Educação a distância: uma análise do processo avaliativo no curso de biologia- UAB, Cametá/PA- Brasil

0
72
DOI: ESTE ARTIGO AINDA NÃO POSSUI DOI SOLICITAR AGORA!
PDF

ARTIGO ORIGINAL

TELES, Janete Farias [1]

TELES, Janete Farias. Educação a distância: uma análise do processo avaliativo no curso de biologia- UAB, Cametá/PA- Brasil. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 08, Vol. 01, pp. 36-64. Agosto de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/educacao/analise-do-processo

RESUMO

Este trabalho tem como objetivo conhecer e analisar o processo avaliativo na educação a distância com o intuito de identificar quais os fatores qualitativos e quantitativos que interferem no ensino aprendizagem dos acadêmicos do curso de Biologia ofertado UFPa mediado pelo Polo UAB-Cametá, ensino na modalidade de EAD. Para isso, utilizamos a pesquisa de campo e o estudo de caso para conhecer como se dá o processo avaliativo no Curso de Biologia, bem como visamos analisar seu padrão de qualidade, seus mitos e desafios, identificando e analisando quais os instrumentos utilizados numa determinada turma de Biologia. Para o devido embasamento teórico da pesquisa selecionamos para referenciar o trabalho os seguintes autores: Preti (2008), Segenreich (2006), Eliasquevici (2009), Laguardia (2007), Neder (1996), Rocha (2012) e Coscarelli (2002). Por meio do desenvolvimento do presente estudo, foi possível observar que são vários os fatores que interferem no desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem dos alunos e que resultam diretamente na qualidade do rendimento acadêmico.

Palavras–chave: Avaliação, educação à distância, rendimento escolar.

1. INTRODUÇÃO

A avaliação vem se constituindo como objeto de várias pesquisas contemporâneas em decorrência do reflexo obtido no rendimento escolar dos alunos ingressantes e concluintes nos cursos de nível superior. A Educação a Distância, embora possua uma identidade indissociável do uso das tecnologias, apresenta uma demanda ascendente, oriunda de fatores que favorecem sua eficácia. Além da perspectiva de demandas pedagógicas, com significativa importância, as demandas tecnológica e institucional assumem um papel elementar na mediação, o que envolve estratégias específicas para efetivar o processo de avaliação. Nesse contexto, faz-se necessário contextualizar os principais instrumentos que traduzem o método EAD, assim como procedimentos compatíveis, em que o aluno seja o principal agente desse processo. No passado, a avaliação era vista como julgamento, um sentido autoritário e que servia apenas para medir de forma sistemática o conhecimento assimilado pelo aluno.

Hoje, há uma certa preocupação, e, assim, tem-se enfatizado que devemos facilitar a linguagem da avaliação a partir do próprio entendimento de como ela se dá em determinado contexto. Este artigo objetiva reconhecer e analisar o processo avaliativo desempenhado na Educação a Distância a fim de identificar quais os fatores qualitativos e quantitativos que interferem no processo ensino-aprendizagem dos acadêmicos do curso de Biologia. Para fundamentar esta pesquisa, elegemos os principais teóricos: Demo (1996), Hoffmann (2001), Luckesi (2001), Neves (2006), Pimenta (2002), Romanowski (2003) e Sant’Anna (1995), autores que estudam com afinco o tema em questão. A pesquisa  tem como objeto central conceber, sob a perspectiva do aluno, como se dá a avaliação, por que e para o que eles devem ser avaliados.  Trata-se de uma tentativa de buscar compreender e identificar as bases e os fundamentos do sistema de avaliação na EAD.

Não obstante, o estudo aqui proposto visa indagar os tutores presenciais e a distância, com vistas a conhecer as concepções teóricas atuais adotadas no ensino a distância, bem como suas atribuições e metodologias utilizadas na avaliação de EAD, para, assim, destacar o objetivo especifico deste artigo, evidenciando fatores que se apresentam como possíveis dificultadores ou facilitadores para melhor o rendimento acadêmico no Curso de Biologia, situado no Polo do interior do Estado do Pará. Enfim, busca-se desenvolver esta pesquisa pela pertinência acadêmica do tema para o Polo UAB-Cametá-Pa em análise, pois servirá como base as futuras consultas sobre Avaliação em Educação a Distância, e, assim, almeja-se oportunizar uma reflexão sobre os fatores que causam a evasão escolar, a desistência, a prescrição, o sucesso ou insucesso acadêmico dos alunos do Curso de Biologia.

1.1 JUSTIFICATIVA E QUESTÕES NORTEADORAS

Pretende-se, com este artigo, discutir acerca da importância da base teórico-metodológica da avaliação na Educação a Distância –EAD. Para tanto, aplicar-se-á pesquisa de estudo de campo para conhecer como se dá o processo avaliativo no Curso de Biologia, bem como visa-se debater sobre seu padrão de qualidade, seus mitos e desafios, identificando e analisando quais são os instrumentos utilizados na turma de Biologia, com o intuito de verificar a metodologia e os instrumentos utilizados na Educação a Distância nos contextos avaliativos. Para embasamento teórico da pesquisa de campo ou estudo de caso, optamos pela utilização das obras dos seguintes autores: Preti (2008), Segenreich (2006), Eliasquevici (2009), Laguardia (2007), Rocha (2012), Coscarelli (2002) e Neder (1996), os quais nos ajudarão no aprofundamento teórico/ metodológico e na análise das aplicações práticas da avaliação da aprendizagem na EAD.

Buscaremos, também, a partir deste artigo aqui proposto, identificar quais as dificuldades encontradas pelos alunos, professores e tutores, bem como iremos nos debruçar nas questões tangentes aos avanços alcançados no rendimento acadêmico dos estudantes desta modalidade de ensino. Tomando como referência a avaliação na abordagem tradicional, destacaremos as possíveis transformações ocorridas nos últimos dez (10) anos. Questões norteadoras: O sistema de avaliação adotado na turma tem se transformado continuamente? Quais os pontos positivos e negativos desta transformação? Os alunos da turma de Biologia que estão iniciando permanecerão e alcançarão sucesso no processo de aprendizagem? Pretendemos compreender quais as perspectiva advindas dos alunos em relação à como, por que e para que eles são avaliados. Aprofunda-se a questão: Quais são as bases e  fundamentos adotados para o sistema de avaliação EAD?

Investigar-se-á, ainda, os tutores presenciais e a distância, com vistas a compreender os aspectos relacionados ao conhecimento desses acerca das concepções teóricas contemporâneas adotadas para o ensino a distância, assim como a pesquisa refletirá acerca de suas atribuições e metodologias aplicadas para efetiva a avaliação EAD. E, por fim, o trabalho visa registrar os principais recursos do ambiente virtual de aprendizagem (AVA) acessados no Curso de Biologia e como este fator favorece o melhor rendimento da turma. Acreditamos que serão inúmeros os benefícios que o artigo proporcionará à nossa comunidade acadêmica, pois possui elementos essenciais em sua concepção e formas diversas de aplicabilidade, possibilitando um diálogo significativo acadêmico sem, contudo, descontextualizar a prática avaliativa inserida no processo de ensino-aprendizado da turma do curso de biologia EAD.

1.2 OBJETIVOS DO ARTIGO

O artigo apresenta tem objetivo geral conhecer e analisar o processo avaliativo concernente à Educação a Distância, a fim de identificar quais os fatores qualitativos e quantitativos que interferem no processo ensino aprendizagem dos acadêmicos do curso de Biologia de um Polo responsável pelo ensino na modalidade de EAD. Apresentou, ainda, como objetivos específicos: conhecer as concepções teóricas e as metodologias indicadas nos estudos relevantes sobre avaliação na modalidade EAD; pesquisar a fundamentação teórica dos profissionais envolvidos no processo de aprendizagem do Curso de Biologia; conhecer as opiniões dos alunos quanto ao sistema de avaliação, levando em consideração quais os mitos e os desafios presentes no cotidiano da Educação a Distância; e assinalar as dificuldades e os avanços em relação ao uso do AVA no sistema de avaliação utilizado na turma de Biologia.

Vale ressaltar que cada um destes objetivos foi analisado por componente de grupo subdividido em grupo de trabalho, buscando estabelecer uma ponte entre cada item apresentado. Quero destacar, ainda, nesta pesquisa, que procurarei analisar, especificamente, os dados quantitativos e qualitativos relativos ao rendimento de uma turma do Curso de Biologia e quais os fatores que influenciaram este resultado.

2. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS

A avaliação da aprendizagem no âmbito EAD vem apresentando uma ampla discussão no atual contexto social, pois quando se menciona o tema avaliação associa-se à uma visão estreita de resultados obtidos pelos alunos. Segundo Romiszowski (2011), a avaliação é uma atividade que envolve aspectos diversos, tais como: valor, necessidade, critério, objetivos, atores, melhoria, processo, resultado, impacto, credibilidade, entre outros. Dessa forma, o processo avaliativo precisa romper com o pragmatismo associado ao rendimento de alunos, mas é, também, uma forma do professor refletir sobre sua prática pedagógica e traçar o caminho que deve ser percorrido para melhor atender seus alunos.

Na modalidade EAD, a avaliação carrega, em sua essência, moldes da educação presencial, contudo é necessário compreender que a EAD possui suas particularidades, como argumenta Neder (1996), que, em seu estudo, defende a ideia de que o processo avaliativo da aprendizagem na modalidade EAD, embora obtenha em seus princípios análogos aos do sistema de educação presencial, requer tratamentos e ponderações especiais, os quais vêm despertando debates acerca do tema.

(…) a EAD tem papel de destaque na formação e desenvolvimento acadêmico e profissional. Dispõe de vários recursos para experiências educacionais diversificadas e precisa de mecanismos de avaliação que assegurem a qualidade  das iniciativas. A EAD pode ser um diferencial para a melhoria da educação, especialmente no Brasil que tem entre seus desafios o de educar sua população no contexto de sua grande diversidade (ROMISZOWSKI, 2011, p. 4).

É compreensível o importante papel que a EAD exerce para com a melhoria da educação oferecida para um seleto grupo de alunos, portanto deve-se assegurar um padrão de qualidade no que toca à avaliação, para tanto, faz-se fundamental ressignificar conceitos, uma vez que a interação entre alunos e professores se efetiva a partir dos inovadores recursos midiáticos. Rocha (2012), apresenta três modalidades consideradas essenciais para o funcionamento do sistema de avaliação: a) a Avalição Diagnóstica, que tem a função investigativa, uma vez que realiza a previsão, desenha o perfil do aluno e suas capacidades de aprendizagem; b) a Avaliação Contínua ou Formativa, que ocorre diariamente, diagnosticando o comportamento do estudante diante do processo de escolarização; c) a Avaliação Final ou Somativa, que valoriza os resultados finais sem se preocupar como o “onde”  nós erramos, mas com o que precisamos mudar. Vejamos o que o autor afirma:

[…] considerar fatores como avaliação em processo e contínua, avaliação que leve em conta a relação entre a ação e as realidades encontradas, que esteja atenta ao diagnóstico diário do estudante, que considere a capacidade de o aluno se apropriar de determinados conhecimentos em atividades de aprendizagem interativo- colaborativo-cooperativa constituem a base reflexiva para o planejamento e controle do desempenho da aprendizagem em ambientes multimídias, conectados e que exigem do professor e do aluno destreza pedagógico-tecnológica (ROCHA, 2012, p. 6).

Nesse sentido, essas modalidades de ensino servem como base para a avaliação presencial e também orientam a avaliação na EAD. O Ministério da Educação criou leis que devem ser obedecidas pelas universidades a distância, como, por exemplo, as orientações sobre como as avaliações devem ser realizadas: sempre presencialmente, com o objetivo de evitar fraudes. Contudo, este ainda é um entrave na discussão sobre os pressupostos teóricos que dão base para a avaliação na EAD. Como propõem Oliveira e Cruz (2010, p. 8): “entendemos que o sistema educacional ainda não evoluiu bastante, de modo a possibilitar uma avaliação que priorize os aspectos qualitativos, e que muitas vezes as “amarras” colocadas pelas exigências legais, dificultam o trabalho docente”. Há, ainda, uma discussão sobre a profissão no campo social e uma constante conceitualização dos significados da profissão que contrapõem os conceitos tradicionais.

Porém, não há como negar a reafirmação de práticas culturalmente consagradas e que se perpetuam. Práticas subsidiadas e garantidas pela atitudes que “resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade. Do confronto entre as teorias e as práticas, da análise sistemática das práticas à luz das teorias existentes, da construção de novas teorias” (PIMENTA, 2002, p. 19). Apesar de toda discussão sobre a avaliação na EAD, ainda é um elemento contraditório, posicionando-se, unicamente, com o propósito de aprovar ou reprovar alunos. Neder (1996) assegura que  a avaliação precisa ser  concebida como um processo contínuo, formativo, descritivo, compreensivo, capaz de possibilitar um desenvolvimento crítico-reflexivo nos alunos. Inicialmente, Romiszowski (2003), aborda que a avaliação deve ser entendida como um processo transdisciplinar, sistêmico e sistemático e que tem grande potencial para ajudar na melhoria educacional.

É essencial para que haja qualidade na Educação a Distância, hoje desafiada para melhor atender às necessidades de interação, diversidade e flexibilidade, devendo voltar-se à uma aprendizagem significativa. Assim, torna-se indispensável discutir as bases teórico-metodológicas da avaliação, avaliar os padrões de qualidade e fazer revisões críticas pertinentes que levem a identificação do que é apropriado à Educação a Distância nos contextos atuais. Segenreich (2006), alude que estudar o papel da modalidade EAD no mundo globalizado via tecnologia da informação é essencial. Há uma demanda de investigação sobre os desafios crescentes que ela representa, em especial no que toca a oferta no sistema de educação superior. Pretende-se, ainda, mapear as questões controversas que estão em evidência nos dados levantados e nas discussões em torno dos documentos legais, a fim de propor um estudo sobre a atual sistemática de avaliação de cursos, programas e instituições de ensino superior para discutir sobre questões como:

(a) qualidade e abrangência dos critérios de qualidade utilizados pelo Ministério da Educação no desempenho de suas funções de regulação, supervisão e avaliação; (b) quantidade e da qualidade dos dados disponíveis para o desempenho destas funções; (c) definição de até onde é necessário regular o sistema sem asfixiá-lo (SEGENREICH, 2006, p. 161-177).

Segundo Alonso (2002), a modalidade de ensino EAD pressupõe o rompimento da relação “face-a-face” estabelecida por décadas entre alunos e professores. Como é uma modalidade de ensino que tem por base a ausência desse fator, as ferramentas inerentes aos meios de comunicação tecnológica, tais como materiais didáticos e a orientação via tutoria acadêmica são elementos importantes neste tipo de sistema, assumindo um papel central no processo educativo (em razão da necessidade de mediá-los). Entretanto, isto não significa que os sistemas constituídos para um processo de ensino/aprendizagem, baseado na EAD, impliquem novas formas de aprendizagem. Significa, simplesmente, que novos ambientes de aprendizagem podem se constituir de maneira independente da relação professor/aluno que conhecemos.

Assim, quando tratamos da EAD, tem-se que entender os novos ambientes, e, ainda, há que se pensar na reestruturação do processo avaliativo. É importante gerir o material didático-pedagógico, os meios de comunicação eficiente, a tutoria e a organização de meios coesos, quesitos significativos para o processo de ensino/aprendizagem, sem, no entanto, alterar bruscamente seus fundamentos epistemológicos. Teóricos como Godoy (1995); Rodrigues (1998) e Vianna (1995), que apresentaram pesquisas referentes à avaliação na modalidade EAD, consideram que deve-se compreender a avaliação como estratégia voltada para qualidade da educação. Com as novas tecnologias que proporcionam a funcionalidade dos ambientes virtuais de aprendizagem, surge a necessidade de um método que proporcione, de acordo com o paradigma vigente, novos modelos de avaliação.

A avaliação para a educação a distância obteve um salto com a valorização das novas tecnologias educacionais. Nesse contexto, a avaliação classificatória ganha cada vez mais espaço, deixando lacunas para a avaliação de caráter formativo. Assim, com base nesses critérios, entende-se que a avaliação não está mais à serviço da seleção ou da exclusão, mas também da aprendizagem e da inclusão tecnológica. Rodrigues (1998), afirma que antes de começar a resolver um problema ou fazer alguma melhoria, é melhor ter certeza de que o problema certo está sendo resolvido e que o esforço está direcionado para necessidades reais. Na Educação a Distância, a avaliação é pensada enquanto sistema, ou seja, ela compõe o sistema de EAD conjuntamente com os sistemas de gestão, sistema de tutoria, sistema de comunicação e tecnologia, sistema de elaboração de material didático, permitindo, assim, que se avalie a proposta curricular e o impacto sócio educacional dos cursos oferecidos. Segundo Primo:

apesar dessas ferramentas e recursos existirem em um ambiente de EAD, os docentes ainda enfrentam muitas dificuldades, entre elas: dificuldades em avaliar aspectos qualitativos, falta de elementos que os ajudem a verificar os resultados quanto à aquisição de competências de cada aluno, ausência de parâmetros que auxiliem o docente a estabelecer estratégias adequadas para o desenvolvimento de cada aluno, resultados de desenvolvimento dos discentes não satisfatórios, pois, não é levado em consideração as características individuas de cada aluno (PRIMO, 2004, p. 20).

Coscarelli destaca que:

Que em um curso a distância se exige do aprendiz, entre outras coisas, muita disciplina e autonomia de aprendizagem, combatendo um sistema escolar ditatorial, autoritário em que as iniciativas individuais não são valorizadas e em que a autonomia não é desenvolvida nem apreciada (COSCARELLI, 2002, p. 24).

O estudo desenvolvido por Godoy (1995) envolveu alunos de três cursos da UNESP/Rio Claro e os dados foram coletados a partir de depoimento escrito e entrevista semiestruturada. A autora extraiu dados e informações para fomentar a pesquisa, o que possibilitou melhor compreensão dos aspectos envolvidos no processo de avaliação da aprendizagem e que serviram de base para a reflexão mais acurada sobre a prática docente, com foco qualitativo, objetivando, fundamentalmente, identificar, caracterizar e analisar os significados e as práticas de avaliação da aprendizagem, segundo a perspectiva de alunos do ensino superior. Tratando-se do sistema de avaliação, Vianna (1995) faz análise sobre o significado e efetividade do processo de avaliação da aprendizagem no ensino superior, tendo o propósito de caracterizar, em suas linhas gerais, as produções dos pesquisadores sobre avaliação educacional, que adquiriu maior consistência entre 1972 e 2019.

São produções bibliográficas que englobam processo avaliativo a partir do viés de rendimento escolar abrangendo, também, sistemas educacionais, passando por material instrucional, projetos, programas e políticas educacionais, além de textos que se voltam às questões conceituais, sociopolíticas e metodológicas à respeito de medida e avaliação educacional. Segundo Hoffmann: “a avaliação em educação a distância ganha uma dimensão mediadora, que projeta e vislumbra o futuro, subsidiando uma compreensão dos limites e possibilidades dos alunos e o permanente ajuste das estratégias pedagógicas” (HOFFMANN, 2001, p. 114). A proposta de uma avaliação repensada, replanejada e concretizada de forma reflexiva e coerente com os objetivos predefinidos para a aprendizagem na modalidade EAD pode, assim, adquirir contornos de continuidade para acompanhar com eficiência o processo de aprendizagem. São conceitos que norteiam o processo avaliativo educativo, compondo mais um fator que colabora para com a aprendizagem dos alunos (PERRENOUD, 2000).

Ela é baseada em tarefas que são propostas aos alunos no decorrer do curso, devendo ser efetuadas num determinado período de tempo. A avaliação na EAD como instrumento pedagógico estimula a aprendizagem e o êxito na aprendizagem dos alunos e desperta autoconfiança, uma vez que o aluno é informado antecipado sobre como obter o próprio progresso. Esse conceito sobre o papel da avaliação é constante, pois não acontece somente no momento da aplicação formal da avaliação, mas ao longo do processo. Para um bom desempenho do ensino-aprendizagem no EAD é necessário que se tenha profissionais cada vez mais qualificados e capacitados para dominar as habilidade com ferramentas acessíveis e disponibilizadas para a prática interativa do conhecimento. Para tanto, um dos aspectos que primeiramente deve ser destacado em uma instituição de ensino a distância está vinculado aos gestores.

No entendimento de Galasso (2014), o gestor exerce o papel preponderante para integrar e harmonizar os vários elementos que compõe o sistema EAD, cabendo, à este, entender os diversos mecanismos e processos que envolvem um curso nessa modalidade de ensino. É relevante refletir sobre as reformulações quanto aos parâmetros curriculares estabelecidos adotados pelas universidades que ofertam cursos na modalidade de EAD, concebendo um novo autor em cena: o tutor presencial, que ganha destaque importante, tornando-se o mediador entre aluno e conhecimento, tutoria de ensino a distância e a coordenação de tutoria. Imbuído nessa concepção, Preti (2008) aborda que:

O sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), ao estabelecer as figuras do “tutor presencial”, do “tutor a distância” e do “professor formador”, parece fazer uma opção não somente terminológica, para demarcar funções diferenciadas, mas sobretudo conceitual em relação à dinâmica de acompanhamento e de avaliação do estudante em cursos à distância (PRETI, 2008, p. 126).

Partindo desse entendimento, percebe-se que o EAD tem, em sua estrutura docente, a presença de vários profissionais e que esses lidam com diversas circunstâncias no decorrer do curso, sendo cada um essencial para o principal objetivo ser alcançado, tais como um bom discernimento sobre autonomia, tecnologia educacional, melhor acompanhamento no processo avaliativo de cada discente e a formação de profissionais aptos para inserção no mercado de trabalho. Entretanto, para que seja possível colocar em prática toda a demanda necessária para um bom curso em EAD, cada instituição precisa de uma boa gestão, tendo alternativas que permitam a presença de um bom corpo docente-técnico de tutores que conheçam não somente as principais concepções adotadas no EAD, mas que também entendam quais as principais ferramentas e ações pedagógicas que são mais adequadas para cada etapa de um curso.

Com o avanço dos meios tecnológicos, principalmente na última década, os conceitos sobre ensino a distância EAD indicam um avanço na qualificação de tutores, o que demanda destes o empenho necessário para o êxito no acompanhamento das plataformas de ensino. Nesse sentido, Laguardia et al (2007, p.227) enfatiza que: “em face de interesses, objetivos e ambientes diversificados e complexos, são necessários estudos que avaliem quais as propostas pedagógicas que são adequadas às distintas necessidades dos provedores e usuários, tomando como foco as potencialidades e limitações dos recursos tecnológicos”. Sendo assim, cada instituição, a partir de seus gestores, deve sempre levar em conta na seleção de seus tutores, aqueles que demonstram mais qualificação e praticidade com o ambiente e com os métodos de aprendizagem do EAD.

Além disso, faz-se necessário, também, que a instituição elabore um método avaliativo relacionado ao trabalho de seus tutores e das principais ferramentas utilizadas para operacionalização do processo de ensino-aprendizagem, oferecendo suporte tecnológico necessário à estes para uma prática interativa. Conforme Moraes (2002, p. 203), “em qualquer situação de aprendizagem, a interação entre os participantes é de extrema importância. É por meio das interações que se torna possível a troca de experiências, o estabelecimento de parcerias e a cooperação”. A dinâmica de democratização do ensino exige que se trabalhe com qualidade, o que implica várias exigências na tarefa de ensino-aprendizagem na Educação de Ensino a Distância – EAD, dentre as múltiplas cobranças, há os recursos dos Ambientes Virtuais de Aprendizagens – AVAS.

Os AVA’s geralmente são desenvolvidos por instituições acadêmicas ou empresas privadas. Eles fornecem aos participantes ferramentas a serem utilizadas durante um curso, para facilitar o compartilhamento de materiais de estudo, manter discussões, coletar e revisar tarefas, registrar notas, promover a interação entre outras funcionalidades. Eles contribuem para o melhor aproveitamento da educação e aprendizagem na EAD, pois oferece diversos recursos para a realização das aulas e interações entre professores e alunos. (RIBEIRO; MENDONÇA; MENDONÇA, 2007, p. 4).

Vale ressaltar que os Ambientes Virtuais de Aprendizagem são resultados do avanço tecnológico e que de acordo com os avanços da tecnologia vão sendo alterados em sua estrutura. Trata-se de um processo dinâmico e que deriva em consonância com o desenvolvimento de um determinado período na história, e, embora se trate de um fruto da revolução industrial, ele surge e se apresenta na contemporaneidade. Segundo Santos (2003), a aprendizagem mediada pelo sistema AVA permite, por meio de recursos, a digitalização de várias fontes de informações que podem ser criadas e socializadas a partir de conteúdos apresentados de várias formas como: hipertextual, audiovisual, mixada, multimídia, com recursos de simulações.

O conceito de AVA abrange o uso de tecnologia, internet, didática e principalmente interatividade. Estes elementos podem ser considerados essenciais em sua elaboração, que precisa de um projeto com características que atendam seu caráter prioritariamente colaborativo. A compreensão do conceito de tecnologia relacionado com o contexto da Sociedade da Informação, possibilita uma apropriada contextualização da EAD mediada por Ambientes Virtuais de Aprendizado (AVA) (PAULA, 2009, p. 22 ).

Abrangendo o uso das tecnologias, o AVA requer habilidade por parte dos que fazem uso de tais ambientes, pois compreender a sua funcionalidade é requisito fundamental para que se faça bom aproveitamento de seu “potencial”. Dias, Naves e Moura (2001 apud PAULA, 2009, p.19) explicitam que a crescente quantidade de informações no mundo proporcionalmente “vem desafiando tanto aqueles que precisam encontrá-las quanto os encarregados de organizá-las para que esse encontro seja possível”. Ainda nessa perspectiva, é fundamental que se faça uma avaliação via AVA para verificar como age o “estudante” dentro desse universo de informações, como seleciona suas fontes e como interage com os que formam o corpo de ensino-aprendizagem dentro do ambiente. Segundo Santos (2003), o Ambiente Virtual de Avaliação materializa-se no ciberespaço com frequência, o que permite e potencializa as comunicações diversas na expansão do ciberespaço, fomentando-se, portanto, o mercado em e-learning.

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem devem ser pensados, isto é, deve possuir uma estrutura que possibilite, no processo de ensino-aprendizagem, a interação.

É a interatividade com o conteúdo e com seus autores que faz um site ou software se constituir como um AVA. Para que o processo de troca e partilha de sentidos possa ser efetivo poderemos criar interfaces síncronas a exemplo dos chats ou salas de bate papos e assíncronas a exemplo dos fóruns e listas de discussão. Podemos contar também com os blogs que além de permitir comunicação síncrona e assíncrona, agrega em seu formato hipertextual uma infinidade de linguagens e forma de expressão (SANTOS, 2003, p. 9).

As interfaces síncronas e assíncronas possibilitam que se obtenha uma recíproca troca de “informações”, trata-se de um “universo” que precisa ser explorado para que a qualidade no processo de ensino- aprendizagem não seja ignorada, mas que seja levado a sério e tratado com o devido cuidado, visualizando cada elemento que compõe o processo.

Na Educação a Distância, os ambientes virtuais de aprendizagem têm papel especial na mediação pedagógica, entre alunos e professores que se encontram separados espacial e temporalmente, mas unidos por meio de recursos tecnológicos. Os ambientes virtuais precisam ser redimensionados para o contexto dinâmico da EAD, visando garantir a interatividade, minimizando o sentimento aparente de solidão dos alunos que estudam “sozinhos”, mas que participam virtualmente das redes de conexões da inteligência coletiva. Nesse sentido, os AVAs podem estimular os processos de comunicação síncrona e assíncrona entre os aprendizes, além de motivar o trabalho cooperativo, a autoria compartilhada, a pesquisa baseada nos materiais e recursos didáticos disponíveis, visando que os educandos conquistem a autonomia em seus percursos de aprendizagem (SILVA, 2011, p. 140).

Na Educação a Distância, EAD, o Ambiente Virtual de Aprendizagem, AVA, dinamizado pelas interfaces, deve possibilitar que os educandos não caiam no isolamento, sentindo-se sozinhos, mas proporcione um ambiente de coletividade, de trabalho cooperativo. O educando deve alcançar a autonomia, isto é, ser capaz de desenvolver suas atividades, planejar suas tarefas, estipular horários, superando a dependência, onde se é guiado pelo outro. Outra autora que merece destaque nesta discussão é Neder (1996), pois afirma que como uma modalidade educativa, a Educação a Distância (EAD) possui características e peculiaridades próprias que são determinantes para a definição dos projetos pedagógicos e de processos de gerenciamento implementados pelas instituições educativas.

Antes, porém, de se definir os elementos, os percursos, os métodos, os instrumentos que devem ser trabalhados nos processos de gestão, ligados à EAD, é necessário que tenhamos clareza à respeito dos paradigmas que dão sustentação aos referenciais teórico-metodológicos que alicerçam nossas compreensões e práticas na área educacional. Desta maneira, pensar a gestão de projetos de EAD implica, primeiramente, em reflexões e compreensões à respeito da educação: Como a compreendemos? Onde a situamos? Como analisar as relações intrínsecas? Qual é o seu papel? Como se desenvolve? Na avaliação que se utiliza o método qualitativo, não se pode ser apenas um mero observador, pois, para alcançar a tão almejada qualidade, não se capta somente observando, mas vivenciando-a.

Segundo Demo (1996), devem ser levadas em consideração no fenômeno participativo quatro dimensões: representatividade do papel de uma liderança; legitimidade do processo; participação da base; e planejamento participativo interativo. Sobretudo, são propostos três procedimentos avaliativos: convivência, vivência e identificação ideológica. Assim, a  metodologia proposta neste trabalho volta-se à organização do diálogo que está além do simples ato de observação participante. Discurso esse que evidencia a impossibilidade de avaliar qualitativamente à distância. O básico da convivência é exigido. Consequentemente, implica-se uma maior disponibilidade de tempo, dedicação e identificação. Se os cidadãos advêm de uma comunidade com forte indício de vulnerabilidade social, o risco da falta de acesso gera o impedimento da autopromoção, o que é um ponto importante para o fenômeno participativo.

Na tentativa de dar forma à avaliação qualitativa, há o perigo eminente de se perder a qualidade, atitude essa que pode causar processos antidemocráticos, comprometendo a vida da informação acessível e livre. A educação deve estar compreendida com a prática social que pode dinamizar outros processos sociais importantes para a conquista de uma vida pública que se organiza na busca da construção de uma sociedade mais inclusiva. Nesse sentido, Demo (1996), em sua obra “Avaliação qualitativa”, questiona acerca da tendência humana sobre imputar o olhar sobre a realidade alimentada com perspectiva quantitativa, há conveniência no entendimento na facilidade de manipulação. Contudo, é mais prático ter habilidade com números que com seres humanos. Desse modo, fica transparente que os aspectos de qualidade e a quantidade são coisas inteiramente distintas, no entanto, completam-se mutuamente para operar um sistema complexo.

Não se trata de valorizar ou privilegiar uma abordagem em detrimento de outro. Entretanto, as ciência sociais vem demonstrando preferencialmente métodos quantitativos, defendendo que, pela informação, esses métodos podem ser testados e medidos oportunamente. A problemática está na questão tendenciosa em reconhecer como real o que tem se mostrado mensurável. Sem mencionar as relações de poder (ideologia), que possuem suas bases e próprias maneiras de julgar o que consideram satisfatório ou não, da forma que é conveniente à maioria. Na modalidade EAD, no que toca à avaliação, é primordial funcionar, de acordo com Azzi (2002), como um fator de estímulo para alunos sob o argumento que sua operacionalização é contínua, devendo permear simultaneamente em todas as etapas peculiares da relação aluno/plataforma/material pedagógico/professor da disciplina/tutor e outros atores que constam no processo da modalidade  educação à distância.

É  imprescindível adotar o processo contínuo, cumulativo, sistemático e flexível para obter um melhor acompanhamento do desempenho, sob a ótica constatar a melhor forma de apoio aos discentes, assim como verificar o atendimento com objetivos propostos, seguindo critérios da matriz curricular e do projeto pedagógico do curso. Almeja-se,  por fim, um processo que consiga subsidiar a reflexão sobre a construção de novos materiais pedagógicos para fortalecer os cursos ofertados via EAD. A emancipação de sujeitos, como finalidade, deve ser apropriada para contribuir com o processo de construção histórica humana, capaz de edificar projeto de vida dos alunos significativamente, com vistas à construção de uma sociedade digna,  justa, solidária, equânime, democrática e humana. Farias (2001, p. 95), enfatiza que a EAD é “uma nova forma de se fazer educação, não mais contraposta ao ensino presencial ou como um “remédio do ensino”, mas uma nova metodologia de educação independente, que pode muitas vezes ser utilizada de modo complementar e enriquecedor ao ensino presencial”.

Não mais é mais uma substituta do docente, pois a colaboração converteu-se  com ênfase central na EAD, seja entre aluno-aluno, entre professor-aluno e vice-versa. Ainda falando acerca da credibilidade da EAD, devido ao papel social e histórico no Brasil, o autor, ao referir-se sobre o estudante da modalidade a distância com a metáfora do engenheiro de seu próprio sistema educacional, entende-se que em um momento subsequente da história, o ensino EAD contribuiu para romper com paradigmas que, por um determinado tempo, caracterizou como ensino inferiorizado, comparado ao ensino presencial, ou ainda, ensino restrito à educação de adultos, como também destaca Trindade (apud BELLONI, 2006). Logo, a partir de então, segundo Farias (2001), a EAD, ao ganhar status, passa a ser vista como uma modalidade de ensino indispensável à educação de setores desfavorecidos, como é o caso da formação de professores, seja por falta de oferta, seja por falta de resultados positivos no ensino.

Nesse sentido, sua importância como ferramenta e ambiente de inclusão social dos alunos (professores) que estão cursando biologia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) no polo UAB/em Cametá torna-se evidente e necessária.

3. METODOLOGIA DO ARTIGO

A pesquisa parte do pressuposto metodológico de que:

A teoria precisa ser traduzida em uma prática que faça diferença, que assegure que as pessoas vivam suas vidas com dignidade e esperança […] Levar em consideração a prática da vida cotidiana não significa privilegiar o pragmático em oposição à teoria, mas ver essa prática como inspirada por considerações teóricas reflexivas e, ao mesmo tempo, como transformando a teoria (GIROUX, 1995, p. 97).

Para a produção deste artigo optou-se por adotar a abordagem quantitativa e qualitativa por considerar a necessidade de agrupar o máximo possível de informações à respeito do tema em evidência. O levantamento de dados por meio da estatística se faz de suma importância para explicitar o rendimento da turma, e, do mesmo modo, as respostas dos entrevistados. A pesquisa compreendeu um período de seis meses e as atividades previstas para permitir alcançar os objetivos mencionados são as seguintes: inicialmente, fizemos uma pesquisa bibliográfica preliminar para mapear os principais trabalhos publicados sobre o tema do presente artigo, cujo propósito foi estabelecer ao pesquisador o contato com o que já se produziu e registrou sobre o tema da pesquisa. Após essa etapa, buscamos identificar e analisar como se dá o desempenho dos acadêmicos do curso de Biologia na modalidade de EAD de um dos polos do Estado do Pará.

Para tanto, optamos por um estudo de caso, o qual nos permitiu um amplo conhecimento sobre o processo pedagógico e as diversas relações internas e externas entre os sujeitos envolvidos na pesquisa. Utilizamos uma amostra que compreendeu o universo de 05 profissionais e 05 estudantes. Entrevistamos 01 professor de disciplina, 01 tutora a distância, a coordenadora pedagógica do curso, 02 tutores presenciais e 05 estudantes do curso em que desenvolvemos nossa pesquisa. Utilizamos, ainda, a pesquisa do tipo exploratória para identificar o envolvimento dos sujeitos com o processo de avaliação na educação a distância, proporcionando maior familiaridade com esse sistema a fim de torná-lo mais visível e compreensivo neste universo. Para responder questões relacionada à problemática e os objetivos sugeridos para a pesquisa, utilizamos os seguintes instrumentos: pesquisa bibliográfica, exploratória, entrevista semiestruturada e estruturada, além de questionários com questões abertas, bem como análises de dados tanto quantitativa quanto qualitativamente.

Cada uma dessas técnicas serão descritas a seguir. Nesse sentido, cada colega do grupo tratou de um item específico e utilizou a metodologia que inicialmente se pensou para dar conta de todas as composições para elaboração do artigo. O trabalho se desenvolveu individualmente a partir dos pressupostos construídos em grupo. A seguir, faremos um breve resumo do que cada componente tratou e quais as técnicas foram utilizadas e como se deu esse processo: No item de nº 01, fez-se uma abordagem sobre a função da avaliação na prática metodológica educativa para o ensino à distância. Segundo Severino (2007), a pesquisa bibliográfica é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses etc. Dessa forma, nossa intenção com a pesquisa bibliográfica foi justamente fazer leituras e revisões no material que tratam sobre o assunto abordado procurando se apropriar dos conhecimentos existentes para o desenvolvimento do artigo.

No item de nº 02, abordamos a seguinte questão norteadora: quais os mitos e desafios envolvidos na avaliação da aprendizagem na EAD? Este tema foi desenvolvido por vários acadêmicos dos cursos de pós graduação, não diferente foi realizada uma pesquisa exploratória. Assim, a coleta de dados exploratória nos permitiu uma maior aproximação com o tema pesquisado, procurando torná-lo mais coeso e claro, buscando, assim, dar conta dos objetivos da pesquisa. A coleta de dados da pesquisa exploratória foi feita a partir da entrega pessoal dos formulários aos docentes e discentes do curso. A cada um dos participantes foi explicada a razão do estudo e o objetivo da pesquisa. Para dar suporte bibliográfico e ênfase na pesquisa, adotou-se o teórico Preti (2008), intermediado pela obra “Avaliação da aprendizagem em cursos à distância: delegando responsabilidade aos tutores?”

Tal importância da escolha se deu em virtude de a obra apresentar algumas reflexões preliminares produzidas durante a fase exploratória de um estudo feito pelo autor, bem como por identificar manifestações de conflito moral e cognitivo no processo avaliativo, envolvendo os tutores e o desenvolvimento de práticas diversificadas para realização dos registros do acompanhamento do desempenho do acadêmico no curso na modalidade de EAD. No item de nº 03, discutimos a utilização dos recursos dos AVAS para a avaliação da aprendizagem à distância. Este tema foi desenvolvido pelo acadêmico Jaelson do Carmo Cardoso Castro e foram realizadas entrevistas semiestruturadas e estruturadas. Para a pesquisa semiestruturada, foram realizados diálogos com integrantes do primeiro curso na modalidade em EAD, ofertado por este Polo, formado por uma turma de Biologia, bem como contou-se com um representante da tutoria presencial do respectivo curso.

Na oportunidade, utilizamos um roteiro guia, sem necessariamente seguir a mesma ordem entre a conversa com um e outro participante, uma vez que pode envolver, no decorrer dos encontros, novos questionamentos, mas sem perder o foco principal de cada investigação. Na investigação, buscou-se esclarecer o papel do tutor presencial e a distância na avaliação do ensino em EAD utilizados na Turma de Biologia do Polo do Pará, dando ênfase aos principais aspectos positivos e negativos, segundo análise dos participantes do estudo. No item de nº 04, procura-se elucidar o papel da tutoria presencial e a distância na avaliação do ensino em EAD, estudo desenvolvido pelo colega Edevaldo Freitas Baia. Para dar conta desta discussão, realizamos uma abordagem direta por meio de entrevista com questionários de questões abertas e análises de documentos sobre as atribuições do tutor junto à EAD.

E, no último item, o do e nº 05, apresentamos uma análise acerca do desempenho acadêmico dos estudantes do curso de Biologia em EAD do Polo UAB/PA. Este tema foi exposto especificamente neste trabalho, apresentado pela acadêmica Janete Farias Teles. Aqui foi feito um detalhamento do artigo a partir de uma pesquisa tanto quantitativa, envolvendo os dados estatísticos da turma, bem como questões qualitativas, tendo feito, o pesquisador, contato direto com o ambiente de aprendizagem e, especialmente, com a avaliação dos alunos. Foram analisados os dados estatísticos existentes sobre o rendimento da turma nas disciplinas cruzadas (que são as disciplinas do bloco normal presenciais com mais reofertas a distância, geralmente cursadas no mesmo período), bem como considerou-se os dados estatísticos relacionados ao desempenho dos alunos nas disciplinas online.

Nesse processo, averiguou-se que Demo (1996) menciona a pesquisa como uma atividade costumeira, realizada cotidianamente, considerando-a mais como uma atitude do que um questionamento sistemático, reflexivo, crítico ou criativo. Contudo, sua implementação competente na realidade ou o diálogo com criticidade permanente condizente com a realidade em sentido teórico e prático evidencia as outras qualidades. O autor defende que a pesquisa quantitativa, considera tudo como quantificável, logo, pode-se traduzir em números, opiniões, informações para especificá-las e analisá-las. Prática essa que requer o uso de recursos e técnicas estatísticas. Essa técnica foi utilizada neste item, uma vez que utilizamos os dados estatísticos apresentados pelo curso de Biologia na modalidade a Distância para se analisar os resultados obtidos. Para o mesmo autor, a pesquisa qualitativa considera a existência de uma relação dinâmica permeada pelo mundo objetivo e subjetivo que não permite traduzir em números.

Essa interpretação à respeito dos fenômenos e a atribuição de significados são elementos básicos que concernem ao processo de efetivação da pesquisa qualitativa. São muitos os fatores que implicam no rendimento do estudante. Neste item, foi realizada uma análise a partir das características que o curso apresenta, buscando conhecer quais eram os sujeitos envolvidos e como estes se relacionam. O material coletado apresentou diversas situações para a descrição, e, após a análise, tornou-se possível compreender e avaliar o desempenho dos alunos e dos profissionais envolvidos no processo de avaliar na EAD.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 IDENTIFICANDO O LÓCUS DA PESQUISA

A Universidade Aberta do Brasil – UAB– foi criada pelo Ministério da Educação, em 2005 e tem por objetivo expandir e interiorizar a oferta de cursos e programas de educação superior no Brasil. O polo de apoio presencial de Cametá vincula-se administrativamente ao Município de Cametá/Pá e academicamente às instituições de ensino superior, entre elas a Universidade Federal  do Pará e Universidade Estadual do Pará-UEPa.

Figura 1:  Universidade Aberta do Brasil- Polo de Cametá-Pará

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

Atualmente, o polo encontra-se ativo, oferecendo os cursos de licenciatura em Biologia (UFPa), Letras e Pedagogia (UEPa) e Pós-Graduação em Gestão na Educação a Distância. Tem como instituições parceiras as Universidades: UFPA, UEPa, UFOP, UFF, IFPA. Este polo de educação tem a pretensão de colaborar com a formação de sujeitos que buscam suas qualificações para desempenharem o ofício nas diversas áreas de conhecimento e, assim, almeja-se contribuir com a qualidade dos serviços do município.

4.2 ANALISANDO OS DADOS COLETADOS

Nesse momento educacional, a avaliação voltada para o processo educacional à distância torna-se cada vez mais complexa, demandando uma reflexão transformadora acerca de sua prática, diante da riqueza de variáveis que interferem nos processos de planejamento, execução e gestão de resultados decorrentes. Nesse contexto, afirma Hoffmann (1993),

quando considerarmos a avaliação como uma ação transformadora e de incentivo à capacidade crítico-reflexiva e a intervenção sobre um determinado processo, informação ou conhecimento, a avaliação passa ser considerada a reflexão transformadora em ação. Ação, essa, que nos impulsiona às novas reflexões. Reflexão permanente do educador sobre sua realidade, acompanhamento passo a passo, do educando na  sua  trajetória  de  construção  do  conhecimento  (HOFFMANN, 1993, p. 18).

Nesse sentido, díspar da avaliação na modalidade regular da educação presencial, na EAD o que se percebe é uma inserção de novos critérios e conceitos da modalidade, na tentativa de expandir as potencialidades de sistematizar a aprendizagem pelos modos formativo, contínuo e somativo, mas sem esgotar as diferentes formas e espaços de aprendizagem, da pedagogia como conectora dialógica e, ainda, preza-se pela flexibilidade na escolha de novos métodos em tempos, espaços e parceiros da aprendizagem. Assim, por meio de nossa pesquisa de campo, buscamos conhecer, refletir e analisar quais os fatores que contribuem ou interferem de forma quantitativa e qualitativa no rendimento da turma do curso de Biologia. Para tanto, buscamos aplicar questionários e entrevista com os tutores, alunos e com a Coordenação Pedagógica do curso de Biologia em 2017, a fim de coletar os dados necessários para a nossa investigação.

Segundo vários teóricos desse tema, avaliar pressupõe diagnosticar para observar comportamentos, atitudes e desempenhos, na expectativa de analisar os dados apurados sob o olhar da revisão pedagógica e das mudanças necessárias para melhoria contínua da qualidade educacional. Desse modo, pode-se compreender que para realizar a avaliação faz-se necessário colocar em prática as diferentes modalidades:

a) Diagnóstica ou Investigativa: avaliação que traça o perfil do aluno e suas tendências de aprendizagem;

b) Contínua ou Formativa: avaliação diagnóstica e diária, faz o diagnóstico do comportamento de todos os envolvidos no processo de aprendizagem;

c) Final ou Somativa: Considerada a avaliação final, por acontecer no final do processo de educação e aprendizagem, exerce o papel classificatório, em razão de converter-se a uma classificação de alunos conforme os níveis de aplicação ao final de uma unidade de ensino, de um módulo, de uma disciplina, de um semestre ou mesmo de um ano letivo ou de curso.

Diante disso, percebeu-se, na fala dos entrevistados, que são utilizadas no curso de Biologia as três práticas avaliativas citadas. Para melhor discorrer sobre a avaliação diagnóstica, recuperamos os escritos de Gil (2006)

constitui-se num  levantamento  das  capacidades   dos estudantes   em   relação  aos conteúdos a serem abordados, com essa avaliação, busca-se identificar as aptidões iniciais, necessidades e interesses dos estudantes com vistas a determinar os conteúdos e as estratégias de ensino mais adequadas (GIL, 2006, p. 247).

Na visão de Blaya (2007), a avaliação formativa é:

A forma de avaliação em que a preocupação central reside em coletar dados para reorientação do processo de ensino-aprendizagem. Trata-se de uma “bússola orientadora” do processo de ensino-aprendizagem. A avaliação formativa não deve assim exprimir-se através de uma nota, mas sim por meio de comentários (BLAYA, 2007, p 20 ).

Boniol e Vial (apud WACHOWICZ; ROMANOWSKI, 2003), afirmam que:

A avaliação formativa consiste na prática da avaliação continua realizada durante o processo de ensino e aprendizagem, com a finalidade de melhorar as aprendizagens em curso, por meio de um processo de regulação permanente. Professores e alunos estão empenhados em verificar o que se sabe, como se aprende o que não se sabe para indicar os passos a seguir, o que favorece o desenvolvimento pelo aluno da pratica de aprendera aprender. A avaliação formativa é um procedimento de regulação permanente da aprendizagem realizado por aquele que aprende (BONIOL; VIAL apud WACHOWICZ; ROMANOWSKI, 2003, p. 126).

Estas abordagens ampliam as perspectivas de entendimento das avaliações: diagnóstica, formativa e somativa, e, assim, colaboram entre si e fomentam o entendimento de uma metodologia que reconhece os conteúdos, habilidades e competências construídas pelos alunos. A avaliação formativa é destacada como um processo contínuo, cujo ponto de partida é a transformação da avaliação em um instrumento que desenvolva a possibilidade de “aprender a aprender”. A avaliação somativa atrela-se diretamente à função classificatória, que apresenta o propósito de averiguar as possibilidades dos objetivos elencados no planejamento para que sejam devidamente alcançados. Na pesquisa de campo, no que se refere ao papel da avaliação em EAD, abordamos os entrevistados com a seguinte questão: Qual a sua concepção sobre a avaliação na modalidade EAD? Depois de analisarmos as respostas de 06 entrevistados, 04 alunos e 02 tutores, concluímos que 100% deles responderam que acreditam que a avaliação seja relevante dentro do curso, pois, a partir dela, podem verificar se o conhecimento foi alcançado.

Gráfico 1: Visão sobre EAD

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

Sobre a questão, Sant’Anna (1995), valida como:

Um processo pelo qual se procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do comportamento e rendimento do aluno, do educador, do sistema, confirmando se a construção do conhecimento se processou, seja este teórico (mental) ou prático (SANT’ANNA, 1995, pp. 29-30).

Constata-se, dentro dessa perspectiva, que a incumbência da avaliação é uma etapa fundamental para o processo ensino-aprendizagem, pois permite, ao professor, acompanhar a evolução cognitiva dos alunos de forma satisfatória. Os 04 alunos entrevistados responderam a outra pergunta feita: como você é avaliado? 60% deles responderam que avaliação acontece por meio de aplicação de provas escritas de cunho discursivo; 30% a partir de trabalhos de grupo e individuais e 10% por testes objetivos. Ou seja, um número significativo de entrevistados relata que são avaliados por meio de provas escritas discursivas, sendo que o resultado destas avaliações é discutido em sala de aula para verificar os locais exatos em que se encontram as dificuldades dos alunos.

Gráfico 2: Como seu desempenho é avaliado?

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

O gráfico nos remete ao ponto de vista de Gil (2006), quando aborda:

Uma avaliação pontual, que geralmente ocorre no final do curso, de uma disciplina, ou de uma unidade de ensino, visando determinar o alcance dos objetivos previamente estabelecidos. Visa elaborar um balanço somatório de uma ou várias sequências de um trabalho de formação e pode ser realizada num processo cumulativo, quando esse balanço final leva em consideração vários balanços parciais (GIL, 2006, p. 248).

Nessa reformulação, evidencia-se quanto a avaliação está em constante transformação ao longo dos tempos, uma vez que procura mostrar ao aluno como foi o seu desempenho na aprendizagem no transcorrer das atividades escolares, possibilitando localizar os percalços encontrados no processo de assimilação e produção do conhecimento, possibilitando-lhe correção e devida recuperação. Analisamos, também, os registros escolares relativos aos dados quantitativos obtidos pelos alunos no período de 2017 a 2019. De acordo com o levantamento, elaboramos a tabela 1:

Tabela 1: Total de alunos por Polo – 2017

POLO ANO DE INGRESSO TOTAL PREVISÃO/ FORMADOS DESISTENTE PRESCRITOS EVASÃO
Breves 2017 51 35% 20% 0% 41%
Oriximiná 2017 48 52% 4% 27% 15%
Cametá 2017 49 41% 16% 22% 20%
Bujaru 2017 49 35% 2% 27% 37%
Goianésia do PA 2017 19 47% 11% 37% 5%
Parauapebas 2017 50 12% 6% 0% 82%
Marabá 2017 49 22% 22% 37% 18%
Dom Eliseu 2017 46 50% 4% 35% 11%
Juriti 2017 50 36% 6% 40% 18%
Total 99% 411 36% 10% 24% 29%

Fonte: Instituto de Ciências Naturais. Faculdade de Biologia/UFPA/Belém (2019)

Gráfico 3: Quadro demonstrativo dos alunos do Curso de Biologia /UFPa/Pa

Fonte: Instituto de Ciências Naturais. Faculdade de Biologia/UFPA/Belém (2019)

Baseando-se na tabela, percebe-se que o Polo de Cametá apresentava, no ano de 2017, um total de 49 estudantes ingressantes no curso de Biologia, sendo que durante o período do curso 16% desistiram por razões socioeconômicas, 22% foram prescritos e 20% evadiram. A evasão escolar ocorre quando um aluno deixa de frequentar a escola e fica caracterizado o abandono escolar, já a prescrição ocorre quando há suspensão da matrícula de um aluno pela ausência ou por não conseguir aprovação por dois semestres consecutivos e há a desistência escolar, que se caracteriza pelo abandono sem justificativa, não retornando mais ao curso. A pesquisa traz evidências do campo panorâmico dos estudantes do curso, sendo 59% destes 20% alegam que desistiram do curso em decorrência da adversidades culturais, financeiras ou geográficas, pois esse programa atende um número significativo de alunos advindos de municípios adjacentes.

Assim sendo, por conseguinte, a logística de acesso ao polo encarece; enquanto 39% alegam que tal ato está diretamente ligado à opção por outro curso, pois não se identificaram com o curso de Biologia. Segundo os dados fornecidos pela Coordenadora Pedagógica do curso, a razão de 23% de prescrição se justifica a partir próprios dos estudantes que, em geral, alegam problemas pessoais ou porque foram reprovados nas primeiras disciplinas e foram impossibilitados de cursar disciplinas ofertadas nos semestres ou mesmo de cursar em caráter de reoferta. Assim, o semestre é concluído sem a presença do referido aluno e resulta na prescrição. Não há demonstração do aluno na renovação de sua matrícula, e, assim, perde-se vínculo de aluno com o sistema – CIAC (Centro de Registro e Indicadores Acadêmicos da UFPA-Pará). Sobre a situação da evasão, que apresenta uma taxa crítica de 20% de alunos nesta condição, alega-se o seguinte: alguns são de outros municípios e não possuem condições financeiras para se manter uma vez por semana no município que oferta o curso (Cametá), um aluno faleceu antes mesmo de iniciar o curso.

Entretanto, 41% dos entrevistados afirmam que estão firmes para concluir o curso, relataram ainda que a desistência está absolutamente relacionada à dificuldade que o curso à distância apresenta em relação às avaliações e às atividades presenciais propostas. Os impactos da evasão de alunos na EAD têm sido abordados em reuniões, confirmando como um dos problemas que está muito presente na maioria das instituições educacionais e em todos os níveis de ensino. As causas são diversas, o que traz estudos recentes para propor ações para as instituições se atentarem para o  problema da evasão na EAD. Assim, percebe-se que o grande problema dos alunos que estudam a distância está justamente nos primeiros anos ou semestres dos cursos, por isso, torna-se importante a busca de soluções e o crescimento dos cuidados destinados ao estudante da EAD. O aluno, muitas vezes, sente-se solitário, sem estímulo para uma caminhada autônoma.

Para Neves (2006), a evasão é um problema resultante de um conjunto de vários fatores que influenciam na decisão de alguém quanto à permanência ou não em algo dentro de contextos sociais e educacionais. Outro tema abordado diz respeito à questão da metodologia de estudo utilizada no curso. Direcionamos a seguinte pergunta: a metodologia de ensino estimula a realização de suas avaliações de forma independente? Segundo os estudantes entrevistados, 75% apontam que o tutor presencial utiliza recursos para estimular sempre, enquanto 25% afirmam que são estimulados algumas vezes. A partir deste estudo, que revelou que o estudante constrói seu conhecimento a partir da interação com o meio ambiente e social, percebemos que cabe ao professor escolher estratégias e procedimentos metodológicos dinâmicos ajustados aos interesses dos alunos, com o objetivo de conquistar a participação ativa nas atividades.

Gráfico 4: A Metodologia em EAD

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

Para reforçar nosso ponto de vista, após a análise do gráfico 4, devemos ler as palavras de Pinheiro e Gonçalves (2001),

o professor atua como incentivador e orientador da aprendizagem, favorecendo a participação dos alunos. É estimulado a observar, experimentar, criar e executar, desenvolvendo dessa forma sua capacidade crítica e reflexiva. Nesta modalidade de ensino a prática pedagógica tem metas de ensino definidas e expressam diferentes níveis de desempenho: capacidade análise, síntese, relação, comparação e avaliação (PINHEIRO; GONÇALVES, 2001, p. 3).

Todavia, o sucesso de um curso ofertado na modalidade a distância depende muito do conceito adotado e da implementação da metodologia de ensino-aprendizagem apropriada que contemple as etapas do processo, priorizando a busca por métodos criativos mediados pela tecnologia educacional, implementando ao papel de suporte para uma educação sócio comunitária. Na expansão, é necessário selecionar e interpretar informações que venham contribuir para uma formação crítica e autônoma. Por fim, outro enfoque que foi referendado nesta pesquisa refere-se aos reflexos da avaliação.

Perguntamos aos alunos do curso de Biologia o seguinte: Quais os reflexos da avaliação sobre o processo de ensino aprendizagem em educação à distância? Sobre esta pergunta, os alunos responderam que o seu rendimento final depende da concepção e reflexão sobre o ato de avaliar, bem como a forma como são avaliados, dos critérios e instrumentos que são utilizados, assim como dos objetivos definidos para aquela unidade ou para a disciplina. Cabe, então, uma reflexão sobre a avaliação a ser realizada com alunos e professores ou tutores. Segundo Demo:

Refletir é avaliar, e avaliar é também planejar, estabelecer objetivos etc. Daí os critérios de avaliação que condiciona seus resultados estejam sempre subordinados as finalidades  e  objetivos  previamente  estabelecidos  para  qualquer prática, seja  ela educativa, social, política… (DEMO, 1999,  p. 1).

É oportuno destacar que, na visão de Sant’Anna (1995), a avaliação não é um instrumento que serve meramente para medir o rendimento do aluno, mas também pode-se averiguar o conjunto de fatores que envolvem o processo de ensino-aprendizagem. Assim sendo, como profissionais atuantes na educação à distância, devemos mostrar o nosso diferencial, ressaltando o papel da avaliação como um instrumento essencial, direcionando-nos por metas e objetivos transparentes, objetivando o sucesso educacional dos estudantes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesse trabalho, foi realizada uma reflexão sobre os instrumentos de avaliação utilizados na modalidade de Ensino a Distância adotados no curso de Biologia. As respostas coletadas evidenciam que há diversos instrumentos monitorados para a avaliação na turma EAD, o que pode ser tornar ponto positivo, pois a amplitude favorece a adequação das condições do aluno ao sistema. Entretanto, a pesquisa mostrou e foi corroborada pelos dados da Faculdade de Biologia disponibilizados, que instrumentos e concepções de avaliações prevalecentes são tradicionais que perduram com potencial no ensino presencial, como, por exemplo, as provas objetivas, ainda ganham bastante destaque. Somando-se a isso, a metodologia utilizada, a dinâmica dos ambientes virtuais de aprendizagem, bem como a forma que o aluno é avaliado contribui de modo significativo para seu sucesso ou fracasso escolar.

Pela resposta dos acadêmicos do curso de Biologia sobre seu rendimento acadêmico, constatou-se que muitas são as dificuldades, barreiras ou avanços encontrados por estes no momento em que são avaliados, entre elas a questão da acessibilidade à plataforma devido à internet ser lenta; as provas são compostas por muitas questões objetivas e o tempo para resolvê-las é pouco; a metodologia utilizada nas tutorias precisa levar em consideração as dificuldades de aprendizado que estes apresentam; e o tempo para a devolução dos resultados da provas demora muito. Entretanto, eles apontam alguns elementos positivos: os tutores são dinâmicos em suas aulas, pois buscam incentivar a participação destes nas tutorias, hoje os tutores já estão utilizando seminários e outros tipos de atividades para somar no resultado das notas das avaliações.

Somando-se a isso, há a utilização de outros recursos como o laboratório de apoio pedagógico ao ensino de Biologia existente no polo, havendo uma maior proximidade e contato com os professores das disciplinas, com a Coordenação do Polo e com a Coordenação Pedagógica do curso, o que favorece o feedback e melhora o rendimento acadêmico dos estudantes do curso de Biologia. Acreditamos, ainda, que as novas tendências pedagógicas de acesso ao ensino superior mediadas pela educação a distância apontam para uma nova concepção de avaliação transformadora que é mais abrangente, mais ampla, mais educativa, bem como alicerçada na reflexão crítica e na investigação, visando promover mudanças na prática educativa.

Contudo, o papel professor tutor no desenvolvimento das atividades propostas para o curso é imprescindível, uma vez que para assegurar, na sala de aula ou na plataforma, a aprendizagem efetiva, o tutor deve assumir a função de ativador para impulsionar os alunos, incentivando-os para o uso adequado das tecnologias e a interatividade nos ambientes virtuais de aprendizagem (plataforma Moodle), buscando identificar os alunos não participantes das atividades oferecidas on-line, para, assim, detectar as causas por meio de contato pessoal com os mesmos. Por fim, acredita-se que a avaliação para a educação a distância com o advento das novas tecnologias educacionais ganha uma dimensão inovadora a partir do momento em que projeta e vislumbra um ensino coerente com os objetivos definidos para a aprendizagem, isto é, quando possibilita ao estudante ter acesso a um ensino superior com qualidade, rompendo com tabus acerca da formulação do conceitos de avaliação em EAD.

Em especial na turma de Biologia, evidencia-se, assim, que outros fatores devem ser levados em consideração na busca por uma avaliação em EAD que seja reflexiva, crítica e emancipatória; buscando coerência na  práxis e ressignificando os processos de ensino e de aprendizagem.

REFERÊNCIAS

ALONSO, K. M. A avaliação e a avaliação na Educação a Distância. In: PRETI, O. Educação a Distância: sobre discursos e práticas. Brasília: Liber livro, 2005.

AMARAL, M. A; ASSIS, K. K; BARROS, G. C. Avaliação na EaD: Contextualizando uma experiência do uso de instrumentos com vistas à aprendizagem. In: IX congresso Nacional de Educação – EDUCERE. III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia, 2009.

AZZI, S. Avaliação de desempenho do aluno na EaD. 2002. Disponível em: http://www.tvebrasil.com.br/EaDtxt5a.htm. Acesso em: 18 mai. 2019.

BELLONI, M. L. Educação a Distância. 4ª ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2006.

COSCARELLI, C. V. Educação a Distância: mitos e verdades. Revista Presença Pedagógica, p. 54-59, 2002.

DEMO, Pedro. Avaliação Qualitativa. Polêmicas de Nosso Tempo. Campinas, SP: Editores Associados, 1996.

ELIASQUEVICI, M. K.; FONSECA, N. A. da. Educação a Distância: orientações para o início de um percurso. 2ª ed. Belém: EDUFPA, 2009.

FARIAS, M. F. Momentos da Educação a Distância no Brasil. In: Educação em Debate. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2001.

GALASSO, B. A gestão em EaD e seus múltiplos aspectos: Os desafios na implementação de um curso online. In: XI Congresso Brasileiro de Ensino Superior, 2014.

GIL, A. C. Didática do ensino superior. São Paulo: Atlas, 2006.

GIROUX, Henry. Memória e pedagogia no maravilhoso mundo da Disney. In: SILVA, T. T. (Org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. Petrópolis: Vozes, 1995.

GODOY, A. S. Avaliação da aprendizagem no ensino superior: estado da arte. Didática, v. 30, p. 9-25, 1995.

HOFFMANN, J. Avaliar para promover: as setas do caminho. Porto Alegre: Mediação, 2001.

HOFFMANN, J. Avaliação mito e desafio: uma perspectiva construtivista. 12ª ed. Porto Alegre: Educação e Realidade, 1993.

LAGUARDIA, J.; PORTELA, M. C.; VASCONCELLOS, M. M. Avaliação em ambientes virtuais de aprendizagem. Educação e pesquisa, v. 33, n. 3, p. 513-530, 2007.

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposicões.11ª ed. São Paulo: Cortez, 2001.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Referenciais de Qualidade para Educação Superior à Distância. Brasília: Ministério da Educação, 2007.

MORAES, M. C. (Org). Educação a distância: fundamentos e práticas. Campinas, SP: Unicamp/Nied, 2002.

NEDER, M. L. C. Avaliação na Educação a Distância: Significados para definição de Percursos. In: PRETI, O (org.). Educação a Distância: inícios e indícios de um percurso. Cuiabá: UFMT, 1996.

PIMENTA, S. G. (Org.) Saberes pedagógicos e atividade docente. 3ª ed. São Paulo: Cortez, 2002.

NEVES, Y. P. Evasão nos cursos à distância curso de extensão TV na Escola e os Desafios de Hoje. 2006. 98f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal de Alagoas, Maceió, AL, 2006.

OLIVEIRA, Valéria do Carmo de; CRUZ, Fátima Maria Leite. A avaliação da aprendizagem na educação a distância: um estudo sobre as concepções docentes na EaD online. In: Simpósio Hipertexto e Tecnologias na Educação “Redes Sociais e Aprendizagem”, 2010.

PAULA, L. T. Informação em Ambientes Virtuais de Aprendizado (AVA). 2009. 152 f. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, 2009.

PERRENOUD, P. Da Avaliação: Da Excelência à regulação das aprendizagens- entre duas lógicas. Porto Alegre: ArtMed, 1999.

PERRENOUD, P. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre: ArtMed, 2000.

PINHEIRO, B. M.; GONÇALVES, M. H. O Processo Ensino-Aprendizagem. Rio de Janeiro: Editora SENAC Nacional, 2001.

PRETI, O. Avaliação da aprendizagem em cursos a distância: “delegando responsabilidade aos tutores”? Por uma Educação sem Distância: recortes da realidade brasileira, v. 1, p. 185-198, 2008.

PRIMO, Lanevalda Pereira Correia De Araújo. Metodologia para acompanhamento de Cursos de Ead e avaliação de competências. Disponível em: . Acesso em: 10 jul. 2029.

RIBEIRO E. N.; MENDONÇA, G. A. A.; MENDONÇA, A. F. A Importância dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem na busca de novos domínios da EAD. Relatório de Pesquisa. In: ABED, 2007.

ROCHA, E. F. Avaliação na EaD: estamos preparados para avaliar? In: 18º CIAED, 2012.

RODRIGUES, Rosângela Schwarz. Modelo de avaliação para cursos no ensino a distância: estrutura, aplicação e avaliação. 1998. 136f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, 1998.

ROMANOWSKI, J. P.; WACHOWICZ, L. A. Processos de ensino na universidade: Pressupostos para as estratégias de trabalho em aula. In: ANASTASIOU, L. das. G. C. Joinville: Univille, 2003.

ROMISZOWSKI, H. P. Qualidade da Educação a Distância: Discutindo o Papel da Avaliação. In: Anais do 17º Congresso Internacional de Educação a Distância, 2011.

SANT’ANNA, I. M. Por que avaliar?: Como avaliar?: Critérios e instrumentos. 3ª ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.

SANTOS, E. O. dos. Ambientes virtuais de aprendizagem: por autorias livres, plurais e gratuitas. Educação e Contemporaneidade, v. 11, n. 18, p. 424, 2002.

SEGENREICH, S. C. D. Desafios da educação à distância ao sistema de educação superior: novas reflexões sobre o papel da avaliação. Curitiba: Editora UFPR, 2006.

SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.

SILVA, I. M. M. Interfaces digitais na Educação a Distância: das salas de aula aos ambientes virtuais de aprendizagem. [email protected] – Revista Digital da CVA – Ricesu, v. 7, n. 25, 2011.

SILVA, J. F.; HOFFMANN, J.; ESTEBAN, M. T. Práticas Avaliativas e aprendizagens significativas: em diferentes áreas do currículo. 10ª ed. Porto Alegre: Editora Mediação, 2013.

VIANNA, H. M. Avaliação Educacional: uma perspectiva histórica. Estudos em Avaliação Educacional, n. 12, p. 7-24, 1995.

[1] Mestra em Comunicação, Cultura e Linguagem, especialista em aprendizagem da língua inglesa pela universidade Federal do Pará- UFPa, Graduada em Letras (UFPa).

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Agosto, 2020.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here