Como posso fazer uma autobiografia? Características da metodologia científica – Dicas para que você possa fazer uma autobiografia em seu trabalho de forma correta e científica

0
Avalie!

O que configura uma autobiografia? Aprendendo quais são as suas principais características e os cuidados necessários ao estudoO que configura uma autobiografia? Aprendendo quais são as suas principais características e os cuidados necessários ao estudo

Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos voltar o nosso olhar mais uma vez para as questões que perpassam pela metodologia científica. Como sabemos, cada tipo de estudo pede por um método específico e, além disso, por uma formato de material científico que seja capaz de atender as demandas de uma linha de pesquisa, de um eixo temático e as preferências daquele que nos orienta. A primeira coisa que você precisa manter em mente é que é necessário entender exatamente o que está sendo requerido à você em relação ao formato desse material. Como são muitas as possibilidades que nós enquanto pesquisadores temos em mãos, hoje iremos nos concentrar em um assunto um tanto quanto complexo e pode ser tanto bem quanto mal aceito ao depender do contexto de pesquisa no qual você se encontra. Estamos nos referindo à autobiografia. Assim, iremos nos debruçar nos pontos que perpassam por ela.

Quais são os principais pontos que perpassam pela análise autobiográfica?

Ao longo desse post iremos apresentar os principais aspectos que você deve levar em consideração caso queira realizar uma autobiografia de forma científica. Como essa etapa costuma aparecer no momento da análise, é nos pontos que perpassam pela análise. Entretanto, hoje iremos nos concentrar em um tipo de autobiografia específico. Iremos discutir sobre a autobiografia em que um pesquisador discute sobre outro autor e não sobre si mesmo. Assim, de antemão, gostaríamos de frisar que sim, você pode analisar a autobiografia de uma outra pessoa enquanto objeto de análise. A pauta de hoje surgiu da seguinte questão norteadora: devo fazer uma análise sobre um capítulo em que o autor apresenta uma auto biografia, e, assim, não há quaisquer outros tipos de dados, apenas a opinião do autor sobre um dado tema ou posso desenvolver uma análise própria, com dados inéditos sobre o assunto em questão.

O que fazer quando não tenho dados e somente a opinião do autor?O que fazer quando não tenho dados e somente a opinião do autor?

É de suma importância que compreendamos como a análise deve ser desenvolvida e quais são os pontos fundamentais que não podem ficar de fora de seu texto. A análise pode assumir uma série de formatos, como, por exemplo, a análise de conteúdo, bem como a própria autobiografia, e, na verdade, aqui não abre-se mão da análise de um conteúdo. Muitas pessoas têm dúvidas quanto à análise, sendo que muitas a denominam de análise discursiva, mas, como vimos em outro momento, o termo é complexo e gera debates. A primeira coisa que você deve levar em consideração sobre a análise é o formato a partir do qual ela será desenvolvida. Em relação à escolha desse formato, é de suma importância que este seja pensado de acordo com a teoria escolhida. Os dados serão analisados de acordo com as demandas postas pela teoria a partir da qual o seu estudo será desenvolvido. Iremos apresentar alguns exemplos.

Análise autobiográfica de uma pessoa com algum problema

O primeiro exemplo que iremos apresentar nessa discussão está ligado a uma pessoa que discute sobre algum problema de sua vida pessoal. É provável que essa pessoa tenha resolvido o problema a partir de alguma estratégia, o que permite a análise autobiográfica. Um dos vieses a partir do qual um estudo desse tipo poderia se articular seria por meio de uma abordagem psicanalítica. Contudo, em um mesmo eixo temático, em uma mesma linha de raciocínio, há uma série de abordagens a partir das quais os estudos podem ser desenvolvidos. Alguns exemplos que poderiam sustentar essa autobiografia seriam as teorias de Jung, Freud, Lacan, dentre outros. O importante que você saiba aqui é que a análise deve ser sustentada a partir de um dado viés teórico-metodológico. Um exemplo seria a análise desse problema em específico a partir de uma abordagem junguiana.

A articulação da teoria com os dados

Um dos objetivos principais no momento de análise é a articulação dos dados a serem interpretados e analisados com a teoria por você escolhida. É esta articulação que fará com que você saiba se esse estudo apresenta dados reais sobre o universo ao qual se propôs a analisar. Os dados a serem coletados, os artigos, livros e demais materiais científicos que darão forma ao seu marco teórico devem refletir a realidade desses dados a serem tratados no momento da análise. É essa teoria principal por você escolhida que irá sustentar todo o desenvolvimento do seu estudo. Essa articulação entre teoria e análise é um exercício complexo e, para muitas pessoas, difícil de ser executado. Muitas pessoas, nesse processo de análise, afirmam: “irei analisar como eu sei, segundo a minha intuição”. Atenção: essa prática não pode ser considerada como científica. Os conceitos teóricos levantados pelo estudo exercem um papel fundamental.

A análise semiótica e a sua relação com a autobiografia

Um segundo exemplo que gostaríamos de apresentar é a análise biográfica segundo o viés da semiótica. Nessa perspectiva, é válido ressaltar que aqui não estamos mais no domínio da psicanálise, mas sim da semiótica. As demandas e necessidades de pesquisa são outras, pois o universo teórico que você está adentrando irá lhe colocar em um outro lugar, acarretando na adesão a outro formato de artigo. Assim sendo, uma mesma autobiografia pode ser analisada a partir de abordagens diversas. Entretanto, como uma mesma linha de raciocínio perpassa por diversos domínios teóricos, por autores múltiplos, é necessário que você deixe claro de que lugar você está falando. Há conceitos e teorias relacionadas a essa abordagem que devem ser bem explicados e claros ao longo do texto, pois são essas peculiaridades que farão com que você adote um certo formato de análise. Toda essa análise deverá perpassar pela abordagem.

Como posso analisar uma situação de forma científica?

Um outro exemplo de análise autobiográfica é a de uma situação. Qualquer situação social pode e deve ser analisada enquanto fenômeno social, problema coletivo. A fim de que a situação possa ser debatida, é preciso que o local de onde você fala fique claro ao leitor. Uma dica que gostaríamos de ressaltar é que não é aconselhável que o autor misture diversas teorias em um único texto. Não confunda obras com autores. A fim de que um texto possa ser desenvolvido, devemos introduzir diversos autores, desde que façam parte de um mesmo universo, de uma mesma linha de pesquisa. Por exemplo, se você adotou a linha junguiana para o seu estudo, pode escolher tanto os textos de Jung quanto de outros autores que debatem sobre essa perspectiva. O mesmo vale para uma análise semiótica. Essa perspectiva admite que você faça a análise de um filme, música, pintura etc desde que siga uma vertente teórica.

As teorias de psicologia social na análise

Suponhamos que o seu objetivo seja o de realizar uma análise a partir do viés da psicologia social. É possível, desde que você se atenha a alguns elementos primordiais. Assim sendo, toda a sua análise deverá ser feita de acordo com a visão dos autores que estão ligados à teoria a partir da qual o seu estudo se sustenta. Você perceberá que existem milhares de teorias, visto que cada área e as suas muitas linhas de pesquisa desenvolvem a cada dia novas abordagens a partir das quais um estudo pode ser desenvolvido. Por exemplo, suponhamos que você queira discutir sobre a teoria organizacional. Há, na academia, várias vertentes que perpassam por essa questão da teoria organizacional. Cabe a você escolher por uma com a qual o seu estudo se articula de uma forma melhor, visto que cada uma dessas linhas têm as suas próprias demandas e características que aparecerão em todos os momentos do seu estudo.

A escolha de uma linha teórica para o estudoA escolha de uma linha teórica para o estudo

A escolha de uma linha teórica a partir da qual o estudo irá se articular é de suma importância. Um dos seus ganhos mais relevantes é que uma única linha de raciocínio permite que você conheça uma ampla gama de autores e fontes que caminham por essa mesma linha de raciocínio, o que pode enriquecer e muito o seu estudo. É por esse motivo que não é aconselhado misturar essas teorias, pois uma única vertente está ligada a um amplo universo repleto de inúmeras fontes que podem contribuir para com a sua argumentação. Há um problema nítido quando inserimos autores em nosso texto de maneira aleatória. Como temos reiterado, esses autores discutem sobre um fenômeno a partir de um dado ponto de vista. Quando mistura-se essas teorias, gera-se uma espécie de confusão, pois não fica claro qual é o lugar de fala desse autor que está trazendo para dialogar com outros.

As múltiplas linhas de raciocínio

Chamaremos a atenção para o fato de que a ciência não é construída a partir de um único viés. Um mesmo fenômeno pode ser debatido a partir de pontos de vista que são muito divergentes entre si. Além do fenômeno ser compreendido de formas muito distintas, cada corrente, cada linha de raciocínio desenvolve a análise a partir de uma forma específica. Assim sendo, um mesmo texto pode ser lido por uma gama de autores que irão apresentar visões muito distintas, mesmo que todos tenham feito a “mesma leitura”. Quando escolhemos uma teoria estamos afirmando ao nosso leitor qual é o nosso posicionamento teórico sobre o assunto ao qual nos propomos a nos debruçar. O conteúdo a ser desenvolvido, nesse sentido, passa a ser apresentado de uma forma muito mais centralizada e focada. Embora a análise seja uma prática associada ao domínio das ciências humanas, as exatas e a saúde também se desenvolvem.

A análise nas ciências exatas e da saúdeA análise nas ciências exatas e da saúde

Diferentemente do que muitos afirmam, nas ciências exatas e da saúde a análise não deixa de ser desenvolvida. O que acontece é que esse momento da pesquisa ganha uma outra roupagem e é muito comum que os autores não se concentrem apenas em uma teoria, em certos casos. Na verdade, essas análises são menos teóricas. Entretanto, tudo irá depender do assunto a ser desenvolvido. Mesmo que as análises nessas áreas não sejam tão teóricas, uma pesquisa na área da saúde que se concentra na biopolítica terá, de fato, um viés mais teórico e menos prático/aplicado. Contudo, é muito comum que, nesse campo de pesquisa, a análise concentre-se nos dados associados à área na qual esses materiais se concentram. A preocupação com a apresentação de uma linha teórica em todos os momentos da pesquisa é mais comum no domínio das ciências humanas, mas não significa que ela fica restrita somente a este contexto.

Por que há uma preocupação com a teoria nas ciências humanas?Por que há uma preocupação com a teoria nas ciências humanas?

Muitos se questionam acerca do porquê de no domínio das ciências humanas haver uma preocupação tão acirrada com as questões teóricas. As pesquisas que se concentram nessa área costumam pertencer ao domínio da pesquisa qualitativa, de modo que os dados são apresentados a partir de um viés mais reflexivo, detalhado. As ciências da saúde e das exatas, na maior parte das vezes, trabalham com dados quantitativos, preocupando-se com estatísticas e estratégias semelhantes. Contudo, esta regra aplica-se àqueles trabalhos que não possuem viés teórico, mas sim aplicados. A maior parte das pesquisas nesta seara são aplicadas e encaixam-se nessa “regra”. A preocupação é com os dados, e, desse modo, procura-se por subsídios que sejam capazes de fornecerem algum tipo de sustento para que o assunto seja explorado. Surgem os recortes, como os artigos dos últimos três anos sobre a temática.

É muito comum que os pesquisadores que se encontram nesse domínio das chamadas “ciências duras” procurem por materiais que tenham aplicado certos tipos de metodologias para debaterem o assunto. Temos, então, materiais dos últimos três anos que aplicaram uma dada metodologia e, em virtude dessa aplicação, chegaram a certos tipos de dados. Assim sendo, é válido ressaltar que são domínios que trabalham com dados de acordo com as suas peculiaridades e demandas, divididas entre qualitativas e quantitativas. Os testes aplicados para que o pesquisador compreenda uma dada situação são debatidos de forma diferente daquele estudo em que o autor propôs uma análise autobiográfica sobre uma dada obra/autor. É comum que encontre-se dados que divergem, tanto na pesquisa quantitativa quanto na qualitativa. A sua missão é comparar esses dados com aqueles que você próprio encontrou.

Como publicar Artigo Científico

Dúvidas? Sugestões? Deixe seu Comentário!

Digite seu comentário!
Informe seu Nome aqui