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Vivências do processo de parturição na primeira gestação: Revisão integrativa

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CONTEÚDO

REVISÃO INTEGRATIVA

GOMES, José Giovani Nobre [1], BESSA, Rayane de Freitas [2], CARVALHO, Tiago Firmino de [3] 

GOMES, José Giovani Nobre. BESSA, Rayane de Freitas. CARVALHO, Tiago Firmino de. Vivências do processo de parturição na primeira gestação: Revisão integrativa. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 08, Vol. 01, pp. 16-32. Agosto de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/parturicao-na-primeira-gestacao, DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.21829087

RESUMO

O objetivo deste estudo é compreender os sentimentos das primíparas frente às dificuldades no processo parturitivo e identificar a participação do companheiro/familiar, seja nas consultas, no parto ou pós-parto, a partir de publicações científicas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. O levantamento dos artigos foi realizado nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Base de Dados em Enfermagem (BDENF) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Foi utilizado um descritor alternativo “Primíparas” e seu respectivo termo em inglês “Primiparous”, justificado por sua carência na lista de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Foram encontrados 33 artigos, dos quais, após leitura e filtragem, restaram 15 na amostra para análise. Catorze estudos trazem relatos das mães, primigestas, sobre as vivências no período de parturição, destacando suas dificuldades, redes de apoio e acompanhantes, além da atuação da enfermagem. Somente um artigo é relacionado à influência da participação do companheiro e satisfação das primíparas no apoio ao parto. Emoções como medo, insegurança e ansiedade são frequentes entre primíparas, especialmente pela inexperiência e pelas mudanças que marcam o ciclo gravídico-puerperal. As vivências positivas da parturição dependem de diversos fatores, como o acompanhamento adequado de sua gestação, orientações durante e após o parto, rede de apoio, sendo este último um dos principais pontos que oferece aporte psicológico à mulher, visto seu estado de vulnerabilidade e necessidade de ajuda. Os profissionais da saúde devem atentar-se aos cuidados ofertados à primípara e à experiência desta, visto que se refere a um momento no qual desconhece. Prestar atendimento humanizado é essencial para a promoção de uma gestação tranquila e saudável.

Palavras-chaves: Parturição, Parto Humanizado, Saúde da Mulher, Humanização da Assistência.

1. INTRODUÇÃO

A gestação é definida como um período muito importante em que a mulher se prepara para mudanças e novas responsabilidades em sua vida. Nesse período, a mulher irá expressar diversos sentimentos em relação ao parto, que, em sua maioria, poderão interferir em suas decisões (Benute et al., 2013).

As parturientes relatam vivências positivas ou negativas em relação ao parto à outras mulheres. As primíparas, em sua maioria, buscam relatos com outras mulheres em diferentes âmbitos e criam os próprios conceitos acerca do parto, relatos estes que nem sempre influenciam a mulher de forma correta durante esse período (Lopes; Silveira, 2021).

Desde sempre, viver a experiência do processo de parturição representa um evento marcante com relevante importância na vida das mulheres, caracterizado como um momento especial e único, que transforma a mulher em diversos aspectos de sua vida e junto a ele, surge inseguranças, ansiedades, angústias, medos e uma nova função, a de ser mãe (Benute et al., 2013). 

Com vistas à humanização, a presença do acompanhante durante as consultas de pré-natal, parto e pós-parto se tornou fundamental para a qualidade do processo de parturição. No Brasil, o Ministério da Saúde declara a presença do acompanhante ser um direito da parturiente, servindo como apoio, além de deixá-la segura, contribuindo para o parto, tornando essencial o compartilhamento desse momento com pessoas de confiança, proporcionando segurança (Vasconcelos et al., 2019).

Do mesmo modo, as redes de apoio, têm relevância para a mulher, considerando que primíparas estão conhecendo um novo mundo que requer atenção e aprendizados em torno dos cuidados consigo e ao recém-nascido. Principalmente para as que trabalham, por possuírem apenas quatro meses de licença maternidade, e não irão contemplar o período em que a criança necessita dos cuidados maternos logo ao início da vida (Vasconcelos et al., 2019).

Visando subsidiar a reflexão acerca das vivências destas mulheres, o estudo tem como objetivo compreender os sentimentos das primíparas diante das dificuldades durante o processo de parturição e identificar a participação do companheiro/familiar, em consultas, no parto ou pós-parto.

2. MÉTODO

A revisão integrativa é caracterizada como um método que proporciona a síntese de resultados obtidos em pesquisas acerca de um determinado tema, de forma sistemática e ordenada, objetivando contribuir com os conhecimentos desse tema. Essa síntese e análise de dados servirá como uma explicação mais branda sobre o fenômeno (Roman; Friedlander, 1998).

Tal produto foi construído com base nas seis etapas apresentadas por Souza, Silva e Carvalho (2010). Sendo: Formulação da questão de pesquisa; Busca bibliográfica ou amostragem na literatura; Coleta de dados; Análise crítica dos estudos inclusos; Discussão dos resultados; e Apresentação da revisão integrativa, respectivamente.

A primeira etapa baseou-se na identificação do tema e seleção da questão de pesquisa. Assim, tem-se como questão norteadora: “Quais são os sentimentos frente às dificuldades enfrentadas por primíparas frente ao processo de parturição e qual a importância de uma rede de apoio?”.

Para a busca dos artigos, foi realizado um levantamento no período do mês de julho de 2023, nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Base de Dados em Enfermagem (BDENF) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). A pesquisa foi realizada conforme utilização do descritor alternativo “Primíparas” e seu respectivo termo em inglês “Primiparous”, justificado por sua carência na lista de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Após isso, foi realizada a coleta, sendo delimitado critérios de inclusão e exclusão. Como critérios de inclusão, os estudos publicados em formato de artigo, em periódicos nacionais ou internacionais, em língua portuguesa ou inglesa, disponíveis em texto completo, publicados nos últimos 10 anos e que relatem as vivências de mulheres no processo parturitivo. Como critérios de exclusão, artigos que fugiam da temática abordada com base na leitura dos resumos, artigos duplicados e com pouca apresentação dos resultados. Por se tratar de uma revisão integrativa da literatura, foram seguidas diretrizes de integridade acadêmica na seleção e análise dos estudos.

3. RESULTADOS 

As buscas iniciais resultaram em 857 artigos que foram encontrados de acordo com os descritores utilizados. Posteriormente, por meio de filtros, chegou-se a 33 artigos, conforme Tabela 01.

Tabela 01: Busca e filtros dos artigos acerca das vivências do processo de parturição

Fonte: Autoria Própria, 2023.

Na etapa seguinte, foi realizada a seleção com base na avaliação e leitura detalhada, aplicando os critérios de inclusão e exclusão. Esta avaliação proporcionou uma maior afinidade às temáticas. Ao término, obteve-se a amostra de 14 artigos. A elegibilidade e inclusão estão descritas na Figura 01:

Figura 01: Fluxograma de análise dos artigos acerca das vivências do processo de parturição em primíparas, 2023

Fonte: Autoria Própria, 2026.

Os artigos selecionados trazem discussões fundamentais acerca das experiências das parturientes, além de trazer aspectos sobre a importância do acompanhante durante esse período. Da bibliografia selecionada, catorze estudos trazem relatos das mães, em sua maioria primigestas, sobre as vivências no período de parturição, destacando dificuldades, dando ênfase às redes de apoio e acompanhantes. Somente um artigo é mais relacionado à influência da participação do companheiro e satisfação das primíparas.

Quadro 01: Relação dos artigos selecionados acerca das vivências do processo de parturição em primíparas, 2023

REFERÊNCIA OBJETIVO/MÉTODO RESULTADOS
BENUTE, Gláucia Rosana Guerra et al. Preferência pela via de parto: uma comparação entre gestantes nulíparas e primíparas. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 35, p. 281-285, 2013. Descrever e comparar a preferência pela via de parto entre gestantes nulíparas e primíparas, e verificar se a vivência anterior do parto exerce influência no processo de parturição.

Estudo transversal prospectivo. Os dados categóricos e quantitativos avaliados pelo qui-quadrado ou Exato de Fisher.

Das gestantes, 60,7% das nulíparas e 70,5% das primíparas relataram preferir o parto por via vaginal. Ao se analisar as respostas sobre ter recebido informações suficientes sobre o tipo de parto, a existência ou não de influências na escolha pela via de parto e a preferência da via de parto pelo parceiro, não foram evidenciadas diferenças significativas entre os dois grupos (p>0,05).
COSTA, Lediana Dalla et al. Dificuldades maternas no cuidado domiciliar a recém-nascidos. Rev Rene, 2020. Analisar a associação entre dificuldades maternas no cuidado domiciliar a recém-nascidos e paridade.

Estudo transversal, realizado na Atenção Primária em Saúde de um município brasileiro. A amostra de 247 puérperas, cujos dados foram coletados por meio de dois questionários. Os dados foram analisados por qui-quadrado de Pearson.

Observou-se que tanto as primíparas quanto as multíparas apresentaram porcentagem muito elevada de dificuldades relacionadas ao cuidado, entretanto, as primigestas manifestaram maiores contratempos nos cuidados referentes à realização do banho e arroto, enquanto as multigestas relataram maiores obstáculos durante a amamentação. Os cuidados com as escolhas das roupas e o coto umbilical obtiveram significância estatística, independe da paridade.
DEMARCHI, Rafael Fernandes et al. Percepção de gestantes e puérperas primíparas sobre maternidade. Rev. enferm. UFPE, p. 2663-2673, 2017. Investigar a percepção de gestantes e puérperas primíparas sobre maternidade. 

Estudo exploratório-descritivo, de abordagem qualitativa à luz da Teoria das Relações Interpessoais de Peplau. Os participantes foram primíparas, entrevistadas no terceiro trimestre da gestação e no período de puerpério tardio.

Foram apreendidas três categorias: Reorganização da dinâmica familiar; Desafios em se ver como mãe; e Atuação do profissional de saúde no preparo para ser mãe.
DE SOUZA, Monique Gonzalez et al. A preocupação das mulheres primíparas em relação ao trabalho de parto e parto. Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental, v. 7, n. 1, p. 1987-2000, 2015. Conhecer as preocupações das mulheres primíparas acerca do trabalho de parto e parto; identificar ações do enfermeiro para amenizar os sentimentos das mulheres. 

Pesquisa descritiva, exploratória, de natureza qualitativa, com seis mulheres primíparas do alojamento conjunto de um Hospital Universitário, mediante entrevista semiestruturada.

Na análise dos dados, os resultados mostraram os seus sentimentos e expectativas quanto a sua relação com o trabalho de parto e parto, como medo, insegurança e ansiedade. Contudo, a presença do acompanhante mostrou-se importante para inibição desses sentimentos.
HOLANDA, Sâmia Monteiro et al. Influência da participação do companheiro no pré-natal: satisfação de primíparas quanto ao apoio no parto. Texto & Contexto-Enfermagem, v. 27, 2018. Correlacionar a satisfação de primíparas quanto ao apoio e à utilidade do companheiro durante o processo de parto com a sua presença e capacitação no pré-natal.

Estudo correlacional realizado com 155 primíparas no alojamento conjunto de uma maternidade terciária. Utilizou-se a subescala 6, referente ao apoio do companheiro, do Questionário de Experiência e Satisfação com o Parto. Para testar a associação entre as variáveis foi utilizado o qui-quadrado.

A variável presença do companheiro no pré-natal esteve estatisticamente associada à satisfação da puérpera com o apoio (p=0,0004) e com a utilidade do apoio (p=0,007) durante o trabalho de parto, enquanto a variável capacitação do companheiro no pré-natal esteve estatisticamente associada à satisfação com o apoio (p=<0,00001) e à utilidade do apoio (p=<0,001; p=<0,00001; e p=0,006), prestado pelo companheiro durante todas as fases avaliadas (trabalho de parto, parto e pós-parto imediato).
LOPES, Matheus Ramos; SILVEIRA, Edilene Aparecida Araújo da. Expectativas e vivências no processo de parto, a partir do interacionismo simbólico. Online braz. j. nurs, 2021. Compreender as expectativas e vivências de mulheres primíparas no parto. 

Estudo descritivo, qualitativo, tendo como referencial teórico o Interacionismo Simbólico. A coleta de dados ocorreu por meio de oficinas, entrevista semiestruturada no pré e pós-parto. Os dados foram analisados por meio de análise de conteúdo.

Participaram do estudo 11 mulheres no pré-parto e oficina e 05 no pós-parto. Foram identificadas duas categorias: Parto: experiência marcante; e Entre expectativas e vivências.
MARCATO, Kelli Cristina Daniel; LEITE, Maria Fernanda. Dificuldades emocionais maternas no puerpério em primigestas: estudo de corte transversal. Rev. Salusvita (Online), 2021. Identificar quais foram as principais dificuldades emocionais maternas no puerpério em primigestas.

Estudo transversal com abordagem quantitativa e aplicação de questionário on-line por meio dos Formulários Google. 

As principais dificuldades que acarretaram distúrbios emocionais maternos foram o estresse de não conseguir amamentar 18,65%; não ter desejado a gravidez 6,54%; a falta de apoio familiar 4,67%; as mudanças corporais 1,87%; os relacionamentos abusivos 0,93%; e pouca condição financeira 0,93%.
REIS, Carolyn Cristina et al. Percepção das mulheres sobre a experiência do primeiro parto: implicações para o cuidado de enfermagem. Ciencia y enfermería, v. 23, n. 2, p. 45-56, 2017. Estudar a percepção das mulheres sobre o primeiro parto no contexto obstétrico de uma maternidade do Recife. Pesquisa descritiva e qualitativa. Foram entrevistadas 10 primíparas internadas no Alojamento Conjunto de um Hospital Universitário, durante três meses. A coleta foi por entrevista semiestruturado. Mulheres relataram a criação do vínculo com a equipe de saúde e a satisfação do primeiro contato com o filho. Possuíam déficit de conhecimento sobre sua situação de saúde e não se sentiam confortáveis para participar das decisões no cuidado.
SCARTON, Juliane et al. “No final compensa ver o rostinho dele”: vivências de mulheres-primíparas no parto normal. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 36, p. 143-151, 2015. Conhecer as vivências de mulheres primíparas em relação às práticas de cuidado prestadas por profissionais de enfermagem no parto normal. 

Estudo qualitativo, descritivo, realizado com dez mulheres primíparas, em uma maternidade no interior do Rio Grande do Sul, por meio de entrevista semiestruturada. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática pela proposta operativa.

Os dados foram agrupados nas categorias: O medo de não conseguir e o incentivo da equipe de enfermagem; A vivência da dor no parto normal; Apoio versus distanciamento; Vivência boa ou ruim no parto? “No final tudo compensa!”.
SCARTON, Juliane et al. Care practices in normal birth: the experience of primiparous women/Práticas de atenção ao parto normal: a experiência de primíparas. Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental, v. 10, n. 1, p. 17-24, 2018. Conhecer as práticas de cuidado desenvolvidas pelos profissionais de enfermagem durante o processo parturitivo na perspectiva de mulheres primíparas.

Estudo descritivo e exploratório com abordagem qualitativa, desenvolvido com dez mulheres primíparas. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada e analisados pela proposta operativa de Minayo.

Foram estruturados em três categorias a partir do Guia Prático da Organização Mundial da Saúde com recomendações de práticas seguras no parto normal.
VASCONCELOS, Maria Lucíola et al. Cuidado à criança menor de seis meses no domicilio: experiência da mãe primípara. Escola Anna Nery, v. 23, 2019. Compreender como a mãe primípara exerce o cuidado materno ao filho menor de seis meses no domicílio. 

Pesquisa descritiva com abordagem qualitativa, realizada em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde, em Fortaleza/CE. Participaram 20 mães primíparas. Utilizou-se análise temática de conteúdo para análise dos dados.

Da organização dos discursos, obteve-se a categoria Experiência Materna no Cuidado. Percebeu-se que sentimentos de medo e insegurança estavam presentes no cotidiano das entrevistadas, interferindo nos cuidados como banhar e segurar o bebê; a limpeza da cicatriz umbilical era cessada após a queda do coto; bebês dormiam de bruços; dor e estresse contribuíram para insucesso da lactação; experiência prévia no cuidado aos irmãos mais novos influenciava o cuidado materno.
ZANATTA, Edinara; PEREIRA, Caroline Rubin Rossato; ALVES, Amanda Pansard. A experiência da maternidade pela primeira vez: as mudanças vivenciadas no tornar-se mãe. Revista Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 12, n. 3, p. 16-16, 2017. Conhecer as mudanças percebidas pelas mães primíparas em si, em seus relacionamentos e na rede de apoio a partir da vivência da maternidade. 

Integraram o estudo seis mães primíparas, cujos bebês tinham entre sete e 12 meses de idade. Pesquisa qualitativa, utilizando-se de entrevista semiestruturada.

Os resultados obtidos pela análise de conteúdo apontaram o predomínio de sentimentos de insatisfação diante das mudanças percebidas no corpo e a presença de mudanças positivas no modo de ser da mulher após a maternidade. Além disso, destaca-se a presença de uma rede de apoio e o papel desempenhado pelo pai do bebê como suporte tanto instrumental quanto emocional à mãe.
ZANETTINI, Angélica; DE SOUZA, Jeane Barros; AGUIAR, Denise Moser. As interfaces das vivências da primeira experiência de mães adolescentes e adultas. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, v. 7, 2017. Compreender os significados da maternidade para as mães adolescentes e adultas, primíparas, desvelando sua rede de apoio na vivência desta experiência. 

Pesquisa descritiva, exploratória, qualitativa, com 11 mães primíparas.

Percebeu-se que a maternidade gerou modificações no viver das mães como: alterações físicas e no seu cotidiano e de sua família com a chegada do bebê. A rede de apoio mostrou-se essencial pelo amparo e consolo nas dificuldades a serem enfrentadas.
ZANETTINI, Angélica et al. As vivências da maternidade e a concepção da interação mãe-bebê: interfaces entre as mães primíparas adultas e adolescentes. Rev Pesqui Cuid Fundam, v. 11, n. 3, p. 655-663, 2019.  Compreender as interfaces das vivências relacionadas à primeira experiência de mães adolescentes e adultas, buscando identificar a construção da interação mãe-bebê. 

Estudo exploratório, descritivo, qualitativo, com mães primíparas, do município de Chapecó/SC. Coleta de dados por entrevista semiestruturadas.

Mudanças profundas na forma de viver das mães primíparas, como: alterações físicas, preocupações com a imagem, maior responsabilidade, tristeza, alegria, medo, distanciamento de amigos, brusca alteração no modelo de vida, e para a adolescente mãe, também o abandono escolar e dificuldades com o cuidado da criança.

Fonte: Autoria Própria, 2023.

4. DISCUSSÃO

As vivências das parturientes primíparas abrangem múltiplos aspectos emocionais, sociais e práticos, que estão de acordo com os achados desta revisão. A literatura evidencia que a descoberta da gravidez pode despertar sentimentos positivos ou negativos, variando desde felicidade até tristeza, medo e preocupação, especialmente quando a gestação é inesperada ou associada à falha contraceptiva (Demarchi et al., 2017). Esses sentimentos influenciam a maneira como as mulheres passam a imaginar o parto, sendo a dor um elemento central, muitas vezes associada à morte e ao sofrimento, influenciada por construções socioculturais que afetam suas preferências e decisões (Reis et al., 2017). Nesse sentido, a tríade medo-tensão-dor descrita por Scarton et al. (2015) reforça como a percepção negativa do parto, reproduzida socialmente, aprofunda a insegurança e fragilidade emocional das primíparas.

Apesar dessas tensões, muitas mulheres desejam que o parto seja uma experiência marcante e significativa, mesmo reconhecendo que sentimentos intensos permanecem após o nascimento (Lopes e Silveira, 2021). A literatura aponta que primíparas tendem a apresentar mais queixas que multíparas, devido à inexperiência, ao aumento das responsabilidades e à adaptação à nova rotina com o bebê (Demarchi et al., 2017). Sentimentos de medo e angústia podem interferir no vínculo mãe-bebê, impactando também o contexto familiar e a saúde da criança (Costa et al., 2020). Embora algumas descrevam o primeiro contato com o recém-nascido como o melhor momento vivido (Reis et al., 2017), outras relatam insegurança inicial, dificuldade de reconhecer sinais do bebê e maior sensibilidade no primeiro trimestre do puerpério (Zanettini et al., 2019).

A preparação mental e física é percebida pelas primíparas como essencial para uma vivência mais positiva (Lopes e Silveira, 2021). A maternidade envolve transformações comportamentais e existenciais, demandando reorganização da rotina familiar e redefinição de prioridades (Demarchi et al., 2017). Os estudos também destacam mudanças corporais, como ganho de peso e estrias, frequentemente vivenciadas como fonte de insegurança, influenciadas pela pressão midiática de um corpo ideal (Demarchi et al., 2017). Para algumas mulheres, essas transformações podem gerar angústia e ameaça ao autorreconhecimento (Zanatta, Pereira e Alves, 2017). Entretanto, há relatos de mulheres que não vivenciaram mudanças corporais significativas, mas enfrentaram intensificação de tarefas domésticas, dificuldades no cuidado ao bebê e desafios decorrentes de cesárea (Demarchi et al., 2017).

Questões relacionadas ao sexo do bebê e ao sentimento de capacidade materna também emergem, influenciadas por expectativas pessoais e identificações construídas ao longo da vida (Demarchi et al., 2017). Apesar das inquietações, algumas vivências são descritas como instintivas, prazerosas e associadas ao amadurecimento feminino, fortalecendo o cuidado e a proteção com o bebê (Zanettini et al., 2017).

No campo das dificuldades práticas, destacam-se desafios relacionados ao banho, à forma de segurar o bebê e ao cuidado com o coto umbilical, que muitas vezes é higienizado de forma inadequada, apesar das boas intenções (Vasconcelos et al., 2019). Experiências prévias com cuidado de crianças contribuem para maior segurança (Vasconcelos et al., 2019). A amamentação constitui outro ponto crítico, com baixa adesão e dificuldades associadas à pega incorreta, dor, mamilos invertidos, tempo de mamada e insegurança quanto à quantidade ingerida pelo bebê, além de dúvidas sobre cuidados com as mamas (Vasconcelos et al., 2019; Zanettini et al., 2019; Costa et al., 2020). A preocupação com o choro e o medo de adoecimento reforçam sentimentos de ansiedade e incapacidade (Vasconcelos et al., 2019).

Do ponto de vista social, há mudanças no lazer e convívio social, com redução de encontros e receio de deixar o bebê, gerando adaptações importantes no estilo de vida das mães (Zanettini et al., 2017). O apoio familiar surge como elemento indispensável: quando presente, contribui para o bem-estar materno e para um ambiente acolhedor ao bebê (Zanettini et al., 2019). Entretanto, a falta de apoio do pai ou familiares gera vulnerabilidade, especialmente no parto e pós-parto, quando a mulher está emocionalmente fragilizada. Assim, a rede de apoio deve incluir companheiro, família, amigos e profissionais de saúde que acompanham a gestação e o puerpério (Demarchi et al., 2017). O envolvimento do par é desejável, embora nem sempre possível, e sua ausência pode sobrecarregar a mulher (Zanettini et al., 2019). A figura materna da puérpera também desempenha papel central, sendo fonte de apoio prático e emocional; seu afastamento gera sentimentos de desamparo (Zanatta, Pereira e Alves, 2017).

A interação com os profissionais de saúde é um fator relevante: quando há orientações claras, apoio emocional e diálogo, a gestante relata maior tranquilidade no parto (Reis et al., 2017). Contudo, algumas primíparas mencionam dor, angústia e falta de atenção da equipe, sentindo que suas vivências não foram consideradas (Scarton et al., 2015).

Considerando todos os achados, esta revisão mostra que a maternidade primípara é marcada por sentimentos intensos e muitas vezes, confusos, mudanças profundas e desafios concretos que pedem um apoio integral. Contudo, algumas limitações devem ser reconhecidas: os estudos analisados apresentam recortes metodológicos distintos, contextos regionais variados e, em sua maioria, amostras reduzidas, o que pode limitar a generalização dos resultados. Além disso, como revisão integrativa, esta síntese depende da qualidade e profundidade das publicações incluídas.

Diante disso, futuras pesquisas devem aprofundar a compreensão das experiências de primíparas em diferentes realidades socioculturais, incluir avaliações longitudinais sobre adaptação materna e investigar estratégias de apoio profissional que reduzam inseguranças e fortaleçam o vínculo mãe-bebê.

Assim, esta discussão reforça que compreender a experiência das primíparas é essencial para orientar práticas humanizadas, fortalecer redes de apoio e aprimorar a atenção no ciclo gravídico-puerperal, contribuindo para vivências mais seguras, acolhedoras e saudáveis.

5. CONCLUSÕES

Este estudo teve como objetivo compreender os sentimentos das primíparas diante das dificuldades do processo de parturição e identificar a participação do companheiro ou familiar nesse período. Com base na revisão integrativa realizada, conclui-se que esse objetivo foi alcançado, pois os estudos analisados evidenciaram de forma consistente os principais sentimentos, desafios e necessidades que permeiam essa experiência.

Constatou-se que emoções como medo, insegurança e ansiedade são frequentes entre primíparas, especialmente pela inexperiência e pelas mudanças que marcam o ciclo gravídico-puerperal. Observou-se também que o apoio oferecido pelo companheiro, familiares e rede social desempenha papel fundamental na vivência do parto, contribuindo não apenas para o bem-estar emocional da mulher, mas também para um impacto favorável no vínculo familiar e no desenvolvimento do bebê.

Além disso, verificou-se que práticas de cuidado humanizado, orientações claras e acompanhamento profissional qualificado favorecem uma gestação e um parto mais tranquilos. Assim, destaca-se que os profissionais de saúde têm papel indispensável nesse processo, devendo acolher, orientar e apoiar a primípara de forma sensível e contínua, garantindo que ela se sinta segura diante de um momento novo, intenso e desafiador.

Desse modo, reforça-se a importância de uma rede de apoio bem estruturada e de uma assistência profissional humanizada, fundamentais para a promoção de uma experiência materna mais segura e saudável.

REFERÊNCIAS

BENUTE, Gláucia Rosana Guerra et al. Preferência pela via de parto: uma comparação entre gestantes nulíparas e primíparas. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 35, p. 281-285, 2013. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/HL77V8G6pGp8ffCYcJRwfby/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 27 jul. 2023. 

COSTA, Lediana Dalla et al. Dificuldades maternas no cuidado domiciliar a recém-nascidos. Rev Rene, 2020. 

DEMARCHI, Rafael Fernandes et al. Percepção de gestantes e puérperas primíparas sobre maternidade. Rev. enferm. UFPE, p. 2663-2673, 2017. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/view/23438/19137. Acesso em: 12 out. 2023. 

DE SOUZA, Monique Gonzalez et al. A preocupação das mulheres primíparas em relação ao trabalho de parto e parto. Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental, v. 7, n. 1, p. 1987-2000, 2015. 

HOLANDA, Sâmia Monteiro et al. Influência da participação do companheiro no pré-natal: satisfação de primíparas quanto ao apoio no parto. Texto & Contexto-Enfermagem, v. 27, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/tce/a/bw8qwZ8cJNR8WNqPx8QBF6c/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 12 out. 2023. 

LOPES, Matheus Ramos; SILVEIRA, Edilene Aparecida Araújo da. Expectativas e vivências no processo de parto: interacionismo simbólico. Online Brazilian Journal of Nursing, v. 20, 5 de maio de 2021. 

MARCATO, Kelli Cristina Daniel; LEITE, Maria Fernanda. Dificuldades emocionais maternas no puerpério em primigestas: estudo de corte transversal. Rev. Salusvita (Online), 2021.

REIS, Carolyn Cristina et al. Percepção das mulheres sobre a experiência do primeiro parto: implicações para o cuidado de enfermagem. Ciencia y enfermería, v. 23, n. 2, p. 45-56, 2017. Disponível em: https://www.scielo.cl/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0717-95532017000200045. Acesso em: 12 out. 2023. 

ROMAN, Arlete Regina; FRIEDLANDER, Maria Romana. Revisão integrativa de pesquisa aplicada à enfermagem. Cogitare Enfermagem, v. 3, n. 2, 1998. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/cogitare/article/view/44358/26850. Acesso em: 12 out. 2023. 

SCARTON, Juliane et al. “No final compensa ver o rostinho dele”: vivências de mulheres-primíparas no parto normal. Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 36, p. 143-151, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rgenf/a/JtYm6vtCwCMPNvmqBvqbgWN/?format=pdf&lang=pt#:~:text=%E2%80%9CNo%20final%20tudo%20compensa!%E2%80%9D,%2Dchave%3A%20Assist%C3%AAncia%20%C3%A0%20sa%C3%BAde. Acesso em: 12 out. 2023. 

SCARTON, Juliane et al. Care practices in normal birth: the experience of primiparous women/Práticas de atenção ao parto normal: a experiência de primíparas. Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental, v. 10, n. 1, p. 17-24, 2018. 

SOUZA, Marcela Tavares de; SILVA, Michelly Dias da; CARVALHO, Rachel de. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo), v. 8, p. 102-106, 2010.

VASCONCELOS, Maria Lucíola et al. Cuidado à criança menor de seis meses no domicilio: experiência da mãe primípara. Escola Anna Nery, v. 23, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/zb3Kq7zBdwnZ7gDZvgJjZvR/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 12 out. 2023. 

ZANATTA, Edinara; PEREIRA, Caroline Rubin Rossato; ALVES, Amanda Pansard. A experiência da maternidade pela primeira vez: as mudanças vivenciadas no tornar-se mãe. Revista Pesquisas e Práticas Psicossociais, v. 12, n. 3, p. 16-16, 2017. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-89082017000300005. Acesso em: 12 out. 2023. 

ZANETTINI, Angélica; DE SOUZA, Jeane Barros; AGUIAR, Denise Moser. As interfaces das vivências da primeira experiência de mães adolescentes e adultas. Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro, v. 7, 2017. Disponível em: http://seer.ufsj.edu.br/recom/article/view/1987/1796. Acesso em: 12 out. 2023. 

ZANETTINI, Angélica et al. As vivências da maternidade e a concepção da interação mãe-bebê: interfaces entre as mães primíparas adultas e adolescentes. Rev Pesqui Cuid Fundam, v. 11, n. 3, p. 655-663, 2019. 

INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES 

[1] Orientador. Doutorado em ciências da saúde/Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6169-6396. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5446698015405038. 

[2] Bacharel e licenciada em Enfermagem. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1226-245X. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2894179922972438.

[3] Graduando em Enfermagem; Ensino Médio Completo. ORCID: https://orcid.org/0009-0007-1910-8790. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9872553134417227.

Contribuição dos autores:

José Giovani Nobre Gomes: O autor atuou como coordenador do Projeto de Pesquisa, desde à concepção, planejamento, análise, interpretação e redação e Revisão final do trabalho.

Rayane de Freitas Bessa: Atuou como pesquisadora junto ao desenvolvimento do estudo, desde à concepção, planejamento, coleta de dados, organização, análise, interpretação e redação.

Tiago Firmino de Carvalho: Atuou como pesquisador junto ao desenvolvimento do estudo, desde à concepção, planejamento, coleta de dados, organização, análise, interpretação e redação.

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse: 

N/A.

Agradecimentos:

N/A.

Financiamento:

N/A.

Nota de presença de IA:

N/A.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons Attribution License, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 19 de novembro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 20 de janeiro de 2026.

Material editado aprovado pelos autores: 20 de julho de 2026.

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José Giovani Nobre Gomes

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