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Artigo de revisão precisa ter resultados e discussões?

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Características de um artigo de revisão?

Olá, tudo bem? Em nossa conversa de hoje iremos nos concentrar, novamente, nos conhecidos artigos de revisão. Iremos discutir sobre o que costuma ser incluído nesse tipo de proposta, atentando-nos, principalmente, no tópico de resultados e discussões. A pergunta que guiará essa reflexão busca responder se essa etapa é ou não obrigatória nesse tipo de revisão. Ao discutir sobre esse tipo de artigo ou de produção que proponha uma revisão é preciso pensar, em um primeiro momento, em dois elementos essenciais: qual é o tipo de revisão proposto por sua instituição/professor-orientador, e, ainda, há que se pensar nas normas propostas para realizar essa revisão. Quando discutimos sobre a revisão é preciso ter em mente, também, que esse é formato é bastante universal, uma vez que é exigido desde a graduação até a pós-graduação (tanto nos cursos acadêmicos quanto nos profissionais) e o pós-doutoramento.

Formatos de trabalho que aceitam uma revisãoFormatos de trabalho que aceitam uma revisão

Embora estejamos enfocando nos artigos científicos, as mais diversas produções acadêmicas possibilitam a realização de uma revisão, como, por exemplo, os TCCs, as monografias, as dissertações de mestrado, as teses de doutorado e os artigos científicos propriamente ditos. Nesse sentido, cabe destacar, aqui, que as dicas que damos para os artigos de revisão, sejam essas de hoje quanto às mencionadas anteriormente, servem de base para todos os trabalhos finais que precisamos realizar em diferentes momentos da nossa vida acadêmica. Com isso, gostaríamos de convidar você a reler os nossos outros artigos e também se apoiar nas dicas que daremos hoje para escrever tanto o seu artigo científico quanto demais produções que podem ser exigidas de você no futuro. Nessas conversas, há conceitos, características e estruturas que devemos seguir nos mais diversos tipos de revisão.

Etapas essenciais de um artigo de revisão

Existem alguns tópicos que devem ser explorados obrigatoriamente nesse tipo de proposta e é sobre eles que iremos discutir agora. Em primeiro lugar, há as normas propostas pela instituição/revista em que submeterá esse artigo. É fundamental que você leia essas normas com muita atenção, pois elas dizem respeito tanto à estrutura deste artigo quanto ao conteúdo propriamente dito (como, por exemplo, etapas necessárias ao desenvolvimento da reflexão, quantidade de palavras/caracteres/páginas e indicações para a construção do resumo). Como temos destacado ao longo de nossas conversas, toda revista pode adaptar e criar as suas próprias normas. Assim sendo, acesse o site desta revista e procure pelo tópico em que há essas normas. Nós sempre recomendamos que você já escreva esse artigo nas normas da revista, pois irá agilizar, ao terminar essa escrita, o processo de revisão.

Os vários tipos de revisões e os cuidados que devemos tomarOs vários tipos de revisões e os cuidados que devemos tomar

Após verificar as normas necessárias para esse artigo é necessário analisar qual o tipo de revisão esperado por essa instituição/revista, pois são inúmeras as possibilidades relacionadas às revisões. Conhecer o tipo de revisão desse artigo é fundamental pois, a depender do formato, certas exigências deverão ser observadas, isto é, o tópico de resultados e discussões, pauta dessa conversa de hoje, cabe melhor em alguns tipos de revisão do que em outras. Assim sendo, é fundamental que recuperemos as características desses tipos de revisão para, posteriormente, aprofundarmo-nos neste tópico em questão. É importante que essas características fiquem claras porque existem alguns tipos de artigos de revisão que não precisam do tópico de resultados e discussões. Listamos alguns dos tipos que são os mais utilizados e discutidos, então iremos aprofundar nessas possibilidades.

As três possibilidades mais comuns de revisão

Os três tipos mais recorrentes de revisão são a teórica/conceitual, a revisão sistemática e a revisão integrativa. Listados os tipos é necessário discutirmos, neste momento, sobre as suas exigências. Caso seja proposto a você um artigo de revisão teórica, obrigatoriamente o teor deste artigo será mais teórico, isto é, artigos desse tipo costumam revisitar a literatura relacionada ao assunto em questão para apresentar conceitos e teorias ligados ao tema a ser abordado. Sobre esse tipo de revisão em específico é importante ressaltar que você dificilmente conseguirá realizar o tópico de resultados e discussões. Isso se dá em razão do fato que os artigos de revisão teórica ou de revisão da literatura tendem a ser mais direcionados a descrições de conceitos e teorias. A fim de que essa possibilidade fique mais clara iremos apresentar um exemplo prático.

Como fazer uma revisão da literatura?Como fazer uma revisão da literatura?

Pense no seguinte tema: estratégia nas organizações contemporâneas. Considere que o pesquisador possui os seguintes objetivos: discutir sobre os conceitos de estratégia de acordo com o ponto de vista de vários autores; refletir sobre como a estratégia tem sido incorporada ao longo dos anos nas organizações; apontar quais são as possibilidades de emprego dessas estratégias (se é uma ou mais de uma, por exemplo), dentre outras abordagens que o autor julgar necessárias. Assim sendo, esse pesquisador deverá verificar, na literatura, os conceitos sobre cada um desses temas a serem abordados. Apresentar diferentes pontos de vista, sejam eles concordantes ou não, é interessante nesse tipo de proposta.  Esse contraste torna o texto mais atrativo ao leitor.

Quanto mais autores forem apresentados, mais definições sobre o assunto a ser tratado serão abordadas, e, desse modo, o artigo de revisão da literatura está em consonância com a finalidade desse tipo de proposta. Em razão do que se espera com esse tipo de produção não é interessante propor o tópico de resultados e discussões porque entende-se que ao longo dessa revisitação à literatura relacionada ao seu tema você já foi apresentando a discussão. Desse modo, apresentar uma “nova discussão” (que, na verdade, não é nova, porque você reapresentaria os conceitos), não é interessante, pois pode fazer com que o texto fique repetitivo, o que deixa a leitura desinteressante, ou seja, pouco atrativa. Não há dados a serem discutidos e/ou analisados nesse tipo de proposta.

Conhecendo a revisão sistemática

A revisão sistemática possui uma finalidade diferente da revisão da literatura, embora ainda se configure como uma revisão. Nesse tipo de proposta, espera-se que o pesquisador-autor demonstre como ele coletou, separou e escolheu pelos materiais que irão compor o seu estudo. É importante ir demonstrando o que cada artigo visou discutir. Nesse sentido, as discussões desses vários artigos não são tão extensas, como no caso das revisões de literatura, pois se o autor precisasse demonstrar esses dados como na outra proposta, haveria inúmeras páginas para cada artigo analisado, sendo que essa não é a proposta dessa modalidade de revisão. Com isso precisamos enfatizar, também, que a organização desses dados será diferente, uma vez que o intuito da revisão sistemática é compilar os dados sobre um assunto a partir de um recorte temporal.

Como organizar uma revisão sistemática?Como organizar uma revisão sistemática?

Como destacamos, nesse tipo de proposta o ideal é que você diga de onde você tirou os artigos e de que forma, ou seja, a ideia é apresentar, ao leitor, um panorama breve sobre o que tem sido publicado em um determinado período sobre o tema em questão. É importante, então, demonstrar as contribuições de cada artigo a partir de parágrafos objetivos, porém capazes de detalhar o que o autor dessa produção em questão refletiu sobre o tema em debate. Existem alguns aspectos básicos que deverão ser mencionados: quais as palavras-chave utilizadas para se chegar aos resultados, o idioma escolhido, se esses materiais são ou não gratuitos e se encontram disponíveis na íntegra, quais as bases de dados consideradas, o período exato da coleta (sendo interessante mencionar a data exata dessa coleta, ou seja, os meses e o ou os anos) e os argumentos que justificam a escolha de um material em detrimento de outros.

O que escrever em um artigo de revisão sistemática?O que escrever em um artigo de revisão sistemática?

Após concluídas e mencionadas as etapas anteriores, será fundamental que o pesquisador aponte a quantidade de materiais obtidos a partir dos seus critérios de inclusão e exclusão. Depois de discriminada essa quantidade, como, por exemplo, quinze materiais, você deverá dizer, brevemente, o que cada um desses quinze materiais/autores compreenderam em relação ao assunto em investigação. Todos esses artigos além de serem mencionados precisam ser devidamente abordados, claro que respeitando a densidade adequada a esse tipo de trabalho. Lembre-se sempre de retomar aquelas perguntas básicas: de onde você tirou esses materiais, de que forma eles foram coletados e quais foram os critérios de inclusão e exclusão desses materiais. Escolha sempre por aqueles que verdadeiramente estão ligados ao objetivo da sua proposta. Apresentar um panorama sobre esse tema é a premissa da qual se deve partir.

Áreas em que a revisão sistemática é mais comum

Dada à finalidade desse tipo de proposta, ou seja, em razão da necessidade apresentar um compilado acerca do que tem sido produzido nos últimos anos, algumas áreas aceitam melhor esse tipo de revisão, como é o caso da área da saúde. Muitos estudos são publicados a cada dia, e, com isso, novas abordagens sobre doenças/tratamentos aparecem com muita fluidez. Analisar a eficiência da aplicabilidade desses estudos é interessante a partir de uma revisão sistemática, pois as descrições são mais objetivas e precisas, o que faz com que se tenha uma noção da viabilidade ou não do estudo em um determinado contexto. Podemos ressaltar, então, que trata-se de uma forma de compreender o funcionamento de um determinado universo de forma mais rápida e dinâmica. Existem áreas em que o fluxo de informações é mais intenso, então há certa necessidade de materiais mais práticos e diretos ao ponto.

É comum que os dados sejam apresentados a partir de uma sequência anual, a fim de que se avalie a evolução do assunto nesse recorte temporal. Nesse tipo de proposta o tópico dos resultados e discussões se torna bastante indispensável, pois como se pretende avaliar a eficiência desses estudos, ou seja, o quão viáveis eles são, apresentar os seus principais resultados a partir de parágrafos mais breves e sucintos (a discussão) é essencial. Apontar as características da amostra analisada (resultados) e refletir sobre essas (discussões) é ideal em artigos de revisão sistemática. Nesse sentido, depois de apresentar a forma pela qual os artigos foram coletados, é interessante apontar os resultados e discutir sobre esses achados em um tópico apropriado. Contudo, nem sempre esse tópico irá aparecer, pois, a depender dos objetivos, o autor pode querer apenas dizer o que tem sido produzido, sem aprofundamentos.

Objetivos da revisão integrativa

A terceira possibilidade sobre a qual iremos discutir nesta conversa de hoje é a revisão integrativa. Nesse tipo de proposta, tem-se como objetivo investigar melhor os materiais selecionados, e, desse modo, o tópico de resultados e discussões é obrigatório, diferentemente do segundo caso, em que é opcional. A análise desses resultados será importante pois um dos objetivos desse tipo de revisão é apontar o período de alta e baixa em relação a um determinado tema, e, para isso, é preciso demonstrar em que período esteve em alta e o que especificamente foi discutido em cada um desses anos de altas baixas de produções. Apontar, também, quais são os grupos/núcleos de pesquisa que se inclinam mais às investigações sobre esse assunto, e, também, as revistas que mais publicam materiais sobre esse assunto será fundamental. Assim sendo, é esperado, nessa revisão, que os dados sejam bem visíveis ao leitor.

Como externalizar os dados de uma revisão integrativa?

Em razão da proposta desse tipo de revisão, é preciso que se ilustre, ou seja, que se torne visíveis as informações obtidas sobre o que intriga os grupos/núcleos de pesquisa espalhados pelo nosso país e/ou as revistas científicas. Apresentar esses dados em sua forma textual é, sim, essencial, contudo, há diversos outros recursos visuais em que você pode se apoiar para tornar esse assunto melhor compreendido pelo seu leitor. Dentre as possibilidades há os gráficos, os quadros e as tabelas. Contudo, essa ilustração dos dados não dispensa a discussão desses achados, isto é, não basta mencionar o nome da revista, por exemplo, e o ano em que um determinado assunto esteve em alta. Isso por si só não é capaz de demonstrar o que esteve em alta ou baixa em um período, e, ainda, os motivos para que estivessem em alta/baixa. Nesse sentido, para concluir essa conversa, podemos afirmar que é necessário ter o cuidado da revisão sistemática (deixar claro o que as revistas pretendem) e ilustrar esses dados. É, então, um retrato da sua área.

Uma resposta

  1. Adorei a explicação, estou orientando um TCC de revisão de literatura e precisava da distinção destes três tipos, obrigado.

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