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Você pode escrever sobre si mesmo: obras, materiais acadêmicos e artigos científicos

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O que posso escrever em um trabalho? Posso trazer a minha própria história de vida para um material caracterizado como científico?

O que posso escrever em um trabalho? Posso trazer a minha própria história de vida para um material caracterizado como científico?

Olá, tudo bem? Em nosso post de hoje iremos retomar as nossas discussões sobre os tipos de materiais científicos que podemos trazer à tona em nossas pesquisas, sem elas mais extensas, como dissertações, teses e trabalhos monográficos, ou mais curtas, como é o caso dos artigos científicos. Como sempre destacamos ao longo de nossos posts, quando escrevemos um material e realizamos a sua submissão junto a uma revista, almejamos a sua aprovação, porém, a fim de que consigamos chegar a essa aprovação, é preciso que obedeçamos a uma série de critérios para que o nosso estudo tenha o que a comunidade científica chama de rigor científico e metodológico. Algo que gostaríamos de chamar a atenção em relação ao contexto de hoje diz respeito aos pesquisadores que querem escrever sobre si, sejam obras, artigos científicos e outros tipos de materiais científicos. Iremos esclarecer se é possível ou não abordar a questão.

Falar sobre si mesmo em um material

Consideramos essa pauta como um tanto quanto polêmica, tanto dentro da academia quanto fora dela também. A pauta surgiu da seguinte questão: estou escrevendo um artigo científico sobre a minha jornada enquanto artista, qual é a forma mais ideal para que possa escrever essa produção, na primeira ou na terceira pessoa? A primeira coisa que precisamos elencar (e da qual não podemos fugir) é que estamos adentrando em um cenário complexo e muito delicado. O primeiro ponto diz respeito aos próprios pressupostos de um material científico. Dentre os principais, temos o fato de que o pesquisador não pode ter qualquer tipo de interesse pessoal no assunto para que, justamente, não haja conflito de interesses, de modo que ele possa ser beneficiado. O pesquisador, enquanto investigador, precisa ter um olhar distanciado acerca do fenômeno que se propôs a estudar.

O distanciamento na pesquisa científica

O distanciamento é de suma importância em uma pesquisa científica para que você seja capaz de tratar esse assunto de forma séria e, de fato, científica. É preciso que respeitemos esses preceitos da pesquisa. Por exemplo, suponhamos que você queira investigar um tema relacionado ao campo religioso. O mais solicitado nesse tipo de situação é que a religião do outro seja investigada ao invés daquela seguida pelo pesquisador. Esse exercício é fundamental para que o distanciamento possa ser colocado em prática. Essa prática é incentivada porque está ligada à própria necessidade do trabalho científico, que é a necessidade de abordagem de um objeto a partir de um olhar deslocado, distante. Os seus sentimentos pessoais não podem atrapalhar o bom desenvolvimento do estudo. Existem casos em que o pesquisador está muito envolvido com o objeto e que pedem alguns cuidados extras.

Pesquisadores envolvidos intimamente com o objeto pesquisado

Pesquisadores envolvidos intimamente com o objeto pesquisado

No caso dos pesquisadores envolvidos com o objeto pesquisado, isto é, quando o pesquisador participa desse mundo investigado, requer-se que essa pesquisa seja submetida ao Comitê de Ética antes mesmo que seja iniciada. Uma série de professores irá avaliar se o estudo pode ou não ser executado em virtude desse envolvimento do pesquisador. Pesquisas que carregam as interferências pessoais do pesquisador, ou seja, os seus preceitos ideológicos, passam por esse comitê. Além disso, o seu pensamento crítico deve ser, também, científico, o que demanda partir de autores para embasar esse pensamento. Ademais, quando trabalhamos com algo que gostamos, acabamos por perder a nossa capacidade de julgamento. Esse fenômeno é muito fácil de ser percebido em nossas próprias relações humanas. Quando estamos apaixonados, ocorre algo muito semelhante, os defeitos da pessoa são apagados.

O olhar apaixonado compromete a pesquisa

O olhar apaixonado compromete a pesquisa

Estar apaixonado pelo tema ou envolvido de uma forma muito íntima, pode lhe cegar. Em razão do fato de que, de certa forma, ficamos cegos e alheios aos problemas e defeitos da pessoa por quem estamos apaixonados, acabamos perdendo a nossa capacidade crítica. O mesmo não ocorre quando lidamos com uma pessoa desconhecida, visto que ainda não nutrimos qualquer tipo de sentimento por ela, seja bom ou ruim. Quando não temos um vínculo afetivo com uma dada pessoa, o exercício do distanciamento se torna muito mais viável. Analisar se essa pessoa está agindo ou não de uma forma correta é mais fácil frente ao desconhecido. Nasce, daí, uma mania que é inerente a todo e qualquer ser humano: o julgamento constante do outro. É mais fácil julgar o outro, do que julgar aquelas pessoas de quem gostamos e que possuímos um vínculo afetivo. Essa questão pode ser facilmente aplicada à academia.

Por que o não-vínculo é incentivado?

Conhecendo esse cenário, precisamos compreender porque o vínculo com o objeto investigado não é bem visto na academia. Um dos primeiros cuidados que precisamos tomar é com a linguagem. Em virtude do distanciamento requerido pela pesquisa, usamos a terceira pessoa e não a primeira, assim, compreende-se e não compreendo é um exemplo desse cuidado linguístico. A linguagem objetiva e imparcial é o que fará com que chegamos a esse distanciamento que é uma necessidade posta pela própria pesquisa. Pensemos em mais um exemplo. Suponhamos que você deseja realizar um estudo sobre o ciclismo e é ciclista. Toda a sua discussão irá girar em torno de uma atividade que você gosta e que está muito envolvido. Você irá falar do ponto de vista de um ciclista. O mesmo vale para um motorista, se você dirige e não é envolvido com o ciclismo, sua discussão partirá da visão dos motoristas.

As óticas de pesquisa

Quando estamos muito envolvidos com um tema, costumamos ser tendenciosos. A óptica escolhida tende a pender para uma visão que possa beneficiar o nosso ponto de vista pessoal, o que compromete o distanciamento. Quando nos deparamos com esse tipo de material, temos um material que não está “limpo”, justamente por ser tendencioso. O material carrega fortes marcas ideológicas que podem comprometer a qualidade do estudo. Além disso, a sua capacidade de análise também é prejudicada, visto que você terá de deixado levar pelos seus preceitos pessoais. Contudo, como estamos nos referindo às pessoas que querem fazer um material sobre si mesmas, é preciso que resolvamos a situação. Sim, é possível, desde que alguns cuidados sejam tomados. Há alguns tipos de materiais específicos para esse tipo de ideia. Eles podem ser publicados e alguns até mesmo em certos tipos de revistas científicas.

Textos pessoais são materiais científicos?

Embora materiais pessoais possam ser publicados, eles não são totalmente científicos. Assim sendo, não é possível que você diga que está desenvolvendo um material científico quando ele diz respeito a sua vida pessoal. Não é permitido porque todo e qualquer estudo segue a pressupostos científicos. A metodologia, que é quem determina o que é um trabalho científico e como ele deve funcionar, não prevê que esse tipo de texto seja taxado de científico. O próprio sistema barra. Pensemos, então, em onde esse tipo de produção pode ser bem-vinda. A primeira coisa que você precisa saber é que o gênero relato de experiência permite que a sua história possa ser publicada em veículos científicos, como as revistas. Como você estará escrevendo um relato de experiência, o próprio gênero permite que você utilize a primeira pessoa para apresentar a sua história. Como é um relato, o gênero tende a ser mais flexível.

O formato do relato de experiência é científico?

Um relato de experiência não está ligado a um formato científico. O próprio nome do gênero impede que a pesquisa seja científica, porque você está atestando que irá trazer para o texto as suas impressões pessoais e a sua própria ideologia sobre o fenômeno e isso, como sabemos, não caracteriza-se como científico. Quando imprimimos a nossa visão e a nossa vivência, deixamos de ter uma pesquisa científica. No caso de nosso exemplo, em que temos uma artista, a pesquisadora poderia fazer a análise de sua obra a partir de um relato de experiência. Os sentimentos no processo de criação da obra podem ser explorados. No caso de um relato sobre o percurso, os sentimentos também irão falar mais alto, pois, afinal, é da vida real dessa pessoa que ela está retratando. Essa abordagem impede o distanciamento, e, dessa forma, o estudo deixa de ser uma pesquisa pela falta dessa característica essencial.

Incapacidade de desvincular-se dos valores pessoais

Incapacidade de desvincular-se dos valores pessoais

No caso do retrato da vida, é impossível que nos desprendamos das nossas ideologias e perspectivas. Contudo, como vimos, existem relatos de experiência e eles são publicados em revistas científicas com esse perfil. Ele pode ser organizado a partir de formas diversas, como a partir de um estudo bibliográfico, por meio de uma autoanálise do percurso enquanto artista ou, ainda, pode-se realizar a análise de uma ou mais obras por você realizada. Outro exemplo que podemos mencionar são as possibilidades múltiplas de um fotógrafo. No momento da captura de uma impressão, uma série de sentimentos podem impactar a escolha por um dado ângulo e de demais processos que permeiam a captura da fotografia. Entretanto, caso seja uma necessidade, essa autoanálise pode partir dos achados teóricos de outros autores, o que aumenta ainda mais a credibilidade desse estudo em questão.

Posso relatar meramente a minha experiência?

Posso relatar meramente a minha experiência?

A depender da revista que deseja publicar, sim, é possível. Na Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento temos alguns exemplos que você pode consultar caso queira publicar nesse formato. Algo que deve ficar claro, também, é que um relato de experiência não é a mesma coisa que um estudo de caso ou, ainda, que um relato médico, isto é, de um caso clínico. No caso de um estudo clínico, embora você esteja participando desse estudo em questão, o material não deixe de ser científico, você está, sim, relatando uma situação, mas esse caso parte de achados teóricos da literatura corresponde ao assunto que está sendo investigado, e, além disso, apresenta-se um tratamento, comparando os resultados desse caso com aquilo que foi identificado pela literatura. A fim de que agisse de uma dada forma, é muito comum que ateste-se de onde essas informações estão partindo.

Configuração de um estudo de caso clínico

É muito comum que esse tipo de estudo promova uma espécie de protocolo. Em razão da finalidade do próprio gênero, é preciso que tenha, antes e durante a apresentação do caso, uma discussão teórica. É diferente do que ocorre no gênero relato de experiência, em que o foco está na experiência em si e não nos achados da literatura. Temos, ainda, a possibilidade da autoanálise. Entretanto, esse tipo de publicação ainda hoje não é bem vista no país, sendo mais aceita entre o público internacional. O que costuma ser publicado no Brasil são os relatos de experiência, sendo que é esse gênero em específico que irá permitir que você transite no seu próprio universo e contexto de vida, abordando as suas emoções e experiências com um certo fenômeno que deseja tornar público aos leitores. É uma forma de compartilhar com o leitor algumas dificuldades e percepções suscitadas por esse tema que está sendo investigado.

Onde os relatos de experiência costumam se inserir?

As pesquisas de campo costumam fazer bastante uso desse gênero em específico. Por exemplo, temos, em nosso país, grandes grupos de estudiosos que realizam trabalhos junto aos grupos indígenas. É muito comum que esse grupo de estudiosos já tenham em mente um tema com o qual desejam trabalhar, porém, ao adentrarem nesse cenário que desejam investigar, deparam-se com uma série de experiências que não podem deixar de serem relatadas. Resolvem, com isso, realizar um relato de experiência, que pode ou não ter a ver com o objeto principal da pesquisa, mas não pode deixar de ser realizado. As experiências nesse campo podem ser aproveitadas nos relatos de experiência.

Um outro contexto em que o relato de experiência poderia se realocar bem seria um relato sobre a sua própria experiência acadêmica, visto que cada vivência é singular e específica para cada pessoa que encontra-se dentro desse contexto que, a cada dia, muda, surgindo novas possibilidades de pesquisa. Enquanto atuante em uma certa área e linha de pesquisa, você pode usar essa experiência para apresentar esse universo para aqueles que também desejam fazer parte desse campo específico. O intuito com esse relato é o de apresentar os pontos positivos e negativos dessa experiência. Embora o gênero possa ser confundido com o artigo científico, ele não pode ser publicado como um artigo, visto que a sua finalidade é outra.

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