Radiojornalismo e Internet em Emissoras de Ijuí, Rio Grande do Sul [1]

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CONTEÚDO

FOLETTO, Valéria [2], BOCK, Marjorie Barros [3], PIMENTEL, Laura de Moura [4]

FOLETTO, Valéria; et.al. Radiojornalismo e Internet em Emissoras de Ijuí, Rio Grande do Sul. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 03, Vol. 02, pp. 36-50, Março de 2018. ISSN: 2448-0959

Resumo

Este  texto  discute  o  radiojornalismo  em  emissoras  de [4] Ijuí,  município  situado  no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, a partir de uma pesquisa realizada no curso de Jornalismo da Unijuí. O objetivo é analisar, por meio da observação in loco de um programa de radiojornalismo, como se desenvolvem as rotinas jornalísticas e como é utilizada a internet na produção do programa, à luz de autores como Ferrareto (2014) e Lopez (2010). Noticiar fatos e acontecimentos com foco no local e regional constitui-se uma das principais características desse radiojornalismo e a internet se insere na programação como um elemento essencial e de apoio das produções, contribuindo para ampliar a audiência e a interação do Rádio Ligado, na Rádio Progresso AM, do Fatorama, na Rádio Repórter AM e do Reserva Especial, na Rádio Mundial FM.

Palavras-Chave: Radiojornalismo, Internet, Rádio em Ijuí.

INTRODUÇÃO

Este texto é resultado da pesquisa sobre radiojornalismo e internet realizada na região  noroeste  do  Estado  do  Rio  Grande  do  Sul,  a  partir  de  uma  proposição  da disciplina de Produção de Áudio II, do Curso de Jornalismo da Unijuí. Em aula, os alunos foram desafiados a ir a campo e acompanhar programas de radiojornalismo das emissoras regionais, entrevistar produtores e apresentadores e observar suas rotinas de produção e como os programas se utilizam da internet.

Ao  mesmo  tempo  em  que  se  fez  uma  análise  do  processo  de  produção  e veiculação desses programas, recuperou-se parte da história deles e das respectivas rádios. Este texto enfoca o resultado da pesquisa em três emissoras de Ijuí, município de 80 mil habitantes que conta com sete emissoras de rádio, sendo três AM e quatro FM: Rádio Repórter AM, Rádio Progresso AM, Rádio Jornal da Manhã AM, Rádio Mundial FM, Unijuí FM, Iguatemi FM e Fraternidade FM. O estudo recai sobre os seguintes programas  e  emissoras:  Fatorama  (Rádio  Repórter  AM),  Rádio  Ligado  (Rádio Progresso AM), e Reserva Especial (Rádio Mundial FM).

As rádios pesquisadas utilizam a internet na rotina produtiva para pesquisa de notícias em portais, na captação de fontes para entrevistas e participações, além de interagir com os ouvintes, a partir das redes sociais das emissoras e dos apresentadores. A  internet  assume  papel  significativo  na  produção  dos  programas,  sendo  uma ferramenta que facilita o dia-a-dia dos profissionais que atuam no meio rádio.

A  primeira  transmissão  radiofônica  no  Brasil  ocorreu  em  1922  no  Rio  de Janeiro, no Corcovado. De lá para cá, o rádio passou por várias fases que se refletiram em altos e baixos, no entanto, o rádio permanece até hoje como um dos principais veículos de comunicação dos brasileiros.

O rádio é caracterizado por ser dinâmico e rápido na divulgação das noticias, fato esse que pode ser comparado com a agilidade da internet. O advento da internet no Brasil se deu por volta dos anos 1980 em universidades, após, o recurso foi disponibilizado para o acesso público. A partir da utilização da internet os meios de comunicação tiveram de se reinventar e adaptar os seus conteúdos à nova plataforma. Conforme Henry Jenkins (2009), o que ocorre quando os meios de comunicação se apropriam  de  outras  plataformas  midiáticas é a convergência. Jenkins relaciona a convergência

Ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer  parte  em  busca  das  experiências  de  entretenimento  que sejam. Convergência é uma palavra que consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando. (JENKINS, 2009, p. 29)

Desse modo, o conteúdo que anteriormente era veiculado apenas no jornal, na revista, no rádio ou televisão, agora é disponibilizado em outras plataformas digitais. Por consequência disso, a notícia e o radiojornalismo adquirem outras características, pois um novo público surge e a audiência dos meios é expandida e global.

Iniciamos esta análise pelos dois programas – Rádio Ligado e Fatorama – das emissoras AM de Ijuí e na sequência o Reserva Especial, da FM, por ser o programa de caráter radiojornalístico mais recente que entrou no ar na cidade.

Rádio Ligado na Rádio Progresso de Ijuí AM 690

A Rádio Progresso entrou ao ar no AM 690 no dia 19 de Outubro de 1959, em Ijuí, no noroeste do estado, com uma proposta de rádio modernizado e mais dinâmico para a audiência regional. A emissora opera com 5.000 watts de potência cobrindo cerca de 70 municípios gaúchos, considera-se, portanto, um rádio local. O rádio local é aquele que tem a programação e produção voltadas diretamente a uma comunidade ou região específica, nesse caso, na região noroeste. Comassetto (2007, p.66) ressalta que:

O espaço local continua tendo sua importância; as questões e problemáticas aí geradas são relevantes para as comunidades e há um público ávido por conteúdos relacionados ao seu lugar de residência ou de trabalho. As temáticas de interesse localizado, por razões óbvias também, não são trabalhadas pela grande mídia, que se dirige ao público amplo. Compete, portanto, aos veículos locais darem conta delas.

A programação da Rádio Progresso tem como característica a dedicação especial ao jornalismo local e regional e ao esporte, com cobertura dos jogos do Esporte Clube São Luiz (clube profissional do município de Ijuí), Grêmio e Internacional. A redação da emissora é composta por mais de dez profissionais, entre jornalistas, radialistas e estagiários intercalados durante manhã, tarde e noite.

A emissora foi a primeira da região a criar e manter o site próprio de notícias com foco local. Em 1996 lançou o site: www.radioprogresso.com.br disponibilizando o áudio da emissora para o mundo inteiro na internet. Em 2011, a emissora chegou aos aparelhos de celular disponibilizando o áudio para diversos formatos. Em 2013 entrou no ar o novo site da emissora, sendo um modelo compatível com todos os navegadores do mercado e com a versão mobile do portal, onde as notícias podem ser acessadas via smartphone.

Na programação da emissora destacam-se os programas “O assunto é…”, “Rádio Ligado” e “A vez da região”, com notícias sobre política, cultura, esporte, saúde, segurança pública, educação, entre outros. As informações são focadas no local e regional, dos municípios vizinhos e da área de abrangência da emissora.

O programa Rádio Ligado, veiculado na Rádio Progresso de Ijuí desde o início dos anos 80 é um dos principais programas de radiojornalismo da emissora, juntamente com “O Assunto É…” ambos no turno da manhã. O Rádio Ligado, um dos objetos de estudo nesta pesquisa, atualmente inicia às 9 horas 10 minutos e termina às 11 horas, de segunda a sábado, no AM 690.

O radialista que apresenta o programa Rádio Ligado é Luciano Belinaso (2017) que trabalha no meio rádio desde 2012. O apresentador utiliza a internet na rotina produtiva do programa, pois acredita que as redes sociais proporcionam maior contato com as fontes e a busca pelo melhor conteúdo. Para Lopez (2010) a inserção do rádio na internet e a apropriação de características e ferramentas próprias da rede mundial de computadores refletem uma necessidade do meio em adaptar-se ao novo cenário do radiojornalismo e ao novo perfil de ouvinte, que agora também está conectado pelas redes sociais.

O Rádio Ligado é um programa voltado para pautas de política, e o apresentador busca oportunizar os dois pontos do assunto na mesma edição do programa. Conforme Luciano Belinaso, o jornalismo mais dinâmico e mais atualizado tem de correr certo risco, pois não pode ser pautado algo para os próximos dias, pois muita coisa pode acontecer antes, tendo em vista o atual desdobramento da política brasileira.

Luciano Belinaso [5](2017) afirma que: “Sempre busco atualidade, o que ocorreu um dia antes ou na noite anterior. Mas, também não busco ser o pioneiro na informação, e sim trazer o que está acontecendo naquele momento”.

O locutor utiliza da parceria de colegas de outras emissoras da região noroeste do Estado do Rio Grande Sul, pois, muitas vezes, não há pessoas que possam falar sobre um fato que ocorreu em determinado município. O radialista considera que o rádio não pode limitar-se a apenas o que o âncora está fazendo e sim observar também aquilo que os colegas de outras emissoras estão produzindo.

O Rádio Ligado é dividido em blocos de 15 minutos, com duas entrevistas por dia. Além disso, há quadros dentro da programação como o “Palavra de Mulher”, “Momento Esportivo”, “Pinga-Fogo” e o “Correspondente Paim/Bripav”. Até o início de 2017 o programa possuía apenas uma hora e atualmente se estende por mais meia hora. Luciano Belinaso ressalta que teve de montar algo diferente na programação, com o objetivo de acionar a participação da reportagem da emissora, a partir da premissa de que o rádio não se faz somente com a pessoa que está apresentando o programa naquele determinado momento.

Os  demais  profissionais  que  trabalham  na  redação  da  Rádio  Progresso participam do programa Rádio Ligado, dentro do quadro “Giro da Redação”, que vai ao ar a partir das 10 horas e 20 minutos. Os repórteres responsáveis por cada editoria dão boletins ao vivo com as últimas informações produzidas, como notícias locais e regionais, segurança pública, esportes e as manchetes do site da emissora.

No entanto, Luciano Belinaso (2017) não utiliza a internet no momento do programa com a finalidade de captação de notícias através de portais nacionais, pois se dedica exclusivamente ao material que já tem pronto. O profissional entende que, quem deve informar é a reportagem da rádio, pois o âncora não tem como prestar atenção a tudo que ocorre à sua volta.

O radialista observa que falta a participação do ouvinte no programa e que o rádio do interior ainda precisa melhorar em alguns aspectos para que a audiência seja expandida a outros públicos. Luciano Belinaso utiliza as redes sociais no dispositivo móvel pessoal e da emissora, momento em que interage com os ouvintes, embora não haja muita participação pela rede social WhatsApp. Klöckner (2011, p.127) escreve sobre os três tipos de interatividade no rádio:

a) Completa: é o que oportuniza o diálogo direto e ao vivo, em circunstância equivalente de espaço e de tempo, com réplicas e tréplicas; b) Parcial:  estabelecida  quando,  igualmente  no  mesmo tempo e espaço, o ouvinte opina, pergunta, mas não conquista um lugar ou não se interessa pela réplica ou tréplica; c) Reacional: ocorreria quando o ouvinte apenas reage a uma situação proposta no programa, sem que ele próprio exija ou obtenha uma resposta, como no caso de envio de e-mails e de torpedos à rádio que são apenas lidos no ar.

Nesse caso, a interatividade reacional é a que ocorre no programa Rádio Ligado, sendo o Facebook a rede social em que predomina mensagens vindas de ouvintes. Luciano Belinaso geralmente agradece no ar as mensagens quando o ouvinte parabeniza o programa. Outro tipo de interação dos ouvintes com o Rádio Ligado é nas entrevistas, no momento em que o entrevistado – vereador, prefeito ou deputado recebe perguntas do ouvinte.

Para Luciano Belinaso(2017) a internet tem papel fundamental, o rádio não pode ser visto longe da internet, são duas coisas que se completam para que uma coisa só aconteça. Além disso, a imagem e o vídeo no Facebook são considerados fundamentais para qualquer programa de rádio. Conforme o apresentador, está se buscando o aperfeiçoamento para trazer ao ouvinte essa nova possibilidade, pois o ouvinte do AM fica restrito, e o público deve ser ampliado com as novas ferramentas de informação que surgem. Conforme Kellner (2001, p. 424), “[…] estamos vivendo um momento emocionante em que os novos meios de comunicação e as novas tecnologias produzem novas possibilidades de comunicação e expressão cultural e novas maneiras de viver a vida diária”. O ouvinte que também é internauta não quer apenas ouvir a notícia, ele está em busca de informações complementares que as emissoras têm a oferecer e aos poucos se adaptar.

Rádio Repórter de Ijuí e o radiojornalismo do Fatorama

Um desafio para o rádio ser inserido no interior do estado do Rio Grande do Sul sempre foi acerca das limitações da distância e a falta de equipamentos modernos, especialmente nos primeiras décadas do século 20. De acordo com Rutilli (2013) o principal polo de radiodifusão no interior do Estado era considerado a cidade de Pelotas, região Sul, entretanto, a região noroeste já se mostrava interessada naquele novo veículo de mídia.

O rádio já se mostrava presente no Brasil e a busca pelo meio mais efetivo de comunicação expõe a necessidade do ser humano em registrar e passar adiante informações. Desta forma, o serviço de transmissão de sinais por meio de ondas eletromagnéticas denominadas radiodifusão garante ao advento do rádio uma maior eficiência ao disseminar informações. Como define Rabaça e Barbosa (1987, p. 32):

Veículo de radiodifusão sonora que transmite programas de entretenimento, educação e informação. Música, notícias, discussões, informações de utilidade pública, programas humorísticos, novelas, narrações de acontecimentos esportivos e sociais, entrevistas e cursos são os gêneros básicos dos programas. Serviço prestado mediante concessão do Estado, que o considera de interesse nacional, e deve operar  dentro  de  regras  preestabelecidas em leis,  regulamentos  e normas.

Em Ijuí, o empresário Wilson Mânica (já falecido) fundou em 10 de abril de 1950, a Rádio Repórter. A emissora opera na frequência de 1030 kilohertz com uma potência de 10 kilowatts e foi a precursora, marcando a história da radiodifusão em Ijuí.

O rádio possibilita a este município da região noroeste do Rio Grande do Sul introduzir um  novo  conceito  para compreender  melhor  as  informações locais e nacionais. Como explica Ferraretto (2014), o rádio, em qualquer de suas manifestações comunicacionais, visa a criar uma relação de empatia com o público. A Rádio Repórter aparece como uma espécie de representante do povo, o que se verifica na abordagem das notícias que são veiculadas na emissora. Ortriwano comenta que no início o rádio era um veículo de comunicação caro e poucos tinham acesso:

Mas o rádio nascia como meio de elite, não de massa, e se dirigia a quem tivesse poder aquisitivo para mandar buscar no exterior os aparelhos receptores, então muito caros. Também a programação não estava voltada para atingir aos objetivos a que se propunha seus fundadores: “Levar a cada canto um pouco de educação, de ensino e de alegria”. Nasceu como um empreendimento de intelectuais e cientistas e suas finalidades eram basicamente culturais, educativas e altruísticas. (1985, p.14)

No início de sua história, a Rádio Repórter foi denominada de Rádio Sulina e era integrante do chamado Triângulo Missioneiro de Emissoras que eram as rádios de Ijuí, Santo Ângelo e Três Passos. Em 1965 passou a chamar-se Rádio Repórter, após um concurso realizado na época.

Sob a direção do Sr. Wilson Mânica tendo ao seu lado a professora Salete Mânica,  a  Rádio  Repórter  deu  sequência  ao  pioneirismo  radiofônico  da  cidade, passando a imprimir uma nova dinâmica na emissora. O espírito empreendedor do diretor radialista Wilson Mânica fez com que fosse implantada a primeira emissora de FM do interior do Rio Grande do Sul, hoje Iguatemi FM. Atualmente o trabalho do Grupo Repórter segue com as instalações conjugadas da Rádio Repórter AM e Iguatemi FM.

Com o avanço da tecnologia e novos meios de comunicação, o rádio teve que se reinventar nos últimos anos, principalmente depois da popularização do celular. O radiojornalismo vem buscando formas de transformar seu conteúdo em algo mais atraente visando atrair o maior número de ouvintes. Com o fácil acesso à internet e a difusão  do  streaming  as  emissoras  passam  por  uma  mudança  no  processo  de digitalização  de  sua  produção.  Para  Ferraretto  (2014,  p.  16),  “já  não  vale  mais  o conceito de rádio que, antes, se constituía praticamente em uma verdade incontestável tanto entre pesquisadores como entre profissionais, conceito que aparecia formalizado em dicionários de comunicação e manuais didáticos”.

O programa escolhido para esta pesquisa é o Fatorama, apresentado por Hélio

Lopes de segundas a sábados, das 8 horas às 11 horas da manhã. Basicamente composto por entrevistas ao vivo em linha direta ou com a participação do convidado no estúdio aborda temas políticos, conversa com autoridades e discute assuntos de interesse geral da população. O programa enfoca ocorrências policiais, medicina, política, agricultura e economia.

Segundo Hélio Lopes [6](2017), a rotina jornalística do programa inicia no dia anterior, com o agendamento das entrevistas. Na segunda-feira a busca principal é por notícias sobre o esporte, dando foco principal aos times gaúchos e da cidade. São quatro entrevistas marcadas previamente e o restante da programação é composta por notícias e músicas, principalmente no estilo gaúcho e sertanejo.

As entrevistas são geralmente pautadas pelo público, que por meio de ligações e mensagens on-line demonstram seu interesse em compreender melhor algumas informações de interesse geral. No caso do radiojornalismo as entrevistas implicam em um contato mútuo entre repórter e o receptor. Como observa Robert McLeish (2001, p.43) “o objetivo de uma entrevista é fornecer, nas próprias palavras do entrevistado, fatos, razões ou opiniões sobre um determinado assunto, de modo que o ouvinte possa tirar uma conclusão no que diz respeito à validade do que está sendo dito”. É possível perceber que a internet garante ainda mais a interatividade para os programas radio jornalísticos. Segundo Andrew Lippman (1998), a interatividade é uma atividade mútua e simultânea da parte de dois ou mais participantes, normalmente trabalhando por um mesmo objetivo.

A abertura do programa, que acontece às 8h, é feito com a leitura das principais manchetes dos jornais do dia. Durante o programa os principais sites de notícias nacionais e da região são acompanhados pela redação, para caso de notícias de última hora. O site da rádio Guaíba é um dos principais acessos dos radialistas da Rádio Repórter, já que a emissora é uma afiliada da rede de Sistema Guaíba SAT – Grupo Record RS.

Mesmo entendendo que utilizar a internet na programação é necessário, o apresentador do programa lamenta que ainda sejam precárias as ferramentas inseridas durante a realização do programa. Assim como explica Ferraretto (2014, p.16) a ampla gama  de  novidades  –  computação  pessoal,  internet,  telefonia  celular,  TV  por assinatura… – introduzidas na sociedade ao longo dos anos 1990 e 2000, obriga a uma revisão conceitual nos termos de rádio e de suas peculiaridades.

No Grupo Repórter ainda não há o estabelecimento de um profissional que atue somente nas mídias sociais da empresa, o que resulta em falta de entendimento da compreensão de seu público. Cada repórter, para não realizar seu trabalho desamparado de um feedback do público, ocupa suas mídias sociais de cunho pessoal para agendar entrevistas e buscas informações sobre pautas do município e região.

O programa é veiculado na programação de uma rádio de frequência AM, que aguarda para atender a solicitação do decreto presidencial nº 8139 que autorizou a migração das emissoras de rádio que operam na faixa AM para a faixa FM. O apresentador Hélio Lopes (2017) comenta que talvez seja a oportunidade certeira para abranger novos públicos ao radiojornalismo, uma vez que a audiência entre as diferentes frequências ainda são perceptíveis.

Rádio Munidial FM com Reserva Especial

Mundial FM é uma rádio de Ijuí/Rio Grande do Sul, que iniciou suas atividades em dezembro de 2008. A rádio abrange as cidades de Ijuí, Cruz Alta, Santo Ângelo, Panambi, Júlio de Castilhos, Santa Barbara, Giruá, São Luiz Gonzaga, Santo Augusto, Três Passos entre outros. Reserva Especial é um programa de notícias da Rádio Mundial FM, o qual iniciou na programação em fevereiro de 2017. É composto por dois apresentadores, uma jornalista, Aila Wayhs Ferrari e um radialista, Adelar Amarante, ambos responsáveis pela produção e apresentação do programa que vai ao ar no horário do meio dia com uma hora de duração. O programa é constituído por temas de interesse público, as notícias são um mix de informações retiradas de portais jornalísticos como, Estadão, Folha de São Paulo, G1, Correio Braziliense, Gazeta do Povo, Zero Hora e jornais regionais.

A interação com o ouvinte é um dos aspectos mais evidentes na programação, pois, os apresentadores buscam de maneira natural interagir com o público que acompanha o programa. Com tom de conversa os apresentadores trazem os fatos mais importantes até o momento, a linguagem informal e clara, deixa o ar de leveza transmitindo ao ouvinte informação e companhia na hora do almoço.

Para  Aila  Ferrari [7](2017),  a  internet  hoje  é  uma  aliada  nas  produções  do programa, inclusive para estabelecer a interação com o público. “Conseguimos apurar

pautas com mais facilidade, entrar em contato com fontes e entrevistados através das redes  sociais,  receber  informações  de  fontes  e  ouvintes  por  e-mail,  Facebook, WhatsApp.  Enfim,  a internet  auxilia muito na produção,  pois  diminui  o  tempo  de trabalho”, destaca.

Segundo Klöckner (2011), a interatividade no rádio é diferenciada por três tipos, a primeira é a completa, a qual a interação oportuniza o diálogo direto e ao vivo com o ouvinte, em circunstâncias equivalentes de espaço e tempo, com de réplicas e tréplicas. A segunda é a parcial, onde se estabelece no mesmo tempo e espaço, em que o ouvinte opina, pergunta, mas não conquista um lugar. A terceira maneira é a racional, que ocorre quando o ouvinte apenas reage a uma situação proposta no programa, sem obter uma resposta, assim como, nos meios de comunicação que o rádio utiliza como e-mails e torpedos.

De acordo com a jornalista, os meios que o programa utiliza para interagir com o público é a fanpage no Facebook da emissora, Rádio Mundial Ijuí, onde postam fotos do programa, leem comentários no ar e recebem mensagens. Realizam também transmissões ao vivo do programa no Facebook, mostrando ao ouvinte a realidade do que acontece no estúdio e também as conversas com entrevistados; ainda, utilizam os perfis pessoais do Facebook dos locutores como forma de contato.

Com o aplicativo WhatsApp da rádio, realizam sorteios e recebem informações e sugestões dos ouvintes,  e o telefone é liberado durante a programação para que o público  possa  interagir,  inclusive  com  a  possibilidade  de  entrar  ao  vivo  com informações. Já o site, é utilizado como meio de divulgação de informações e também como opção para o ouvinte acompanhar a programação ao vivo, caso esteja em outra região fora do município.

Conforme as diferenças estabelecidas por Klöckner (2011), também devemos analisar as outras formas que são utilizadas pelo rádio, a fim de promover a interação, como fóruns sites e redes sociais. No entanto, podemos notar uma grande diferença na maneira de interação do rádio AM para o rádio FM, já que, os públicos e os objetivos são outros. No rádio AM, a participação é em forma de denúncias, pedidos de ajuda, queixas e orientações. Enquanto no rádio FM, o estilo adotado é mais descontraído, com música e humor, sendo assim, direcionado para um público mais jovem, com atendimento ao telefone respondendo aos pedidos de música.

Inclusive, com a inserção da internet na produção radiofônica, a proximidade entre ouvinte e o rádio é cada vez maior (às vezes), pois, a comunicação é facilitada pelos meios de informação como sites em geral, rádios on-line, redes sociais entre outros.  No programa  Reserva  Especial,  a proximidade entre os  ouvintes  e o  rádio acontece por meio do telefone, grupos de conversas e informações em aplicativos e também pelas redes sociais, em especifico o Facebook. Através destes meios, os apresentadores mantêm o contato com o público e também com as fontes, já que, muitas informações e “furos” de notícias, são repassados diretamente ali.

Com o uso da internet diretamente ligado às produções, todo o processo de busca pela informação se tornou uma escolha, por exemplo, o jornalista de impresso ou rádio agora não precisa necessariamente estar no local do fato para transmitir a informação, basta ter um celular com acesso à internet ou não e está tudo resolvido. Estas facilidades vêm transformando os meios de comunicação em meros transmissores de notícias prontas, “com a pressão do tempo e as facilidades de localizar todo tipo de informação pela internet, por meio de bancos de dados ou agregadores de conteúdo, os jornalistas também estão reduzindo o procedimento de apuração ao computador, ou a poucos contatos telefônicos” (AGNEZ, 2011, p. 70), inclusive o uso de aplicativos e redes sociais, os quais estão substituindo o contato direto com a fonte, e redobrando os perigos com notícias falsas e manipuladas.

De acordo com Lopez (2009, p. 39), “Ao referenciar-se em meios de comunicação tradicionais e não buscar análises  ou opiniões em fontes  alternativas, oficiosas, a internet acaba se tornando, para as rádios, um potencializador do gilette press na rotina das redações”. Assim, as rádios acabam se tornando iguais em termos de qualidade nas informações, uma vez que, utilizam geralmente as mesmas fontes para filtrar  notícias,  deixando  de  lado  a  apuração  e  checagem  do  conteúdo  que  será veiculado, se igualando as demais em termos de abordagem.

CONCLUSÃO

Quando analisamos os meios de comunicação no decorrer da história, e principalmente o fato de que a televisão substituiria o rádio, percebemos que esse meio de comunicação teve um declínio de audiência em uma determinada época, mas nunca deixou de ser importante para os ouvintes, justamente por suas características únicas: rapidez,  instantaneidade  e  dinamicidade.  Ao  passo  que  os  meios  de  comunicação evoluem e se adaptam às novas mudanças que a tecnologia propicia, a internet é vista como  uma  alternativa  para  convergir  os  meios  de  comunicação  em  uma  única plataforma, modificando a forma de produzir e alterando as características especificas de cada meio de comunicação.

Nessa pesquisa referente aos programas Rádio Ligado da Rádio Progresso AM, Fatorama da Rádio Repórter AM e Reserva Especial da Rádio Mundial FM, de Ijuí, no Rio Grande do Sul, constatamos que nos programas Rádio Ligado e Reserva Especial, independente de suas características únicas de produção, utilizam a internet na captação de notícias de portais nacionais, no contato com as fontes para entrevistas e participação e interação com os ouvintes. Embora no programa Fatorama da Rádio Repórter não sejam muito utilizadas ferramentas de internet, e principalmente redes sociais, a equipe percebe que se faz necessário utilizá-la na rotina produtiva, pois é um canal de informações importante.

Portanto, constata-se que as emissoras analisadas possuem a percepção de que a internet é uma aliada na produção dos programas radiofônicos veiculados, bem como nas rotinas produtivas das redações, em específico das emissoras AM. A internet, além de  auxiliar  na  produção  de  programas  e  proporcionar  a  interação  de locutor/apresentador com  ouvintes,  é através  dela  que a audiência é  expandida, ao conquistar um público diferente e heterogêneo, que não quer apenas ouvir a notícia, mas assistir ao vivo o apresentador ou apresentadora no estúdio. O streaming de programas radiofônicos na internet ainda não é realidade em grande parte das emissoras de Ijuí, mas é um processo fundamental para obtenção de maior audiência e de um público diferente do tradicional.

REFERÊNCIAS

AMARANTE, Adelar. Entrevista pessoal. Ijuí, RS: Rádio Mundial, 31 de maio de 2017.

BELINASO, Luciano. Entrevista pessoal. Ijuí, RS: Rádio Progresso de Ijuí, 6 de junho de 2017.

COMASSETTO, Leandro Ramires. A voz da aldeia – o rádio local e o comportamento da informação na nova ordem global. Florianópolis: Insular, 2007.

FERRARETTO, Luiz Artur. Rádio: teoria e prática. São Paulo, Summus, 2014.

                          , Luiz Artur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre, Editora Sagra Luzzattto, 2001.

FERRARI, Aila Wayhs. Entrevista pessoal. Ijuí, RS: Rádio Mundial, 31 de maio de 2017.

JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. 2ª Ed.São Paulo: Aleph, 2009. KELLNER, Douglas. A cultura da mídia – estudos culturais: identidade e política entre o moderno e o pós-moderno. Bauru: EDUSC, 2001.

KLÖCKNER, Luciano. Nova retórica e rádio informativo: estudo das programações das emissoras TSF-Portugal e CBN-Brasil. Porto Alegre: Evangraf, 2011.

LIPPMAN, Andrew. O arquiteto do futuro. Meio & Mensagem. São Paulo, n. 792, 26 jan. 1998.

LOPES, Hélio. Entrevista pessoal. Ijuí, RS: Rádio Repórter , 23 de maio de 2017. LOPEZ, Debora Cristina. Radiojornalismo hipermidiático: tendências e perspectivas

do jornalismo de rádio all news brasileiro em um contexto de convergência tecnológica. Covilhã, Portugal: LabCom, 2010. Disponível em: <http://www. livroslabcom.ubi.pt/pdfs/20110415-debora_lopez_radiojornalismo.pdf>. Acesso em 26 Jun. 2017.

MCLEISH, Robert. Produção de rádio: um guia abrangente de produção radiofônica. São Paulo: Summus, 2001.

ORTRIWANO,  Gisela  Swetlana.  Informação  no  Rádio,  os  Grupos  de  Poder  e Determinação dos Conteúdos. São Paulo: Summus Editorial, 4 edição.

RABAÇA, Carlos Alberto, BARBOSA, Gustavo. Dicionário de comunicação. São Paulo: Ática, 1987.

RUTILLI,  Marizandra.  Rádio  AM  e  a  novas  tecnologias  digitais:  Um  panorama histórico da região noroeste do Rio Grande do Sul. Anais do 9º Encontro Nacional de

História da Mídia.      Ouro      Preto:      UFOP,      2013.      Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais.

[1] Trabalho  apresentado na DT 4  – Comunicação  Audiovisual, da Intercom Júnior – XIII Jornada de Iniciação Científica em Comunicação, evento componente do 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação

[2] Estudante de Graduação 7º. semestre do Curso de Jornalismo da UNIJUÍ

[3] Estudante de Graduação 6º. semestre do Curso de Jornalismo da UNIJUÍ

[4] Estudante de Graduação 6º. Semestre do Curso de Jornalismo da UNIJUI

[5] Entrevista pessoal realizada em 6 de junho de 2017.

[6] Entrevista pessoal realizada em 23 de maio de 2017.

[7] Entrevista pessoal realizada em 31 de maio de 2017.

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