Análise econômica de milho convencional e transgênico no cerrado tocantinense

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/biologia/milho-convencional
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ARTIGO ORIGINAL

ECKARDT, Márcio [1], CARDOSO, Ila Raquel Melo [2], SILVA, Núbia Adriane da [3], PELUZIO, Joenes Mucci [4], AFFÉRRI, Flávio Sérgio [5]

ECKARDT, Márcio. Et al. Análise econômica de milho convencional e transgênico no cerrado tocantinense. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 01, Vol. 06, pp. 167-178. Janeiro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/biologia/milho-convencional, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/biologia/milho-convencional

RESUMO

Para definição de estratégias de produção de milho no cerrado brasileiro, é necessário conhecer o impacto da biotecnologia na produtividade e retorno financeiro, em diferentes cultivares convencionais e geneticamente modificadas. O presente trabalho foi realizado visando estudar a produtividade, os custos e o lucro ou prejuízo de milho transgênico e convencional na região central do estado do Tocantins. Foram realizados quatro ensaios de competição de cultivares de milho, sendo dois em Paraiso do Tocantins e dois em Palmas na safra 2018/2019. O delineamento experimental utilizado em cada ensaio foi de blocos ao acaso, com três repetições e doze tratamentos, sendo constituídos por seis cultivares convencionais e por seis cultivares transgênicas. Foram obtidos as produtividades, custos, receitas e lucro por cultivar em cada ensaio. A produtividade e o lucro foram influenciados pela tecnologia empregada na semente, com destaque para a cultivar convencional 5CHT, maior custo e a cultivar transgênica 7THT maior lucro. Ocorreu a tendência de maiores produtividades para cultivares transgênicas, porém, com oscilações nas combinações específicas entre ensaios e cultivares, reforçando a necessidade de estudos para o produtor adquirir sementes de cultivares indicadas ao ambiente de cultivo em sua propriedade.

Palavras-chave: Biotecnologia, custos, lucro, prejuízo, tecnologia de semente.

1. INTRODUÇÃO

Segundo Conab (2020a), o estado do Tocantins entregou como produtividade média para a safra 2018/2019 um total de 4.898 kg de milho por ha-1. É uma produtividade sustentada por técnicas biotecnológicas que têm sido desenvolvidas, buscando melhorias para a produção de milho resistente aos insetos e tolerante aos herbicidas, ou a combinação de ambos (MIGUEL; ESPERANCINI; GRIZOTO, 2014).

Para Vargas et al. (2019), isto é possível porque, com a utilização de plantas geneticamente modificadas, podem-se alcançar resultados positivos em incrementos de produtividade, aliados à redução no uso de pesticidas químicos e nos custos de produção.

Assim sendo, para que os agricultores possam potencializar os efeitos econômicos em sua atividade, o levantamento e a interpretação dos custos de produção, com a consequente avaliação das informações da receita, tornam-se ferramentas que possibilitam obter informações para a tomada de decisão sobre a atividade agrícola, e qual a cultivar a ser implantada pelo agricultor (ARTUZO et al., 2018).

Para Duarte et al. (2009), a teoria econômica preconiza que há, pelo menos, três efeitos na produção de um bem, sendo o efeito relacionado ao aumento da produtividade dos fatores de produção, à redução dos custos de produção e ao aumento da produção. Tal fator pode ser sentido na agropecuária de forma individual ou conjunta com o lançamento de uma nova cultivar geneticamente modificada, a qual, embora tenha sido anunciada como tecnologia capaz de aumentar a produtividade, tem apresentado como maiores efeitos na redução de custos e na diminuição das perdas frente outras cultivares.

Dessa forma, com a possível redução de custos de produção de milho motivada pelo avanço da biotecnologia, a identificação das possíveis diferenças de custos e o retorno financeiro entre cultivares convencionais e transgênicas na região central de Tocantins contribuem para a formação de banco de informações que possa auxiliar no desenvolvimento do agronegócio.

Nesse sentido, o presente estudo busca estabelecer uma análise econômica de cultivares de milho transgênicas e convencionais na região central do estado do Tocantins.

2. MATERIAL E MÉTODOS

Foram realizados quatro ensaios de competição de cultivares de milho na região central do estado do Tocantins, no norte brasileiro, sendo dois realizados em Paraíso do Tocantins – TO (ensaios um e três) e dois em Palmas (ensaios dois e quatro). As datas de plantio foram 5 de novembro de 2018 (primeira época; ensaios um e dois), e 12 de janeiro de 2019 (segunda época; ensaios três e quatro). Cada ensaio foi considerado um ambiente distinto, combinando localidade e época de semeadura.

A correção do solo foi realizada conforme necessidade apontada pelos resultados de análise de solo e recomendações agronômicas. A correção do solo foi realizada com calcário dolomítico três meses antes da semeadura da cultura.

O resultado da análise em Paraíso do Tocantins, situado a 10.268499, -48.887651 e a altitude de 411 m, apresentou como principais resultados pH em Cacl2 = 6,1; P(Melich) = 14,10 mg/dm3; K = 54,20 mg/dm3; Ca = 3,6 = cmolc/dm3; Mg = 0,8 cmol/cdm3; H+Al = 1,4 cmolc/dm3; MO = 1,6%, saturação bases = 76,43 e CTC = 5,94. Para a cidade de Palmas, situado a -10.176073, -48.358158 e altitude de 230 m, as características foram latossolo vermelho amarelo distrófico. pH em Cacl2 = 5,92; P=6,87 mg/dm3; K = 0,10 cmol/dm3; Ca = 1,22 cmolc/dm3; Mg = 0,56 cmol/cdm3; H+Al = 1,6 cmolc/dm3; MO = 1,01%, saturação bases = 54,02 CTC = 3,48

Para melhor entendimento do comportamento da cultura nas condições dos ensaios, foram monitoradas a temperatura e a precipitação pluviométrica, como pode ser observado nas figuras um e dois.

Figura 1: Precipitação pluvial e temperatura máxima diária para o período de novembro de 2018 a maio de 2019 para município de Paraiso do Tocantins

Fonte: Estação meteorológica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Tocantins, Campus Paraíso do Tocantins.

Figura 2: Precipitação pluvial e temperatura máxima diária para o período de novembro de 2018 a maio de 2019 para município de Palmas

Fonte: estação meteorológica do INMET, Palmas, Tocantins.

O delineamento experimental utilizado foi de blocos ao acaso com três repetições. Em cada experimento foram semeados 12 cultivares, sendo seis não transgênicos, tratados neste trabalho como convencionais, e seis geneticamente modificados, tratados neste trabalho como transgênicos.

Os cultivares convencionais foram codificados de 1 a 6, sendo: 1CHS (Convencional Híbrido Duplo), 2CV (Convencional Variedade), 3CV (Convencional Variedade), 4CV (Convencional Variedade), 5CHT (Convencional Híbrido Triplo), 6CHD (Convencional Híbrido Duplo).

Os cultivares transgênicos foram codificados de 7 a 12 sendo: 7THT (Transgênico Híbrido Triplo), 8THT (Transgênico Híbrido Triplo), 9THS (Transgênico Híbrido Simples), 10THS (Transgênico Híbrido Simples), 11THS (Transgênico Híbrido Simples), 12THS (Transgênico Híbrido Simples).

A parcela experimental foi composta por quatro linhas de 5 m de comprimento, espaçadas por 0,80 metros. Na colheita, foram utilizadas as duas linhas centrais, descartando-se 0,50 metros da extremidade de cada linha.

O preparo do solo foi realizado com duas gradagens nos quatro ensaios. A adubação de base foi de 400 kg de 4-14-8 por ha-1. O plantio foi realizado manualmente sendo que, após desbaste, foi estabelecida população de 50 mil plantas por ha-1. A adubação de cobertura foi realizada quando as plantas apresentavam de 4 a 6 folhas estendidas, sendo aplicados 100 kg de N (Nitrogênio) por ha-1, utilizando como fonte o sulfato de amônio.

Os tratos culturais foram realizados conforme a necessidade e recomendações técnicas da cultura.

Com base na área útil da parcela (duas fileiras centrais), foi obtido o peso de grãos a 13% de umidade de cada parcela, convertido para hectare. Os dados da produtividade de grãos, em cada ambiente, foram submetidos à análise de variância individual, análise de variância conjunta e, em seguida, ao teste de agrupamento de médias de Scott-Knott, ao nível de 5% de significância, utilizando o software SISVAR.

Para cada cultivar, em cada ambiente foi calculado o custo de produção (CP), a receita bruta (RB) e o lucro ou prejuízo (LP).

A fim de estimar o custo de produção (U$$ Kg.ha-1) para cada cultivar, conforme Tabela 1, foi utilizada a soma dos valores dos fatores de produção (equação 1) disponibilizados pela Conab (2020b) para a região do experimento, referente ao custeio da lavoura, despesas administrativas, despesas financeiras, custo de oportunidade, depreciações e manutenção da propriedade. Nesta soma de fatores, foram excluídos os valores de inseticidas sementes e fertilizantes, que foram substituídos pelos seus valores encontrados no experimento. Após a totalização, os valores foram transformados em dólar, conforme cotação de outubro de 2018, época de aquisição dos insumos.

Onde: CP = custo de produção. f = fatores de produção.

O custo de produção segundo Nachiluk e Oliveira (2012) é composto por custos diretos, como mão de obra, materiais, operações de máquinas, e custos indiretos, como mão de obra indireta, depreciação de máquinas e construções, administração, serviços, custo de oportunidade, entre outros.

A receita bruta (RB) (U$$ Kg.ha-1) foi obtida multiplicando o valor da saca de milho, divulgado pelo Cepea (2020) relativo a maio de 2019, fixado em US$ 11,40, pela produtividade de cada cultivar (kg.ha-1), conforme equação 2.

Onde: RB = receita bruta. VS = valor da saca. PC = produtividade da cultivar.

Segundo Oliveira Neto e Faria (2019), receita bruta é a multiplicação dos preços pela quantidade vendida, faturada pelos produtores ao longo do processo de comercialização de sua colheita.

A diferença entre a RB e o custo de produção (CP) de cada cultivar, em cada ensaio, resultará em luco ou prejuízo (LP) em U$$ Kg.ha-1, conforme Equação 3.

Onde: LP = lucro ou prejuízo. RB = receita bruta. CP = custo de produção.

Tabela 1: Composição de custo em US$ por ha-1 de cultivares de milho no estado do Tocantins, Safra 2018/2019

Cultivares CONAB* Semente Inseticida Fertilizantes Total
1CHS 278,71 116,98 48,13 451,87 895,69
2CV 278,71 78,21 48,13 451,87 856,92
3CV 278,71 50,80 48,13 451,87 829,52
4CV 278,71 49,02 48,13 451,87 827,74
5CHT 278,71 131,02 48,13 451,87 909,73
6CHD 278,71 74,87 48,13 451,87 853,58
7THT 278,71 85,56 451,87 816,15
8THT 278,71 173,13 451,87 903,71
9 THS 278,71 86,36 451,87 816,95
10 THS 278,71 154,01 451,87 884,60
11 THS 278,71 83,42 451,87 814,01
12 THS 278,71 115,51 451,87 846,09
CPc 862,19
CPt 846,91

*Adaptado (CONAB 2020b). Cmc = Custo produção convencionais. Cmt = Custo produção transgênicos.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise de variância conjunta dos ensaios apresentou efeito significativo para cultivar e ensaio e não significativo para a interação cultivar x ensaios (Tabela 2), indicando comportamento não diferenciado das cultivares ao longo dos ensaios experimentais.

O coeficiente de variação (CV) foi de 17,4%, indicando precisão adequada na condução dos experimentos em campo (SCAPIM; CARVALHO; CRUZ, 1995).

Tabela 2: Resumo da análise de variância conjunta para produção de grãos (Kg.ha-1), de cultivares de milho, em quatro ensaios no Estado do Tocantins, Safra 2018/2019

Fonte de variação GL Quadrado médio Teste F
Cultivar 11 8913796 **
ensaios 3 52672235 **
Interação Cult*ensaios 33 894320 NS
Resíduo 88 1023842
CV (%) 17,4
Média (Kg ha-1) 5815

NS;** = não significativo e significativo, respectivamente, a 1% de probabilidade pelo teste F.

Como observado na Tabela 3, o comparativo entre as médias de cultivares convencionais demonstra que duas variedades (sem hibridação), nas condições do experimento, tiveram menor produtividade, resultando em duas (2CV e 4CV) das três variedades entregarem RF negativo e comporem o grupo inferior estatisticamente para produtividade.

Tabela 3: Produtividade em kg.ha-1 (Prod), lucro ou prejuízo em US$ por hectare (L/P), em quatro ensaios no estado do Tocantins. Safra 2018/19

Primeira Safra Segunda Safra Média Ensaios
Cultivar Ensaio 1 Ensaio 2 Ensaio 3 Ensaio 4
Prod. LP Prod. LP Prod. LP Prod. LP Prod. LP
1CHS 5377 126 6999 434 7391 509 5134 80 6225 a 287
2CV 4471 -7 4639 24 5107 113 3428 -206 4411 c -19
3CV 5657 245 7623 619 6068 323 4822 87 6043 a 319
4CV 3443 174 4558 38 6309 371 2392 -373 4176 c -34
5CHT 5906 212 7549 525 7604 535 4987 38 6512 a 328
6CHD 5602 211 8295 722 6122 310 4645 29 6166 a 318
7THT 6094 342 8592 816 7361 582 5230 178 6819 a 479
8THT 4799 8 6629 356 6260 286 4526 -44 5553 b 151
9THS 4394 18 7423 593 6157 353 4025 -52 5500 b 228
10THS 4594 -12 6615 372 5330 128 4375 -53 5228 b 109
11THS 5884 304 8241 752 7272 568 5158 166 6639 a 447
12THS 6169 326 7976 669 7270 535 4635 35 6512 a 391
Média geral ensaio 5199 c 133 7095 a 493 6521 b 384 4446 d 10 5815 250
Média convencionais 5589 b 200
Média transgênicas 6042 a 301

Prod. = Produtividade. L/P = Lucro ou prejuízo.

Valores de produtividade seguidos da mesma letra minúscula, para média de ensaios e para coluna de média de cultivares, pertencem ao mesmo grupo estatístico, pelo teste de Scott-Knott a 5% de significância.

O prejuízo das cultivares variedade sem hibridação ou transgenia, pode ser explicado pela proximidade de custos de produção entre as cultivares (Tabela 1) e o baixo potencial de produção de cultivares variedade. Ressaltando-se que das 12 cultivares testadas foram as duas únicas com prejuízo, apesar de terem seu custo de produção superior ou próximo das cultivares significativamente com maior produtividade.

Resultado semelhante encontrado por Souza et al. (1993) que, ao estudarem milhos híbridos e variedade, afirmam que a cultivar de milho híbrido proporciona um maior retorno em termos de receita líquida por hectare do que as variedades.

O que também apontam Balbinot Jr. et al. (2005) e Von Pinho et al. (2009) ao apontar que, em geral, as variedades de polinização aberta apresentam menor potencial de rendimento e são menos responsivos à melhoria do manejo e, portanto, com menor potencial produtivo de grãos em relação aos híbridos.

Entre as cultivares híbridas, quer seja ela convencional ou transgênica, nenhuma apresentou prejuízo ou foi incluída no grupo inferior estatisticamente, indicando, como ocorrido nesta pesquisa, o risco de escolher uma variedade (sem hibridação), sem conhecer seu comportamento no ambiente onde será cultivada, demonstrando a importância desta pesquisa para os produtores.

Para as cultivares transgênicas, a cultivar 7THT, representante do grupo estatístico superior, entregou a maior valor na produtividade (6819 kg.ha-1) e maior lucro (U$$ 479,00), mesmo tendo custo de produção inferior (Tabela 1). Indicando a importância do uso de tecnologia na semente, que traz bons resultados financeiros e na produtividade. Estes resultados apontam para a necessidade de atenção por parte dos produtores no momento da escolha da cultivar correta para o ambiente de cultivo e a tecnologia que será empregada.

Quando comparadas cultivares convencionais e transgênicas, é revelada uma maior média para as cultivares 7THT (6819 kg.ha-1) com o custo de U$$ 816,15 e a cultivar 1CHS (6225 kg.ha-1) com o custo de U$$ 895,69, pouco comum, mas é perceptível que a cultivar transgênica obteve custo menor de semente em relação à convencional e obteve maiores valores em produtividade e lucro, sendo U$$ 192,00 mais lucrativa que a cultivar convencional.

Em comparativo geral, as cultivares transgênicas obtiveram maiores valores para o lucro em relação às convencionais (US$ por hectare), ressaltando-se que de modo geral, estas cultivares transgênicas se destacaram nos ensaios e na média dos mesmos.

Duarte et al. (2009) apontam que, na produção de novas cultivares a partir de transformações genéticas, tem incorporado a redução de custos de produção e a redução de predas causadas por agente nocivo a cultura, o que pode acarretar um maior rendimento financeiro.

Entretanto, quando comparadas as médias de produtividade das cultivares com a produtividade média do milho no estado do Tocantins (4898 kg por ha-1), conforme Conab (2020a), apenas as cultivares convencionais 2CV (4411 kg.ha-1) e 4CV (4176 kg.ha-1) apresentaram produtividade média inferior à média estadual.

É importante chamar atenção que, entre as três cultivares variedade, a cultivar 3CV com 6043 kg.ha-1 está entre o grupo superior estatisticamente apontando para necessidade e importância de estudos de avaliação de cultivares em ambientes distintos visando incremento de produtividade e lucratividade, mesmo com o uso de variedades convencionais.

Quando comparados os ensaios, verifica-se uma maior produtividade e o maior lucro no ensaio dois (Palmas, plantio 05/11), seguido pelo ensaio três (Paraiso, plantio 12/01), sendo que no ensaio dois as cultivares transgênicas obtiveram suas maiores produtividades e, por fim, os maiores lucros. O ensaio quatro (Palmas, plantio 12/01) tem o maior número de cultivares que apresentaram prejuízo, com destaque para a cultivar com maior prejuízo, 4CV com U$373 negativos. Estes resultados são provavelmente explicados pela influência do clima, principalmente pela baixa precipitação conforme pode ser verificado nos gráficos um e dois, aliado à menor fertilidade do solo (V%=54).

Ao comparar em média as cultivares transgênicas com as convencionais, considerando a média dos ensaios estudados, as cultivares transgênicas produziram com superioridade de 453 kg.ha-1 e entregaram lucro de U$$101,00 a mais do que a média das cultivares convencionais, o que apontou, nesta pesquisa, para a vantagem de biotecnologia empregada na semente.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

  1. O lucro foi influenciado pela tecnologia empregada na semente, com tendência de maior produtividade e retorno financeiro para cultivares transgênicas, porém com oscilações nas combinações específicas entre ensaios e cultivares.
  2. Em média de produtividade e retorno financeiro, as cultivares 1CHS, 3CV, 5CHT, 6CHD, 7THT, 11THS e 12THS se destacaram, sendo destas 4 convencionais e 3 transgênicas, presentes no grupo estatístico superior para produtividade.
  3. A ocorrência de variações na produtividade e retorno financeiro de cultivares transgênicas ou convencionais, nos diferentes ensaios requer que o produtor recorra a sementes de cultivares indicadas ao ambiente de cultivo em sua propriedade.
  4. A cultivar convencional 5CHT apresentou maior custo de produção entre as estudas.

REFERÊNCIAS

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[1] Doutorando em Biodiversidade e Biotecnologia. Mestrado em Agroenergia. Especialização em Engenharia de Produção com Ênfase em Gestão. Especialização em Gestão Agroindustrial. Bacharel em Administração com habilitação em Administração Rural.

[2] Doutoranda em Biotecnologia e Biodiversidade, Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, Graduação em Engenharia de Alimentos.

[3] Doutoranda em Engenharia Produção e Sistemas, Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas, Especialização em Docência Universitária. Graduada em Administração com Habilitação em Administração Rural.

[4] Orientador. Doutorado em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa, mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa, Graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa.

[5] Doutorado em Agronomia (Agricultura – Melhoramento de Plantas: Adaptabilidade e Estabilidade de Cultivares Comerciais). Mestrado em Agronomia (Genética e Melhoramento de Plantas). Graduado em Engenharia Agronômica pela UNESP – Botucatu (1991).

Enviado: Dezembro, 2020.

Aprovado: Janeiro, 2021.

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