Parques e áreas verdes como promotores de respiro urbano no município de Balneário Camboriú/SC

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ARTIGO ORIGINAL

RIGATTI, Pedro Funari [1], D’ACAMPORA, Gabriela Fonseca [2]

RIGATTI, Pedro Funari. D’ACAMPORA, Gabriela Fonseca. Parques e áreas verdes como promotores de respiro urbano no município de Balneário Camboriú/SC. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 01, Vol. 07, pp. 174-200. Janeiro de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/arquitetura/parques-e-areas-verdes

RESUMO

O artigo tem como objetivo avaliar os aspectos para a inserção de um parque urbano em Balneário Camboriú/SC. O estudo visa compreender a concepção de um parque, os benefícios que são gerados em uma cidade, a infraestrutura necessária e arborização urbana, através de autores renomados e como principal referência, foi utilizado o livro “Morte e Vida das Grandes Cidades” de Jane Jacobs (2000), para assimilar o funcionamento da vitalidade urbana, apontando os aspectos primordiais de um espaço público de lazer para funcionar adequadamente. Também será apresentado análise de sítio e dois estudos de caso para entender como um parque deveria desempenhar suas funções e proporcionar qualidade de vida aos usuários, além de ser um elemento de identidade para a cidade oferecer alternativas de lazer em espaços públicos. Percebe-se pôr fim a necessidade da inserção de um parque urbano em Balneário Camboriú, beneficiando os usuários e a cidade por contribuir para o desenvolvimento urbano sustentável.

Palavras-chave: urbanismo, integração, requalificação, espaços públicos.

1. INTRODUÇÃO

Para Giordano (2004), os parques urbanos são áreas reservadas tanto para a conservação, quanto para preservação de recursos naturais, além de conectar pequenas partes de elementos florestais a outros de composição paisagística, agrega ainda funções para utilização dos usuários, desenvolvendo princípios sustentáveis e contribuindo de forma positiva para a comunidade.

Qualidade de vida, integração entre pessoas e meio ambiente e melhoria das relações interpessoais, são algumas das justificativas para se desejar um parque urbano. Afinal, este irá conectar diferentes classes sociais, através de um sistema de circulação não motorizada, além de criar um respiro urbano, um novo ponto turístico, com grande diversidade de usos, como: centros culturais, escola do meio ambiente, entre outros.

O problema de pesquisa está relacionado às contribuições que um parque urbano gera para uma cidade. Grandes centros urbanos apresentam desafios durante o seu dia a dia e fazem com que a sociedade tenha uma rotina estressante, tensa e perigosa. Devido à esse problema, os parques tornam-se respiros nas cidades.

O objetivo geral desta pesquisa é compreender os componentes de um parque urbano, sua relação com o entorno e a viabilidade de construção de uma área de lazer em Balneário Camboriú. que apresenta um aumento populacional e vertical em grande escala principalmente nos últimos anos. A vinda de novos moradores e turistas, aliados à falta de planejamento urbano, resultam numa cidade com carência em áreas verdes de lazer. Os objetivos específicos são buscar referências de parques urbanos nacionais e internacionais de grande importância, bem como compreender seu conceito, história, tipologias, fluxos, relação com o entorno, infraestrutura. Além disso, é necessário refletir sobre o valor da paisagem para o planejamento urbano, suprir a carência de áreas verdes e propor a revitalização de espaços públicos em potencial de Balneário Camboriú e por fim observar tecnologias aplicadas e condicionantes ambientais.

O artigo será desenvolvido através de pesquisas exploratória bibliográfica e as análises de projeto e diagnóstico de sítio serão com base em Kevin Lynch e Francis D. K. Ching.

2. METODOLOGIA

O referencial teórico traz autores renomados, especialistas no assunto e artigos científicos que se referem ao tema escolhido, para compreender a função, os benefícios e os serviços que um parque pode oferecer.

Será realizada uma pesquisa exploratória bibliográfica, sobre a origem e o histórico de parques urbanos, com a intenção de observar como sua evolução influenciou na qualidade dos espaços. De acordo com Lakatos e Marconi (2003) ao citar que este método possui intenção de colocar o pesquisador em relação direta com o assunto relevante para a realização de uma investigação, por meio de referências bibliográficas já publicadas.

As análises de projeto e o diagnóstico da área serão feitas com base em Kevin Lynch (2011) por meio de itens: pontos nodais, marcos e limites e Francis Ching (2008), através de itens como: acesso, circulação, escala visual. Tais aspectos abordam sobre o tema e sua qualidade, compreendendo a relação e percepção com o entorno, bem como a vitalidade dos espaços públicos.

O diagnóstico da área de intervenção, será realizado por meio de visitas no local, com fotografias e análises baseadas nos critérios dos autores já citados, através de mapas de uso e ocupação do solo, cheios e vazios, gabaritos, hierarquia viária, condições de caminhabilidade e polos geradores de tráfego para estudo da relação do ser humano x meio ambiente. Sombras, paisagem urbana, a relação do público, sensações do pedestre ao caminhar no percurso também serão explorados, a fim agregar qualidade de vida para as pessoas nos espaços públicos.

3. ELEMENTOS ESTRUTURADORES DE PARQUE URBANO

Neste capítulo, será abordada uma visão abrangente sobre a origem, histórias e benefícios que os parques trazem à comunidade, bem como as tecnologias aplicadas e vegetação utilizada como pontos essenciais para esta pesquisa.

3.1 PARQUE URBANO

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (2012), parques urbanos são áreas verdes com dimensões maiores que praças e jardins e apresentam função ecológica, estética e de lazer.

Na visão de Ferreira (2007), com a origem de novas cidades, há também o surgimento dos parques urbanos com diferentes definições conceituais como por exemplo: parques podem ser margeados por cursos d’água, ferrovias ou rodovias e configurações espaciais: programa de necessidades mais detalhado. No início do século XX, foi necessário que arquitetos e paisagistas observassem melhor essa definição conceitual, pois houve uma aceleração econômica e sociocultural, criando novos significados para os parques.

Ao estudar conceitos de parques urbanos é possível encontrar Lima (1994) e Macedo (2002) que abordam estruturas semelhantes de conceituação apontando que parque urbano é um espaço livre, público, estruturado por vegetação e atende diversas funções como estética, ecológica, lazer.

Desta forma considera-se o Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, mais conhecido como Aterro do Flamengo (Figura 1), projetado pelo arquiteto Affonso Reidy, como exemplo de um parque urbano.

Figura 1: Parque Brigadeiro Eduardo Gomes

Fonte: Pedro Kirilos, 2017. RIOTUR

Situado no Rio de Janeiro, enquadra – se na tipologia de parque urbano, pois se tornou uma das principais áreas de lazer da cidade. Possui flora diversificada, além de espaços dedicados ao es-

porte, como pistas de skate, campos de futebol e playgrounds. A cidade do Rio de Janeiro foi a primeira do Brasil a implantar parques urbanos.

3.1.1 HISTÓRIA DOS PARQUES URBANOS

Na visão de Pasqualetto (2013), os parques urbanos surgiram devido à industrialização e urbanização dos países. Os primeiros parques urbanos originaram-se com a formação das cidades no fim do século XVIII, possuindo maior desenvolvimento entre 1850 e 1860, na Europa e nos Estados Unidos.

Para Scalise (2002), os parques surgem no final do século XVIII, com maior desenvolvimento no século XIX, surgindo jardins para contemplação, os parques de paisagem, os parkways e os parques monumentais franceses.

Macedo (2003), cita que entre as décadas de 1950 e 1960, devido ao processo de desenvolvimento urbano, cidades como Rio de Janeiro e São Paulo apresentavam carência de áreas públicas à céu aberto, além disso, o autor acrescenta que na década de 1970, surgem os parques mais nobres, com inclusão de equipamentos para a prática de esportes, fontes, edificações, calçadas e espelhos d’água. Já na década de 1980, a quantidade de parques urbanos começou a crescer, construindo-os e consolidando-os em cidades como: Rio de Janeiro e Brasília.

O maior exemplo é a cidade de Brasília, a qual foi desenvolvida como cidade-parque, pois todas as edificações foram projetadas para serem envoltos “[…] por extensos gramados e arvoredos, permitindo aos seus moradores o desfrute cotidiano, ao menos visual, de espaços cenicamente tratados como um par­que.” (Macedo, 2003).

Conforme os parques surgiam, seus programas de necessidade tornaram-se mais detalhados, com a inserção de equipamentos públicos para gerar maior vitalidade em áreas específicas, mobiliários urbanos lúdicos com intenção de transmitir sensações, além de espaços destinados a lazer, contemplação e de serviços.

Com o passar das décadas, novas tipologias de parques foram desenvolvidas, e a partir disso, foi iniciada uma classificação de acordo com cada categoria, para que o seu verdadeiro conceito não fosse equivocado ou esquecido.

Lima (1994) considera que um espaço livre é um termo mais abrangente que áreas verdes e admite que entre os espaços livres, tem-se algumas classificações conforme a tabela 1.

Tabela 1: Tipologias de Parques

Fonte: Lima, 1994. Adaptado pelo autor

Através da tabela acima é possível compreender que existem diversas tipologias de parques e que são utilizados de acordo com o seu local de inserção, dimensão e necessidades, seja para representar alguma história, ou para tornar-se um espaço público funcional, agradável e com qualidade, além de possuir integração com mobilidade urbana de forma direta e eficiente, priorizando sempre o pedestre.

3.1.2 A RELAÇÃO ENTRE MOBILIDADE E OS PARQUES URBANOS

Para Matos (2011), a mobilidade urbana além de integrar espaços, inclui diversos tipos de deslocamento, seja ele a pé, transporte individual ou coletivo, para a realização de tarefas diárias.

De acordo com o Ministério das Cidades (2004), a mobilidade urbana sustentável pode ser definida como o resultado de um conjunto de políticas de transporte e circulação. Esta, visa proporcionar o acesso amplo e democrático ao espaço urbano, através de priorização dos modos não motorizados e coletivos de transporte, de forma efetiva, que não gere segregações espaciais, oficialmente inclusiva e ecologicamente sustentável. Ou seja, baseado nas pessoas e não nos veículos.

Ainda de acordo com Matos (2011), é importante saber administrar  e organizar os fluxos de pedestres e meios de transportes, pois assim qualquer lugar torna-se beneficiado para os habitantes. A atenção suficiente para vias pedonais, gera maior valorização entre os eixos de conexões, além de tornar a cidade mais agradável e humana.

Para que um parque funcione de maneira adequada, é necessário que haja uma boa relação com a mobilidade urbana, seja pela abrangência de transportes públicos, pedestres, veículos e bicicletas. Para que isto aconteça, é necessário haver decisões de projeto como por exemplo, uma localização estratégica onde o parque seja inserido de forma a não comprometer e não sobrecarregar as vias de acesso, nem suas entradas e passeios. Dessa forma, percebe-se ser adequado a inserção de um parque na extensão do Rio Camboriú, devido a facilidade de acesso, ao sistema binário, bem como sua infraestrutura e abrangência de transportes públicos já existentes.

Um boa mobilidade urbana, pode trazer benefícios diretos para a qualidade do meio ambiente  local, bem como a facilidade de locomoção de pessoas para outros locais e redução de tempo de deslocamento.

3.1.3 BENEFÍCIOS DO PARQUE URBANO NAS CIDADES

A inserção de um parque urbano torna o local mais seguro, porém, é necessário haver movimentação de pessoas. Se o parque possuir um bom projeto com programa de necessidades amplo, áreas culturais, e entorno com diversidade e interação de usos, irá atrair usuários além da segurança, através dos olhos da rua, denominada “vigilância cidadã” e consequentemente, haverá mais motivos para frequentá-los em horários diversos, tornado o local com maior vitalidade. (Jacobs, 2000).

O contato com a natureza propicia a realização de atividades para relaxar. O espaço público pode auxiliar aliviando tensões psíquicas através do uso de espaços livres, segundo Ferreira (2007),  e apresentam funções fundamentais para uma cidade, como: social, referindo-se a espaço de lazer para a sociedade, ecológica ao minimizar impactos gerados da urbanização e industrialização, e por fim, a estética, visando uma conexão entre áreas de circulação e espaços construídos. (Henrique, 2012).

De acordo com o site Áreas Verdes das cidades, os espaços verdes colaboram para o microclima, diminuindo a temperatura, devido à absorção realizada pelas árvores, além de sobreamentos, abrigo para os animais e como consequência, equilíbrio do ecossistema e redução da poluição sonora e também para convívio social, estimulando relações interpessoais.

Para que tudo isso seja proporcionado a comunidade, não basta apenas que os parques existam. Eles precisam ser bem projetados e construídos. Devem ainda possuir infraestrutura e equipamentos urbanos que atendam às necessidades da comunidade e do seu entorno.

3.2 INFRAESTRUTURA E TECNOLOGIAS CONSTRUTIVAS APLICADAS À ÁREAS LIVRES

Para que um parque linear exerça suas funções de forma eficiente, é necessário possuir uma infraestrutura adequada, utilizando de tecnologias construtivas disponíveis no mercado.

3.2.1 DRENAGEM

Nesta pesquisa, serão abordadas duas tipologias que podem ser aplicadas nos parques e em meios urbanos: pavimentos permeáveis e sistemas de drenagem superficiais.

Os pavimentos permeáveis como piso intertravado ou paver, piso-grama, piso de pneu reciclado e concreto poroso contribuem para a redução de enchentes urbanas e dão vazão superficial de águas pluviais. Estes pavimentos existem de forma abundante no mercado em diversos formatos como: irregulares, sextavado, zig zag, retangular e em diversas cores, tornando espaços agradáveis, convidativos e lúdicos e o índice de permeabilidade deles pode variar (tabela 2).

Segundo Mascaró (2013), “a importância deles para muitas cidades, é que além de diminuir as enchentes periódicas e as altas temperaturas, embelezam a zona urbana.”

Já os sistemas de drenagem superficiais têm por objetivo a captação e remoção das águas precipitadas sobre as superfícies de forma mais eficiente. Estes equipamentos são calhas, grelhas e canaletas de piso em plástico, metal e concreto pré – moldados embutidos ou de sobrepor que direcionam a água até o local de deságue e possuem vantagens como fácil manuseio, e economia.

Tabela 2: Tipologias de pavimentação que podem ser utilizadas externamente

Fonte: Revista Téchne, 2017. Adaptado pelo autor

É possível compreender através da tabela acima que existe uma gama de pisos externos e cada um com uma característica própria, porém, eles possuem algumas características em comum como ser antiderrapantes, de fácil manutenção (pois podem ser substituídos rapidamente), e possuir permeabilidade, contribuindo para a drenagem.

Também apresentam facilidade na aplicação da infraestrutura de iluminação e estética agradável quando os postes são fixados.

3.2.2 ILUMINAÇÃO

Mascaró (2008) diz que a iluminação pública é um fator importante para o meio urbano. Ela faz com que os usuários percebam o entorno, criando sensações, além de facilitar a orientação, possibilitando a identificação de nomes de ruas e edifícios.

Para Oliskovicz (2016), os usuários de espaços urbanos necessitam de luz para segurança viária, segurança cidadã, identidade, recreação e ambientação. Para isso, deve-se enquadrar a iluminação em um conjunto de requisitos, como orientação visual, economia, responder as funções de desenvolvimento da cidade, embelezamento de lugares, monumentos e edificações.

Segundo Lopes (2014), existem grande variedade as tecnologias disponíveis atualmente, como por exemplo, iluminação artificial em led a partir da captação de energia solar e energia eólica contribuindo para o meio ambiente, pois são fontes renováveis e não irão se esgotar. Também existem diversas tipologias de iluminação, como: geral, cênica, exclusiva para pedestres ou para destaques. O mais importante é saber como utilizar e integrar com a vegetação para não haver sombreamento indesejado.

Há sensores e temporizadores que se ajustam de acordo com a claridade. Além disso, foram desenvolvidos equipamentos fechados em vidro e material polimérico que podem ser integradas ao mobiliário urbano.

3.2.3 MOBILIÁRIO URBANO

Para Ferrari (2004), os mobiliários urbanos são elementos materiais para o uso público. Estes complementam as funções urbanas, como: trabalhar, recrear, circular, funcionando assim como um integrador de atividades sociais. Também criam uma identidade única, contribuindo e estimulando a história do local, oferecendo acessibilidade e ergonomia aos usuários.

Mascaró (2008), adota uma classificação do mobiliário urbano de acordo com as necessidades básicas, apontadas na tabela 3.

Tabela 3: Classificação de mobiliário urbano

Fonte: Mascaró, 2008. Adaptado pelo autor

Através da tabela 3, foi possível perceber que independente da sua classificação, existem mobiliários urbanos de forma abundante no mercado com inúmeras formas, cores, materiais e texturas que despertam interesse e diversas sensações nos usuários.

Figura 2: Exemplos de mobiliário urbano em diversos materiais

Fonte: Pinterest, 2017. Adaptado pelo autor

Como pode ser observado na Figura 2, existem diversas materialidades, desde os mais tradicionais como concreto, aço, madeira, além dos materiais sintéticos, como polímeros e reciclados (madeira plástica), concreto permeável. Tais materiais oferecem maior durabilidade, resistência, além de serem menos agressivos ao meio ambiente, pois não apresentam substâncias tóxicas e nem ocasionam desmatamentos. Os mais indicados são fabricados com materiais reciclados, que contribuem positivamente para o meio ambiente. Possuem baixo custo e fácil manutenção, que inclui pinturas, reparação e limpeza, executadas por empresas especializadas.

Como vantagens dos mobiliários produzidos com materiais reciclados podem ser citados a contribuição ecológica, resistência e durabilidade. Já as desvantagens são o aquecimento destes devido a luz solar incidente, sendo ideal colocar vegetação nas proximidades. São ainda vulneráveis a desgastes.

Esta diversidade de materiais, também pode ser encontrada em outras tipologias de equipamentos públicos como banheiros, ponto de informações e postos policiais.

3.2.4 BANHEIROS PÚBLICOS

Segundo Greed (2003), o banheiro público originou-se na época da revolução industrial, devido à grande quantidade de imigrantes para os centros urbanos, necessitando de ambientes para o cuidado do próprio corpo.

De acordo com Kobiywama (2007), existem também os banheiros públicos inteligentes que contribuem de maneira positiva para o meio ambiente. Com o emprego de tecnologia é possível economizar papel higiênico e captar a água da chuva para ser utilizada nos vasos sanitários, controle de descarga e torneiras com temporizador evitando assim o desperdício, além de possuir limpeza e tratamento de água automático.

Como vantagens podem ser citadas a contribuição para o meio ambiente, seja através da redução de resíduos da construção civil ou até mesmo pela reutilização dos elementos fornecidos pela natureza, rapidez de instalação e solução funcional. Já as desvantagens são custo dos materiais, manutenção e limpeza constantes.

Figura 3: Exemplos banheiros públicos

Fonte: Pinterest, 2017. Adaptado pelo autor

A partir da Figura 3, é possível observar que existem diversas tecnologias aplicadas para a estrutura deste equipamento urbano, como: sistema modular com materiais pré – moldados de concreto, pré – fabricados, container, drywall, plástico que se bem projetados, podem ser integrados à paisagem urbana.

3.3 ARBORIZAÇÃO URBANA

Segundo Silva, Paiva e Gonçalves (2007), a arborização urbana é um agregado de espaços públicos ou privados que possuem vegetação arbórea em parques, ruas e demais espaços públicos. Para Morais (2011), com a evolução das cidades é importante propiciar serviços que necessitam utilizar o espaço público com a necessidade de relacioná-lo com a paisagem urbana e o meio ambiente através da arborização.

A arborização urbana é um assunto de alta relevância e que deve ser discutido minuciosamente, pois proporciona inúmeros benefícios às cidades e à população.

3.3.1 A IMPORTÂNCIA E BENEFÍCIOS DA ARBORIZAÇÃO URBANA

Mascaró (2002) considera que as árvores na concepção paisagística são importantes para a cidade, pois proporcionam identidade, beleza, direção e delimitação dos espaços. Oferecem qualidade de vida, afetando a saúde dos humanos por formar áreas de convívio e aliviar o estresse, conforme comenta Milano e Dalcin (2000).

A árvore é a forma vegetal mais característica da paisagem urbana, a qual se incorporou em uma estreita relação com a arquitetura ao longo da história… (…) adquire valor especial por sua valiosa contribuição a melhoria da ambiência urbana, redução do consumo de energia da edificação e controle da poluição ambiental da cidade. Projeta sombra nos usuários e nos recintos urbanos, protegendo-os da insolação não desejada na estação quente, além de criar um efeito de filtro dinâmico de particular efeito estético. (MASCARÓ, 2006, p.111).

Pivetta e Silva Filho (2002), também concordam com os benefícios da arborização urbana já citados, e acrescentam ainda fatores relacionados ao bem estar psicológico, proteção, direção do vento, preservação da fauna silvestre, diminuição da poluição sonora, ocasionando melhora na qualidade ambiental.

Como exemplo, a cidade de São Paulo apropriou-se do uso de vegetação na Rua Vergueiro (Figura 4) na Zona Sul, com o plantio de 123 árvores, entre as estações Vila Mariana e Paraíso do Metrô, pois o fluxo de veículos e as buzinas destes são muito altos, chegando próximo de 85 decibéis.

Figura 4: Rua Vergueiro, SP (1) e esquema de amortecimento com vegetação (2)

Fonte: G1, 2013. Adaptado pelo autor

De acordo com Filho (2013), “a vegetação amortece as ondas de som. Este viaja pelo ar e se você tem uma barreira – no caso, uma barreira natural, ela retém o som”, conforme esquema da Figura 4, influenciando a qualidade ambiental na redução da poluição sonora e microclima.

3.3.2 ARBORIZAÇÃO URBANA E QUALIDADE AMBIENTAL

Para Schuch (2006), a arborização possui grande importância na manutenção da qualidade ambiental e influência no microclima urbano. Devido a isso, cidades como Curitiba, Valência, Rio de Janeiro e São Paulo estão utilizando este recurso natural para diminuir as ilhas de calor.

Mascaró (2006), também afirma que a vegetação possui influência no microclima urbano, contribuindo para amenizar a radiação solar, servir como barreira acústica e interferir na frequência da chuva. Tais benefícios dependem da maneira em que são utilizadas, variando o local onde a vegetação é inserida, porte, manutenção e idade.

Muneroli e Mascaró (2010), recomendam utilizar espécies nativas para garantir sobrevivência sem manutenção frequente, além de adaptação adequada ao clima, solo, e também para que suas funções e benefícios sejam exercidos corretamente.

3.3.3 BENEFÍCIOS DE UTILIZAR ESPÉCIES NATIVAS NA ARBORIZAÇÃO URBANA

Para Cecchetto e Christmann (2015) “espécies nativas locais atraem turistas que procuram características próprias das cidades, gerando renda e ampliando a progressão econômica, cultural e social das mesmas, diferente de locais sem identidade própria.”

Lorenzi (2002), diz que as espécies nativas frutíferas, proporcionam benefícios ao meio ambiente como preservação aos animais, equilíbrio do ecossistema e melhora do microclima.

As espécies nativas possuem diversas predominâncias favoráveis em relação às exóticas, sendo algumas delas: adaptabilidade garantida ao clima e solo; melhor desenvolvimento metabólico; maiores possibilidades de produção de flores e frutos saudáveis; propicia a alimentação para animais também nativos, conservando a fauna local; promulga a proliferação da espécie, evitando a sua extinção; evita o aumento de espécies invasoras exóticas e as doenças e pragas ocasionadas pelas mesmas; além de oferecer os benefícios comuns a todos os gêneros arbóreos (CECCHETTO, CHRISTMANN, 2015, p.5).

Ainda no ponto de vista de Cecchetto e Christmann (2015), a adoção de um plano de arborização que existem em diversas cidades, colaboram com a natureza, dificultando a retirada de espécies nativas, e desfavorecendo o plantio de espécies exóticas, pois estas possuem fácil remoção e podem não se adaptar ao local que foi plantada.

As árvores nativas de Balneário Camboriú como Aroeira vermelha, Jacarandá mimoso, Ipê roxo e Ipê amarelo contribuem na manutenção, em sua durabilidade e trazem benefícios para equilíbrio do ecossistema local, beneficiando a fauna e a flora, através da preservação e reintrodução de espécies sobre – exploradas nas florestas nativas

4. ANÁLISE DE PROJETOS

As análises a seguir foram elaboradas de acordo com a metodologia proposta por Kevyn Lynch (2011) e Francis Ching (2008), e contribuirão para a compreensão de fluxos, marcos, estares, pontos de socialização, hierarquia viária, relação de escala visual e uso do solo com o entorno.

4.1 DIAGNÓSTICO E ANÁLISE DE SÍTIO

O local de diagnóstico e seu entorno imediato serão analisados através de mapa de usos e ocupação do solo, mapa de cheios e vazios, mapa de gabaritos, mapa de condições de caminhabilidade, mapa de PGT’s, mapa de condições climáticas, mapas de vegetação e hidrografia.

A área de intervenção localiza-se ao longo das margens do Rio Camboriú, em Balneário Camboríu/SC e abrange os bairros: Centro, da Barra, Nova Esperança, Vila Real e Iate Clube.

Figura 5: Mapa de localização. Baln. Camboriú (1) e Área de intervenção e condições climáticas (2)

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

O parque urbano proposto, conforme demarcação (Figura 5) possuirá cerca de 4,50 quilômetros de extensão e estará localizado de forma estratégica, pois o seu entorno imediato possui diversos usos e atividades que atenderá todas as necessidades dos usuários.

4.1.1 MAPA DE USOS E OCUPAÇÃO DO SOLO

O mapa de usos e ocupação do solo categoriza e identifica as atividades existentes em uma área.  As classificações podem ser residencial, comercial, misto, institucional e serviços. Esse estudo possibilita entender a relação do solo com as atividades e de um tipo de uso com o outro.

Figura 6: Mapa de uso e ocupação do solo

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

A partir da análise do mapa de uso e ocupação do solo (Figura 6), é possível perceber que a área no entorno do terreno de projeto é predominantemente residencial, com edifícios multifamiliares próximos à orla e comércios ao longo da Avenida Brasil, 4ª e 5ª Avenidas e Via gastronômica. O entorno possui equipamentos institucionais como universidade, Hospital Ruth Cardoso e Pronto Atendimento da Barra, Escolas, Parque ecológico Raimundo G. Malta, Centro multieventos e Cemitério. Também é possível analisar que na margem direita do Rio Camboriú existem os maiores vazios urbanos, ocupados por vestígios de vegetação nativa.

As edificações de uso misto estão localizadas em maior quantidade na Avenida Atlântica, Avenida Brasil e na Barra Sul. De maneira geral, percebe-se que essa diversidade de usos existentes no município de Balneário Camboriú geram vitalidade e segurança para área.

4.1.2 MAPA DE CHEIOS E VAZIOS

Com esse mapa é possível analisar que a área apresenta lotes com dimensões variadas e acompanham uma malha quase regular, em disposição ortogonal.

Figura 7: Mapa de cheios e vazios

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

A partir do mapa de cheios e vazios (Figura 7) é possível perceber que há uma ocupação mais intensa na orla. Tal ocupação torna-se menos densa conforme ultrapassa a BR 101 e vai adentrando a cidade. Na margem direita, já é menos densa como um todo, dos dois lados da BR 101, a qual cria uma barreira contínua que segrega a cidade.

Outro aspecto a ser observado é a dimensão dos vazios existentes da BR 101 e do rio Camboriú, que certamente sobraram após a urbanização da cidade, tornando o rio Camboriú como uma fronteira na exploração da cidade. Nestes vazios, de acordo com o plano diretor municipal, é permitida a apropriação para implantação de instrumentos urbanísticos, garantir cumprir funções sociais e de lazer nestas áreas para toda a população.

4.1.3 MAPA DE GABARITOS

Figura 8: Mapa de gabaritos

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

É possível analisar através do mapa de gabaritos (Figura 8) a forma variável do skyline da área. Há uma nítida diferença de gabaritos, quando se observa a área no entorno da BR 101, além da segregação espacial causada pela mesma. O gabarito varia, acompanha a morfologia urbana e o zoneamento da área, possuindo de um lado os edificações uniformemente altas com média de 30 pavimentos e alta densidade populacional  (que certamente irão projetar sombras no terreno para o projeto) e de outro, uniformemente baixos, devidos a presença de residências, com predominância de edificações de um a dois pavimentos. Isso permite que o terreno de projeto possua vários visuais para seu entorno, integrando e recepcionando as edificações.

4.1.4 MAPA DE HIERARQUIA VIÁRIA

O mapa de hierarquia viária possui relação direta com vida urbana, pois pode-se analisar o acesso das pessoas à cidade, e fluxo de veículos. A classificação foi baseada na Empresa Brasileira de Planejamento e Transportes, proposta nos anos 70, que inclui vias arteriais, coletoras e locais.

Figura 9: Mapa de hierarquia viária

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

A partir do mapa de hierarquia viária (Figura 9), é possível perceber que o sistema viário é bem hierarquizado, apresenta sinalização e circulação clara, direta, além de algumas áreas apresentarem sistema binário entre vias arteriais e vias coletoras, que facilitam e aceleram o escoamento de automóveis. As vias locais neste caso possuem função apenas de acesso às edificações ou de estacionamento para visitantes ou usuários de serviços dispostos no local.

O fluxo de veículos é intenso no entorno imediato da área de intervenção, devido a Avenida Normando Tedesco e Avenida Atlântica serem um sistema binário e também porque essas são as únicas vias de acesso tanto aos moradores, quanto aos turistas para a barra sul. Estas vias possuem grande importância simbólica e são referência na cidade devido aos restaurantes e casas noturnas localizados nesta área nobre, e através com a proposta do parque, poderá torna-las mais valorizadas.

4.1.5 MAPA DE CONDIÇÕES DE CAMINHABILIDADE

No mapa de condições de caminhabilidade será analisada a qualidade e infraestrutura que interfere nos passeios e vias, bem como estado de conservação. Através desses elementos, é possível perceber se a acessibilidade é proporcionada, ou não.

Figura 10: Mapa de condições de caminhabilidade

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

Através das imagens do Mapa de condições de caminhabilidade (Figura 10), percebe-se que a qualidade dos passeios e vias na extensão do projeto é variável. A maioria das vias, principalmente as arteriais e coletoras como Av. Atlântica, Av. Normando Tedesco, Via Gastronômica, Rua 3600 são asfaltadas, porém existem algumas com pavimentação de pedra, como por exemplo nas ruas 4500 e 4550.

Na via gastronômica, os passeios estão em más condições e até inexistência, isto porque não possuem cuidados, nem manutenção, a não ser na frente dos restaurantes, além da infraestrutura urbana possuir infraestrutura urbana (postes) aéreos, muitas vezes no centro do passeio, interferindo no deslocamento das pessoas.

Na Av. Normando Tedesco, com a construção de novas edificações, os passeios encontram-se bem dimensionados e bem conservados e oferecem acessibilidade aos usuários com mobilidade reduzida. Já nos passeios próximos ao rio, encontram se bem conservados, porém, mal dimensionados, com caminhos estreitos.

É perceptível também que há problemas de conservação da pavimentação das vias, e também em passeios que existem acessibilidade. Em diversos pontos, o mobiliário urbano (lixeiras) interfere nos passeios.

Em relação a acessibilidade, a maioria dos passeios não possuem piso podo tátil, embora que as novas construções já estão se adequando às normas, inclusive os PGT’s, as edificações mais antigas não se enquadram nesta realidade.

4.1.6 MAPA DE POLOS GERADORES DE TRÁFEGO

No mapa de polos geradores de tráfego (PGT’s) são analisados elementos que geram fluxos no local. Esses elementos são capazes de gerar maior movimentação de pedestres e carros, além de desenvolvimento, atraindo pessoas para o local.

Figura 11: Mapa de pólos geradores de tráfego

Fonte: Google Earth, 2017. Adaptado pelo autor

De acordo com o mapa de polos geradores de tráfego (Figura 11), observa-se que o entorno possui alguns PGT’s como Univali, Parque Unipraias, Escolas e Parque ecológico. Comércios como o supermercado BIG, restaurantes na orla e também localizados na 5ª avenida geram maior tráfego. Alguns desses comércios são de escala relativamente pequena, e trazem grande fluxo de turistas e moradores, tornando o local com mais vitalidade, principalmente no verão em horários distintos.

4.1.7 MAPA DE HIDROGRAFIA

De acordo com o CIRAM/ EPAGRI (2017), Balneário Camboriú possui seis sub-bacias que se integram ao rio Camboriú (199,80 km²), que deságua no mar na Barra Sul, com os seguintes afluentes: rios Peroba, Canoas, Pequeno, Canhanduba, do Cedro e dos Macacos.

Segundo Pedrozo (2014), embora haja uma subdivisão espacial, o comportamento da hidrografia é diferente, pois ocorrem em micro bacias independentes das sub-bacias já citadas. Neste ponto de vista, cita-se o rio das Ostras que deságua na parte norte do bairro Centro e o rio Ariribá que deságua no bairro com o mesmo nome e na Praia dos amores.

Figura 12: Mapa de Hidrografia de Balneário Camboriú

Fonte: Prefeitura de Balneário Camboriú, 2017.

As sub-bacias de Balneário Camboriú (Figura 12) são a cabeceira do rio do Braço, Nova Esperança ou Morro do Boi, Rio da Mata de Camboriú ou rio da Mulata, Ribeirão Ariribá, Estaleiro Grande e Rio do Meio.

4.1.8 MAPA DE VEGETAÇÃO

De acordo com Pedrozo (2014), a vegetação existente em Balneário Camboriú está representada por estágios secundários e primários em algumas áreas da Floresta Ombrófila Densa que constitui a Floresta Atlântica. Além destas, ocorrem Formações Pioneiras representadas pelas restingas, brejos, banhados e manguezais como pode ser observado na Figura 13.

Figura 13: Mapa de Vegetação de Balneário Camboriú

Fonte: Prefeitura de Balneário Camboriú, 2017.

 

Através do mapa acima (figura 13), observa-se que a extensão do rio Camboriú existe de forma contínua até o Parque Ecológico a predominância de mangue, vegetação estabelecida considerada APP (Área de Preservação Permanente), necessitando de medidas de proteção à vegetação nativa. Na foz do rio Camboriú há formação de ilhotas com domínio de Siriúba e após a ponte da BR 101 em direção à montante do rio, os bosques apresentam o mangue-branco pois há baixo teor de salinidade.

4.2 JARDINS DO TÚRIA, VALÊNCIA – ESPANHA

A partir de teorias fundamentais da metodologia, criadas por Kevin Lynch, serão analisados: limites, pontos nodais e marcos.

Os Jardins de Túria, localizados na cidade de Valência –Espanha, surgiram após uma inundação em 1957 que transbordou o Rio Túria.  Então, optou-se por desviar o leito natural do rio e criar um canal artificial antes que chegasse na malha urbana, surgindo no final do século XX, com maior parte desenvolvida pelo arquiteto urbanista Ricardo Bioffil.

O parque possui mais de um milhão de metros quadrados e extensão de 10km. Foi desenvolvido em fases, por diversos arquitetos urbanistas e paisagistas, criando uma grande variedade de estilos de paisagem integradas ao rio. O mobiliário urbano existente no Parque cria uma identidade exclusiva para o local e são encontrados não só no Parque, mas em toda a cidade.

Devido a sua extensão, o parque possui um amplo programa de necessidades que conta com zoológico, palácio da música, cidade das artes e ciências, aquário, playgrounds, e demais áreas, que trazem benefícios à população, como: lazer, cultura, prática de esportes e qualidade de vida.

Segundo Kevin Lynch (2011), podem ser considerados barreiras: estradas, edifícios, rios, vazios urbanos, praças e margens, no caso deste Parque, o rio é considerado uma barreira e eixo estrutural (Figura 14), por estar localizado no centro do projeto, além de servir como orientação ao pedestre, indicando a direção que este está percorrendo.

Figura 14: Edifícios criando limites no Parque

Fonte: VLC Valência, 2017. Adaptado pelo autor

Também é possível analisar de maneira nítida a segregação causada pelo projeto, os edifícios tornam-se fronteiras contínuas como se fossem “paredões”, devido à sua forma, criando obstáculos para a permeabilidade visual, como pode ser observado na figura acima.

A presença da água do rio e da natureza proporciona ao observador diversas sensações como harmonia, tranquilidade e alívio de tensão psicológica.

Os Jardins de Túria apresentam múltiplos caminhos, gerando vários cruzamentos. Estes tornam-se pontos de encontro, causando relações interpessoais e integração social, são pontos nodais de acordo com Lynch (2011).

Figura 15: Pontos nodais encontrados no Parque através de pontes e caminhos

Fonte: VLC Valência, 2017. Adaptado pelo autor

Os “nós” encontram-se em vários setores como: contemplação, lazer, atividades culturais e esportes, sendo posicionados de maneira planejada para criar possibilidades de locomoção de um lado para o outro, através de pontes ou até mesmo caminhos convergentes, proporcionando mudança e integração entre a paisagem urbana e as atividades existentes no próprio parque e no entorno, como pode ser observado na Figura 15.

Neste Parque urbano, existem obeliscos e estátuas espalhados em diversas áreas, bem como edificações. Todos estes monumentos são considerados Marcos por Lynch (2011), porque podem servir como localização, locais de encontro e também por serem observados de diversos lugares, além de causar contraste com elementos existentes no entorno, facilitando a orientação.

Figura 16: Marcos encontrados nos Jardins do Túria em forma de edificações e estátuas

Fonte: VLC Valência, 2017. Adaptado pelo autor

Há um setor denominado ilha das esculturas (Figura 16), onde estão presentes inúmeras esculturas expostas e estas foram locadas de forma a homenagear algum fato histórico, pessoa de importância para a cidade e objetos, como um livro, por exemplo. Apresentam grande diversidade em materiais e texturas como aço corten, bronze e concreto com finalidade de deslocar usuários até estes locais e produzir vitalidade e integração social.

Desta forma é possível concluir que o parque possui grande escala, causando uma segregação natural na cidade devido a presença do rio, além das edificações tornarem-se limites. O programa de necessidades é extremamente completo e com isso surgem diversos pontos positivos como: espaços de socialização, acesso à informação e principalmente à cultura devido aos equipamentos existentes e esculturas que contam a história do local.

Como pontos negativos, podem ser citadas algumas áreas que precisam mais atenção no quesito segurança, muito embora há iluminação adequada, como relata Levy (2017), há pouca presença de postos policiais, facilitando a permanência de pessoas desabrigadas, dependentes químicos e assaltantes. E também por possuir uma longa extensão, a limpeza e a manutenção do parque necessita de mais cuidados.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O artigo teve como objetivo o realizar de pesquisas para elaboração de um parque urbano que gere vitalidade, segurança e qualidade aos espaços públicos, além de promover interação social entre os usuários em uma cidade turística, onde seu maior elemento de atração pública são as praias.

Através da elaboração deste estudo, foi possível identificar pontos importantes para que a inserção deste parque atraia pessoas, apresentando convivência agradável e acolhedora.

Após uma pesquisa baseada no livro “Morte e Vida das Grandes Cidades” de Jane Jacobs (2000), conclui-se que um parque ser totalmente funcional, deve apresentar acessibilidade de forma a integrar todos os usuários, espaços convidativos para integração social e planejamento urbano adequado. O planejamento urbano moderno causa alguns impactos negativos e para que isso seja revertido, é necessário definir alguns critérios de acordo com autores especialistas como Lynch e Jacobs, que são: criar caminhos, estares e mobiliário urbano que criem diversas sensações, curiosidade, que faça as pessoas permanecer no local e crie uma identidade para o local.

O planejamento urbano adequado refere-se a uma boa localização, diversidade de acessos e fluxos e conexão entre o parque e os usos existentes no seu entorno, gerando movimentação de pessoas, não havendo apropriação indevida de Áreas de Proteção Permanente (APP).

Devido à isso, a inserção do projeto nestas áreas são justificadas pela resolução nº 369/2006 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), permitindo excepcionalmente a possibilidade de intervir em APP’s quando o uso é destinado à interesse social ou utilidade pública.

A integração depende deste planejamento, pois ela está interligada com os moradores locais, que além de utilizar o espaço público, deverão manter e preservar o local. Conhecer e compreender algumas áreas públicas com o tema semelhante são outros objetivos do estudo, e para isso foram utilizados métodos de autores como Francis D. K. Ching e Kevin Lynch para análise de áreas públicas e programa de necessidades.

A arborização possui grande influência na estruturação das cidades, através das funções desempenhadas. A presença delas proporcionará melhor qualidade de vida, retorno da apropriação do meio ambiente e torná-lo como um refúgio dos seus usuários diante as tensões diárias, além de fazer com que a arquitetura seja um elemento harmonioso entre os espaços públicos e privados.

Por fim, é possível concluir que a inserção de um parque urbano em Balneário Camboriú é viável, pois irá trazer muitos benefícios para a cidade e região como aliviar o uso da praia por turistas e moradores e migrar para o parque, tornando-se um respiro para a população, além de melhorar mais ainda a economia local e criar uma identidade para a cidade.

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[1] Pós-graduado em Projeto de Interiores pelo Centro Universitário de Maringá – Unicesumar (2019), Graduado em Arquitetura e Urbanismo (2017) pelo Centro Universitário Avantis – Uniavan.

[2] Mestranda em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, Especialista em Iluminação e Design de Interiores pelo Centro de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão Oswaldo Cruz e Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina – Unisul.

Enviado: Janeiro, 2020.

Aprovado: Janeiro, 2020.

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