Educação Financeira: Uma Influência Positiva Na Vida Das Pessoas

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ARTIGO ORIGINAL

SARMENTO, Gisele Sousa de Moraes [1]

SARMENTO, Gisele Sousa de Moraes. Educação Financeira: Uma Influência Positiva Na Vida Das Pessoas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 06, Ed. 05, Vol. 09, pp. 248-263. Maio de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/administracao/influencia-positiva

RESUMO

Este estudo apresenta a influência da educação financeira na vida das pessoas, bem como expõe que a informação, a formação e a orientação sobre o dinheiro podem interferir positivamente oferecendo vantagens em diversos campos da vida cotidiana. Isto é, o conjunto dessas três contribuirá, consequentemente, com a melhoria da qualidade de vida de todos, gerando mais tranquilidade, bem-estar, satisfação pessoal, além de ser o melhor caminho para alcançar a prosperidade e, até mesmo, a independência financeira. O estudo tem como objetivo demonstrar a importância de educar-se financeiramente, visto que a partir do momento que se aprende a lidar com as próprias finanças, também consegue adequar o planejamento financeiro à própria realidade. E aprende, igualmente, a valorizar o próprio capital e ter mais liberdade de escolhas. Logo, ressalta-se o fato de que o quanto antes essa habilidade for desenvolvida, mais fácil será possível aprimorar-se rumo a uma vida financeiramente mais estável e confortável. Para isso, foi realizada uma pesquisa bibliográfica que reuniu materiais de autores renomados da área de finanças, buscando acompanhar e atualizar como os recursos financeiros são e devem ser investidos e as formas básicas nas quais sejam utilizadas ou aplicadas para obter riquezas. Sendo assim, ao final do presente estudo, conclui-se que por meio do entendimento em finanças, as pessoas poderão tomar as decisões mais adequadas frente ao planejamento financeiro pessoal, além de compreender a importância de saber administrar os recursos financeiros e definir em qual investimento os resultados serão mais satisfatórios no alcance dos objetivos e das metas que foram estabelecidos para curto, médio e longo prazos.

Palavras-Chave: Educação Financeira, dinheiro, independência, qualidade de vida.

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, no cotidiano das pessoas, noções de finanças tornaram-se essenciais. Assim, compreende-se que conhecimentos financeiros não se restringem somente às pessoas ligadas ao panorama de finanças e economia. Pelo contrário, são ferramentas fundamentais na vida de qualquer cidadão e tem por objetivo fazer com que as pessoas saibam se planejar, de acordo com a própria realidade financeira, para atingir as metas estipuladas por elas ao longo da vida.

O intuito da educação financeira não se limita somente a ajudar as pessoas na tarefa de administrarem o dinheiro simplesmente por administrar. Ela permite que todos tenham mais conhecimento e consciência sobre as próprias receitas e despesas, mais confiança para investir, cuidem do futuro proporcionando a prevenção de problemas para que as dificuldades não apareçam. Além disso, traz melhorias nas relações pessoais e profissionais e, por conseguinte, paz de espírito e uma saúde financeira equilibrada.

O presente estudo tem como objetivo analisar as influências que a educação financeira pode ter na vida das pessoas, apresentar as vantagens e a importância que esse assunto pode ter para todos. A proposta desta pesquisa é abordar também conceitos fundamentais sobre planejamento financeiro pessoal, a compreensão sobre investimentos, seus tipos e características. Além das habilidades que devem e podem ser desenvolvidas por qualquer indivíduo, independentemente da idade e faixa de renda, lembrando que: o quanto antes essas aptidões são desenvolvidas e aprimoradas, mais próxima estará a independência financeira. Este trabalho procura ainda demostrar definições e conceitos relacionados ao assunto para o seu melhor entendimento.

O tipo de pesquisa utilizado foi de caráter descritivo com abordagem qualitativa. Além disso, foi realizado um levantamento bibliográfico, por meio de pesquisa em livros e em outros tipos de publicações válidas, tanto de conteúdo científico quanto de domínio público. As informações foram identificadas, analisadas de acordo com o problema de pesquisa e citadas segundo a relevância com o objetivo de sustentar, esclarecer e ilustrar, contribuindo assim para o estudo.

2. EDUCAÇÃO FINANCEIRA

A educação tem como objetivo ensinar ao ser humano para que ele tenha conhecimento de algo e saiba desenvolvê-lo na prática ao longo da vida. Seguindo essa mesma linha de raciocínio, a educação financeira tem como propósito fazer com que as pessoas aprendam a administrar o próprio dinheiro, de forma honesta, praticando princípios financeiros saudáveis com o objetivo de prosperar cada vez mais.

Com o estudo das finanças, é possível desenvolver a habilidade de investir os próprios recursos adquirindo confiança para alcançar os objetivos. A formação financeira oferece diversas vantagens como planejamento financeiro pessoal, aprendizagem em administrar o próprio consumo, além de minimizar as dificuldades e problemas que possam surgir eventualmente, prevenir e até mesmo impedir endividamentos, inadimplências, descontrole e insegurança orçamentária.

De acordo com o escritor, educador e terapeuta financeiro, Domingos (2012, p. 95), o maior problema está exatamente na falta de abertura para tratar de determinados tipos de assuntos relacionados à economia, como é o caso da educação financeira. Para ele, o primeiro passo a ser dado é ampliar as possibilidades de tratar o tema, começando de forma simples e objetiva, no âmbito familiar, tendo em vista que

[…] a educação financeira ainda é um tema pouco discutido nos lares brasileiros e uma espécie de tabu nas relações familiares. Em geral, o que acontece com mais frequência é virar um elemento de conflito, justamente por não ser discutido de forma aberta e transparente. Isso significa que, quanto mais luz você jogar sobre esse assunto, mais fácil vai ser lidar com essas questões daqui em diante. É preciso combater a causa do problema e não mais o efeito. E o melhor: resolvendo as suas próprias questões em relação ao dinheiro, você estará mais saudável e equilibrado para plantar a semente da prosperidade na sua casa, no seu ambiente de trabalho e em todas as comunidades das quais você possa vir a participar.

Partindo desse pressuposto, Kiyosaki (2017) explica que o foco é que deve mudar, pois histórica e culturalmente as pessoas não costumam ter uma preparação e inteligência financeira desenvolvidas desde cedo. Pelo contrário, ele discorre que, geralmente, o que se vê são indivíduos que confundem fins e meios, já que demonstram preocupação excessiva com o dinheiro em si e não com a educação (e o conhecimento), que de fato pode ser considerada a maior riqueza de uma pessoa.

Segundo o autor, se as pessoas conseguirem se tornar mais flexíveis e abertas ao novo, aos aprendizados, elas se tornarão cada vez mais ricas. Afinal, de acordo com esse pensamento do escritor, é a inteligência que permite ao indivíduo ter condições de resolver problemas e gerar recursos e/ou dinheiro. Portanto, ao utilizar o dinheiro sem ter a inteligência necessária, o indivíduo estará fadado ao fracasso e às perdas de dinheiro rapidamente (KIYOSAKI, 2017).

Ainda seguindo essa linha de raciocínio, Kiyosaki (2017, p. 19) acrescenta que se trata também de uma questão de segurança, pois o conhecimento promove a ousadia e, com ela, vêm as oportunidades de tentar e testar sem medo do novo, de arriscar ou de se arrepender depois, uma vez que “com educação financeira, seus riscos diminuem, seus lucros aumentam e seus impostos caem. A questão é que você não deve seguir conselhos tradicionais ou investir de maneira tradicional”.

Diante dessa perspectiva, conforme evidência Domingos (2012), a educação financeira já é reconhecida como um fato importante na vida das pessoas. Porém, ressalta o autor, é preciso superar e entender que a educação financeira está muito mais ligada ao comportamento, aos hábitos e aos costumes do que ao fato de ser uma ciência exata.

Diante desse cenário, Domingos (2013), ressalta e acredita que, de fato, que a educação financeira precisa e deve entrar na escola e verdadeiramente estar presente nas salas de aulas. Afinal, de acordo com as palavras dele, será assim que as novas gerações irão nascer e crescer tendo capacidade de avistar e distinguir o que elas terão condições de adquirir, gastar, comprar, sem que isso possa chegar a arriscar ou mesmo comprometer, de alguma forma, a saúde financeira desses investidores do futuro.

Segundo a Associação de Educação Financeira do Brasil (2010), a importância da educação financeira pode ser percebida especialmente no aspecto em que permite auxiliar os indivíduos no planejamento e gestão da própria renda, com hábitos como poupar e investir, garantindo, assim, uma vida financeira mais tranquila.

De acordo com o Banco de investimentos, BTG Pactual (2017), “a educação financeira é essencial para quem busca valorizar o seu trabalho, pois você se esforça para obter o dinheiro a partir do seu esforço diário e não quer desperdiçá-lo”.

A instituição entende também que é preciso estar sempre atento a dois pontos principais para atingir os objetivos com educação financeira: a organização dos gastos e a alocação desses recursos. Aprender a controlar os gastos mensais é essencial para fazer com que o esforço tenha resultados, além de saber investir corretamente os recursos que sobram todo mês (BTG PACTUAL, 2017).

Enfim, observa-se que o primeiro passo para ter consciência da própria vida financeira é criar o hábito de manter controle, anotar todas as receitas e despesas pessoais num papel ou planilha eletrônica e acompanhá-las mês a mês. Além disso, é necessário também ter disciplina e determinação para pesquisar, estudar, avaliar e analisar os conceitos, as técnicas, as dicas e as ideias disponíveis para conseguir colocar em prática, pois assim as melhores decisões sobre investimentos serão tomadas de forma consciente, possibilitando, então, uma renda segura para o futuro.

3. PLANEJAMENTO FINANCEIRO PESSOAL

O planejamento financeiro pessoal é uma ferramenta utilizada na organização das finanças de acordo com o que se ganha e se gasta, com o objetivo de ter uma relação saudável com o dinheiro.

Dessa forma, observa-se que para se ter um bom planejamento, é necessário relacionar todos os itens que compõem as receitas, e, caso more com outras pessoas é imprescindível incluir também a renda dos demais integrantes da casa, para se chegar, assim, ao valor correto do orçamento familiar em totalidade.

Em seguida, deve-se listar todos os gastos fixos, como: aluguel, condomínio, IPTU, eletricidade, gás, internet, telefone fixo, diarista, supermercado, combustível, seguro e IPVA (se tiver carro), transporte público, escola dos filhos, plano de saúde, telefone celular, academia, lazer, entre outras despesas.

Andrade (2012) afirma que buscar manter uma relação de equilíbrio é fundamental, pois ao gerenciar finanças é indispensável manter o controle emocional, assim como ter e buscar ampliar sempre o conhecimento técnico que seja necessário para ter o mínimo de êxito. Isto é, focar em manter a disciplina com as finanças e os recursos pessoais sem deixar de compreender o que pode ou não impactar, de forma positiva ou negativa, na hora de constituir a prosperidade de um indivíduo.

Observa-se, portanto, que objetivo do planejamento financeiro é fazer um orçamento e respeitá-lo, viver de forma mais organizada e, especialmente, gastar menos do que se ganha. E é a partir desse controle financeiro que será possível analisar as finanças, acompanhar as entradas e saídas, e, com isso, adequá-las para estabelecer e alcançar as metas e os sonhos de curto, médio e longo prazo.

Diante desse cenário, Gitman (2010, p. 107) explica como a visão pode fazer a diferença. O autor esclarece que, em geral, a relação do ser humano com as próprias finanças é bem distinta da perspectiva empresarial, por exemplo, que visa sempre os lucros e as melhores possibilidades de ampliá-los, enquanto para o indivíduo as prioridades e escolhas imediatas são outras. Ele afirma que,

[…] o primeiro passo do planejamento financeiro pessoal é definir suas metas. Enquanto uma empresa objetiva maximizar a riqueza dos acionistas (ou seja, o preço da ação), as pessoas normalmente têm diversos objetivos importantes. De modo geral, as metas podem ser de curto prazo (um ano), médio prazo (dois a cinco anos), ou longo prazo (seis anos ou mais). As metas de curto e médio prazo sustentam as de longo prazo.

Partindo desse pressuposto, Cherobim e Espejo (2010, p. 29) acrescentam que não se pode pensar somente no agora, no hoje. É importante compreender, pensar e planejar o futuro, especialmente considerando o que se deseja e almeja alcançar. Os autores vão além e enfatizam que mudar os hábitos no presente é a chave para chegar ao futuro obtendo o que foi idealizado. Assim,

Para fazer o planejamento […] reunimos informações sobre a realidade. Em seguida, identificamos o que nos ajuda nessa realidade: pontos fortes. E o que nos atrapalha: pontos fracos. Expressar o que pretendemos é o nosso próximo passo: o que queremos de nossa vida agora, no próximo ano, daqui a cinco anos, daqui a dez anos e paro o resto de nossa vida. Estabelecemos objetivos: para hoje, para um ano, para cinco anos, para dez anos e para o resto da vida.

Dando sequências às etapas do planejamento financeiro, é válido ressaltar que caso seja identificado algum endividamento, é necessário também relacioná-lo e entrar em contato com a empresa na qual a dívida foi gerada para que esta seja negociada o quanto antes e, se possível, com um custo mais baixo.

Outro ponto que merece destaque é estar sempre atento aos gastos supérfluos e desnecessários, o que representa um ponto crucial do planejamento orçamentário. É o que acontece, por exemplo, em casos simples para evitar desperdícios como o de energia com aparelhos ligados em stand-by, luzes acesas sem que haja realmente necessidade, pias ou tanques com torneiras pingando, descargas com vazamento de água ou que sejam de modelos mais antigos que naturalmente já utilizavam mais água, entre outros.

Além de não desperdiçar, o indivíduo também tem a capacidade e as possibilidades de economizar em algumas ações rotineiras, como optar por dividir as tarefas da casa entre os membros da família em vez de ter custos com uma diarista. É uma excelente estratégia para quem quer economizar, assim como negociar com operadoras de celular e internet, renunciar a comer em restaurantes, e, para tanto criar o hábito de fazer a própria comida em casa e levar marmitas para os lugares – o que, de certa forma, também irá se refletir diretamente em outros hábitos como uma alimentação mais saudável. Em casa, por exemplo, não há tantos deslizes para se consumir alimentos que, normalmente, o indivíduo não teria a tentação de escolher como faz quando está em um restaurante.

Ainda no que se refere ao quesito economia, existem muitas opções que podem ser trabalhadas, entre elas o descanso e o entretenimento, pois o indivíduo pode escolher programas e locais de lazer que não gerem custos, como ir à praia, lagoas ou cachoeiras, fazer piquenique em parques abertos ao público, fazer passeios e trilhas para ter mais contato com a natureza e sem gastos excessivos.

Além disso, não se pode deixar de citar aqui que outra atividade que contribui para um planejamento financeiro eficiente e satisfatório é cortar gastos com supérfluos ou realizados por impulso, optando, então, por manter-se focado em comprar somente em casos de necessidade, efetuando antes, é claro, uma pesquisa de preços e dando preferência para as compras à vista.

A educadora e terapeuta financeira, Novais (2018 [s. p.]), ressalta que “não importa o quanto você ganha, mas sim o quanto gasta. Caso não tiver controle de todos seus gastos e um bom relacionamento com o dinheiro, continuará pagando altos juros de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos”.

Assim sendo, nota-se que para ter um controle financeiro mais próximo da realidade, é essencial que haja a participação de todos, inclusive das crianças, pois um bom relacionamento com o dinheiro deve começar desde a infância.

Segundo afirma Klontz (2017), mesmo que seja louvável a tentativa de alguns pais e responsáveis de manter os filhos protegidos de determinadas preocupações, que na maioria das vezes eles ainda nem terão a maturidade necessária para vivenciar e superar, é importante e mais saudável buscar formas de incluir a participação das crianças nas decisões e escolhas financeiras que possam ser coerentes e adequadas para a idade e o conhecimento delas.

Ressalva-se, portanto, que é fundamental ensinar e estimular que os pequenos se habituem com as finanças da casa e possam entender a importância do planejamento financeiro, e, como ele está totalmente relacionado com o fato de se ter uma vida financeira saudável. Além disso, é importante que assimilem que poupando agora no presente, poderão fazer o dinheiro render mais para usufruir depois, num futuro próximo ou mesmo a longo prazo.

De acordo com a jornalista especializada em educação financeira, criadora do maior canal brasileiro sobre finanças no YouTube e autora do livro “Me poupe!: 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso”, Arcuri (2018, p. 26), trata-se de uma questão simples: “Se todos falássemos claramente sobre dinheiro, sobre ganhos e gastos, as relações humanas seriam mais justas e verdadeiras”.

Antes de finalizar o planejamento financeiro, é preciso ter consciência de que imprevistos podem acontecer a qualquer momento, como: bater com o carro, algum caso de doença na família, perder o emprego, uma reforma inesperada na casa, a quebra de algum equipamento essencial, o desemprego, entre outros.

Conforme descreve Arcuri (2018), tanto em seus livros publicados quanto em diversos vídeos gratuitos do canal dela na internet e também no programa de TV em canal aberto que iniciou no segundo trimestre de 2021, a reserva de emergência, como diz o termo em si, é formada exatamente pelo dinheiro que foi poupado ou mesmo investido para resolver uma emergência. A jornalista e escritora ainda acredita e enfatiza que uma reserva bem elaborada pode ter condições de manter o padrão de vida e de gastos de uma pessoa por, pelo menos, o período de seis meses até um ano.

Assim, percebe-se que a reserva de emergência faz com que o indivíduo possa lidar de maneira sadia com algum imprevisto ou até mesmo uma oportunidade que possa surgir, ao invés de ter que recorrer aos bancos ou financeiras, isto é, sem ter que acabar contraindo mais dívidas causando, assim, um desiquilíbrio financeiro.

Em consonância, alguns dos autores já mencionados alertam que caso seja necessário fazer uso do dinheiro em algum evento inesperado é importante recompor essa reserva o quanto antes. Para eles, não se deve nem contar com esse dinheiro da reserva de emergência como um valor disponível para uso, lembrando que esse dinheiro é para ser utilizado em alguma emergência, como diz o próprio significado da palavra. Portanto, não se deve utilizar esse valor para qualquer outro objetivo que não o proposto.

Diante do exposto, pode-se ressaltar que quem não faz um planejamento orçamentário, desconhece a própria renda e os próprios gastos, e com isso acaba adiando, assim, as próprias prioridades e os objetivos. Então, para viver de forma mais organizada e segura, é preciso efetuar um bom controle financeiro, planejar o futuro por meio de metas, preparar-se para os imprevistos, renunciar a alguns gastos e guardar uma boa reserva financeira em algum tipo de investimento que permita que esse valor possa aumentar e se valorizar com o passar do tempo.

4. TIPOS DE INVESTIMENTOS

Os investimentos podem ser divididos em dois tipos: os de renda fixa e os de renda variável. E sobre esse assunto, Andrade (2012, p. 79) elucida que

[…] outra classificação importante, relacionada a investimentos, refere-se às denominações: Renda Fixa e Renda Variável. A principal diferença entre elas é que na renda fixa o investidor sabe, no início da aplicação, como seu capital será remunerado. Já em renda variável, não é possível prever, de antemão, o que acontecerá com o dinheiro. Nessa primeira diferenciação, é possível verificar que aplicações em renda variável são, a princípio, mais arriscadas. Exemplo: quando compro uma ação na bolsa de valores (renda variável) não sei se vou ganhar ou perder dinheiro, enquanto se aplico na caderneta de poupança (renda fixa), sei que a cada mês o valor em conta irá respeitar certa regra de remuneração.

Inicialmente, recomendam os autores e especialistas, que o ideal é analisar qual o tipo de perfil do investidor, de acordo com as três classificações existentes: conservador, moderado e arrojado, sendo que não se pode esquecer de analisar a quantidade a ser investida e o tempo que o dinheiro ficará aplicado, além das taxas a pagar e tributações.

Em seguida, deve-se identificar como funciona cada tipo de investimento para, deste modo, escolher aqueles que mais se adequem aos objetivos, sonhos e às metas de curto, médio e longo prazo.

De acordo com as palavras de Domingos (2018), ao estar pronto para aplicar, o indivíduo deve procurar vincular o investimento que será realizado de acordo com o tipo de sonho (seja ele de curto, médio ou de longo prazo). O autor ainda acrescenta que é importante alinhar os sonhos e os desejos ao perfil investidor que corresponda com a realidade de cada um.

Ele cita três tipos de perfil: o conservador – que é aquele que não quer correr riscos e pretende manter uma aplicação estável para não perder nenhum dinheiro; o moderado – que tenta ser o mais equilibrado possível e até se propõe a correr alguns riscos, desde que eles sejam direcionados somente a uma parte pequena do que foi investido; e o arrojado – o que é mais ambicioso e não tem muito medo de correr mais riscos, pois entende que é preciso manter a visão focada em obter mais retornos e ganhos (DOMINGOS, 2018).

Sobre esse aspecto, o escritor e consultor financeiro, Cerbasi (2013) afirma na obra “Investimentos inteligentes: Estratégias para multiplicar seu patrimônio com segurança e eficiência” que quem já começou a investir, e muitas vezes já errou ou perdeu com isso, sente-se mais seguro se comparado ao investidor iniciante, que ainda não adquiriu o conhecimento necessário para conseguir se arriscar e, consequentemente, prefere agir com mais cautela.

O autor defende que há necessidade de se programar e preparar para o futuro. Ele argumenta que é com a experiência e o conhecimento que o indivíduo se torna capaz de aprimorar a percepção das melhores escolhas, sejam elas para optar por um rendimento maior, por exemplo, ou mesmo para que possa decidir por um que vai dar retorno em menor tempo. Cerbasi (2013, p. 16) ainda complementa:

Se você fizer hoje planos de investimento para sua vida futura, é muito provável que seus planos produzam mais bons resultados ou aconteçam em menos tempo do que você consegue prever, pois, ao longo dos anos, você os refinará com acúmulo de conhecimento que obtiver.

Conforme a pesquisa permitiu identificar, a seguir, seguem as características de alguns dos tipos investimentos disponíveis no mercado financeiro. São eles:

– Caderneta de poupança – São investimentos de renda fixa e de baixo risco, pois não há cobrança de impostos em cima da movimentação, porém, é um recurso de baixa rentabilidade. Ideal para quem não consegue controlar os gastos da conta corrente e precisar isolar o dinheiro por algum motivo ou guardá-lo por pouquíssimo tempo.

– Tesouro direto (Títulos públicos) – São casos em que o indivíduo empresta dinheiro para o governo federal por meio da compra e venda de títulos públicos federais para pessoas físicas. São também de renda fixa, porém, mais rentáveis que a poupança, mesmo havendo a cobrança de impostos sobre os juros acumulados.

Os títulos podem ser divididos em dois formatos: o prefixado, que garante que o valor investido mais acrescido de juros será resgatado na data estimada; e o pós-fixado, que irá render de acordo com alguns dos índices disponíveis no mercado.

– CDB (Certificado de Depósito Bancário) – São investimentos de renda fixa, de baixo risco, em que o indivíduo empresta um valor determinado, por um prazo especificado, para alguma instituição financeira em troca de juros corrigidos.

Andrade (2012, p. 92-93) em suas palavras, define:

Os CDBs são aplicações em renda fixa oferecidas por instituições financeiras (bancos). Quando você compra um CDB, na verdade, está emprestando dinheiro para o banco, que irá lhe pagar juros por isso. Há uma gama considerável de CDBs disponíveis no mercado, podendo ser pré-fixados (no momento da contratação a taxa de juros é conhecida) ou pós-fixados (em que os juros a serem recebidos serão conhecidos apenas no vencimento do CDB). A tributação é a mesma descrita para Títulos Públicos (Tesouro Direto), não havendo cobrança de taxas de administração.

– LCA (Letras de Crédito de Agronegócio) – É uma modalidade de renda fixa que não cobra imposto de renda sobre a rentabilidade. Por intermédio das instituições financeiras, o indivíduo empresta dinheiro ao agronegócio e recebe no vencimento o capital investido acrescido dos juros acumulados.

– LCI (Letras de Crédito Imobiliário) – É também uma modalidade de renda fixa que não cobra imposto de renda sobre a rentabilidade. Nesses casos, o indivíduo empresta dinheiro para as instituições financeiras, em que o valor será utilizado nas transações do setor imobiliário e na data especificada a quantia investida será resgatada junto da soma de rendimentos.

– Debêntures – Modalidade de renda fixa, em que o investidor, por intermédio das instituições financeiras, ou seja, bancos ou corretoras de valores, empresta dinheiro por meio da compra de títulos. Na data do vencimento o valor será resgatado com os juros acumulados.

Por ser um tipo de renda fixa, com altos valores envolvidos, essa alternativa se torna atrativa somente para grandes investidores.

– Ações de empresa – São casos em que o indivíduo compra a parcela de uma empresa, tornando-se, assim, sócio e, consequentemente, ganha dinheiro sobre os lucros dela. Podendo também, vender essa parcela e dependendo do momento do mercado, ganhar dinheiro sobre a venda desta. É um investimento de maior rentabilidade que a renda fixa, porém, mais arriscado, pois os rendimentos estão atrelados a vários fatores, inclusive os externos.

De acordo com Arcuri (2018, p. 127):

Para comprar ações de empresas, você terá que pôr o pé na Bolsa de Valores. É um terreno menos firme do que a renda fixa, porém, quando se investe com informação e respeitando as características individuais de tolerância ao risco, a possibilidade de ganhar dinheiro aumenta.

E, conforme Cerbasi (2013) explicita em uma de suas obras, é exatamente a junção de fatores como a dificuldade, a complexidade e a imprecisão que tornam o ato de investir nas ações de empresas na bolsa de valores uma atividade que pode ser considerada como um “negócio de risco”. Afinal, não tem garantias e nem certezas de riquezas de forma equilibrada e constante. O que existe realmente é o risco que se escolhe correr ou não para montar o seu patrimônio.

Para ter acesso a esses tipos de investimentos, e muitos outros disponíveis no mercado, é ideal realizar a abertura de uma conta em uma corretora de valores que ofereça opções de taxas de carregamento mais atrativas que os bancos.

Nos últimos anos, por exemplo, tem-se percebido uma movimentação maior de algumas corretoras já renomadas que estão montando grupos menores ou braços de equipes especializadas em serviços mais simples e populares. E, para isso, atuam com taxas de corretagem zerada (com o intuito de alcançar uma camada maior da população que deseja ou está começando a entrar no mercado de renda variável), que não quer ou não pode se dar ao luxo de ter gastos maiores para conseguir investir.

É necessário também estudar profundamente os tipos de investimentos existentes, objetivando adequá-los e diversificá-los de acordo com as metas a serem alcançadas, gerando assim, um retorno maior para o futuro que pode ser a compra da casa própria, um automóvel, uma viagem dos sonhos ou até mesmo para a aposentadoria.

Outro elemento importante, é a necessidade de ter uma conta aberta em mais de uma corretora de valores, pois assim terá mais opções de acordo com o valor a ser investido, o tempo disponível para esperar até o vencimento de resgate da aplicação e o risco envolvido na contratação para assim, não perder dinheiro.

Condizente com essa linha de pensamento Cerbasi (2015, p. 13) questiona e instiga a refletir sobre o tema: “Por que organizar a sua vida financeira? A resposta é simples: para que você tenha um maior controle sobre seu dinheiro, maior consciência sobre suas escolhas e maior eficiência no uso de sua renda”.

É válido lembrar, conforme citado pelos autores pesquisados, que sempre, o quanto mais cedo se começar a investir, melhor será, tendo em vista que os lucros aumentam ao longo do tempo, ou seja o quanto antes iniciar, melhor será o retorno futuramente.

5. CONCLUSÃO

Esta pesquisa permitiu perceber como a educação financeira está diretamente relacionada ao bem-estar, pois ela exerce uma influência extremamente positiva na qualidade de vida do indivíduo. Essa percepção inicia-se no momento em que a pessoa compreende, por meio do ensino e da aprendizagem, que ter dinheiro não depende tão somente do quanto se ganha, mas, principalmente, do quanto se gasta e dos hábitos e da disciplina para reduzir esses gastos.

Observou-se que a educação financeira é um processo transformador e fazer um planejamento financeiro pessoal é indispensável, considerando que esta é uma prática que auxilia no sucesso para alcance dos objetivos de curto, médio e longo prazo, de forma digna e segura.

Saber fazer o correto planejamento pessoal, independentemente da ferramenta que é utilizada, é essencial, já que é necessário descrever todas as receitas e as despesas, seja em uma planilha eletrônica ou em um simples caderno de anotações. Muitas vezes é nesse momento que fica notório como a maioria dos gastos são exorbitantes e desnecessários, por exemplo, como: comprar aquela blusa só porque está na promoção; ou aquele par de tênis que está na moda; pagar tarifas bancárias sem sequer saber o motivo do débito; ou até mesmo pagar mensalidades de canais de TV por assinatura que nem são assistidos, entre outros.

Sendo assim, percebeu-se que o indivíduo que se planeja financeiramente, diverge totalmente daquele perfil de somente pagar as contas e aguardar o próximo mês para saber se sobrará algum dinheiro.

Conforme evidenciou-se na pesquisa realizada, é primordial também saber investir e como investir, aprender e estudar os mais simples e os mais complexos tipos de investimentos para identificar, de acordo com o tempo, o valor e os riscos envolvidos, o que mais se adequa ao objetivo a ser alcançado.

É válido lembrar outro fato que a pesquisa também revelou: apesar de não ser um costume frequente e acessível a todas as camadas da população brasileira, pensar em economia e nos hábitos que derivam dela tem mudado bastante, uma vez que a educação financeira é um tema que vem ganhando o cenário nacional.

Nos últimos anos foi notório o crescimento desse assunto, especialmente, na internet e nas mídias digitais. Observou-se um excelente nicho de mercado que estava prestes a crescer e ser bem explorado. O resultado disso está no fato de que diversos canais no YouTube, por exemplo, foram criados e cresceram absurdamente, livros vêm sendo lançados, cursos estão sendo cada vez mais desenvolvidos, impulsionados e lotando turmas e inúmeros influenciadores digitais começaram a falar sobre consciência e independência financeira nas demais redes sociais, o que acabou potencializando também a demanda por essa temática.

Além do mundo virtual, no mundo real também houve mudanças de hábito nítidas. As agências de publicidade, por exemplo, começaram a ter maior volume de procura, seja das empresas de investimentos ou dos grandes bancos, para produzir campanhas publicitárias e materiais de divulgação sobre economizar, guardar e investir. As propagandas que antes só eram veiculadas em canais fechados, de TV por assinatura, agora são divulgadas com frequência durante a programação diária da TV aberta, em horários e programas nobres e com a participação de artistas e celebridades famosos entre o grande público.

Com isso, atualmente já é muito comum ouvir falar sobre investimentos e isso vem ganhando cada vez mais espaço e, consequentemente, mais adeptos interessados no assunto.

Assim, tornou-se possível concluir que, com base na educação financeira é possível ter uma relação saudável com o dinheiro, mas, isso depende, acima de tudo, de muito estudo, disciplina, dedicação e determinação. Portanto, vale ressaltar aqui que esta pesquisa também pode ser vista como mais uma tentativa de demonstrar e comprovar a relevância da educação financeira e da consciência da população acerca desse tipo de assunto.

Por fim, compreendeu-se que ao pesquisar e documentar sobre a forma como a educação financeira é tratada no panorama brasileiro atual, significa contribuir para um futuro melhor. Além disso, trata-se também de perceber que as influências não ocorrem somente na vida e na rotina das pessoas, mas indicam uma mudança de cultura e de hábitos, tendo em vista que assim surgem novas demandas, novos investidores e, por conseguinte, novas empresas e múltiplos serviços para desenvolver ainda mais esse mercado, que só tende a crescer.

REFERÊNCIAS

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[1] Bacharel em Administração de Empresas, MBA em Gestão Financeira.

Enviado: Março, 2021.

Aprovado: Maio, 2021.

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