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Habitação Estudantil: Arquitetura e sua Contribuição na Vida dos Acadêmicos da UNIOESTE de Francisco Beltrão

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Habitação Estudantil: Arquitetura e sua Contribuição na Vida dos Acadêmicos da UNIOESTE de Francisco Beltrão
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PARISOTTO, Carolina Facchi [1], PAGNO, Daniele Kunz [2]

PARISOTTO, Carolina Facchi; PAGNO, Daniele Kunz. Habitação Estudantil: Arquitetura e sua Contribuição na Vida dos Acadêmicos da UNIOESTE de Francisco Beltrão. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 07, Vol. 06, pp. 82-106, Julho de 2018. ISSN:2448-0959

Resumo

Com o passar dos anos, o número de alunos que saem de suas cidades em busca do conhecimento e formação no ensino superior tem se multiplicado. Muitas vezes esses estudantes precisam escolher entre encontrar um local próximo a universidade, que geralmente encontra-se em áreas mais afastadas da cidade ou um local que não seja de alto custo financeiro. Nesse sentido, faz-se necessário a criação de um ambiente totalmente voltado a esses estudantes, para que possam exercer suas atividades e possuir um local acolhedor para moradia. Este trabalho busca realizar um estudo teórico e projetual para o desenvolvimento de uma Habitação Estudantil para o Campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, localizada no município de Francisco Beltrão – Paraná. A habitação estudantil de Francisco Beltrão buscará atender os conceitos de conforto ambiental contribuindo para o desempenho do edifício. O presente trabalho tem como intuito elaborar um edifício para abrigar e oferecer aos universitários um ambiente agradável, que proporcione integração entre os mesmos, para que estes estudantes possam sentir-se em casa e viver em sociedade.

Palavras-chave: Habitação Estudantil, Conforto Ambiental, Integração.

1. Introdução

O interesse por estudar este tipo de habitação surgiu perante a realidade que muitos estudantes vivem atualmente. Estes saem de suas cidades em busca do conhecimento e o meio em que vivem pode afetar diretamente nos resultados acadêmicos. Devido a grande demanda de estudantes que todos os anos se deslocam para a cidade de Francisco Beltrão, tem-se a necessidade de um local adequado para moradia.

Esta pesquisa visa o desenvolvimento do estudo teórico de uma habitação estudantil na cidade de Francisco Beltrão. Tem como principal objetivo estudar e compreender as necessidades dos estudantes, tais como: um ambiente com segurança, preço acessível, localização próxima à universidade e, ao mesmo tempo, que permita aos usuários viver em sociedade.

Habitações estudantis são muito comuns em outros países, porém, projetar e construir edifícios voltados apenas para moradia de estudantes universitários no Brasil ainda não é uma prática muito utilizada. A cada ano que passa, a cidade de Francisco Beltrão recebe mais alunos vindos de outras cidades e estados, cujo principal objetivo é a formação no ensino superior. No entanto, ainda faltam locais adequados e com valor razoável para moradia desses estudantes.

Além dos alunos, toda a população ao redor tem um ganho com esse tipo de habitação, pois as universidades geralmente estão instaladas em áreas afastadas da cidade que não são tão frequentadas e, com a construção da habitação estudantil, haverá um aumento na circulação de pessoas, trazendo mais segurança aos que transitam pelo bairro. Deste modo, torna-se viável uma edificação totalmente dedicada aos estudantes, para que estes possam desenvolver suas atividades da melhor maneira possível e viver em sociedade.

2. Objetivo

Este trabalho tem como principal objetivo desenvolver, através de um estudo teórico e projetual, um alojamento estudantil para a cidade de Francisco Beltrão, que visará identificar e suprir as necessidades dos usuários, projetar uma moradia de baixo impacto ambiental, desenvolver um espaço que seja atrativo e confortável para os universitários exercerem suas atividades e oferecer a um número maior de estudantes habitação próxima a universidade.

3. Metodologia

A pesquisa busca o desenvolvimento de um estudo teórico, com a finalidade de contribuir para a execução de uma Habitação Estudantil em Francisco Beltrão. Pode ser dividida em partes:

Primeiramente, com base em livros, artigos, revistas e documentos disponíveis na internet, para melhor entendimento sobre o que é Habitação Estudantil e de qual maneira esta pode influenciar positivamente nos resultados acadêmicos dos usuários.

Posteriormente, serão realizados estudos de caso onde serão analisados aspectos formais, funcionais, estéticos e compositivos, construtivos e tecnológicos.

Em seguida, será feita uma análise do terreno escolhido para a construção do edifício. Após esta etapa, pode-se dar início a elaboração do programa de necessidades da Habitação Estudantil.

Em seguida, o estudo para a realização do anteprojeto será iniciado, com o auxílio de softwares, como “AutoCad” e “SketchUp”. Por fim, serão desenvolvidas plantas baixas e demais itens fundamentais do anteprojeto.

4. Levantamento bibliográfico

4.1 O surgimento das habitações estudantis

Segundo CASTELNOU (2005 apud MARTINS, 2014 p. 16), entre os séculos XI e XII, surgiram na Europa as primeiras universidades e, com elas, os alojamentos para os estudantes.

De acordo com os dados do site da COIMBRA (2007), de Portugal, no século XIV teve origem das moradias estudantis. Quando D. Dinis[3], mediante ao pagamento de aluguel, ordenou a construção para habitações destinadas aos estudantes.

No Brasil, de acordo com COSTA e OLIVEIRA (2012 apud MARTINS, 2014 p. 17), com o início do Ciclo da Mineração, entre os anos 1850 e 1860 em Ouro Preto, surgiu a primeira moradia estudantil. Como era exigida mão de obra qualificada, foi criada a Escola de Minas de Ouro Preto, juntamente com uma moradia para abrigar os alunos.

Para LARANJO e SOARES (2006 apud OSSE, 2008 p. 36), no Brasil somente após a década de 60 que a população mais carente passou a ter a oportunidade de estudar nas universidades. OSSE (2008) aponta que muitos jovens deixavam suas cidades e famílias em busca da formação no ensino superior.

De acordo com SOUSA (2005 apud OSSE, 2008 p. 36), muitos jovens encontravam dificuldades financeiras para estudar, juntamente com as invasões e mortes do regime militar. As instituições de ensino assumiram a responsabilidade de colaborar com os alunos durante o período que estivessem estudando.

4.2 Secretaria nacional de casas do estudante

No ano de 1929 foi fundada a Secretaria Nacional de Casas de Estudante, com intuito de promover movimentos locais revogando a regulamentação e ampliação de moradias estudantis.

Segundo a Secretaria Nacional de Casas de Estudante (2011), existem três tipos básicos de moradia estudantil:

“Residência Estudantil é a moradia de propriedade das instituições de ensino superior e/ou das instituições de ensino secundaristas públicas. Casas autônomas de estudantes é a moradia estudantil administrada de forma autônoma, segundo estatutos de associação civil com personalidade jurídica própria, sem vínculo com a administração de instituição de ensino superior ou secundarista. República estudantil: é o imóvel locado coletivamente para fins de moradia estudantil. ” (SENCE, 2011).

5. Estudos de caso

5.1 Alojamento estudantil na Ciudad del Saber – Panamá

Como estudo de caso, tem-se como exemplo o projeto vencedor do concurso Propuestas de Diseño para edifícios em La Ciudad Del Saber. O interesse por este edifício surgiu mediante aos métodos bioclimáticos utilizados no projeto, além dos aspectos formais e funcionais da edificação. As informações apresentadas foram retiradas dos sites Archdaily[4], Galeria da Arquitetura[5].

O alojamento está situado na Cidade do Panamá, no Panamá, o projeto teve início no ano de 2008 pelos arquitetos Fabio Kassai, Juliana Garcias, Eduardo Crafig, Gabriela Gurgel e Marcio Henrique Guarnieri do escritório “[SIC] Arquitetura”. A área total do terreno onde o edifício está localizado é de 7.000 m² e possui 4.461 m² de área construída. O projeto iniciou-se de tal modo que preservasse a vegetação já existente no terreno. No sentido transversal do terreno, foram implantados os nove blocos dos alojamentos, paralelos, formando pátios entre si.

Uma passarela interliga todos os blocos de forma estratégica, servindo como circulação. Para a preservação da vegetação já existente no terreno, o edifício foi dividido em nove blocos, cada um contendo dois pavimentos. O pavimento térreo conta com espaços de uso compartilhado para os usuários, incluindo sala de estar, café, auditório, lavanderia, sala de leitura e reuniões. Elevados por pilotis, no primeiro e segundo pavimentos estão localizados os alojamentos. No total, são 200 quartos que podem ser individuais, duplos ou triplos.

Figura 01 – Áreas internas. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 01 – Áreas internas. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

Garantindo a acessibilidade, foi projetada uma rampa para possibilitar o acesso dos ambientes que estão no térreo e, na praça, estão localizados os elevadores. Além destes, existem conjuntos de escadas que levam aos alojamentos. A edificação apresenta um design diferenciado e moderno: como são vários pequenos blocos unidos por uma circulação comum, tem-se a vantagem da ventilação natural, com grandes aberturas que são protegidas da chuva e do sol, proporcionando também uma boa iluminação. Com a utilização da arquitetura bioclimática implantada no edifício, o mesmo conta com espaços mais agradáveis para os usuários. Como por exemplo, tem-se os dormitórios que possuem painéis de correr que, quando abertos tornam-se varandas, ideais para o clima equatorial.

Figura 02 – Vista do dormitório. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 02 – Vista do dormitório. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

Os arquitetos deixaram o térreo em aberto para ser usado materiais como concreto, ou piso cimentado por serem considerados um material mais rústico. Por facilitar a ventilação natural e otimizar a entrada de luz nos ambientes, as fachadas dos blocos foram compostas por painéis corrediços com áleas perfuradas.

Figura 03– Vista dos pilares. Fonte: Archdaily, 2015.
Figura 03– Vista dos pilares. Fonte: Archdaily, 2015.

Na cobertura foi sugerido a utilização de painéis para captar a energia solar, que fica armazenada em acumuladores tipo ‘boiler’ e pode ser usada no aquecimento da água.

5.2 Moradia de estudantes na cidade universitária Le Havre – França

O segundo estudo de caso é sobre a moradia de estudantes na cidade universitária Le Havre, também conhecido como Cité a Docks. A escolha desse edifício se deve pelo fato desta habitação ter sido construída com containers usados, promovendo a reutilização deste material. As informações apresentadas foram retiradas dos sites Estúdio.127[6], Sustentarqui[7], PA | 2[8] e Plataforma Arquitectura[9].

A moradia de estudantes está localizada em Le Havre, na França e foi projetado pelo escritório Cattani Architects. O edifício possui quatro andares e ao todo são cem unidades habitacionais de 24 m². Nas fachadas externas as ondulações naturais dos containers foram preservadas e pintadas no tom cinza metálico. Cada unidade habitacional possui um quarto/sala, banheiro e cozinha, possuem móveis de madeira e as paredes são brancas.

Figura 04 – Planta baixa do dormitório. Fonte: Sustentarqui, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 04 – Planta baixa do dormitório. Fonte: Sustentarqui, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

A principal ideia do projeto era evitar com que os usuários tivessem a sensação de estarem presos dentro de uma caixa. Por isso, pátios e calçadas foram criados de modo que interligassem os blocos. Nas extremidades dos apartamentos estão as paredes de vidro, permitindo a ventilação natural. Os moradores podem usufruir da imagem dos jardins internos que cada unidade habitacional oferece.

Figura 05 – Imagem da edificação. Fonte: Plataforma Arquitectura, 2010.
Figura 05 – Imagem da edificação. Fonte: Plataforma Arquitectura, 2010.

Para garantir o conforto dos usuários, paredes adjacentes foram utilizadas para divisão dos apartamentos, além de camadas de borracha para amortecer as vibrações, revestidas com material isolante de 40 centímetros de largura. A solução estrutural para suporte dos containers foi a utilização de uma armação de metal. Essa estrutura possibilita que cada unidade seja identificada. Os corredores que dão acesso para as unidades habitacionais criam espaços vazios que compõem o visual da edificação.

5.3 Projeto finalista do concurso para a moradia estudantil UNIFESP – São José dos Campos

Este estudo de caso é sobre o projeto que ficou em segundo lugar do concurso para a moradia estudantil da UNIFESP, faculdade de São José dos Campos. As informações apresentadas foram retiradas do site ArchDaily[10].

O espaço destinado para esta habitação está localizado na Alameda-Parque, rua interna criada pela prefeitura de Osasco para o Campus da UNIFESP. O projeto foi desenvolvido pelo escritório Projeto Paulista de Arquitetura, em 2014, e o intuito dos autores do projeto era proporcionar aos usuários um convívio com a natureza.

Figura 06 – Imagem do edifício. Fonte: Archdaily, 2015.
Figura 06 – Imagem do edifício. Fonte: Archdaily, 2015.

Como área coletiva, foi projetado um espaço de uso coletivo geral, que se resume em um pátio descoberto que abriga uma escada-arquibancada, cuja finalidade é proporcionar conforto para os usuários em dias de apresentações. Nesta mesma área, também se encontra a praça ajardinada. A área íntima é composta pelos dormitórios. Estes estão situados no sentido norte e leste da edificação e são distribuídos da seguinte maneira: quartos individuais, duplos e quartos família. Em um bloco estão apenas os quartos individuais e alguns quartos duplos, no outro somente encontra-se as unidades de quartos duplos. Na parte da edificação que está situada no nível mais alto do terreno estão os quartos para famílias.

Figura 07 – Planta baixa quarto individual. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 07 – Planta baixa quarto individual. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 08 – Planta baixa quarto duplo e quarto duplo adaptado. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 08 – Planta baixa quarto duplo e quarto duplo adaptado. Fonte: Archdaily, 2015. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

Foram utilizadas na edificação estratégias de conforto ambiental, buscando a economia de energia. Nas circulações, foram instalados brises fixos em chapas expandidas e, nos demais ambientes, predomina a iluminação natural e ventilação cruzada.

6. Estudo referencial

6.1 Fachadas dinâmicas

Os painéis de madeira podem ser considerados uma solução construtiva sustentável, pois auxiliam no conforto térmico da edificação. Além disso, transforma diariamente a fachada do edifício, pois ela muda conforme a posição dos painéis, que podem ser posicionados de acordo com a necessidade do usuário para evitar a incidência solar. Suas principais aplicações são em edifícios habitacionais e em fachadas ventiladas.

Figura 09 – Painéis de madeira. Fonte: Archdaily, 2015.
Figura 09 – Painéis de madeira. Fonte: Archdaily, 2015.

7. Diagnóstico

7.1 Breve histórico do município

Não considerando os índios, os primeiros habitantes da área central da futura cidade que se tem registros foram Luiz Antônio Faedo, Sebastião Muller e Francisco Comunello. Em 1941, Sebastião Muller chegou na cidade e, em 1945, vendeu seu rancho e suas terras que ficavam próximas à futura rodoviária para Luiz Antônio Faedo e mudou-se para onde atualmente encontra-se o bairro Miniguaçu (FRANCISCO BELTRÃO, 2015). Entre os anos 1943 a 1948 ficou instalada em Pato Branco a CANGO (Colônia Agrícola Nacional General Osório). Neste período foi construída a ponte sobre o Rio Marrecas. Somente em abril de 1948, a CANGO instalou-se na margem esquerda do rio, nos pavilhões que foram cedidos a unidade do Exército e que, atualmente, ainda são preservados (FRANCISCO BELTRÃO, 2015). Em 14 de novembro de 1951, foi assinada pelo governador Bento Munhoz da Rocha Neto, a lei estadual 790, transformando o distrito de Francisco Beltrão em município. (FRANCISCO BELTRÃO, 2015)

7.2 Características gerais do município

O município de Francisco Beltrão está localizado na região Sudoeste do estado do Paraná, a uma altitude de 570 metros, latitude 26 º 04 ‘ 52 ” S e longitude 53 º 03 ‘ 18 ” W (IBGE, 2017 apud Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social – IPARDES, 2017).

Figura 10 – Localização de Francisco Beltrão no estado do Paraná. Fonte: Prefeitura de Francisco Beltrão, 2017; Google Maps, 2017. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 10 – Localização de Francisco Beltrão no estado do Paraná. Fonte: Prefeitura de Francisco Beltrão, 2017; Google Maps, 2017. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

Segundo dados do ITCG-PR e SEIL-PR (2017, apud IPARDES, 2017), a cidade possui extensão territorial de 731 km² e fica a aproximadamente 474 km da capital do estado, Curitiba.

7.3 Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) – CAMPUS DE FRANCISCO BELTRÃO

De acordo com dados do IPARDES (2017) o número de matrículas na educação superior presencial até o ano de 2016 era de 6.610   alunos.

Tabela 1 – Cursos da UNIOESTE. Fonte: IPARDES, 2017. (Tabela desenvolvida pela autora do trabalho)
Tabela 1 – Cursos da UNIOESTE. Fonte: IPARDES, 2017. (Tabela desenvolvida pela autora do trabalho)

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná está presente na cidade de Francisco Beltrão desde 1997 (UNIOSTE, 2017). Está localizada na Rua Maringá, Bairro Vila Nova. A universidade oferece uma grande variedade de cursos, em diferentes períodos, como pode ser observado na tabela a seguir:

Tabela 2 – Cursos da UNIOESTE. Fonte: UNIOESTE, 2017. (Tabela desenvolvida pela autora do trabalho)
Tabela 2 – Cursos da UNIOESTE. Fonte: UNIOESTE, 2017. (Tabela desenvolvida pela autora do trabalho)

7.4 Escolha e análise do terreno

O campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná de Francisco Beltrão encontra-se em um bairro nobre do município. Optou-se por este terreno por ser de fácil acesso e pela localização privilegiada, pois está próximo do Centro da cidade e de outras universidades. O terreno escolhido para implantação do projeto é plano e está localizado nas ruas Maranhão, Maringá e Pernambuco, situado na quadra 0103, lote 0010, Bairro Vila Nova.

A fachada principal do terreno mede 88m e está voltada para a Rua Maranhão, esquina com a Rua Maringá, cuja fachada lateral mede 87,35m. No entorno da área escolhida para implantação do projeto existem áreas comerciais compostas por farmácias, posto de combustível, padaria, supermercado, restaurantes, lotérica, lojas no geral e as ruas são todas asfaltadas.

Figura 11 – Mapa de localização do terreno. Fonte: Google Maps, 2017. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 11 – Mapa de localização do terreno. Fonte: Google Maps, 2017. (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

7.5 Estudo de insolação

A fachada Sul faz divisa com a Rua Maringá. Deste modo, o edifício foi implantado propositalmente, para que nenhum dos apartamentos possuíssem aberturas no sentido desta orientação. A fachada voltada para a Rua Maranhão está localizada na orientação Norte, e a que está para a Rua Pernambuco encontra-se na orientação Oeste. Deste modo, os apartamentos possuem aberturas voltadas para as orientações Leste e Oeste.

Os painéis de madeira que foram implantados na edificação têm a finalidade de bloquear a incidência solar sempre que os usuários sentirem necessidade.

Figura 12 – Estudo de insolação e ventilação. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 12 – Estudo de insolação e ventilação. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)

7.6 Estudo de ventilação

De acordo com os dados obtidos através do programa Sol-Ar, durante o outono e o inverno os ventos com velocidade predominante sopram para o norte. Durante a primavera e o verão, sopram na orientação sudoeste. (Figura 12)

7.7 Condicionantes Legais

De acordo com a Lei nº 3384/07 – Zoneamento do Uso e Ocupação do Solo Urbano, o terreno analisado encontra-se na ZC (Zona Central), conforme Mapa de Zoneamento de Francisco

Figura 13 – Mapa de Zoneamento. Fonte: Prefeitura de Francisco Beltrão, 2017; (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)
Figura 13 – Mapa de Zoneamento. Fonte: Prefeitura de Francisco Beltrão, 2017; (Imagem alterada pela autora do projeto no programa Corel Draw)

O capítulo III da Lei nº 3384/07 explica que a zona central tem destino ao exercício do comércio e a prestação de serviços. A proposta da Habitação Estudantil de Francisco Beltrão encaixa-se na categoria prestação de serviços por ser uma obra patrocinada pelo governo, sem fins lucrativos.

8. Proposta

Diante dos dados apresentados, tem-se a proposta arquitetônica da Habitação Estudantil de Francisco Beltrão.

8.1 Conceito e diretrizes projetuais

Um dos objetivos da Habitação Estudantil de Francisco Beltrão é a socialização do estudante. A partir disso, o conceito utilizado para a elaboração do projeto é a integração. Isso possibilitou um edifício com ambientes onde os usuários possam aproveitar os seus momentos de lazer junto uns com os outros.

Painéis de madeira foram utilizados na composição da fachada, além de contribuir com o conforto térmico e acústico do edifício e oferecer sensação de aconchego aos moradores. Estes painéis são móveis e posicionados de acordo com a necessidade do usuário, proporcionando assim um visual diferente e único para a edificação. Na composição formal do edifício, foram usadas linhas retas com intuito de possuir ambientes mais contemporâneos.

Figura 14 – Habitação Estudantil. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 14 – Habitação Estudantil. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 15 – Painéis de madeira. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 15 – Painéis de madeira. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)

8.2 Implantação

O terreno escolhido está localizado no bairro Vila Nova. A área total do terreno em que a habitação estudantil foi projetada é de 7671 m², e possui 1058,90 m² de área construída. O edifício será implantado no terreno de modo que todas as ruas tenham acesso ao café e também à biblioteca da habitação estudantil, que serão abertos para uso de toda população.

Figura 16 – Implantação. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 16 – Implantação. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)

8.3 Ambientes internos

No pavimento térreo estão localizados os espaços abertos para os usuários, que contém café, pátio interno, biblioteca com acesso para a sala de estudos, setor administrativo e os espaços restritos para os funcionários.

Figura 17 – Biblioteca/Sala de estudos. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 17 – Biblioteca/Sala de estudos. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)

No primeiro pavimento encontra-se uma área voltada para exposições e também os espaços responsáveis pela interação entre os moradores, sendo estes: saguão multiuso, salão de jogos e salão de festas para os momentos de lazer. Neste pavimento temos um acesso interno para a sala de estudos e também para a lavanderia coletiva e estendal, para uso dos usuários.

Com o intuito de atender os usuários da melhor maneira possível, foram projetadas três tipologias de apartamentos: apartamentos duplos, apartamentos para até quatro pessoas e apartamentos acessíveis para usuários portadores de necessidades especiais.

No terceiro, quinto, sétimo e nono pavimentos encontram-se os apartamentos acessíveis e os apartamentos tipo 1, para dois moradores.

Figura 18 – Apartamento tipo 1. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 18 – Apartamento tipo 1. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 19– 3D interno do quarto. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 19– 3D interno do quarto. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)

No segundo, quarto, sexto, oitavo e décimo pavimentos estão os apartamentos tipo 2, que pode ser dividido entre até quatro pessoas.

Figura 20 – Apartamento tipo 2. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 20 – Apartamento tipo 2. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 21 – 3D interno do quarto. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)
Figura 21 – 3D interno do quarto. (Imagem desenvolvida pela autora do trabalho)

Considerações finais

Deste modo, os ambientes projetados para a Habitação Estudantil de Francisco Beltrão, além de oferecer moradia adequada para os usuários, ainda proporciona ambientes para socialização e integração dos mesmos, fazendo com que tenham uma melhora na qualidade de vida e, consequentemente, nos seus resultados acadêmicos.

Referências

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ARCHDAILY. Segundo lugar no concurso para Moradia Estudantil da Unifesp São José dos Campos / Projeto Paulista de Arquitetura. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/766771/segundo-lugar-no-concurso-para-moradia-estudantil-da-unifesp-sao-jose-dos-campos-projeto-paulista-de-arquitetura> Acesso em 25 de abril de 2017.

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UNIOESTE. Disponível em: < http://www.unioeste.br/campi/beltrao/>. Acesso em 25 de abril de 2017.

VICTORIANO, G. Implantação Sustentável. Disponível em: <http://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/eduardo-crafig_fabio-kassai_juliana-garcias_marcio-henrique-guarnieri_/alojamento-estudantil-na-ciudad-del-saber/1734>.  Acesso em 25 de abril de 2017.

ZONEAMENTO DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO. Disponível em: < http://franciscobeltrao.pr.gov.br/wp-content/uploads/2013/08/3384-2007.pdf>.  Acesso em 30 de agosto de 2017.

[1] UNIPAR – Universidade Paranaense, Francisco Beltrão/PR, Brasil.

[2] UNIPAR – Universidade Paranaense, Francisco Beltrão/PR, Brasil.

[3] D. Dinis foi o sexto rei de Portugal aclamado em Lisboa

[4] Alojamento Estudantil na Ciudad del Saber. Disponível em: http://www.archdaily.com.br/br/759500/alojamento-estudantil-na-ciudad-del-saber-sic-arquitetura

[5] Implantação Sustentável. Disponível em: <http://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/eduardo-crafig_fabio-kassai_juliana-garcias_marcio-henrique-guarnieri_/alojamento-estudantil-na-ciudad-del-saber/1734>.

[6] Estudio.127 Disponível em: <http://www.estudio127.com.br/single-post/2015/01/05/MORADIA-EM-CONTAINER>.

[7] Construção em container para moradia de estudantes. Disponível em: http://sustentarqui.com.br/construcao/construcao-em-container-para-moradia-de-estudantes/

[8] PA | 2 Disponível em: < http://padois.blogspot.com.br/2010/10/habitacao-estudantil-em-containers.htm&gt;

[9] Plataforma Arquitectura Disponível em: <http://www.plataformaarquitectura.cl/cl/02-55887/cite-a-docks-cattani-architects>

[10] Segundo lugar no concurso para Moradia Estudantil da Unifesp São José dos Campos / Projeto Paulista de Arquitetura. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/766771/segundo-lugar-no-concurso-para-moradia-estudantil-da-unifesp-sao-jose-dos-campos-projeto-paulista-de-arquitetura>

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