as crianças. Preservar a diversidade apresentada na escola, encontrada na realidade social, representa oportunidade para o atendimento das necessidades educacionais com ênfase nas competências, capacidades e potencialidades do educando (6)

O estudioso Mazzota determina três atitudes sociais que marcaram a história do processo educativo de pessoas com deficiência: marginalização, assistencialismo e educação/reabilitação:

A marginalização é caracterizada como uma atitude de descrença na possibilidade de mudança das pessoas com deficiência, o que leva a uma completa omissão da sociedade em relação à organização de serviços para essa população. O assistencialismo é uma atitude marcada por um sentido filantrópico, paternalista de mudança do indivíduo, acompanhada pelo princípio cristão de solidariedade humana, que busca apenas dar proteção às pessoas com deficiência. A educação/reabilitação apresenta-se como uma atitude de crença na possibilidade de mudança das pessoas com deficiência e as ações resultantes dessa atitude são voltadas para a organização de serviços educacionais. [grifo dos autores] (3)

Independentemente de qualquer característica que o educando possua, ele tem o direito à educação de forma igualitária, sendo assegurado seu acesso, permanência e aproveitamento dentro da escola. (5)

O ideal de inclusão dos portadores de necessidades especiais obteve foco após a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, principalmente em seus artigos 205 e 206, I que prescrevem, a saber:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V – valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas;

VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

VII – garantia de padrão de qualidade.

VIII – piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (7)

A criança desenvolve a linguagem, a socialização, o pensamento, a iniciativa e a autoestima através da inclusão, constituindo-se como cidadão apto para solucionar conflitos, construindo um mundo melhor independente das diferenças. (8)

A inclusão escolar, não é um processo fácil, mas sim um desafio. É preciso que a escola aborde uma nova temática, deixando de lado seu caráter seletivo. As escolas de qualidade são aquelas que propõem contextos educacionais nos quais todos os alunos têm possibilidades de aprender, sempre respeitando a pluralidade de culturas, a complexidade das redes de interação humana e o ideal de que todo sujeito tem a mesma capacidade de inteligência. (9)

Nos centros de ensino, locais onde são agregados valores, princípios e conhecimentos, todos os alunos aprendem, seja estes portadores ou não de necessidades especiais. A comunidade em geral, os núcleos familiares e demais agentes sociais devem ser impulsionadores do desenvolvimento e inserção dos deficientes, tanto na escola quanto no mercado de trabalho e na vida social. (10)

Incluir pessoas com necessidades educacionais especiais na escola regular pressupõe uma grande reforma no sistema educacional. Isto implica na flexibilização ou adequação do currículo, com modificação das formas de ensino, metodologias e avaliação; implica também no desenvolvimento de trabalhos em grupos na sala de aula e na criação e adequação de estruturas físicas que facilitem o ingresso e a movimentação de todas as pessoas. É um desafio, fazer com que a inclusão ocorra, sem perdermos de vista que além das oportunidades, devemos garantir não só o desenvolvimento da aprendizagem, bem como o desenvolvimento integral do indivíduo com necessidades educacionais especiais. (11)

Os componentes curriculares da Educação Física têm sofrido modificações com o passar do tempo, sendo concretizados contemporaneamente como a junção de jogos, esportes, lutas, danças e ginásticas. Dentro dessas possibilidades práticas existem diversas formas de abordagem por parte do profissional educador, trabalhando conforme as necessidades, potencialidades e anseios dos alunos. Neste contexto, a inclusão dos alunos com necessidades especiais demanda um planejamento do programa de Educação Física, respeitando os princípios do desenvolvimento humano e as características das pessoas com deficiência. (12)

A educação inclusiva tem como fundamento a busca por uma educação de qualidade para todos, respeitando a diversidades dos alunos, construindo assim uma profunda modificação no sistema educacional. Um grande contraponto vivenciado na realidade é o despreparo dos professores para lidar com os alunos portadores de necessidades especiais. (11)

A necessidade especial de um aluno não é causa para que ele seja excluído das diversas práticas de ensino. É necessário que o professor tenha em mente que o aluno é um ser mutável, o qual precisa de liberdade para aprender e para produzir livremente o conhecimento. A escola inclusiva busca a construção de uma pedagogia que atenda todos os alunos e compreenda a diversidade humana. (9)

As atividades realizadas neste tipo de trabalho devem ser abertas e diversificadas, além de flexibilizado para a abordagem em vários níveis de compreensão, entendimento, apropriação e desempenho nessas atividades. Nunca se deve evidenciar ou comparar alunos que possuem habilidades e potencialidades diferenciadas, o ideal é elogiar e incentivar os aspectos positivos construídos por todos, porém essas atividades podem ser enriquecidas por debates, pesquisas em grupo, registros escritos e falados, dinâmicas, filmes, músicas e vivências grupais. Os conteúdos deverão ser trabalhados gradativamente sem cobranças o e limitações. (8)

Conforme exposto, o professor possui um papel fundamental dentro do processo de inclusão. Ele é o mediador no processo de ensino/aprendizagem. Porém, esta tarefa não é fácil, devendo ser supridas necessidades educacionais básicas para que o professor efetivamente trabalhe com o aluno portador de necessidades especiais, o que consequentemente demanda em sua permanência no centro de ensino. (11)

2. ATIVIDADE ADAPTADA PARA CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA

Ao conceituar deficiência física, pode-se afirmar que são diferentes condições motoras que acometem as pessoas comprometendo a mobilidade, a coordenação motora geral e da fala, em consequência de lesões neurológicas, neuromusculares, ortopédicas, ou más formações congênitas ou adquiridas. (3)

Deficiente físico é o indivíduo que apresenta comprometimento da capacidade motora, nos padrões considerados normais para a espécie humana, pode ser definido como uma desvantagem, pois resulta de uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho motor de uma determinada parte do corpo. Os tipos de deficiência física são: a hemiplegia, que é a paralisia da parte direita ou esquerda do corpo, a paraplegia, que é a paralisia dos membros inferiores, ou seja, das pernas, e a tetraplegia que é a paralisia dos quatro membros, sendo assim dos braços e pernas. (13)

A deficiência física pode ter inúmeras causas como problemas durante a gestação ou insuficiência respiratória ao nascer, bem como parada cardíaca, infecção hospitalar, traumatismo ocasionado por queda forte ou ação de doenças infecto-contagiosas. (13)

Todos possuem algum tipo de dificuldade nos afazeres cotidianos e aí está a perseguição ao portador de necessidades especiais: enxergar as dificuldades deles faz com que as pessoas repensem as suas dificuldades, escondendo-as. A cultura da sociedade contemporânea discrimina o deficiente, pois ele é sinônimo de fraqueza, sendo “removido” socialmente. Essa proposta de remoção é o preconceito sentido pelo deficiente e por toda sua família, a qual deve ser combatida em todos os seus aspectos. (13)

É preciso ter em mente que o conceito de eficiência inclui a incapacidade relativa parcial ou total, para o desempenho das atividades dentro do padrão considerado normal para o ser humano. A pessoa com deficiência pode desenvolver atividades laborais desde que tenha condição e apoio adequados a suas características. (13)

Os alunos com deficiência física têm dificuldades em executar tarefas rotineiras dentro da escola, necessitando de auxílio de uma terceira pessoa. É importante deixar que o aluno seja autor de seu processo de desenvolvimento, conhecendo e descobrindo novos caminhos. As escolas inclusivas possuem como principais características o respeito, aceitação e crença no potencial de cada aluno, dando educação de qualidade, sem preconceitos. (14)

Para um aluno que apresenta sequela motora ter acesso à rede regular de ensino é necessário transporte para a escola, se a família não tiver condução própria e ele não puder andar de ônibus; equipamento que necessite para frequentar as aulas, como uma cadeira de rodas; eliminação de barreiras arquitetônicas e do preconceito do professor em relação à pessoa com deficiência, a exigência de um cuidador acompanhando o aluno em sala de aula, no caso de a família não puder atendê-la. Para que os alunos tenham acesso à rede regular de ensino é imprescindível a compreensão concreta dos alunos que apresentam sequelas motoras. Não há possibilidade desse aluno frequentar uma sala de aula sem que sejam atendidas essas necessidades, que não são especiais e fazem parte da luta pelo seu acesso e pela permanência. (13)

O esporte para pessoas com deficiência começou após a Primeira Guerra Mundial, como tratamento dos soldados lesionados. No Brasil, esta categoria de esportes foi introduzida no fim dos anos 50. Essa evolução dentro do esporte influenciou diretamente o ambiente escolar. Muitas vezes os alunos com necessidades especiais eram dispensados das atividades físicas, mas devem-se buscar alternativas para esta realidade. (15)

Os projetos de esportes adaptados são importantes para o desenvolvimento de atletas de alto rendimento com deficiência. No entanto, a educação física escolar está evoluindo para uma visão inclusiva, que pressupõe o convívio e a participação de todos os estudantes nas mesmas atividades. Essa visão se relaciona com as atuais convenções internacionais na área de direitos humanos. (15)

A Educação Física, vista na concepção moderna, traz a ideia de educação homogênea, pautada no auto rendimento e na competição. Dessa forma, durante muitos anos, os portadores de necessidades especiais foram excluídos da prática. Atualmente, a educação física busca, assim como o sistema educacional em geral, ser inclusiva, o que compreende todos os estudantes (portadores ou não de deficiência) em uma mesma atividade. (15)

A Educação Física tem muito a contribuir para as pessoas portadoras de necessidades especiais, promovendo uma maior integração do deficiente com o ambiente social, estimulando o interesse pelas atividades físicas, ou até mesmo pela formação profissional na área. A educação física inclusiva envolve não só alterações nas práticas físicas existentes, mas também a criação de novas atividades. (15)

As pessoas com necessidades especiais devem ter reconhecidos claramente seus direitos de atenção e educação. A Educação Física, neste contexto, deve apresentar matérias formativas e não complementares, substituindo o tradicional currículo de competitividade pelos objetivos da cooperação e da solidariedade. (16)

A pessoa deficiente é carente e traz junto a ela uma série de nãos, que impostos no cotidiano. Assim, ficam retidas a capacidade de raciocínio e os aspectos afetivos e de ação. É preciso dar a esses alunos plenas capacidades de desenvolver suas capacidades criativas e espontâneas. (17)

O fato de andar em uma cadeira de rodas, ou quando usa muletas ou tem um caminhar lento, não pode impedir-lhe que fique de fora da atividade esportiva que esteja sendo realizada. O professor de educação Física tem que saber mudar os estilos de ensinar para que não exista nenhum excluído. (16)

Os portadores de necessidades especiais precisam adquirir e dominar o movimento, da mesma forma que as demais crianças. Assim, as atividades propostas durante as aulas de Educação Física são vistas como formas positivas de desenvolvimento, devendo os profissionais buscar meios técnicos para que todos participem dos exercícios propostos. (16)

Para o deficiente físico, os exercícios realizados proporcionam agilidade no manejo da cadeira de rodas, desenvolvimento do equilíbrio dinâmico e estático, aumento da força muscular, da coordenação motora e o favorecimento da sua readaptação física global. A escolha de uma modalidade esportiva depende muito das oportunidades oferecidas aos portadores de necessidades especiais, da sua condição econômica e social, das barreiras constituídas por seu aspecto físico e por suas potencialidades, local e material adequado, além do principal: estímulo comunitário e familiar. (17)

Analisando a atual situação da educação brasileira, é nítido que as escolas não possuem ambientes preparados para atender alunos com deficiência física. São necessárias adaptações e inovação nos recursos pedagógicos para que os alunos portadores de necessidades especiais físicas realmente encontrem-se integrados ao ensino regular. (14)

Entretanto, a relação da Educação física inclusiva com os portadores de necessidades especiais proporciona à comunidade a observação das desigualdades existentes em seu núcleo; e, a partir desta visão, todas as pessoas passam a compreender que os deficientes se superam, demonstrando que a igualdade é possível. (17)

3. ESTRATÉGIAS E CONCEPÇÕES PARA INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS

As mudanças na normatização e a nova política educacional garantiram o direito das pessoas com necessidades especiais o acesso às escolas regulares de ensino. Porém, não basta a teoria. É necessária a existência de estratégias que assegurem a efetiva inclusão dessas pessoas, principalmente durante a prática de atividades físicas. (18)

Cada discente apresenta peculiaridades, ou seja, necessidades especiais específicas; assim, os métodos e recursos pedagógicos precisam ser relacionados com a situação de aprendizagem na qual se encontram. É preciso flexibilização para atender aos anseios de cada aluno, como metodologias variadas de ensino, avaliação diferenciada e modificações na estrutura e organização do ambiente educacional. A proposta de Educação Inclusiva enfatiza que “são as escolas que tem que se adequar para atender a todos os alunos e não os alunos que têm que estar preparados para se adaptar à escola.” (19)

Entretanto, a realidade da educação brasileira cria obstáculos. A abertura da oferta de vagas implica em uma maior diversidade de alunos nos centros de ensino. Uma maior diversidade pressupõe uma maior variedade nos instrumentos pedagógicos, o que não ocorre no sistema educacional atual. Os processos pedagógicos vigentes adotam uma postura homogênea, não atendendo às necessidades específicas de cada aluno. Consequentemente há grande índice de reprovação e evasão escolar, afetando os alunos de uma forma muito significativa e quase que irreversível. (19)

Outra barreira encontrada é a dificuldade que o corpo docente impõe em aceitar modificações; bem como o desinteresse em estudar e dialogar com os demais professores para criar novas ideias e métodos. Existem agravantes para esta conduta profissional, como a falta de apoio da direção, a falta de tempo durante a jornada de trabalho para elaborar atividades inclusivas e a inadequação da estrutura do ambiente escolar. (20)

A inclusão contempla o direito à educação, à igualdade de oportunidades e de participação. Porém, mais do que garantir o acesso das pessoas com deficiência às escolas ou demais espaços sociais é necessário viabilizar a sua permanência e aprendizagem através da construção de propostas pedagógicas que possam responder às necessidades específicas dos alunos e educá-los na e para a diversidade […] Para termos uma sociedade, de fato, inclusiva, é necessário que haja uma mudança geral de atitude, a partir do entendimento de que a deficiência ou qualquer outra condição atípica, não resume toda a personalidade de uma pessoa, nem tão pouco pode ser determinante de suas oportunidades educacionais, sociais e existenciais. (19)

É preciso que os professores “abram suas mentes” para o trabalho inclusivo. O reconhecimento da vulnerabilidade e do potencial de cada aluno, o tratamento respeitoso e eficaz, além da afabilidade real e do entendimento da vida daquele discente é primordial para a construção de uma educação verdadeiramente inclusiva, baseada na concepção dos direitos humanos. (21)

“As diferenças encerram grandes oportunidades para aprendizagem. Elas oferecem um recurso livre, abundante e renovável.” A diversidade pode fortalecer todos os núcleos educacionais, visto que eles irão se reinventar para garantir um usufruto igual para todos. “A inclusão social, quando ocorre, reforça a prática da ideia de que as diferenças são aceitas e respeitadas pela sociedade.” (21)

No tocante ao desenvolvimento de projetos inclusivos, deve-se ter em mente que a categorização das pessoas portadoras de necessidades especiais independe do diagnóstico médico, que determina suas características físicas e comportamentais fixas. A contextualização dessas pessoas deve ir além de sua deficiência, de seu transtorno ou distúrbio. O ser humano modifica-se continuamente, transformando o contexto no qual está inserido. Tudo dependerá do ambiente sociocultural, bem como das oportunidades e dos recursos que são disponibilizados. (19)

Porém, é válido dizer que existem inúmeras semelhanças, como pessoas com surdez, com deficiência física ou intelectual. É possível originar o trabalho inclusivo a partir do desenvolvimento dos grupos, como exemplos suprir a necessidade dos deficientes auditivos, que têm uma limitação em se comunicar; dos deficientes físicos adequando a estrutura arquitetônica da escola para uma mobilidade maior do aluno. Entretanto, este trabalho não pode ter um fim em si mesmo, é preciso enxergar o aluno em suas particularidades globais, além da própria deficiência, e supri-las da melhor maneira possível. (19)

Na apostila “Estratégias de aula para inclusão da pessoa com deficiência” (21) são elencados inúmeros procedimentos básicos para o efetivo processo educacional das pessoas portadoras de necessidades especiais. A seguir, alguns exemplos de condutas que devem ser realizadas pelos professores:

  • Estimular a integração social;
  • Mesclar diferentes atividades que tenham objetivos motores diversos, de forma que sejam inseridas situações nas quais todos podem participar;
  • Ater-se à faixa etária do educando, para que as situações psicomotoras e sociais escolhidas estejam de acordo e associadas a sua realidade;
  • Estimular tanto atividades e jogos coletivos e como individuais;
  • Orientar os alunos, para que o portador de necessidades especiais esteja à vontade na companhia dos demais alunos, e vice-versa.
  • Propor exercícios que estimulem a autoconfiança e o afloramento das potencialidades individuais;
  • Utilizar recursos visuais, com a posterior explicação, de forma clara e precisa;
  • Incentivar os cuidados básicos e descrever como é feita a prevenção de acidentes durante as práticas esportivas;
  • Estimular o lado artístico do aluno, sendo esta uma ferramenta muito positiva. Recursos como música, atividades rítmicas e teatro são instrumentos efetivos para o desenvolvimento da expressão corporal;
  • Utilizar práticas lúdicas como jogos que estimulem o aspecto cognitivo e a memória; atividades sensoriais que contemplem o estímulo visual, tátil, etc.
  • Compreender a deficiência do aluno, conhecendo as características de sua deficiência, de modo que o professor consiga elaborar atividades que sejam viáveis e seguras;
  • Estimular sempre o aluno, ressaltando seu potencial;
  • Oferecer ajuda ao discente, perguntando antes se esta é necessária e qual a melhor forma de fazê-la;
  • Tratar sempre todos com delicadeza, paciência e sinceridade, proporcionando assim um ambiente escolar solidário;
  • Usar o próprio corpo para a comunicação e expressão;
  • Desenvolver hábitos que estimulem a saúde e a higiene;

Mesmo que sejam direcionadas para alunos com deficiência, tais condutas são aplicáveis a todos os discentes. O que deve vigorar durante as aulas é a igualdade, sendo oferecidas oportunidades a todos, sejam portadores de necessidades especiais ou não. (21)

Através destas modificações, os alunos com necessidades educacionais especiais, que antes eram segregados e dispensados da Educação física, conseguem praticá-la. É necessário, por óbvio, que o professor não deixe que haja desvantagens durante a prática das atividades. A prática esportiva deve ser um desafio para todos os participantes, dando-lhes a oportunidade de se superar. Para transpor os obstáculos expostos acima, como a falta de apoio da diretoria e a má gestão do tempo, várias escolas têm adotado a tutoria, o ensino colaborativo e a consultoria. (18)

Através da tutoria, o professor prepara um colega para que acompanhe e ajude o aluno portador de necessidades especiais. O relacionamento entre o aluno e o tutor é constituído por uma troca intensa de experiências, realizado através de um trabalho em equipe e individualizado. (18)

Por sua vez, a estratégia de ensino colaborativo leva a oportunidade de todos os professores trabalharem em equipe, aperfeiçoando suas habilidades através da troca de ensinamentos e do efetivo apoio do setor administrativo escolar. “Quando há cooperação e apoio na escola, os professores melhoram suas habilidades com efeitos visíveis sobre a aprendizagem dos alunos.” (18)

Por fim, a consultoria engloba o envolvimento familiar ao processo de ensino. Os pais são quem melhor conhecem as dificuldades e potencialidades de seus filhos, sendo peças-chave para o desenvolvimento do aluno. Dentro da consultoria há também a troca de saberes com outras instituições e entidades, buscando sempre melhores métodos de ensino. (18)

O trabalho em conjunto, o ambiente de ensino organizado e adaptações curriculares podem transformar as necessidades especiais dos alunos em transitórias, ou até mesmo proporcionar o integral sucesso escolar. Não se pode afirmar que a deficiência foi curada ou que as condições psicossociais dos alunos foram alteradas. Entretanto, a modificação pedagógica possibilitará que os portadores de necessidades especiais tenham um bom desempenho e uma efetiva integração escolar. (19)

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O professor, desde o início de sua formação acadêmica, deve entender os variados limites de seus alunos, ajudando-os a superá-los. Dentro da disciplina de Educação Física, diversos obstáculos podem surgir, sendo papel do educador estimular seus alunos, principalmente no desenvolvimento individual.

Ao se falar em educação inclusiva é preciso que o Estado trabalhe com uma política pública que garanta a diversidade e o respeito às pessoas com necessidades especiais, proporcionando-lhes o direito à educação, preferencialmente no sistema de ensino regular.

As crianças especiais devem ser acolhidas no núcleo educacional, visto que a escola é o ponto de partida para o desenvolvimento do ser humano em sociedade. A escola e o professor são essenciais para o processo educacional e, através de métodos eficazes e adaptados, é possível o desenvolvimento de capacidades cognitivas, sociais e motoras dos alunos especiais, estimulando sua autonomia.

REFERÊNCIAS

1 HAMZE, Amélia. O que é aprendizagem? Brasil Escola, 2009. Disponível em: <http://educador.brasilescola.uol.com.br/trabalho-docente/o-que-e-aprendizagem.htm>. Acesso em: 25 ago. 2016.

2 RODRIGUES, Zuleide Blanco. Os quatro pilares de uma educação para o século XXI e suas implicações na prática pedagógica. Articulistas, 2016. Disponível em: <http://www.educacional.com.br/articulistas/outrosEducacao_artigo.asp?artigo=artigo0056>. Acesso em: 25 ago. 2016.

3 SILVA, Adilson Florentino da; CASTRO, Ana de Lourdes Barbosa de; BRANCO, Maria Cristina Mello Castelo. A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais: deficiência física. Secretaria de Educação Especial. Brasília: Ministério da Educação, 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/deffisica.pdf>. Acesso em: 24 ago. 2016.

4 MARQUES, Keury Gomes; SILVA, Renata Vanessa da; SILVA, Rita de Fátima da. Atividades inclusivas na Educação Física escolar. Revista Digital Efdeportes.com, ano 13, n. 119, Buenos Aires, abr. 2008. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd119/atividades-inclusivas-na-educacao-fisica-escolar.htm >. Acesso em: 30 mar. 2016.

5 SARTÓRIO, Fabiani. A importância da Educação Inclusiva na Escola. Viva a inclusão, 2011. Disponível em: <http://vivaainclusao.blogspot.com.br/2011/10/importancia-da-educacao-inclusiva-na_07.html>. Acesso em: 16 ago. 2016.

6 ALONSO, Daniela. Os desafios da educação inclusiva: foco nas redes de apoio. Nova Escola, fev. 2013. Disponível em: <http://acervo.novaescola.org.br/formacao/palavra-especialista-desafios-educacao-inclusiva-foco-redes-apoio-734436.shtml>. Acesso em: 25 ago. 2016.

7 BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado, 1988.

8 SOUZA, Aline de Jesus; et al. A inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais e os desafios do docente em lidar com isso. Cairu em Revista – Sociedade Educação, Gestão e Sustentabilidade, ano 1, out./nov.2011. Disponível em:<http://www.cairu.br/revista/arquivos/artigos/INCLUSAO_CRIANCAS_PORT_NEC_ESPECIAIS.pdf.>. Acesso em: 23 ago. 2016.

9 STEMPEZYNSKI, Emanuele; SILVA, Mônica Telli Morena. Educação física inclusiva, necessidades educacionais especiais (NEE) na escola regular no município de Getúlio Vargas. Revista de Educação do IDEAU (REI), v.9, n.19, jan./jun. 2014. Disponível em: <http://www.ideau.com.br/getulio/restrito/upload/revistasartigos/6_1.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2016.

10 ONOFRE, Joelson Alves. Educar para uma sociedade inclusiva. Brasil Escola, 2008. Disponível em: <http://meuartigo.brasilescola.uol.com.br/educacao/educar-para-uma-sociedade-inclusiva.htm>. Acesso em: 11 ago. 2016.

11 FRIAS, Elzabel Maria Alberton; MENEZES, Maria Christine Berdusco. Inclusão escolar do aluno com necessidades educacionais especiais: contribuições ao professor do ensino regular. 2008. Disponível em: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1462-8.pdf>. Acesso em: 24 ago.2016.

12 DAMAZIO, Marcia da Silva; BRUZI, Alessandro Teodoro. Educação inclusiva e o papel da Educação Física no contexto escolar. Revista Ramal de Ideias, Universidade Federal do Acre, 2008. ISSN 1982-7768. Disponível em: <http://www.ufac.br/portal/unidades-administrativas/orgaos-complementares/edufac/revistas-eletronicas/revista-ramal-de-ideias/edicoes/edicao-1/caminhos-da-educacao/>. Acesso em: 18 ago. 2016.

13 SOUSA, Eliza Martins de; TAVARES, Helenice Maria. Acessibilidade da criança com deficiência na escola. 2010. 12p. Trabalho de Conclusão de Curso (Licenciatura Pedagogia) – Faculdade Católica de Uberlândia, Uberlândia, 2010. Disponível em: <http://catolicaonline.com.br/revistadacatolica2/artigosn4v2/19-pedagogia.pdf>. Acesso em: 30 mar. 2016.

14 SILVA, Flavia Natalia Ramos da; VOLPINI, Maria Neli. Inclusão escolar de alunos com deficiência física: conquistas e desafios. Cadernos de Educação: ensino e sociedade, UNIFAFIBE, Bebedouro, p. 18-29, 2014. Disponível em: <http://www.unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/
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15 MENDES, Rodrigo Hubner; CONCEIÇÃO, Luiz Henrique de Paula; GALERY, Augusto. O caso de educação física inclusiva – Brasil. Diversa, dez. 2013. Disponível em: <http://www.diversa.org.br/estudos-de-caso/caso/o_caso_de_educacao_fisica_inclusiva_brasil>. Acesso em: 31 ago. 2016.

16 MELERO, Miguel Lopez. Educação física e pessoas com deficiência. Bengala legal.com, 2007. Disponível em: <http://www.bengalalegal.com/educafisica>. Acesso em: 2 set. 2016.

17 NOGUEIRA, Dilma. A importância da Educação Física para os portadores de deficiência física. Pedagogia ao pé da letra, abr. 2013. Disponível em: <http://pedagogiaaopedaletra.com/a-importancia-da-educacao-fisica-para-os-portadores-de-deficiencia-fisica/>. Acesso em: 2 set. 2016.

18 BIANCONI, Elizabeth de Cássia; MUNSTER, Mey de Abreu van. Educação Física e pessoas com deficiências: considerações sobre as estratégias de inclusão no contexto escolar. In: IX Congresso Nacional de Educação, 26 a 29 outubro de 2009, PUCPR.Anais… Paraná, 2009. Disponível em: <http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/1995_991.pdf>. Acesso em: 20 set. 2016.

19 GLAT, Rosana; et al. Inclusão de pessoas com deficiência e outras necessidades especiais naescola e no trabalho. Rio de Janeiro, ago. 2011. Disponível em: <http://www.sjp.pr.gov.br/wp-content/uploads/2013/04/CIEE_texto_GLAT_et_all_versao_final_agosto_2011.pdf>. Acesso em: 30 set. 2016.

20 FIORINI, Maria Luiza Salzani; MANZINI, Eduardo José. Inclusão de alunos com deficiência na aula de Educação Física: identificando dificuldades, ações e conteúdos para prover a formação do professor. Rev. Bras. Ed. Esp., Marília, v. 20, n.3, p.387-404, jul./set., 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rbee/v20n3/05.pdf>. Acesso em: 28 set. 2016.

21 PENAFORT, Jacqueline Dourado. Estratégias de aula para inclusão da pessoa com deficiência: da recepção do aluno deficiente em núcleos que ofereçam Educação Física adaptada à escolha de atividades/turmas.  Curso de capacitação para práticas de Educação Física para pessoas com deficiências. Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. Prefeitura de São Paulo, São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/chamadas/
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[1] Acadêmica do curso de Educação Física da Faculdade Patos de Minas (FPM).

[2] Docente no curso de Educação Física da Faculdade de Patos de Minas (FPM). Especialista em Saúde Pública do Trabalhador e Fisioterapia em Traumato-Ortopedia e Neurologia, pelo Instituto Passo 1

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