Uma investigação projetual dos carrinhos de chá reeditados pela Empresa Etel

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ARTIGO ORIGINAL

VEZZI, Juliana Papis Baldocchi [1], LIMA, Ana Gabriela Godinho [2]

VEZZI, Juliana Papis Baldocchi. LIMA, Ana Gabriela Godinho. Uma investigação projetual dos carrinhos de chá reeditados pela Empresa Etel. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 05, Ed. 07, Vol. 01, pp. 19-55. Julho de 2020. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/arquitetura/carrinhos-de-cha

Contents

RESUMO

Este artigo[3] visa a examinar o trabalho autoral dos designers e arquitetos brasileiros, tendo como objetivo principal analisar e descrever a produção no campo do mobiliário residencial a partir da leitura e análise projetual dos objetos de estudo: os carrinhos de chá reeditados pela a empresa Etel[4]. Dessa maneira, o trabalho a seguir contribui com insumos para as pesquisas dedicadas às práticas projetuais de mobiliário a partir da investigação dos seus elementos de design e suas inter-relações contextuais da referida peça de mobília. Assim, foram identificados e caracterizados quatro elementos para um processo de análise projetual definidos como principais (HSUAN-AN, 2017) [5]: o usuário, o objeto, a atividade e o ambiente. Como resultado deste exercício é possível converter em processos projetuais na prática e aplicá-los em novos produtos que tenham funções similares.

Palavras-chave: Análise projetual, Design autoral, mobiliário, carrinho de chá.

1. INTRODUÇÃO

Como fazer uma leitura e uma análise projetual de um objeto de design? Este artigo propõe uma investigação prática a partir dos objetos de estudo: os carrinhos de chá reeditados pela empresa Etel Interiores até o ano de 2018.

A empresa Etel Interiores, que tem sede em São Paulo e filiais em Milão e Houston, foi fundada em 1988 pela designer brasileira autodidata Etel Carmona, nascida em 1947, que tem sua trajetória profissional iniciada ao longo dos anos 1980 com ênfase em restauro de objetos antigos. A marcenaria, considerada de alta qualidade, é especializada na produção de mobiliário de designers, artistas e arquitetos consagrados no cenário moveleiro, sendo uma das maiores representantes do patrimônio dos móveis modernos reeditados.

A pesquisadora e professora Maria Cecília Loschiavo dos Santos (2017, p. 228) escreve sobre a empresa e sua fundadora:

Em 1993, inaugurou showroom em São Paulo e desde 1999 incorporou os requisitos ambientais na pesquisa e no desenvolvimento de seus produtos, apoiando a criação e a certificação da primeira floresta comunitária do país, às margens do rio Xapuri, no Acre. Em 2001, a Etel tornou-se a primeira movelaria brasileira a alcançar a certificação do Forest Stewardship Council (FSC). […] Sua empresa abriu novas perspectivas no mercado e destaca-se pela reedição dos mais inspiradores designers modernos brasileiros, a quem presta um tributo pela genialidade de suas criações, dignificando o espírito moderno. As reedições nos religam a esse passado à luz de novos conhecimentos e condições.

Nomes como Oscar Niemeyer (1907-2012), Estúdio Branco & Preto (1952-1970), Giuseppe Scapinelli (1891-1982), Gregori Warchavchik (1896-1972), Jayme Campello Fonseca Rodigues (1905-1946), Lasar Segall (1889-1957), Jorge Zalszupin (1922), Lina Bo Bardi (1915-1992), José Zanine Caldas (1919-1997), Oswaldo Bratke (1907-1997), Sergio Rodrigues (1927-2014) e Paulo Werneck (1907-1987) estão entre os artistas e designers que possuem peças reeditadas pela Etel Interiores.

Já os exemplares da tipologia carrinho de chá, reeditados e selecionados como estudo de caso, são dos seguintes autores: Gregori Warchavchik, Lina Bo Bardi e Jorge Zalszupin. A peça de Giuseppe Scapinelli não foi selecionada por ter sido produzida em 2019, após o recorte temporal estabelecido. Assim, esta pesquisa aborda sobre o design de mobiliário brasileiro residencial segundo uma perspectiva de design de autor.

2. CONCEITO DE DESIGN 

Este artigo irá se apoiar no conceito de design estabelecido por Gui Bonsiepe (2012), designer e historiador alemão radicado no Brasil. Para ele, o design é a busca por definir problema e está associado a três aspectos: o agente social (usuário), a tarefa que pretende realizar (ação ou atividade) e a ferramenta (artefato ou objeto), a qual será utilizada. Acrescenta a esta relação projetual entre os elementos a noção de interface, ou seja, o elo entre as partes (Ilustração 01).

Ilustração 01 Conceito de design.

Fonte: Desenho da autora.

Quando se pensa em solucionar a questão “cortar alimentos”, a resposta projetual para esse problema é colocada de forma quase que oposta no exemplo citado pelo designer Kenya Hara, consagrado no Japão e internacionalmente. Ele compara duas facas de chefe: uma alemã, Henckels; e outra japonesa, sushi yagagiba (POTTER, s/d) (Ilustração 02).

Ilustração 02 Interface no design.

Fonte: Desenho da autora.

Ambas as facas são respostas excelentes para a questão posta, porém suas interfaces são distintas. Logo, explica que a primeira tem uma preocupação ergonômica e a segunda permite que o usuário preencha o vazio ergonômico com total liberdade. Assim, também, é possível verificar suas qualidades conceituais.

3. MÉTODO DE PESQUISA

Para realizar a leitura e análise projetual dos quatro carrinhos de chá reeditados pela empresa Etel Interiores, será adotado o seguinte método de pesquisa: a definição dos elementos de análise projetual; o estabelecimento do material de pesquisa tanto o do levantamento quanto o da análise; a definição dos critérios de análise; a apresentação do conteúdo de cada estudo de caso; e, por fim, a análise projetual em conjunto das três peças.

4. ELEMENTOS DE ANÁLISE PROJETUAL

Sobre os elementos de análise projetual, este trabalho toma como base as definições do professor Tai Hsuan-An (2017) descrito em seu livro. Segundo ele, é possível fazer uma leitura e análise projetual de um objeto de design por meio de quatro elementos definidos como principais: o usuário, o objeto, a atividade e o ambiente (HSUAN-AN, 2017). Também, cita que esses princípios podem ser compreendidos como “os quatro pilares do design” relacionados à estética, à estrutura, à ergonomia e à tecnologia (HSUAN-AN, 2017, p. 87).

Desse modo, Hsuan-An (2017) define os pilares da seguinte maneira:

– O usuário, que também pode ser entendido como um grupo de indivíduos de uma comunidade ou sociedade ou ainda o agente social de Bonsiepe (2012), é o público-alvo que irá tirar proveito ou utilidade do produto, sendo de grande relevância compreendê-lo. Podem ser extraídas as seguintes informações para identificá-lo ou caracterizá-lo:

Faixa etária (idades), sexo (masculino, feminino), atividade (profissão, especialidade, ocupação), características físicas (estatura, dimensões corporais), fisiológicas, mentais e psíquicas, fatores que influenciam no comportamento do usuário (sociais, econômicos, culturais, psicológicos, entre outros) (HSUAN-AN, 2017, p. 217).

– O objeto, ou a ferramenta, na visão de Bonsiepe (2012), é compreendido como o produto. O autor estabelece os seguintes critérios para analisá-lo: “a função utilitária ou utilidade, os elementos e as características (forma, estrutura, tamanho, peso, mecanismo, detalhes, materiais etc.) do produto devem ser claramente analisados” (HSUAN-AN, 2017, p. 217). Adiciona, também, a função estética e a função ergonômica.

– A atividade é percebida como sendo o exercício ou, ainda, a ação que o usuário desenvolve, como define Bonsiepe (2012). Para Hsuan-An (2017, p. 218), é possível defini-la respondendo às seguintes perguntas:

Que atividade? Como se procede (desenvolve)? É desenvolvida individualmente ou em grupo? Quando ocorre? Quanto tempo dura? Quais são as condições para que ela ocorra bem (espaço, iluminação, ventilação, acústica, conforto térmico, sinalização etc.)? Que ferramentas e técnicas devem ser usadas? Que móveis são usados? Como os objetos e móveis são dispostos? E assim por diante.

– O ambiente é o lugar físico onde, também, se encontram as condições climáticas, sonoras, visuais, espaciais, de organização dos elementos e até questões estéticas. Hsuan-An (2017) relaciona a eficácia da ação de acordo com a adequação do ambiente. E ressalta: “Para cada atividade específica deveria haver um ambiente correspondente” (HSUAN-AN, 2017, p. 218) (Ilustração 03).

Ilustração 03 Ambiente no design.

Fonte: Desenho da autora.

Hsuan-An (2017) propõe um questionamento como exercício para levantar os dados básicos de análise e compreensão dos elementos citados anteriormente, que, para este trabalho, serão aprendidos como uma listagem de verificação após a leitura e análise projetual:

Que produto é?

Quem o usa?

Quais são as funções básicas primárias e secundárias?

Quais são as suas partes e os componentes; como eles são conectados e como funcionam?

Quais são os materiais usados?

Ele funciona bem?

Quais são as necessidades do seu público-alvo ou mercado?

O produto proporciona confiabilidade, segurança e eficácia?

Como é seu aspecto visual? É bom, agradável ou atraente?

Permite fácil manutenção? […]

Quais são as diferenças apresentadas em comparação com outros produtos similares de outros concorrentes?

Que aspectos do produto podem resultar no seu sucesso comercial?

Os materiais usados implicam na configuração visual, segurança, confiabilidade e durabilidade do produto?

Os materiais e componentes usados são adequados?

Dessa forma, a leitura e análise projetual dos objetos selecionados para estudo de caso é baseada segundo os quatros elementos fundamentais de Tai Hsuan-An (2107) já descritos e, também, a questão conceitual de design definida por Gui Bonsiepe (2012) com a interface.

5. MATERIAL DE PESQUISA

Como material de pesquisa, foram levantados os seguintes dados: a autoria; o nome do objeto na Etel Interiores; o ano de produção da peça original; a empresa que produzia a peça original; o ano de início da reedição; as dimensões do objeto; os materiais que são fabricados atualmente; e a foto do objeto reeditado[6]. A autora, também, desenvolveu peças gráficas para análise de cada objeto. Então, foi possível montar um estudo das proporções, um estudo volumétrico e um estudo da relação com o ambiente.

6. CRITÉRIOS DE ANÁLISE

Após o entendimento dos elementos de leitura e análise projetual que fundamentam esta pesquisa: o usuário, o objeto, a atividade, o ambiente e a interface, além da reunião do material necessário para a realização desta pesquisa, foram estabelecidos os critérios de análise dos estudos de caso.

Primeiro, com o levantamento das dimensões de cada carrinho de chá e a observação das imagens do objeto, foi feito um estudo das proporções em duas dimensões: vista superior, vista lateral e; vista frontal. Na sequência, esse desenho foi transposto para um estudo volumétrico digital. Por meio desse estudo, foi possível desenhar uma vista explodida. Assim, a partir dessa peça gráfica, foi investigada a questão da função utilitária ou utilidade segundo os tópicos: partes e peças; estrutura; movimentação e rodízio (mecanismo); alça ou pega e materiais. Logo, obtêm-se a análise do elemento objeto.

Segundo, a análise da relação do objeto com o usuário. Para esta leitura, foi estipulada uma escala humana adulta com estatura de 1,70 m. Na continuação, foram feitas simulações de posturas ao lado do objeto volumétrico: em pé, sentado, alcançando a alça do carrinho e alcançando o nível das bandejas. Importante salientar que as medidas informadas neste estudo são estimativas da autora de acordo com informações levantadas ou observações das imagens publicadas de cada peça.

Terceiro, a investigação da atividade conforme possíveis disposições de objetos no carrinho de chá e a relação dos planos horizontais. As simulações propõem um uso de aparador (vaso de planta, velas), ou apoio ao ambiente de estar (livros, revistas), ou bar aberto (garrafas, copos), ou um uso de apoio para serviço de chá (chaleira, xícaras).

Por último, a análise do objeto em relação ao ambiente. O contexto simulado foi o apoio para a sala de estar além de estarem contempladas a disposição dos objetos conforme a análise de atividade descrita anteriormente e, também, a relação com o usuário. Já a questão da interface do objeto aparece junto com cada uma das análises mencionadas anteriormente por ser um conceito implícito na relação dos elementos.

7. APRESENTAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASO

7.1 GREGORI WARCHAVCHIK

Dados Gerais

Autor Gregori Ilych Warchavchik (*1896, Ucrânia, †1972, Brasil)

Nome Carrinho de chá GW

Ano 1928

Empresa Artesanal, oficina própria

Reedição 2003

Dimensões P 100 x L 47 x A 81 cm

Material Madeira maciça (Cedro, Freijó, Imbuia ou Sucupira) e aço carbono cromado

7.1.1 ESTUDO DAS PROPORÇÕES OU DIMENSÕES

Ilustração 04 Dimensões.

Fonte: Desenho da autora.

Ilustração 05 Carrinho de Chá, reedição da ETEL.

Fonte: etel.design/product/carrinho-de-cha-warchavchik

7.1.2 OBJETO

7.1.3 [A] ESTRUTURA

A estrutura principal do carrinho de chá GW são duas peças principais metálicas em aço carbono com seção tubular e acabamento em banho de cromo. Uma das peças [A1], que apresenta duas curvaturas, percorre o eixo central do objeto. A outra [A2] conecta as duas rodas laterais e é fixada na estrutura citada anteriormente. Como elemento secundário, pode-se observar a presença de apoios nas bordas externas e abaixo de cada bandeja (Ilustração 06). Elas, também, são metálicas em aço carbono com o mesmo acabamento da estrutura principal, porém em seção barra chata e evidenciam a sustentação dos três níveis horizontais.

7.1.4 [B] PARTES E PEÇAS

As partes e peças do carrinho são formadas, além da estrutura, por três bandejas: uma superior [B1], uma no centro [B2] e outra inferior [B3]. Todas produzidas em madeira maciça (Cedro, Freijó, Imbuia ou Sucupira) com uma pequena borda mais espessa. As bandejas podem ser removíveis e, por isso, possuem duas alças, cada uma na extremidade oposta do maior lado (largura). Elas têm um formato em arco e são feitas na mesma materialidade e acabamento da estrutura da peça: em aço carbono com banho em cromo.

7.1.5 [C] MOVIMENTAÇÃO / RODÍZIO

O carrinho de chá GW possui três pontos de apoio estruturais da peça, porém apenas dois deles possuem a função de rodízio, com movimentação. Esses apoios são as rodas laterais produzidas em três partes: na parte externa, duas chapas de madeira maciça (Cedro, Freijó, Imbuia ou Sucupira) esculpidas com uma curvatura e, na parte interna, as imagens sugerem uma peça com um revestimento emborrachado. Elas fornecem um movimento em eixo único: para frente ou para trás. Já o terceiro apoio é fixo e está implícito em uma das partes e peças da estrutura, no eixo principal, e é formado por uma de suas curvaturas.

7.1.6 [D] ALÇA / PEGA

A pega do carrinho de chá GW é formada por um único elemento e, assim como descrito no item Movimentação / Rodízio sobre o ponto de apoio fixo, ela, também, faz parte da mesma peça da estrutura principal do objeto. Localizada no eixo e em uma das extremidades, a seção tubular está paralela ao chão a uma altura de 80 cm aproximadamente.

7.1.7 ESTUDO VOLUMÉTRICO: PERSPECTIVA

Ilustração 06 Perspectiva.

Fonte: Desenho da autora.

7.1.8 ESTUDO VOLUMÉTRICO: PERSPECTIVA EXPLODIDA

Ilustração 07 Perspectiva explodida.

Fonte: Desenho da autora.

7.2 USUÁRIO

7.2.1 INTERFACE COM O USUÁRIO

O carrinho de chá de Gregori Warchavchik apresenta possíveis interpretações de interfaces com o usuário. Entre elas, está a relação com a alça de movimentação da peça, que, como já informado no item Alça / Pega, está a uma altura de 80 cm do chão aproximadamente. Seu desenho motiva o usuário a pegar com as duas mãos posicionadas no eixo central do corpo e em frente ao quadril com cotovelos sem flexionados e braços bem rentes ao tronco. Assim, é possível levantar a peça do ponto de apoio fixo e movê-la para frente ou para trás.

Outra relação de interface com o usuário são as três bandejas, que, também, podem ser removíveis por meio de suas alças. Estas estão a uma distância de 70 cm aproximadamente. Se se considerar um padrão de 45 cm de largura do tronco do usuário, este precisará afastar lateralmente pelo menos 12,5 cm de cada lado. Seus braços ficaram abertos, podendo ter cotovelos flexionados ou esticados no deslocar de cada bandeja. A posição apoiada no carrinho da bandeja superior se encontra a uma altura de 70 cm do chão aproximadamente, dimensão agradável para buscar objetos tanto para quem está em pé quanto sentado. Já a bandeja central se encontra a uma altura de 47 cm do chão e a inferior está a 21 cm. Ambas têm 21 cm livres entre seu nível e o topo inferior da bandeja acima. Para essas situações, o usuário, provavelmente, terá que se agachar na posição em pé e se inclinar na posição sentada.

Ilustração 08 Vistas com o usuário.

Fonte: Desenho da autora.

7.3 ATIVIDADE

7.3.1 DISPOSIÇÃO DOS OBJETOS

Como já descrito anteriormente, essa peça possui três níveis de apoio horizontal. O nível superior possui uma dimensão um pouco maior do que as demais, de 71 cm de largura por 41 cm de profundidade aproximadamente. Pode ser utilizado como apoio, por exemplo, do serviço de chá com chaleira e xícaras, ou como bar aberto, com garrafas para drinques etc. As outras duas bandejas têm a mesma profundidade e 67 cm de largura e possuem uma área livre de 21 cm de altura entre o topo inferior da bandeja que está acima. Essa dimensão é um pouco desfavorável para o apoio de garrafas de drinques. Pode, sim, acomodar objetos de pouca altura, livros ou revistas para decorar, vaso de flores, garrafinhas d’água e copos entre outras tantas possibilidades. O carrinho de chá GW possui aproximadamente uma área livre de 0.73 m² para a disposição dos objetos.

Ilustração 09 Vista lateral com a disposição dos objetos.

Fonte: Desenho da autora.

7.4 AMBIENTE

7.4.1 INTERFACE COM O AMBIENTE

O estudo de interface do objeto com o ambiente pretende simular o espaço de estar residencial.  A inserção do carrinho de chá GW nessa configuração se destaca pela possibilidade de ambientação dos seus três níveis de apoio. O desenho sucinto da estrutura e do balanço das bandejas proporciona uma estética-formal leve, evidenciando, assim, a qualidade conceitual atemporal desse objeto desenhado em 1928.

Ilustração 10 Perspectiva com o usuário e a disposição da peça no ambiente.

Fonte: Desenho da autora.

 

7.5 LINA BO BARDI

Dados Gerais

Autor Achilina di Enrico Bo Bardi, Lina Bo Bardi (*1915, Itália, †1992, Brasil)

Nome Carrinho de chá LBB

Ano 1948

Empresa Pau Brasil | Nucleon 8

Reedição 2017

Dimensões P 99 x L 50 x A 62,5 cm

Material Madeira maciça (Cedro, Freijó, Imbuia ou Sucupira)

7.5.1 ESTUDO DAS PROPORÇÕES OU DIMENSÕES

Ilustração 11 Dimensões.

Fonte: Desenho da autora.

7.5.2 CARRINHO DE CHÁ LBB, REEDIÇÃO ETEL

Ilustração 12 Carrinho de Chá, reedição da ETEL.

Fonte: etel.design/product/carrinho-de-cha-lbb

7.5.3 OBJETO

7.5.3.1 [A] ESTRUTURA

A estrutura principal do carrinho de chá da arquiteta Lina Bo Bardi é formada por duas laterais verticais produzidas em madeira. Atualmente, a madeira é somente maciça (Cedro, Freijó, Imbuia ou Sucupira). O projeto original, também, contou com exemplares utilizando o compensado de madeira. Cada lateral possui três partes encaixadas, provavelmente, por uso de cavilhas. Assim, possibilita um racionamento do uso do material. A estética-formal dessas laterais da peça parece remeter aos pilares característicos da arquitetura modernista brasileira. Já o travamento da estrutura, que garante sua estabilidade, é feito horizontalmente pelas próprias bandejas da peça.

7.5.3.2 [B] PARTES E PEÇAS

As partes e peças desse carrinho, além da estrutura descrita no item anterior, são as duas bandejas: uma superior [B1] e a outra inferior [B2], ambas produzidas em madeira maciça (Cedro, Freijó, Imbuia ou Sucupira), com uma borda externa mais espessa, e não têm a possibilidade de removê-las. O plano de apoio das bandejas para os objetos, ao observar o brilho ou o reflexo nas imagens, sugere a aplicação de uma camada de proteção à umidade, podendo ser um acabamento em verniz. Há, ainda, as quatro pequenas rodinhas.

7.5.3.3. [C] MOVIMENTAÇÃO / RODÍZIO

O carrinho de chá LBB possui quatro pontos de apoio e todos eles dispõem a função de rodízio com movimentação. Por meio deles, é possível ter um deslocamento livre, pois permitem giros em 360° em relação ao pino de encaixe. Desse modo, os rodízios são formados das seguintes partes e peças: uma roda pequena em torno de 5 a da 10 cm provavelmente, envolvida por uma chapa de alumínio dobrada em “U” na cor natural e dois pinos, um na horizontal fazendo o travamento da roda com a chapa de alumínio e outro na vertical, proporcionando a conexão da chapa de alumínio com a estrutura lateral de madeira do carrinho.

7.5.3.4 [D] ALÇA / PEGA

A alça do carrinho de chá da Lina é composta por duas hastes horizontais. Ambas são um complemento do desenho da estrutura lateral da peça. E, também, fornecem a acomodação de um dos lados da bandeja superior.

7.5.3.5 ESTUDO VOLUMÉTRICO: PERSPECTIVA

Ilustração 13 Perspectiva.

Fonte: Desenho da autora.

7.5.4 ESTUDO VOLUMÉTRICO: PERSPECTIVA EXPLODIDA

Ilustração 14 Perspectiva explodida.

Fonte: Desenho da autora.

7.6 USUÁRIO

7.6.1 INTERFACE COM O USUÁRIO

O carrinho de chá da Lina Bo Bardi possui poucas interpretações de interfaces com o usuário. Umas delas pode ser considerada a alça de movimentação do objeto, que está a uma altura de 60 cm aproximadamente do chão. Dessa forma, sua dimensão é um pouco baixa para a posição em pé. Dessa maneira, provavelmente, o usuário tenha que curvar seu tronco e, também, flexionar um pouco seus joelhos para alcançar o que deseja. Outra opção é levantar a pega e retirar do chão os dois apoios posteriores e utilizar apenas os dois frontais. Assim, o usuário conseguirá estar em uma posição mais ereta.

O único lado negativo é a inclinação dos planos horizontais, que pode acabar derrubando os objetos. Com a peça toda no chão, a mesma situação das alças acontece quando o usuário busca objetos que estejam rentes à bandeja superior. Porém, há a possibilidade de alcançar objetos altos, isto é, garrafas que tenham pelo menos uns 20 cm. No caso da posição sentada, essa relação parece ser mais confortável, na qual os braços poderão estar esticados e o corpo levemente inclinado para frente. Sobre a bandeja inferior, a situação do usuário sentado, provavelmente, terá que inclinar o tronco um pouco mais do que no cenário da bandeja acima; igualmente, quando estiver em pé, terá que flexionar-se e curvar-se ainda mais.

Ilustração 15 Vistas com o usuário.

Fonte: Desenho da autora.

7.7 ATIVIDADE

7.7.1 DISPOSIÇÃO DOS OBJETOS

Os objetos podem estar dispostos em dois níveis. O nível superior possui um formato retangular com uma dimensão de 74 cm de largura por 50 cm de profundidade aproximadamente. Assim, há maneiras variadas de compor dentro dessa área; isto é, o serviço de chá ou de bebidas em geral, uma luminária de mesa proporcionando uma luz ambiente ou objetos pessoais (livros, revistas) etc.

O nível inferior é um pouco menor, com 43 cm de profundidade e 62 cm de largura, no qual, praticamente, dois terços estão abaixo da bandeja superior; ou seja, tem uma altura livre de 15-16 cm. Assim, é possível dispor objetos miúdos.

Ilustração 16 Vista lateral com a disposição dos objetos.

Fonte: Desenho da autora.

7.7.2 AMBIENTE

7.7.2.1 INTERFACE COM O AMBIENTE

No ambiente de estar residencial, o carrinho de chá LBB parece compor como apoio as mobílias, que têm função de sentar pela sua baixa estatura (60 cm de altura); ou seja, como uma mesa lateral. Porém, esta é móvel e com dois níveis.

Ilustração 17 Perspectiva com o usuário e a disposição da peça no ambiente.

Fonte: Desenho da autora.

7.8 JORGE ZALSZUPIN

Dados Gerais

Autor Jorge (Jersey) Zalszupin (*1922, Polônia)

Nome Carrinho de chá JZ

Ano 1959

Empresa L’Atelier Móveis

Reedição 2006

Dimensões P 112,6 x L 49,2 x A 73,6

Material Madeira maciça (Imbuia) e metal Aço carbono e latão.

7.8.1 ESTUDO DAS PROPORÇÕES OU DIMENSÕES

Ilustração 18 Dimensões.

Fonte: Desenho da autora.

7.8.2 CARRINHO DE CHÁ JZ, REEDIÇÃO ETEL

Ilustração 19 Carrinho de Chá, reedição da ETEL.

Fonte: etel.design/product/ carrinho-de-cha-jz

7.8.2.1 OBJETO

7.8.2.2 [A] ESTRUTURA

A estrutura principal [A1] do carrinho de chá JZ é uma peça metálica em aço carbono maciço e seção quadrada com acabamento em pintura eletrostática, cor preta. A barra fornece sustentação para a bandeja superior como também para a bandeja inferior. Somam-se os apoios aos rodízios tanto para as duas rodas laterais quanto para a esfera que está conectada ao eixo direcional [A2] do objeto.

7.8.2.3 [B] PARTES E PEÇAS

As partes e peças do carrinho são: a bandeja superior [B1] produzida por meio de chapas de ripas de madeira maciça (Imbuia) coladas e esculpidas formando um rebaixo com o desenho de três quadrados pequenos justapostos a um quadrado maior e duas aberturas em formato oval, que têm a função de alça da bandeja quando removível; a bandeja inferior [B2] é fabricada em laminado moldado com três dobras para cima: duas laterais e uma frontal; as duas rodas laterais, aro e quatro raios são produzidos em latão e têm seção barra chata; o terceiro ponto de apoio e, também, rodízio do objeto é feito de madeira maciça (Imbuia) torneada em formato de esfera; e, por último, a alça ou a pega, que está conectada ao eixo direcional do carrinho, feita em madeira maciça (Imbuia) esculpida em um desenho que remete a uma alça de uma bengala.

7.8.2.4 [C] MOVIMENTAÇÃO / RODÍZIO

O carrinho de chá JZ possui três pontos de apoio estruturais da peça e todos eles contemplam a função de rodízio, movimentação. Dois desses pontos são as rodas laterais [C1] em latão e o terceiro [C2] é a esfera em madeira maciça. Todos esses elementos se movimentam em um único eixo; ou seja, para frente ou para trás.

7.8.2.5 [D] ALÇA / PEGA

Após a compreensão das características de movimentação do carrinho de chá JZ, pode-se observar sua alça. Como já descrito no item Partes e peças, o desenho da pega remete a uma alça de uma bengala. E acrescenta-se essa lembrança por ser, ainda, um único elemento e proporcionar ao usuário a utilização de apenas uma das mãos.

7.8.2.6 ESTUDO VOLUMÉTRICO: PERSPECTIVA

Ilustração 20 Perspectiva.

Fonte: Desenho da autora.

7.8.2.7 ESTUDO VOLUMÉTRICO: PERSPECTIVA EXPLODIDA

Ilustração 21 Perspectiva explodida.

Fonte: Desenho da autora.

7.9 USUÁRIO

7.9.1 INTERFACE COM O USUÁRIO

O carrinho de chá de Jorge Zalszupin possui algumas interfaces com o usuário. A primeira delas pode ser interpretada como a alça de movimentação do eixo direcional da peça, que está a uma altura de 74 cm aproximadamente, equivalente à altura de mesa de trabalho ou mesa de jantar. Dessa maneira, provavelmente, o usuário alcance a alça com o braço esticado. Já a bandeja superior está a uma altura aproximada de 64 cm, considerada uma altura agradável para buscar um objeto tanto na posição em pé quanto na posição sentada. Essa peça, também, pode ser removível pela sugestão das duas cavidades no tampo a uma distância de 58 cm aproximadamente. Assim, é possível o usuário acomodar seus braços em uma posição paralela ao tronco de seu corpo. Por fim, a bandeja inferior é fixa e está a uma altura de 24 cm do chão. Na posição em pé, o usuário terá que se agachar e se inclinar na posição sentada.

Ilustração 22 Vistas com o usuário.

Fonte: Desenho da autora.

7.10 ATIVIDADE

7.10.1 DISPOSIÇÃO DOS OBJETOS

Os objetos podem ser dispostos em dois níveis. O nível superior possui uma dimensão de 63 cm de largura por 45 cm de profundidade aproximadamente. Porém, seu tampo é compartimentado em quatro “nichos” rebaixados. Nos três quadrados menores é possível colocar objetos pequenos como por exemplo, sementes (castanhas etc.), os saches de chá e de açúcar ou mesmo um açucareiro entre tantos outros. No quadrado maior, podem ser acomodados, por exemplo, o serviço de chá, ou água com chaleira e xícaras, ou jarra e copos.

No nível inferior, a profundidade, também, é de 45 cm e sua largura é maior, com 90 cm aproximadamente de área livre e altura aproximada de 37 cm até o topo inferior na bandeja acima. Sendo assim, é possível comportar por exemplo, garrafas para drinques, livros ou revistas para decorar entre outros.

Ilustração 23 Vista lateral com a disposição dos objetos.

Fonte: Desenho da autora.

7.10.2 AMBIENTE

7.10.3 INTERFACE COM O AMBIENTE

Ao propor o estudo da ambientação do espaço residencial de estar, o carrinho de chá JZ se apresenta como uma possibilidade de ser um objeto com bastante presença estética-formal pelo seu desenho conciso tanto da estrutura em aço carbono quanto das bandejas em madeiras. Mas o que se releva como destaque são suas grandes rodas laterais metálicas em latão em contraste com os materiais sóbrios do restante da peça.

Ilustração 24 Perspectiva com o usuário e a disposição da peça no ambiente.

Fonte: Desenho da autora.

8. ANÁLISE GERAL DOS ESTUDOS DE CASO

Como resultado da leitura e analise projetual individual dos carrinhos de chá reeditados pela empresa de móveis Etel, foi possível comparar algumas de suas características e mapear semelhanças e diferenças em relação aos itens estudados.

8.1 OBJETO

8.1.1 CARRINHO DE CHÁ GW

Ilustração 25 Perspectiva.

Fonte: Desenho da autora.

8.1.2 CARRINHO DE CHÁ LBB

Ilustração 26 Perspectiva.

Fonte: Desenho da autora.

8.1.3 CARRINHO DE CHÁ JZ

Ilustração 27 Perspectiva.

Fonte: Desenho da autora.

Ilustração 28 Tabela de comparação dos estudos de caso.

  GW LBB JZ
Ano do projeto original 1928 1948 1959
Ano reedição 2003 2017 2006
Plano horizontal 3 2 2
Bandeja removível 3 0 1
Apoio de chão 3 4 3
Rodízios 2 4 3
Disposição dos objetos 0,73 m² 0,59 m² 0,61 m²
Largura (cm) 47 50 49,2
Profundidade (cm) 100 99 112,6
Altura (cm) 81 62,5 73,6
Materiais madeira maciça e aço carbono madeira maciça madeira maciça, aço carbono e latão

Fonte: Elaborado pela autora.

Largura, profundidade, área de disposição dos objetos, tipo de movimentação com rodízios e presença da madeira maciça são elementos semelhantes nas três peças. Já a altura é um elemento que se distingue em cada uma delas. Outros aspectos podem ser semelhantes ao se comparar apenas entre duas peças; isto é, quantidade de planos horizontais, uso do metal aço carbono, rodas laterais e ter bandeja removível. Assim, esses podem ser os atributos de leitura e análise geral do objeto, também apresentados na (Ilustração 28).

8.2 USUÁRIO, ATIVIDADE E AMBIENTE

8.2.1 CARRINHO DE CHÁ GW

Ilustração 29 Vista lateral com a disposição dos objetos.

Fonte: Desenho da autora.

8.2.2 CARRINHO DE CHÁ LBB

Ilustração 30 Vista lateral com a disposição dos objetos.

Fonte: Desenho da autora.

8.2.3 CARRINHO DE CHÁ JZ

Ilustração 31 Vista lateral com a disposição dos objetos.

Fonte: Desenho da autora.

A interface com o usuário foi interpretada em relação ao alcance das alças de movimentação do carrinho de chá, das alças das bandejas removíveis e, também, das bandejas fixas. Em cada uma delas, a interação com o objeto é um pouco distinta, visto que suas propostas projetuais apontam conceitos diferentes tanto de locomoção quanto dos planos horizontais. Já a disposição dos objetos varia de acordo com o desenho da bandeja e suas áreas livres no eixo horizontal como também no eixo vertical.

8.2.4 CARRINHO DE CHÁ GW

Ilustração 32 Perspectiva com o usuário e a disposição da peça no ambiente.

Fonte: Desenho da autora.

8.2.5 CARRINHO DE CHÁ LBB

Ilustração 33 Perspectiva com o usuário e a disposição da peça no ambiente.

Fonte: Desenho da autora.

8.2.6 CARRINHO DE CHÁ JZ

Ilustração 34 Perspectiva com o usuário e a disposição da peça no ambiente.

Fonte: Desenho da autora.

A interface com o ambiente de estar residencial pode ser entendido como um complemento   utilitário desse espaço, ora como local para serviço de bebidas, seja água, chá, drinques, ou como um elemento decorativo, como uma pequena estante ou prateleira ou mesa lateral.

8.3 LISTAGEM DE VERIFICAÇÃO  

Respondendo a algumas perguntas do questionário proposto por Tai Hsuan-An (2017):

Que produto é? Carrinho de chá, ou de bebidas, ou uma mesinha móvel.

Quem o usa? No dia a dia, provavelmente, usado visual ou pontualmente pelos habitantes da casa e em dia de evento pode ser usado pelos donos da casa ou pelos seus convidados.

Quais são as funções básicas primária e secundária? A função básica primária é o apoio no plano horizontal e a secundária é a possibilidade de locomoção da peça.

Quais são as suas partes e os componentes? como eles são conectados e como funcionam? Quais são os materiais usados? Ver a descrição feita no item Objeto de cada peça.

Ele funciona bem? Como apoio para os objetos, as peças atendem de forma satisfatória. Para sua locomoção, é preciso ter alguns cuidados: não sobrecarregar a peça, ter atenção ao incliná-los ou andar sobre piso irregular, pois as peças podem ser consideradas frágeis.

Quais são as necessidades do seu público-alvo ou mercado? Um objeto para apoio, com locomoção, e, também, ter uma função estética-formal.

O produto proporciona confiabilidade, segurança e eficácia? Se se considerar uma casa adaptada para uma criança pequena, provavelmente essas peças não farão parte dos móveis essenciais; caso elas existam nesse ambiente, terá que ser supervisionado por um adulto.

Como é seu aspecto visual? É bom, agradável ou atraente? O desenho das três peças pode ser considerado como clássico do móvel moderno. Seus traços são elegantes, concisos e agradáveis.

Permite fácil manutenção? Aparentemente, a manutenção dessas peças é apenas uma limpeza com pano um pouco úmido; ou seja, considerada bem fácil.

Quais são as diferenças apresentadas em comparação com outros produtos similares de outros concorrentes? Como foram apresentadas três modelos, suas diferenças já foram salientadas.

Que aspectos do produto podem resultar no seu sucesso comercial? Além de sua produção cuidadosa, o sucesso comercial pode estar vinculado ao design de autor. Isto é, além dos conceitos projetuais, o fato de ter uma assinatura de designers e arquitetos consagrados no período dos móveis modernos brasileiros é algo que, também, pode atrair o consumidor final tanto interno quanto internacional.

Os materiais usados implicam a configuração visual, segurança, confiabilidade e durabilidade do produto? Os materiais e componentes usados são adequados? Os materiais, como madeira maciça, aço carbono e latão, são recorrentes e adequados para o mobiliário residencial. Proporcionam, além do aspecto visual, segurança, confiabilidade e durabilidade do produto.

9. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A leitura e análise dos carrinhos de chá reeditados pela empresa Etel, aqui selecionados como estudo de caso dos autores modernos Gregori Warchavchik, Lina Bo Bardi e Jorge Zalszupin, trouxeram como resultado apontamentos projetuais sobre: o objeto (como as questões materiais, estruturais, encaixes e detalhes entre outras), possíveis interpretações da interface desse objeto com o usuário e o ambiente, e, ainda, em relação à sua atividade.

Essa função utilitária teve, consequentemente, uma atualização; ou seja, o carrinho de chá, que em sua origem fora projetado como apoio para serviço de chá, hoje, também, pode servir para outros usos, como um móvel bar de bebidas sem portas ou como peça de composição decorativa. Já nas questões construtivas, foram mantidos os processos artesanais e introduzidos materiais, no caso da madeira, com certificação ambiental.

Assim, é possível perceber que as interfaces, principalmente com o usuário, e também em relação à disposição dos objetos (a atividade), nem sempre têm uma relação ideal ou adequada para esses novos usos apesar de esses objetos representarem o legado estético-formal e funcional do móvel moderno brasileiro.

Em suma, após a investigação dos elementos de projeto definidos e caracterizados pelo professor Tai Hsuan-An (2017), o exercício proposto poderá ser utilizado como modelo; isto é, como olhar crítico do designer, e, assim, converter em processos projetuais na prática, aplicando esses conceitos em novos produtos que tenham funções similares. Ao observar as características positivas e negativas e ter o entendimento das interfaces, acredita-se ser possível projetar um novo produto de forma mais objetiva, assertivo e consciente em relação aos seus usos, manutenção e produção.

10. REFERÊNCIAS

BONSIEPE, G. Design como prática de projeto. 1. ed. São Paulo: Blücher, 2012.

HSUAN-AN, T. Design: conceitos e métodos. 1a. edição. São Paulo: Blucher, 2017.

POTTER, C. L. Discussing design with Kenya Hara. Disponível em: <www.mutebyjl.com/blogs/mute-this-moment/discussing-design-with-kenya-hara>. Acesso em: 8 jun. 2020.

SANTOS, M. C. L. dos. Móvel moderno no Brasil. 1. ed. São Paulo: Ed. do Senac São Paulo; Olhares, 2017.

APÊNDICE – NOTAS DE RODAPÉ

3. Este artigo faz parte da pesquisa de Mestrado da autora que está em andamento.

4. Etel Carmona, nascida em 1947, designer brasileira autodidata, tem sua trajetória profissional iniciada ao longo dos anos 1980 com ênfase em restauro de objetos antigos. Em 1985, fundou a empresa ETEL para produção de mobiliário de designers e arquitetos consagrados no cenário moveleiro, sendo a maior representante desse patrimônio nacional.

5. Tai Hsuan-An (*1950, China) é designer, arquiteto e artista plástico residente no Brasil e autor do livro Design: conceitos e métodos, referência utilizada para embasamento teórico desta pesquisa.

6. Imagens publicadas no portal digital da empresa Etel Interiores: etel.design

APÊNDICE – TABELA EM INGLÊ

Ilustration 28 Comparison table of case studies.

  GW LBB JZ
Original design year 1928 1948 1959
Reissue year 2003 2017 2006
Horizontal plane 3 2 2
Removable tray 3 0 1
Floor support 3 4 3
Castors 2 4 3
Arrangement of objects 0.73 m² 0.59 m² 0.61 m²
Width  (cm) 47 50 49.2
Depth (cm) 100 99 112.6
Height (cm) 81 62.5 73.6
Materials solid wood and carbon steel solid wood solid wood, carbon steel and brass

Font: Prepared by the author.

[1] Pós-graduação Stricto Sensu – Mestrado (em andamento com previsão de conclusão para agosto de 2020) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós-graduação (concluída em 2017) em Design de Movelaria pela Universidade SENAC, Graduação (concluída em 2010) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

[2] Doutorado em História da Educação e Filosofia do Conhecimento. Mestrado em Arquitetura e Urbanismo. Graduação em Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Enviado: Junho, 2020.

Aprovado: Julho, 2020.

Pós-graduação Stricto Sensu – Mestrado (em andamento com previsão de conclusão para agosto de 2020) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pós-graduação (concluída em 2017) em Design de Movelaria pela Universidade SENAC, Graduação (concluída em 2010) em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.

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