Início Saúde Atuação do enfermeiro na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis no programa de...

Atuação do enfermeiro na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis no programa de saúde do adolescente: uma revisão integrativa de literatura

RC: 20044 -
Atuação do enfermeiro na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis no programa de saúde do adolescente: uma revisão integrativa de literatura
5 (100%) 1 vote
128
0
ARTIGO EM PDF

PASSOS, Madson Araújo [1], SILVA, Renata Fabiana Xavier [2], FERREIRA, Warllen Renato Fernandes MORAES [3], Ana do Socorro Maia [4]

PASSOS, Madson Araújo. Et al. Atuação do enfermeiro na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis no programa de saúde do adolescente: uma revisão integrativa de literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano 03, Ed. 08, Vol. 15, pp. 41-54, Agosto de 2018. ISSN:2448-0959

RESUMO

INTRODUÇÃO: A adolescência é um período da vida onde ocorrem mudanças nos aspectos biopsicossociais dos indivíduos, sabe-se que nesta fase a busca por novas experiências tornam se constante, sendo em algumas ocasiões atividades que envolvem a vulnerabilidade aos riscos relacionados à saúde destes indivíduos. OBJETIVO: Descrever a importância do enfermeiro assistencial, como educador social para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis entre os adolescentes. METODOLOGIA: Trata se de um estudo descritivo de revisão bibliográfica que utilizou artigos em português, publicados entre 2011 a 2016 relacionados à temática. RESULTADOS: O início precoce da vida sexual, a falta de informação, o pouco diálogo entre pais e filhos constituem alguns fatores que propiciam à exposição dos adolescentes as infecções sexualmente transmissíveis. CONCLUSÃO: Neste contexto faz se necessária abordagem e alerta acerca dos métodos preventivos e orientações sobre a pratica sexual, sendo este dialogo de forma continua e interligada entre a escola, os pais e os profissionais de saúde.

Descritores: Educação, Saúde, Infecções Sexualmente Transmissíveis, Adolescente.

 INTRODUÇÃO

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um terço da população mundial encontra-se na faixa etária entre 10 e 24 anos e é nesta faixa de idade que se concentra metade das infecções por Human Immunodeficiency Virus (HIV). A maioria dos jovens torna-se sexualmente ativos na adolescência e muitos antes dos 15 anos de idade. No Brasil, estima-se que, anualmente, quatro milhões de jovens tornam-se sexualmente ativos, elevando- se também as taxas de gravidez precoce (BRASIL, 2013).

Assim, a discussão sobre a vulnerabilidade se faz pelo reconhecimento da pluralidade e diversidade da vida humana e do viver adolescente e impõe a ruptura com modelos de ações dirigidas a um sujeito universal inexistente, por proposições que partam das diferenças construídas, mantidas e transformadas na vida social, incorporando, no direcionamento da assistência, discussões sobre estilo de vida e agravos à saúde, bem como da necessidade de atenção mais específica como educação, cultura, trabalho, justiça, esporte, lazer, entre outros (SILVA, 2009).

A adolescência é um período da vida onde ocorrem mudanças nos aspectos biopsicossociais dos indivíduos, sabe-se que nesta fase a busca por novas experiências tornam se constante, sendo em algumas ocasiões atividades que envolvem a vulnerabilidade aos riscos relacionados à saúde destes indivíduos. Segundo Queiroz et al. (2012), diante de todas as mudanças corporais e psicológicas destacam-se ainda as mudanças relativas ao relacionamento afetivo e a sexualidade. Ou seja, a incessante busca pelo novo, a curiosidade e a sensação de invulneráveis associados ás condições socioeconômicas e pouca experiência propiciam aos adolescentes a exposição aos riscos principalmente relacionados à sexualidade, mais especificadamente as infecções sexualmente transmissíveis.

De acordo com Oliveira et al. (2009), o inicio precoce da vida sexual ativa também constitui um fator importante para a transmissão das infecções, devido ao conhecimento insuficiente. Além desses fatores pode se citar as barreiras dos profissionais de saúde para implantação de programas voltados para esta classe, devido a diversos fatores como os aspectos familiares e religiosos.

Como afirma Silva et al. (2015), a família exerce um papel importante na construção da identidade dos filhos, porém dialogar sobre a sexualidade está sendo um tabu. Diante disso os adolescentes estão procurando as informações muitas das vezes em fontes não confiáveis, como na internet e com amigos também inexperientes. Portanto a educação sexual constitui a principal atividade para prevenção das infecções sexualmente transmissíveis, sendo necessário começa-la o mais precocemente possível, além disso, deve ser de maneira contínua e vinculada entre os pais, a escola e os profissionais de saúde (MENDONÇA, 2009). A realização de atividades educativas no âmbito da sexualidade tem como finalidade a prevenção das doenças e associação de comportamentos sexuais mais saudáveis, com isso o enfermeiro deve utilizar as práticas de Educação em Saúde para atuar no âmbito da sexualidade na adolescência (QUEIROZ, 2012). Apesar de existirem políticas de atenção à saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes, a maioria dos serviços não possuem ações voltadas para o adolescente devido á diversos fatores como falta de material atrativo, superlotação e falta de interesse por parte dos profissionais de saúde.

Com isso, a cada ano observa se o aumento da incidência de adolescentes portadores do vírus da imunodeficiência humana (HIV). De acordo com Silva et al. (2010) os adolescentes não possuem um bom entendimento sobre as infecções sexualmente transmissíveis e sobre a AIDS, com isso ocorre o aumento da prevalência dos casos de pessoas que adquiriram o vírus da imunodeficiência humana na adolescência.

Para Mendonça et al. (2009), a principal preocupação com os portadores do vírus da imunodeficiência humana são os comportamentos de risco que eles adquirem ao longe de sua trajetória. Com isso através de palestras, demonstrações, questionários e jogos pode se esclarecer as dúvidas e discorrer sobre as principais doenças transmitidas através do ato sexual desprotegido, como ocorre a transmissão e como se proteger, e discorrer sobre os riscos de iniciar a vida sexual tão precocemente, fazendo com que os indivíduos sintam se sensibilizados, prestes a compreender que ele é corresponsável pela saúde dele.

Além disso, deve-se estimular aos pais e filhos a manterem um diálogo aberto e esclarecedor, promovendo assim a confiança entre ambas as partes. O enfermeiro ao atuar como educador em saúde promove o cuidado integral, aprimorando a assistência, colocando o indivíduo como participante das ações relacionadas à sua saúde.

A Atenção à Saúde, que foi definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1978 como: “Política para atingir em todos” os países um nível de bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e as comunidades como sendo a atenção essencial à saúde baseada em tecnologia e métodos práticos, cientificamente comprovados e socialmente aceitáveis, tornados universalmente acessíveis a indivíduos e famílias na comunidade por meios aceitáveis para eles e a um custo que tanto a comunidade como o país possa arcar em cada estágio de seu desenvolvimento, um espírito de autoconfiança e Autodeterminação.

É parte irrestrita do sistema de saúde do país, do qual é função central, sendo o enfoque principal do desenvolvimento social e econômico global da comunidade. É o primeiro nível de contato dos indivíduos, da família e da comunidade com o sistema nacional de saúde, levando a atenção à saúde o mais próximo possível do local onde as pessoas vivem e trabalham, constituindo o primeiro elemento de um processo de atenção continuada à saúde. DECLARAÇÃO DE ALMA-ATA, (1978).

No Brasil, a Atenção à Saúde incorpora os princípios da Reforma Sanitária, levando o Sistema Único de Saúde (SUS) a adotar a designação Atenção Básica à Saúde (ABS) para enfatizar a reorientação do modelo assistencial, a partir de um sistema universal e integrado de atenção à saúde. Esse novo paradigma de saúde permitiu a implementação dos princípios do SUS que são os da universalidade, integralidade, bem como incentivar os profissionais trabalharem dentro da realidade da sua área de atuação, reconhecendo os problemas de sua área de abrangência. BRASIL (2010).

A construção de debates importantes nas últimas décadas do século XX, relacionados à adolescência, proporcionou uma visão mais ampla sobre o conceito deste tema, sendo hoje praticamente unânime na literatura que a compreensão da adolescência envolve não somente mudanças físicas como também aspectos biológicos, sociais, culturais, psicoemocionais (COELHO et al., 2006).

Os estudos de TORRES et al. (2013), discutem que no Brasil, não há uma tradição de políticas especificamente destinadas aos adolescentes; apenas recentemente observa-se uma preocupação dos responsáveis pela formulação de políticas governamentais com esse segmento da população. No entanto, o Brasil possui uma das legislações mais avançadas do mundo no que tange à doutrina de proteção integral de crianças e adolescentes e no plano das políticas relacionadas à saúde do adolescente e do jovem.

A adolescência por ser um período marcado por vulnerabilidades em virtude de ser uma etapa da vida em que os conflitos são do âmbito social, psicológico, físico, dentre outros. A descoberta do prazer, muitas vezes, dá-se nessa época, havendo necessidade de ações de educação em saúde para orientar esses adolescentes sobre os riscos para a contaminação com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). As desigualdades sociais não são mais suficientes para explicar as situações de risco e abandono em que vivem crianças e adolescentes em nosso país, e que propiciam marginalização, exclusão e perda dos direitos fundamentais. Estas situações repousam principalmente sobre os fenômenos de vulnerabilidade social, ruptura e crise identitária pelos quais passa a sociedade, ou seja, estão relacionadas ao enfraquecimento das redes sociais e, portanto, a um forte sentimento de solidão e vazio de existência. (BRETAS, 2010)

O Programa de Saúde do Adolescente (PROSAD), tem por objetivo promover a saúde integral do adolescente, favorecendo o processo geral de seu crescimento e desenvolvimento, buscando reduzir a morbimortalidade e os desajustes individuais e sociais, normatizar as ações consideradas nas áreas prioritárias, estimular e apoiar a implantação e/ou implementação dos Programas Estaduais e Municipais, na perspectiva de assegurar ao adolescente um atendimento adequado às suas características, respeitando as particularidades regionais e realidade local, promover e apoiar estudos e pesquisas multicêntricas relativas a adolescência (TORRES, 2010).

Contribuir com as atividades intra e interistitucional, nos âmbitos governamentais e não governamentais, visando a formulação de uma política nacional para a adolescência e juventude, a ser desenvolvida nos níveis Federal, Estadual e Municipal.

A atuação do enfermeiro abrange um vasto arcabouço no PROSAD, dentre elas a atuação na “prevenção das ISTs na adolescência, tendo em vista que os adolescentes representam um grupo de vulnerabilidade que exigem um acompanhamento, orientação e educação sobre a sexualidade”.

Partindo desta grande estimativa, nosso objetivo foi de descrever a importância do enfermeiro assistencial, como educador social para a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis entre os adolescentes.

2. METODOLOGIA

Trata-se de uma Revisão Integrativas de Literatura, com abordagem qualitativa. A Revisão integrativa é uma metodologia de pesquisa usada desde 1980, a qual permite a sistematização e divulgação dos efeitos da pesquisa bibliográfica, definindo a valor da pesquisa acadêmica no exercício. O objetivo principal da revisão integrativa é a coerência entre a análise científica e o aprendizado profissional no campo da atuação profissional.

“A revisão integrativa inclui a análise de pesquisas relevantes que dão suporte para a tomada de decisão e a melhoria da prática clínica, possibilitando a síntese do estado do conhecimento de um determinado assunto, além de apontar lacunas do conhecimento que precisam ser preenchidas com a realização de novos estudos” (MENDES, 2008).

Como critério de Inclusão foram produções publicadas no período de 2011 até o ano de 2016, os que não se apresentam no formato de artigos científicos completos, estudos não disponíveis online, trabalhos duplicados nas bases de dados e que não tenham relação com o tema.

Para critério de exclusão artigos que não estejam publicados nos últimos cinco anos, que não estejam nas seguintes bases de dados: Literatura Latina – Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library Online (SCIELO), artigos de revisão integrativa da literatura e artigos incompletos que não sejam nacionais.

A coleta de dados deu-se nas bases de dados da LILACS e SciELO, onde o instrumento utilizado foi a ficha de Ursi, cuja trajetória metodológica apoia-se nas leituras exploratórias e seletivas desse material.

A revisão literária foi realizada, empregando os seguintes descritores: Assistência de Enfermagem, Saúde Sexual e Reprodutiva, Adolescente e a Puberdade, Educação em Saúde, Atenção Primária. Nos artigos selecionados, serão utilizados os seguintes critérios de inclusão: produções publicadas entre o primeiro semestre de 2011 e o segundo semestre de 2016, no idioma português, com texto completo, disponível online e que tenham relação com o tema. Quanto ao critério de exclusão: Dissertações e teses, artigos científicos em idioma diferente do incluso, publicações anteriores ao ano referido e artigos de revisão de literatura.

A revisão integrativa adotada neste estudo se deu em cinco etapas: formulação do problema, coleta de dados, avaliação dos dados, análise e interpretação dos dados e apresentação dos resultados.

Para análise das referências, o conteúdo obtido foi organizado quanto ao ano. Todos os artigos foram analisados primeiramente, por meio da leitura dos títulos e selecionados com base no objetivo e pergunta norteadora desta revisão. Foi realizada a leitura dos resumos, e entre os estudos selecionados após este processo, foram lidos os artigos completos, e destes, escolhidos os estudos elegíveis para análise. A busca inicial resultou em um total de 508 estudos, dos quais 208 foram selecionados após a exclusão dos repetidos. Depois, 134 estudos foram selecionados, e destes, 103 foram excluídos. Sendo assim, 31 artigos completos foram avaliados para elegibilidade, destes, 24 foram excluídos, 15 por não se enquadrarem nos critérios de inclusão e 09 por estarem em outras línguas. Desta forma, 07 artigos foram considerados elegíveis para análise após a leitura completa do artigo como mostra a tabela1, identificados através do código alfanumérico, utilizando a letra S e o número sequencial, estando todos os artigos analisados, disponíveis na base de dados da LILACS e SciELO.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O quadro a seguir apresenta os artigos encontrados na busca bibliográfica, que serão objeto de análise.

 

Tabela 1- dos artigos selecionados, com seu título, autor principal, objetivo e bases de dados

Título do artigo Autor principal Objetivo Ano e Periódico
S1 EDUCAÇÃO SEXUAL NA ADOLESCÊNCIA: UMA ABORDAGEM NO CONTEXTO ESCOLAR RITHIANNE FROTA CARNEIRO et. al. PROMOVER O CONHECIMENTO DOS ADOLESCENTES SOBRE DOENÇAS

SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS (DST).

LILACS

2015

S2 A INTERSETORIALIDADE COMO ESTRATÉGIA PARA PROMOÇÃO DA

SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES

ELZA DE FÁTIMA RIBEIRO HIGA et. al. DESCREVE AÇÕES REALIZADAS EM

ESCOLAS PARA PROMOÇÃO DA SAÚDE SEXUAL E

PREVENÇÃO DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA,

LILACS

2015

S3 PREVENÇÃO DE DOENÇAS SEXUALMENTE

TRANSMISSÍVEIS NO PROGRAMA SAÚDE

NA ESCOLA: ESTUDO AVALIATIVO

ADNA DE ARAÚJO SILVA et. al. AVALIAR A ATUAÇÃO DOS ENFERMEIROS NA PREVENÇÃO DE DST/AIDS COM ADOLESCENTES NO PROGRAMA

SAÚDE NA ESCOLA.

SciELO

2013

S4 CUIDADO AO ADOLESCENTE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: DISCURSO DOS PROFISSIONAIS SOBRE O ENFOQUE DA INTEGRALIDADE MARIA VERACI OLIVEIRA QUEIROZ et. al. ANALISAR O DISCURSO DOS PROFISSIONAIS SOBRE O CUIDADO AO ADOLESCENTE NA ATENÇÃO PRIMÁRIA, IDENTIFICANDO O CONHECIMENTO E AS AÇÕES NO ENFOQUE DA INTEGRALIDADE. SciELO

2011

S5 ABORDAGEM ÀS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

EM UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE DA FAMÍLIA

 

LÍGIA MARIA CABEDO RODRIGUES et. al.

VERIFICAR COMO ACONTECE A ABORDAGEM ÀS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS PELOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE LILACS

2011

S6 DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS: CONHECIMENTO E

COMPORTAMENTO SEXUAL DE ADOLESCENTES

NIVIANE GENZ et. al. AVALIAR O CONHECIMENTO E COMPORTAMENTO SEXUAL DE ADOLESCENTES SOBRE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. LILACS

2017

S7 O CUIDADO DE ENFERMAGEM NA SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES TEREZA RAQUEL

FERNANDES TÔRRES et. al.

VERIFI CAR O CUIDADO DE ENFERMAGEM NA SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES DA ZONA URBANA DO MUNICÍPIO

DE PAU DOS FERROS – RN, COMPREENDER A PARTICIPAÇÃO DOS ENFERMEIROS, NA ATUAL POLÍTICA DE ATENÇÃO À SAÚDE SEXUAL E

REPRODUTIVA DOS ADOLESCENTES

SciELO

2012

Fonte: Dos autores 2017

Análise dos artigos

A análise qualitativa dos artigos se deu através das 02 categorias, as quais foram: A assistência de enfermagem na atenção primária voltada para saúde sexual e reprodutiva com adolescentes; A importância da educação em saúde trabalhada com a comunidade e não para a comunidade.

A assistência de enfermagem na atenção primária voltada para saúde sexual e reprodutiva com adolescentes

Em relação às estratégias educativas desenvolvidas, as investigações se destacaram a relevância do trabalho com grupos, pois estes favorecem a interação entre os adolescentes e os coordenadores, facilitando a troca de saberes e afetos. Resgatam, também, valores dos próprios grupos para promover a conscientização sobre os riscos às DST/AIDS e, consequentemente, favorecer a mudança de comportamento a partir das necessidades específicas de cada adolescente (ROCHA et al., 2012).

O trabalho em grupo envolvendo a temática da prevenção das DST/AIDS beneficia o relacionamento interpessoal, facilita a formulação de saberes a partir de uma aprendizagem compartilhada com troca de experiências baseada no contexto sociocultural dos sujeitos envolvidos na ação educativa (QUEIROZ, 2010).

Os artigos analisados de S1 e S2 apontam que se torna imprescindível a expansão das ações da enfermagem para atuar efetivamente com os adolescentes e jovens, pois não basta informar. O enfermeiro, ao desenvolver as atividades educativas em grupo, deve facilitar a tomada de consciência dos sujeitos envolvidos no processo educativo para promover a mudança de comportamento diante das práticas sexuais, possibilitando assim, a construção de atitude crítica e reflexiva que permita a adoção de medidas preventivas às DST/AIDS.

Os estudos mencionam, ainda, que as estratégias voltadas para trabalhar a prevenção das DST/AIDS devem priorizar a troca de experiência, o compartilhamento de conhecimentos entre os seus integrantes e a discussão de temáticas de interesse desse público. Essas estratégias devem ser contextualizadas de acordo com o meio socioeconômico e cultural em que os sujeitos estão inseridos, além de suas necessidades específicas (MENDONÇA, et al., 2009).

Para tanto, os artigos de S3 e S6 apontam que é possível compreender que o principal desafio para prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis na adolescência é a dificuldade de comunicação entre pais, filhos e profissionais de saúde. Entretanto, apesar de todas as barreiras deve-se manter presente o diálogo acerca do assunto, sendo de maneira continua e articulada entre pais, filhos e profissionais de saúde.

Com base nas propostas apresentadas nos estudos analisados envolvendo ações de Educação em Saúde com adolescentes vulneráveis às DST/AIDS, percebemos que a ação educativa desenvolvida pelo enfermeiro necessita ser planejada e implementada com utilização de diversas estratégias metodológicas para nortear uma prática efetiva.

A importância da educação em saúde trabalhada com a comunidade e não para a comunidade

Segundo Gomes et al. (2013), nas últimas décadas a antecipação das idades feminina e masculina para o início da vida sexual está cada vez mais precoce, além disso, afirma que estas mudanças estão relacionadas ao cenário sociocultural derivadas dos movimentos feministas no âmbito familiar.

Para Carvalho et. al. (2014) os adolescentes estão iniciando a vida sexual muito precoce e na maioria das vezes sem o mínimo de informações sobre o assunto, segundo ele a falta de diálogo com os pais constitui o principal fator para a pratica sexual insegura. Sendo assim o diálogo é reconhecido como a principal estratégia de promoção do conhecimento, além disso, a escola representa um local adequado para realização de atividades de educação em saúde relacionada à sexualidade e diversos outros assuntos, onde podem ser abordados os temas relacionados aos métodos preventivos, tanto para gravidez indesejada quanto para prevenção das infecções sexualmente transmissíveis.

Em relação a importância da educação em saúde, S4 descreve que é fundamental intensificar as ações educativas, em particular, sobre a sexualidade e a prevenção da gravidez na adolescência, por meio de grupos de adolescentes e de conversações diretas com os jovens e a comunidade, a fim de reduzir este fenômeno e, consequentemente, contribuir para a promoção da saúde sexual e reprodutiva do adolescente como afirma o texto anterior.

De acordo com Matos et. al. (2016) neste contexto o enfermeiro através de suas habilidades para desenvolver atividades educativas em saúde a partir de seus conhecimentos científicos irá contribuir positivamente para a proteção da saúde do adolescente e sua família. Portanto, visto que nesta fase da vida os pais sentem-se inseguros para falar sobre determinados assuntos com os filhos, o enfermeiro em seu papel de educador social deve estar apto a elaborar ações onde possam abranger pais e filhos, promovendo confiança e respeito, através de atividades educativas onde possam discorrer sobre a importância do diálogo e confiança entre pais e filhos.

O estudo de S5 e S7 destacam que as ações de Educação em Saúde devem ser instigantes, criativas, motivadoras e inovadoras, capazes de estimular o adolescente a participar do processo educativo. Devem contar com todas as opções e recursos disponíveis na comunidade. A respeito desta asserção, uma das participantes relatou que usa os diferentes recursos disponíveis, conforme descrito no discurso a seguir

A construção de vínculos facilita a gestão do cuidado, deve-se promover segurança, intimidade e empatia, para garantir ao adolescente confiança para expor suas dúvidas e compartilhar dos assuntos mais íntimos. Além disso, promover a sensibilização dos adolescentes acerca da preservação de sua saúde. Segundo Koerich, et al. (2015), os jogos têm motivado os adolescentes a participarem mais das discussões sobre sexualidade. Dentre as metodologias que podem ser incluídas para tratar da educação sexual com os adolescentes, as metodologias lúdicas podem servir como forma de estratégia de adesão aos conteúdos abordados.

O processo educativo na promoção da saúde do adolescente deve ser sistemático e pode colaborar para a tomada de decisão, tanto individual quanto coletivamente, na perspectiva de uma vida saudável. Significa dizer que a Educação em Saúde deve promover, por um lado, o senso de identidade individual, a dignidade e a responsabilidade e, por outro, a solidariedade e a responsabilidade comunitária (GURGEL et al., 2008; BRASIL, 2005).

Nesse sentido, faz-se necessário a abordagem e alerta sobre os métodos preventivos que previne não só a gravidez, mas sim aquele que previne contra as infecções sexualmente transmissíveis, agregar valor à utilização do preservativo tanto feminino quanto masculino.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A maioria dos estudos que compõem esta revisão apresenta como públicos-alvo adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Acredita-se que a escolha por trabalhar com essa população esteja fundamentada no fato de que as variadas situações de saúde-doença às quais se expõem esses sujeitos, atreladas à precocidade do início das relações sexuais presentes na adolescência, a baixa escolaridade e a pauperização se configurem como fatores condicionantes para uma maior vulnerabilidade às DST/AIDS, necessitando de ações integradas e efetivas por parte dos profissionais da saúde e, em especial, do enfermeiro.

A assistência de enfermagem na atenção primária. Quanto a importância da educação em saúde, é, portanto, fundamental que os profissionais da saúde, especialmente a enfermagem, busquem atuar nesses espaços sociais vulneráveis, diante do contexto atual em que vivemos, no qual as atividades sexuais são iniciadas cada vez mais precocemente e com relacionamentos, muitas vezes, instáveis e desprotegidos, expondo os jovens à gravidez indesejada e ao risco das DST.

A enfermagem possui uma importância peculiar para atuar nesses contextos, particularmente por se tratar de uma profissão voltada para o cuidado das pessoas nas diversas fases da vida, pela facilidade que possui em se aproximar dos indivíduos e assisti-los em suas necessidades, compreendê-los e ajudá-los buscando a promoção da sua saúde e cidadania. Ao mesmo tempo, torna-se imprescindível a expansão das ações da enfermagem para atuar efetivamente com os adolescentes e jovens das periferias, especialmente no que se refere aos assuntos relacionados à sexualidade, DST/AIDS e contracepção.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS n. 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para a organização da Rede de Atenção à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

____________________________Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Área de Saúde do Adolescente e do Jovem. Marco legal: saúde, um direito de adolescentes / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Área de Saúde do Adolescente e do Jovem. – Brasília: Ministério da Saúde, 2005a.

____________________________Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Marco teórico e referencial: saúde sexual e saúde reprodutiva de adolescentes e jovens / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006.

____________________________Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde integral de adolescentes e jovens: orientações para a organização de serviços a saúde. Brasília (DF); 2005.

BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e AIDS. Manual de rotinas para assistência de adolescentes vivendo com HIV/ AIDS. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2013

BRÊTAS JRS.  Vulnerabilidade e adolescência. Rev. Soc. Brás Enferma Ped. 2010. Acessado em junho de 2017

COELHO, C. C; Saúde da mulher: um desafio em construção. Florianópolis: Ed. Da UFSC, 2006.

Declaração de Alma-Ata. In: Conferência Internacional sobre Cuidados Primários de Saúde. 1978 Set 6-12; Alma Ata, Cazaquistão.

GURGEL MGI, Alves MDS, Vieira NFC, Pinheiro PNC, Barroso GT. Gravidez na adolescência: tendência na produção científica de enfermagem. Esc Anna Nery Ver. Enferm. 2008;12(4):800-6.

MANDÚ, E.N. T. Adolescência: Saúde, sexualidade e reprodução. Revista adolescercapitulo2004.3.Disponívelem:http://www.abennacional.org.br/revista/cap3.1.htm. Acesso em 27 de novembro de 2017.

MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R.C.C.P.; GALVAO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto – enfermagem.  Florianópolis, v. 17, n. 4, p. 758-764, Dec.  2008.

MENDONÇA, R.C.M.; ARAÚJO, T.M.E.; Métodos Contraceptivos: A prática dos

adolescentes. Esc Anna Nery Rev Enferm, Rio de Janeiro, v.13, n.4, p.863-71, 2009.

MONTEIRO, D.L.M.; TRAJANO, Alexandre J.B.; BASTOS, Álvaro da C. Gravidez e Adolescência. Rio de Janeiro: REVINTER, 2009.

QUEIROZ, I.N.B. et al. Planejamento familiar na adolescência na percepção de enfermeiras da estratégia saúde da família. Rev. Rene, Fortaleza, v.11, n.3, p.103-113, 2012.

ROCHA, F.A.A. et al. Programa de Saúde da Família: percepção de adolescentes de um município do Estado do Ceará. Adolesc. Saúde., Rio de Janeiro, v.9, n.2, p.7-13, 2012.

SILVA, D. V.; SALOMÃO, N.M.R. A maternidade na perspectiva de mães de adolescentes e avós maternas de bebês. Estudo de psicologia. Campinas, 2015. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n1/17243.pdf Acesso em 28 de novembro de 2017.

SILVA, M.A.I.; MELLO, D.F.; CARLOS, D.M. O adolescente enquanto protagonista

em atividades de educação em saúde no espaço escolar. Rev. Eletr. Enf., Goiás, v.12, n.2, p.287-93, 2010.

SILVA AMRS, Reis AOA. Saúde e adolescentes: possibilidades de violência simbólica. Ver. Bras. Crescimento desenvolvimento humano. 2009;

TORRES et. al. O Cuidado de Enfermagem da Saúde Sexual d Reprodutiva dos Adolescentes. Revista saúde e adolescência. Vol. 10  Supl. 1 – Abr – 2013. Acessado em junho de 2017.

URSI, E.S.; GALVÃO, C.M. Prevenção de lesões de pele no perioperatório: revisão integrativa da literatura. Revista Latino-americana de Enfermagem 2006 janeiro-fevereiro; 14 (1):124-31.

[1] Técnico em enfermagem
[2] Técnica em enfermagem
[3] Técnico em enfermagem
[4] Técnica em enfermagem

Como publicar Artigo Científico

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here