REVISTACIENTIFICAMULTIDISCIPLINARNUCLEODOCONHECIMENTO
Pesquisar nos:
Filter by Categorias
Pesquisar por:

O impacto do acidente vascular cerebral na qualidade de vida

5/5 - (5 votos)

CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

STADULNI, Andreia Rodrigues Parnoff [1], SOUSA, Aline Faria de [2], SLEIFER, Pricila [3], SCHOCHAT, Eliane [4]

STADULNI, Andreia Rodrigues Parnoff et al. O impacto do acidente vascular cerebral na qualidade de vida. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 10, Ed. 06, Vol. xx, pp. 111-132. Junho de 2025. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/impacto-do-acidente-vascular, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/impacto-do-acidente-vascular

RESUMO

Inúmeras são as limitações causadas pelo AVC, e estas estão diretamente relacionadaaqualidade de vida e ao impacto que essas limitações causam na vida dos indivíduos, tanto no aspecto funcional, social e psicológico. Objetivo: obter um perfil sobre o impacto que o AVC causa na qualidade de vida dessas pessoas por meio do questionário específico para hemiplégicos em um ambiente virtual. Método: foi aplicado o questionário específico para hemiplégicos Stroke Specific Quality of Life –(SSQOL), em um grupo fechado nas redes sociais de pessoas que sofreram AVC. Resultados: O questionário foi respondido por 299 pessoas, destas 223 (74, 6%) são do sexo feminino e 76 (25,4%) masculino. A faixa etária mais prevalente foi entre 40 a 59 anos n=169 (56,5%), seguida pela faixa etária de 18 a 39 anos n=96 (32,1%) e com mais de 60 anos n= 34(11,4%). O tipo de AVC mais prevalente para essa amostra foi o AVC Isquêmico n=181 (60,5%), o AVC Hemorrágico com 85 (28,4%), de tronco encefálico n=5 (1,7%) e sem saber o tipo apenas 7 (2,3%). Neste estudo os domínios específicos mais prejudicados, segundo o SSQOL foram: Papéis Sociais, Energia, Personalidade, Papéis Familiares, humor, trabalho/produtividade. Conclusão: o AVC impacta significativamente a qualidade de vida dos indivíduos, especialmente no aspecto emocional, evidenciando a necessidade de um acompanhamento que inclua não apenas a reabilitação física, mas também o suporte emocional.

Palavras-chave: Acidente vascular cerebral, Qualidade de vida, Depressão.

1. INTRODUÇÃO

Entre os tops 10 globais causas de morte, (OPAS/OMS 2018) o Acidente Vascular cerebral mantém-se em segundo lugar e são os maiores causadores de mortes no mundo, sendo responsáveis por um total de 15,2 milhões de óbitos em 2016. Aos sobreviventes à esta doença, as incapacidades físicas e cognitivas são comuns, levando estas pessoas à necessidade de reabilitação, sendo que destas, aproximadamente 70% não retornam ao trabalho e 30% necessitam de auxílio para caminhar (Furini et al., 2008; Santos et al., 2011).

Os acometimentos causados pelo AVC o colocam como um importante problema de saúde pública mundial, pois grande parte dos sobreviventes inicia uma nova etapa de vida a partir das incapacidades geradas. A avaliação da Qualidade de Vida (QV) mostra-se muito importante para compreender o impacto da doença na vida desses indivíduos, favorecendo a criação de estratégias que minimizem esses efeitos (Moreira, et al., 2015).

Quando utilizamos o termo Qualidade de Vida Relacionada à Saúde, devemos compreender que os é um conjunto de aspectos físicos, emocionais e sociais que podem ser impactados por mudanças que ocorrem na saúde de um indivíduo. Dessa forma, devemos englobar medidas de QV juntamente com procedimentos clínicos para termos um melhor entendimento e métricas do impacto de uma doença na vida do paciente e também a eficiência de programas terapêuticos utilizados. Estes compilados se tornam relevante em pacientes com acometimentos pelas sequelas causadas por AVC, onde existe uma grande sucessão de incapacidades e um conjunto extenso de acometimentos de diferentes sintomas (Hopman e Verner, 2003; Costa e Silva, 2022).

Segundo a OMS, qualidade de vida é “a percepção do indivíduo de sua inserção na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Muitos estudos têm interpretado esse termo com muitas abrangências, incluindo o bem-estar físico, psicológico e espiritual, além de aspectos sociais, econômicos e políticos (Hopman e Verner, 2003; Hsiung, et al., 2005; Pedroso e Pilatti, 2009).

Poder contar com um instrumento para avaliar a qualidade de vida é um importante indicador clínico, pois possibilita a verificação e a implicação da doença de acordo com a percepção do sujeito, além de favorecer o conhecimento científico na saúde (Terroni et al., 2009; Vyas et al., 2024).

Alguns achados nos mostram déficits para os domínios e na QV relacionada à saúde pós-AVC (Fróes et al., 2011; Canuto et al., 2016).

Uma vez que estes pacientes apresentam sequelas que limitam as atividades diárias, comprometendo aspectos físicos, psicológicos e sociais a QV altera-se significativamente, levando-os à depressão, e esta é a principal variável associadas com a piora desses sujeitos (Kim e Kim, 2003; Villa, et al., 2018).

O objetivo do nosso estudo é analisar o impacto do Acidente Vascular Cerebral (AVC) na qualidade de vida de indivíduos acometidos, por meio da aplicação do questionário específico para hemiplégicos Stroke Specific Quality of Life – SSQOL (Santos, 2000), e descrever os principais achados obtidos a partir das respostas dos participantes da pesquisa.

2. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa, com delineamento descritivo e de levantamento (survey). Os dados foram coletados por meio de um questionário eletrônico estruturado, elaborado na plataforma Google Forms, composto exclusivamente por perguntas fechadas.

A amostra foi composta por voluntários, recrutados por conveniência, mediante a divulgação do questionário em grupos fechados de redes sociais voltados a pessoas acometidas por Acidente Vascular Cerebral (AVC). A participação foi espontânea, anônima e condicionada à concordância com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), apresentado na primeira página do instrumento. Caso o participante não aceitasse os termos, o acesso às demais etapas era automaticamente encerrado.

A coleta de dados ocorreu entre os meses de janeiro e maio de 2019, totalizando 299 respostas válidas. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi uma versão adaptada do Stroke-Specific Quality of Life Scale (SSQOL), cuja finalidade é mensurar a Qualidade de Vida (QV) de indivíduos com sequelas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) de leve a moderada gravidade. A escala foi previamente traduzida e culturalmente adaptada para o português, sendo considerada válida e específica para identificar alterações significativas na qualidade de vida relacionadas aos sintomas vivenciados pelos pacientes. Por sua estrutura abrangente, o SSQOL é especialmente útil para captar as particularidades e os domínios mais impactados no contexto pós-AVC.

A escala contempla uma gama extensa de aspectos associados às três dimensões da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) — corpo, atividade e participação —, o que lhe confere maior poder explicativo em comparação a instrumentos que avaliam apenas uma dessas esferas (Duncan, Jorgensen e Wade, 2000; Williams et al., 1999). Destaca-se, ainda, por incluir domínios frequentemente negligenciados, como linguagem, cognição e função manual.

O questionário SSQOL composto pelos domínios: 1) energia, 2) papéis familiares, 3) linguagem, 4) mobilidade, 5) humor, 6) personalidade, 7) autocuidado, 8) papéis sociais, 9) memória/concentração, 10) função da extremidade superior, 11) visão e 12) trabalho/produtividade, concluindo 49 itens. As respostas são baseadas nas experiências da semana anterior à aplicação, utilizando uma escala de 1 a 5 pontos. O escore total possível varia de 49 a 245 pontos, sendo que pontuações mais altas indicam melhor qualidade de vida. Para fins analíticos, adotou-se o critério de baixa qualidade de vida como aquele inferior a 60% da pontuação máxima (i.e., abaixo de 147 pontos) (Rangel, Belasco e Diccini, 2013; Ebinger et al., 2005). Entre os domínios avaliados, o “humor” foi considerado de relevância clínica especial para a identificação de sintomas depressivos (Williams et al., 1999).

A aplicação do SSQOL na forma eletrônica proporcionou maior abrangência territorial, permitindo a participação de indivíduos de diferentes regiões do Brasil. O questionário foi disponibilizado por meio da plataforma Google Forms e o acesso foi compartilhado em grupos fechados de redes sociais voltados ao público acometido por AVC.

O SSQOL tem sido amplamente reconhecido na literatura por sua validade, confiabilidade e sensibilidade às mudanças ao longo do tempo (Santos, 2000; Kim e Kim, 2020). Em sua versão original, em inglês, também apresenta bons índices psicométricos, sendo amplamente utilizado em estudos clínicos e epidemiológicos. A versão brasileira mantém essas qualidades, sendo considerada de fácil aplicação, compreensão e interpretação (Galea e Trancy, 2007). Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sob o processo nº 77900517.2.0000.5334.

3. RESULTADOS

Do total de pessoas que responderam ao questionário n= 299 (100%), 223 (74, 6%) representam o sexo feminino e 76 (25,4%) masculino. Do gênero feminino, 22% faziam uso de anticoncepcional.

Tabela.1 Distribuição dos participantes conforme o gênero

Fonte Autores, 2025.

Na Tabela 2 podemos visualizar os dados referentes ao tipo de Acidente Vascular Cerebral, A distribuição utilizada é de acordo com o tipo de AVC (hemorrágico ou isquêmico, de tronco encefálico, misto (hemorrágico e isquêmico) ou não sabia ao responder ao questionário.

Tabela 2. Distribuição dos participantes segundo o tipo de AVC (n = 299)

Fonte Autores, 2025.

Os hábitos nocivos a saúde, observamos que eram tabagistas 16,1% da amostra, e uso de álcool e drogas em 12% da amostra. Em contrapartida, 35,5% da amostra não tinha hábitos nocivos à saúde. A faixa etária mais prevalente foi entre 40 a 59 anos n=169 (56,5%), seguida pela faixa etária de 18 a 39 anos n=96 (32,1%) e com mais de 60 anos n= 34(11,4%).

Na Tabela 3 observamos os domínios do questionário utilizados e seus achados. Podemos observar um pior score para o domínio de “papéis sociais 21,7%, energia 29,1%.

Tabela 3 – Dados sobre a Escala de Qualidade de Vida Específica para AVE (EQVE-AVE)

Fonte Autores, 2025.

4. DISCUSSÃO

Do total de pessoas que responderam ao questionário, conforme a Tabela 1, podemos observar nosso número de participantes, n= 299 (100%), 223 (74, 6%) representam o sexo feminino e 76 (25,4%) masculino, resultados estes diferentes de alguns estudos que apresentam maioria dos indivíduos do sexo masculino. Já em outras pesquisas, prevaleceu o gênero feminino, (53,3%), (52,09%), (61,4%), em suas amostras, concordando com o presente estudo (Reis et al., 2008; Souza-Pereira et al., 2010; Costa et al., 2015).

Alguns estudos relatam que as mulheres quando acometidas por um AVC apresentam qualidade de vida pior. Segundo os autores esse fato pode ser justificado por as mulheres terem uma vida muito mais ativa, pois além de trabalhar fora, muitas trabalham em casa também, tento um maior impacto na sua QV (González et al., 2011; Nir, Gilad e Bensashit, 2009).

Entre as causas do AVC, como a maioria dos indivíduos da nossa pesquisa são do gênero feminino, 22% faziam uso do anticoncepcional antes do AVC, sendo que destas que faziam uso, 7% relatam ter tido o AVC devido ao uso deste. O método contraceptivo oral é um dos fatores de maior risco para o AVC isquêmico e também para o hemorrágico, contudo, o risco para o AVC hemorrágico com este contraceptivo tem menor magnitude ao compararmos ao isquêmico. Essa forma de contracepção, acarreta a estase sanguínea e a hipercoagulação, acarretando um risco para a trombos venosos, ampliando a predisposição de coágulos, pois ocorre a diminuição do intervalo de tempo de coagulação, da tromboplastina na parede venosa, exibindo o aumento de risco de desencadear doenças cardiovasculares ocasionando o AVC. Potencializa-se o risco com esse contraceptivo concomitante ao tabagismo e com incidência de idade acima de 35 anos e com história pregressa de hipertensão arterial. Em contrapartida os riscos caem para aquelas que utilizam doses hormonais mais baixas, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, (2024) Em um estudo, 18,5% das mulheres faziam uso desse método anticoncepcional, corroborando com nosso estudo (Lee et al. 2022; Souza-Pereira et al., 2010)

Outro dado que nos chama a atenção sobre os hábitos antes do AVC, o tabagismo 16,1% da amostra, e uso de álcool e drogas em 12% da amostra. Em contrapartida, 35,5% da amostra não tinha hábitos nocivos à saúde.

Dentre os fatores de risco associados ao AVC descritos na literatura a hipertensão arterial, o tabagismo e o etilismo são os fatores mais importantes e mais fortemente correlacionados ao AVC. (Siegenthaler et al., 2010; Pires, Gagliardi e Gorzoni, 2004; Souza-Pereira, et al., 2010; Rodrigues et al., 2024). Algumas pesquisas nos apontam os hábitos de tabagismo e etilismo estarem presentes entre os sujeitos de sua pesquisa, antes do AVC (Souza-Pereira et al., 2010; Lima et al., 2015; Rodrigues et al., 2024), assim como presentes na nossa amostra.

Com relação a faixa etária, a idade de 40 a 59 anos n=169 (56,5%), seguida pela faixa etária de 18 a 39 anos n=96 (32,1%) e com mais de 60 anos n= 34(11,4%). Aqui também percebemos uma mudança significativa ao compararmos aos demais estudos, pois percebemos que o AVC está acometendo pessoas em fases da vida mais produtivas, e não só em idosos, como os estudos nos mostravam, segundo Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (Abmfr, 2023; Feigin et al., 2021; Lima, 2010; Lima et al., 2015; Ribeiro et al., 2012). Nestes estudos a incidência foi maior em pessoas com idade média inferior à referida na literatura, o que pode refletir as características da população e o acometimento de pessoas mais jovens (Rangel, Belasco e Diccini, 2013; Lotufo; Goulart; Bensenor, 2007).

Os estudos relatam que a idade dos pacientes que sofrem um AVC tem-se modificado, tendo um aumento significante em idades inferiores a 65 anos, principalmente em países de baixa e média renda (Feigin et al., 2021; Souza-Pereira et al., 2010; Owolabi et al., 2022). Em um estudo de revisão sistemática de base populacional sobre a incidência e mortalidade precoce pós AVC, mostra uma tendência estatisticamente significativa e divergente nas taxas de incidência de AVC nas últimas quatro décadas, com uma diminuição de 42% na incidência de AVC em países de alta renda e um aumento superior a 100% na incidência de AVC em países de baixa e média renda e um aumento significativo em faixas etárias mais jovens (Feigin et al., 2021). Outra justificativa sobre as faixas etárias estarem modificando, pode estar mostrando o reflexo dos maus hábitos de vida da sociedade atual, levando a um precoce episódio de AVC.

Entretanto, alguns pesquisadores observaram que a idade não é um fator significante para mudanças na qualidade de vida (Souza et al., 2023; Silva; Oliveira; Costa., 2023).

Existem evidências que indivíduos idosos conseguem se ajustar bem, psicologicamente à sua condição de saúde, aceitando suas limitações, com isso o impacto na QV é diferente do que em mais jovens (Hackett, Pickles 2014). Para indivíduos economicamente ativos, com idade abaixo dos 60 anos, a limitação física para exercer o trabalho teria um maior impacto (Santos, Silva e Oliveira, 2023; Oliveira, Costa, Silva, 2023).

Com relação ao tempo de acometimento pelo AVC, a maioria teve o acometimento a mais de 5 anos n=79 (26,4 %), seguido de 1, 1 a 2 anos n= 69(23,1%) e por menor tempo de acometimento, menor que 1 ano tivemos n= 4 (1,3%) e n= 15(5%). A maioria dos indivíduos foram acometidos há mais de 5 anos, conforme algumas pesquisas (Costa e Silva, 2022).

Conforme podemos visualizar na Tabela 2, o tipo de AVC mais prevalente para essa amostra foi o AVC Isquêmico n=181 (60,5%), o AVC Hemorrágico com 85 (28,4%), de tronco encefálico n=5 (1,7%) e sem saber o tipo apenas 7 (2,3%), afirmando com os demais estudos a prevalência do tipo isquêmico (Lotufo, et al., 2023; Rangel, Belasco e Diccini, 2013; Lima et al., 2015; Ribeiro et al., 2012; Scalzo et al., 2010).

Alguns indivíduos tiveram AVC recorrente, tendo registro de AVCI e AVCH é significativo, o número de pessoas que apresentaram AVC recorrente 21 (7,0%), dado esse já identificado pela literatura (Souza et al., 2023; Lima, 2010), percebe-se que com amostras com indivíduos com mais idade essa recorrência pode aumentar (Poulsen, Hansen, 2023; Yang, Zhang, Zhang, 2023), a recidiva foi de 20%, em sujeitos com maior faixa (à cima de 60 anos), porém na pesquisa de (BROMAN et al., 2023; com sujeitos com idade inferior a 50 anos a recorrência também foi de 20%.

Segundo a OMS, os ataques transitórios estão presentes em 15% dos pacientes que já experienciaram um AVC e um terço dos pacientes que já tiveram um AVC, esse evento se repetiu nestes mesmos pacientes (Souza et al., 2023; Lima et al., 2015; Monteiro et al., 2013).  As pessoas que experienciaram um AVC, tem acometimentos não somente de cunho físico, mas também emocional, contribuindo grandemente no declínio clínico-funcional, mostrando-nos a importância de políticas educativas preventivas para fatores de risco para conscientização e prevenção para que não tenham outros episódios. Na maior parte dos casos, os acometimentos deixados pelo AVC hemorrágico são severos, quando consideradas as mesmas peculiaridades como local e extensão de lesão, sexo, idade (Boman, Lindgren, Sundström, 2024; Smith, 2015). Todavia, como o acometimento da QV não é avaliado somente por parâmetros físicos, encontra-se pacientes isquêmicos com pior QV que hemorrágicos, o que corrobora a complexidade do entorno QV (inclui questões emocionais, físicas, sociais (Lima et al., 2008).

Quando questionado se sabe a causa do AVC, 62 (20,7%) não sabe ainda o motivo do AVC. Dos com diagnóstico: pressão alta se destaca, com 66 (22,1%), seguida de estresse 46 (15,4%). Mathrubhumi (2023) e Ribeiro et al. (2012) em seu estudo 47% dos indivíduos não sabiam a causa do seu AVC e dos que sabiam 86% tinham como causa principal a hipertensão arterial, dado esse encontrado em nossa pesquisa, assim como outras pesquisas (Souza-Pereira et al., 2010; Lima et al., 2015; Scalzo et al., 2010).

Cabe lembrar que não saber a causa do AVC tem impacto negativo sobre o tratamento do AVC na fase aguda, bem como sobre a possibilidade de orientar adequadamente o paciente do ponto de vista da precaução de novos acometimentos.

Alguns fatores de risco são associados ao AVC a hipertensão arterial, é um dos mais importantes e mais fortemente correlacionados ao AVC, corroborando com nosso estudo (Nature Reviews Cardiology, 2024; American Stroke Association, 2024; Gagliardi, 2015)

Com relação à atividade física, a maioria 127 (42,5%) é considerada sedentária, pois não realizava nenhuma atividade física, 87 (29,1%), fazia exercício esporadicamente e 85 (28,4%) fazia exercícios físicos regularmente. Segundo o Ministério da Saúde (2013), o grupo de risco potencial ao AVC cita, o sedentarismo e a obesidade são como fator de risco, confirmando este achado no estudo de (Cunha, 2022; Silva et al., 2020; Feigin et al., 2009), que descreve que em países subdesenvolvidos a falta de atividade física é um fator a ser considerado ao aumento discrepante de casos de AVC, ao comparar a países desenvolvidos (Silva et al., 2020; Feigin et al., 2009).

A QV ponderada pelas   dimensões ou domínios que fazem parte do cenário do indivíduo como pessoa, geralmente é acometida e por consequência da existência de doenças crônicas pré-existentes, agudas e das comorbidades estabelecidas. Conforme visualizamos na Tabela 3, no presente estudo os domínios específicos mais prejudicados, segundo o SSQOL foram: Papéis Sociais, Energia, Personalidade, Papéis Familiares, humor, trabalho/produtividade.

Com achados de pior Qualidade de Vida (QV) para este questionário nos aspectos de trabalho, energia e papéis sociais, vindo ao encontro dos nossos achados (Cordini, Oda e Furlanetto, 2005). Para Moreira et al. (2015), em outro estudo, encontrou piores escores para QV nos domínios energia, papéis sociais, papéis familiares e personalidade; já Lima (2010) destacou personalidade, papéis sociais e energia. Lima et al. (2008), em sua pesquisa, apontou o domínio Trabalho/Produtividade com o menor escore (121); em nosso trabalho esse valor foi 136, bastante semelhante. O melhor escore foi no domínio Auto-cuidado (246), comparado ao nosso (211), também próximo. Quanto ao menor escore, ficou com o Domínio Energia (87), e o maior com Visão (257), similar aos dados de Moreira et al. (2015). Esses achados são reforçados por Saha et al. (2024), que identificaram os domínios de papéis sociais, papéis familiares e produtividade como os mais comprometidos em pacientes pós-AVC. O nível de energia está relacionado à fadiga, também apresentando escores baixos. Isso sugere a influência física e psicológica, direta e indiretamente, do AVC no cotidiano dos pacientes, que percebem o diagnóstico clínico como uma situação grave e que afeta sua disposição (Scalzo et al., 2010).

Podemos perceber que o AVC afeta as diversas dimensões da QV, podendo principalmente alterar as relações sociais e familiares, restringindo essas pessoas e talvez esse seja um dos pontos mais difíceis a serem identificados muitas vezes pelas pessoas que trabalham em reabilitação e seus familiares que estão mais próximos e que muitas vezes isso passa desapercebido, nos provando a importância de ter um instrumento amplo como apoio as terapias.

A população jovem afetada pelo AVC, embora tenha um bom prognóstico de sobrevivência em relação às pessoas maiores de 50 anos, está subordinada a maiores taxas de morbimortalidade, eventos repetidos e sequelas físicas e emocionais. Ao representarem a população economicamente ativa, salienta-se a percussão individual e socioeconômico que vem como consequência devido à limitação física para exercer o seu trabalho. Alguns estudos demonstram, que cerca de 50% dos sobreviventes não retornam à antiga ocupação (Hoekstra et al., 2017; Moura et al., 2023). e ainda hoje com o avanço de terapias e diagnósticos, ainda essa prevalência continua gerando um alto índice de aposentadorias precoces (Scalzo et al., 2010).

O domínio humor, o criador do questionário SSQL desta continua girando é de suma importância para detectar o efeito de sintomas depressivos, e este domínio apresentou um escore baixo em nossa pesquisa (Williams, 1999). Além disso, a versão abreviada do questionário, o SS-QOL-17, validada por El Osta et al. (2022), inclui itens relacionados ao humor, como “I was irritable” e “I was discouraged about my future“, que demonstraram correlação significativa com a qualidade de vida geral dos pacientes pós-AVC. Isso reforça a importância de avaliar aspectos emocionais, incluindo o humor, na reabilitação desses pacientes.

A depressão, o transtorno psiquiátrico mais frequente após o AVC isquêmico, afeta negativamente o resultado funcional da sobrevida, resposta à reabilitação e qualidade de vida. Aproximadamente, um terço das pessoas que tiveram um AVC são

afetados pela depressão pós-AVC. Além disso, a depressão afeta negativamente a capacidade dos pacientes de participar de terapias de reabilitação (Villa; Ferrari; Moretti, 2018).

Em uma meta-análise de 43 estudos relatou-se uma incidência cumulativa de depressão de 39-52% dentro de 5 anos após acidente vascular cerebral e uma prevalência combinada de 29% a qualquer momento dentro de 10 anos. Curiosamente, uma fração significativa daqueles pacientes que se tornaram deprimidos precocemente após o evento agudo recuperou-se em avaliações subsequentes (Lepage et al., 2014).

Em outra meta-análise realizada em 2014 com 61 estudos relatou-se ocorrer a depressão em 31% a qualquer momento até cinco anos após o AVC (Hackett, Pickles, 2014), reforçando os resultados encontrados em uma revisão anterior de 10 anos, onde a frequência foi 33% (Hackett, Anderson, 2005). Esses achados nos atenta às necessidades de estratégias de rastreamento, prevenção e terapia baseadas em evidências. Pois, a depressão pós AVC permanece relativamente sub-diagnosticado, sub-tratado e sub-pesquisado. Recentemente, uma meta-análise completa de 108 estudos sobre transtornos de humor observou 147 casos entre 2 dias e 7 anos pós-AVC e demonstrou uma prevalência de 33,5% de qualquer transtorno depressivo (Mitchell et al., 2017; Shaikh et al., 2024).

A depressão pós AVC está associada a incapacidade grave, ansiedade, menor Qualidade de Vida, disfunção de fala e linguagem, anedonia, sensação de desespero, comprometimento funcional e cognitivo , maior dependência em relação às Atividades da Vida Diária (AVD), falta de adesão à medicação (Lepage et al., 2014; Almeida et al., 2014; Shaikh et al., 2024).

Os preditores mais frequentes citados na vasta (mas de certa forma divergente) literatura são: sexo feminino, história pessoal de depressão pré-AVC, incapacidade física, ansiedade, afasia , gravidade do AVC, comprometimento cognitivo e físico, nível de independência, disfagia e fatores psicossociais como eventos de vida pré-acidente vascular cerebral e falta de apoio familiar e social (Hackett, Anderson, 2005; Almeida et al., 2014; Shi et al., 2017).

Podemos concluir que os resultados obtidos neste estudo corroboram achados da literatura ao evidenciarem a redução da Qualidade de Vida (QV) em sobreviventes de AVC, especialmente em domínios relacionados ao funcionamento social, emocional e produtivo. Destaca-se o perfil da amostra composta majoritariamente por indivíduos em idade economicamente ativa, o que reforça o impacto funcional e psicossocial do AVC nessa população. Além disso, o baixe escore no domínio “humor” aponta para a presença de sintomas depressivos, frequentemente subdiagnosticados, sugerindo a necessidade de avaliações psicossociais mais abrangentes no acompanhamento desses pacientes. No que nos diz respeito aos sujeitos da amostra, observamos a maioria dos participantes do gênero feminino e com relação a idade, o que nos chama a atenção que o AVC está acometendo pessoas em fases da vida mais produtivas, e não só em idosos, como os estudos pregressos mostravam.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Observamos no presente estudo que com o uso do questionário específico para hemiplégicos, aliado a coleta de dados on-line, conseguimos ter o perfil sobre o impacto que o AVC causa na qualidade de vida das pessoas e que no que diz respeito ao aspecto emocional, os scores de qualidade de vida demonstram a necessidade de acompanhamento não só da reabilitação física, mas também a emocional.

A Necessidade de mais estudos clínicos aplicando-as nos indivíduos após AVC no Brasil, para podermos ter um amplo comparativo e podermos assegurar as suas propriedades psicométricas do questionário, aplicabilidade, melhor forma de administração (autoadministrado ou entrevista; via internet ou presencial).

Não nos fixamos a identificar o lado da hemiplegia/hemiparesia, pois alguns estudos nos demonstram que a predominância da sequela tem pouco impacto na qualidade de vida (Hopman, Verner, 2003; Vestergaard rogeberg, Isachsen, 2005; Santos, 2021). Porém os pesquisadores futuros podem achar esse dado um achado importante na QV.

Défitis cognitivos apresentam-se em até 35% dos indivíduos hemiplégicos pós-AVC, estas alterações és cognitivas correlacionadas ao déficit físico, apresentam pior evolução do prognostico funcional e consequentemente esses indivíduos sendo dependentes no seu cotidiano. A grande importância de uma avaliação da cognitiva associada aos outros métodos físicos, funcionais e de QV, tornam-se pertinentes para potencializar o programa de reabilitação. A avaliação nunca deve se restringir a uma única característica, quando aplicado em um programa de reabilitação.

AGRADECIMENTOS

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, A. et al. Risk factors for poststroke depression: identification of inconsistencies based on a systematic review. J Geriatr Psychiatry Neurol. 2014 Dec;27(4):251–60. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24713406. Acesso em: 2 maio 2025.

AMERICAN STROKE ASSOCIATION. High Blood Pressure and Stroke. Stroke.org, 2024. Disponível em: https://www.stroke.org/en/about-stroke/stroke-risk-factors/high-blood-pressure-and-stroke. Acesso em: 2 maio 2025.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE MEDICINA FÍSICA E REABILITAÇÃO (ABMFR). Estudo mostra que AVC atinge cada vez mais jovens. Publicado em 24 de outubro de 2023.
Disponível em: https://www.abmfr.com.br/noticias/Estudo-mostra-que-AVC-atinge-cada-vez-mais-jovens/453. Acesso em: 2 maio 2025.

BOMAN, M.; LINDGREN, A.; & SUNDSTRÖM, J. Gender differences in stroke outcomes: A prospective study of elderly stroke patients. Journal of Gerontology: Medical Sciences, 79(3), 452-459, 2024. DOI: https://doi.org/10.1111/jgs.18963.

BROMAN, L. M., et al. Long-term risk of recurrent vascular events and mortality in young stroke patients: Insights from a multicenter study. European Journal of Neurology, 30(1), 123-131, 2023. DOI: https://doi.org/10.1111/ene.15850.

CANUTO, M. Â de O.; NOGUEIRA, L. T.; ARAÚJO, T. M. E. de. Health-related quality of life after stroke. Acta Paul Enferm. junho de 2016;29(3):245–52.

COSTA, T. F. da et al. Quality of life of caregivers for patients of cerebrovascular accidents: association of (socio- demographic) characteristics and burden. Rev Esc Enferm USP. abril de 2015;49(2):0245–52.

COSTA, V. M.; SILVA, C.; PEREIRA da. Perspectiva multidimensional do impacto do AVC na qualidade de vida: uma revisão bibliográfica. Revista Convergências Multidimensionais, v. 13, n. 1, p. 127-134, 2022.
Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/4126. Acesso em: 2 maio 2025.

CORDINI, K. L.; ODA, E. Y.; FURLANETTO, L. M. Qualidade de vida de pacientes com história prévia de acidente vascular encefálico: observação de casos. J Bras Psiquiatr. 2005;312–7.

CUNHA, C. L. P. A Influência da Obesidade e da Atividade Física no Risco Cardiovascular. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 119, n. 2, p. 244-245, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/mytVz5jBDm5ZLwK374TZ9Tp/. Acesso em: 2 maio 2025.

DUNCAN, P. W.; JORGENSEN, H. S.; WADE, D. T. Outcome measures in acute stroke trials: a systematic review and some recommendations to improve practice. Stroke. 2000;31(6):1429–38. DOI:10.1161/01.STR.31.6.1429. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10835468/. Acesso em: 2 maio 2025.

EBINGER, M. et al. Long-term outcome after hemicraniectomy for space-occupying right hemispheric MCA infarction. Clin Neurol Neurosurg. 2005 Dec;108(2):146–9. DOI:10.1016/j.clineuro.2005.02.004. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16137824/. Acesso em: 2 maio 2025.

EL OSTA, N. et al. Construction and Validation of the 17-Item Stroke-Specific Quality of Life Scale (SS-QOL-17): A Comprehensive Short Scale to Assess the Functional, Psychosocial, and Therapeutic Factors of QOL among Stroke Survivors. International Journal of Environmental Research and Public Health, v. 19, n. 23, p. 15668, 2022. Disponível em: https://www.mdpi.com/1660-4601/19/23/15668. Acesso em: 2 maio 2025.

FEIGIN, V.L. et al. Global, regional, and national burden of stroke and its risk factors, 1990–2019: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study. The Lancet Neurology, 2021; 20(10): 795–820. DOI: 10.1016/S1474-4422(21)00252-0.

FEIGIN, V. L. et al. Worldwide stroke incidence and early case fatality reported in 56 population-based studies: a systematic review. Lancet Neurol. 2009 Apr;8(4):355–69. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19233729. Acesso em: 2 maio 2025.

FRÓES, K. S. S. O. et al. Factors associated with health- related quality of life for adults with stroke sequelae. Arq Neuropsiquiatr. 2011;69(2B):371–6.

FURINI, V. et al. Avaliação do equílibrio estático orientado pelo desempenho de portadores de acidentes vascular encefálico. Ter Man. outubro de 2008;6(27):303–6.

GAGLIARDI, R. J. Prevenção primária da doença cerebrovascular. Diagn Trat [Internet]. 2015 [citado 27 de maio de 2020]; Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/1413- 9979/2015/v20n3/a4894.pdf. Acesso em: 2 maio 2025.

GALEA, S.; TRACY, M. Participation rates in epidemiologic studies. Ann Epidemiol. 2007 Sep;17(9):643–53. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17553702. Acesso em: 2 maio 2025.

GONZÁLEZ, R. et al. Determinants of quality of life (QoL) in elderly stroke patients: a short-term follow-up study. Arch Gerontol Geriatr. 2011 Jan-Feb;52(1):e50–4. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20598382. Acesso em: 2 maio 2025.

HACKETT, M. L.; ANDERSON, C. S. Predictors of depression after stroke: a systematic review of observational studies. Stroke. 2005 Nov;36(11):2296–2301. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16179565. Acesso em: 2 maio 2025.

HACKETT, M. L.; PICKLES, K. Part I: Frequency of depression after stroke: an updated systematic review and meta-analysis of observational studies. Int J Stroke. 2014 Jun;9(3):292–303. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25117911. Acesso em: 2 maio 2025.

HOPMAN W. M.; VERNER J. Quality of life during and after inpatient stroke rehabilitation. Stroke. março de 2003;34(3):801–5.

HOEKSTRA, T. et al. Return to work after young stroke: a systematic review. Neurology, [S. l.], v. 89, n. 14, p. 1443–1450, 2017. DOI: 10.1212/WNL.0000000000004340. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29189108. Acesso em: 2 maio 2025.

HSIUNG, P. C. et al. Comparison of WHOQOL-bREF and SF-36 in patients with HIV infection. Quality of Life Research, v. 14, n. 1, p. 141–150, fev. 2005.

KIM, H.; & KIM, S. (2020). Reliability and Validity of the Korean Version of Stroke-Specific Quality of Life Questionnaire. Journal of Neuroscience Nursing, 52(6), 252–257. Este estudo validou a versão coreana do SS-QOL (SS-QOL-K), encontrando alta confiabilidade interna (α de Cronbach = 0,98) e validade de constructo, com correlações significativas com outras medidas de qualidade de vida e funcionalidade. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33156133/. Acesso em: 2 maio 2025.

KIM, J. S.; KIM, W. T. Quality of life in stroke patients. Acta Neurol Scand. 2003. May;107(5):289–95. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12713523/. Acesso em: 2 maio 2025.

LEE, J. et al. Association between past oral contraceptive use and the prevalence of hypertension in postmenopausal women: the fifth (2010–2012) Korea National Health and Nutrition Examination Survey (KNHANES V). BMC Public Health, v. 22, n. 27, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s12889-021-12410-3. Acesso em: 2 maio 2025.

LEPAGE, A. et al. The long-term outcomes of depression up to 10 years after stroke: The South London Stroke Register. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2014 Apr;85(4):505–11. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24163430. Acesso em: 2 maio 2025.

LIMA, C. M. G. et al. Características epideiológicas e clínicas dos pacientes acometidos por acidentes vasculares cerebral. J Health Sci Inst. 2015;45–9.

LIMA, M. L.de. Qualidade de vida de indivíduos com acidente vascular encefálico e de seus cuidadores. 2010. 124 f. Dissertação (Mestrado em Saúde na Comunidade) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2010. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17139/tde-12022011-091900/pt-br.php. Acesso em: 04 maio 2025.

LIMA, R. C. M. et al. Propriedades psicométricas da versão brasileira da escala de qualidade de vida específica para acidente vascular encefálico: aplicação do modelo Rasch. Braz J Phys Ther. abril de 2008;12(2):149–56.

LOTUFO, P. A.; GOULART, A. C.; BENSENOR, I. M. Race, gender and stroke subtypes mortality in São Paulo, Brazil. Arq Neuropsiquiatr. setembro de 2007;65(3B):752–7.

LOTUFO, P. A., et al. Estatística Cardiovascular – Brasil 2023. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 120(1), 1-100. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/jzFMcdN5y3w6CtjVgdJdSdR. Acesso em: 2 maio 2025.

MATHRUBHUMI. Majority of stroke patients unaware of symptoms. English Mathrubhumi. 2023. Disponível em: https://english.mathrubhumi.com/features/health/majority-of-stroke-patients-unaware-of-symptoms-1.7996851. Acesso em: 2 maio 2025.

MITCHELL, L.J. et al. Effectiveness of Dietetic Consultations in Primary Health Care: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. J Acad Nutr Diet. dezembro de 2017;117(12):1941–62.

MONTEIRO, R. B. C. et al. Medo de cair e sua relação com a medida da independência funcional e a qualidade de vida em indivíduos após Acidente Vascular Encefálico. Ciênc Amp Saúde Coletiva. julho de 2013;18(7):2017–27.

MOREIRA, N. R. T. L. et al. Qualidade de vida em indivíduos acometidos por Acidente Vascular Cerebral. Revista Neurociências, São Paulo, v. 23, n. 4, p. 530–537, 31 dez. 2015.

MOURA, L. et al. Return to Work After Stroke in Young Adults: A Prospective Cohort Study. Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, [S. l.], v. 32, n. 11, p. 107348, 2023. DOI: 10.1016/j.jstrokecerebrovasdis.2023.107348. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37717357. Acesso em: 2 maio 2025.

NATURE REVIEWS CARDIOLOGY. Blood pressure management to prevent recurrent stroke. Nature Reviews Cardiology, 2024. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s44325-024-00021-x. Acesso em: 2 maio 2025.

NIR, Z.; GILAD, C.; BENSASHIT, Y. G. Profile, burden, and quality of life of Israeli stroke survivor caregivers: a longitudinal study. J Neurosci Nurs. 2009 Apr;41(2):76–83. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19361125. Acesso em: 2 maio 2025.

OLIVEIRA, L. S., COSTA, T. S., & SILVA, M. J. Impacto do AVC no trabalho e nas relações familiares: Estudo com pacientes jovens. Acta Fisiátrica, 2023; 31(2): 124-132. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/actafisiatrica/article/view/103893. Acesso em: 2 maio 2025.

OWOLABI, M. O. et al. The state of stroke services across the globe: Report of World Stroke Organization-World Health Organization surveys. Annals of Clinical and Translational Neurology, 2022; 9(5): 639–654. DOI: https://doi.org/10.1002/acn3.51507.

PIRES, S. L.; GAGLIARDI, R. J.; GORZON, M. L. Estudo das freqüências dos principais fatores de risco para acidente vascular cerebral isquêmico em idosos. Arq Neuropsiquiatr. setembro de 2004;62(3B):844–51.

PEDROSO, B.; PILATTI L. A. Avaliação de indicadores da área da saúde: a qualidade de vida e suas variantes. Rev Eletrônica FafitFacic [Internet]. 26 de dezembro de 2009 [citado 11 de maio de 2020];1(1). Disponível em: http://www.fafit.com.br/revista/index.php/fafit/article/view/2. Acesso em: 2 maio 2025.

POULSEN, P.H.; HANSEN, P. H.; & SØNDERGARD, B. Recurrence of ischemic stroke and long-term outcomes: A nationwide cohort study in Denmark. Stroke, 2023; 54(1): 129-137. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34845054/. Acesso em: 2 maio 2025.

RANGEL, E. S. S.; BELASCO, A. G. S.; DICCINI, S. Qualidade de vida de pacientes com acidente vascular cerebral em reabilitação. Acta Paul Enferm. 2013;26(2):205–12.

REIS, L. A. dos et al. Prevalência e padrão de distribuição do acidente vascular encefálico em idosos submetidos a tratamento fisioterapêutico no município de Jequié, BA. Rev Bras Geriatr E Gerontol. dezembro de 2008;11(3):369–78.

RIBEIRO, K. S. Q. S. et al. Perfil de usuários acometidos por acidente vascular cerebral adscritos à Estratégia Saúde da Família em uma capital do Nordeste do Brasil. Rev Bras Ciênc Saúde. 2012;16:35–44.

RODRIGUES, A. M. da S.; et al. Fatores associados à incapacidade funcional de pacientes com Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. Acta Paulista de Enfermagem, 37, eAPE04812. 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/8qW39QcmbqBFsVjRCNynRCw/. Acesso em: 2 maio 2025.

SAHA, A. et al. Depression, anxiety, stress, suicidality and fatigue among stroke survivors: Association with quality of life. Journal of Neurosciences in Rural Practice, [S. l.], v. 15, n. 1, p. 92–98, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39569289/. Acesso em: 2 maio 2025.

SANTOS, A. S. dos. Questionário específico de avaliação da qualidade de vida em pacientes portadores de doença cérebro vascular do tipo isquêmica: tradução e adaptação cultural para a língua portuguesa falada no Brasil [Dissertação]. [Florianópolis]: Universidade Federal de Santa Catarina; 2000.

SANTOS, I. M. da S. Participação social de pessoas sobreviventes de Acidente Vascular Cerebral: um estudo na comunidade. 2021. Dissertação (Mestrado em Reabilitação Neuropsicológica) – Universidade de Coimbra, Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Coimbra, 2021. Disponível em: https://estudogeral.uc.pt/handle/10316/97768. Acesso em: 2 maio 2025.

SANTOS, D. G. dos et al. Avaliação da mobilidade funcional do paciente com sequela de AVC após tratamento na piscina terapêutica, utilizando o teste Timed Up and Go. Einstein Säo Paulo [Internet]. 2011 [citado 11 de maio de 2020]; Disponível em: http://apps.einstein.br/revista/arquivos/PDF/1772-Einstein_v9n3_302-306_ingles.pdf. Acesso em: 2 maio 2025.

SANTOS, R.D.; SILVA, A.A.; & OLIVEIRA, F.M. Reabilitação pós-AVC e impacto socioeconômico: Análise de qualidade de vida e retorno ao trabalho em pacientes jovens. Revista de Reabilitação e Saúde, 2023; 11(3): 246-255. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/mHYgZZ5BGngmHnkTKfhzQkS/. Acesso em: 2 maio 2025.

SCALZO, P. L. et al. Qualidade de vida em pacientes com Acidente Vascular Cerebral. Rev Neurociências. 30 de junho de 2010;18(2):139–44.

SHAIKH, H. et al. Depression, anxiety, stress, suicidality and fatigue among stroke survivors: Association with quality of life. Cureus, v. 16, n. 3, p. e55572, Mar. 2024. DOI: 10.7759/cureus.55572. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39569289/. Acesso em: 2 maio 2025.

SHI, Y. et al. Risk factors for post-stroke depression: a meta-analysis. Front Aging Neurosci. 2017 Jul 11;9:218. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5504146/. Acesso em: 2 maio 2025.

SIEGENTHALER, S. et al. Depressive symptoms and quality of life after thrombolysis in stroke: the TEMPiS study. J Neurol. 2010 Nov;257(11):1923–30. DOI:10.1007/s00415-010-5623-4. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20559842/. Acesso em: 2 maio 2025.

SILVA, A. G. et al. Obesidade e Sedentarismo como Fatores de Risco para Doenças Cardiovasculares em Crianças e Adolescentes no Pós-Pandemia. Revista Fisioterapia em Movimento, v. 33, n. 1, p. 1-10, 2020. Disponível em: https://revistaft.com.br/obesidade-e-sedentarismo-como-fatores-de-risco-para-possiveis-doencas-cardiovasculares-em-criancas-e-adolescentes-no-pos-pandemia/. Acesso em: 2 maio 2025.

SILVA, L. M.; OLIVEIRA, M. C.; & COSTA, M. L. da. Avaliação da qualidade de vida de pacientes hemiplégicos pós-AVC e seus cuidadores. Acta Fisiátrica, 2023; 30(1): 56-63. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/actafisiatrica/article/view/102489. Acesso em: 2 maio 2025.

SMITH, M. Neurological rehabilitation: optimizing motor performance. Physiother Can. 2015;67(2):215–6. DOI: 10.3138/ptc.67.2.rev2. ​

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/fpRqtqpRp6YXLJmQTYSBggG/. Acesso em: 2 maio 2025.

SOUZA-PEREIRA, S. R. et al. Acidente vascular encefálico em adultos jovens: análise de 44 casos. Rev Méd Minas Gerais [Internet]. dezembro de 2010 [citado 27 de maio de 2020];20(4). Disponível em: http://bases.bireme.br/cgi- bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p& nextAction=lnk&exprSearch=577587&indexSearch=ID. Acesso em: 2 maio 2025.

SOUZA, M.R., LIMA, A.G., & OLIVEIRA, F.T. Estudo epidemiológico sobre a recorrência de AVC: Dados de uma população de Matão, SP. Revista Brasileira de Neurologia e Ciências, 2023; 42(1): 58-65.

SOUZA, F. C. de; SILVA, A. M. P.; & ALMEIDA, P. P. de. A qualidade de vida de pacientes pós-AVC: A participação e atividade como fatores determinantes. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, 2023; 10(2): 107-120. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/590. Acesso em: 2 maio 2025.

TERRONI, L. de M. N. et al. Depressão pós-AVC: aspectos psicológicos, neuropsicológicos, eixo HHA, correlato neuroanatômico e tratamento. Arch Clin Psychiatry São Paulo. 2009;36:100–8.

VESTERGAARD, M.; ROGEBERG, E.; ISACHSEN, S. Quality of life after stroke: well-being, life satisfaction, and subjective aspects of work. Scand J Occup Ther. 2005 Dec;12(4):205–13. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16392764. Acesso em: 2 maio 2025.

VILLA, R. F.; FERRARI, F.; MORETTI, A. Post-stroke depression: Mechanisms and pharmacological treatment. Pharmacol Ther. 2018 Apr;184:131–44. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29128343. Acesso em: 2 maio 2025.

VYAS J. et al. A systematic review of 454 randomised controlled trials using the Dermatology Life Quality Index: experience in 69 diseases and 43 countries. British Journal of Dermatology. 2024;190(2):315–339. DOI:10.1111/bjd.17979.

WILLIAMS, L. S. et al. Measuring quality of life in a way that is meaningful to stroke patients. Neurology. 1999 Nov 10;53(8):1839–43. DOI:10.1212/wnl.53.8.1839. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10563636/. Acesso em: 2 maio 2025.

YANG, X.; ZHANG, L.; & ZHANG, W. Risk of recurrent stroke in patients with ischemic stroke and diabetes: A longitudinal study. Journal of Diabetes and its Complications, 2023; 37(7): 107111. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27378914/. Acesso em: 2 maio 2025.

NOTA

Os autores utilizaram a Inteligência Artificial Releasing GPT- 4.1 para verificação de ortografias em alguns parágrafos. No entanto, todas as buscas pelos conteúdos, classificação da qualidade dos artigos e verificação foram realizadas de maneira autoral.

[1] Doutorado em Ciências da Reabilitação USP; Mestrado em Fonoaudiologia pela PUCSP; Especialização em Audiologia `Latu sensu` Pela universidade IPA Metodista de Porto Alegre; Graduação em Fonoaudiologia pela ULBRA Canoas RS. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1879-5126.

[2] Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP. Mestra em Ciências da Reabilitação pela USP. Possui graduação em Fonoaudiologia pela USP e Aprimoramento Profissional na área de implante coclear pelo HCFMUSP. Especialização em Gestão Pública Municipal pela UNIFESP e MBA em Data Science e Analytics pela USP/ESALQ. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7186-2471.

[3] Coorientadora. Doutorado em Ciências Médicas: Pediatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2008); Mestrado em Ciências Médicas: Pediatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2006); Especialização em Audiologia pelo CRF (2007); Especialização em Fonoaudiologia pela UFSM (1996); Graduação em Fonoaudiologia pela Universidade Federal de Santa Maria (1994). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6694-407X.

[4] Pós-doutorado em Dartmouth Medical School (USA); Doutorado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (1994); Mestrado em Lingüística pela Universidade de São Paulo (1991); Graduação em Curso de Fonoaudiologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1979). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1775-7603.

Material recebido: 31 de março de 2025.

Material aprovado pelos pares: 30 de maio de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 11 de junho de 2025.

5/5 - (5 votos)
Andreia Rodrigues Parnoff Stadulni

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita
Este anúncio ajuda a manter a Educação gratuita