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Xantoma em cão da raça poodle: relato de caso

RC: 130167
388
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DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/veterinaria/xantoma-em-cao

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

COSMOSKI, Camilla Alexandra [1], CLOCK, Jessica Gonçalvez [2], BORELLI, Vanessa [3]

COSMOSKI, Camilla Alexandra. CLOCK, Jessica Gonçalvez. BORELLI,  Vanessa.  Xantoma em cão da raça poodle: relato de caso. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 07, Ed. 10, Vol. 07, pp. 37-44. Outubro de 2022. ISSN: 2448-0959, Link de acesso:  https://www.nucleodoconhecimento.com.br/veterinaria/xantoma-em-cao, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/veterinaria/xantoma-em-cao

RESUMO 

Xantomas são lesões granulomatosas benignas, que possuem depósitos de derivados lipoprotéicos. Nesse contexto, o presente artigo tem como questão norteadora: quais os procedimentos devem ser realizados para o tratamento de xantoma em cão da raça poodle? Tendo como objetivo descrever um relato de caso de um cão da raça poodle com diagnóstico de xantoma. Para tanto, relata-se o caso de um canino da raça poodle, macho, de 14 anos, que apresentava, macroscopicamente, um nódulo em conjuntiva palpebral no olho direito, medindo 0,7 cm de diâmetro, ao corte branco com áreas amareladas. No exame microscópico, foi observado a proliferação neoplásica benigna de células epiteliais, identificando-se, com base no exame clínico e laboratorial, o diagnóstico de Conjuntiva palpebral: adenoma de meibômio/xantoma, que, tratando-se de uma neoplasia benigna, com bom prognóstico histopatológico, poderia ser removido mediante a excisão cirúrgica completa. Dessa maneira, o paciente foi submetido a uma cirurgia para excisão da lesão, através da técnica microcirúrgica, evoluindo clinicamente de maneira favorável, até a sua completa recuperação. Com isso, verificou-se que as lesões palpebrais em cães são relevantes na prática clínica e possuem grande impacto na qualidade de vida do animal, pois provocam atrito constante com as superfícies oculares. A literatura pesquisada ressalta, também, que para o tratamento de tumores palpebrais em cães e gatos, deve ser feito a exérese cirúrgica, devendo ser escolhida a técnica mais adequada para cada caso de acordo com a localização do tumor, extensão e profundidade. Além disso, sempre que possível, é preferível a excisão com margens cirúrgicas amplas para prevenir a recidiva e tratar conjuntamente a doença primária, se existir.

Palavras-chave: Xantoma, Cães, Medicina veterinária.

INTRODUÇÃO

Xantomas são lesões granulomatosas benignas, que possuem depósitos de derivados lipoprotéicos. Geralmente são localizados na derme (xantomas cutâneos), de origem reticuloendotelial e, raramente são relatados em animais de companhia.  A maioria dos xantomas caninos está associada a defeitos no metabolismo lipídico ou distúrbios metabólicos, como: hiperlipidemia, diabetes mellitus, hipotireoidismo ou hiperadrenocorticismo (STILES, 2013).

Normalmente aparecem no tecido subcutâneo da face, orelhas, ventre e em órgãos viscerais, como: baço, fígado, glândulas adrenais, estômago, duodeno e pâncreas. Além disso, os xantomas também podem ser encontrados em outros tecidos, incluindo: pele, tendões e articulações do joelho e cotovelo (STILES, 2013).

As lesões se apresentam, em sua maioria, multifocais e assintomáticas, mas, em alguns casos, pode ocorrer dor e prurido no local. Visualmente, consistem-se em pápulas, nódulos ou placas de cor branca ou amarelada, com bordas que podem ser eritematosas. Em casos raros, pode ocorrer a formação de massa ulcerada que libera material insípido, amorfo e necrótico (PIRES, 2016).

A cor dos xantomas pode variar de rosa, pálido ou marrom. Microscopicamente, podem ser: papilares, verrucosas ou planas. A marca histológica do xantoma verruciforme é a presença de agregados de grandes células espumosas vacuoladas, ou células de xantoma, que preenchem a papila de tecido conjuntivo entre pinos epiteliais hiperplásicos e alongados de profundidade relativamente uniforme (PIRES, 2016).

As células de xantoma coram positivamente para o antígeno do agrupamento de diferenciação 68 (CD68), indicando uma origem de monócitos/macrófagos. CD68 é um antígeno citoplasmático que está associado aos lisossomos. É expresso com uma coloração mais intensa em macrófagos do que em monócitos, mas também cora granulócitos e mastócitos (PIRES, 2016).

A formação de xantomas é derivada de uma concentração plasmática anormal de colesterol, triglicéridos ou lipoproteínas (hiperlipémia ou hiperlipoproteinemia). Entretanto, apesar desses esclarecimentos, a patofisiologia e etiologia da doença ainda não são totalmente elucidadas. Sendo assim, o tratamento deve abordar além da lesão, tratando, também, a causa primária para que, após a excisão cirúrgica, não ocorra a recidiva (SALES et al., 2021).

Portanto, com base no exposto, o presente artigo tem como questão norteadora: quais os procedimentos devem ser realizados para o tratamento de xantoma em cão da raça poodle? Tendo como objetivo descrever um relato de caso de um cão da raça poodle com diagnóstico de xantoma.

RELATO DE CASO

Apresentou-se na clínica um canino da raça poodle, macho, de 14 anos, com um nódulo macroscópico em conjuntiva palpebral no olho direito superior, medindo 0,7 cm de diâmetro, ao corte branco com áreas amareladas (Figura 1).

Figura 1. Exame clínico de lesão cutâneo em cão

Exame clínico de lesão cutâneo em cão.
Fonte: Autoria própria (2022).

No exame microscópico foi observado proliferação neoplásica benigna de células epiteliais, arranjadas em ninhos, separadas por finas trabéculas de tecido conjuntivo. As células possuíam citoplasma moderado e finamente vacuolizado, com núcleo redondo, cromatina frouxa e nucléolo evidente. Além disso, observou-se leve anisocitose, anisocariose e infiltrado inflamatório de linfócitos e neutrófilos multifocal. Adjacente a proliferação neoplásica benigna, separado por uma camada de tecido conjuntivo, observou-se, ainda, grande quantidade de macrófagos espumosos dispostos em manto contendo ninhos de fendas de colesterol (Figura 2).

Figura 2. Exame histopatológico de xantoma

Exame histopatologico de xantoma.
Fonte: Vanessa Borelli (2022).

Com base no exame clínico e laboratorial, o diagnóstico foi de conjuntiva palpebral: xantoma. Tratando-se de uma neoplasia benigna, com bom prognóstico histopatológico mediante a excisão cirúrgica completa.

A presença de xantoma adjacente à neoplasia indica uma hiperlipidemia associada. Dessa maneira, o paciente foi submetido a uma cirurgia para excisão da lesão, através da técnica microcirúrgica.

Após consulta pré-anestésica e avaliação física, constatou-se que o paciente estava apto para o procedimento anestésico. Sendo assim, foi realizado: Medicação pré-anestésica (MPA) por via intramuscular (IM) com acepromazina 0,02 mg/Kg e metadona 0,2 mg/Kg.

A indução anestésica foi realizada com propofol 2 mg/Kg, fentanil 5 mcg/Kg, onde o paciente permitiu a intubação e atingiu o plano anestésico desejado.

A manutenção anestésica foi realizada com remifentanil 10 mg/Kg/hora e isoflurano. Realizado o bloqueio locorregional extraconal (peribulbar) na dose de 0,1 ml/Kg. A técnica cirúrgica foi iniciada com incisão quadrangular em volta da lesão e feita a remoção. Posteriormente, foi realizada crioterapia com aparelho CrioFast.

Para medicação pós-cirúrgica, foi receitado colírio de moxifloxacino QUAD por 15 dias.

DISCUSSÃO

Xantomas são lesões granulomas benignas associadas ao transporte de lipídeos interrompidos. Resultam de anormalidades na síntese ou degradação de proteínas plasmáticas, levando à hiperlipoproteinemia. Estão associados à hiperlipoproteinemia e podem ser causados pelo consumo de alimentos com alto teor de gordura. Alternativamente, podem ser desencadeados por doenças, como: diabetes mellitus. Além disso, a hiperlipoproteinemia pode ocorrer em conjunto com um defeito herdado no metabolismo lipídico. A formação de xantomas, normalmente, é secundária à infiltração ou deposição das lipoproteínas em tecidos. Sendo assim, a causa originária do xantoma deve fazer parte da análise clínica para que seja tratada através de medicamentos e/ou dieta (PIRES, 2016).

A hiperlipidemia é caracterizada como um distúrbio hereditário do metabolismo das lipoproteínas, com etiologia desconhecida e pode estar ligada a um problema genético na lipoproteína lipase ou à ausência de apoproteína CII. Normalmente, os sinais clínicos envolvem: arterosclerose espontânea, lipemia retiniana, xantomas cutâneos, dor abdominal, letargia, vômitos e/ou diarreia. Manifestações neurológicas, como: convulsões e alterações comportamentais, também podem ocorrer (SALES et al., 2021). Sendo assim, no caso em questão, a investigação da doença e o seu tratamento se tornam essenciais.

As lesões palpebrais em cães são relevantes na prática clínica, visto que possuem grande impacto na qualidade de vida do animal, pois provocam atrito constante com as superfícies oculares (FERREIRA et al., 2009).

Como essas lesões são caracterizadas por normalmente serem assintomáticas, os tutores dos animais procuram assistência veterinária por conta da semelhança do tumor com lesões neoplásicas, no entanto, existem casos assintomáticos e que afetam as funções orgânicas (STILES, 2013).

Clinicamente, os xantomas são multifocais e consistem em pápulas, nódulos ou placas brancas/amareladas, cujos bordos se podem encontrar eritematosos. No entanto, como normalmente estão associadas a hiperlipidemia, é essencial analisar a presença de sinais dessa patologia, que são: vômito, diarreia e desconforto abdominal e, em casos mais graves, quando a concentração sérica de triglicérides é superior a 1000 mg/dl, podem estar associados à: pancreatite, lipemia retinalis, convulsões, xantomas cutâneos, paralisia dos nervos periféricos e alterações de comportamento (STILES, 2013).

Para o diagnóstico são utilizados exames clínicos e laboratoriais, com a biópsia da lesão para análise histopatológica e diagnóstico definitivo. A citologia dos granulomas pode ser usada como exame complementar. Além disso, pelos xantomas serem associadas a dislipidemias e doenças secundárias, é importante que seja realizado um painel bioquímico, incluindo colesterol e triglicerídeos, para analisar ou descartar a existência ou não de hiperlipidemia e diagnosticar, também, diabetes mellitus, por exemplo. Caso seja suspeitado de alguma outra patologia, deve ser feita a investigação para diagnóstico e tratamento (PIRES, 2016).

No exame histopatológico, os xantomas apresentam infiltração nodular difusa por macrófagos no tecido conjuntivo, com citoplasma espumoso e células gigantes histiocíticas multinucleadas. Os macrófagos passam pelas fibras de colágeno ou estão em camadas difusas, mudando a arquitetura normal. Além disso, em alguns casos, macrófagos e as células gigantes podem se apresentar individualizados (STILES, 2013).

Para o tratamento, é essencial que seja avaliada a causa etiológica do xantoma. Para os casos associados a hiperlipoproteinémia secundária, especialmente quando for diabetes mellitus, o tratamento da causa normalmente leva a resolução do xantoma. Em casos de hiperlipidemia, principalmente se associada a alimentação e xantomatose idiopática, deve ser feita a mudança da alimentação do animal, com uma dieta com baixo teor de gordura, o que, normalmente, leva a melhora do xantoma.

Em relação às hipertrigliceridemias, é importante o tratamento adequado para evitar pancreatite futura, devendo ser feito um tratamento para reduzir a concentração sérica de triglicerídeos. Já em caso de quilomicronemia, a dieta deve ser alterada com valores inferiores a 20% de gordura ou ainda mais reduzidos. Se o animal for obeso, além da dieta de gorduras restrita, deve ser feita restrição calórica. Após 6 a 8 semanas de dieta, os níveis séricos de triglicerídeos e colesterol devem ser reavaliados. Também, podem ser administrados fármacos para o tratamento da hipertrigliceridemia, mas somente se os valores séricos de triglicerídeos forem superiores a 500 mg/dl, podendo ser indicado niacina 100 mg/dia ou derivados do ácido fíbrico (fibratos) como genfibrozila 200 mg/dia para canino e, para gatos, 10 mg/kg BID. Para hipercolesterolemia, só deve ser feito tratamento medicamentoso se os níveis séricos de colesterol estiverem acima de 800 mg/dl, devendo primeiro ser feita a tentativa com dieta restrita (PIRES, 2016).

Ferreira et al. (2009), indicam que o tratamento de tumores palpebrais em cães e gatos deve ser feito através da exérese cirúrgica, devendo ser escolhida a técnica mais adequada para cada caso de acordo com a localização do tumor, extensão e profundidade, além disso, sempre que possível, é preferível a excisão com margens cirúrgicas amplas para prevenir a recidiva e sempre tratar a doença de origem antes ou em conjunto com a cirurgia.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo teve como objetivo descrever um relato de caso de um cão da raça poodle com diagnóstico de xantoma, sendo norteado pela questão: quais os procedimentos que devem ser realizados para o tratamento de xantoma em cão da raça poodle? Ante ao exposto, constatou-se que, no relato apresentado, o paciente evoluiu clinicamente de maneira favorável e teve completa recuperação. Com isso, verificou-se que as lesões palpebrais em cães são relevantes na prática clínica e possuem grande impacto na qualidade de vida do animal, pois provocam atrito constante com as superfícies oculares.

Com relação aos procedimentos, a literatura ressalta que, para o tratamento de tumores palpebrais em cães e gatos, deve ser feito a exérese cirúrgica, devendo ser escolhida a técnica mais adequada para cada caso de acordo com a localização do tumor, extensão e profundidade, além disso, sempre que possível, é preferível a excisão com margens cirúrgicas amplas para prevenir a recidiva e tratar conjuntamente a doença primária, se existir.

REFERÊNCIAS

FERREIRA, F. M. et al. Neoplasias Oculares In: DALECK, C. R.; DE NARDI, A. B.; RODASKY, S. Oncologia em cães e gatos. São Paulo: Roca, 2009. p.364-384.

PIRES, Andrea do Rosário. Xantoma retrobulbar em gato europeu comum – estudo de um caso clínico. 2016. 100 f. Dissertação (Mestrado em Veterinária) – Universidade de Lisboa. Lisboa, 2016.

SALES, Nathali Adrielli Agassi de et al. Reactive Seizures Due to Hyperlipidemia in a Maltese Dog. Acta Scientiae Veterinariae, [S.L.], v. 49, p. 1, 1 jan. 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22456/1679-9216.110100. Acesso em: 26 set. 2022.

STILES, J. Feline Ophthalmology. In: GELLAT, K. N.; GILGER, B. C.; KERN, T. J. (edts). Veterinary ophthalmology. 5ª ed. p 1477-1560. Oxford: John Wiley & Sons, Inc. 2013.

[1] Mestrado em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Ponta Grossa – UEPG; Pós-graduação em Oftalmologia e Microcirurgia em Oftalmologia Veterinária pela Faculdade Qualittas, Graduação em Medicina Veterinária Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCAGE. ORCID: 0000-0003-2979-3094.

[2] Especialização em Anestesiologia PAV, Graduação em Medicina Veterinária pelo Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – CESCAGE. ORCID: 0000-0002-4095-3282.

[3] Doutorado em Patologia Animal; Mestre em Ciência Animal com Ênfase em Patologia; Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná – UNICENTRO.

Enviado: Agosto, 2022.

Aprovado: Outubro, 2022.

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Camilla Alexandra Cosmoski

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