Dicas para fazer a conclusão do seu Artigo Científico?

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Construindo um bom artigo científico

Como temos destacado ao longo de nossas conversas, para que o seu artigo científico possa ser aprovado é preciso que respeitemos aquilo que é conhecido como rigor científico.

Para que um texto possua apto e esteja, finalmente, apto para ser publicado e lido pelas mais diversas pessoas, é preciso que ele tenha uma base sólida, pois é apenas dessa forma que conseguimos evitar os achismos e impressões meramente pessoais, o que abre brechas para que a nossa produção seja contestada.

Contudo, como são diversas as etapas que perpassam a elaboração do artigo, hoje iremos nos concentrar em uma delas: a conclusão, afinal, você sabe como fazer uma boa consideração final sobre a sua produção? Entretanto, antes de nos atermos a ela, queremos resgatar algumas características essenciais do artigo.

Quais etapas que devo tomar cuidado ao elaborar um artigo?

Quais etapas que devo tomar cuidado ao elaborar um artigo?

Na verdade, em toda e qualquer produção científica, é crucial que tomemos alguns cuidados teóricos, metodológicos e, até mesmo, analíticos.

Sem que proponhamos uma metodologia que seja verdadeiramente capaz de fazer com que os objetivos da pesquisa sejam percorridos e para que seja válida no contexto da sua pesquisa, é necessário se apoiar em um método que te apresente técnicas, instrumentos e uma abordagem que deem conta da dimensão proposta pelo estudo.

De igual importância é a escolha dos conceitos que permearão toda a sua base argumentativa.

A fim de que possamos dissertar sobre um tema, é preciso que tenhamos uma base sólida, e, para isso, é preciso que escolhamos estudos que sejam verdadeiramente capazes de nos ajudar a percorrer os nossos objetivos de pesquisa.

A melhor forma de se chegar a esses materiais é por meio da busca sistematizada e do estado da arte.

Por que falar sobre o tópico das considerações finais?

Embora o grande temor por parte daqueles que submetem as suas propostas às revistas científicas ou aos seus programas de pós-graduação de mestrado ou doutorado sejam questões relacionadas à metodologia e/ou ao referencial teórico, dentre outros procedimentos que se encaixam nesses dois momentos da pesquisa, julgamos pertinente discorrer, hoje, sobre o tópico das considerações finais, pois, embora pareça simples, diversas pessoas, em suas práticas de pesquisa, acabando cometendo alguns erros por subestimarem esse momento final da produção em questão.

Muitas dessas pessoas têm sérios problemas relacionados com a estruturação desse tópico e, considerando essa dificuldade, iremos apresentar algumas dicas que poderão te auxiliar a estruturar melhor as ideias que perpassam pelo tópico das considerações.

Assim sendo, iremos apresentar cinco passos que podem te auxiliar nessa etapa.

Existe uma conclusão?

Existe uma conclusão?

A primeira coisa que você deve manter em mente quando conversamos sobre a conclusão é que, independentemente do tipo de trabalho que você está elaborando, seja ele mais curto ou mais longo, não existe uma conclusão definitiva.

Nenhum trabalho científico, por si só, consegue ser concluído, pois sempre deixarão uma lacuna ou uma inquietação, pois é isso, inclusive, que faz com que o conhecimento nunca se estagne.

Mantenha sempre em mente que nenhum conhecimento científico se esgota ao ponto de nunca mais precisar de um novo trabalho para discorrer sobre ele.

Devido à essa razão, tem se tornado cada vez mais raro que esse momento final de um estudo seja intitulado de conclusão, justamente porque um tema não pode ser concluído, ele sempre demandará novas investigações, e, assim, hoje, é muito mais comum o uso do termo considerações finais.

A ideia de considerações finais

A ideia de considerações finais

No momento das considerações finais, não devemos “concluir” esse tema, pois, como vimos, é impossível.

Assim sendo, o objetivo, neste capítulo, é a apresentação, em um primeiro momento, das suas impressões sobre o tema que foi investigado.

Contudo, você não pode, simplesmente, apresentar as suas impressões de leitura.

É preciso que haja certa ordenação ao apresentar esses dados.

O interessante de se apresentar nesse capítulo são os dados encontrados durante todas as etapas de desenvolvimento do seu estudo.

Para deixar um legado ainda maior à comunidade científica, você pode apresentar os principais resultados do seu estudo, e, ainda, é interessante dizer, também, quais os resultados que não puderam ser alcançados.

Isso é muito importante pois irá ajudar os pesquisadores futuros interessados na temática a identificarem as lacunas deixadas pelos estudos para proporem algo inovador.

A importância do resumo e das considerações finais

Ao longo de nossas conversas, temos enfatizado que nós temos a responsabilidade de facilitar a vida dos nossos leitores, pois, diariamente, somos abastecidos com novas informações e para que sejamos capazes de lidar com esse fluxo intenso de dados, é muito importante que nos coloquemos no lugar do pesquisador-leitor.

Existem dois elementos chave que fazem com que um leitor opte ou não por ler a nossa proposta até o fim: eles são o resumo estruturado, e, justamente, as considerações finais, uma vez que é impossível lermos todos os materiais sobre um assunto que devemos investigar na íntegra.

Assim como o resumo, julgamos que é bastante pertinente realizar a consideração final também de forma estruturada e sistematizada, pois o leitor deve ser capaz de identificar os principais resultados da sua pesquisa de forma rápida, ou, então, ele irá desistir da leitura da sua produção.

Quais as principais falhas das considerações atuais?

Um dos erros mais cometidos hoje pelos pesquisadores ao proporem as suas considerações finais diz respeito à apresentação dos resultados de forma genérica e que pouco diz sobre o que, de fato, foi feito no estudo em questão.

Com essas informações muito genéricas, sem muito aprofundamento, o leitor não consegue entender quais foram os principais achados, ou, ainda, as lacunas desse estudo no qual deseja se apoiar para construir a sua própria reflexão.

Para que consigamos propor uma consideração final que evite esse tipo de situação, é preciso que tenhamos um problema de pesquisa bem definido.

Um problema de pesquisa nada mais é do que aquele elemento que irá guiar tanto você, autor, quando o seu leitor em todas as etapas da pesquisa.

Esse problema pode ser social, de saúde, do mundo trabalho etc.

O que importante é que ele seja atual e relevante para o mundo em que vivemos.

A autonomia do material científico

Sem que o estudo parta de um problema de pesquisa, ele não consegue ter autonomia, e, dessa forma, não pode ser desenvolvido.

Mantenha em mente, também, que quando as pessoas buscam por um material científico elas sempre esperam refletir sobre e resolver um dado problema, e, para chegarem a essa resposta, precisam ver como esse problema tem sido enfrentado e debatido pelos mais diversos pesquisadores.

Assim sendo, antes de elaborar as suas considerações, e, na verdade, antes de começar a elaborar todos os capítulos e subcapítulos da sua proposta, volte ao problema de pesquisa.

É ele quem ditará os caminhos que devem ser percorridos em cada um desses tópicos, bem como ele irá te ajudar a perceber se esse problema está sendo, de fato, debatido em cada uma das etapas que propiciam o desenvolvimento da pesquisa.

A consideração final como uma resposta ao problema

O objetivo central desse momento conclusivo do seu estudo é oferecer uma resposta que você terá debatido durante todos os capítulos que dão forma ao seu estudo.

Lembre-se que essa resposta não pode ser genérica e superficial, reduzida a poucas linhas.

Caso você queira deixar ainda mais claro ao seu leitor, comece o tópico das considerações com a expressão “esse estudo teve como objetivo responder ao seguinte problema de pesquisa”.

Se o seu leitor não lembrava, agora ele terá certeza de onde você está partindo e o que está pretendendo responder com a sua investigação.

Após apresentar o problema, dispor sobre os principais resultados da pesquisa é o mais interessante. Na sequência, um outro processo se torna essencial: voltar aos seus objetivos.

Como sabemos, os objetivos nada mais são os caminhos que a nossa pesquisa percorrerá para responder ao problema de pesquisa delimitado.

A importância da retomada aos objetivos nas considerações

O mais interessante é que você elenque nas considerações finais cada um dos objetivos considerados pela sua pesquisa, pois é uma forma de deixar claro ao leitor quais foram os caminhos percorridos para responder esse problema.

É interessante, também, que você diga se esse objetivo foi ou não atendido, e, seja em caso afirmativo ou negativo, é muito importante que você apresente os motivos que fomentaram esse resultado.

É necessário que você seja honesto e, dessa forma, dizer quais foram as dificuldades encontradas pela pesquisa e quais foram os fatores que motivaram as lacunas que o seu estudo irá deixar é fundamental.

É recomendado, também, que haja considerações sobre a metodologia: se ela foi atendida e se foi suficiente para chegar aos seus resultados.

Problemas enfrentados com essa metodologia e as suas restrições também são cruciais, pois alertam o seu leitor acerca da sua eficiência ou não.

Como apresentar as limitações de pesquisa?

Como apresentar as limitações de pesquisa?

Um outro elemento bastante recorrente no tópico das considerações finais diz respeito às limitações e restrições da pesquisa.

As discussões destinadas a elas não costumam ser muito longas, mas, sem dúvidas, autores que as apresentam facilitam muito a vida dos seus leitores.

Grande parte das pessoas têm receio e medo de apresentar essas limitações, pois temem que a pesquisa seja vista como pouco relevante, contudo, essa prática é muito valorizada pela academia, pois é impossível, no desenvolvimento de um estudo, não deparar com, pelo menos, uma limitação.

Elas estão ligadas a questões sociais, tecnológicas, históricas, políticas, econômicas etc.

A cada ano a ciência se encontra mais moderna, contudo, ela apenas evoluiu porque está inserida em um contexto que propicia essa evolução, e, dessa forma, não temos pesquisas boas e ruins, mas sim estudos que eram relevantes sobretudo em um dado contexto.

Como saber qual é a minha limitação?

Todo estudo parte de um determinado contexto, de uma realidade, de um grupo, de um ano, de um espaço (seja ele físico ou virtual), e, desse modo, tudo aquilo que não se encaixa nesse contexto delimitado, acaba, de certa forma, sendo uma espécie de limitação, pois não se enquadram nos objetivos da pesquisa.

É justamente o fato de um mesmo problema pode ser enxergado de diferentes formas a partir de um determinado foco que faz com que várias respostas sejam possíveis, porém, apenas chegamos a essas respostas quando partimos de certos critérios.

Um outro pesquisador, ao ler o nosso estudo, pode partir de outros critérios, tendo um problema muito próximo ao nosso, o que, certamente, fará com que os seus achados de pesquisa sejam bastante diferentes.

A metodologia também influencia, pois a depender da abordagem, das técnicas e dos instrumentos de pesquisa, obteremos um certo resultado.

O ser humano de a sua vontade de “abraçar o mundo”

O ser humano de a sua vontade de “abraçar o mundo”

Não apenas na vida acadêmica, mas durante toda nossa vida, temos o hábito de achar que podemos fazer tudo e ao mesmo tempo.

Isso é humanamente impossível.

O mesmo ocorre com a pesquisa, pois como não conseguimos dar conta de todas as dimensões do assunto em investigação, deixamos lacunas, mas, muitas pessoas, não aceitam esse processo, que é natural, e ficam bastante frustradas.

Há quem diga, inclusive, que o seu trabalho esteve isento de todo e qualquer tipo de limitação.

Mesmo que tudo tenha transcorrido bem e que os problemas tenham sido mínimos, tenha certeza que, pelo menos, uma lacuna a pesquisa não terá sido capaz de responder.

Isso é muito importante pois irá fomentar estudos futuros.

Escreva a expressão “indicações para trabalhos futuros” e os apresente.

Essas indicações futuras conseguirão responder as suas lacunas de pesquisa.

Como destacamos, ao delimitarmos um universo a partir do qual a nossa pesquisa irá operar, automaticamente, estamos deixando de lado uma série de outras oportunidades e técnicas, que, certamente, acarretariam outros tipos de respostas e de andamento, o que faz com que tenhamos uma limitação.

Até mesmo nos capítulos mais teóricos podemos encontrar essas limitações.

Mesmo em uma única área do conhecimento, e, mais do que isso, em uma dada linha de pesquisa, teremos pessoas-autores que irão olhar para esse fenômeno de formas muito distintas, e, com isso, a depender das nossas escolhas, atribuímos uma determinada ênfase que poderia ser diferente caso autores que partem de outro ponto de vista tivessem sido considerados.

Nas indicações futuras, não deixe de propor outras teorias e métodos que julgar como pertinentes.


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