Gestão de estoques numa revenda de defensivos agrícolas

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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/administracao/gestao-de-estoque
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ARTIGO ORIGINAL

ALVES, Katiuscia de Castro [1], ANTONOVZ, Tatiane [2]

ALVES, Katiuscia de Castro. ANTONOVZ, Tatiane. Gestão de estoques numa revenda de defensivos agrícolas. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 04, Ed. 06, Vol. 06, pp. 05-23. Junho de 2019. ISSN: 2448-0959

RESUMO

A busca constante de se manter em vantagem competitiva em relação aos concorrentes, fez com que as empresas buscassem administrar de forma eficaz seus estoques. Assim manter o volume de estoque conforme a demanda evitando desperdícios, utilizando de ferramentas que auxiliam nesse monitoramento, pois esse controle é também um controle financeiro. A sua manutenção é de alto custo, dessa forma é preciso existir um bom gerenciamento do estoque para que o capital investido seja minimizado. É impossível para uma empresa trabalhar sem estoque, pois o mesmo tem a finalidade de aperfeiçoar o atendimento da empresa, gerando lucro e evitando que o cliente busque a concorrência por não ter encontrado o produto desejado. Consequentemente um adequado controle de estoque passa previamente por um planejamento, um instrumento indispensável para a definição de uma política apropriada. O artigo apresenta um estudo sobre a gestão de estoques numa revenda de defensivos agrícolas, da cidade de Luziânia

Palavras-chave: Vantagem, concorrentes, gestão de estoques.

1. INTRODUÇÃO

Não é uma tarefa simples administrar o movimento de entradas e saídas dos materiais necessários à empresa – o Quê? Quanto? Quando? Como comprar?

No comércio de defensivos agrícolas a responsabilidade de se manter esse controle se torna ainda maior, pois se trata de produtos de alto valor agregado, onde quanto menores forem os erros sobre os volumes de estoque maior poderá ser o ganho e refere-se também a um comércio de demanda sazonal que segundo RODRIGUES (2011, p. 32) define como sendo: “produtos com ciclo variáveis ao longo do ano (material escolar), podendo abranger produtos de reduzido ciclo de vida, como os artigos de moda.”. Nesse caso é preciso que o gestor saiba identificar a melhor época de compra, ter o conhecimento da evolução dos preços no mercado, estabelecer a quantidade ideal, por meio da qual haja economia na compra.

Inicialmente com a escolha do tema, Gestão de estoque numa revenda de defensivos agrícolas e logo após partindo para o seguinte questionamento: Qual a melhor maneira de estocar os insumos, não permitindo o excesso nem a falta dos mesmos? Com o intuito de entender melhor a demanda, este artigo tem como propósito apresentar direções de como esta empresa, situada em Luziânia, poderá trabalhar melhor a distribuição de seus insumos no armazém, possibilitarem maior conhecimento sobre gestão de estoques, assim como sua importância para a empresa, tudo baseado em referências de autores conceituados no assunto.

O presente artigo tem como objetivo geral estudar a gestão de estoques de uma revenda de defensivos agrícolas.

Partindo do objetivo geral, buscaremos responder aos seguintes objetivos específicos:

a) Pesquisar parâmetros de ressuprimento e apresentá-los aos gestores como ferramenta de auxílio para manterem os níveis de estoque permanentemente ajustados;

b) Identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração, classificando-os na curva ABC, método utilizado para analisar os itens mais importantes num estoque, segundo algum critério, para que tenham prioridade sobre os menos importantes. FRANCISCHINI (2002);

O trabalho se justifica com base na chave de todo negócio sustentável: o resultado positivo. É fundamental assegurar uma margem de lucro, quando pessoas e empresários possuem visão de futuro.

FRANCISCHINI (2002 p.2) afirma que: “a administração de materiais tecnicamente bem aparelhada é, sem dúvida, uma das condições fundamentais para o equilíbrio econômico e financeiro de uma empresa”.

Para que a empresa possua uma perenidade é necessário que ela estabeleça uma margem de lucro necessária para que isso aconteça, além de cuidar de todos os aspectos mercadológicos, comerciais, legais entre outros fatores.

Quanto maior o investimento na compra dos produtos, maior será a responsabilidade dos gestores na empresa, portanto é preciso trabalhar com o estoque de forma correta, para responder prontamente a demanda. Trabalhando sempre com a quantidade de estoque conforme a demanda.

2. ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS

Segundo CHIAVENATO (2005, p.27) “o interior de uma empresa é invariavelmente o cenário de uma série de ações aplicadas sobre os materiais.”

Na verdade, toda indústria é um fluxo contínuo de materiais que são processados ao longo de várias atividades no sistema produtivo. Essa dinâmica requer todo cuidado para manter seu ritmo, fluência e cadência de tal maneira que não haja paralisações ou esperas. A busca de maior produtividade de está na base desse cuidado. A preocupação com máquinas, equipamentos e tecnologia deve antes passar pela preocupação com os materiais que passam por elas. (CHIAVENATO, 2005, p.27)

“Assim como todos os outros componentes do sistema, os insumos materiais (matérias-primas, materiais secundários e outros) carecem de uma coordenação específica, de forma a permitir a racionalização de sua manipulação.” (Viana, 2011, p.35)

Viana (2011) explica que a administração de materiais coordena esse conglomerado de atividades, o que implica necessariamente o estabelecimento de normas, critérios e rotinas operacionais para que o sistema possa ser mantido harmonicamente em funcionamento. Assim sendo Viana cita algumas atividades fundamentais para que ocorra este funcionamento, a saber:

a) Cadastramento dos materiais;

b) Gerenciamento do estoque, que compreende as atividades de formação do estoque;

c) Compra do material;

d) Guarda do material, atividade que envolve o recebimento, armazenamento, conservação e distribuição.

Dias (2012) faz referência a responsabilidade sobre o estoque não apenas ao responsável por ele, mas a todos os departamentos envolvidos no processo. Quanto mais se investir maior será as responsabilidades de cada um. Dias (2012) menciona ainda que sem estoque, é impossível uma empresa trabalhar, pois ele funciona como amortecedor nos processos e para manter um volume ideal para o setor de vendas atenderem seus clientes haverá sempre um conflito com o objetivo do departamento financeiro que é diminuir o capital investido focando na redução dos estoques.

Segundo Ballou (2011) controlar os produtos sazonais é diferente do controle dos produtos de demanda permanente. Este controle está relacionado com a previsão acurada do nível de demanda futuro, o estoque acompanha a previsão, estando sujeito aos erros intrínsecos à mesma.

Ballou (2011) ressalta ainda a grande influencia que o controle de estoque possui sobre a rentabilidade da empresa, uma vez que o investimento aplicado nos materiais poderia estar sendo investido de outras maneiras. Portando, aumentar a rotatividade do estoque auxiliara na liberação do ativo e trará economia no custo da manutenção do inventário.

Reforçando o que foi dito acima, Ballou (2011) define a administração de materiais como sendo a coordenação da movimentação de suprimentos com as exigências de operação, promover o material certo, no local certo, no instante correto em condição utilizável ao custo mínimo.

VIANA (2011, p. 36) afirma que: “a área de materiais constitui componente indispensável no sentido do alcance dos fins, para proporcionar os resultados almejados pelas empresas”.

2.2 CONCEITOS DE ESTOQUE

Ribeiro (2010) define estoque como uma fração considerável dos ativos das empresas, classificado também como bens de troca no conceito contábil do patrimônio.

” Material é todas as coisas contabilizáveis que entram como elementos constituídos ou constituintes na linha de atividade de uma empresa.” (VIANA 2011, p.41).

Martins e Alt. trazem o conceito de materiais como sendo: “itens ou componentes que uma empresa utiliza nas suas operações do dia-a-dia”. (MARTINS E ALT, 2006, p.115).

Os estoques são recursos ociosos que possuem valor econômico, os quais representam um investimento destinado a incrementar as atividades de produção e servir aos clientes. (DIAS, 2011 p.144).

Analisando as duas citações acima, percebe-se que o estoque pode ser não só aqueles itens utilizados diariamente, mas também recursos que mesmo não utilizados possuem valor econômico.

Chiavenato conceitua estoque como sendo: “todo o sortimento de materiais que a empresa possui e utiliza no processo de produção de seus produtos/serviços” (CHIAVENATO, 2005 p.67).

Já Viana (2011, p.9) traz esse conceito como sendo:

“matérias, mercadorias ou produtos acumulados para a utilização posterior, de modo a permitir o atendimento regular das necessidades dos usuários para a continuidade das atividades da empresa, sendo o estoque gerado consequentemente, pela impossibilidade de prever-se a demanda com exatidão.”

2.3 TIPOS DE ESTOQUE

Pozo (2010) diz que para se controlar algo é preciso primeiramente saber o que será controlado.

No intuito de entender essa questão Pozo (2010) discorre alguns tipos de estoque, a saber:

– Matérias-primas: todos os materiais que se agregam ao produto, fazendo parte integrante de seu estado e também itens comprados prontos ou já processados por outra empresa, como exemplo têm a madeira, um chapa, uma peça comprada.

– Materiais auxiliares: esses participarão da transformação da matéria-prima dentro da fábrica, temos como exemplo, lixas, óleos, ferramentas.

– Manutenção: este estoque o autor infere sobre os equipamentos que darão a manutenção, seja nas máquinas ou no edifício. E onde também estão contidos os materiais de escritório, usados na empresa.

-Intermediário: compõem esses almoxarifados as peças que estão em processo de fabricação, ou em subconjuntos, que são armazenadas para compor o produto final.

– Acabados: Produtos prontos e embalados que serão enviados aos clientes.

2.4 POLÍTICAS DE ESTOQUES

Obter uma boa administração do processo produtivo depende do planejamento e do controle dos estoques.

Pozo (2010) afirma que planejar corretamente o estoque traz um bom resultado financeiro para a empresa, e ainda ressalta a importância da atualização constante do sistema assim como a flexibilidade, permitindo-o acompanhar as mudanças constantes de mercado.

Pozo (2010) discorre uma lista de objetivos do planejamento e controle de estoque, a saber:

– Assegurar o suprimento adequado de matéria-prima, material auxiliar, peças e insumos ao processo de fabricação;

– Atender à demanda, mantendo o estoque o mais baixo possível;

– Identificar e eliminar os itens obsoletos e defeituosos;

– Não permitir condições de falta ou excesso em reação à demanda de vendas;

– Prevenir-se contra perdas, danos, extravios ou mau uso;

– Manter as quantidades conforme as necessidades e aos registros;

– Fornecer bases concretas para a elaboração de dados ao planejamento de curto, médio e longo prazos, das necessidades de estoque;

– Manter os custos nos níveis mais baixos possíveis, levando em conta os volumes de vendas, prazos, recursos e sei efeito sobre o custo de venda do produto.

Dias (2012) ressalta que a política de estoques é uma das ferramentas mais seguras e confiáveis para dar o suporte sobre as variações que o mercado fornece, afirma ainda que o custo de reposição seja o ponto central dessa política.

Viana (2011) traz a ideia de política de estoques como sendo o conjunto de atos diretivos que estabelecem de modo geral e específico, princípios diretrizes e normas relacionados ao gerenciamento.

2.5 CONTROLE DE ESTOQUES

Dias (2012, p.285) define controle de estoque como: “a medição do progresso em relação aos objetivos padrões, análise do que precisa ser feito e tomada de iniciativas para a devida correção, a fim de realizar os objetivos ou alcançar o padrão”.

Dias (2012) alerta que para possa existir um controle de estoque, se faz necessário algumas informações importantes, que auxiliarão diretamente neste controle. Descreve ainda as principais funções como sendo: determinar o que deve permanecer em estoque, a periodicidade de reabastecimento, quantidade que deve ser comprada, armazenar, receber e guardar os materiais de acordo com a necessidade, fornecer informações sobre a posição do estoque, manter inventário periódico para avaliação quantitativa e qualitativa dos materiais, retirar do estoque e identificar os itens obsoletos e danificados.

Dias (2012) discorre de alguns índices que analisados em conjunto, podem auxiliar na verificação de possíveis distorções no controle, a saber:

– Custo total do estoque (investimento em reais);

– Rotatividade do estoque;

– Custo do estoque de segurança;

– Materiais sem giro e obsoletos;

– Custos dos estoques de reposição;

– Previsão de consumo (relação entre consumo e produção);

– Número de horas paradas da produção por falta de material;

– Relação de itens críticos.

2.6 CUSTOS DE ESTOQUE

Rodrigues (2011, p.32) infere que: “o custo de estoque (bens armazenados) está diretamente relacionado ao custo financeiro de sua posse, bem como às possibilidades de perdas, roubo, furto, obsolescência e avarias”.

“A mais importante função do controle de estoque e dos materiais está relacionada com a administração de níveis de estoques” POZO (2010, p.30)

O ideal é manter o equilíbrio entre os dois extremos, não deixar excesso de estoque para não haver desperdício de dinheiro e nem perdas financeiras, por outro lado, não deixar faltar, para não haver interrupções na produção. CHIAVENATO (2005)

Deve-se, portanto dimensionar corretamente o estoque evitando custos. Para CHIAVENATO (2005 p.72): “Dimensionar o estoque significa estabelecer os níveis de estoque adequados ao abastecimento da produção sem ressalvar nos dois extremos de excessivo estoque ou de estoque insuficiente”.

Para Chiavenato (2005), estes custos dependerão de duas variáveis: a quantidade estocada e o tempo de estocagem e quanto maior forem essas variáveis, maior serão os custos.

Já Dias (2012), traz os custos divididos em quatro grupos, sendo eles: custos de capital; custo com pessoal; custos com edificação; custos de manutenção.

Francischini (2002, p. 162) diz que:

“O custo de estoque pode ser desmembrado em quatro partes, que auxiliarão na determinação do nível de estoque a ser mantido:

  • Custo de aquisição;
  • Custo de armazenagem;
  • Custo de pedido;
  • Custo de falta.”

2.6.1 CUSTOS DE AQUISIÇÃO

“Custo decorrente do capital imobilizado relativo aos valores pagos pelos bens adquiridos (matéria-prima, insumo, produtos semi ou totalmente industrializados ou ainda bens de capital), além de seus respectivos impostos.” Rodrigues (2011, p.30)

Francischini (2002, p.162) lembra que:

Embora esse custo não seja de responsabilidade direta do administrador de materiais, ele implicará diretamente o valor do material em estoque. Quanto maior o preço unitário pago, maior o valor do estoque para uma mesma quantidade estocada.

2.6.2 CUSTOS DE ARMAZENAGEM

Armazenar segundo Pozo (2010) envolve fatores como localização, dimensionamento de área, arranjo físico, equipamentos de movimentação, recuperação de estoque, além de recursos financeiros e humanos. Todos esses fatores envolvem custos e sem dúvida afetam a rentabilidade, exigindo, portanto, a atenção dos gestores.

O custo de armazenagem despertou preocupação segundo Dias (2012) quando a evolução do processo competitivo veio confirmar a importância da estocagem. Onde a grande e principal preocupação era apenas minimizar os custos de fabricação através do aumento da produção; logo sendo possível baixar os custos de fabricação, no entanto aumentando os custos de estocagem.

Denominados de custos fixos e variáveis, onde os fixos estão relacionados ao salário dos colaboradores envolvidos na emissão dos pedidos e os custos variáveis consistem nas fichas de pedidos e nos processos de enviar esses pedidos aos fornecedores. (POZO, 2010).

Rodrigues (2011) confirma que a maior parte dos custos de armazenagem é fixa e indireta, dificultando o seu gerenciamento e sua correta alocação, assim sendo, para que as distorções sejam minimizadas é importante que os custos sejam contabilizados de acordo com a sua função (movimentação, acondicionamento, administração) e não por contas genéricas (depreciação, mão-de-obra).

2.6.3 CUSTO DE PEDIDO

“Cada vez que uma requisição ou pedido é emitido, incorrem custos.” (POZO, 2010 p. 30)

“Custo de pedido é o valor gasto pela empresa para que determinado lote de compra possa ser solicitado ao fornecedor e entregue na empresa compradora”. (FRANCISCHINI, 2002 p.167)

2.6.4 CUSTO DE FALTA

Dias (2012) traz algumas maneiras de determinar estes custos, uma vez que existem certos componentes que não podem ser calculados com grande precisão. Podemos determinar por meio das perdas de lucros, com cancelamento de pedidos; por meio de custos de terceiros, devido à utilização de material de terceiros; por meio de custos caudados pelo não cumprimento dos prazos contratuais, como multas, prejuízos; por meio da quebra de imagem da empresa, beneficiando consequentemente o concorrente.

Conforme Pozo (2010), é preciso ter o dimensionamento adequado do estoque em relação à demanda, às oscilações de mercado, às negociações com os fornecedores e à satisfação do cliente, otimizando-se os recursos disponíveis e minimizando os estoques e custos. O autor completa dizendo que sendo mínimos os estoques, a empresa poderá usar o capital para aprimorar seus recursos nos processos de manufatura, na aquisição de novos equipamentos ou adicionais, diversificando sua produção, tornando-se mais eficaz e competitiva.

Francischini (2002) diz ressalta que o custo de falta de um item em estoque pode causar diversos e, muitas vezes, grandes prejuízos à empresa compradora, o autor diz ainda que o problema é que esse tipo de custo é difícil de ser calculado com precisão, uma vez que envolve uma serie de estimativas, rateios e valores intangíveis.

2.6.5 CUSTO TOTAL

“Esse valor é importante para medir o quanto, em Reais, a empresa tem investido em estoque, e o quanto isso representa em custo, em comparação com o montante das vendas, produção efetiva e previsão de vendas.” (DIAS, 2012 p.295)

Chiavenato (2005 p. 92) afirma que: “O custo de estoque é a soma dos dois custos: custo de armazenagem e o custo do pedido”.

2.7 NÍVEIS DE ESTOQUE

2.7.1 ESTOQUE MÍNIMO OU DE SEGURANÇA

Viana (2011) define esta determinada quantidade como estoque de segurança, também denominado estoque mínimo. Que quando atingida pelo estoque em declínio, aponta a condição daquele determinado item, evitando a ruptura do estoque. Essa quantidade mínima é estipulada pela empresa, através de análise histórica do item, assim como sua demanda.

Dias (2010) aponta algumas causas que ocasionam a falta de estoque como sendo:

  • Oscilação no consumo;
  • Oscilação nas épocas de aquisição (atraso no tempo de reposição);
  • Variação na qualidade, quando o Controle de Qualidade rejeita um lote;
  • Remessas por parte do fornecedor, divergentes do solicitado;
  • Diferenças de inventário.

Francischini (2002) comenta que como o estoque de segurança será utilizado apenas nas eventualidades, é necessário que seu valor seja calculado ponderando adequadamente todas as variáveis que possam influir na sua determinação e ressalta que como os estoques adicionais são indesejáveis, seu valor deve ser o mais baixo possível, e todas as providências devem ser tomadas na investigação e solução de suas causas.

2.7.2 ESTOQUE MÉDIO

Na visão de Dias, (2012), estoque médio é o nível de estoque em torno do qual as operações de compra e consumo se concretizaram. Trata-se de um valor provável de consumo e parte-se do pressuposto de que não existiram flutuações na demanda nem alterações do consumo médio mensal.

No conceito de Francischini (2002), o estoque médio resume as transações de entradas e saídas de determinado item de estoque.

2.7.3 ESTOQUE MÁXIMO

Para Pozo, (2010), estoque máximo é a somatória do estoque de segurança e o lote de compra, seu resultado deverá ultrapassar o volume correspondente à soma do estoque de segurança com um lote em um valor que seja suficiente para suportar variações normais de estoque em face de dinâmica de mercado, deixando margem que assegure, a cada novo lote, que o nível máximo de estoque não aumente e onere o custo de manutenção de estoque. Além disso, Dias (2012), completa que o estoque máximo sofre também influências da capacidade de armazenagem disponível, que deve ser levada em consideração na ocasião do seu dimensionamento.

2.8 GIRO DE ESTOQUE

Dias (2012, p. 65) conceitua giro de estoque como sendo: “uma relação existente entre o consumo anual e o estoque médio do produto”.

Na visão de Francischini, (2002), o giro de estoque nada mais é do que o número de vezes que o estoque é renovado em sua totalidade num período de tempo, geralmente anual.

Dias (2012) trata desse índice como um parâmetro que facilita na comparação do estoque entre empresas do mesmo ramo de atividade e entre classes de material em estoque.

Dias (2012, p.66) diz ainda que: “Para fins de controle deve-se determinar a taxa de rotatividade adequada à empresa e então compará-la com a taxa real”.

Dias (2012) recomenda que ao determinar o índice padrão de rotatividade, seja este, um para cada grupo de materiais que corresponda a uma mesma faixa de preço ou consumo.

2.9 AVALIAÇÕES DE ESTOQUE

Segundo Dias (2012), há uma questão importante para a contabilidade realizar uma avaliação adequada dos materiais recebidos e localizados no estoque. A questão é: quais elementos deveriam ser incluídos na avaliação dos materiais? Para o autor o preço de fatura dos materiais no ponto de embarque do fornecedor, menos os descontos comerciais oferecidos, mais os custos de transporte até o setor de recebimento do comprador podem ser chamados de elementos visíveis do custo, os quais são facilmente reconhecidos nos registros contábeis. De outro lado Dias (2012) diz que há itens que incorporam este custo, no qual permitem que os materiais tenham condições de uso, esses itens denominados intangíveis, a saber: recebimento, desembalagem, inspeção, teste, seguros, estocagem, controle e registro de estoque. No entanto, para evitar dificuldades na determinação dos custos intangíveis, a maioria das empresas limita-se a computar os custos visíveis, ou seja, preço de fatura dos materiais, menos os descontos comerciais e mais despesas de transporte.

Para proporcionar uma avaliação exata do material e informações financeiras atualizadas, Dias (2012) sugere que seja feita a avaliação anualmente em termos de preço, incluindo o valor das mercadorias e dos produtos em fabricação ou dos produtos acabados, é tomado por base o preço de custo ou de mercado, preferindo-se o menor entre os dois.

Esta avaliação segundo Dias (2012) pode ser realizada através de quatro métodos, sendo eles: Custo Médio, PEPS (FIFO), UEPS (LIFO).

2.9.1 CUSTO MÉDIO

Francischini (2002) afirma que esse é um dos métodos mais utilizado. É realizado um cálculo, sendo este o somatório do custo total e o somatório das quantidades, resultando a um valor médio de cada unidade.

Dias (2012, p. 150) afirma que: “Esse método age como um estabilizador, pois equilibra as flutuações de preços; e, em longo prazo, reflete os custos reais das compras de material”.

2.9.2 MÉTODO PEPS (FIFO)

“PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair) ou FIFO (First In, First Out) é o método que prioriza a ordem cronológica das entradas”. (FRANCISCINI 2002, p. 152)

Segundo Dias (2012), esse tipo de avaliação serve também para valorização dos estoques quando, por exemplo, se dispõem de material que esteja mantido por longo prazo.

2.9.3 MÉTODO UEPS (LIFO)

“Último a entrar, Primeiro a Sair (Last in, Firs out). Esse método de avaliação considera que devem em primeiro lugar sair às últimas peças que deram entrada no estoque”. (FRANCISCHINI 2002, p. 153)

Francischini (2002) diz que para períodos inflacionários, é o método mais adequado a ser utilizado, pois uniformiza o preço dos materiais estocados, partindo do princípio de que o estoque de reserva é o equivalente ao ativo fixo.

2.10 CURVA ABC

Para entendermos melhor sobre o princípio da curva ABC discorreremos primeiramente sobre sua história.

Pozo (2010) nos conta que esse princípio foi elaborado, inicialmente, por Vilfredo Pareto, na Itália, ao final do século XIX elaborava um estudo de distribuição de renda e riqueza da população que ali se encontrava. Pareto então notou que grande porcentagem da renda total concentrava-se em uma pequena parcela da população, numa proporção de aproximadamente 80% e 20% respectivamente, ou seja, que 80% da riqueza local estava concentrada com 20% da população. A curva ABC, então foi se difundindo para outras atividades e passou a ser uma ferramenta muito útil na área da administração.

Francischini (2002, p.73) conceitua curva ABC como sendo: “Um importante instrumento para o administrador; ela permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração”.

Pozo (2010) menciona que a razão do nome é pelo fato da divisão dos dados serem divididos em três categorias distintas, denominadas classes A, B e C.

Rodrigues (2007) diz que depende muito da experiência e do bom senso de cada profissional ao estabelecer os critérios para definir a divisão das classes A, B e C.

Dias (2012) traz a classificação das classes da seguinte forma:

  • Classe A: Grupo de itens mais importantes que devem ser tratados com uma atenção bem especial pela administração.
  • Classe B: Grupo de itens em situação intermediária entre as classes A e C.
  • Classe C: Grupos de itens menos importantes que justificam pouca atenção por parte da administração.

Passos para a elaboração do Diagrama de Pareto (FRANCISCHINI 2002, p.98):

  • Passo 1: Definir a variável a ser analisada
  • Passo 2: Coletar os dados
  • Passo 3: Ordenar os dados
  • Passo 4: Calcular porcentuais
  • Passo 5: Construir o diagrama
  • Passo 6: Analisar os resultados

3. METODOLOGIA

Para Marconi e Lakatos, (2011, p. 183), “a pesquisa bibliográfica, ou de fontes secundarias, abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo”.

A população pesquisada será uma empresa de Luziânia, atuante no ramo de defensivos agrícolas, contendo cinco pessoas, um gerente comercial, um gerente de logística, um supervisor, um estoquista e um faturista.

Foi desenvolvida uma pesquisa como objeto de estudo, envolvendo os funcionários que estão diretamente envolvidos na área de gestão de estoques, realizando assim um levantamento de dados sobre a gestão atual, e logo alcançando o objetivo da pesquisa que é o estudo da gestão de estoque da revenda. Tais dados foram coletados através de questionários contendo perguntas fechadas o que permitiu fundamentar as conclusões.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A gestão de materiais é um assunto de extrema importância para uma empresa como já foi referenciado anteriormente.

Foi possível conhecer vários métodos de auxílio para a gestão de estoques, nos estudos realizados, no entanto é sabido que apenas métodos não serão suficientes para esse controle. É preciso melhorá-los, aperfeiçoá-los.

Os autores utilizados nesta pesquisa ajudaram a alcançar o objetivo geral e os objetivos específicos, permitindo assim relacionar os conceitos e teorias estudados para elaboração de um questionário para aplicação na empresa estudada.

O intuído da aplicação do questionário relacionado a várias questões na gestão do estoque da empresa é auxiliá-la no melhoramento de sua gestão através da opinião de seus colaboradores. Dentre as questões aplicadas foi percebido que a empresa possui e disponibiliza ferramenta para o controle de estoque, porém a mesma não é utilizada de forma correta para obtenção de dados como previsão de vendas.

A empresa possui padrões pré-definidos de quantidade e qualidade para dar direção na hora de realizar a compra, aproveitando condições e preços dos fornecedores; é realizado na empresa avaliação das áreas de estoque antes de determinar quando e quanto comprar; existe influência de outros departamentos no controle da falta e do excesso de materiais. As questões mostraram também que o setor de compras e estoque possui boa comunicação, permitindo assim que o setor responsável pelas compras tenha sempre as informações necessárias para a tomada de decisão.

Permitiram analisar que a empresa utiliza dos métodos para seu posicionamento estratégico e operacional. Necessitando apenas do aperfeiçoamento em sua utilização. E ainda foi percebido que os colaboradores realizam as atividades relacionadas à entrada dos materiais de acordo com a exigência dos gestores facilitando assim todo o processo de controle.

Considerando os resultados obtidos, sugere-se um aperfeiçoamento na utilização dos métodos que dão suporte ao controle, sendo possível reduzir algumas possíveis falhas na acuracidade dos dados e melhor interpretação dos mesmos.

Outra sugestão é que seja fortalecido o bom relacionamento com o setor de compras, não deixando de lado o relacionamento com os outros departamentos da empresa.

A empresa vem desenvolvendo um bom trabalho em sua gestão, ficando apenas as sugestões citadas acima como forma de melhorias no desempenho da gestão de materiais.

REFERÊNCIAS

BALLOU, Ronald H. – Logística empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física – 1. Ed – São Paulo, Atlas, 2011.

CHIAVENATO, Idalberto – Administração de materiais: uma abordagem introdutória – Rio de Janeiro, Elsevier, 2005.

DIAS, Marco Aurélio P. – Administração de materiais: princípios, conceitos e gestão – 6. Ed.-São Paulo, Atlas, 2012.

DIAS, Marco Aurélio P., Administração de materiais: uma abordagem logística. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

FRANCISCHINI, G. Paulino – Administração de materiais e do patrimônio – 4. reimp. da 1. Ed. – São Paulo, Ceangage Learning, 2002.

LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade, Metodologia cientifica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1991.

MARTINS, Petrônio G. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2006.

POZO, Hamilton – Administração de recursos materiais e patrimoniais: uma abordagem logística – 6. Ed – São Paulo, Atlas, 2010.

RODRIGUES, Paulo Roberto Ambrosio – Gestão estratégica da armazenagem – 2. Ed ver. e ampl. – São Paulo, Aduaneiras, 2007.

SEVERINO, Antônio Joaquim, Metodologia do trabalho científico. 22 ed. rev. Ampl. – São Paulo: Cortez, 2002.

VIANA, João José – Administração de Materiais: um enfoque prático – 1. Ed. – São Paulo, Atlas, 2011.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração. 8 ed. São Paulo: Atlas, 2000.

APÊNDICE

Assinale sua posição em relação às afirmações envolvendo a Gestão de Estoques.

Concordo Totalmente Concordo Discordo Discordo Totalmente
1-A empresa disponibiliza ferramentas que possibilitam a gestão dos materiais.
2-É realizado periodicamente um levantamento referente à previsão de vendas para controle do volume de estoque.
3-A empresa possui padrões pré-definidos de quantidade e qualidade para dar direção na hora de realizar a compra aproveitando condições e preços dos fornecedores.
4-É realizado na empresa avaliação dos níveis de estoque antes de determinar quando e quanto comprar.
5-Existe influência de outros departamentos no controle da falta e do excesso de materiais.
6-A empresa utiliza do controle de estoque para fundamentar todo seu planejamento seja ele estratégico ou operacional.
7-É realizado contagem do estoque periodicamente, avaliando também validade os produtos.
8-Um dos métodos que a empresa utiliza é a curva ABC, auxiliando no tratamento adequado dos produtos que exigem maior atenção.
9-A movimentação dos materiais é feita através dos métodos PEPS e UEPS.
10-O método utilizado para realizar a entrada dos produtos, exigido pelos gestores é realizado corretamente.

 

[1] Bacharela em Administração pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) Unu Luziânia-GO e estudante de MBA em Controladoria e Finanças no Centro Universitário UNINTER.

[2] Avaliadora e Orientadora de TCC do Centro Universitário UNINTER, mestre em Contabilidade pela Universidade Federal do Paraná UFPR (2010). Graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Federal do Paraná UFPR (2005).

Enviado: Abril, 2019.

Aprovado: Junho, 2019.

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