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ESPIRITUALIDADE, RELIGIOSIDADE E EVENTOS CARDIOVASCULARES MAIORES EM PACIENTES APÓS A CRM

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CONTEÚDO

ARTIGO ORIGINAL

PIETROBON, Rosa Cecilia [1], NERY, Rosane Maria [2]

PIETROBON, Rosa Cecilia; NERY, Rosane Maria. Espiritualidade, religiosidade e eventos cardiovasculares maiores em pacientes após a CRM. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 11, Ed. 01, Vol. 02, pp. 36-57. Janeiro de 2026. ISSN: 2448-0959. Disponível em: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/eventos-cardiovasculares, DOI: 10.32749/nucleodoconhecimento.com.br/saude/eventos-cardiovasculares

RESUMO

Introdução: Escassos os estudos sobre a associação entre a espiritualidade, a religiosidade, a qualidade de vida (QV) e eventos cardiovasculares maiores (ECVM), após a Cirurgia de Revascularização do Miocárdio (CRM). Objetivo: avaliar a relação entre espiritualidade, religiosidade e crenças pessoais com ECVM e QV em pacientes submetidos à CRM. Método: Estudo de coorte, com 168 pacientes, no pré e pós-operatório. Foram aplicados os questionários de QV, WHOQOL e o Índice de Religiosidade da Universidade Duke, pacientes seguidos por meio dos prontuários e ligações telefônicas. Resultados: A religiosidade foi inversamente relacionada ao risco de ECVM. Conclusão: A religiosidade esteve associada com melhores desfechos no pós-operatório, bem como o maior domínio psicológico da QV foi significativo para menor tempo de internação.

Palavras-chaves: Espiritualidade, Religião, Saúde, Qualidade de Vida, Cirurgia de Revascularização do Miocárdio.

1. INTRODUÇÃO

Conforme os pesquisadores Rezaianzadeh et al.(2015), Mouch & Sonnega (2012), Beller et al. (2008),as Doenças Cardiovasculares (DCVs) representam a principal causa de mortalidade em ambos os sexos, gerando elevados custos pessoais e financeiros, além de incapacidade a curto e longo prazo. A Cirurgia de Revascularização do Miocárdio (CRM) é uma intervenção necessária para algumas doenças cardíacas, como a doença coronariana, durante o ciclo vital de alguns pacientes.

Nas últimas décadas, podemos observar um aumento da expectativa de vida da população brasileira com um envelhecimento progressivo da população, associado ao aumento das doenças cardiovasculares e à excelente melhoria das tecnologias aplicadas à cirurgia, podendo justificar um aumento expressivo do número de pacientes idosos que necessitam de cirurgia cardiovascular. Isso exige um cuidado e manejo peri- operatório muito especializado das equipes, visando o tratamento da doença cardíaca sem aumentar o risco de eventos adversos relacionados à hospitalização, segundo Loures et al. (2000), Vetta et al. (2017). Desta forma a alta frequência e a importância do procedimento têm despertado o interesse no entendimento de fatores capazes de melhorar o prognóstico dos pacientes submetidos à CRM. Nesse sentido, a espiritualidade e a religiosidade associadas à saúde têm ganhado aumento de atenção, segundo os autores Ai, et al. (2009).

A espiritualidade e a religiosidade podem atuar como fatores protetores, sobre os desfechos de saúde, no tratamento de doenças crônicas, na melhora de quadros clínicos graves e no restabelecimento pós-cirúrgico. Estudos de Mouch & Sonnega (2012), Loures et al. (2000), Ai et al. (2009), Pedroso, Gutierrez & Picinin (2012), McIntyre, Fernandes & Soares (2000), Morris (2001), Thoresen (1999), Aiet al. (2010a), Côrte (1998), Moura (1973), Rosendahl et al. (2009), Rosendahl  et al. (2013) sugerem que a espiritualidade e a religiosidade podem ter efeitos positivos sobre a recuperação psicológica em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Estes resultados sugerem que a espiritualidade e a religiosidade, podem influenciar significativamente a qualidade de vida e reduzir os custos financeiros sobre o sistema de saúde, além de auxiliar no enfrentamento do estresse provocado pela cirurgia cardíaca.

No entanto, não é bem conhecida a relação entre a espiritualidade, a religiosidade, a QV e os Eventos Cardiovasculares Maiores (ECVM), no período pós- cirúrgico. ECVM são considerados óbito, reinfarto, Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), hospitalização para Angioplastia Coronariana Percutânea (ACTP) e CRM.

O objetivo do presente estudo é avaliar a espiritualidade, os domínios da religiosidade e QV como fatores protetores em relação à frequência de ECVM, em pacientes submetidos à CRM. 

2. MÉTODO

Delineamento: Estudo de coorte.

Local: Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (ICFUC/ RS) – Porto Alegre, Brasil.

Amostra: Foram incluídos168 pacientes maiores de 18 anos, internados para serem submetidos a CRM e que concordaram em participar do estudo, com seguimento através de prontuários impressos, eletrônicos e ligações telefônicas. A amostra foi consecutiva, incluindo todos os pacientes que preencheram os critérios de elegibilidade.

Cálculo da amostra: Para o cálculo amostral, considerou-se que a presença de ECVM ocorre em 20% dos pacientes submetidos a CRM, garantindo níveis de significância de 5%, poder de 80% e uma diferença esperada de 1,5 na média do Instrumento de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde -. Módulo Espiritualidade, Religiosidade e Crenças Pessoais (WHOQOL SRPB) comparando pacientes com e sem ECVM. Desta forma, totalizou-se uma amostra de 168 pacientes.

Procedimentos: Foram avaliados 168 pacientes maiores de 18 anos no período pré-operatório de CRM, internados no Instituto de Cardiologia (IC), através da aplicação de testes e seguidos no período pós cirúrgico, através de pesquisa em prontuários impressos, eletrônicos e ligações telefônicas. Foram recolhidos dos prontuários dados demográficos e sobre comorbidades no pré-operatório e foram aplicados os questionários WHOQOL SRPB, WHOQOL Abreviado, WHOQOL-100 e o Índice de Religiosidade da Universidade Duke (DUREL): – Durel (Religiosidade Organizacional; Não Organizacional e Religiosidade Intrínseca). Após a CRM, os pacientes foram seguidos, através dos prontuários eletrônicos, impressos e ligações telefônicas, com a utilização de uma ficha para acompanhamento dos desfechos no pós-operatório, desenvolvida para este estudo, descrita na letra f dos instrumentos.

Os pacientes internados no pré-operatório foram informados quanto aos objetivos do estudo, orientados quanto ao sigilo de sua identificação e de suas respostas e convidados a participar do estudo assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

A seguir, responderam aos instrumentos: 

a) Questionário com dados de identificação, demográficos e clínicos; para a coleta de dados demográficos e informações gerais sobre a saúde e a história clínica dos pacientes; 

b) Questionário WHOQOL (WHOQOL–SRPB), instrumento de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde – Módulo Espiritualidade, Religiosidade e Crenças Pessoais (8 domínios: conexão espiritual, sentido da vida, respeito, totalidade, força espiritual, paz interior, esperança e fé), segundo Fleck &Skevington (2007), WHOQOL SRPB Group (2006).

c) WHOQOL 100 (QV), as 4 perguntas do WHOQOL-100 que compõem o domínio da espiritualidade, segundo Fleck et al. (1999), Panziniet al. (2011).

d) WHOQOL-bref: quanto maior o índice, maior a QV, composto por 4 domínios: físico, psicológico, ambiental e social, segundoFleck et al.(2000), Fleck et al. (1999), Panzini al. (2011), Fleck et al. (2003), Keefe & Blumenthal (2004).

e) Índice de religiosidade da Duke University – Durel (Religiosidade Organizacional; Não Organizacional e Religiosidade Intrínseca), segundo Koenig, Parkerson & Meador (1997), Moreira-Almeida et al. (2008), Koenig&Büssing (2010), Taunay et al. (2012).

f) Ficha para acompanhamento dos desfechos após a CRM: 

  1. Nome do (a) paciente: 
  2. Prontuário: 
  3. Cirurgia – Tipo: 
  4. Eventos Cardiovasculares Maiores (ECVM) como: 
  5. Óbito: 
  6. Re-IAM: 
  7. ICC: 
  8. Hospitalização por Angioplastia Coronariana Percutânea (ACTP) 
  9. Cirurgia de Revascularização do Miocárdio: 
  10. Outras hospitalizações: 
  11. Tempo de internação: 
  12. Comorbidades:

Os pacientes, que foram internados e acompanhados no pré-operatório, no período após a CRM foram seguidos através de pesquisa nos prontuários eletrônicos, impressos e ligações telefônicas, onde foi utilizada uma ficha para acompanhamento dos desfechos, elaborada pelos autores deste estudo, conforme o critério descrito abaixo: Infarto do miocárdio: definido através da elevação de biomarcadores cardíacos (troponina acima do percentil 99), com pelo menos um dos seguintes achados: sintomas de isquemia ou alterações nos eletrocardiogramas presumivelmente novos: surgimento de  alterações no segmento ST ou na onda T; bloqueio do ramo esquerdo; desenvolvimento de ondas Q patológicas; exame de imagem evidenciando perda de miocárdio viável ou anormalidade na contratilidade segmentar ou identificação de trombo intracoronário por angiografia, conforme Thygesen et al. (2012).

Análise estatística: Foi utilizado o SPSS versão 23.0. Segundo Guimarães & Hirakata (2012), nessa análise as variáveis categóricas foram apresentadas por frequências absolutas e percentagens. As variáveis contínuas com distribuição normal foram apresentadas por média e desvio padrão e aquelas sem distribuição normal como mediana e amplitude interquartílica (IQ).

Para a comparação das características demográficas e fatores de risco foram comparados entre os grupos através do teste de qui-quadrado de Pearson para heterogeneidade.

Para associação entre os escores do WHOQOL – SRPB, WHOQOL 100, WHOQOL Breve e do DUREL, em relação ao desfecho eventos (ECVM), foram utilizadas regressões logísticas simples e para estimativa da razão de chances (OddsRatio) e para tempo até o óbito, regressões de COX simples, para estimar a taxa de falha (Hazzard Ratio-HR). Para avaliar a associação dos escores com o tempo de internação, foi utilizada a correlação de Spearman. O nível de significância considerado foi P < 0,05.

3. DISCUSSÃO

Neste estudo de coorte que avaliou a espiritualidade e a religiosidade em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio, observou-se associação entre religiosidade organizacional e intrínseca, com menores índices de eventos cardiovasculares, maiores pós-cirurgia de revascularização do miocárdio, além de uma correlação entre maiores escores do domínio Psicológico de qualidade de vida e menor tempo de internação após cirurgia. Foram encontradas associações significativas entre religiosidade organizacional e intrínseca, com a utilização da escala DUKE – DUREL. Segundo esta escala, a religiosidade organizacional é entendida como a frequência a igreja, templo ou outro encontro religioso.  A religiosidade intrínseca pode ser compreendida como o grau de envolvimento subjetivo e motivação ligada à religiosidade, incluindo sentimentos da presença de Deus ou outra realidade transcendente, e o esforço para viver a religião e suas crenças em todos os aspectos da sua vida, segundo os pesquisadores Koenig, Parkerson & Meador (1997), Moreira-Almeida et al. (2008), Koenig & Larson (2010), Taunay et al. (2012). O escore maior no domínio psicológico da QV medido pelo Instrumento WHOQOL, esteve associado há menor tempo de internação. O domínio psicológico inclui itens sobre a) sentimentos positivos; b) pensar, aprender, memória e concentração; c) autoestima; d) Imagem corporal e aparência; e) sentimentos negativos e f) Espiritualidade/religião/crenças pessoais, segundo os autores Allan &Scheidt (1996), Pregnolatto & Agostinho (2003), Frankl (2008), Calvetti-Ücker, Müller & Nunes, (2007), Bonomo & Araujo (2009). 

A religiosidade pode contribuir como fator protetivo para o enfrentamento da recuperação no pós-cirúrgico diretamente, pois por meio da mesma as pessoas podem encontrar um sentido para o sofrimento, fortalecimento da sua fé, assim como indiretamente pela expansão dos vínculos sociais adquiridos através da frequência a igreja, templo ou outro encontro religioso. Isto pôde ser evidenciado no presente estudo em que a religiosidade organizacional e intrínseca mostrou associação com menos risco para ECVM, conforme estudos de Ai et al. (2009), Pessini & Barchifontaine (2008), Moreira-Almeida et al. (2010), Koenig (2012), Koenig & Larson (1998), Koenig (2007), Contrada et al. (2004), Li et al. (2016).

Koenig (2012), Koenig & Larson (1998), encontraram uma relação inversa entre frequência de participação em serviços religiosos e probabilidade de admissão hospitalar em uma amostra de 455 pacientes idosos. Os autores Koenig (2012), Koenig & Larson (1998), Li et al. (2016) referem que a busca de integração em uma comunidade religiosa e participação em encontros religiosos regulares pode ser motivada por ensinamentos como o amor ao próximo, em que cuidar dos necessitados pode fazer parte do próprio sistema de crenças.

Pode-se também hipotetizar que pessoas com religiosidade apresentem melhores hábitos de saúde e melhor adesão aos tratamentos de saúde. Considerando os estudos de Koenig& Larson (1998), as decisões diárias e habituais que fazemos em resposta às tentações e desafios da vida podem ser muitas vezes influenciados por crenças religiosas, o que pode ser válido principalmente quando as decisões apresentam implicações éticas e consequências potencialmente estressantes.

Segundo estudos de Contrada et al. (2004), a participação em serviços religiosos foi inversamente relacionada com complicações. Estes autores analisaram a influência do envolvimento religioso e outras influências psicossociais em complicações pós-operatórias seguintes à CRM. Semelhante aos achados de Ai et al. (2009), Contrada et al. (2004). Constataram que pacientes com crenças religiosas fortes tinham menos complicações pós-operatórias e menor tempo de permanência no hospital. O estudo de Ai et al. (2009) investigou a influência de fatores religiosos como oração e reverência na recuperação física de revascularização do miocárdio.

No presente estudo, a maior mortalidade apareceu no período de 30 dias dos pós cirúrgico imediato o que difere do estudo de Oxman, Freeman & Manheimer (1995), cujo objetivo foi examinar a relação entre apoio social, religião e mortalidade após cirurgia cardíaca eletiva em pacientes com idade mais avançada. Dos 232 pacientes incluídos no estudo, 21 morreram dentro de 6 meses após a cirurgia. Entre as variáveis sociais de apoio e de religião, duas foram preditores consistentes de mortalidade em análise multivariada: falta de participação em grupos sociais ou comunitários e ausência de força e conforto da religião. Estes resultados sugerem que, em pessoas mais velhas, a falta de participação em grupos e ausência de força e conforto na religião estão independentemente relacionados com risco de morte durante o período de 6 meses após a cirurgia cardíaca.

O presente estudo mostrou ainda associação entre maiores escores no domínio psicológico, do instrumento de avaliação de QV e menor tempo de internação. Os sintomas depressivos e ansiosos podem colocá-lo em risco acrescido de sofrer um novo evento, conforme os estudos de Moura (1973), Pregnolatto & Agostinho (2003), Bonomo & Araujo (2009). 

Podemos considerar por meio das observações dos pacientes pré-cirúrgicos para CRM, que os momentos que antecedem a cirurgia podem ser vivenciados pelo paciente de uma forma assustadora, em que eles expressam seus medos pelo desconhecido podendo ser a principal causa de insegurança e de ansiedade no paciente pré-cirúrgico. O paciente pode expressar seus medos da morte, da anestesia, do procedimento em si, e da própria recuperação. Nesse momento o paciente pré-cirúrgico busca questionar para obter um controle sobre a ansiedade e o medo, lançando mão de algumas estratégias e recursos internos de acordo com sua caminhada de vida pessoal, como: depositar confiança na equipe de saúde; na religiosidade – acreditar em Deus acima de qualquer coisa; na desqualificação dos sentimentos; controlar o pensamento; ter sempre a companhia de alguém conhecido, familiares e amigos, segundo Figuera & Viero (2005), Moura (1973), Pregnolatto & Agostinho (2003).

Considerando que o sofrimento é aliviado quando se encontra um sentido para as experiências vividas, a espiritualidade e a religiosidade podem tornar-se um importante aliado do paciente na busca deste sentido. Trabalhar o sentido da vida, das experiências vividas e as emoções positivas pode facilitar a redução do estresse sobre o sistema cardiovascular mesmo em face de eventos de vida negativos. Assim, otimismo e atitude positiva podem fazer com que os eventos negativos sejam encarados com confiança de que o futuro reserva algo melhor, conforme os estudos de Frankl (2008), Calvetti-Ücker, Muller & Nunes (2007), Bonomo & Araujo(2009), McCullough, Emmons & Tsang (2002).

Assim, uma avaliação envolvendo espiritualidade e religiosidade, como parte da avaliação em reabilitação cardíaca e na prestação de cuidados pode contribuir no sentido de complementar as variáveis tradicionais normalmente mensuradas, segundo Culliford (2009), Trevino & McConnell (2015).

4. LIMITAÇÕES

Neste estudo os construtos da espiritualidade (SRPB) não apresentaram relação com os ECVM, no seguimento do pós CRM. A variável espiritualidade é de difícil mensuração e muito sujeita a fatores de confundimento em estudos observacionais. Uma estratégia para contornar esta limitação seria a utilização de metodologia qualitativa associada. 

5. CONCLUSÃO

A religiosidade organizacional e intrínseca esteve associada com melhores desfechos em pacientes no período pós-operatório para CRM, bem como escores mais elevados no domínio psicológico da QV esteve associado com menor tempo de internação. Estes achados podem apresentar relevância clínica no planejamento do atendimento integral ao paciente, por equipe multiprofissional, fortalecendo os fatores protetores da saúde nos pacientes internados.

Foram identificados 799 pacientes com critério de elegibilidade para CRM, sendo que 168 preencheram os critérios de inclusão, conforme a Figura 1.

Figura 1 – Pacientes com critérios de elegibilidade para CRM

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

As principais características dos pacientes, como também os fatores de risco para doença cardíaca, estão expostos na Tabela 1. não houve diferença das características e fatores de risco avaliados dos pacientes com ECVM em relação aos pacientes sem EVCM.

Tabela 1– Características demográficas, de comorbidades e religião referida em relação à presença ou não de Eventos Cardiovasculares Maiores (ECVM)

Características Total
n(%)
Sem ECVM
n (%)
Com ECVM
n (%)
P*
Total de pacientes 153 90 63
Idade ≥ 60 109 (64,9) 63,3% 66,7% 0,800
Sexo masculino 119 (70,8) 71,1% 71,4% 0,966
Tabagismo 105 (68,6) 65,6% 73,0% 0,423
Consumo de bebidas Alcóolicas 104 (68,0) 67,8% 68,3% 0,950
HAS 122 (79,7) 77,8% 82,5% 0,605
Diabetes 61 (39,9) 40,0% 39,7% 0,969
Hipercolesterolemia 93 (61,2) 65,2% 55,6% 0,303
Sedentarismo 112 (73,7) 69,7% 79,4% 0,250
IAM 109 (64,9) 68,9% 58,7% 0,262
Parentes de 1º grau com IAM 106 (63,5) 63,3% 66,1% 0,856
Religião: 0,404
Católicos 90  (59,2) 62,2% 54,8%
Evangélicos 24  (15,8) 12,2% 21,0%
Mais de 1 religião 19  (12,5) 12,2% 12,9%
Espíritas 5  (3,3) 3,3% 3,2%
AD, mas NT religião 4   (2,4) 1,1% 4,8%
Outras religiões 7   (4,6) 6,7% 1,6%
NT / NA 3   (2,0) 2,2% 1,6%

HAS: Hipertensão Arterial Sistêmica; IAM: Infarto Agudo do Miocárdio; AD: Acreditam em Deus; NT: Não tem religião e NA: Não acreditam em Deus; *Teste de Qui-Quadrado de Pearson para heterogeneidade. Fonte: Dados da pesquisa (2017).

O tempo médio de seguimento, até a última informação dos prontuários e ligações telefônicas foi de 09 meses, com mínimo de 06 de máximo de 140 dias. Os desfechos apresentados pelos pacientes da amostra, no período após a CRM, foram Eventos Cardiovasculares Maiores sendo 66 (41,3%); re-IAM 5 (3,1%); Internação por ICC 7 (4,4%); Internação por ACTP 8 (5,0%); Cateterismo 18 (11,3%); Stent 8 (5,0%); outras hospitalizações 37 (23,1%); Óbito 14 (8,7%); Emergência 82 (51,3%).

Quando a média dos 3 escores da escala DUREL (Religiosidade organizacional, privada e intrínseca) foram comparados entre o grupo com ECVM versus sem ECVM observou-se os pacientes com ECVM apresentavam menores escores de Religiosidade Organizacional e Religiosidade Intrínseca.

A média dos domínios do WHOQOL-SRPB não apresentaram escores diferentes em relação à presença ou ausência de ECVM, conforme Tabela 2.

Tabela 2- Espiritualidade, Religiosidade e Qualidade de Vida, de acordo com a ocorrência de eventos no seguimento pós CRM

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Não foram observadas diferenças significativas em relação ao óbito e a associação com as variáveis avaliadas no estudo, conforme demonstrado na Tabela 3.

Tabela 3 – Espiritualidade, Religiosidade Qualidade de Vida, em relação aos óbitos no pós- cirúrgico

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Em relação ao tempo de internação houve uma correlação significativa do escore do domínio, psicológico do WHOQOL com o tempo de internação, conforme Tabela 4.

Tabela 4 – Espiritualidade, Religiosidade Qualidade de Vida, em relação ao tempo de internação

Fonte: Dados da pesquisa (2017).

Os demais domínios do WHOQOL, bem como os domínios do WHOQOL-SRPB e os escores da escala DUREL não apresentaram correlações significativas.

REFERÊNCIAS

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INFORMAÇÕES SOBRE OS AUTORES 

[1] Doutorado em Ciências da Saúde (Cardiologia) pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul – Fundação Universitária de Cardiologia (2018); Mestrado em Ciências da Saúde (Cardiologia) pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul – Fundação Universitária de Cardiologia (2007); Especialização em Formação em Interação Grupal (2000); Graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS (1993); Graduação em Licenciatura em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS (1976); Graduação em Licenciatura em Estudos Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS (1974). ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6998-7283. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/6282124604156148.  

[2] Doutorado em Ciências da Saúde: Cardiologia e Ciências Cardiovasculares pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Mestrado em Ciências da Saúde – Cardiologia pela Fundação Universitária de Cardiologia – Instituto de Cardiologia do RS, Pós-Graduação: Especialização em Treinamento Físico e Técnicas Desportivas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Pós-graduação: Especialização em Ginástica na Empresa – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS, Graduação em Educação Física – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, UFRGS. ORCID: https://orcid.org/ 0000-0002-3594-0751. Currículo Lattes: CV: http://lattes.cnpq.br/5865593370205945.

Contribuição dos autores:

Rosa Cecília Pietrobon: Concepção, planejamento, análise, interpretação e redação do trabalho. 

Rosane Maria Nery: Análise, interpretação e redação do trabalho. 

INFORMAÇÕES SOBRE O MATERIAL

Conflito de interesse: 

Não há.

Agradecimentos e Financiamento:

Não há.

Nota:

Não há.

Informações sobre Direitos Autorais e Licença:

Este é um artigo de Acesso Aberto distribuído sob os termos da Creative Commons AttributionLicense, que permite uso, distribuição e reprodução irrestritos em qualquer meio, desde que o autor e a fonte originais sejam creditados.

Os nomes e endereços informados nesta revista serão usados exclusivamente para os serviços prestados por esta publicação, não sendo disponibilizados para outras finalidades ou a terceiros.

  • ISSN (versão eletrônica): 2448-0959
  • Licença Creative Commons: Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição 4.0 Internacional.

Histórico da Publicação:

Material recebido: 24 de outubro de 2025.

Material aprovado pelos pares: 07 de novembro de 2025.

Material editado aprovado pelos autores: 22 de janeiro de 2026.

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Rosa Cecilia Pietrobon

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