Com o mestrado profissional é possível dar aulas em faculdades e universidades?

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Características da carreira docente no ensino superior

A carreira docente no ensino superior: é possível ministrar aulas nas universidades com um mestrado profissional?

faculdades e universidades

Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos retomar as nossas discussões sobre a carreira docente. Como sabemos, tem havido um crescente interesse por parte das pessoas que não se formam mestres e doutores pela carreira docente, e, além disso, mestres e doutores que fizeram um curso na modalidade profissional também têm dúvidas sobre essa carreira. A fim de que essas questões fiquem mais claras, iremos apresentar um pouco mais sobre as variáveis que integram tanto o campo da docência no ensino superior quanto a dimensão do mestrado profissional. Como temos enfatizado, os alunos formados mestres e doutores em um curso profissional, caso esse seja reconhecido pela CAPES, ele não deixará de ser entendido como um mestre e, dessa forma, irá receber o equivalente a essa titulação. O que acontece é que ênfase dada em um curso acadêmico não é (ou não deveria ser) a mesma de um curso profissional.

O mestrado profissional e as suas possibilidades

A grande questão que irá nortear a nossa discussão é se um curso de mestrado profissional habilita o pesquisador a lecionar no ensino superior. A primeira questão que deve ficar clara é que esse curso não apenas autoriza o exercício docente, mas legitima essa atuação de forma legal. A academia tem demandado que os profissionais de mercado ingressem nesses cursos de mestrado e doutorado para contribuírem com o meio acadêmico. Há algumas variáveis que você deve levar em consideração para lecionar serão apresentadas nesse post. A primeira delas é que para que você atue no Brasil é preciso que esse curso faça parte do stricto sensu, isto é, você precisa se formar um mestre e doutor. Se você tem interesse na carreira docente e está procurando por um curso de pós-graduação, verifique se ele é stricto sensu. Essa questão é de suma importância.

Especializações que se autodenominam de mestrado profissional

Essa é uma questão de suma importância porque algumas especializações têm se autodenominado de mestrado profissional. Esses cursos fazem parte do lato sensu, e, dessa forma, não podem ser caracterizadas como mestrados. O mesmo ocorre com os MBAs. Quando esses cursos começaram a chegar no Brasil também davam a entender que as pessoas se formariam mestres, mas, novamente, trata-se de uma especialização. Se você ainda tem dúvidas sobre o que são os cursos lato sensu, pode compreender esses cursos como pós-graduações livres. Esses cursos, na cátedra acadêmica, não irão lhe impulsionar ou lhe autorizar a exercer a pesquisa, prática comum no stricto sensu. A pós-graduação lato sensu irá lhe habilitar para o exercício no mercado de trabalho em uma área específica dentro do seu campo diário. O stricto sensu possui uma outra lógica.

A lógica do stricto sensu

Diferentemente do lato sensu, o stricto sensu forma profissionais acadêmicos, autorizados a exercerem a pesquisa e a docência nas universidades. Todos os cursos stricto sensu dentro da cátedra acadêmica são autorizados, mensurados e analisados de forma quadrienal pela CAPES. Se você tem dúvidas acerca de onde o curso que você deseja fazer se enquadra, acesse o site da CAPES para verificar se ele se encontra autorizado. Analise se essa instituição de ensino possui aval para funcionar no âmbito do stricto sensu, mesmo que se trate de um mestrado funcional. Se esse curso integra o stricto sensu, seja esse mestrado acadêmico ou profissional, você estará autorizado a exercer a docência e a pesquisa. Surge, nesse contexto, uma dúvida. Se ambos os cursos habilitam os profissionais a atuarem no âmbito docente, porque são categorizados de formas diferentes? Iremos esclarecer essas questões.

Por que há um mestrado profissional e um acadêmico?

Há alguns fatores que impulsionam essa diferenciação. Um mestrado profissional possui um trabalho final a ser desenvolvido que é muito diferente do trabalho final realizado em um curso de mestrado ou doutorado acadêmico. Tanto o mestrado profissional quanto o acadêmico representam o primeiro pilar da escada rumo à carreira da pesquisa e da docência. Contudo, os interesses de pesquisa em um mestrado acadêmico e profissional são diferentes. Nos mestrados acadêmicos os pesquisadores preocupam-se com a dimensão teórica desses trabalhos. É comum que visualizamos dissertações de mestrado com discussões teóricas amplas e profundas, sem um viés tão prático. Não seria possível, por exemplo, em um mestrado desse tipo, criar um robô articulado para auxiliar as donas de casa em seus afazeres diários. No mestrado acadêmico o pesquisador precisaria explorar os aspectos teóricos que perpassam pela robótica.

A exploração das informações nos mestrados

Em um mestrado acadêmico, explora-se as teorias, introduz-se diversos pontos de vista sobre essas teorias e desenvolve-se uma reflexão sobre o assunto que está sendo investigado. O pesquisador ao explorar os conceitos e teorias verifica se há uma unanimidade entre esses conceitos ou se essas visões são divergentes. Isso decorre do fato de que os trabalhos desenvolvidos nesse mestrado em específico são mais teóricos. Entretanto, essa demanda não estava atingindo a todos os perfis de pesquisadores, o que fez com que o governo, a partir dos seus órgãos responsáveis pela nossa pós-graduação, passou a pensar em uma outra vertente de mestrado. Essa demanda passou a ser requisitada pela própria sociedade. Como nós precisamos formar professores, o stricto sensu nunca deixou de ser impulsionado, porém, admitiu-se um outro formato de curso de mestrado stricto sensu: os mestrados profissionais.

Por que os trabalhos teóricos deixaram de ser as únicas opções?

A academia como um todo passou a refletir sobre o alcance real dessas dissertações e teses no mundo real. Chegaram à conclusão de que esses trabalhos não chegam com tanta facilidade até as pessoas. A sociedade passou a se questionar sobre onde estão esses professores e pesquisadores das universidades e onde estão esses trabalhos que não possuem acesso. Com isso, chegou-se a uma alternativa. Ela foi a continuidade da criação de programas stricto sensu, isto é, que formam mestres e doutores, porém com uma nova ênfase. Esses alunos continuam a ter a permissão para ministrarem as suas aulas, porém, o produto final a ser apresentado passou a ser outro. A ênfase agora é na criação de produtos passíveis à aplicação. Na educação, por exemplo, o intuito não é o desenvolvimento de trabalhos teóricos, mas sim um trabalho que possa auxiliar os professores em sua rotina.

Os trabalhos aplicáveis

Dentre os exemplos temos os manuais, as metodologias ativas, diretrizes e normas. O objetivo é fazer com que esses produtos cheguem até as pessoas. Com isso, precisamos pensar nas nomenclaturas desses trabalhos. A dissertação de mestrado que conhecemos já aponta para a ideia de que você terá que dissertar sobre o assunto que está investigando. A ideia de um mestrado e de um doutorado profissional, o objetivo não é o desenvolvimento de uma dissertação, mas sim de um produto. Esse produto deve estar passível a ser aplicado e utilizado nesse contexto atual que estamos vivendo. Contudo, como esta é uma realidade ainda nova em nosso país, ela está em fase de implementação, e, desse modo, é comum que nem todas as universidades que oferecem cursos desse tipo peçam para que esses alunos apresentem produtos. Todo processo de mudança acompanha algumas rejeições e barreiras.

Limitações postas aos cursos profissionais

A fim de que esse tipo de trabalho possa ser efetivado na maior parte das nossas instituições, é preciso que elas se adaptem a essa nova realidade. Assim sendo, temos um problema. A CAPES autorizou a abertura de uma vasta quantidade de cursos stricto sensu profissionais, porém, a concretização desses cursos ainda está sendo realizada de formas diversas. Isso decorre do fato de que a maior parte dos professores que integram esses novos cursos profissionais fazem parte dos cursos acadêmicos e trabalham a anos com a orientação de trabalhos que são essencialmente teóricos, o que pode gerar certas frustrações. Estamos falando de professores que estão a muitos e muitos anos nesses cursos e que possuem dificuldades para orientarem trabalhos com um viés mais prático. Embora esse cenário esteja sendo mais compreendido e aceito, os desafios ainda são muitos.

O choque com a nova realidade

Os primeiros acadêmicos que passaram a fazer parte desses cursos sofreram bastante com esse processo de adaptação, pois, à época da implementação em seus primeiros anos, os professores possuíam ainda mais uma inclinação essencialmente acadêmica, logo, teórica. Essas pessoas ingressaram nesses programas achando que iriam desenvolver um produto ao longo desse mestrado e acabam, ao final, tendo que apresentar aquela dissertação canônica que conhecemos. Assim sendo, a exigência era a mesma posta pelos alunos dos mestrados acadêmicos, isto é, a apresentação de uma dissertação com duzentas páginas ou mais, o que gerava frustrações. Essa tendência costuma ser uma realidade até mesmo nos dias de hoje, em que os cursos profissionais estão mais consolidados. Dessa forma, o seu programa pode pedir que você apresente um trabalho que seja mais teórico.

As propostas dos dois tipos de mestrado

Há o estigma social de que esses produtos são inferiores a uma dissertação em razão das discussões teóricas serem menos densas. Não há um trabalho que é melhor que o outro. Temos propostas e objetivos diferentes, sendo que ambos contribuem para com a sociedade atual na qual vivemos. Na verdade, ambos os cursos possuem mais semelhanças entre si do que diferenças, visto que os profissionais possuem sim uma parte teórica e os alunos precisarão cumprir os conhecidos créditos acadêmicos. A participação em eventos científicos e a publicação de artigos científicos são práticas cobradas nos dois tipos de mestrado. É apenas a inclinação e os objetivos que irão receber uma tônica diferente, visto que os trabalhos dos mestrados profissionais são, de fato, mais aplicáveis. Não busque saber qual é o melhor trabalho, pois ambos contribuem de formas diferentes, porém, são ambos necessários ao contexto atual.

O rol de possibilidades de um mestrado profissional

Iniciamos essa discussão afirmando que os mestrados profissionais habilitam o mestre/doutor a lecionar no ensino superior, contudo, hoje, o rol de possibilidades fomentado por esse título é bastante amplo. Importante reiterar, também, que embora haja essa inclinação teórica ainda hoje nos cursos profissionais, a CAPES, o mercado e a sociedade como um todo têm cobrado as instituições para que se adaptem mais rapidamente a essa demanda por trabalhos mais aplicáveis nesta modalidade. Não podemos negar que há, de fato, uma dificuldade posta à própria CAPES no que toca a esse processo de implementação efetiva dos mestrados profissionais em nosso país. Os principais desafios estão ligados à elaboração desse trabalho final requerido. A CAPES, por sua vez, demanda produtos, patentes, diretrizes, enfim, resultados práticos a serem apresentados pelos alunos que integram esses mestrados.

A demanda social pela praticidade

Essas mudanças acontecem de tempos em tempos porque elas são fomentadas pelas demandas exigidas pela própria sociedade em suas mais diversas instâncias. Demanda-se trabalhos que sejam mais aplicáveis porque entende-se que eles irão contribuir para com o desenvolvimento de nossa própria sociedade. Uma das grandes discussões políticas que temos sobre essa questão é justamente a compreensão acerca do formato de trabalhos a serem apresentados nesses cursos. Algo que deve ficar claro, também, é que não devemos julgar um mestrado como melhor ou pior do que o outro. Eles possuem finalidades distintas. Além disso, antes que você tome uma decisão sobre qual curso fazer, é preciso que você compreenda o contexto que perpassa pelas duas dimensões, pois um pode ser mais interessante ao seu contexto de vida do que o outro nesse momento específico.

Precisamos tanto de acadêmicos – professores e pesquisadores – que possuem essa inclinação mais teórica e de acadêmicos que estão no mercado de trabalho e que desejam fomentar essa união maior da academia com o cenário corporativo. A teoria é necessária para que a prática possa ser embasada na ciência. Assim sendo, essa união é fundamental para que a nossa pós-graduação continue a ser referência no mundo todo. Entretanto, nos cursos profissionais, é preciso que os pesquisadores contem com uma maior flexibilidade para que possam exercer a sua criatividade para assim proporem soluções para esse cenário corporativo. Embora ainda não seja uma realidade, acreditamos que, no futuro, os professores que passarão a integrar esses cursos profissionais terão uma mentalidade mais prática. Os professores com essa característica serão priorizados para consolidarem a modalidade.

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