A enfermagem no cuidado paliativo em oncologia: uma revisão integrativa da literatura

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CONTEÚDO

ARTIGO DE REVISÃO

NAVA, Solange de Castro [1], SOUSA, Haigle Reckziegel de [2]

NAVA, Solange de Castro. SOUSA, Haigle Reckziegel de. A enfermagem no cuidado paliativo em oncologia: uma revisão integrativa da literatura. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento. Ano. 06, Ed. 12, Vol. 10, pp. 30-53. Dezembro de 2021. ISSN: 2448-0959, Link de acesso: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/saude/cuidado-paliativo

RESUMO

O câncer é considerado uma doença comum e acomete pessoas de todas as idades. Os cuidados paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria do bem-estar do paciente, visando promover alívio do sofrimento. Diante do exposto, tem-se a seguinte pergunta norteadora: Qual a importância da assistência de enfermagem ao paciente oncológico em cuidados paliativos e quais métodos alternativos podem auxiliar o paciente nesse processo? Este estudo, tem como objetivo: descrever a importância da assistência de enfermagem ao paciente oncológico em cuidados paliativos, visando propor métodos alternativos de tratamento para auxiliar o paciente nesse processo. O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura. Os meios de bases de dados utilizados foram:  Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS, Base de Dados de Enfermagem – BDENF, Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica – MEDLINE, estes disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde. Como resultados, percebeu-se que o profissional enfermeiro é fundamental no processo de cuidado paliativo em oncologia, pois, através de uma boa comunicação com seu paciente e familiares, com um diálogo aberto e flexível, promove a diminuição da ansiedade e das incertezas dos familiares do paciente. As Terapias Complementares, como acupuntura, auriculoterapia, florais de Bach e a fitoterapia, acompanhadas pelas terapias convencionais, como a radioterapia e quimioterapia, promovem um resultado mais satisfatório para o paciente, no qual podem estimular a efetividade reduzindo os sintomas que são provocados pela doença.

Palavras-chave: Enfermagem, Cuidados Paliativos, Família, Terapias alternativas.

1. INTRODUÇÃO

Atualmente, o câncer é considerado um problema de saúde pública, sendo atualmente uma doença que acomete pessoas de todas as idades, desde 0 aos 100 anos. No Brasil, os tumores malignos são responsáveis pelo segundo lugar no ranking das causas de morte, segundo o Instituto Nacional do Câncer – INCA (INCA, 2015). Ocupando a segunda posição entre uma das principais causas de morte da população do Brasil. Por apresentar alta incidência e prevalência, no país vem sendo realizado ações visando o controle e diagnóstico precoce do câncer (GUIMARÃES, 2016).

A maioria dos cânceres, quando descoberto na fase inicial as chances de cura são maiores, no entanto, devido a fatores diversos, como a não procura por ações preventivas em saúde e/ou mesmo a relutância quanto à procura por atendimento mesmo diante dos sintomas da doença, o diagnóstico ocorre de forma tardia, reduzindo assim as chances de cura, evoluindo de forma rápida para a gravidade e óbito (DE OLIVEIRA, 2018). Surge então, os cuidados paliativos, consistindo na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que objetiva a melhoria do bem-estar do paciente e de sua família, diante de uma doença que ameaça sua existência, fazendo uso da prevenção e alívio do sofrimento (INCA, 2015).

Os cuidados paliativos, são medidas de intervenções, não resolutivas e sim atenuantes. Tais medidas são realizadas pelos profissionais de saúde, em que o principal objetivo é de permitir aos enfermos conforto e alívio da dor, diante do estado crítico, originado pela gravidade da doença, que já não tem perspectiva de cura (SILVA, 2017). Compreende-se que, através dos cuidados paliativos, que são realizadas ações voltadas para a higienização, apoio psicológico e acolhimento para com o paciente doente (MACHADO, 2021).

A enfermagem desempenha papel importante nesse contexto, promovendo através dos cuidados paliativos, o bem-estar dos indivíduos acometidos pela doença em questão. Isto porque, cuidados necessários para este tipo de paciente, requer profissionais qualificados para executá-los. Desta maneira, para realizar cuidados dessa natureza, o profissional enfermeiro precisa estar se atualizando, bem como conhecendo as novas técnicas de aperfeiçoamento e tratamento oncológico (CAPALO, 2019).

Diante dos avanços em relação ao tratamento de doenças de prognósticos crônicos, bem como diante do crescente desenvolvimento das tecnologias e métodos de tratamento no âmbito da saúde, isto significa que, a área referida tem sido beneficiada considerando o crescimento da população. Partindo desta premissa, percebe-se a grande relevância dos cuidados paliativos, contemplando o indivíduo no final de sua existência.

Este estudo tem como objetivo: descrever a importância da assistência de enfermagem ao paciente oncológico em cuidados paliativos, visando propor métodos alternativos de tratamento para auxiliar o paciente nesse processo. O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura, no qual, diante do exposto tem-se a seguinte pergunta norteadora: Qual a importância da assistência de enfermagem ao paciente oncológico em cuidados paliativos e quais métodos alternativos podem auxiliar o paciente nesse processo? Tendo em vista que, conhecer estes cuidados e executá-los de forma correta é um desafio bem mais reflexivo para nortear as práticas de enfermagem.

2. METODOLOGIA

O presente estudo trata-se de uma revisão de literatura, que consiste em um método de pesquisa no qual sua finalidade consiste em utilizar a prática baseada em evidências. Sendo esta indispensável no âmbito da saúde, uma vez que, ela procura sintetizar as pesquisas disponíveis de uma temática em questão, permitir responder à questão norteadora do presente estudo: Qual a importância da assistência de enfermagem ao paciente oncológico em cuidados paliativos e quais métodos alternativos podem auxiliar o paciente nesse processo?

Os dados foram obtidos no intervalo de março a junho do ano de 2021. Foi realizado um levantamento bibliográfico das principais obras que abordam sobre a temática em apreço. Outrossim, buscaram-se livros, periódicos (revistas), teses, anais de congressos, indexados em bases de dados em formato on-line.

As bases de dados utilizados foram:  Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde – LILACS, Base de Dados de Enfermagem – BDENF- Enfermagem, Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica – MEDLINE. Para as buscas, se deram a partir dos seguintes descritores e palavras-chave: enfermagem; cuidados paliativos, oncologia, terapias alternativas, utilizados de forma combinada entre si.

Para os critérios de inclusão foram considerados, estudos publicados nos últimos 6 anos, compreendendo o período de 2015 a 2021, disponíveis na íntegra, escrito na língua portuguesa e que abordasse a temática em estudo. Foram excluídos os estudos fora do período escolhido para a pesquisa, estudos em outros idiomas e não disponíveis para leitura na íntegra. Após aplicado os critérios de inclusão e exclusão, ao final foram selecionados 20 artigos. A amostra final foi constituída da seguinte forma: 10 na LILACS, 04 na BDENF e 6 na MEDLINE.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram analisados 20 artigos, cujos resultados iniciam com a descrição das características dos mesmos (Quadro 1), sendo dez indexados na base Lilacs, quatro na BDENF e seis na Medline. Destes, (um) foi publicado em 2016, (dois) em 2017, (dois) em 2018, (seis) em 2019, (seis) em 2020 e (três) em 2021.

Quadro 1 – Artigos incluídos sobre a abordagem da enfermagem nos cuidados paliativos em oncologia.

AUTOR/ANO TÍTULO OBJETIVO MÉTODO RESULTADOS E/OU CONCLUSÃO
ANDRADE. L.
2019
A atuação do Serviço Social em Cuidados Paliativos. In: Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) Mapear a produção científica do Serviço Social em relação aos Cuidados Paliativos com base na consulta em periódicos e simultaneamente, identificar as articulações temáticas presentes em tal produção. Exploratório utilizando-se de uma revisão integrativa A prática do Assistente Social nesta seara ainda é pouco explorada, a literatura também ainda é muito escassa. Essa área de atuação só tende a crescer para o Assistente Social e é essencial que estejamos atentos para lidar e explorar essas demandas emergentes.
ARAÚJO, L.Z.S.; ARAÚJO, C.Z.S.; SOUTO, A.K.B.Z.; OLIVEIRA, M.S. 2019 Cuidador principal de paciente oncológico fora de possibilidade de cura, repercussões deste encargo Identificar o perfil dos cuidadores de pacientes oncológicos; averiguar as atividades executadas, mudanças e dificuldades. O método utilizado foi o quantitativo Os cuidados de higiene, alimentação, medicação eram de responsabilidade do cuidador, essas atividades aumentam a sobrecarga e surgiram repercussões negativas de natureza física e/ou psíquica. 60% responderam que o local mais conveniente para a ocorrência do óbito do paciente seria no hospital e 40% em casa. Há nítida distinção entre os cuidados com os pacientes e morte, os cuidadores cuidam, de fato, da vida.
AVANC. Barbara Soares et al. 2019 Cuidados Paliativos à Criança Oncológica na situação do Viver/Morrer: A Ótica do cuidar em Enfermagem Conhecer a percepção do enfermeiro diante da criança com câncer sob cuidados paliativos Pesquisa de campo, descritiva-exploratória, com abordagem qualitativa, Conclui-se que é necessário enfatizar a importância da assistência de enfermagem no cuidado paliativo à criança com câncer, principalmente sob a ótica do cuidar, mas também na perspectiva do desenvolvimento da profissão.
AZEVEDO, Suzana Carneiro de. 2020 O Processo de Gerenciamento x Gestão no Trabalho do Enfermeiro. Natal (RN): UFRN, 2020 Conhecer a percepção dos enfermeiros sobre a gestão da qualidade na assistência de enfermagem na Unidade de Clínica Cirúrgica do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) – RS Trata-se de uma pesquisa qualitativa, tipo descritiva As conclusões apontam a importância de o enfermeiro ser conhecedor das ações a serem desenvolvidas para uma gestão da qualidade, tanto no cuidado do paciente, quanto no desenvolvimento junto às equipes de enfermagem, esperando-se assim contribuir para o desenvolvimento de melhores práticas de gestão dos enfermeiros na Unidade de Clínica Cirúrgica
BOUSFIELD. APS. Padilha MI 2020 Avanços e desafios da enfermagem em acupuntura em Santa Catarina no período de 1997 a 2015 Conhecer os avanços na atuação das enfermeiras, na prática da acupuntura, em Santa Catarina, no período de 1997 a 2015. Qualitativo com abordagem Histórico-Social A sociedade brasileira reconhece que as ações desse profissional requerem conhecimento, pesquisa e habilidades para ser exercida. A maior conquista, se relaciona ao encontro com o outro no ato de cuidar.
CEOLIN. T. HECK. RM. PEREIRA. DB. MARTINS. AR. COIMBRA. VCC. SILVEIRA, DSS. SILVEIRA. DSS 2019 A inserção das terapias complementares no sistema único de saúde visando o cuidado integral na assistência discutir o uso das terapias complementares no Brasil, visando um atendimento integral ao indivíduo e a inserção do profissional enfermeiro nestas práticas. Pesquisa bibliográfica As terapias complementares vêm ao encontro com deste discurso, modificando a visão que o profissional tem sobre o indivíduo, vendo-o com um ser total e não compartimentalizado.
CONTIM. Carolina Leis Venâncio. SANTOS. Fátima Helena do Espírito.  MORETTO. Isadora Gorki 2020 Aplicabilidade da auriculoterapia em pacientes oncológicos: revisão integrativa da literatura Analisar evidências científicas na literatura do uso da auriculoterapia no alívio de sintomas relacionados ao câncer e/ou seu tratamento. Revisão integrativa da literatura A auriculoterapia em pacientes oncológicos proporciona melhora dos sintomas e esta prática foi considerada uma intervenção segura e aceitável. Entretanto, é necessário ampliar estudos para obtenção de mais evidências favoráveis, já que somente 3 estudos apresentaram alto nível de evidência.
COUTO. Daniela Sanches. RODRIGUES Kaique Saimom Lemes Farias 2020 Desafios da Assistenciais de Enfermagem em Cuidados Paliativos Levantar os desafios que a enfermagem encontra para desempenhar a assistência aos pacientes em Cuidados Paliativos, a partir da produção científica disseminada em periódicos on-line Revisão integrativa da literatura O estudo verificou as lacunas da assistência de enfermagem em cuidados paliativos, levantando a necessidade do desenvolvimento de novos estudos para disseminar conhecimento sobre a temática.
FREITAS. LCS. SOUSA. PHC. COUTINHO BD 2020 Auriculoterapia no tratamento da obesidade: uma revisão sistemática Identificar a eficácia da auriculoterapia no controle do peso de indivíduos obesos Realizou-se uma revisão Sistemática A auriculoterapia associada a dieta pode ser eficaz no controle do peso de paciente obesos, assim como nas medidas antropométricas e nos níveis de leptina.
GUEDES. Amanda Kamylle Cavalcanti et al 2019 Cuidados paliativos em oncologia pediátrica: perspectivas de profissionais de saúde Compreender de que forma a equipe de saúde do setor de oncologia pediátrica de um Hospital-Escola da cidade do Recife percebe o trabalho realizado com pacientes, crianças e adolescentes, em cuidados paliativos. Trata-se de uma pesquisa qualitativa Os resultados evidenciam que os participantes têm entendimento sobre a paliação, porém necessitam ampliar sua preparação técnica e emocional para trabalhar com os pacientes em cuidados paliativos.
GUIMARÃES. Tuani Magalhães et al 2016 Cuidados paliativos em oncologia pediátrica na percepção dos acadêmicos de enfermagem Conhecer a percepção dos acadêmicos de enfermagem sobre cuidados paliativos em oncologia pediátrica. Pesquisa exploratória, abordagem qualitativa, A complexidade e os múltiplos aspectos envolvidos no cuidado paliativo exige que o mesmo seja abordado durante a graduação dos Enfermeiros.
JESUS. Elaine Cristina de Jesus. NASCIMENTO. Maria de Jesus Pereira. 2017 Florais de Bach: uma medicina natural na prática Aprofundar o conhecimento sobre as bases filosóficas que norteiam a terapia floral do Dr.  Bach; Trata-se de um estudo quantitativo descritivo Conclui que o interesse pela medicina natural é crescente no mundo inteiro, não estando limitada a uma determinada classe social, áreas rurais ou regiões menos desenvolvidas
MATUMOTO. S, FORTUNA. CM, MISHIMA. SM, PEREIRA. MJB, DOMINGOS. NAM 2017 Supervisão de equipes no Programa de Saúde da Família: reflexões acerca do desafio da produção de cuidados Apresentar reflexões acerca de experiência com equipes de saúde da família do município de Ribeirão Preto, e discutir aspectos relacionados à mudança da lógica da produção de procedimentos para a de cuidados, identificados na supervisão. Revisão integrativa da literatura Por fim, ressaltamos que os aspectos assinalados pela equipe como dificultadores indicam ao mesmo tempo os pontos facilitadores para a produção do cuidado pela potência de abrir-se para múltiplas possibilidades de ação e criação
MILANI. L, SILVA. MM 2021 A enfermagem e os cuidados paliativos na atenção primária à saúde Analisar o papel dos profissionais de atenção primária à saúde em cuidados paliativos Revisão integrativa de literatura O acesso facilitado a cuidados paliativos, próximo ao lar, associado ao manejo constante dos sintomas e à sensibilidade para com a realidade das famílias, faz toda a diferença para os pacientes em fase final da vida.
PACHECO. KMG, MELLO. DR, ANDRADE PCST, JOMAR. RT, VARGENS OMC, GALLASCH. CH 2021 Expectativas sobre a sobrevivência ao câncer Analisar as expectativas de pacientes internados devido ao diagnóstico de câncer sobre o término do tratamento e a sobrevivência à doença Estudo qualitativo e descritivo É necessário reconhecer as expectativas do sobrevivente ao câncer para auxiliá-lo em direção ao protagonismo acerca de suas decisões sobre sua vida futura e tratamento, incentivando a autonomia na construção do seu processo de saúde.
PACHECO, Cássia Linhares. GOLDIM, José Roberto 2019 Percepções da equipe interdisciplinar sobre cuidados paliativos em oncologia pediátrica Compreender as percepções da equipe interdisciplinar da Unidade de Oncologia Pediátrica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, sobre cuidados paliativos no contexto do câncer infantil. Estudo exploratório e descritivo Os resultados apontam a necessidade de criar espaços de discussões teóricas sobre morte e cuidados paliativos, bem como de encontros sistemáticos para abordar as percepções relacionadas ao cuidado desses pacientes.
RODRIGUES. JLR. 2020 Cuidados de enfermagem no manejo da dor de pacientes adultos e idosos em cuidados paliativos Identificar os cuidados de enfermagem no manejo da dor de pacientes adultos e idosos em cuidados paliativos Revisão integrativa da literatura Evidenciou-se a importância do vínculo entre o profissional e o paciente/família, no manejo da dor, além da assistência de forma holística. O pequeno número de estudos sobre o tema foi uma limitação para a pesquisa, ressaltando, assim, a necessidade de mais pesquisas nesta temática.
SANTOS. Demétrio Beatriz Alvarenga. LATTARO. Renusa Campos Costa. ALMEIDA 2021 Cuidados Paliativos de Enfermagem ao paciente Oncológico Terminal: Revisão Literatura Destacar conhecimentos necessários para que o profissional de enfermagem utilize dos cuidados paliativos para oferecer assistência aos pacientes oncológicos terminais. Revisão da literatura O enfermeiro deve aperfeiçoar suas habilidades técnico-científicas e na capacidade de percepção das necessidades do paciente terminal oncológico, de forma que consiga oferecer cuidados de enfermagem com qualidade.
SANTOS, Alda Laisse Nascimento dos; LIRA, Sabrina de Souza; COSTA, Ruth Silva Lima da 2018 Cuidados paliativos prestados pelo enfermeiro ao paciente oncológico Descrever os cuidados paliativos prestados pelo enfermeiro ao paciente oncológico. Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura Conclui-se que a humanização, o amparo, o conforto, a solidariedade e a compaixão prestada tanto pelo enfermeiro, quanto pela família ao paciente oncológico durante a realização de cuidados paliativos, são indispensáveis e fundamentais nesta fase, proporcionando aos mesmos um tratamento menos doloroso e mais digno.
SILVA, Marcelle Miranda da. MOREIRA, Marléia Chagas 2018 Sistematização da assistência de enfermagem em cuidados paliativos na oncologia: visão dos enfermeiros Descrever a visão dos enfermeiros a respeito da sistematização da assistência de enfermagem (SAE) a clientes com câncer avançado em cuidados paliativos Pesquisa qualitativa, descritiva Como principal estratégia para implantação da SAE evidenciou-se a necessidade de capacitação da equipe em relação à fundamentação teórica e preparo para a tomada de decisão frente à complexidade da área.

Fonte: Autores, 2021

O câncer atualmente, é uma das principais causas de mortes no mundo, representado pelo crescimento celular desordenado, com infiltração para os tecidos adjacentes, espalhando de forma desordenada, chegando a atingir, outras partes do corpo, provocando falência de órgãos e, em muitos casos, a morte (GUIMARÃES, 2016). Devido a essas características, é conhecida como uma enfermidade incurável, com possibilidade inevitável de morte, perda da independência física, autonomia, vitalidade e ainda aumento das chances de ocorrência de sensação de dor e mortalidade (PACHECO et al., 2021).

É importante mencionar que, o aumento exacerbado do número de casos de câncer está relacionado com os aspectos sociais, à exemplo da pobreza. Os principais tipos de câncer são: câncer de pênis, colo do útero, estômago e cavidade oral. Pode-se dizer que, o câncer possui etiologia multicausal, ou seja, esta doença pode ser originada de fatores ambientais, culturais, socioeconômicos, estilos de vidas, hábitos de fumar, questões alimentares, fatores genéticos e o envelhecimento (GUIMARÃES, 2016).

Algumas décadas atrás, o câncer no Brasil era considerado como uma doença de pequena relevância, no entanto, sem chances de cura. Uma boa parte da população brasileira não tinha conhecimentos acerca da doença, não sabendo de suas características epidemiológicas. Os médicos das primeiras décadas do século XX, tratava o câncer como uma doença transmissível, como uma lepra e tuberculose. Desta forma as pessoas que tinham câncer eram isoladas das demais, para que as outras pessoas não fossem infectadas (GUIMARÃES, 2016; SANTOS; LIRA; COSTA, 2018).

Felizmente, quando diagnosticado precocemente e tratado corretamente em centros especializados, o câncer tem chance de cura estimado em torno de 70%. No entanto, quando diante do tratamento o paciente não apresenta resposta satisfatória à doença, resta então alternativas voltadas a promover conforto (GOMES; OTHERO, 2016).

Ainda hoje, o câncer induz aos pacientes uma visão de morte. Para eles, ter câncer significa estar diretamente condenado à morte. Com isso, o paciente demora a procurar um serviço especializado, capaz de providenciar seu tratamento, retardando assim sua cura e tornando o seu “pensamento” uma realidade. A esses pacientes ou àqueles que mesmo com o tratamento precoce não foi possível curar, conduzem-se os cuidados paliativos (AVANC et al., 2019, p. 89).

O processo de adoecimento é repleto de intensas, incertezas e angústia, ao paciente, família e profissionais de saúde, diante da expectativa do tratamento e cura. Nesse contexto, têm-se algumas vezes as expectativas frustradas, diante da baixa resposta do ser doente sobre o tratamento ofertado. Nesse cenário, surgem as doenças incuráveis, trazendo consigo, muita dor e sofrimento a todos envolvidos. Por esse motivo, a alternativa pelos cuidados paliativos (CP), tem se tornado uma excelente proposta, pois é capaz de oferecer cuidado integral ao ser doente, visando promover conforto em meio a dor (QUEIROZ et al., 2018).

O câncer induz aos pacientes e sua família um entendimento muito próximo de morte iminente. Ter câncer, para muitos, significa estar definitivamente condenado ao perecimento da vida. Focado nesta interpretação, a maioria dos pacientes tarda em buscar atendimento médico e, por conta disso, a doença se agrava de forma mais rápida (GUEDES et al., 2019).

Tal demora no atendimento, muitas vezes, impossibilita um tratamento eficaz e, consequentemente, reduz de forma significativa as chances de cura. Nesse panorama, tanto médicos quanto enfermeiros precisam agir de forma rápida, para que a melhor estratégia seja definida (SILVA; MOREIRA, 2018).

Os cuidados paliativos, tem por finalidade promover, conforto da dor e amenizar outros sintomas. Por esse motivo, a enfermagem tem um papel primordial nestes cuidados, vez que age considerando os aspectos psicológicos e espirituais no cuidado do paciente. Compete à enfermagem promover ações, dando suporte de forma a possibilitar ao paciente o conforto, até o momento de sua morte (SILVA; MOREIRA, 2018).

Os Cuidados Paliativos (CP), foram definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ações que consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar com a finalidade de melhorar a qualidade de vida do indivíduo e de toda sua família, diante de uma doença que ameace a sua existência, fazendo uso da prática da prevenção e alívio do sofrimento, ou seja, como uma forma de amenizar o sofrimento com compaixão, controlando os sintomas e a dor, buscando oferecer qualidade e bem-estar enquanto o paciente estiver sendo assistido. (PESSINI; BERTACHINI, 2015).

O movimento em prol dos cuidados paliativos, surgiu na década de 60, no Reino Unido, tendo em vista a valorização da assistência, além de enfoque no ensino e pesquisa. Já na América, esse movimento iniciou-se na década de 70, sendo expandido nos anos de 1974 e 1975, fazendo parte do processo do cuidar, com olhar focado e centrado no paciente sem prognóstico (MATSUMOTO, 2020).

Dentro deste contexto, a missão dos enfermeiros é iniciada desde o momento do diagnóstico, até o apoio diante do luto. Os profissionais devem estar atentos à promoção de cuidados peculiares direcionados à realidade de cada paciente, além do estabelecimento da comunicação constante com a família, visto que fazem parte do componente essencial dentro do processo, sempre com atenção voltada aos aspectos, dentre os quais estão o social, cultural, biológico e, sobretudo espiritual (AVANC et al., 2019).

É de suma importância, uma formação específica que contemple a temática dos cuidados paliativos em enfermagem para pacientes oncológicos, visto ser necessária a assistência integral neste processo. Porém, os apontamentos da literatura evidenciam que a formação dos profissionais que trabalham na saúde é pautada no predomínio da lógica biologicista, não direcionando atenção aos cuidados psicológicos oriundos do tratamento atenuante (GUEDES et al., 2019). Infelizmente, é urgente a necessidade de preparo do graduando para o enfrentamento da morte. Tal fato, mostra que o currículo das instituições de ensino superior no país não assegura, consistentemente, a contextualização da temática (GOMES; OTHERO, 2016).

Embora haja, na literatura, estudos cujo foco seja direcionado às equipes profissionais, a análise do comportamento dos enfermeiros diante de pacientes terminais é imprescindível para a eficácia do acompanhamento desses pacientes. A descrição das percepções da equipe de enfermagem acerca dos pacientes e de seus familiares acometidos pelo câncer deve, sobretudo, compreender o significado do cuidar e, por consequência, do amor ao próximo. No entanto, a escassez de estudos e pesquisas que contemplem esta percepção prejudica consideravelmente a formação e atuação dos profissionais envolvidos no exercício de conforto familiar, o que reforça a carência de intensificar as pesquisas sobre este assunto e sua predominância temporal (PACHECO; GOLDIM, 2019).

Compreende-se que, os cuidados paliativos devem ser propostos o mais cedo possível, no intuito de melhorar a qualidade de vida do paciente, além de outros métodos que possam amenizar a dor e o sofrimento do enfermo. A regra é de que quanto mais cedo se iniciar esses procedimentos, mais chance se tem na obtenção de melhores resultados (SILVA; MOREIRA, 2018).

O enfermeiro surge como um grande articulador dessa assistência, isto se dá pela sua autonomia, como também pelas suas atividades designadas pela Política Nacional de Atenção Básica. O enfermeiro desenvolve um papel relevante para a Atenção Primária, pois o mesmo deve oferecer intervenções com o objetivo de atender as necessidades da comunidade (SILVA; MOREIRA, 2018).

A enfermagem vem crescendo de forma significativa, e vem conquistando um grande espaço no âmbito da saúde. Nessa perspectiva, o enfermeiro desempenha função relevante nas Unidades Básicas de Saúde, visto que atende a população e, ao mesmo tempo, promove essa proteção na saúde dos cidadãos civis nas mais diferentes dimensões. Dentre as competências do enfermeiro, pode-se destacar a de coordenar, planejar e supervisionar os serviços que são realizados pelas equipes de saúde (MATSUMOTO, 2017).

No que diz respeito aos Cuidados Paliativos (CP), compete ao enfermeiro a reconhecer o contexto da situação de vida e as necessidades do paciente como também da família, pois é a partir deste reconhecimento e verificação que o enfermeiro passará a planejar a assistência e de como deve proceder com a pessoa acometida pelo câncer. Das inúmeras atribuições do enfermeiro, pode-se citar duas que estão estreitamente relacionadas aos Cuidados Paliativos (CP), a primeira é sobre as estratégias para a execução, ou seja, a sistematização da assistência da enfermagem e a outra é a visita domiciliar (AZEVEDO, 2020).

Ressalta-se que, sobre a sistematização da assistência de enfermagem, esta é fundamental e imprescindível para o trabalho da enfermagem, pois permite o enfermeiro a cuidar de forma integral e individualizada. Esta sistematização possibilita também a enfermagem algumas ações que estão voltadas para analisar de forma perceptível a vida do paciente, com um olhar atencioso e cuidadoso (COUTO; RODRIGUES, 2020).

A enfermagem contribui significativamente para o manejo de sintomas, uma vez que este é primordial nos Cuidados Paliativos (CP), haja vista ser o procedimento pelo qual verificará se o paciente poderá ou não ser internado. O profissional de enfermagem prescreve as intervenções de forma holística, centrada na integralidade do indivíduo considerando aspectos físicos, funcionais, sociais e da espiritualidade. Uma prática que requer conhecimento com base nas necessidades que o paciente apresenta, levando em consideração a fase terminal com circunstâncias crônicas e degenerativas, para determinar a assistência a ser prestada. (COUTO; RODRIGUES, 2020).

A visita domiciliar talvez seja o destaque de todo esse universo de Cuidados Paliativos (CP), bem como na atenção primária em Saúde (APS). Ela permite não só este contato, como também reconhecer e presenciar o contexto vivido pela pessoa e seus familiares. Essa é uma das principais ações que permite uma maior aproximação com os determinantes do processo saúde-doença, conhecer a infraestrutura (habitação, higiene, saneamento, entre outros) existente no local e estabelecer vínculos (MILANI; SILVA, 2021; MOHALLEM; SUZUKI; PEREIRA, 2017).

Outra atividade do enfermeiro evidenciada é o apoio e a educação dos familiares e cuidadores. Dentro do contexto de apoio, pode-se mencionar a seguinte composição: responder holisticamente ao sofrimento humano gerado por experienciar a fragilidade diante do desenvolvimento de morte no domicílio; estabelecer apoio emocional aos familiares e aos cuidadores para lidar com o sofrimento durante os Cuidados Paliativos (CP) e na situação de luto, oportunizando o acesso deles à equipe multiprofissional após o óbito do cliente. Além de concordarem com a própria definição de Cuidados Paliativos (CP), estas ações cumprem os princípios que norteiam a atuação dos profissionais: ofertar “um sistema de suporte para auxiliar os familiares durante a doença do paciente e a enfrentar o luto” e “focar as necessidades dos pacientes e de sua família incluindo o acompanhamento no luto” para que haja uma minimização da sobrecarga enfrentada pelos envolvidos no contexto domiciliar. (MILANI; SILVA, 2021; ROBBINS; COTRAN, 2015).

Sabe-se que, são inúmeros os desafios do enfermeiro em sua realidade enfrentada, e isto não se faz diferente sobre os Cuidados Paliativos (CP), haja vista que, há uma carência na formação destes profissionais. Além dos recursos insuficientes para realizar as visitas domiciliares, como também acesso aos Cuidados Paliativos (CP) na Atenção Primária. Tal escassez provoca um sentimento de aflição para os cuidadores e aos familiares das pessoas doentes, pois estes acreditam que os profissionais necessitam dar uma resposta sobre à saúde dos parentes, o que acaba sobrecarregando o trabalho da enfermagem (COUTO; RODRIGUES, 2020; SANTOS; LATTARO; ALMEIDA, 2021).

O grupo da enfermagem, além de prestar os Cuidados Paliativos (CP), tem de atender à demanda espontânea e acompanhar o estado de saúde de toda a sociedade adscrita. A proximidade característica do nível primário intensifica o vínculo e intriga a manutenção da imparcialidade na relação com os cuidadores, familiares e clientes em Cuidados Paliativos (CP), causando sofrimento e favorecendo a sobrecarga de trabalho. Para o crescimento de uma rede de apoio, objetivando melhorar e promover a saúde de todos os seus integrantes, faz-se necessário identificar quem são esses, manter escuta ativa e comunicação terapêutica. Além de entender a natureza das intervenções para, então, compreender os possíveis mecanismos de trabalho. (MILANI; SILVA, 2021).

Com o objetivo de que o paciente em Cuidados Paliativos (CP) possa ter o bem-estar pretendido é relevante que haja uma unificação de toda a equipe multiprofissional, pois, é por meio destas múltiplas competências e pautadas nos princípios dos Cuidados Paliativos (CP) que haverá a capacidade de se proporcionar um conforto para o paciente (COUTO; RODRIGUES, 2020).

A enfermagem, é relevante na prestação dos Cuidados Paliativos, haja vista que, o enfermeiro tem como um dos objetos de seu trabalho a precisão de cuidados. Ele deve estar atento às necessidades do seu paciente, sendo que esta atenção não deve ser voltada apenas para os aspectos físicos, mas também para as questões de ordem psicológica, emocional e espiritual. É imprescindível que, sejam interpretados de forma correta todas as queixas, sejam elas verbais ou não verbais, especialmente no que diz respeito ao manejo da dor (COUTO; RODRIGUES, 2020).

Ressalta-se ainda o conhecimento da enfermagem, ao atuar no manejo e monitoramento da dor, sintoma que está entre os maiores causadores de sofrimento e mais prevalente entre os pacientes em Cuidados Paliativos (CP). No entanto, é desafiador, já que o conhecimento em Cuidados Paliativos ainda é deficiente à formação educacional dos profissionais, gerando consequências à qualidade da assistência (RODRIGUES, 2020).

A comunicação dentro desse contexto, surge com a proposta de estreitar os vínculos entre paciente, família e profissionais envolvidos no processo. Sendo, pois, elemento primordial dentro das relações, tendo em vista, que o paciente em cuidados paliativos, vivência momentos de grandes conflitos internos, que aliados a dor física, acaba precisando de acolhimento, de forma a permitir que ele exponha suas angústias e incertezas (RODRIGUES, 2020).

É importante compreender que, as intervenções promovidas pela enfermagem, são de fato ações ou atividades que possuem a finalidade de perceber, verificar, identificar e tratar o problema encontrado. Estas primeiras ações têm o objetivo de melhorar o bem-estar do paciente. A enfermagem utiliza tecnologia leve de cuidado, como: conversa e vínculo, toque, segurar a mão, proximidade, musicoterapia, entre outras ações para o manejo da dor do paciente (COUTO; RODRIGUES, 2020).

Nesse ínterim, vale destacar que as Terapias Complementares, é um tipo de prática que apresenta a finalidade de prevenir ou ajudar no tratamento de doenças, ou condições adversas de saúde. Estas técnicas são reconhecidas pela OMS, baseadas em conhecimentos tradicionais, são usadas de forma integrada à medicina convencional. No Brasil, existem 29 práticas integrativas e complementares, estas são: apiterapia; aromaterapia; arteterapia; ayurveda; biodança; bioenergética; constelação familiar; cromoterapia; dança circular; geoterapia; hipnoterapia; homeopatia; imposição de mãos; medicina antroposófica; medicina tradicional chinesa/acupuntura; meditação; musicoterapia; naturopatia; osteopatia; ozonioterapia; plantas medicinais/fitoterapia; quiropraxia; reflexoterapia; reiki; shantala; terapia comunitária integrativa; terapia de florais; termalismo social/crenoterapia; yoga (COUTO; RODRIGUES, 2020).

A Acupuntura é uma técnica de intervenção terapêutica da Medicina Tradicional Chinesa, que se fundamenta na primazia da energia entre a matéria, a pessoa enferma e a doença, orientando-se nas características de pessoas com determinados padrões físicos, estruturais, psicológicos e de comportamento. (BOUSFIELD, 2020).

Entre as Terapias Complementares, a acupuntura é uma técnica milenar, de origem Chinesa, com a finalidade de diagnosticar doenças e promover a cura por meio do estímulo da autocura do corpo. O primeiro aparecimento foi por volta de 5000 anos atrás, no qual os primeiros países a utilizarem tal técnica foram Japão e a Coreia do Norte e Sul, logo após houve uma grande expansão para toda Ásia (CEOLIN; HECK, 2019).

A finalidade da acupuntura é promover um alinhamento e direcionar a energia, para pontos de incitação. A acupuntura pode ser com agulhas, laser ou acupressão. Assim, a técnica referida estimula os neurotransmissores do sistema nervoso central (BOUSFIELD, 2020).

A auriculoterapia é uma prática integrativa e complementar originária da Medicina Tradicional Chinesa que é realizada em todo o mundo para o tratamento de diversas situações de saúde, sendo elas o alívio de dor, desordens dos sistemas respiratórios, digestivo, nervoso, ao mesmo tempo que para problemas psicológicos e emocionais (FREITAS; SOUSA; COUTINHO, 2020; MACIEL; OLIVEIRA, 2018).

A principal função da auriculoterapia é promover a regulação psíquico-orgânica do ser humano, isto ocorre através de estímulos nos pontos energéticos, que estão localizados na orelha. Para esta técnica são utilizados agulhas, cristais e sementes de mostarda, entre outros (CONTIM; SANTO; MORETO, 2020; BOFF, 2013). Desta forma, a auriculoterapia consiste em um dos métodos terapêuticos que vem sendo utilizado em diversos países, sua aplicação é realizada por médicos e enfermeiros com base em medida preventivo-terapêutica (CONTIM; SANTO; MORETO, 2020).

A prática complementar da auriculoterapia, estimula diferentes pontos auriculares, assim permitindo a amenização da dor, sejam elas crônicas ou agudas, distúrbios psicológicos (ansiedade e a depressão), além da cessação do fumo, como também de substâncias e no auxílio contra a obesidade. É uma técnica muito utilizada para as pessoas com câncer e em seu tratamento (CONTIM; SANTO; MORETO, 2020).

Os Florais de Bach são substâncias que são extraídas de flores, estas são feitas com água pura. Trata-se de remédios totalmente líquidos naturais, pelo qual são diluídos, sendo um total de 38 (trinta e oito) essências. A finalidade do tratamento em discussão é o tratamento dos problemas voltados para o lado emocional, possibilitando a harmonização do indivíduo no meio da qual está inserido (CONTIM; SANTO; MORETO, 2020).

É importante salientar que esses remédios podem ser utilizados concomitantemente com outros tratamentos, pois não têm efeitos colaterais. Em outras palavras, consiste em um dos sistemas terapêuticos alternativos que são direcionados pela Organização Mundial da Saúde desde a década de 50 (JESUS; NASCIMENTO, 2017). Deste modo, o uso da terapia floral é de grande relevância para a enfermagem, uma vez que, este tratamento está voltado para os problemas das quais afetam os seres humanos, sendo sua finalidade a de ajudar nos casos em que a medicina tradicional não conseguiu resolver (CONTIM; SANTO; MORETO, 2020).

Nessa linha de pensamento, a terapia floral pode ser utilizada em todas as especialidades da área da saúde, sendo que esta permite o equilíbrio, fator de fundamental relevância para qualquer ser humano (CONTIM; SANTO; MORETO, 2020).

No que diz respeito a Fitoterapia, esta consiste numa prática multiprofissional, realizada por profissionais da saúde, sendo eles, farmacêuticos, odontólogos, médicos, veterinários, enfermeiros, assistentes sociais, biólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais e tem como principal característica conseguir reunir os trabalhadores da saúde com a comunidade (BRASIL, 2018; ARAÚJO, 2019).

Pode ser exercida por todos os profissionais de saúde no âmbito da RAS, que tenham segurança de conhecimento. Os recursos terapêuticos em Fitoterapia são amplamente embasados por referências científicas, institucionais e legais, disponíveis e acessíveis aos profissionais para orientação e suporte. Como prática complementar, não há exigência de título de especialista, embora seja desejável; entretanto alguns conselhos profissionais exigem essa titulação para seus filiados, como para a classe médica e, dependendo do âmbito de atuação, para o nutricionista. Para os demais profissionais de saúde é exigido curso de formação, com carga horária variável. Além disso, algumas plantas medicinais, chás medicinais e fitoterápicos apresentam exigência de prescrição médica (BRASIL, 2018, p. 87).

A Fitoterapia como uma prática alternativa, tem sido uma grande aliada para o indivíduo com câncer e aos seus familiares, uma vez que, os sintomas decorrentes do tratamento costumam ser diversificados, e isto apresenta um grande impacto para a qualidade de vida do paciente, por este motivo, muitos pacientes com câncer, buscam terapias alternativas para amenizar os seus sintomas, consequentemente as suas dores (CONTIM; SANTO; MORETO; 2020; BRASIL, 2018).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A abordagem utilizada pelo Cuidado Paliativo (CP) é de dar um apoio aos pacientes, como também aos seus cuidadores, excluindo a ideia de que não se pode mais fazer nada pelo paciente que se encontra em seu estado terminal. A família tem um papel significativo para com os Cuidados Paliativos (CP), pois é importante que a família esteja em sintonia com o enfermeiro, já que nesse modelo é favorável um trabalho produtivo, eficaz e eficiente, que possa permitir ao paciente um bem-estar.

Diante da pergunta norteadora: Qual a importância da assistência de enfermagem ao paciente oncológico em cuidados paliativos e quais métodos alternativos podem auxiliar o paciente nesse processo? Foi possível perceber que o profissional enfermeiro é fundamental nesse processo, pois, através de uma boa comunicação com seu paciente e familiares, com um diálogo aberto e flexível, promove a diminuição da ansiedade e das incertezas dos familiares do paciente. As Terapias Complementares, como acupuntura, auriculoterapia, florais de bach e a fitoterapia, acompanhadas pelas terapias convencionais, como a radioterapia e quimioterapia, promovem um resultado satisfatório para o paciente, estimulando a efetividade reduzindo os sintomas que são provocados pela doença.

Diante da escassez de estudos abordando essa temática, sugere-se, que esse assunto seja discutido no meio acadêmico, ressaltando a formação especializada de Cuidado Paliativo (CP) em Oncologia, haja vista a sua relevância para as pessoas com câncer, pois é uma medida de promoção ao bem-estar do paciente em sua terminalidade.

O enfermeiro deve estar atento às necessidades individuais dos pacientes, observando, verificando, analisando e percebendo quais as dificuldades, os seus anseios, estando com olhar voltado para atender o paciente de forma integral e pautada na premissa de promover conforto mesmo em meio a dor. Infere-se, portanto, que a valorização do diálogo é fundamental para promover os princípios de autonomia, tanto para o paciente como para os familiares, ajudando-os nas tomadas de decisões, com enfoque nas necessidades e no estado emocional de todos os envolvidos neste processo.

REFERÊNCIAS

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[1] Graduanda em Enfermagem pela Universidade CEUMA.

[2] Graduada em Enfermagem pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC). Especialista em Saúde Pública: Saúde da Família pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e em Educação Profissional na Área de Saúde: Enfermagem pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP). Mestre em Doenças Tropicais pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Enviado: Setembro, 2021.

Aprovado: Dezembro, 2021.

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