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Quais são os desafios enfrentados pelo professor universitário na academia?

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Em nosso post de hoje iremos discutir sobre alguns desafios, problemas e limitações com os quais o professor que opta por lecionar no contexto universitário lida.

Nesse sentido, o post, ao longo de seus capítulos, visa apresentar os desafios que afetam o cotidiano de um professor universitário de metodologia e estatística que lecionam na educação superior no geral.

Nesse contexto, também serão explorados ao longo da discussão os principais fatores relacionados a como esta disciplina específica tem sido lecionada no ensino superior nas mais diversas instituições de ensino. Posto isso, vamos conferir?

O trabalho com a disciplina de metodologia no ensino superior

As experiências a serem relatadas neste post de hoje estão ligadas aos recortes da live realizada com o professor Heitor Honório, que ministra a disciplina de metodologia com ênfase em estatística.

O trabalho com a disciplina de metodologia no ensino superior

De acordo com ele, a sua experiência com a estatística fez com que tivesse experiências positivas com a docência no ensino superior.

Assim, embora a formação deste professor (de graduação) não esteja ligada à estatística, mesmo que esta área seja de seu interesse, sua formação sempre esteve ligada à linha da saúde.

Nela, trabalhou como cirurgião-dentista. Contudo, no exercício da profissão descobriu o seu interesse pelas questões concernentes à estatística. Nesse contexto, a sua formação de pós-graduação (mestrado e doutorado) também foi feita na área da Odontologia.

E o primeiro contato de Heitor com a docência no ensino superior foi a partir desta mesma área. Logo, após a sua atuação profissional como cirurgião-dentista, o professor retornou à instituição na qual fez graduação como professor de metodologia em estatística.

Como lidar com as novidades ao transitar entre áreas?

Como o professor trabalhou por muitos anos na área clínica da Odontologia, migrar para um novo contexto como docente de metodologia estatística foi um desafio, uma vez que se tratava de algo muito novo.

Como lidar com as novidades ao transitar entre áreas

Como era um profissional clínico, atuante em uma clínica, o cenário com o qual lidava era outro.

Toda a sua prática era voltada aos cuidados dentários que as crianças poderiam precisar, contudo, por N motivos, ele começou a trabalhar com metodologia, estatística e com a linguagem matemática em um outro cenário.

Ou seja, posto os desdobramentos da vida, ele voltou a universidade onde havia se formado e passou a atuar como professor. Assim, como diz o ditado popular, quando a vida te dá limões, o melhor a se fazer é uma limonada, o professor resolveu tirar o máximo de proveito dessa situação desafiadora.

Os desafios em mudar completamente de área

Durante grande tempo de sua trajetória, o professor atuou como profissional e docente na área da Odontologia, especificamente na área de Odontopediatria, onde compartilhou os seus conhecimentos e experiências para os alunos desta disciplina específica.

Porém, em virtude de ter contato com outras possibilidades de trabalho, deixou de ministrar aulas apenas na área de Odontopediatria e passou a atuar como docente de metodologia de pesquisa e de estatística.

Contudo, deparou-se com um desafio. Antes ele compartilhava conhecimentos para um perfil específico de pessoas (interessados em conhecimentos da Odontopediatria), porém, ao lecionar as disciplinas de metodologia e estatística, teve que sair de sua zona de conforto e lidar com pessoas de diferentes áreas.

Além disso, as disciplinas de metodologia e estatística tinham matriculados alunos jovens, que tinham acabado de sair do Ensino Médio, sendo, portanto, difícil de tratar desses assuntos de uma forma que prendesse a atenção.

Dessa forma, o professor percebeu que a melhor forma de captar a atenção desse público-alvo em específico era aderir a uma linguagem que tornasse mais fácil o entendimento das questões concernentes à saúde que estão ligadas às dimensões do campo da estatística. Nesse sentido, encontrou estratégias que despertaram a sua atenção.

A importância de adotar boas estratégias de ensino

A fim de que os assuntos fossem ensinados de uma forma mais acessível, o professor deparou-se com um desafio: teve que abordar os assuntos de uma forma mais dinâmica e interessante para que o processo de aprendizagem fosse mais significativo.

A importância de adotar boas estratégias de ensino

Ou seja, o desafio era fazer com que esse processo fosse menos difícil e traumático, uma vez que grande parte da turma na qual lecionava eram pessoas ainda imaturas.

Dessa forma, ele percebeu que as mídias e redes sociais eram poderosas aliadas, uma vez que disponibilizavam ferramentas de apoio capazes de despertar esta atenção e tornar o ensino mais atrativo.

Essas ferramentas ajudaram o professor a oferecer os seus serviços de forma mais inclusiva e atrativa, assim como ajudaram os próprios alunos a aprenderem de forma mais autônoma e produtiva. Assim, ele ressaltou a importância da criação e disponibilização desses materiais na internet.

Por que criar e disponibilizar materiais na internet?

O principal intuito é o de contribuir com outros docentes que podem estar enfrentando os mesmos problemas e lidando com as mesmas limitações no que concerne ao exercício da docência. Ter um material sólido e consistente pronto é uma forma de ter aulas produtivas prontas sempre que necessárias (que devem ser atualizadas, claro).

Por que criar e disponibilizar materiais na internet

Assim, tendo em vista que hoje esse material disponibilizado tem um alcance muito maior, de modo que grande parte das pessoas pode ter acesso a esse conteúdo, por meio desses materiais é possível encontrar métodos e formas de atuar na docência.

Logo, dentre os achados encontrados ao longo da experiência, detectou-se a importância da estatística na geração do conhecimento. Contudo, há um estigma negativo em torno da estatística.

O estigma negativo associado à aprendizagem da estatística no ensino superior

Antes de tudo é importante saber que a estatística desempenha um papel essencial na geração de conhecimento. Contudo, seja você da área das ciências humanas, das ciências da saúde ou das ciências exatas, especialmente nas duas primeiras, é comum que haja um certo estigma negativo em relação à estatística.

Na verdade, a própria metodologia já é malvista e, quando associada à estatística, a rejeição torna-se ainda mais significativa, porém, são ciências essenciais. São muitos os alunos que ao longo da sua trajetória têm experiências traumáticas com a matemática, o que contribui com essa repulsa social automática à mesma e, quando se deparam com a estatística na graduação ou na própria pós, sentem que é algo difícil e distante.

Contudo, é nesse contexto que a linguagem exerce um papel fundamental na reversão desse estigma. A linguagem de fácil acesso, simples e lúdica é fundamental.

A importância da adesão a uma linguagem mais inclusiva

Quando discutimos sobre uma linguagem inclusiva é preciso que adotemos uma linguagem mais simples e lúdica. Esta é uma estratégia interessante para que este estigma pouco a pouco seja desmistificado.

Especialmente na área da saúde e das humanidades a rejeição à estatística é um fenômeno contínuo. Entretanto, a forma a partir da qual a estatística é abordada irá definir o quão contributiva será para a geração de conhecimento.

Abordada da forma correta ela será bem vista em áreas que costumam rejeitá-la!

A estatística é um elemento chave para que a metodologia possa funcionar da melhor forma possível em múltiplos contextos de atuação. Um motivo que pode fomentar essa repulsa é a forma a partir da qual esse aluno entende e emprega a metodologia ao desenvolver os seus materiais científicos. A mera reprodução sem reflexão faz com que a metodologia perca o seu sentido.

Erros ao lidar com a metodologia científica

Um dos grandes erros que podem comprometer a eficácia de uma metodologia é a mera descrição dos processos relacionados ao método no qual um dado estudo está se baseando.

Descreve-se os equipamentos, instrumentos, ferramentas e técnicas utilizadas, mas de uma forma vaga e sem correlação com os elementos básicos que integram esta pesquisa. O processo é correto, porém, o aperfeiçoamento desta discussão é de vital importância. As principais dificuldades relacionadas a este processo estão ligadas sobretudo ao tópico de análise estatística.

As descrições tendem a ser mais genéricas e superficiais, uma vez que costumam mencionar os testes realizados (caso a pesquisa tenha sido feita) e demais aspectos de ordem mais técnica. Há uma certa tendência: os alunos se concentram em demonstrar os resultados, mas não discutem sobre os elementos que os conduziram a tais resultados.

O detalhamento dos processos

É de vital importância o detalhamento das ferramentas, instrumentos e técnicas que estamos utilizando para chegar a um dado resultado, pois, dessa forma, a análise deixa de ser rasa.

A mera descrição dos resultados faz com que o capítulo de metodologia esteja incompleto, uma vez que é preciso que o leitor saiba quais foram as variáveis que fizeram com que você chegasse a esses resultados específicos.

Essa descrição profunda é de suma importância para que o método empregado permita que o pesquisador consiga gerar conhecimento de qualidade. Em relação à estatística, não se trata de se tornar um expert em estatística, mas sim de se conscientizar sobre a importância de não abordá-la de forma tão superficial e rasa.

Logo, a fim de que o pesquisador não recaia em uma saia justa quando questionado em uma qualificação ou defesa, o conhecimento e emprego correto da metodologia é de vital importância.

O produto final de uma pesquisa

Realizamos pesquisas para fins específicos, porém, a pesquisa científica é um compromisso que assumimos perante a sociedade a partir do momento em que nos vinculamos a uma instituição, a um programa, a um orientador e a um grupo de pesquisa.

O produto final de uma pesquisaO produto final pode ser desenvolvido de múltiplas formas: seja por meio de uma dissertação ou tese, seja por meio da publicação ativa e contínua de materiais científicos, como artigos.

É uma forma de prestação de serviço para com a sociedade. Nesse sentido, o aluno a ser arguido precisa ter muito claro em mente que o trabalho dele não será apenas julgado e avaliado por aquela banca, embora seja ela que decida pela aprovação ou não.

Essa avaliação é também social. A partir do momento em que este material é publicado, ele passa a ser avaliado de forma contínua por todos aqueles que têm acesso a ele, sejam essas pessoas acadêmicas ou não.

O “julgamento” social de um material científico e de um pesquisador

A partir do momento em que um material científico é publicado na internet ele passa por uma série de avaliações. Dentre os aspectos observados, mesmo que as pessoas não saibam que estão avaliando esses fatores, a metodologia é um elemento que decide a qualidade e pertinência de um material.

Buscam compreender como você enquanto produtor deste conteúdo chegou a essas informações, isto é, às bases que estão fornecendo subsídios para que você discuta sobre a temática de forma científica e séria.

Além do julgamento constante da qualidade de um material, o pesquisador também o é, sobretudo a partir dos seus colegas acadêmicos. Todas as informações fornecidas ao Currículo Lattes são avaliadas e compartilhadas e, a simples troca de uma foto na plataforma já é algo que desperta comentários. Assim, embora a questão pareça trivial e boba, demonstra o quão avaliados somos o tempo todo.

A mensuração da qualidade de pesquisador

Citamos o exemplo da foto de identificação de um pesquisador na plataforma, mas, na verdade, um pesquisador é julgado de diferentes formas, como, por exemplo, pela quantidade de artigos publicados, onde costumam publicar, quais eventos costumam frequentar, dentre outras atividades acadêmicas avaliadas de forma contínua.

Esta é uma forma de mensurar a “qualidade de um pesquisador”, isto é, o seu engajamento com a academia ao longo dos anos. Dessa forma, quando se tem como objetivo conhecer um pesquisador, investiga-se o seu currículo acadêmico para saber das “novidades”.

Nessa linha, o cuidado metodológico tem tudo a ver com esta questão, uma vez que os deslizes que cometemos em termos de metodologia podem limitar as nossas possibilidades e a nossa credibilidade enquanto pesquisadores perante os acadêmicos e à própria sociedade.

A metodologia aponta como estamos nos desenvolvendo enquanto pesquisadores, bem como aponta o quão maduros somos em termos acadêmicos. As falhas metodológicas são comuns, uma vez que leva um tempo até que adquiramos a devida maturidade. Contudo, o mais interessante em publicar de forma contínua é aprender com esses erros e produzir textos com mais rigor.

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